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Jane Austen: meu novo tour!


Adivinha quem arrumou uma nova sarna pra se coçar???

Mas uma sarna literária, histórica e, por que não, feminista.

Chamei minha amiga e também guia Raphaella pra montar esse tour comigo, e assim criamos 'Jane Austen por trás dos romances'.

Será um tour de dia inteiro, dia 13 de abril (sábado) pelo interior da Inglaterra. Vamos passar por 4 cidades por onde Jane passou, vamos seguir seus passos desde seu nascimento em Steventon até sua morte em Winchester.

Vamos dividir com quem estiver no tour a nossa interpretação de Jane Austen: uma mulher com olhar afiado, questionadora, e que usa seu poder de observação e crítica para montar seus personagens e seus enredos. Você sempre achou que os livros de Jane Austen são puro romance? Pois reavalie: são praticamente uma biografia da Inglaterra georgiana, com duras críticas a instituições praticamente intocáveis, como igreja e exército. Além disso, ela aponta também o silenciamento de mulheres e nos faz repensar se os finais que escreve são mesmo finais felizes.

Esse passeio será feito com transporte privado, e teremos parada pra almoço em um pub histórico (tudo incluso no preço). Estão inclusos também os ingressos para duas atrações pagas. O preço cheio é 170 libras (clique aqui para comprar), mas abrimos 3 vagas por 150 para quem reservar antes de todo mundo (clique aqui).

Vamos? Caso você tenha alguma dúvida, entre em contato. Nesse PDF estão mais detalhes sobre o tour.

Meu livro novo


Turma das antigas: lembram de uma série de posts que eu publiquei aqui há uns anos, que consistiam em listas estilo 'top 5' que falavam de forma engraçada sobre a vida em Londres? Bom, eu segui o conselho de alguns de vocês - que me falavam que eu deveria juntar essas listas e fazer um livro - e, aqui está ele: Quase Londoner, um guia não convencional.

Além das listas, escrevi também sobre 70 lugares pra visitar na cidade, fora do circuito já tão explorado por guias de Londres mais comerciais (como o meu próprio Guia de Londres Para Iniciantes e Iniciados, o qual continua  avenda). Ou seja, o livro é meio que um registro desses meus mais de 9 anos morando aqui, explorando a cidade sem parar, descobrindo novos lugares e estranhando a cultura britânica : )

Custa R$30,00 e está disponível em formato ebook. Clique aqui para comprar o seu. Muito obrigada pelo apoio!


Mantchestá


Não é Manchéstêr. É Manctchestá! Ou Manchester mesmo, se você tiver a pronúncia apropriada (que eu não tenho). Bom, estive lá no último fim de semana. Foi uma dessas viagens que as vezes faço pelo Aprendiz de Viajante, como já expliquei aqui.

Achei Manchester um mix de Hamburgo (prédios de tijolo vermelho), Munique (não sei explicar exatamente o porque, mas achei parecido) e Bristol. Ou seja: muito legal. Fiquei realmente encantada de como a cidade é "cool", e do tanto de atração turística que tem. Também fiquei impressionada - a mesma palavra mas com um sentido diferente - com a pobreza. Não esperava ver tantos moradores de rua, acho que ainda mais (porporcionalmente) do que em Londres.

Tive a oportunidade maravilhosa de ver a casa onde surgiu o movimento sufragista liderado por Emmeline Pankhurst e também a casa onde morou Elizabeth Gaskell. Só isso já valeu o deslocamento!

Eu não estava em Manchester sozinha, o Visit Manchester convidou um total de 75 blogueiros e instagrammers. E sim, tem muito a ver com o atentado que aconteceu no show da Arianna Grande há um tempo, que atingiu o turismo na cidade em cheio.

Bom, no que depender de mim, vou insistir pra todo mundo que tem uma viagem planejada a Inglaterra ir pra lá. Eu espero voltar em breve com o Martin a tiracolo!

Ah, pra quem tem Instagram, vejam a hashtag #workerbeeweekender, que foi utilizada por todo mundo que passou esse fim de semana lá junto comigo!







Maiden


Aqui na Inglaterra todas as mulheres casadas adotam o sobrenome do marido. Ok, pode até existir uma ou outra que não, mas é uma "tradição" (entre aspas porque né, é machismo) indiscutível. Ninguém para pra pensar, ninguém questiona. A coisa é tão forte que mal elas voltam da lua de mel e já mudam email de trabalho, adotam o "Mrs" (em vez do Miss, reservado para as solteiras, sendo que homem é sempre Mr, independente se é casado, solteiro, poliamor, cacete a quatro), e assim a vida segue.

Os filhos nascem e são registrados com o sobrenome do marido (que por sua vez tem o sobrenome do pai dele, ou seja, o sobrenome da mulher nunca vai pra frente). E a família é conhecida por esse sobrenome. Por exemplo, eu o Martin seríamos os Descalzi, e não os Righetto Descalzi ou Descalzi Righetto ou muito menos os Righetto.

De novo: eu sei que tem gente que não faz assim, mas é de contar nos dedos.

Então, o sobrenome que a mulher perde quando casa é conhecido como "maiden name". Aliás, muita gente usa esse sobrenome da mãe/mulher casada como senha de banco, resposta pra odiada pergunta de segurança para obter a senha perdida, esse tipo de coisa. Se eu ligo no banco e esqueço a minha senha telefônica, eles sempre me perguntam: qual o maiden name da sua mãe?

Essa palavra, maiden, me tira do sério. Coloquem lá no Google pra traduzir. Significa "virgem, donzela, SOLTEIRONA". Isso mesmo, o Google conhece a palavra solteirona e é isso que significa "ainda" ter o seu próprio sobrenome (lembrando, que é o do seu pai, porque o da sua mãe morreu quando ela casou): você sobrou. Você tá solteira, você é uma fracassada. Donzela, virgem, porque afinal, mulher que transa sem casar é puta né?

Acho incrível como a gente adora apontar o dedo para as tradições opressoras de outras culturas - que sem dúvida deveriam ser abolidas - mas na hora de avaliarmos nosso entorno, a gente justifica com um "ah, que bobagem, é só um sobrenome. É tradição, pra que mexer com isso".


via GIPHY

Transição




Depois que me mudei pra Londres e aprendi na prática o que havia aprendido na aula de Geografia na escola há muitos anos - que na Europa as quatro estações são bem definidas - eu passei a ter uma estação preferida. O outono.

Mas outra coisa que eu amo nesse lance das quatro estações são as transições entre uma e outra. Principalmente a transição entre inverno e primavera, que está acontecendo agora. Eu não odeio o inverno como a maioria dos brasileiros (e até mesmo dos ingleses) que moram aqui, mas acho que essa época a diferença entre um dia e outro é gritante. Podemos ter 5 graus de manhã e 14 a tarde, ou um dia de muita chuva e frio seguido por um de sol, calor e céu azul. Algumas árvores continuam peladas mas outras já florescem, e outras tantas estão com os botões fechados, mas prontinhos para seguir seu ciclo.

É incrível!

Os parques floridos e os preparativos pro verão, e o pensamento focado nas muitas jarras de Pimm's e churrascos nas casas do amigos nos mantém animados. A gente erra feio na roupa (coloca sapatilha quando chove e bota forrada de lã quando faz calor), mas com sorriso no rosto mesmo assim.

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Eastbourne


Fomos pela primeira vez para Eastbourne há alguns anos e desde então, principalmente depois que o Martin tirou habilitação para dirigir por aqui, voltamos lá para mostrar um dos nossos lugares preferidos na Inglaterra para amigos e familiares.

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Apesar de Eastbourne ser bonitinha - e estar perto do mar, mesmo em um dia feio ou frio pra mim é sempre revigorante - nosso "lugar" é Beachy Head. Um penhasco de cal em uma das pontas das cidades, com uma vista incrível do mar e da cidade. E o melhor: um pub muito, muito lindo.

