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Ninguém pede pra segurar a mão de ninguém

(sem acentuacao)

O padrao eh assim: eu percebo que uma amiga anda meio sumida - nao interage nos grupos em comum que temos no Whatsapp e nao aparece nas redes sociais como costumava aparecer. Eu mando mensagem perguntando se esta tudo bem, e a resposta eh mais ou menos 'ah, tudo bem, mas estou meio cansada'. Em uma rapida troca de mensagens, percebo que nao esta tudo bem nao. Seja stress por causa de trabalho, cansaco pelo dupla ou tripla jornada (trabalho/casa/filhos/vida social), a questao eh que a amiga se recolheu, diminui bruscamente contato com as pessoas ao seu redor, para lidar com os estresses/problemas sozinha.

Eu, obviamente, nao acho que posso resolver os problemas das minhas amigas. Mas tenho dificuldade em entender a reclusao. A maioria delas - e foram varias, em poucos meses - acabou me falando que 'nao gosta de pedir ajuda, de incomodar' - por isso preferiu carregar as dores sozinha.

E eu achava que a gente tinha amigas e amigos justamente pra nos dar a mao, ou aquele ouvido amigo, quando a gente precisa simplesmente dividir angustias. Me pergunto quando e por que decidimos que pedir ajuda passou a ser incomodo.

Seria essas coisa do conto da vida perfeita das redes sociais? Seria essa onda patetica motivacional que fala pra gente nao desistir nunca? Nao sei. So sei que o slogan 'ninguem sola a mao de ninguem' parece bonito no papel, mas ninguem quer fazer uso dele de verdade.

Rome noisy Rome


Quando voltamos da nossa primeira ida a Roma em 2011, eu escrevi um post aqui com o título 'Rome Sweet Rome'. Lembro de ter ficado emocionada de conhecer a cidade - e é claro que fiquei muito feliz de retornar, ainda mais em companhia dos meus pais.

Mas esse retorno me fez perceber como mudei nesses 8 anos. A bagunça de Roma me incomodou, o barulho, o trânsito. E Roma já era assim quando estive lá em 2011. 8 anos para o berço da humanidade não é nada. Mas pra mim, é muito!

Foi interessante perceber que os destinos 'cidade' já não me atraem tanto. Não que eu não soubesse disso, mas essa viagem foi uma espécie de confirmação.

Aí chego em casa e minha nova jaqueta impermeável para fazer hiking está aqui me esperando, e eu só consigo pensar que quero estar no mato esse fim de semana e que se chover não faz mal.

Canola


Se você fizer uma viagem de trem ou de carro pela Inglaterra durante a primavera, é provável que veja diversos campos de flores amarelas pelo caminho. É uma marca registrada. Mas claro, com a velocidade, a gente vê apenas o 'conjunto da obra', um borrão amarelo passando rapidinho na janela. Não faz muito tempo que eu finalmente descobri que são plantações de canola (em inglês, rapeseed, um nome que eu particularmente acho péssimo).

E faz menos tempo ainda - dois dias - que eu vi uma plantação dessas sem estar dentro do carro ou do trem. Eu não apenas vi, mas entrei na plantação. O borrão ficou nítido, ganhou contorno. Vi que, apesar do conjunto da obra ser amarelão, as flores são bem pequenas e a maior parte é mesmo o cabo (haste? tronco?) verde. São plantas altas, semeadas tão do ladinho uma da outra que não dá pra passar no meio se não tiver uma caminho aberto. E, mesmo andando pelo caminho demarcado, nossas roupas ficaram cheia de pólen, pequenas manchas amarelas. Trouxemos um pouquinho do borrão pra casa!


Andar, escrever


Estou lendo um livro chamado 'Swimming with Seals' (nadando com focas), no qual a autora, Victoria Whitworth, relata sua experiência de nadar, todos os dias, no mar gelado em uma praia em Orkney (arquipélado no norte da Escócia, onde ela mora). O livro vai além disso, é uma reflexão sobre a vida dela (não é uma biografia) e sobre a vida e história de Orkney também. Mas a parte de nadar é a minha parte preferida.

