Kiliqueridos

julho 16, 2017 Helô Righetto 2 Comentários


Se viajar com amigos já é algo arriscado, imagina viajar com um grupo de mais de 20 desconhecidos? Passar perrengues, ter conversas escatológicas, fazer todas as refeições juntos... tem tudo pra dar errado! Mas, pra minha surpresa, deu certo.

Com a Pati, que me falou "eu amo Londres" na noite antes de começarmos a expedição, ainda no hotel. Daí pra frente, ladeira acima (literalmente e metaforicamente)

O Sérgio sentou ao nosso lado no jantar no hotel, no dia que todo mundo chegou e ninguém se conhecia. Há cerca de 5 anos ele foi diagnosticado com um linfoma, e decidiu que caso se recuperasse, iria pro Kilimanjaro. Check!
Não sei se em outro contexto esse grupo teria dado certo. Obviamente não jurei amizade eterna pra todo mundo - sempre tem gente com quem temos mais e menos afinidade - mas terminamos nossa expedição sem desentendimentos. 

Quando a expedição chegou ao fim, todo mundo foi pra casa. A Mari e o Paulo foram pro interior da Tanzania e construíram uma escola. Como não jurar amizade eterna? Mais dois integrantes da querida turma do fundão. Chegamos junto com eles no cume (e com a Fabi, mas não tenho foto dela!!), nunca vou esquecer. 
Alguns dos integrantes da expedição ja se conheciam de uma viagem anterior para o acampamento base do Everest, mas muitos de nós tivemos um dia apenas para decorar os nomes e trocar aquelas informações básicas (da onde você é? o que você faz? já fez alguma outra viagem desse tipo?). E aí, de refeição em refeição, de trekking em trekking, começam as conexões "especiais". A gente acaba sentando do lado das mesmas pessoas no almoço, no café e na janta. E nas paradinhas pra água ao longo dos muitos quilômetros rumo ao cume, quando nos damos conta estamos descansando junto a essas mesmas pessoas.

Eu adorei dividir essa experiência com cada um deles. Longas horas de papos profundos com alguns, diálogos mais curtinhos com outros, mas a vontade é de voltar no tempo e fazer exatamente a mesma viagem como exatamente o mesmo grupo.

Eu, Paulo, Mari e Pati. Muitos lanchinhos divididos nessas paradas

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Mestrado

julho 14, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Pois é, eu vou fazer um mestrado. Que alívio que me dá falar isso, depois de um fim de 2016 e começo de 2017 meio chatinhos. Agora, com a decisão tomada (e, mais importante, com a vaga conquistada oficialmente), sinto que tenho controle da minha vida novamente (olha o drama!).

Mas vamos ao que importa. O nome do meu curso é Gênero, Mídia e Cultura (em inglês: Gender, Media and Culture). Eu estava procurando algum curso sobre história do Feminismo, e quanto mais eu colocava no Google, mais esse resultado aparecia. Nas primeiras buscas eu ignorei o resultado assim que vi o "MA" (abreviação em inglês que indica que o curso é um mestrado), mas toda palavra chave que eu colocava, resultava nele.

Até que resolvi entrar no site e dar uma olhada. E parecia perfeito pra mim. Não apenas as matérias, a essência e as possibilidades de tese, mas pra melhorar a universidade é bem perto da minha casa. Olhei os requisitos necessários, vi que não teria grandes burocracias para me candidatar e corri atrás dos documentos: diploma, referências, uma carta explicando a razão do meu interesse. Somei a esse material todas as colunas que já publiquei no Brasil Observer, os hangouts do Conexão Feminista e tudo mais que eu achei que poderia me ajudar.

Mandei tudo e precisei esperar. E essa espera foi horrível. Não sabia o que fazer: continuava procurando emprego? E se conseguisse um trabalho e também a vaga do mestrado? E se não conseguisse nenhum dos dois? Receberia o atestado de fracassada pelo correio (drama, parte 2)? Resolvi não falar pra muita gente, porque tinha medo de não ser aceita e depois ter que lidar com todo mundo perguntando "e o mestrado?".

Aí, finalmente, 3 meses depois, chegou a resposta. Mal tive tempo de comemorar, pois a oferta da vaga vinha com uma condição: fazer o IELTS, o exame de inglês sobre o qual já falei aqui. Por essa eu não esperava, e tentei argumentar com a universidade. Mandei meu certificado de Cambridge, mandei as matérias que escrevi em inglês quando estava trabalhando e tudo mais que me ajudaria a provar que sim, que eu tenho capacidade de fazer um mestrado em inglês. Mas não adiantou e lá fui eu fazer a prova. Como vocês já sabem, no fim deu tudo certo.

Então é isso. Estou aproveitando e muito meu verão inglês antes que as aulas comecem no fim de setembro. Ando com a agenda cheia: encontros, shows, meus compromissos com a LAWA, meus frilas, blog, Conexão Feminista e umas viagenzinhas a vista antes da vida acadêmica começar. Mas já estou tendo um gostinho de como vai ser, pois essa semana recebi email do coordenador do curso, solicitando uma dissertação e "recomendando" diversas leituras.

Ah, os livros. Vou sentir falta de ler o que eu quiser, quando eu quiser. Será um ano intenso. Já me dá saudades do limbo.

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Leitura: Quando a Lua Canta para o Lobo (Uma Ópera Licantrópica), Bárbara Axt

julho 11, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Esse é um livro especial. Primeiro, porque foi escrito por uma amiga, a Bárbara. Segundo, porque foi o primeiro livro que li em formato digital. Não, não me tornei adepta ao Kindle ou afins, mas é que tive o privilégio de ser uma "beta reader". Isso quer dizer que a Bárbara me mandou o manuscrito, para que eu lesse e desse minha opinião. Legal, né?

Confesso que estava um pouco ansiosa: e o medo de não gostar de um livro escrito por uma amiga? Eu já sabia (e ela também) que esse não é o estilo de leitura que eu gosto (fantasia/sobrenatural), mas eu jamais deixaria passar uma oportunidade dessas.

E não é que eu gostei, e muito, da história? Li em questão de dois dias, coisa bem atípica pra mim. Eu ia lendo e mandando perguntas/comentários pra Bárbara, e fiquei super empolgada de acompanhar a produção. Afinal ela não só escreveu como também produziu e lançou de forma independente. Ou seja, o livro está sendo vendido diretamente pelo site dela, tanto em formato impresso como em ebook. Você pode comprar aqui e apoiar uma escritora!

O livro se passa em Londres, envolve estudantes de música e tem muuuitas curiosidades sobre a cidade. A Bárbara fez ums pesquisa detalhada sobre os lugares por onde os personagens passam e sobre acontecimentos verídicos em alguns desses lugares. E tem romance. Só que não é qualquer romance.

Enfim. Leiam. Comprem de presente, espalhem a notícia. O mundo precisa de mais livros de autores "desconhecidos", e ainda mais de mulheres. Vamos mostrar para livrarias e editoras o que estão perdendo em não apoiar novos talentos.

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O zig zag da montanha

julho 06, 2017 Helô Righetto 3 Comentários


O avanço ao cume do Kilimanjaro é algo que registramos pouco em fotos e vídeos, mas é a parte da viagem que está gravada na memória com mais força. Uma das imagens mais fortes, que imediatamente me vem a cabeça quando começo a falar dessa noite/dia de escalada, é um zig zag de pontinhos iluminados montanha acima.

Eu explico: como saímos do acampamento base a meia noite, é preciso usar a lanterna de cabeça no percurso até a luz do dia dar as caras. A gente não vê nada, apenas aquele foco de luz saindo da nossa testa e iluminando os passos da pessoa que está na nossa frente. Ficamos de cabeça baixa o tempo todo, concentrados, em silêncio, apenas ouvindo nossa própria respiração - que custa a sair - e também a dos companheiros. Falamos apenas o necessário (como: preciso parar um pouco), com medo de que qualquer interrupção atrapalhe a caminhada que vai a passos muito lentos.

Em um desses momentos, meu pescoço começou a doer, afinal a gente fica olhando pra baixo. Resolvi dar uma esticada e olhei pra cima...

Lá estava, o zig zag de pontinhos iluminados. Eram pessoas que estavam mais avançadas do que a gente, bem mais pra cima, e suas lanternas demarcavam o desenho da trilha. Naquele momento eu não sabia se ria ou chorava: era algo bonito de se ver, mas me fazia pensar que eu tinha ainda aquilo tudo pra subir. E era uma parede, e não uma ladeira. Sabe quando você está parada no engarrafamento e só consegue ver a luz vermelha dos carros parados até perder de vista?