Já estivemos lá em dia de sol, em dia de vento, em dia gelado. E dessa vez em dia de neblina. Muita neblina! Mal dava para ver o penhasco, muito menos o mar. Então resolvemos esperar no pub e daqui a pouco... tudo aberto! Um dia lindo de sol, e mais uma vez eu me surpreendi com a paisagem, apesar de já conhecê-la tão bem.

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Hiking




Se há alguns anos alguém me falasse que eu iria gostar de fazer caminhadas no campo, eu não teria acreditado. Não sei exatamente a razão, mas nunca me imaginei gastando dinheiro em roupas impermeáveis (e realmente gostando de ir em lojas especializadas) e acordando cedo em um sábado para começar a caminhada cedo e aproveitar o dia ao máximo.

Talvez por ter morado em São Paulo a maior parte da minha vida e achar que "o campo" é a coisa mais distante do mundo, ou talvez por estar mais velha e consequentemente mais calma e com mais vontade de apreciar as coisas mais tangíveis (pequenas alegrias), o fato é que tenho adorado colocar as botas (impermeáveis) nos pés e a mochila nas costas para andar 16km em trilhas nos arredores de Londres.

A gente fez trilha pela primeira vez no País de Gales, já alguns anos. Foi aliás a descoberta da trilha que contorna todo o país que me convenceu de vez que caminhadas no campo são uma das melhores coisas para se fazer em viagens. Aí uma amiga que faz hiking com mais frequências nos arredores de Londres mesmo nos chamou para acompanhar ela e o marido em uma dessas caminhadas há pouco tempo, e descobrimos todo um novo mundo de centenas de trilhas tão perto da nossa casa.

Eu sempre achei que fosse uma pessoa 100% urbana, da "cidade grande", que jamais moraria em um vilarejo ou no meio do nada. Mas de uns anos pra cá, cada vez que saio de Londres e conheço mais um cantinho da Grã Bretanha, entendo que a possibilidade da vida no campo não deve ser descartada. Tendo boa internet, eu vou pra qualquer lugar : )

Bristol


Como estamos sem poder viajar para fora do país por enquanto (visto sendo renovado), tenho tentado passear mais por Londres e arredores. Lembro que no primeiro ano que moramos aqui fizemos vários passeios bate e volta para outras cidades, mas com o tempo a gente vai sendo engolido pela rotina e esse tipo de viagem vapt vupt virou coisa rara (eu as vezes vou sozinha pelo blog, ou com algumas amigas, mas raramente o Martin vai junto).

Então decidi que a gente deveria ir para Bristol, mas rapidinho me dei conta de quem um bate e volta não seria suficiente pra ver o melhor da cidade, que é muito conhecida por causa da arte de rua e também por ter várias lojas, galerias e cafés independentes. Decidimos passar um fim de semana de lá, e Martin vlogueiro entrou em ação mais uma vez. Aqui está o vídeo com os destaques da nossa visita a Bristol (não tem tudo, mas dá uma ideia):




Novos guias de passeios bate e volta


Em agosto de 2016 eu publiquei o primeiro guia da série de passeios bate e volta a partir de Londres, sobre Oxford e Cambridge. E antes do ano virar mais dois foram publicados (eu que esqueci de avisar aqui antes, mas o lançamento foi pro ar lá no Aprendiz de Viajante): um sobre Bath e outro sobre Windsor e Hampton Court.

Já falei várias vezes que Bath é minha cidade preferida na Inglaterra (e também uma das minhas preferidas no mundo, não que eu conheça tantas assim), e eu moraria lá facilmente. Por isso optei por dedicar um guia todinho só pra ela. Já Windsor e Hampton Court estão em um guia só porque tratam-se de lugares com conexão com a realeza: o Castelo de Windsor, que ainda é uma das residências oficiais da monarquia; e o Palácio de Hampton Court, por onde já passaram diversos reis e rainhas, como Henrique VIII.

A ideia é continuar adicionando destinos a essa série de guias. Todos estão disponíveis em formato ebook, e aqui no blog tem uma aba dedicada para eles (clique em Guias de Viagem aí em cima, e então você verá uma listinha, clique na ultima opção: Série Bate e Volta de Londres). Cada ebook custa R$9,90.




Cotswolds pelas lentes do Martin


UPDATE: incluí os 2 últimos dias da viagem!!!

O Martin já peedeu todas as esperanças de que eu me torne uma blogueira e rica e famosa e resolveu ele mesmo tornar-se um "influenciador digital". O menino gostou dessa história de fazer vídeos e está criando uns filminhos bem legais da nossa viagem para a região de Cotswolds, aqui na Inglaterra.

Estamos aqui desde quinta feira e vamos embora amanhã. Vejam aí se o rapaz tem talento! ; )












5 coisas que eu achei esquisitas quando cheguei em Londres

1. Sempre tem alguém carregando mala
Essa eu coloquei como número um não por acaso: foi realmente a primeira coisa 'esquisita' que eu notei na cidade. Em qualquer percurso que você faça, seja a pé em uma área super turística ou usando o metrô em bairros mais afastados do centro, você sempre verá alguém carregando mala. Mala de viagem mesmo, de rodinha! Eu fiquei encucada com isso vários dias logo após minha chegada, e lembro que perguntei pra algum colega do trabalho do Martin: 'mas o que esse povo carrega?'. Num primeiro momento eu nem cheguei perto de cogitar que essa turma da realmente indo viajar ou voltando de alguma viagem, isso porque não estava acostumada a ver pessoas usando transporte público pra ir pro aeroporto/estação de trem/rodoviária. Londres é a capital do mundo (toma essa, Nova Iorque), e aqui tem muita gente de passagem, muitos aeroportos, muitas pessoas de negócios. É mala pra lá e pra cá. E claro, tem sempre o dia que é você ocupando mais espaço no metrô com as suas malas, a caminho de algum aeroporto! Aí é bem melhor : )

2. Os chicletes estampados nas calçadas
Esse mesmo colega de trabalho do Martin, quando eu perguntei das malas, me falou: 'ué, mas você não reparou nos chicletes?'. E aí eu prestei atenção e notei na quantidade absurda de chicletes pisados nas ruas e calçadas. Engraçado é que eu nunca vi ninguém cuspindo um, mas não tem um lugar que passei que não está decorado com chiclete. Inclusive até em calçadas novinhas, recém reformadas, os malditos já estão lá. Talvez isso esteja ligado com outra esquisitice londrina - a falta de lixeiras (que não coube nesse post porque tive que escolher apenas 5!)

3. Os homens de roupa social e meias coloridas
Lembro que entrei em parafuso fashion quando me mudei pra cá. Adorei que ninguém fica te medindo e as pessoas sentem-se muito mais livres para vestirem o que bem entenderem. Ninguém vai ficar te olhando se você colocar uma saia amarela com uma meia calça roxa, ou uma calça de moletom velha e furada com um salto alto. Pode testar, acredita em mim! Pois enfim, a liberdade fashion londrina pode também ser observada na turma dos engravatados, muitos dos quais não estão nem aí para a regra da 'meia social da cor da calça' (ou seria da cor do sapato?) e dão uma quebrada no look executivo usando meias coloridas e estampadas! E olha, não é um ou outro não - basta você andar pela City ou Canary Wharf na hora do rush pra ver. Eu acho super divertido, e aconselho todo mundo a se libertar das regras chatésimas de moda, seja em Londres ou em São Paulo.

4. Poder tirar dinheiro em qualquer caixa eletrônico
E o melhor: sem pagar taxa por isso! Talvez as coisas já tenham mudado no Brasil desde que me mudei pra cá (quase 7 anos!), mas lembro que era um saco ter que achar o caixa eletrônico específico do meu banco pra poder sacar dinheiro (ou então achar um 24 horas e pagar taxa....). Aqui em Londres você pode sacar no caixa eletrônico de outros bancos, e eles que se acertem. Muito mais fácil! Claro, existem caixas (principalmente dentro de bares e pubs) que lucram cobrando taxas, mas nos bancos mesmo, você não precisa se preocupar.