O jeito que ela descreve esse exercício (por falta de uma palavra melhor, porque há lazer e relaxamento envolvidos também) me afetou de uma maneira bem interessante. Me deu uma vontade louca de escrever sobre essa minha atitude latente - e recente - de querer estar fora da cidade. Sem ser 'dando dica', sem ser obrigação (saco cheio de SEO), mas apenas a minha sensação enquando caminho no mio do mato, a descrição dos lugares por onde passo e o que me leva a querer fazer isso mais e mais. A verdade é que eu não sei porque quero fazer isso mais e mais, mas quem sabe, escrevendo, eu descubro.

Tá gostando?

Completei dois meses de trabalho novo e é claro que a primeira pergunta que as pessoas próximas (e as nem tão próximas) me perguntam: e aí, tá gostando? Se eu ganhasse uma rainha pra cada vez que respondi essa pergunta.... teria umas 15 rainhas, ou seja, dinheiro para três sanduíches no Pret a Manger na hora do almoço.

Mas enfim. Tô gostando?

Depende da interpretação que você faz da pergunta. Se eu estou gostando desse trabalho, especificamente? Sim, estou. É uma equipe muito bacana (sério, acho que nunca me senti tão a vontade tão rápido), somos apenas 14 pessoas. E o melhor: 12 mulheres (#misândrica). Ninguém te enche o saco com o horário ou quer saber o que vc faz de hora em hora. A atmosfera é super boa, o sentimento que tenho é que é um grupo do bem (de verdade mesmo, não no sentido coxinha 'cidadão de bem' da família tradicional brasileira). Acho minhas tarefas interessantes, o propósito da ONG é interessante, e estou satisfeita porque era exatamente o que eu queria: pertencer a um grupo de pessoas com um objetivo em comum e ser paga para isso.

Para os curiosos (ou seria stalkers?). vocês podem ver exemplos do meu trabalho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. Mais ou menos isso que faço todo dia.

Mas porém contudo, se você quer saber se estou gostando de trabalhar novamente - no sentido tradicional de trabalhar, das 9 às 5 - a resposta é não. Sei que soa contraditório, e sei que eu dizia que estava sentindo falta de ir a um escritório e pertencer a uma equipe, mas esse tempo todo que fiquei fora do mercado me fez entender que trabalhar é realmente uma grande perda de tempo. Nunca caí naquela máxima de que 'trabalho enobrece o homem'. Não me sinto mais nobre ou mais importante, simplesmente me sinto muito ocupada e com a conta do banco mais gordinha.

Chegar em casa e ter que fazer todas as tarefas do lar, e colocar em dia os projetos paralelos (Conexão Feminista), fazer as atualizações/fofocas/marcações de compromissos com as amigas, ir correr.... Não dá tempo de nada. Tudo fica em segundo plano quando a gente trabalha. Sei que tô falando mais do mesmo, mas quanto mais eu trabalho mais isso fica claro pra mim.

E qual a alternativa?

Não tenho a menor ideia. Pelo menos estou bem mais tranquila, pois voltei a trabalhar já preparada pra esse baque de ver o dia passar e não ter feito nada por mim. O interessante é que a obviedade do trabalho me faz mais criativa: fico tendo  um gazilhão de ideias o dia inteiro, e me mando emails diversos para não esquecer as ideias. Sabe quando a gente pensa em algo brilhante durante o banho e tem medo de esquecer? Então, mais ou menos isso.

E vocês, como estão?

Mestrado acabou, e agora?


Mestrado acabou, já recebi meu resultado (sim, sou oficialmente mestre! Ou melhor, mestrA), e agora tenho a estranha sensação de que os dias passam muito rápido e muito devagar ao mesmo tempo. Filosofias a parte, a falta de rotina unida a muitas ideias e coisas pra fazer - não consigo não arrumar uma sarna pra me coçar - me faz pensar que deveria aproveitar mais essa fase sem trabalho 'normal' (em um escritório, o dia todo) ao mesmo tempo que acho que devo fazer mais e mais coisas pra 'justificar' não ter um trabalho formal. Complicado? Imagina!