Nesse caso, a impressão que eu tinha é que a encosta do Kilimanjaro era totalmente vertical. Bateu um desespero, mas eu não conseguia parar de olhar. Era muito bonito. E havia um ponto onde as luzinhas das lanternas se misturavam as estrelas. Ali, com pouco oxigênio, meio desidratada, muito cansada e com muito frio, a gente dá umas alucinadas. Fixava meu olhar em um pontinho e não sabia se era uma estrela ou uma pessoa já quase chegando na cratera do Kilimanjaro, mais precisamente no Gilman's Point, a primeira parada do topo.

O consolo é que haviam pontinhos abaixo de nós também. Eu me pergunto se eles olhavam pra cima e sentiam a mesma coisa que eu senti naquele momento.

Já na cratera do Kili, chegando no Uhuru Peak, o ponto mais alto. Lá na frente está o Monte Mawenzi.



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Mulheres incríveis e seus legados: um passeio guiado em Londres

julho 03, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Modéstia a parte, eu sou uma pessoa que vive tendo ideias. Tenho ideia para uns 50 guias de viagem, de produtos para vender, de palestras, de projetos pro blog. Mas da ideia para a prática, como muita gente sabe, a história é outra. Por isso, quando eu alcanço uma meta, como a publicação do meu guia em 2015, minha primeira meia maratona ano passado e o Kilimanjaro esse ano, eu falo e fala e falo sem parar sobre isso.

A ideia concretizada mais recente é o lançamento de um passeio guiado em Londres. Estava pensando nisso acho que há mais de um ano, e finalmente - depois de vários testes e muita pesquisa - anunciei três datas. Esse passeio une duas das coisas que mais amo, Londres e feminismo. Não é maravilhoso?

O passeio chama "Mulheres incríveis e seus legados". Tem 3 horas de duração, e feito todo a pé pelo centro de Londres (começa na estação de Green Park e termina na ponte de Westminster) e em 15 paradas a gente passa por monumentos, casas, museus e lugares icônicos para falar de muitas mulheres que fizeram muito pela humanidade.

O valor pessoa é de £14, que eu peço que sejam pagos antecipadamente. Todas as datas (até agora são 3: 20/7, 6/8 e 30/9) tem seu próprio evento na página do Facebook do Conexão Feminista, juntamente com o link para fazer o pagamento. Caso você não acesse o Facebook, fale comigo!

E quem não estiver em Londres em nenhuma das datas e quiser um tour privado, também dê um alô.

Links para mais informações e para comprar seu ingresso:

Dia 20/7: https://www.facebook.com/events/1595997217100236/
Dia 06/8: https://www.facebook.com/events/100601007248413/
Dia 30/9: https://www.facebook.com/events/249469345540454/

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Dança comigo

junho 29, 2017 Helô Righetto 4 Comentários


Nos acampamentos abaixo de 4 mil metros (2 na subida, 1 na descida), rolava um ritual maravilhoso antes de sairmos para o trekking do dia e assim que chegávamos no acampamento: muita dança e cantoria, levada pela equipe de apoio. Eram 15 minutos sem parar, pulando muito, batendo palmas e - quando possível - tentando cantar a letra junto.

A energia do grupo era impressionante, e nos dava um ânimo absurdo para seguir caminho ou para fechar o dia. Eles cantavam várias músicas, emendavam uma na outra, mas a que a gente sabia de cor era a famosa "Kilimanjaro song":

Jambo, jambo Bwana (Olá, olá senhor!)
Habari gani (Como você está?)
Mzuri sana (Muito bem)
Wageni, mwakaribishwa (Visitantes, vocês são bem vindos)
Kilimanjaro, hakuna matata (Kilimanjaro, não há problema!)

Tembea pole pole, hakuna matata (Ande devagar, devagar, não ha problema)
Utafika salama, hakuna matata (Você vai chegar bem, não há problema)
Kunywa maji mengi, hakuna matata (Tome muita água, não há problema)

Você pode ver essa música a partir do minuto 9:03 no vídeo abaixo, mas garanto que o vídeo todo é emocionante (eu e o Martin aparecemos bastante, dançando muito. Eu estou de jaqueta roxa, faixa azul na cabeça e rabo de cavalo). Esse foi o dia após o cume, a manhã da despedida. Começamos o dia assim antes de andar 20km rumo a saída, e antes de entrarmos no ônibus rumo ao hotel ainda rolou isso de novo, já era fim da tarde.

Pelo que entendi, esse "ritual" acontece em quase todas as expedições, mas nem todo mundo gosta de participar. Muita gente prefere ouvir e ver, e segundo eles os latino americanos são sempre os mais empolgados, que dançam junto. Que bom que meus companheiros de viagem entravam na dança (literalmente) e todo mundo aproveitava ao máximo essa oportunidade única.




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Anônimo, você tem toda razão

junho 28, 2017 Helô Righetto 3 Comentários


No post anterior eu escrevi que chegar no cume do Kilimanjaro foi a coisa mais difícil que já fiz nada. Aí uma pessoa (anônima, uma pena) deixou comentário falando que essa afirmação é muito #classemédiasofre. Afinal, no mesmo post eu falo da equipe de carregadores e guias. O anônimo até mandou eu lavar uma louça (anônimo, quem lava louça em casa é a máquina, sou classe média!).

Mas olha, sabem que o anônimo tem razão? Certamente há coisas mais difíceis na vida do que encarar minha expedição Nutella ao cume do Kilimanjaro. Por exemplo, arrecadar dinheiro para uma instituição que abriga mulheres vítimas de violência doméstica. Essa tarefa é muito mais difícil. Não tem uma equipe inteira pra me ajudar e muito menos desperta interesse dos meus leitores.

Mas quem sabe, você anônimo, acha isso mais bacana e vai me dar um apoio? Estamos muito longe de alcançar a meta de arredação, e seu dinheiro vai fazer a diferença. Você pode doar usando esse link: bit.ly/womenlawa

Obrigada e até o próximo grande desafio! Mas aviso: ainda vai ter muito post do Kilimanjaro aqui, prepare seu armamento pra me encher o saco!


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Kilimanjaro

junho 24, 2017 Helô Righetto 10 Comentários


Conseguimos. Nós subimos até o cume do Kilimanjaro (5895 metros de altura).Chegamos lá precisamente às 8:30 da manhã do dia 21/6. Começamos a expedição dia 16/6 e o avanço para o cume às 0h do dia 21.

Foi a coisa mais incrível e mais difícil que já fiz na vida. E toda a expedição foi muito especial. O grupo (e quando digo grupo não quero dizer apenas quem estava lá na mesma situação que eu, mas também a equipe que estava trabalhando para a gente: carregadores, cozinheiros e guias) funcionou muito bem. Além das longas caminhadas diárias e falta de ar na medida que íamos subindo, tínhamos também muita cantoria, dança, conversa, comida boa e troca de experiências.

A gente vai pra subir o Kilimanjaro e acaba ganhando umas sessões de terapia na jornada. Valeu, Kili!






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Hakuna Matata!

junho 14, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Meu primeiro post direto da Tanzânia, 2 dias antes de darmos início a nossa aventura no Kilimanjaro. Estamos em Arusha, a internet do hotel é ruinzinha, mas queria passar aqui e dar um oi pra falar que o blog provavelmente vai ficar sem postagens nessa semana e na próxima.

Agora que estamos aqui é que caiu a ficha do que estamos prestes a fazer, e confesso que está me batendo uma ansiedade. Por isso estou achando ótimo termos esses 2 dias de preparação. Hoje demos uma passeada rápida pelo centro da cidade, e amanhã vamos fazer um passeio no Arusha National Park, onde provavelmente veremos um pouco de vida selvagem (me prometeram flamingos!!!).

Deixo aqui a foto que postei no Instagram, mais clichê impossível, do por do sol pela janela do avião, umas 2 horas antes de pousarmos.

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IELTS

junho 07, 2017 Helô Righetto 4 Comentários


Poucas coisas são tão retrógradas quanto provas (não provas de crimes, de teste de inteligência mesmo, hahahahahaha), e eu achava que a essa altura do campeonato estava livre delas. Passar numa prova não significa que você realmente manje do assunto (eu por exemplo não sabia dirigir quando passei no exame da carteir de motorista, e passei em muitas provas de química e física na escola porque escrevia a fórmula na sola do meu tênis), mas infelizmente acho que estamos longe de inventar um sistema de educação que seja mais inclusivo. Mas enfim, esse não é um post político, é um post sobre uma maldita prova de inglês que precisei fazer há algumas semanas, o IELTS.