5. Previsão de nível de pólen
Vai fazer sol? Ou chover? E a temperatura? É o tipo de pergunta para a qual você espera uma resposta na previsão do tempo né? Pois aqui, durante a primavera e o verão, a previsão do tempo costuma incluir o nível de pólen no ar (alto/baixo/médio). Esquisito né? Isso porque aqui existe uma alergia chamada 'hayfever', que é basicamente uma alergia ao pólen. Eu nunca tinha ouvido falar disso no Brasil, e muita gente que nunca teve nenhum tipo de problema semelhante, descobre que tem hayfever quando chega aqui em plena primavera. Ah, e não é porque você passou uma primavera/verão imune que está livre para sempre: ela pode aparecer sem avisar no ano seguinte! A danada é terrível, a turma sofre com o nariz coçando, espirros, garganta doendo, olhos lacrimejantes e inchados. Eu já tive uma crise terrível de hayfever em Milão, mas ainda bem até hoje estou imune em Londres.

Se você gostou desse post, veja os demais da série Top 5 clicando aqui.

Como doar seus pertences em Londres

Charity Shop
As charity shops são lojas que revendem pertences - roupas, livros, brinquedos, acessórios e até móveis - por um preço muito baixo, e o valor arrecadado é doado para alguma instituição sem fins lucrativos. Diversas instituições, como o Cancer Research UK e o Save The Children possuem uma rede de charity shops, mas algumas são independentes, e revertem o valor para mais de uma instituição.

É a maneira mais prática de doar o que você não quer mais, pois existem várias, em todos os bairros. É só levar suas coisas e deixar lá - mas é claro, certifique-se de que determinada loja aceita determinado tipo de produto. Por exemplo, existem charity shops especializadas em roupas, então não adianta levar uma cadeira.

Sempre que eu levo alguma coisa na charity shop eu também dou uma olhada na oferta - temos um relógio antigo, dos anos 40, que compramos por £10!

Freecycle
Sei que o Freecycle nāo é uma exclusividade daqui, mas eu nunca tinha ouvido falar desse rede de doações antes da minha mudança pra Londres. O Freecycle é um website, que conecta pessoas das mesmas cidades e bairros, que estão doando pertences ou buscando doações.

Você deve entrar no site e buscar pelo grupo de sua cidade ou bairro, e após um rápido cadstro pode anunciar o que está doando ou procurando. Os interessados irão responder seu anúncio e você então recebe uma notificação por email. Aí é só se organizar com a pessoa e arranjar a entrega. Eu já doei, entre outras coisas, um microondas.

Dependendo do que você anuncia, vai receber um monte de emails interessados, então é bom ficar atento e fazer por ordem de chegada: se a primeira pessoa que entrou em contato acabou 'sumindo', avise a próxima, e assim por diante.

Também é legal dar uma olhada nos anúncios de coisas que as pessoas estão precisando, talvez você tenha algo em casa que nem lembra mais e pode ajudar muito! Lembrando que o Freecycle é mantido por voluntários, então se você usa os serviços, que tal considerar uma doação?

www.freecycle.org

Gumtree
O Gumtree também é um website de anúncios (mas de absolutamente tudo!), só que você pode usá-lo para vender/comprar, e não necessariamente doar. Acho que usei o Gumtree apenas uma vez, para vender um sofá, porque acho meio confuso, tem tanta coisa que é difícil achar aquela coisa específica que você está procurando. Mas enfim, é uma solução (e alternativa ao Ebay) se você precisa de uma graninha extra e quer vender alguma coisa.

www.gumtree.com

Grupos no Facebook
Existem alguns grupos de brasileiros que moram em Londres no Facebook, e em muitos deles as pessoas anunciam seus serviços ou objetos para vender/doar. Como o Facebook anda trolando tudo quanto é postagem orgânica, a sua oferta pode se perder, mas né, nunca se sabe. Sempre tem alguém que conhece alguém que está precisando de algo que você não quer ou não precisa mais.

Council
Essa é uma ótima opção se você precisa doar coisas grandes, como móveis, mas não tem como fazer o transporte. Entre em contato com o seu council (tipo sub prefeitura do seu bairro), pois eles provavelmente tem um serviço de coleta. Não adianta deixar na lixeira do seu prédio e achar que a fada da reciclagem vai pegar - é preciso avisar o council, eles tem um dia certo designado para isso.

Deixar na porta de casa
Apesar de essa não ser uma prática tão comum em Londres como é em outras cidades européias, não é difícil encontrar objetos na frente de algumas casas com clara sinalização de que estão ali pra quem quiser pegar. Pra quem mora em prédio, também dá pra deixar no hall por um tempo com um bilhete e ver se alguém pega. Já peguei uma mesa de centro no lixo de uma casa e doei uma cadeira no hall do meu prédio.

Mas claro, tenha bom senso: se ninguém pegar em 24 horas, retire o objeto e arrume outra maneira de fazer a doação.

5 tradições de Natal britânicas

1. Christmas crackers
Minha tradição favorita! E a primeira que a gente conheceu quando chegamos em Londres. Faltavam 3 semanas para o Natal, e em todo restaurante que a gente passava, víamos essa espécie de 'tubo' em cima dos pratos. E aí vimos também no supermercado, caixas e caixas com os tais dos tubos. Só fomos descobrir do que se tratava quando o marido inglês de uma amiga explicou: os Christmas Crackers devem ser estourados no dia de Natal (cada pessoa segura de um lado do cracker, em uma roda de pessoas, e todo mundo puxa ao mesmo tempo), e dentro deles tem umas bobagens, uns presentinhos. Mas mais importante que os presentinhos são as coroinhas de papel (que todo mundo tem que colocar na hora de comer) e as piadinhas sem graça. Garanto que deixa a festa muito mais divertida, desde então a gente adotou essa tradição e apresentamos a 'novidade' pra todo mundo que vem pra Londres nessa época.

2. Christmas jumper
Jumper é a palavra que se usa por esses lados para descrever um suéter: uma blusa de manga comprida, que pode ser de moletom, de lã, ou de qualquer outra coisa. Mas o Christmas jumper é algo especial: é feito especialmente para essa época e você NUNCA verá ninguém usando um Christmas jumper em qualquer outra época do ano (por exemplo, se faz um dia frio na primavera ou no verão). E como você identifica um? Fácil: o Christmas jumper tem estampa de símbolos natalinos, como papai noel, boneco de neve, flocos de neve, pinheirinho e por aí vai. Quanto mais perto do Natal, mais fácil avistar alguém usando (e geralmente nos escritórios o pessoal faz o dia de usar o Christmas jumper, tem concurso pra ver qual o mais cafona e tudo mais). O Christmas jumper tem fama de ser brega, e a galera abraça a ideia - pode fazer uma busca nas imagens do Google pra ver como é muito mais fácil encontrar modelos cafonas do que modelos bonitinhos.

3. Comercial da John Lewis
A John Lewis é uma das lojas de departamentos mais tradicionais de Londres. Não é tão conhecida entre os turistas, que acabam visitando as famosetes Harrods e Selfridge's, mas a minha impressão é que os locais tem um carinho especial por ela. Mas especulações a parte, a loja todo ano lança um comercial de Natal que vira 'hit': tipo, as pessoas esperam por isso, vira capa de jornal, gera discussões ('ah como assim você não chorou?', 'a do ano passado foi muito melhor' etc etc etc). Falam bem ou falam mal, mas todos falam do comercial da John Lewis. Eu não sei há quanto tempo eles fazem isso, mas acredito que o sucesso é tanto que ainda vai acontecer por muitos e muitos anos.... Para o Natal de 2014, a estrela é um pinguim, o Monty:


(e aí, chorou?)

4. Mensagem da Rainha
Todo ano a Rainha prepara uma mensagem que é transmitida no dia de Natal (antigamente era sempre a BBC que fazia a transmissão, hoje em dia é alternado com outros canais), gravada com antecedência e que nada mais é do que um 'resumo' do ano que passou. Ela normalmente relembra eventos (esportivos, culturais, sociais) que aconteceram no decorrer dos últimos 12 meses, assim como acontecimentos familiares (como foi o caso do nascimento do Jorjinho ano passado). Acho que é um dos poucos dias do ano em que as pessoas realmente lembram que 'nossa, temos uma Rainha', principalmente num ano relativamente tranquilo no quesito fofocas reais como foi 2014. Republicanos e monarquistas, todo mundo para o que está fazendo pra ver e ouvir o Feliz Natal real. No site da familia real (mudérno) você pode ver as transcrições de todas as mensagens de Natal desde 1953.