Na prática, é assim: hoje, por exemplo, resolvi dividir meu dia em duas tarefas. Trabalhar em uma proposta para um livro e adiantar a legendagem de um dos vídeos de entrevista da Conexão Feminista. As horas se arrastam. Eu escrevo, escrevo, escrevo e o tempo não passa. Aí resolvo 'migrar' pra legendagem pra mudar um pouco de ares e a mesma coisa acontece. Nesse sentido, o dia passa muito devagar. Mas, vai chegar a sexta feira e eu sei que vou pensar: mais uma semana que eu não fiz nada, que eu não consegui um trabalho 'decente'. Nossa, até eu tenho dificuldade em compreender essas contradições.

E assim vamos. Isso sem falar é claro da despedida da democracia no Brasil e do trem desgovernado chamado Brexit no Reino Unido que está perto do fim da linha e vai cair em um precipício.

Mas tá tudo bem. Tá tudo bem!

(pelo menos voltei a dar as caras aqui!)

Dois shows, duas viagens e um projeto depois


Passou um mês desde a última vez que publiquei algo por aqui. Desde o post sobre o show da Shakira tive dias intensos: mais dois shows (Foo Fighters e Alanis Morissette), duas viagens (Bermuda e Portugal) e um projeto feminista realizado (o Intercâmbio Feminista). E o meu aniversário de 38 anos!

Tem dias que até esqueço que tem uma dissertação esperando pra ser finalizada!

Volto logo, prometo.

Porque ninguém dá tchau


Sempre tive raiva de blogueiros que encerram suas atividades sem sequer dar um tchau para os leitores. É tão legal cair em um post interessante quando a gente busca qualquer coisa no Google, mas eu fico decepcionada quando percebo que o blog não é atualizado há meses, as vezes anos. O mais interessante é achar o blogueiro nas redes sociais e constatar que o link pro blog continua lá, na biografia dele ou dela, como uma vitrine.

Mas agora eu entendo essa falta do tchau oficial. É que ninguém quer se despedir, ninguém quer oficializar que o blog acabou. O último post não existe justamente para se por acaso 'um dia' o dono do blog quiser voltar, sem culpa. Afinal, são anos dedicados a criação de um diário, e ninguém gosta de admitir que essa fase acabou.

Acho que a gente deve uma certa satisfação pra quem nos acompanha, mas como falei antes, agora entendo. Vai que você se despede, ninguém nunca mais volta no seu blog e anos depois surge aquela vontade de escrever de novo? É sempre bom pensar que alguém está esperando você voltar.

Em tempo: esse não é um post de despedida, mas obviamente ando sumida daqui. Pensei sim em escrever tchau, nos vemos por aí, mas não consigo. Hoje mesmo uma pessoa me mandou mensagem no Instagram e sugeriu que eu escrevesse um post sobre as minhas plantas. Quem sabe esse post apareça por aqui em meio aos posts sobre os livros que estou devendo?

Mochila


Durante o nosso ataque ao cume no Kilimanjaro, uma pessoa do nosso grupo se sentiu um pouco enjoada quando estávamos quase na metade do caminho. A primeira coisa que o nosso chefe de expedição fez foi tirar a mochila dela e entregar para um dos guias, que a carregou até o cume. Já mais pra frente, faltando mais ou menos uma hora pra chegarmos, eu já não estava aguentando mais a minha mochila. Não tinha quase nada dentro dela, mas estava pesando uma tonelada e chegou um momento que eu achava que não conseguiria dar mais um passo sequer. Se eu sentasse, só iria me levantar se fosse pra começar a fazer o caminho de volta. Nesse momento, a pessoa que estava sem a mochila há várias horas (e recuperada do enjôo), se ofereceu pra carregar a minha. Naquela altura do campeonato ela estava mais disposta do que eu, e eu sabia que ela realmente estava afim de me ajudar (estávamos caminhando no mesmo grupo há dias). No minuto que tirei a mochila das costas me senti melhor, foi impressionante.