Eu me candidatei para uma vaga em um mestrado (mais sobre isso em breve) e a universidade exige uma comprovação de que você sabe se comunicar em inglês (caso inglês não seja seu primeiro idioma, óbvio). Eu até tirei aqueles certificados de Cambridge pentelhos quando estudei na Cultura Inglesa, mas olha só, não me serviram pra nada. A universidade não aceitou, já que precisava que a comprovação tivesse no máximo 2 anos. Tentei argumentar, afinal trabalhei como editora de um site (escrevendo e editando em inglês) por 6 anos, mas não adiantou.

Tive que colocar o rabo entre as pernas e me inscrever para fazer o IELTS. E o pior: pagar as £160 de inscrição. Foi tudo meio em cima da hora, pois eu queria matar essa pane antes de viajar. Tive 2 semanas para me preparar, fazer uns simulados e entender as "manhas" da prova, que é dividida em 4 partes: reading, writing, listening e speaking.

A universidade exigia que eu tirasse uma média de 6.5 (a nota máxima do IELTS é 9), sendo que tinha que ser no mínimo 6 em reading, listening e speaking e 6.5 em writing. Ou seja, não adiantaria obter uma média 7 se meu writing fosse 5.5, por exemplo.

Bom, lá se foi um sábado perdido fazendo essa prova pentelha. Eu achei tudo relativamente fácil, menos a categoria que eu precisava da nota mais alta, o writing. Eles dão apenas uma hora para você fazer duas redações (escritas a mão), com temas chatíssimos. Há um número mínimo de palavras para cada uma das redações, e você tem que ter certeza de que o examinador vai entender sua letra. Então entre escrever (e usar as palavrinhas que garantem pontos, como "however", "therefore", "despite", "moreover", "first of all" e por aí vai), apagar e reescrever os garranchos e contar as palavras, mal dá tempo de bolar um texto decente.

Mas o resultado chegou e eu passei! Fui muito bem aliás. tive uma média de 8,  e no reading tirei a nota máxima, 9. No speaking e no listening tirei 8.5 (uma pena que não falam o que eu errei, pois eu achava que tinha tirado a nota máxima no listening também), mas no writing passei raspando: 6.5, exatamente o que a universidade pediu.

Mas enfim, mais um perrengue resolvido. 160 libras para provar que meu inglês é bom o suficiente pra eu voltar a estudar.

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Engano seu

junho 05, 2017 Helô Righetto 2 Comentários


Nas últimas semanas, por coincidência, algumas pessoas vieram me falar que gostam muito desse blog aqui e que eu não deveria parar de escrever. Mas elas falaram como seu eu tivesse anunciado o fim do blog ou como se eu não publicasse nada há meses.

Gente, alô? O blog tá aqui, vocês é que não acessam o suficiente!

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Leitura: The Mystic Masseur, VS Naipaul

junho 02, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Comprei esse livro há pelos menos 4 anos, e acho que ter esperado tanto para ler deveria ter fincionado como um sinal: se não leu até agora, deve ter uma razão!

Achei um saco. Resolvi ler inteiro porque é curto e tambem porque eu tinha a esperança de que fosse ficar mais interessante (afinal, o cara é Nobel né?), mas não.

Talvez eu devesse ter escolhido outro livro dele pra começar (senão me engano esse foi o primeiro que ele publicou), talvez a história seja muito mais engraçada se você conhece melhor o autor, ou se você é de Trinidad, sei lá.

Terminei de ler no metrô e deixei lá mesmo, pra alguém pegar e quem sabe apreciar mais do que eu.

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Spectacles

junho 01, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Já não é novidade que eu adoro o Snapchat e provavelmente serei a última a sair de lá. Adoro a interação da rede e as pessoas que conheci por lá. E agora tenho mais uma razão para continuar me divertindo: tenho o Spectacles.

O Spectacles é um óculos de sol com uma câmera embutida, pra fazer snaps! Ele está a venda apenas nos Estados Unidos e já foi lançado há uns meses (mas claro que tem vários disponíveis no Ebay), mas o Martin esteve em Chicago semana passada e trouxe um pra mim.

O mais legal é que (eu acho) os óculos bem bonitos. Nada daquela coisa cafona do Google Glass. Você pode realmente usá-los como óculos de sol. Claro que é um tantinho mais pesado por causa da câmera e da bateria, mas ainda assim, nada que faça muita diferença no dia a dia.

Eu testei meus Spectacles quando fui correr, e deu super certo. E isso é ótimo, pois é impossível fazer Snapchat com o celulae enquanto você corre, mas com os óculos é bem tranquilo - só apertar o botão no aro e pronto, ele começa a filmar os 10 segundos. Outras pessoas que eu sigo no Snap e também tem os Spectacles já usaram eles pra andar de bicicleta, dirigir, fazer stand up paddle e andar de caiaque.

Tenho certeza de que jajá o dono do mundo Facebook aparece com algo do tipo...

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A Little Respect

maio 30, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Ontem foi mais uma vez no show do Erasure, e como da primeira vez (acho que há dois anos), foi na Roundhouse, no bairro de Camden. A Roundhouse é linda, pequena, e dá aquela impressão de show intimista, "só para os amigos".

Como da primeira vez, foi ótimo. Eles tocam todas aquelas músicas que embalaram minha adolescência, e eu acho maravilhoso quando vou em um show e tem gente ou da minha idade ou mais velha do que eu. Sinto que estou no lugar certo!

Mas enfim, apesar do show ter sido maravilhoso, o melhor aconteceu na hora de ir embora. Estávamos a caminho da saída quando alguém começa a puxar "A Little Respect", e o resultado foi esse (eu tive que baixar os videozinhos que subi no Snapchat na hora, por isso que está assim esquisito, mas dá pra ter uma ideia!):



De arrepiar!

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Voluntariado x Doação

maio 26, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Desde que eu comecei a trabalhar como voluntária na LAWA, recebi emails e mensagens pelas redes sociais de pessoas interessadas em saber como poderiam ajudar ou se eu teria alguma dica para quem busca esse tipo de trabalho.

Então vamos por partes. Pra quem quer fazer trabalho voluntário, e tem uma causa do coração, eu aconselho a dar uma olhada no Charity Job. Basta filtrar sua busca por setor e pronto, você verá algumas oportunidades. Mas nem todas as instituições anunciam lá, então o ideal é buscar da maneira tradicional: Google e Facebook. A maioria tem site e página nas redes sociais, e aí você encontra mais informações sobre possíveis vagas de voluntariado.


Eu não estava planejando fazer esse tipo de trabalho, até que uma amiga me falou sobre a instituição. Então simplesmente mandei um email e me chamaram. Algumas ONGs tem processos de seleção de voluntários mais rigorosos, outras são mais abertas a qualquer tipo de ajuda. Algumas pedem comprometimento mínimo de tantas horas semanais, outras te dão um projeto específico para fazer. Realmente depende do tamanho da instituição e do tipo de serviço prestado.

Eu entendo que muita gente queira fazer trabalho voluntário pra ter a sensação de que realmente está contribuindo. Pra saber o que é feito, como é feito, e qual o resultado. Mas as vezes, e serei bem honesta com vocês, as instituições precisam mais de dinheiro do que voluntários. Manter um voluntário tem um custo. Não necessariamente financeiro (mas algumas ONGs pagam transporte e/ou alimentação), mas de tempo. O voluntário recebe treino como qualquer outro funcionário em qualquer tipo de trabalho. O problema é que muita gente não dura na vaga, e acaba indo embora depois de alguns meses. Ou seja, todo o tempo do recrutador que poderia ser usado de forma mais eficiente (isso porque raramente em uma instituição sem fins lucrativos - principalmente nas pequenas - uma pessoa faz apenas uma coisa específica) é gasto procurando e treinando gente nova de tempos em tempos. Então, se você está afim de voluntariar, pense muito nisso antes de se comprometer. Avise o recrutador se você estiver procurando emprego e precisar deixar a vaga assim que arrumar um. Ou fale que você só está disponível por três meses. Abra o jogo desde o começo, e se pegar um projeto, fique até o final.