5. Calendário do advento
Eu sei que essa não é uma exclusividade britânica, e o calendário do advento existe no mundo todo. Mas aqui você encontra calendário de advento no supermercado como no Brasil você encontra Panettone. Afinal, que não curte ganhar um chocolatinho todo dia durante 24 dias (1 a 24 de dezembro)? O formato é simples: uma caixa retangular, e cada dia é uma 'janelinha'. O que varia mesmo é a estampa da caixa: tem de todos os personagens que você possa imaginar. Isso sem contar nos calendários do advento com 'outras especialidades', como brinquedos, velas, produtos de beleza e ingredientes gourmet. Eu prefiro um pedacinho de chocolate mesmo!

5 programas de televisão para assistir quando você vier para Londres

1. Bargain Hunt
A ideia é simples: duas duplas (time azul - the blues - e time vermelho - the reds) percorrem uma feira de antiguidades e tem 300 libras e uma hora para comprar quantos objetos quiserem, e cada dupla conta com a ajuda de um especialista na área. Esses objetos vão então para leilão e a dupla que arrecadar mais, ganha (e leva o lucro - geralmente muito baixo). Pode até soar excêntrico, mas feiras e leilões de antiguidades são muito comuns no Reino Unido - aqui no meu bairro, por exemplo, existem as duas coisas. Os britânicos no geral adoram uma barganha nessas feirinhas, e existem dezenas de programas dedicados ao assunto. Se você gostar de Bargain Hunt, assista também Antiques Road Show, Flog It!, Cash in the Attic.

2. Celebrity Juice
Pra rir muito e ver muita baixaria. Mas digo rir de chorar de rir e baixaria de ver pintos e bundas e aprender todos os palavrões possíveis em inglês. Trata-se de um programa estilo 'painel' (muito comum na televisão britânica, poderia citar dezenas: um apresentador e dois times de tres ou quatro pessoas que precisam responder perguntas ou cumnprir tarefas). Os times são formados por celebridades, e como o nome diz, as perguntas e tarefas são baseadas no mundo dos famosos, fofocas e verdades. O apresentador, Keith Lemon, é uma piada (pra quem não está afiado no inglês, é difícil entender o que ele fala), e não tem papas na língua. Se você gostar de Celebrity Juice, assista também A League of Their Own e Mock the Week.

3. The Graham Norton Show
Já escrevi um post sobre esse talk show, e ele continua muito bom - acho que até melhor do que na época que escrevi. Os entrevistados ficam juntos o tempo todo, e isso rende momentos hilários. Mas o destaque é mesmo o próprio Graham Norton, que faz perguntas bem diferentes do que vemos nos talk shows e consegue sempre fazer que role uma química entre os entrevistados. Veja até o fim, que sempre tem apresentação musical (semana passada foi o U2, por exemplo) e o famoso quadro 'The Red Chair', quando alguém do público conta uma história que supostamente deve ser divertida, mas se o Graham achar que é chata, a pessoa é derrubada da cadeira (falando assim parece idiotice, mas e hilário).

4. Grand Designs
Esse programa epitomiza a obssessão dos britânicos pelo mercado imobiliário e a curiosidade de ver a casa alheia. O que tem de coisa na televisão sobre pessoas procurando lugares pra morar e reformas/decoração não é brincadeira. A diferença do Grand Designs é que o apresentador (Kevin McCloud, que é tipo o guru da arquitetura/decoração e é o 'rosto' da marca) acompanha um projeto do zero, passando por todos os perrengues da contrução. Tem casas, por exemplo, que começam a ser construídas anos antes do programa ir pro ar, porque geralmente o episódio termina com o apresentador visitando os proprietários já morando lá. Se você gostar de Grand Designs, assista também Location, Location, Location, 60 Minute Makeover e Homes Under the Hammer.

5. Countryfile
Sabe aquela hora no domingo, fim de tarde e começo da noite, quando só tem lixo passando na televisão? Pois veja Countryfile e seus domingos nunca mais serão os mesmos! O programa tem vários apresentadores, e cada episódio é focado em uma região do interior do Reino Unido, além de ter algumas seções específicas, como o dia e dia e problemas de uma fazenda. A ideia principal, porém, é mostrar as belezas de cada região (fauna e flora), assim como produtos típicos e artesanato local. O Countryfile tem grande influência na nossa vontade de explorar mais o país que moramos. Recomendo muito pra quem quiser aprender mais sobre o Reino Unido, que vai muito, mas muito além de suas cidades mais connhecidas. Enfim, é um programão, especialmente pra quem curte viajar.

A copa aqui

Alguns amigos e familiares me perguntaram como anda o clima de copa por aqui. Claro, agora com a Inglaterra eliminada e humilhada, é como se não existisse copa. Mas antes disso, eles ja estavam desencanados. Ninguém tinha a menor esperança de um bom desempenho da seleção, e o que mais me chamou atenção foi a falta de bandeiras nas janelas e varandas. Aqui no meu prédio a única bandeira é a minha, do Brasil. 

Apesar de todos os jogos serem transmitidos ao vivo e muitos bares e pubs promovendo a copa, não há uma comoção geral. Empolgação zero. Eu lembro que em 2010 estava um pouco mais animado, mas desde então os torcedores tem se decepcionado com Rooney e sua turma. 

Sei lá, de repente o povo está mais preocupado em aproveitar o tempo bom nos parques, porque vai saber até quando o calor fica por aqui, certo?

Dirigindo

Pois então que desde o fim do ano passado estamos motorizados! Não, não compramos carro, mas o Martin tirou carteira de motorista (não é possível simplesmente usar a nossa.... tem que passar por todo stress de auto escola, prova teórica e prova prática novamente) e resolvemos aderir ao Zip Car, um "clube de carros" que dispõe de vários veículos espalhados pela cidade inteira.

Então, pagando uma taxa anual, podemos alugar esses carros por hora, dia ou semana. Claro, pagamos além da taxa o tempo utilizado, mas o combustível é gratuito (basta usar o cartão que está dentro do carro). É uma mão na roda - tem um carro estacionado aqui na garagem do nosso prédio (pelo que entendi é obrigatório ter pelo menos uma vaga para esse tipo de esquema) e outro a cinco minutos daqui, na rua ao lado. Fazemos a reserva pelo site e é só pegar o carro na hora combinada. Uma mão na roda.

Estamos tentando fazer pelo menos um passeio diferente por mês - ir a lugares onde é mais chato chegar de transporte público. Por exemplo, pubs que ficam no meio do nada, ou museus menores em vilarejos que não tem estação de trem. 


Ano passado visitamos a casa onde viveu Charles Darwin, e semana passada visitamos a cada onde Jane Austen passou seus últimos 8 anos de vida. Também conhecemos 2 pubs maravilhosos, um no condado de Kent e outro em Hampshire. Claro, temos pubs incríveis em Londres, mas os pubs do interior são sensacionais: históricos, aconchegantes, com boa comida e ótimo serviço. É uma atmosfera muito diferente do que vemos em Londres, e a uma distância tão curta.

Fim de semana

Um resumo do fim de semana em imagens:

Dirigimos até um pub no condado de Kent para o almoço do domingo. Mal dá para acreditar que a 40 minutos de Londres podemos encontrar um visual como esse:


Resultado da minha terceira visita a Cambridge, no sábado:



Passeio de barquinho pelo rio Cam, em Cambridge:



O fim de semana começou mais cedo, pois fiquei em casa na sexta para receber nossos hóspedes parisienses. O dia terminou com uma caminhada pelo bairro, inclusive uma passadinha pelo mercado que está todo iluminado para o Natal:



Nossa estação de trem pela manhã, com as plataformas cobertas por uma fina camada de gelo:

No More Page 3

Quem me segue lá no twitter ou no instagram já deve até estar de saco cheio desse assunto, mas já estava mais do que na hora de eu falar aqui sobre meu apoio a campanha "No More Page 3" - aliás, não poderia ter escolhido uma data melhor pra escrever esse post, já que ontem participei de um (pequeno, mas barulhento) protesto e hoje a campanha alcançou 125,00 adeptos através da petição online.