Passado mais um tempinho, quem começou a sentir o peso da mochila foi o Martin. Ele parava várias vezes pra apoiar a testa sobre as nossas 'bengalas' de caminhada (walking sticks), e eu genuinamente achei em um dado momento que ele ia cair de cansaço. Então eu me ofereci pra carregar a mochila dele naqueles últimos metros - ter me desfeito da minha tinha me dado uma energia extra, e poder ajudá-lo também foi algo que surpreendentemente acabou me motivando a dar aqueles últimos passos até o cume.

Estou contando essa historinha pra fazer um paralelo. Ando pensando muito no fato de que a gente quase não pergunta pras pessoas ao nosso redor como elas estão (como está o peso da mochila delas) - perguntando pra valer mesmo, querendo saber a resposta verdadeira e não apenas a 'educada' (entre muitas aspas porque odeio isso de ter que perguntar/responder por obrigação, odeio a ideia de que não podemos incomodar os outros com os nossos problemas).

A gente meio que acha que sabe como as pessoas estão. E a gente geralmente acha que todo mundo está bem. Concorda? 'Ah, você sabe da fulaninha?' 'Sei sim, ela tá bem, trabalhando....' soa ou não soa comum? Tenho mesmo refletido muito sobre isso, sobre as vezes me pegar me sentindo sozinha sendo que estou rodeada de amigas. E as poucas pessoas com as quais eu dividi esse pensamento concordaram comigo. Tá todo mundo negligenciando todo mundo, a gente segue cada dia achando que 'tá tudo bem'.

Tenho feito um esforço pra sair desse ciclo vicioso. Faço parte de um monte de grupos no whatsapp, e me dei conta que raras são as vezes que tenho conversas particulares, sem ser aquela generalização dos grupos (não que eu não goste do bate papo com turma grande, muito pelo contrário). E noto que algumas pessoas fazem o mesmo, e isso me deixa contente. Receber uma mensagem só pra mim: 'oi, você tá bem? Vamos nos ver?' soa pra mim como 'deixa eu te ajudar a carregar a mochila pra você também chegar no cume'.

Enfim, um pouco de divagação pra dar uma animada por aqui ; )

E vocês, tudo bem?

Quem é o criminoso?


Estamos em Paris por uma semana, para passar o Natal com os nossos amigos Paula e Filipe - esse será o sétimo Natal que passamos juntos, uma tradição que não pretendemos quebrar.

Bom, ontem eu e o Martin estávamos passeando pela cidade quando ouvimos uns gritos. Olhamos pra trás e vimos dois homens correndo. Um perseguia o outro. O que estava fugindo carregava uma sacola, e o que estava atrás dele vestia um avental. Na hora já entendemos: o da frente roubou algo de uma loja, e o de trás era vendedor da loja e percebeu o roubo.

O vendedor alcançou o que roubou, arrancou a sacola dele e tirou de dentro uma garrafa - o objeto roubado. Mas o que aconteceu em seguida foi o que realmente me chocou: o vendedor começou a bater no cara, que por sua vez se encolheu e não revidou. Foram uns dois ou três tapas. O moço então tentou pegar a sacola de volta da mão do vendedor, mas não conseguiu. O vendedor o ameaçou com a garrafa e então andou de volta para a loja. A gente claro não entendeu o que eles falaram, mas o rapaz voltou junto com ele. Sei lá se ao chegarem na loja o vendedor chamou a polícia. Continuei andando.

Fiquei muito, mas muito impressionada mesmo com o acontecido. Como uma pessoa bate na outra no meio da rua, em plena luz do dia, na frente de todo mundo? Pra mim, o vendedor perdeu a razão no segundo que encostou a mão no rapaz que roubou a garrafa. Isso é um perigo. Quem somos nós pra fazer justiça com as próprias mãos? Ainda que tenha sido um flagrante? Desde quando bater em alguém resolve algum problema? O que será que aconteceu com o 'ladrão' dentro da loja? Não gosto de pensar.