Mas voltando a questão do dinheiro. Tem muita gente que faz doação mas não acha que é o suficiente. Acredite: é sim. Se você acha que no seu trabalho "normal" nunca tem orçamento disponível pra nada, você não tem ideia de como é a situação financeira de uma ONG. Todas as moedas são contadas, e se algum financiamento é cortado, os programas sociais são eliminados de uma hora pra outra. Isso significa funcionários da ONG perdendo emprego e pessoas que usam os serviços ficando desamparadas do dia pra noite.

Lá na LAWA, por exemplo, todo ano elas precisam aplicar para o subsídio do escritório. E elas nunca sabem se vão conseguir. Se por acaso esse subsídio for retirado, não terão pra onde ir. E todo mês rolam batalhas e mais batalhas com subprefeituras para manter o financiamento do abrigo. O governo continua cortando o orçamento para esse tipo de serviço, mas violência doméstica não é "cortada" na mesma proporção, muito pelo contrário. Como a LAW tem ganhado espaço na mídia, muito mais mulheres tem nos procurado. E muitas não podem ser atendidas porque simplesmente não temos dinheiro.


Então pode ter certeza de que quando você doa seu dinheiro, ele será muito bem utilizado.

E pra quem gostaria de doar para a LAWA, estamos mais uma vez fazendo financiamento coletivo. A boa notícia é que conseguimos o apoio de uma empresa que vai dobrar tudo que for doado, até conseguirmos £10,000. Ou seja, se juntarmos essa grana, teremos 20 mil libras. Você pode doar 8 libras (cerca de 32 reais) aqui.






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#EverestNoFilter

maio 25, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


O Snapchat é mesmo uma imensa ponte. Por causa dele, nós podemos acompanhar os montanhistas Adrian Ballinger e Cory Richards em sua subida no Monte Everest, sem oxigênio suplementar (ambos já chegaram ao topo outras vezes). Sim, eles estão lá nesse momento (há muitas semanas), e estão transmitindo tudo pelo aplicativo.

Nas próximas 48 horas eles devem chegar no topo, e as expectativas são grandes para os seguidores do Snapchat! Há todo um suporte tecnológico envolvido, que até agora funcionou muito bem. É maravilhoso poder seguir a jornada deles e ver um pouco desse lugar que muito provavelmente eu nunca vou conhecer.

Pra quem não tem Snap, eu aconselho instalar ainda hoje só pra acompanhá-los (o perfil é EverestNoFilter). E alguns dos snaps estão indo parar no YouTube:



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Dreams

maio 21, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Ontem tiquei mais um show da minha lista de "bandas dos anos 80 e 90 que eu amo", fui ver The Cranberries! Pois é, eles ainda existem e fazem um show maravilhoso. A voz da Dolores é muito icônica, e mesmo que a princípio o nome dessa banda não te traga nenhuma lembrança, tenho certeza de que pelo menos uma das músicas deles marcou a sua adolescência (se você tem mais ou menos a mesma idade que eu).





O show foi no Palladium, um tanto quanto atípico (é mais conhecido pelas peças de teatro), mas lembrei que os Beatles também já tocaram lá! Além da banda, tinha também um quarteto de cordas, o que deixou tudo ainda melhor.

Nada como música ao vivo pra mexer com as nossas emoções né? Eu tenho vontade de chorar toda vez que escuto Dreams, e ter a oportunidade de ter visto ela ser cantada ao vivo e a cores é realmente um super privilégio.



A Marina, que foi comigo, postou alguns videozinhos no instagram dela, que vou deixar aqui. Eu cheguei a fazer um live no Instagram por alguns minutos, mas quem não vou, já era!

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Próximo show: Erasure, o retorno!

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Leitura: Infidel, Ayaan Hirsi Ali

maio 19, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Esse livro, uma autobiografia, me foi recomendado por algumas mulheres toda vez que eu postava algum livro sobre feminismo no Instagram. Não é exatamente um livro feminista, mas é a história de uma mulher que lutou contra opressão.


Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália, e tem uma história de vida admirável. Mudou-se diversas vezes com a família (em decorrência da instabilidade política da Somália e o fato de seu pai ser um dos líderes de um grupo de oposição). Viveu na Arábia Saudita, Etiopia e Quênia. Sofreu mutilação genital, espancamentos e restrições impostas por tradições anacrônicas tanto da sua religião quanto da sua família. Teve uma relação de "amor e ódio" com a religião durante a adolescência, e ao mesmo tempo que obedecia regras, não entendia a razão delas existirem. Questionava-se o tempo inteiro.

Foi forçada a se casar com um homem que não conhecia (e, quando conheceu, não gostou) e finalmente conseguiu escapar de todas essas prisões, obtendo asilo na Holanda, onde muitos anos depois tornou-se membro do parlamento. Produziu um curta metragem com o cineasta Theo van Gogh (procure no Google, não vou escrever aqui o nome nem sobre o que se trata porque não quero ninguém buscando razões para incitar o ódio religioso aqui no meu blog), e por causa desse filme ele foi assassinado. Ela foi ameaçada e viveu por muito tempo escondida e sob proteção da polícia.

Bom, essa é a história muito, mas MUITO resumida. Como eu falei lá em cima, é realmente admirável a luta dela e sua coragem em aproveitar a oportunidade para conseguir tomar as rédeas da própria vida.

Mas tem algumas coisas que me incomodaram nesse livro. A primeira é o fato de que ela em nenhum momento, nem mesmo no final, reconhece que não enxergava que todos os horrores que ela sofreu nas mãos da mãe foram em decorrência do descaso do pai. O pai abandonou a família (mais de uma vez) e as deixou na beira da miséria, fazendo com que mãe dependesse de favores de amigos e familiares por muito tempo. Criou todos os filhos sozinha sem ter nenhum direcionamento, sem nenhuma perspectiva de melhoria de vida.

Já o pai é visto como herói. Quando volta pra casa depois de anos de abandono, é celebrado por ela, que não demonstra um pingo de consideração pela mãe, amargurada e com sérios problemas mentais. Até mesmo depois de romper com ele, ela não dedica nenhum espaço no livro para refletir sobre como a ausência dele influenciou na vida miserável da mãe e, consequentemente, na dela.

Outra coisa que me incomodou é sua visão política. Óbvio que ela tem o mérito por tudo que conseguiu, mas o fato de ela ter tido a força e a coragem para romper com sua família, com sua tradições e, acima de tudo, com a sua religião, não significa que ela tenha uma receita pronta para todas as outras mulheres muçulmanas. Pra mim, a generalização é um erro. E um perigo: eu achei que o discurso dela em relação a segregação religiosa e cultural e também em relação a política de benefícios e salário mínimo para imigrantes/refugiados é o tipo de coisa que faz uma pessoa como Donald Trump sorrir de orelha a orelha.

Em tempo: eu GOSTEI do livro. Achei ela uma mulher sensacional, e é maravilhoso saber que a história dela serviu de inspiração para outras mulheres na mesma situação de opressão. O que não bate comigo são os ideais e a generalização. Mas ó, recomendo que você leia para tirar suas próprias conclusões.

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Rumo ao Kili

maio 16, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Daqui a um mês, dia 16 de junho, daremos início a caminhada/escalada que nos levará ao topo do Kilimanjaro, a montanha "free standing" mais alta do mundo (antes que você proteste, eu explico: o Kili não está em uma cordilheira como o Everest. Por isso a expressão "free standing", que acho que não tem tradução para português), com 5895 metros.

A viagem em si começa alguns dias antes, mas é no 16 mesmo que as férias tomam forma de aventura. Eu queria fazer essa viagem há muito tempo, e finalmente está chegando a hora. Estamos pagando caro pra ficar 7 dias sem tomar banho, dormir em barraca, passar frio, ficar sem ar e provavelmente levar o corpo a exaustão. Legal né? ; )

Não sei explicar exatamente o que me atrai a essa aventura. Por causa dela nós não teremos férias naquele estilo clássico, como foi a Sicília ano passado, por exemplo (ai que dó que vocês estão d emim hein?). E ainda assim, não estou mega ansiosa. Estou tranquila, curtindo essa preparação que já vai preparando nossa cabeça para encarar o que teremos pela frente. Desde o começo do ano a gente tem ido fim de semana sim e outro também em lojas de equipamentos especializados. É tanta coisa comprada que eu prefiro nem somar.