Primeiro, vou explicar rapidamente o que é a tal da Page 3, afinal se você não mora aqui talvez nunca tenha ouvido falar dela (se bem que é quase uma instituição, conhecida em diversos países europeus, infelizmente): é uma seção do jornal The Sun (esse provavelmente muita gente ouviu falar, jornal sensacionalista que volta e meia publica manchetes toscas e mentirosas sobre celebridades) na qual diariamente são publicadas fotos de modelos com os peitos de fora.

Antes que você me chame de recalcada, feia gorda bobona e invejosa, quero dizer que a campanha - e eu, claro - não é contra as modelos, nem contra o direito de posar nua, muito menos contra os peitos. Eu sou fã de peitos, acho peitos lindos, adoro os meus. O que pega é o contexto - o que faz uma mulher semi nua bem no meio das notícias, justamente no jornal de maior circulação nacional? Não faz nada, só presta um belo de um desserviço a nossa sociedade que já é tão machista.


Você já imaginou se bem no meio do jornal do almoço o apresentador falasse: agora é a hora da gente ver a mulherada pelada. Não né? Não tem cabimento. Isso é objetificação, é falar para o mundo que é assim que tem ser - que em meio a homens vestidos e falando de negócios e assuntos do dia a dia, uma mulher só consegue espaço se ficar pelada. 

Também não adianta vir com aquela fraquíssima desculpa: 'se não quiser ver não compra'. Não é assim tão simples. Quando alguém lê a Page 3 no trem, eu sou submetida a imagem da mulher em pose sexual de peitos de fora do meu lado. Assim como é a criança que está sentada na minha frente. 

Gente, existem milhões de maneiras de ver peitos - mas o The Sun não é o lugar deles. A Page 3 só reforça o que já falei sobre outra campanha que apoio, Everyday Sexism

Tenho ainda dezenas de argumentos, como a influência na formação das crianças e na auto estima feminina. Posso também contar que, durante nosso protesto no domingo, ouvimos alguns homens falando 'get your tits out' - um inclusive estava de mãos dadas com o filho pequeno - o que apenas reforça o que queremos dizer. Mas já escrevi demais, deu pra entender, certo?

São 43 anos - mas agora chega! Vamos assinar a petição e continuar gostando de peitos, mas lembrando que a mulher que os segura é ainda mais importante.

Ah, quem quiser comprar a camiseta, está a venda aqui: http://www.thefashionmove.co.uk/collections/t-shirts

#nomorepage3 #newsnotboobs
No More Page Three

PS: o The Sun Pertence a Rupert Murdoch, mesmo dono do extinto News of The World, que recentemente protagonizou o escândalo das escutas telefônicas e por isso saiu de circulação.

Drama anual

Acabou o horário de verão por esse lados e imediatemente começaram as reclamações. Pois é, todo ano é assim: o inverno começa a dar os primeiros sinais de vida e os reclamões de plantão não param de lamentar as poucas horas de sol, a temperatura baixa, o vento, a chuva, tudo.

Eu nunca tive problemas com o inverno, mas tenho um bode gigante dessas lamúrias que vem com ele. É um "choro coletivo" que faz com que fique mais difícil atravessar esses meses.

Então eu reclamo deles pra ter um motivo pra reclamar também. Gente, bota gorro, luva, cinco casacos, sei lá - mas vamos por favor aceitar que o inverno aqui é assim e não nos resta outra alternativa senão.... deixar rolar?


Arte na rua: projeto Art Everywhere

A partir de hoje até o dia 25 de agosto cerca de 22 mil cartazes de 57 obras de arte feitas por artistas britanicos como Turner, Bacon e Freud estarao espalhados pela Gra Bretanha - voce poderá ve-los em pontos de onibus, outdoors, estacoes de trem e metro, supermercados e até mesmo em bares e academias, transformando as cidades britanicas em uma gigantesca galeria de arte. Legal né?

Fiquei sabendo desse projeto, que se chama Art Everywhere, hoje de manha assistindo o BBC Breakfast, que faz parte da minha rotina matinal. Cheguei no trabalho e fui direto procurar mais informacoes, e entao encontrei o site que explica tudinho. 

O mais bacana é que o Art Everywhere envolveu o público, que foi convocado a votar nas suas obras favoritas (o top 10, que é sensacional, pode ser visto aqui) e também participou com doacoes para viabilizar o projeto. Ainda é possível contribuir, comprando alguns produtos na lojinha virtual deles, sao bem bacanas, voce pode dar uma olhada aqui

Agora estou ansiosa pra ver algum cartaz no meu caminho de casa, vou ficar de olho! 


Dear Daily Mail, you misogynist pile of twats

Eu nunca tinha ouvido falar da Amanda Palmer até uma amiga fazer uma super recomendação - esses dias mesmo até ela foi no show e falou o quanto foi legal. Aí eu já fiquei curiosa, porque entendo lhufas de música e adoro recomendações de amigos que sei que tem o mesmo estilo que o meu.

Se ela já estava bem recomendada, depois do que vi no blog dela hoje virei fã número um.

A história é a seguinte: Amanda Palmer se apresentou no festival de Glastonbury (pra quem não conhece - eu não conhecia antes de mudar pra cá - é um mega master festival de música, talvez o mais famoso do mundo, que rola aqui na Inglaterra no início do verão) e durante sua performance alguém tirou uma foto dela com o peito saindo do sutiã. Aí o tosco do jornal Daily Mail (bota tosco nisso, sensacionalista e nojento) foi lá e fez uma matéria sobre a foto. Sério. A mulher se apresenta em Glastonbury e tudo que eles tem pra falar é que o peito escapou do sutiã?

Mas né, não foi a primeira nem será a última vez que a mídia faz merda do tipo. Não teve o outro jornalista babaca que falou que a campeã de Wimbledon tinha sorte de ser boa no que faz já que ela não é bonita? E tantos outros que em vez de apontarem sucessos das mulheres preferem falar que elas tem celulite?

A diferença aqui é que Amanda Palmer respondeu. Não só respondeu, como humilhou, levantou a bandeira contra esse jornal misógino.

Ela respondeu fazendo o que faz melhor. Cantando (não deixem de ver o vídeo, é surpreendente)




A letra da música é essa (vai mais pra baixo que tem a tradução, feita pela sensacional Mariana - obrigada Mari!).

dear daily mail,
it has come to my recent attention
that me recent appearance at glastonbury festivals kindly received a mention
i was doing a number of things on that stage up to and including singing songs (like you do…)
but you chose to ignore that and instead you published a feature review of my boob

dear daily mail,
there’s a thing called a search engine: use it!
if you’d googled my tits in advance you’d have found that your photos are hardly exclusive
in addition you state that my breast had escaped from my bra like a thief on the run
you do you know that it wasn’t attempting to just take in the RARE british sun?

dear daily mail,
it’s so sad what you tabloids are doing
your focus on debasing women’s appearances ruins our species of humans
but a rag is a rag and far be it from me to go censoring anyone OH NO
it appears that my entire body is currently trying to escape this kimono….

dear daily mail,
you misogynist pile of twats
i’m tired of these baby bumps, vadge flashes, muffintops
where are the newsworthy COCKS?
if iggy or jagger or bowie go topless the news barely causes a ripple
blah blah blah feminist blah blah blah gender shit blah blah blah
OH MY GOD NIPPLE

dear daily mail,
you will never write about this night
i know that because i’ve addressed you directly i’ve made myself no fun to fight
but thanks to the internet people all over the world can enjoy this discourse
and commune with a roomful of people in london who aren’t drinking kool-aid like yours

and though there be millions of people who’ll accept the cultural bar where you have it at
there are plenty of others who’re perfectly willing to see breasts in their natural habitat

i keenly anticipate your highly literate coverage of upcoming tours

dear daily mail,
UP YOURS.