Você pode até argumentar comigo: mas poxa, ele roubou!

Só que de um 'flagrante' para o achismo é um passo. Isso é muito, muito perigoso. Não cabe a ninguém decidir a punição do 'ladrão'. Existe sistema judiciário pra isso. E já é suficiente que tal sistema seja antiquado e que não resolva violência a longo prazo. Isso não justifica que a gente tenha que penalizar outros seres humanos.

Enfim. Não consigo parar de pensar no rapaz. Na cena do vendedor descendo a mão nele, no  meio da rua.

Agenda cheia


Uma das coisas que quero fazer em 2018 é fazer menos coisas. Esses dias eu peguei minha agenda do ano que vem e comecei a anotar os compromissos que já tenho: alguns shows, meia maratona, exposições e até encontros com amigas. Vai ser um ano atribulado, de dissertação pra escrever, projeto do Conexão Feminista para colocar em prática (estou esperançosa de que vamos alcançar a meta!) e provavelmente algumas viagenzinhas.

Eu sempre tenho a impressão de que 'daqui duas semanas vai estar mais tranquilo', mas nunca acontece. Vou marcando compromissos e quando em dou conta mal tenho tempo pra mim, pra ficar em casa e ficar com o marido vendo televisão. Morar em Londres catalisa essa sensação de que estamos perdendo algo muito bom se ficamos em casa. Tem sempre alguma coisa incrível rolando.

Óbvio que é ótimo estar com as amigas e ter uma vida social agitada, mas preciso aprender a priorizar. Meus treinos de corrida foram muito prejudicados esse ano, e em 2018 eu quero que isso seja o que me faz dizer não para marcar outros compromissos, e não o contrário.

E vocês, sentem isso também?

Limitações bloguísticas


Lembro quando um colega de trabalho lá no Brasil me falou: achei seu blog. Sabe quando dá aquele embrulho no estômago, aquele calor interno, que a gente só sente quando alguma coisa deu muito, muito errado? Isso era lá por 2007 e ainda era relativamente fácil manter um segredo digital. O que facilitava muito a minha vida, eu escrevia qualquer bobagem e transformava qualquer episódio da vida cotidiana em post.

Tinha várias amigas e amigos próximos que não sabiam do blog, nem minha família, nem chefe, nem ninguém. Hoje o negócio é bem diferente! O que eu acho ótimo, mas por outro lado tira a espontaneidade dos posts. Pelo menos no meu caso. Não que eu queira falar mal das pessoas (talvez), mas dá medo de usar uma conversa, uma briga ou uma curiosidade da vida alheia como inspiração. Até porque quando a gente escreve, a turma lê e interpreta como quer. 

É aquela coisa né? Tipo publicitário famoso que fala que empoderamento feminino é clichê porque não consegue mais vender campanha com mulher de biquini pra vender de carro a cerveja. Tem que exercitar os neurônios e tentar ser um pouco mais criativo. No meu caso, preciso achar um jeito de encontrar graça na rotina pra fazer esse blog seguir em frente sem a anonimidade pra me proteger : )

Mania de grandeza


O Reino Unido é um lugar com mania de grandeza. Começando é claro por esse nome, REINO UNIDO. Tá meio desatualizado né? Mas enfim, piadinhas brexiteiras a parte, eu acabei de ter um insight vendo um comercial na televisão sobre conscientização do Alzeimer.

Até quando é pra falar de coisa ruim, o negócio tem que ser grandioso. Tal doença É A QUE MAIS MATA britânicos que nasceram no mês de janeiro de 1978 e escrevem com a mão direita. Tudo é mais, é maior, é melhor. Sabe aquela pessoa que te fala que já quebrou o braço quando você conta que quebrou o dedo? Então, se essa pessoa fosse um país (ops, um reino), seria o Reino Unido.