No Aprendiz de Viajante eu escrevi dois posts com mais detalhes dessa preparação (que você pode ler aqui e aqui). E durante a viagem eu pretendo escrever um diário, assim não esqueço de detalhes e - mais importante - das minhas impressões em relação as outras pessoas que farão parte da nossa expedição (já temos até grupo no Whatsapp). Acho que será a primeira vez que farei isso desde a nossa viagem para Nova York em 2005 (eu transcrevi tudo aqui no blog, se você tiver curiosidade e paciência pode buscar os arquivos, acho que fiz em janeiro de 2006).

O engraçado é que tenho ainda tanta coisa na agenda antes de embarcar pra Amsterdã (vamos passar uma noite lá, pois não tem vôo direto de Londres) dia 12 de junho. Tenho diversos encontros com amigas, tenho palestras, tenho até prova de inglês (conto sobre isso mais pra frente). O Martin vai passar uma semana em Chicago a trabalho, eu tenho frilas para entregar, hangouts para fazer, visita para receber por alguns dias.

Tô achando é que o Kilimanjaro vai ser descanso depois dessa loucura de compromissos!


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Catiorro

maio 15, 2017 Helô Righetto 3 Comentários


Eu sei que a linguagem é algo mutante, que ao longo dos anos novas palavras surgem, regras gramaticais são alteradas e a maneira que a gente se comunica vai se moldando a novas realidades. Mas isso não me impede de vir aqui lamentar uma nova "tendência" que sequestrou o bom português nas redes sociais. Essa mania insuportável de escreve "catiorro" e "gatíneo" em vez de cachorro e gatinho. Que porra é essa?

Parece que o nh foi substituído pelo ne de vez. Ainda há pouco li um "agorinea" e um "amiguinea". Que que isso gente? Se já não bastasse o povo escrevendo "quiança" em vez de criança, a gente tem que prosseguir a infantilização da língua?

Fico pensando, será que essa é uma evolução natural? Será que daqui a algumas décadas as pessoas vão ler as palavras cachorro e gatinho achando o mesmo que a gente acha do inglês vitoriano hoje em dia, por exemplo?

E o pior é que quem reclama - como eu - é visto como o chato, o sem graça, o que não admite erros. Vamos combinar que errar é uma coisa, mas infantilizar palavras é outra. Ninguém é a prova de erros, mas bem que a gente podia se esforçar pra ser a prova de idiotização do idioma né?

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Maiden

maio 12, 2017 Helô Righetto 6 Comentários


Aqui na Inglaterra todas as mulheres casadas adotam o sobrenome do marido. Ok, pode até existir uma ou outra que não, mas é uma "tradição" (entre aspas porque né, é machismo) indiscutível. Ninguém para pra pensar, ninguém questiona. A coisa é tão forte que mal elas voltam da lua de mel e já mudam email de trabalho, adotam o "Mrs" (em vez do Miss, reservado para as solteiras, sendo que homem é sempre Mr, independente se é casado, solteiro, poliamor, cacete a quatro), e assim a vida segue.

Os filhos nascem e são registrados com o sobrenome do marido (que por sua vez tem o sobrenome do pai dele, ou seja, o sobrenome da mulher nunca vai pra frente). E a família é conhecida por esse sobrenome. Por exemplo, eu o Martin seríamos os Descalzi, e não os Righetto Descalzi ou Descalzi Righetto ou muito menos os Righetto.

De novo: eu sei que tem gente que não faz assim, mas é de contar nos dedos.

Então, o sobrenome que a mulher perde quando casa é conhecido como "maiden name". Aliás, muita gente usa esse sobrenome da mãe/mulher casada como senha de banco, resposta pra odiada pergunta de segurança para obter a senha perdida, esse tipo de coisa. Se eu ligo no banco e esqueço a minha senha telefônica, eles sempre me perguntam: qual o maiden name da sua mãe?

Essa palavra, maiden, me tira do sério. Coloquem lá no Google pra traduzir. Significa "virgem, donzela, SOLTEIRONA". Isso mesmo, o Google conhece a palavra solteirona e é isso que significa "ainda" ter o seu próprio sobrenome (lembrando, que é o do seu pai, porque o da sua mãe morreu quando ela casou): você sobrou. Você tá solteira, você é uma fracassada. Donzela, virgem, porque afinal, mulher que transa sem casar é puta né?

Acho incrível como a gente adora apontar o dedo para as tradições opressoras de outras culturas - que sem dúvida deveriam ser abolidas - mas na hora de avaliarmos nosso entorno, a gente justifica com um "ah, que bobagem, é só um sobrenome. É tradição, pra que mexer com isso".


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Livros

maio 12, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Acho que já falei aqui sobre o sistema de afiliados, que é basicamente como muitos blogs conseguem ganhar algum dinheiro. Por exemplo, o Aprendiz de Viajante é afiliado do Booking.com, o que significa que, quando você reserva seu hotel pelo link lá do Aprendiz, rola uma comissão (que nunca interfere no preço final).

Eu resolvi então fazer a mesma coisa com o Conexão Feminista, e agora somos afiliadas da Livraria Cultura e da Amazon. Como a gente sempre indica livros, achei que era uma maneira bacana de talvez ganhar uma graninha. A nossa lista de recomendações de livros com os respectivos links está aqui, mas coloquei também um widget aqui no blog, aí na coluna da direita, com alguns dos livros recentes que li.

Também vou começar a colocar os links pra Amazon e pra Cultura nos posts que faço sobre livros aqui. Tudo que eu ganhar de comissão será usado no Conexão Feminista, pra ajudar a custear a manutenção do site (servidor, domínio, designer) e outras coisinhas, como por exemplo a anuidade no Soundcloud (onde os hangouts estão disponíveis como podcasts).

Vez ou outra alguém me fala que comprou um livro porque leu minha recomendação, então minha gente, bora comprar com o link da blogueirinha aqui!

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Unflappable

maio 10, 2017 Helô Righetto 2 Comentários


Eu tenho um hábito adquirido de trabalhadora que é sempre dar uma olhada nos anúncios de emprego. Nunca perdi esse costume, afinal, vai saber quando aparece algo mais ou menos que paga decentemente? RISOS

Enfim, nos últimos tenho notado que as exigências e responsabilidades descritas ficam cada vez mais absurdas. São listas enormes de tarefas, e sempre com aquela observação bem vaga que diz que o trabalho envolve também "colaborar com outros times" (leia-se, ter que lidar com problema que nada tem a ver com a sua função porque a empresa deveria contratar mais gente mas não vai) ou coisas similares.

Mas hoje, hoje eu aprendi uma nova palavra. Unflappable. A descrição dizia que o candidadto ideal deveria ser "unflappable under pressure".

Sabe o que significa isso? Imperturbável, sereno. Ou seja, além de ter que trabalhar sob pressão, você não pode demonstrar estresse. Não pode ficar nervoso, não pode ficar de mau humor, não pode fechar a cara. Você tem que encarar a pressão com serenidade.

Eu fiquei com tanta raiva dessa palavra, dessa exigência idiota. Eu já acho absurdo quem contrata achar ok falar que trabalhar sob pressão será parte da rotina, agora exigir calmaria na tempestade? Unflappable?


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Me fale do Tinder

maio 08, 2017 Helô Righetto 4 Comentários


O mundo paralelo do Tinder me causa muita curiosidade. Como é algo que não tenho acesso, fico parecendo aquelas pessoas que não entendem nada de redes sociais e de repente se interessam pelo Twitter. Quando encontro alguém que usa o app, encho de perguntas, parecendo uma adolescente que lê um livro do Sidney Sheldon pela primeira vez ao ouvir as respostas.

É todo um novo mundo. O que escrever na biografia, em apenas algumas linhas? Que fotos colocar no perfil? Conversar pelo app ou migrar pro whatsapp e arriscar receber foto de pinto?

É uma grande revolução que aconteceu no mundo dos relacionamentos depois que eu já estava firme no meu. Poxa, poderiam lançar uma versão light, tipo vitrine (proibido dar match ou fazer um perfil, apenas olhar as fotos alheias e ler as biografias, seria muito esquisito?), pro povo curioso como eu.

Sei que existem vários tumblrs que reunem fotos "clichês" dos perfis, como os homens que colocam fotos com os tigres na Tailândia, os sem camisa, e os que colocam imagens apenas em grupo (é impossível saber quem é o cara, já que todas as fotos aparecem vários amigos. Aí a dúvida: será que e oferta em grupo?).