Aqui está a tradução:

Querido Daily Mail,
Eu fiquei sabendo
Que a minha recente apresentação no Festival Glastonbury gentilmente recebeu uma menção,
Eu fazia um monte de coisas naquele palco até, e inclusive, cantei músicas (como você faz…)
Mas você preferiu ignorar e em vez disso, publicou uma matéria sobre meu peito.

Querido Daily Mail,
Existe uma coisa chamada ferramenta de busca: use-a!
Se tivesse dado Google nas minhas tetas antes, descobriria que suas fotos não são nada exclusivas,
Além disso, você afirmou que meu seio escapou do meu sutiã como um ladrão fugido
Como você sabe se ele não estava tentando aproveitar um pouco do raro sol britânico?

Querido Daily Mail,
É tão triste o que os seus tabloides estão fazendo
Seu foco em rebaixar a aparência das mulheres estraga nossa espécie humana
Mas sensacionalismo é sensasionalismo, e longe de mim querer censurar alguém.
AH NÃO
Parece que meu corpo todo está agora tentando escapar desse kimono…

Querido Daily Mail,
Seu bando de babaca misógino
Estou cansada de barriguinhas, calcinhas e gordurinhas
Onde estão os PAUS interessantes?
Se o Iggy you Jagger ou Bowie tirarem a camisa, as notícias nem causam comoção
Blá blá blá feminista blá blá blá merda de gênero blá blá blá
AI MEU DEUS, MAMILO.

Querido Daily Mail,
Você nunca escreverá sobre essa noite.
Sei disso porque falei diretamente para vocês, não tem mais graça brigar comigo
Mas graças ao pessoal da internet em todo o mundo, podem aproveitar esse discurso
E conversar em um local cheio de pessoas em Londres que não estão bebendo ki-suco como vocês
E embora existam milhões de pessoas que aceitam o padrão culturam que vocês estabelecem,
Tem muitos outros que estão totalmente dispostos a ver seios em seu habitat natural
Eu sutilmente prevejo sua cobertura altamente educada das turnês futuras

Querido Daily Mail
Vai tomar no…

Sarcasmo em forma de cartão

Já falei nesse post aqui sobre como gosto dos cartões sarcásticos que eles tem aqui, para tudo que é ocasião. Eu chego a entrar nas lojas especializadas só pra ler e dar risada, de tão bons que são. Aí, quando estávamos lá em Cardiff, entramos numa loja de souvenir que tinha um monte, um melhor que o outro - não resisti e fui fotografando. E achei que valeria a pena dividir aqui!

A vida é curta demais para ser magra
Você precisa de irmãos e irmãs para te ajudar a lidar com os seus pais
Ser alegre é o que me faz seguir em frente
Estou velha demais pra fingir que dou bola
Quanto mais velha eu fico, mais ridículos vocês parecem
Parabéns pelo seu investimento de longo prazo
Agora você pode atualizar seu status do Facebook

O nosso pub

Quando o dia está quente e ensolorado (como hoje), a gente sempre acaba fazendo a mesma coisa: uma voltinha pelo bairro antes de parar no nosso pub preferido.

Temos até outros pubs um pouquinho mais perto de casa (não que esse seja longe, menos de 10 minutos), mas esse é bem na beira do rio e fica fora da rota turística do bairro.

O ideal é conseguir uma mesa do lado de fora - e quando conseguimos, ficamos lá horas. Pedimos comida, bebida e ficamos vendo o vai e volta dos barcos no rio (no inverno não deixamos de ir lá - mas é claro, ficamos do lado de dentro!).

E nosso domingo foi assim....



Se o calor é grande, a jarra de Pimm's também é

A fila pra pedir bebida

O pub por dentro

Aqui em Londres: peculiaridades sobre a cidade onde moro

Faz pouco tempo que rolou por aí um post escrito por um francês que mora no Brasil no qual ele abordava de maneira divertida alguns costumes brasileiros, o que gerou uma série de outros posts de brasileiros que vivem no exterior falando de costumes do país onde moram.