E as igrejas, gente? Aí você vem morar no Reino e vai visitar sua primeira catedral. Uau, que linda! Tá aqui escrito no folheto que essa é a catedral mais antiga do país. Mas pera lá, essa outra aqui, que você visita duas semanas depois, tá falando a mesma coisa. Ah pera, é que uma é considerada a mais antiga se você falar do uso de tijolos brancos, a outra de tijolos amarelos. Aí tem que se se vende como a que possui o maior teto abobadado do planeta, a outra que tem o maior órgão, a outra tem a torre de madeira mais alta, e a outra foi a mais bombardeada em uma guerra aí.

E os pubs? Só em Londres tem uns 756 pubs que são o mais antigo da Inglaterra.

O maior, o melhor, o mais bonito, o mais antigo. A gente tem que é achar graça!


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Nonsense


Fiquei toda toda me parabenizando pela frequência das postagens em março e cá estou eu em abril há vários dias sem publicar nada! Não dá pra elogiar : ) que a coisa desanda!

Hoje é a segunda feira de Páscoa, e por mais estranho que pareça, é uma data de verdade. Eu não inventei, a segunda feira após o domingo de Páscoa é feriado! IEI!! Então estamos aqui, naquela segunda com cara de domingo, aproveitando ao máximo o único feriado de 4 dias que temos (bom, se os dias 25 e 26 de dezembro caem em uma quinta ou sexta ou segunda e terça, também ganhamos 4 dias de folga, mas né, não é sempre que o calendário colabora, então da licença que a Páscoa é garantida!).

E já estou no terceiro parágrafo do post sem a menor ideia do que continuar escrevendo. Não sei nem porque comecei. Talvez pra falar da viagem que fizemos pro País de Gales? Ou pra falar que meus pais chegam essa semana? Sei lá. Vai ficar essa enchição de linguiça nonsense assim mesmo. Desculpaê pelo tempo perdido! Meu e seu : )

O sucesso do fracasso




Eu tenho uma teoria sobre a minha geração. Essa turma aí com uns 30 e poucos, quase 40. Eu acho que a gente ficou meio perdido na vida profissional: a gente cresceu idealizando uma boa faculdade e um emprego decente pra pagar as contas. Mas aí, agora que estamos próximos ao ápice da carreira, começamos a questionar: é isso mesmo? Eu trabalho tanto pra isso? A gente vê a turma mais nova se dando bem no Youtube, criando startups geniais, conseguindo investimento pra inventar um alface mais verde ou um aplicativo que cozinha pra você e bate aquele desânimo. Afinal, qual a nossa contribuição com o mundo?

E vem aquele sentimento de fracasso. De não se encaixar no lance da carreira em empresa mas ter muito medo de partir pro estilo de vida do empreendedorismo (eu me irrito um pouco com essa palavra, porque há um sentimento geral que dá a entender que empreender é o estilo de vida das pessoas de sucesso, empreender é para vencedores e carteira de trabalho para fracassados, mas enfim, vocês entenderam).

Aí veio uma amiga minha e me falou a melhor coisa que eu ouvi nos últimos meses: se sentir fracassado nesse mundo de hoje é sinônimo de sucesso. Eu achei o máximo! E depois de muito tempo, me senti novamente bem sucedida. Não se encaixar, finalmente, vale a pena.


A socialzona


Tá rolando nas redes sociais um meme (Eu odeio essa palavra, meme, da onde surgiu essa expressão?), sobre as pessoas que quando você pergunta "vamos?", respondem "vamos!".

Bom, eu costumava ser a pessoa que respondia, "não tô afim" ou qualquer coisa do tipo, mas um belo dia eu resolvi mudar. Não se exatamente a razão, mas sei que minha agenda anda cheia (tô metida!). Entre as aulas de ballet, as corridas e as saidinhas aqui e ali, não tem sobrado muitos dias livres pra ficar em casa a noite e me atualizar no Netflix (continuo na segunda temporada de Orange is the new black).