Se alguém de vocês conhece um tumblr assim ou tem uma história interessante do Tinder pra compartilhar, por favor me mandem e animem a noite dessa tiazinha casada ; )

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Leitura: And Still I Rise, Maya Angelou

maio 07, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Com a minha sede de conhecimento feminista cada vez mais voraz, acabei comprando um livro de poesias da Maya Angelou. Meu primeiro livro de poesias, portanto não vou fingir costume: teve muita coisa que não entendi. Achei tudo lindo e adorei o vocabulário sem firulas, mas é claro que as "histórias" são cheias de significados, e a gente precisa ler mais de uma vez se realmente quiser decifrá-los.

Ainda assim, adorei. Sei lá se é o orgulho de ler Maya Angelou falando mais alto, mas esse livro por enquanto fica na estante (algo raro hoje em dia, ando muito seletiva, já que há pouco espaço para guardá-los eu acabo passando muitos pra frente). Quem sabe daqui a uns anos, depois de muito estudo, as linhas não serão tão indecifráveis?

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Método Martin

maio 02, 2017 Helô Righetto 4 Comentários


Talvez eu já tenha escrito sobre isso antes, mas recentemente recomendei o método Martin para lidar com problemas para algumas amigas. Então acho que vale relembrar.

Não sei se está rolando algum alinhamento de planetas ou se é o pessimismo geral ou se é a vida adulta sendo a vida adulta, o fato é que muita gente na minha vida anda com problemas. Quer dizer, nem todos são problemas, alguns são perrengues acumulados, um monte de coisa chata pra resolver ao mesmo sabe? Eu também estava nessa não tem muito tempo, e finalmente as coisas começaram a se resolver em abril (como o visto renovado do Martin, por exemplo, depois de meses - 6 meses - de espera e apreensão).

O método Martin de lidar com problemas é bem simples: lide com eles no momento propício. Nada de antecipá-los, ou se desesperar pensando o tanto de coisas que você tem que fazer pro problema se resolver. Vou dar um exemplo bem classe média sofre, um tanto quanto irritante e esnobe, mas que ilustra bem o método Martin.

Estávamos nós, Martin e eu, no nosso barquinho alugado na Sicília, indo de praia em praia paradisíaca. Eu poderia ter curtido muito, mas muito mais, se não tivesse ficado pensando nas dezenas de possíveis problemas que poderíamos ter com o tal barquinho. E se o motor falhasse quando estivéssemos em alto mar? E se a âncora ficasse presa nas pedras em alguma dessas praias e a gente não conseguisse cortar a corda pra poder voltar? Se a gente ligasse o motor e não visse alguem nadando perto do barco e o motor machucasse essa pessoa? Juro. Até em um dos momentos mais maravilhosos da minha vida eu fiquei pensando em possíveis problemas. Aí eu perguntei pro Martin: você não fica apreensivo, pensando que esse barquinho pode quebrar aqui em alto mar? No que ele soltou sua sabedoria: se quebrar, eu penso nisso.

GÊNIO.

O solucionador de problemas no comando no barquinho alugado
Aí que eu estava cheia de coisas chatas e burocráticas como pendências, e muitas desses coisas não havia muito que eu pudesse fazer. Tinha que esperar. Por exemplo, os nossos passaportes que estavam retidos no Departamento de Imigração para a renovação do visto de residência. Eu precisava deles para dar entrada no visto para a Tanzânia (para nossa viagem em junho). Fazer o que? Esperar. O meu passaporte brasileiro que precisa ser renovado, e para a renovação eu preciso da nossa certidão de casamento, e a certidão de casamento estava aonde? Isso mesmo, no Departamento de Imigração para a renovação do visto de residência.

Eu resolvi parar de ter dor de barriga desnecessária e fazer o que era possível, esperar. Esperei, passei a aproveitar os dias de espera de forma muito produtiva, e pronto. Tudo está se resolvendo. Chega de ficar me remoendo pensando nas trocentas mil coisas que a gente precisa encarar no dia a dia. Afinal, é uma coisa hoje, outra amanhã, e outra depois de amanhã, e assim segue.

Hoje, por exemplo, eu precisava do meu passaporte de novo pra escanear a página onde tem a minha assinatura (que não é a mesma página onde está a foto e o número dele), pra poder enviar como prova de identidade para uma outra instituição. E onde está o passaporte agora? No Consulado da Tanzânia, onde ele fica até quinta feira. Tá vendo só, o problema do visto sendo resolvido mas já apareceu outro em consequência desse. A página com a assinatura escaneada vai ter que esperar até quinta, fazer o que.

É isso gente. Usem o método Martin para lidar com os perrengues do dia a dia de vocês. Faz bem pra saúde mental, garanto.

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2 horas e 10 minutos

maio 01, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Ontem fizemos a nossa segunda meia maratona. A mesma prova do ano passado, mas com algumas alterações: novo patrocinador (Virgin Sports), temperatura muito mais amena (começou em 13 graus contra 25 do ano passado) e, pra nós, menos preparação. Não que a gente tenha parado de correr, continuamos firmes, mas é que esse ano não rolou ânimo para os treinos longos de 16 e 18km. Ano passado fizemos alguns assim intercalados com os treinos "normais" de 5 a 10km. Esse ano, o treino longo só foi sair uma semana antes. Chegamos a cogitar não fazer essa prova, mas nos 45 do segundo tempo decidimos ir. Orgulho? Desafio pessoal? Idiotice? Um pouco de tudo.

Pra mim, essa segunda meia maratona foi mais difícil do que a primeira. Acho que justamente porque eu sabia o quanto uma prova dessas exige e sabia que deveria ter me preparado melhor, minha cabeça estava contra mim. Tive que pensar quilômetro a quilômetro. Minhas coxas começaram a doer no km 6, aí eu pensei que seria humilhante não chegar nem ao 10, que estou tão acostumada. Depois, pensei que se chegasse até o 11 seria pelo menos mais que a metade. Aí rola um limbo do quilômetro 12 ao 18: tinha que arrumar distração pra não pensar na dor nas coxas. Dava high five em todas as crianças na torcida, pegava todas as garrafinhas de água e jujubas oferecidas, lia todas as placas.

Aí perto do km 16 avistei a ponta do Arcelor Mittal Orbit, que faz parte do final do percurso, e recuperei o ânimo. E aí chegamos nos 18 quilômetros. Bom, já não dava mais pra desistir! A partir do 19 começaram a aparecer as pessoas passando mal, deitadas na calçada e atendidas por para médicos (inclusive um rapaz abraçado num saco de gelo e com oxigênio), aí rola aquele medo do próximo ser você. Mas, como disse minha amiga Marina, se eu consegui prosseguir depois de ver uma moça na minha frente parar e vomitar Lucozade, então eu chegaria no fim.

O problema do quilômetro final é que ele é longo demais. Não tem apenas um quilômetro nem a pau. Aliás, não tem mesmo: tanto ano passado quanto esse ano o meu relógio marcou 21.370km de distância. 370 metros pode não parecer muita coisa pra quem corre 21km, mas deixa eu te contar: é coisa pacas.

Enfim cruzamos a linha de chegada (em 2 horas e 10 minutos, 5 minutos mais rápidos do que ano passado!), Martin um pouquinho mais inteiro do que eu, ao contrário do ano passado. A dor nas coxas era tanta que depois eu mal consegui dobrar as pernas pra sentar (já estou melhor!). Depois ele me falou que começou a sentir o pé também na primeira metade do percurso, e que se piorasse iria parar (obviamente, não piorou, ele também já está bem).

Algumas observações sobre o percurso esse ano: apesar de ter muitos pontos de distribuição de água, quase não tinha Lucozade, o que pra mim fez MUITA falta. Dessa vez, o Lucozade só apareceu no quilômetro 12, e em um copinho em vez da garrafa inteira. Ou seja, horrível pra carregar, eu fiz uma lambança. Outra coisa, que foi ainda pior: as ladeiras. Muitas subidas, algumas daquelas bem sutis mas muito longas. Outras mais escancaradas e mais curtas. Teve uma assim nos quilômetros finais, eu lembro de olhar de longe e ficar realmente brava, falei pra mim mesma "fucking hell" e um cara correndo ao meu lado naquele momento, respondeu "exactly".

Eu não sei se faremos uma meia maratona novamente, as provas de 10km são muito mais prazerosas. Mas acabamos descobrindo que em 2018 vai acontecer uma meia que começa na Tower Bridge e termina aqui perto de casa, no Cutty Sark, o que é mega conveniente (juro, fazer prova perto de casa faz toda a diferença). Enfim, veremos.