Resolvi fazer o meu também (preciso falar que usei algumas ideias da postagem original e também do post que a Luci, que mora em Lyon, fez)... mas preferi focar na minha experiência em Londres, já que a Inglaterra, apesar de pequena, é muito diversa. E claro, tudo que está nessa lista é baseado nas minhas impressões pessoais, no meu estilo de vida desde que cheguei aqui no fim de 2008 - vai ter quem concorde e quem discorde! Nao é uma crítica, apenas um olhar bem humorado sobre alguns costumes e pessoas que vivem na mesma cidade que eu.
  1. Aqui em Londres, os meninos gostam de usar camisa pólo com a gola desdobrada, pra cima.
  2. Aqui em Londres, a turma ama um best seller - no metrô, no trem ou no ônibus sempre vai ter alguém lendo John Grisham, John le Carré, Paulo Coelho ou Ken Follet.
  3. Aqui em Londres, ninguém puxa conversa com estranho a não ser que seja para perguntas as horas.
  4. Aqui em Londres, todo mundo reclama do sistema de transporte, e não é difícil você achar alguém que fale que o metrô londrino seja ultrapassado e ruim.
  5. Aqui em Londres, quem usa guarda chuva é turista. Londrino que é londrino continua andando e se molhando como se nada estivesse acontecendo.
  6. Aqui em Londres, o pessoal gosta de atravessar a rua quando o farol está fechado para pedestres - eu já presenciei vários quase-atropelamentos.
  7. Aqui em Londres, o motorista de ônibus não abre a porta fora do ponto.
  8. Aqui em Londres, o pessoal fica de biquini e faz churrasco no parque, naquelas churrasqueiras portáteis e descartáveis de alumínio.
  9. Aqui em Londres, sempre vai ter alguém na rua com uma mala de rodinha. Sempre.
  10. Aqui em Londres, é difícil ver uma rua sem centenas de manchas deixadas por chicletes velhos pisados.
  11. Aqui em Londres, é normal pedir água da torneira no retaurante/café/bar, e também tomamos água da torneira em casa.
  12. Aqui em Londres, é raro alguem fazer uma hora de almoço - é sair, pegar um sanduíche ou salada, e voltar pra comer na mesa.
  13. Aqui em Londres, você vai ver o pessoal trocando a mesa de trabalho na hora do almoço por uma pracinha verde quando o sol dá as caras depois de um longo inverno.
  14. Aqui em Londres, a turma não costuma escovar os dentes depois do almoço.
  15. Aqui em Londres, a única maneira de realmente fazer amizade com os colegas de trabalho é ir no pub com eles. E beber muito.
  16. Aqui em Londres, as pessoas estão de passagem: os ingleses saem da casa dos pais pra fazer faculdade, quando terminam a faculdade vem pra Londres investir na carreira, e tem como objetivo comprar uma casa fora de Londres. Pra começar tudo de novo.
  17. Aqui em Londres, a gente não paga pra visitar museus famosos mas paga pra visitar as igrejas famosas.
  18. Aqui em Londres, você sempre estará andando atrás de um turista e invariavelmente tentando ultrapassá-lo.
  19. Aqui em Londres, todo mundo tem o cartão da Boots, mas nao existe carteira de identidade.
  20. Aqui em Londres, o pessoal não tem pudores pra assoar o nariz - e sempre terá alguém assoando o nariz bem alto perto de você.
  21. Aqui em Londres, quando as pessoas ficam gripadas, ela usam o mesmo lencinho de papel por horas e horas, as vezes passam o dia todo com o mesmo lencinho - que é ou guardado no bolso, na bolsa ou então - o melhor - enfiado dentro da manga da blusa.
  22. Aqui em Londres, tem gente que abre o laptop até dentro do metrô - seja pra trabalhar ou pra ver um filme
  23. Aqui em Londres, apesar de nunca nevar, neva todo ano.
  24. Aqui em Londres, quando neva, o sistema de transporte praticamente para. E os aeroportos também.
  25. Aqui em Londres, você pode vestir o que você quiser, pode pintar o cabelo da cor que quiser, que ninguém vai ficar te medindo na rua.
  26. Aqui em Londres, todo mundo quer morar em Nova Iorque
  27. Aqui em Londres, vai ter o dia que você verá um rato de perto - se não for na rua ou no metrô vai ser em casa mesmo.
  28. Aqui em Londres, há grandes chances de você ver uma raposa. 
  29. Aqui em Londres, o chá é com leite.
  30. Aqui em Londres, todo mundo já nasce crítico de arquitetura. 
  31. Aqui em Londres, os pais usam carrinho para passear com os filhos por muito mais tempo - já vi crianças de 6, 7 anos no carrinho.
  32. Aqui em Londres, quando você vai com os amigos no pub, cada um paga uma rodada de bebidas.
  33. Aqui em Londres, as pessoas se mudam com mais frequência, não são assim tão apegadas ao lugar que moram. Por exemplo, se alguém arruma um emprego novo do outro lado da cidade, é bem provável que se mude para mais perto do trabalho.
  34. Aqui em Londres, se você está carregado de sacolas no ônibus/metrô/trem, não espere que alguém que está sentado vai se oferecer para segurá-las.
  35. Aqui em Londres, cheers é mais do que um brinde. Vale para obrigada, até logo e valeu, entre outros.
  36. Aqui em Londres, um espirro é seguido de um "excuse me" - a pessoa se desulpa por espirrar.
  37. Aqui em Londres, se você leva 40 minutos pra ir da sua casa pro trabalho, eles acham que você mora longe. 
  38. Aqui em Londres, sempre vai ter alguém correndo. Tá nevando? Tá chovendo? Tá fazendo 10 graus negativos? Não importa, sempre terá um doido correndo pra fazer você se sentir fora de  forma.
  39. Aqui em Londres, um dia quente é um "mini heat wave", dois dias quentes são uma heat wave e três dias quentes são considerados período de seca.
  40. Aqui em Londres, evite abraçar um inglês como você abraça seus amigos no Brasil - ele vai ficar constrangido.
  41. Aqui em Londres, todo mundo tem um middle name, mas ninguém nunca usa. Nunca.
  42. Aqui em Londres, você precisa ter resposta na ponta da língua pra essa pergunta: "eat here or take away?"
  43. Aqui em Londres, quando você usa o metrô com frequência, vai ouvir algum dia um anúncio que tal linha está fechada devido "a uma pessoa embaixo do trem". E quando ouvir esse anúncio pela primeira vez você vai ficar chocado com o fato de que você é a única pessoa que se chocou - dá vontade de perguntar para os desconhecidos aos seu redor: "vocês acabaram de ouvir o que eu ouvi?". Mas, infelizmente, esse choque passa um dia.
  44. Aqui em Londres todo mundo odeia a Katie Price mas todo mundo sabe tudo da vida dela.
  45. Aqui em Londres você certamente conhece alguém que conhece alguém que vai correr a maratona.
  46. Aqui em Londres eles comem batata recheada, com as seguintes opções de recheios: feijão, atum, chilli ou ricota.
  47. Aqui em Londres, se você não tem tem um jardim, você pode ter um allotment, pequenos pedaços de terra onde as pessoas cultivam frutas, verduras, flores e temperos. Os allotments são administrados pelos councils (tipo sub prefeituras) e as vezes é preciso ficar na lista de espera por muitos anos pra conseguir ter um.
  48. Aqui em Londres, muitas estações de trem não tem catraca - mas você pode ser pego de surpresa por um fiscal.
  49. Aqui em Londres toma-se café fraco. Horrível! Mesmo que você tenha uma xícara cheia de café, se colocar um pingo de leite ele já vai ficar branco.
  50. Aqui em Londres, na época do Natal, você vai ver "Love Actually" na televisão umas quinze vezes.
  51. Aqui em Londres, um casal de namorados que mora junto há anos jamais vai falar que está casado. Mesmo que você, que é casado, diga pra eles que é a mesma coisa. Eles até vao comprar casa juntos, mas casar? Não não, é muito cedo.
  52. Aqui em Londres, nome com H mudo no começo é pronunciado com som de R. Eu sou a Reloisa.
  53. Aqui em Londres, tem paninho úmido pra tudo. Eles nunca fazem uma faxina de esfregar o chão do banheiro com vassoura, água e sabão. 
  54. Aqui em Londres, as empresas de prestação de serviço são muito ruins. Se você marcar com o técnico pra ver porque a internet não está funcionando, ele jamais vai aparecer na primeira vez. Você terá de marcar pelo menos umas 3 vezes.
  55. Aqui em Londres, eles não sabem que existe a expressão "pontualidade britânica" no Brasil.
  56. Aqui em Londres, sua formação acadêmica não determina o que você vai fazer pro resto da vida. Existem historiadores trabalhando em banco e engenheiros trabalhando no comércio.
  57. Aqui em Londres, existe o "self check out" no supermercado, que na teoria é pra ser mais rápido do que o caixa com atendente. Mas é impossível terminar suas compras sem se irritar - a máquina vai falar que você não pos tal produto na bandeja de saída e então um funcionário precisará te socorrer. 
  58. Aqui em Londres, muitas vezes as pessoas consultam o farmacêutico pra evitar ir ao médico.
  59. Aqui em Londres o farol de trânsito não fica amarelo só antes do vermelho, ele fica amarelo antes de ficar verde também.
  60. Aqui em Londres só não lê jornal quem não quer: tem mais jornal gratuito do que notícia.
(Se voce gostou desse post e está buscando dicas bacanas de Londres, de uma olhada no Guia que eu publiquei e está a venda aqui)

The Shard e Leeds Castle

Um dos meus objetivos em 2013 é passear mais por Londres e pela Inglaterra, fazer mais passeios "bate-volta", coisa que rolava com mais frequência no nosso primeiro ano aqui - e é claro, depois que nos adaptamos e conquistamos o conforto da rotina, a vontade de ficar em casa descansando muitas vezes fala mais alto : )

Aproveitamos que o feriado do começo de maio estava super bonito e fizemos duas coisas bem bacanas: pegamos um trem pra conhecer o Leeds Castle (que não fica em Leeds) e no dia seguinte subimos no topo do novíssimo The Shard, o prédio mais alto da Europa Ocidental.

Escrevi sobre esses dois passeios em detalhes lá no Aprendiz de Viajante (clique aqui e aqui), mas queria colocar algumas fotos aqui também:










Foram dois passeios ótimos, bem diferentes um do outro - espero que durante a primavera e o verão a gente consiga fazer muitas coisas desse tipo!

(Lembrando que Londres tem página especial lá no Aprendiz de Viajante, com índice de todos os posts separados por tema - claro, ainda tenho MUITO o que escrever, mas na medida do possível vou colocando mais e mais conteúdo por lá)

Try saying... Instead of...

Hoje fui visitar uma fábrica de móveis, era um "open day" que eles estavam fazendo para a imprensa e lá fui eu matar as saudades dos meus tempos de designer, quando visitar fábricas era algo essencial pro meu trabalho.

Bom, estávamos andando pela fábrica quando passamos por um um daqueles quadros com aviso, que tem em todo e qualquer ambiente de trabalho, geralmente com um monte de coisas que ninguém nunca lê. Mas quando passei o olhar e percebi que um dos avisos era um email com assunto "using swear words in the workplace" (falando palavrão no ambiente de trabalho), tive que parar pra ler.

Basicamente, o email dizia que algumas pessoas reclamaram dos colegas estavam falando muito palavrão. Então o RH preparou uma lista de sugestões do tipo "fale isso em vez de falar isso" que eu vou copiar aqui, porque é bom demais pra deixar passar (não vou traduzir tá? acho que palavrão traduzido perde o impacto! se pintar uma dúvida vai lá no nosso amigo Google Translate)

Try saying: I think you could do with more training
Instead of: You don't have a fucking clue, do you?