Claro que essa vida de não ter um trabalho fixo ajuda. Dá pra fazer uma social com os outros amigos que estão no limbo também são frilas/bloggers como eu. A única coisa que muda é o que estamos bebendo: café quando é no meio do dia. Aperol Spritz (ou simiar) quando é no horário dos trabalhadores sérios. Porque as mágoas são choradas igualmente (e os sucessos celebrados, claro!), independente da bebida na mesa.

Sugestões




Quando a gente tem um problema ou enfrenta um impasse, e quando a gente compartilha isso com alguém, não dá pra evitar: vamos receber uma enxurrada de sugestões. Bem intencionadas, eu sei (e tenho certeza de que já fiz isso, não estou apontando dedo pra ninguém, apenas fazendo uma reflexão), mas que mais atrapalham do que ajudam. Na maior parte das vezes, atrapalham.

Ano passado, quando eu deixei meu trabalho fixo para me aventurar como blogueira e freelancer, passei por algo assim. Passados alguns meses eu já não tinha certeza de que tinha feito a melhor decisão, e comecei a considerar as opções. E bastou eu compartilhar essa insegurança para ser metralhada com soluções para o meu impasse. Mas eu só queria falar. Eu sabia quais eram as opções possíveis, mas não estava certa de que caminho tomar. Estava em um limbo, e precisava lidar com esse limbo no meu tempo.

Ouvir as diversas soluções propostas apenas exaltou o meu sentimento de ter fracassado. Afinal, com tantas opções, como eu poderia estar na dúvida? Escolhe uma e vai, oras!

Isso é muito cansativo. As vezes a gente só quer compartilhar um momento difícil, sem discutir as possibilidades. Apenas falar. Acho que só uma pessoa (uma colega do ex trabalho aliás) me falou algo que realmente ajudou: lembre-se de que isso é temporário. Pronto, ela entendeu. Não me deu soluções geniais, não me fez sentir uma derrotada por não saber que passo dar.

Será que a gente vem com essas mil soluções não solicitadas quando alguém desabafa com a gente porque não temos a menor ideia de como lidar com a dúvida? Parece que a vida de todo mundo ao nosso redor tem que ir ao encontro das nossas ideias. Não há tempo para a dúvida! Você está desperdiçando seu talento! Vai produzir!

Portanto, antes de dar uma sugestão, pense: será que a pessoa já não pensou nisso? Você tem certeza de que o que você vai sugerir é tão inovador que não passou pela cabeça da pessoa antes? Será que ajudar ouvindo não é melhor que ajudar falando?

Afinal, já diz o velho ditado: se conselho fosse bom...


Outros blogs


Eu sei que dar as caras nesse blog não é obrigação, mas quando me dou conta de que já passaram quase 10 dias desde a última postagem eu sinto uma agonia danada. Ou será que quero apenas manter a imagem congelada do Mr Darcy (vide post anterior) no topo da página? Seria meu inconsciente um fanfarrão?

Acho que escrever em outros blogs (isso mesmo, no plural, porque além do Aprendiz de Viajante eu escrevo também no Coletivo Tropical) as vezes atrapalha um pouco a dinâmica do queridinho aqui. Por exemplo, eu escrevi sobre um hiking que a gente fez no interior da Inglaterra lá no AdV. E sobre as minhas plantinhas suculentas lá no Coletivo. Coisas que no passado teriam vindo parar aqui. Isso sem contar tudo que é relacionado a feminismo, que vai parar ou no Facebook, ou no Brasil Observer ou vira hangout mesmo (agora eu já tô usando o blog de plataforma pra jabá!).

Mas, olhando por outro lado, isso também torna tudo que escrevo aqui muito mais pessoal. Um retorno as divagações, bobagens e anseios. Ah, e os livros né? Sempre os livros. Posso ter o maior bloqueio da história dos bloqueios, mas sempre tenho as leituras pra compartilhar aqui. Estou estimando terminar a leitura atual em mais ou menos uma semana, o que significa que em breve tem post. Quem sabe antes?