E, por fim, o videozinho que o Martin fez! Pois é, o doido resolveu levar a GoPro (carregou a dita cuja na mão os 21 quilômetros, tô fora), e no fim deu um material legal. Fora as minha caretas e e branquitude quase-desmaio na linha dechegada, ficou legal. Aproveitem e assinem o canal dele, onde ficam os nossos vídeos de viagem e os vlogs que ele faz eventualmente.

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Mania de grandeza

abril 27, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


O Reino Unido é um lugar com mania de grandeza. Começando é claro por esse nome, REINO UNIDO. Tá meio desatualizado né? Mas enfim, piadinhas brexiteiras a parte, eu acabei de ter um insight vendo um comercial na televisão sobre conscientização do Alzeimer.

Até quando é pra falar de coisa ruim, o negócio tem que ser grandioso. Tal doença É A QUE MAIS MATA britânicos que nasceram no mês de janeiro de 1978 e escrevem com a mão direita. Tudo é mais, é maior, é melhor. Sabe aquela pessoa que te fala que já quebrou o braço quando você conta que quebrou o dedo? Então, se essa pessoa fosse um país (ops, um reino), seria o Reino Unido.

E as igrejas, gente? Aí você vem morar no Reino e vai visitar sua primeira catedral. Uau, que linda! Tá aqui escrito no folheto que essa é a catedral mais antiga do país. Mas pera lá, essa outra aqui, que você visita duas semanas depois, tá falando a mesma coisa. Ah pera, é que uma é considerada a mais antiga se você falar do uso de tijolos brancos, a outra de tijolos amarelos. Aí tem que se se vende como a que possui o maior teto abobadado do planeta, a outra que tem o maior órgão, a outra tem a torre de madeira mais alta, e a outra foi a mais bombardeada em uma guerra aí.

E os pubs? Só em Londres tem uns 756 pubs que são o mais antigo da Inglaterra.

O maior, o melhor, o mais bonito, o mais antigo. A gente tem que é achar graça!


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Amiga aventureira

abril 25, 2017 Helô Righetto 2 Comentários


(para quem quiser ouvir em vez de ler, o áudio está no fim do post)

Uma amiga querida que conheci por causa desse blog (e do blog dela também, mas que já não existe mais) embarcou em uma aventura grandiosa há pouco mais de um mês. Ele está fazendo a trilha dos apalaches nos Estados Unidos (Appalachian Trail), que tem aproximadamente 3500km. Não, eu não digitei o número errado, é isso mesmo: TRÊS MIL E QUINHENTOS QUILÔMETROS. Caminhando.

Um mês já foi, ela tem pelo menos mais um cinco pela frente. Pra nossa sorte, ela começou um novo blog apenas para falar dessa experiência, que tem sido atualizado com uma certa frequência: https://duasmilmilhas.wordpress.com/ e você também pode seguir a página que ela criou no Facebook: https://www.facebook.com/duasmilmilhas/ 

Eu estou acompanhando os passos da Amanda através de um link que ela disponibilizou para amigos e familiares, e é possível ver exatamente onde ela está graças a um gadget com GPS. É viciante!

Eu, que ando nessa vibe super "vamos amar a natureza, fazer caminhadas e subir montanhas", tô achando tudo lindo, mas é claro que uma trilha dessas requer muito fisicamente e mentalmente. Os textos da Amanda são ótimos, realistas e engraçados. Fica aí a dica pra quem está atrás de bom conteúdo na internet e por azar caiu aqui nesse blog mais ou menos ; )

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Leitura: Jane Austen The Secret Radical, Helena Kelly

abril 22, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Jane Austen não é a escritora que você pensa. Você não é a leitora ou leitor que Jane esperava ter. Ou seja: está tudo errado. Mas Helena Kelly veio ao nosso resgate e escreveu esse livro espetacular, brilhante e didático, que vai fazer qualquer fã de Jane Austen querer ler todos seus livros novamente.

Cada capítulo do livro é dedicado a destrinchar um dos famosos romances de Jane: Northanger Abbey, Sense & Sensibility, Mansfield Park, Pride & Prejudice, Emma e Persuasion. Helena Kelly nos explica o contexto histórico da época em que foram escritos e nos abre um portal. Ela nos explica os porquês: os nomes dos personagens, as localidades, os diálogos que até então achávamos que eram detalhes banais, as referências que nem lembramos porque não nos acrescentam nada. Até agora!

Eu já gostava de Jane Austen, e modéstia a parte eu já tinha percebido algumas dessas nuances apontadas pela Helena Kelly. Eu sabia que Jane não escrevia apenas sobre histórias de amor, sofrimentos das heroínas e dramas familiares. Consegui captar um certo tom sarcástico em seus livros, principalmente Pride & Prejudice. Mas esse livro me revelou uma nova Jane: uma mulher revolucionária, culta, e que compreendia perfeitamente os problemas socio-econômicos da época, opressões e privilégios.

Jane faz diversas críticas em seus livros. Cabe a nós correr atrás da informação para entendê-los da maneira intencionada por ela, e Helena Kelly nos faz esse favor.

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Brecon Beacons

abril 20, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


E lá fomos nós mais uma vez rumo ao País de Gales. Não é sempre que temos feriado prolongado de quatro dias aqui, e como não sabíamos se os nossos passaportes teriam retornado (enviamos para renovação de visto no ano passado) a tempo de viajarmos para outro país, escolhemos Gales como destino de Páscoa.

E os passportes até chegaram, mas ainda bem que achamos melhor não arriscar. A região do Parque Nacional de Brecon Beacons, pra onde fomos dessa vez, é um dos lugares mais lindos do mundo. Eu sei, eu sei, não conheço o mundo todo. Mas tem tanta gente que conhece quase tudo e nunca deu um pulinho logo aí, nesse cantinho esquecido da Grã Bretanha. Então vamos chegar em um acordo: eu chamo de um dos cantos mais lindos do mundo mesmo sem conhecer o mundo todo e você, que já rodou o globo, me dá um voto de confiança e vai até lá na próxima oportunidade. Combinado?

Essa viagem superou todas as minhas expectativas, como vocês já devem ter percebido. Começamos com o pé esquerdo, subindo uma montanha e chegando no topo sem vista nenhuma, com tudo encoberto. Mas depois disso, só alegria! Um monte de trilhas maravilhosas que nos levaram aos anais de Nárnia, muitas cachoeiras, outras montanhas, lagos... muita natureza, cenário exuberante, vontade de ficar.

E com a vantagem de ter sido um bom treino pro Kilimanjaro. A gente não só andou muito morro acima como eu até fiz xixi no mato pela primeira vez.

E o Martin caprichou no vídeo dos melhores momentos, está rapidamente se tornando um videógrafo de mão cheia!



Mal posso esperar pela nossa próxima aventura galesa : )

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Nonsense

abril 17, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Fiquei toda toda me parabenizando pela frequência das postagens em março e cá estou eu em abril há vários dias sem publicar nada! Não dá pra elogiar : ) que a coisa desanda!

Hoje é a segunda feira de Páscoa, e por mais estranho que pareça, é uma data de verdade. Eu não inventei, a segunda feira após o domingo de Páscoa é feriado! IEI!! Então estamos aqui, naquela segunda com cara de domingo, aproveitando ao máximo o único feriado de 4 dias que temos (bom, se os dias 25 e 26 de dezembro caem em uma quinta ou sexta ou segunda e terça, também ganhamos 4 dias de folga, mas né, não é sempre que o calendário colabora, então da licença que a Páscoa é garantida!).

E já estou no terceiro parágrafo do post sem a menor ideia do que continuar escrevendo. Não sei nem porque comecei. Talvez pra falar da viagem que fizemos pro País de Gales? Ou pra falar que meus pais chegam essa semana? Sei lá. Vai ficar essa enchição de linguiça nonsense assim mesmo. Desculpaê pelo tempo perdido! Meu e seu : )

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Leitura: Você Já é Feminista, coletivo AzMina

abril 10, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Mais um ótimo livro sobre feminismo, e dessa vez em português! Havia comprado há um tempão e mandei entregar na casa dos meus pais. Finalmente meus sogros vieram visitar e trouxeram pra mim. Como eu comentei no Instagram, eu gostei bastante, mas só achei que não é um livro para quem ainda não se descobriu feminista, como o título dá a entender.

Pra mim, esse é um livro pra quem já não mais dúvidas sobre ser feminista. Isso porque ele abrange diversos temas que as vezes a gente nem sabe que são questões feministas, quando colocamos um pézinho no ativismo.