Try saying: She's an aggressive go-getter
Instead of: She's a fucking power-crazy bitch

Try saying: Perhaps I can work late
Instead of: And when the fuck do you expect me to do this?

Try saying: I'm certain that isn't feasible
Instead of: Fuck off arse-hole

Try saying: Really?
Instead of: Well fuck me backwards with a telegraph pole ====> meu preferido

Try saying: Perhaps you should check with someone else
Instead of: Tell someone who gives a fuck

Try saying: I wasn't involved in the project
Instead of: Not my fucking problem

Try saying: That's interesting
Instead of: What the fuck?



Pois é gente, esse blog também é cultura! : )
Aliás, um tempo atrás publiquei outro post assim bem educativo - clica aqui pra ver

E aí, qual seu preferido?

14/04, o dia que abrimos as janelas pela primeira vez em 2013

Nesses 4 anos e meio de Londres tem uma coisa que eu sempre, sempre evitei: reclamar do tempo. Pra mim, ficar se lamentando por causa do frio, da chuva ou do céu cinza é tão irritante quanto o frio, a chuva e o céu cinza. E pra ser honesta, até 2013 nada disso tinha me incomodado. Tá frio põpe casaco, tá chovendo coloca galocha e pega o guarda chuva, tá cinza tá a cara de Londres e pronto. Muito mais fácil.

Mas 2013 chegou e com ele um inverno do mal. Muito, muito do mal. Que ficou mais tempo do que o convite dizia e me fez reclamar. Friozão em janeiro? Normal. Neve em fevereiro? Super legal. Em março? Bom... ok, meio fora do comum. Neve em abril? Frio de cortar os pulsos na Páscoa? Aí não dá.

Então aqui estávamos, esperando loucamente pelo dia em que acordaríamos pra um clima ameno. Um dia que, em vez do casacão, poderíamos talvez sair de casa de jaqueta jeans. E esse dia finalmente chegou! Hoje, 14 de abril, saímos de casa com os bracinhos de fora (nem a jaqueta precisou!) e comemoramos  a primavera como se não houvesse amanhã.

No nosso caso, mais ou menos assim...

Uma visita ao pub preferido:

A primeira Pimm's do ano:

Sol na cara e braços de fora, yes!

E mariscos pro almoço:

Que ela tenha vindo pra ficar, porque agora eu já abri as janelas!

Excuse me Sir, but that's for food waste only. O papel você enfia em outro lugar.

O prédio onde trabalho tem todo um conceito sustentável, e é interessante observar como as pessoas acham  o conceito lindo mas na hora de agir não dão a menor bola.

Logo que nos mudamos para esse novo prédio, recebemos vários emails explicando sobre a coleta seletiva, e que se a empresa (ou melhor, quem trabalha nela) não a fizesse corretamente, receberia multas. Então, pra facilitar a vida de quem acha muito difícil ler as plaquinhas nas lixeiras ("food waste", "cans and plastic", "paper", "general waste") e depois de provavelmente já ter pago algumas multas, foram colocados folhetos que literalmente tem desenhado o que pode e o que não pode jogar em cada uma das lixeiras.

E aí que eu fico louca quando vejo (quase todo dia) alguém jogando guardanapo onde diz "food waste" ou embalagem plástica onde diz "general waste". O pior é que a turma não para um segundo pra olhar onde está jogando - parece que rola uma preguiça de ler a plaquinha ou de ser mais gentil com o mundo.

Eu vivo reclamando disso com as colegas do trabalho, e policio todas elas, mas ainda me falta um par pra dar uma bronca em quem não conheço. Essa polidez britânica me impede de falar, PORRA, NÃO VIU QUE AÍ É SÓ PRA PAPEL, CARALHO?

London snow

Pois é, a cidade onde nunca neva, ficou branquinha novamente : ) Desde que moro aqui, todo inverno tem pelo menos um ou dois dias de neve - e, consequentemente, caos no transporte.

Mas melhor aproveitar a atmosfera de "winter wonderland" do que reclamar né?

Saindo no trabalho, a neve iluminada pelo telão da Piccadilly Circus:

Todo mundo que mora em Londres postou foto da neve no Instagram/Twitter hoje, usando a hashtag #LondonSnow - decidi então usá-la literalmente : )

Na hora do almoço, as mesas que ficam do lado de fora do Whole Foods Market, bem embaixo do prédio onde eu trabalho:

Levando o Habib (sim, ele está aqui em casa novamente por duas semanas) pra passear - uma coisa assim meio "ton sur ton":

Mas onde pendura as roupas?

Isso foi a primeira coisa que perguntei pro Martin quando ele me mandou as fotos dos apartamentos que estava vendo pra alugar aqui em Londres: onde que vai o varal?

Parece besta, afinal a mudança pra outro país tem tantas outras barreiras muito mais assustadoras, mas a rotina na verdade é feita de coisas muito menores. Principalmente dentro de casa. A gente estranha, mas aprende rapidinho que:
  • O varal tem que ser portátil e fica onde há espaço 
  • A máquina de lavar roupas fica na cozinha mesmo
  • Não tem ralo na cozinha ou no banheiro (fora o do chuveiro, claro)
  • O alarme de incêndio vai disparar quando você fritar um bife e não há nada que você possa fazer além de abanar a fumaça
  • Não tem tanque, aliás, não tem o luxo da área de serviço: quer lavar roupa na mão, lava no chuveiro, na pia, na banheira (ou, obviamente, manda lavar fora)...
  • A tomada tem interruptor
  • O banheiro não tem tomada
  • O interruptor de luz do banheiro ou fica do lado de fora ou não é um interruptor: é uma cordinha de puxar
  • Já que abrir a janela durante o inverno é algo fora de cogitação, existem uma frestas perto da janela, tipo uma ventilação, que servem pra dar aquela circulada básica no ar (mas também podem ser fechadas)
  • Não tem jeito: o aquecedor é essencial e feioso, mas não dá pra não ter ou pra disfarçar sua feiúra
(nos comentários ja tem alguns adendos muito bons!)

Não sei exatamente porque pensei nisso só agora, quase 4 anos depois de ter me mudado pra cá, mas achei interessante listas essas pequenas (grandes!) diferenças, pra ficar pra posteridade.

Foo Fighters @ Leeds Festival

Pois é, quem diria, euzinha em um festival de música britânico. Pois coloquei minhas frescuras de lado, me armei de paciência e conselhos das minhas amigas experientes em festivais, abasteci a mochila com papel higienico, baby wipes, água e capa de chuva e fui. Fui pra Leeds com o Martin especialmente pra ver o Foo Fighters tocar ao vivo - coisa que venho tentando fazer desde 2000, quanto eles cancelaram o show para o qual eu tinha ingresso, lá em SP.

Esse foi apenas o primeiro de vários desencontros com a banda, mas finalmente chegou o dia, e na sexta feira de manhã pegamos o trem para Leeds. Em 2 horas chegamos na cidade e no fim do dia fomos para o local do festival, prontos pra pular muito e escutar o Dave Grohl cantar ao vivo as minhas músicas favoritas.

chegando no palco principal do festival
Eles tocaram tudo que eu queria ouvir, aproveitei ao máximo, foi legal.. mas... não foi o que eu esperava. sabe quando as expectativas estão tão altas, mas tão altas, que você vai embora tentando se convencer de que foi sim maravilhoso, imagina, tá doida? Foo Fighters, pô!

Achei que eles estavam meio cansados, as falas do Dave Grohl muito ensaiadas (já vi vários shows deles na tv e you tube em diferentes partes do mundo), eles deram aaaaltas enroladas, e acho que o fato de ser um festival e ter pessoas indo e vindo o tempo todo me incomodou também. Dava pra ouvir um pouco do som de um outro palco e das pessoas no mini parque de diversões logo atrás.

Infelizmente não foi o tipo de show que me fez chegar em casa com um zunido no ouvido, ou rouca de tanto gritar. Curti, é claro que valeu a pena, e fica aqui a desculpa para prestigiar uma das minhas bandas favoritas novamente o quanto antes.