Esse post não vai revelar algo que vai mudar sua vida


Eu trabalho criando conteúdo pra internet então sei o quanto é difícil chamar atenção dos outros e fazê-los desejar ler o que eu escrevi. Mas meu senhorzinhodocéu quem aguenta esses títulos dos infernos que parecem promessa de político? O famoso jornalimso "clickbait", que usa o título como isca só pra conseguir cliques e aumentar o número de visualizações da página.

Como eu ganho dinheiro com blog (não esse aqui, óbvio), sei que é importante ter números altos pra atrair parceiros e patrocínios. Mas há maneiras e maneiras de fazer isso. Esse papo aliás não é nada novo, mas hoje me toquei que o maldito clickbait chegou nos blogs de design. Tinha um blog que adorava e usava muito como referências nas pesquisar para asminhas matérias. Fiquei um tempo sem acessá-lo depois que fiz a mudança de carreira ano passado, mas hoje voltei nele porque estou trabalhando em um frila de design e PÁ! Pra minha supresa o tom de voz do blog está totalmente diferente, agora em vez de "nova mesa de madeira do designer fulaninho de tal" é "essa mesa vai revolucionar a maneira como você vê a madeira" ou algo do tipo.

Fico imaginando que meleca que deve ser trabalhar para os grandes portais e ter que escrever assim, seguindo ordens do editor. "Olha, não tem nada interessante pra você escrever hoje mas que tal conseguir uns 15 mil cliques usando informações que você vai buscar nas redes sociais e não tem fundamento algum? Joga aí umas imagens sem copyright e faz aquele título clickbait bacanão que vai ficar uma beleza".

Montanha Russa


Hoje eu fui numa montanha russa! Eu não lembro qual havia sido minha última vez em uma montanha russa. Certamente há mais de oito anos, que é o tempo que moro em Londres. Enfim, não foi uma montanha russa super ultra mega radical, mas foi emocionante pra mim. E o melhor é que fui com duas das minhas melhores amigas e a gente riu muito. Muito mesmo!

Eu não sou a melhor companhia para ir a um parque de diversões. Fico enjoada fácil, tenho medo (não de altura, tenho um medo mais louco mesmo, de morrer em algum desses brinquedos porque a trava de segurança falhou ou algo assim), e mal abro os olhos quando estou no brinquedo. Mas acredite se quiser, eu era pior quando mais nova.

Lembro que uma vez, acho que eu tinha uns sete anos, meu pai levou eu e minha irmã no Playcenter. Aí nós duas resolvemos ir no tobogã (quer dizer, ela deve ter resolvido e eu fui junto, porque teve uma época na nossa infância que eu era maria vai com as outras em relação a minha irmã). Chegando lá em cima, depois de subirmos as escadas, minha irmã desistiu. Ficou com medo. Eu, é claro, desisti também. Ir sozinha? Nem a pau! Descemos as escadas, morrendo de vergonha, contra o fluxo da galera subindo. Chegamos lá embaixo e meu pai não escondeu sua decepção. Ele resolveu que a gente deveria ir, e foi junto. Subimos as escadas de novo e fomos os três.

Olha só gente, tive um insight agora, Freud ficaria orgulhoso: a gente costuma culpar nossos pais pelos nossos medos e problemas mais profundos, mas podemos também culpar as irmãs e irmãos mais velhos. Taí, resolvi que meu cagaço com brinquedos de parques de diversões é culpa da minha irmã. Ha!

Ok, foco. Sobre a montanha russa hoje. Parece uma bobagem né, mas fiquei o dia todo pensando nisso. Eu fui em uma montanha russa! Deu tudo certo! Eu curti! Fiquei com medinho, mas curti. poxa, que bom fazer algo assim, tão atípico pra mim, antes de fechar esse ano tão esquisito.

Obrigada minhas amigas amadas, Marina e Quézia, por gritarem também!

(esse é o vídeo da Montanha Russa que a gente foi, não fui eu que filmei)