Por exemplo, logo no começo há um capítulo sobre as vertentes do feminismo, que eu não sabia que existiam quando comecei a me interessar pelo assunto. Foi só depois de alguns meses fazendo o Conexão Feminista e seguindo outros grupos que aprendi sobre as semelhanças e diferenças de cada uma dessas vertentes. Pra quem tem dúvidas sobre o Feminismo, essa "divisão" pode parecer algo que segrega (o que não é verdade, eu também tinha essa dúvida, e depois entendi que essas vertentes apenas refletem o quanto somos diferentes umas das outras), em vez de agregar.

Enfim, esse é apenas um exemplo. O livro é composto por diversos textos de diversas autoras. E como sempre acontece em livros assim, alguns textos são muito melhores que outros. Pra mim, o melhor é o que trata do trabalho doméstico. Talvez seja porque foi por causa do trabalho doméstico que me descobri feminista, mas também a autora explica muito bem o quanto essa questão está interligada com problemas mais graves, como cultura de estupro e violência. É um texto ótimo pra quem acha que a divisão dos afazeres domésticos de forma justa entre homens e mulheres é apenas um pequeno problema, que não deveria gerar assim tanta polêmica.

Pra quem se interessar, aqui nesse link você pode compra-lo. Esse é um link afiliado, ou seja, se você comprar o livro por aqui, vai gerar uma comissão pra mim. Pra mim não, pro Conexão Feminista. É uma maneira que encontramos de monetizar esse projeto, que toma bastante do nosso tempo e gera despesas com servidor, domínio e hospedagem do podcast, pra citar alguns.

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No thanks, Heloisa

abril 05, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Tem uma editora de um site para o qual eu já escrevi há um tempo (apenas uma matéria) e adoraria escrever de novo que me responde os emails que mando com sugestões para artigos de uma maneira peculiar.

No thanks, Heloisa.

Tudo bem que é raro alguém responder (geralmente só respondem quando querem que você vá em frente com o trabalho), e é melhor saber que não vai rolar do que ficar no limbo. Mas eu acho esse email dela (já recebi essa resposta mais deuma vez, diga aí como é facinha essa vida de lidar com fracassos na sua rotina, pra quem acha que eu levo uma vida de pernas pro ar) tão esquisito, mas tão esquisito. É só esse "não, obrigada", sem qualquer justificativa. Poderia ser "não, estou sem budget" ou "não acho que tenha a ver com o site", ou "esse tema está ultrapassado". Não precisa escrever muito, mas podia me dar uma luz, né?

Quando eu estava do outro lado e precisava responder para os freelancers que me mandavam sugestões, sempre tirava um tempo do meu dia para explicar a razão de não acatar a tal sugestão. Eu sempre tive noção do trabalho que dá ir atrás de ideias e moldá-las para determinados canais, sugerir o tema dentro do ponto de vista do tal site/revista/jornal onde queremos ser publicados.

Quem vive de escrever sabe o quanto é difícil arrumar ânimo e seguir em frente. Mesmo os escritores e jornalistas mais bem sucedidos passaram por isso, então eu sempre penso: poxa, quando você chega lá, custa acender a lanterna pra iluminar o caminho dos outros?

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abril 01, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Alguém aí notou como março foi um mês produtivo nesse bloguinho? Comecei o mês com uma missão: escrever um post por dia. Ok ok, eu sei que não completei a tarefa, mas serei uma dessas pessoas irritantemente positivas e ver o copo meio cheio. Afinal, há quanto tempo eu não escrevia com essa frequência? Há muito tempo ; )

Eu realmente acredito que escrever não é questão de inspiração (talvez um pouco), mas sim da combinação de prática com repetição, e uma depende da outra. Uma vez que eu entrei no modo "o que vou escrever hoje?", comecei a novamente enxergar meu dia a dia como tema para posts.

Confesso que poderia ter feito os 31 posts, porque assunto tinha (tem, quem sabe os posts ainda serão escritos), mas as vezes nem me dava conta de que um ou dois dias haviam passado sem blogar.

Abril promete ser um mês tão cheio de eventos como foi março (mas não vai ter tatuagem!). Vai ter viagem, vai ter visita, vai ter muito trabalho. Falando em trabalho, vai ter até um revival, pois vou ao antigo escritório por alguns dias pra dar uma forcinha para as colegas que estão sobrecarregadas de tarefas. Portas abertas, certo?

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O Instagram perfeito

março 31, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Eu amo amo amo o Instagram. Conheci tanta gente legal lá, descobri tantos lugares para visitar em Londres e outras cidades, fora que é uma ótima maneira de saber por onde andam os amigos e conhecidos.

Eu costumo levar o nome dessa rede social a sério: Instagram = foto instantânea. Prefiro postar fotos que tiro com o meu celular mesmo, e que mostram o que estou fazendo naquele momento ou, no máximo, algumas horas ou um dia atrás. Há quem guarde um arquivo de fotos pra ir postando aos poucos, e há que publique apenas imagens profissionais, tiradas com câmeras potentes mesmo. Afinal, muita gente usa a rede para divulgar seus serviços, e quem não gosta de uma foto bem linda, não é mesmo?

Mas uma tendência mais forte no Instagram é a de deixar o feed uniforme. Ou seja, em vez de pensar apenas nos filtros aplicados na foto individual, a pessoa posta apenas imagens que combinem entre si, criando assim um estilo próprio. Por exemplo, apenas fotos com fundo branco, ou usando sempre o mesmo filtro, ou sempre muito coloridas. Eu acho lindo, acho mesmo, e até pensei em deixar o meu assim (tipo isso aqui).

Só que percebi que não funciona pra mim. Como falei antes, gosto de registrar o momento. Uso filtros e ferramentas pra deixar a imagem mais bonita, confesso, mas deixar de postar algo porque não combina com o que postei anteriormente? Ah não! Cheguei a fazer um curso para melhorar o feed do meu Instagram (um curso online, em vídeos) e me arrependi amargamente do dinheiro gasto. Escolher uma paleta de cores? Palavras chave? Parar de publicar fotos que "não agradam"? Não, obrigada.

Acho que isso casa com o que escrevi recentemente, sobre as excessivas trilhas sonoras no Snapchat. Todo esse lance de planejamento, preparação, pra uma coisa que pode ser bonita se for simples mesmo.

Bom, vou continuar com o meu Instagram bagunçadinho, ora colorido, ora preto e branco, ora saturado, ora apagado.



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Leitura: Meia Noite e Vinte, Daniel Galera

março 30, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Eu queria ler algo do Daniel Galera faz tempo, pois sei do succeso que foi o livro "Barba Ensopada de Sangue". Por coincidência, minha sogra me trouxe de presente o "Meia Noite e Vinte", e ele acabou furando a minha interminável fila de livros feministas porque eu queria ler alguma ficção curtinha, e em português.

Eu fiquei um pouco dividida: por um lado, fiquei bastante entretida, mas por outro acheio... meio vazio. Eu já falei um monte de vezes aqui que adoro livros que transformam vidas comuns (rotina, perrengues, pequenas felicidades) em boas histórias, como é o caso do Stoner. Mas o Meia Noite e Vinte começa com esse lance de vidas comuns e no final me deixou a impressão de que queria passar alguma mensagem profunda, e eu honestamente achei o final patético.

O livro é super atual, se passa logo depois dos protestos de 2013, e os personagens tem mais ou menos a minha idade. Falam muito de redes sociais, e pra mim ficou a impressão de que o autor queria porque queria mostrar "olha como eu sou antenado", o que me deu um pouco de vergonha alheia. Talvez vergonha da minha geração mesmo, que não faz outra coisa senão isso (eu inclusa), e me dá agonia de pensar que daqui alguns anos as pessoas lerão esse livro e vão pensar: mas é assim que esse povo era? Que bando de chatos!

Quando eu terminei o livro realmente estava na dúvida se tinha gostado ou não, mas agora escrevendo esse post percebo que tenho mais coisas negativas do que positivas pra falar. Como algumas passagens inúteis que eu penso que seria o tipo de coisa que eu pediria pro autor cortar se editora eu fosse. Não sou editora, mas sou blogueira, então, Daniel Galera: pra que diabos o sangramento do nariz na cena do motel? E fala a verdade: você sempr quis escrever "um cachorro mijando em um cachorro cagando" e agora que você é um autor famoso conseguiu que o editor aprovasse né? Tá tirando uma com a minha cara?

Ufa! Era só isso que eu queria falar. Talvez eu leia mais alguma coisa dela pra definir se eu gosto ou não.

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