Voluntariado x Doação

maio 26, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Desde que eu comecei a trabalhar como voluntária na LAWA, recebi emails e mensagens pelas redes sociais de pessoas interessadas em saber como poderiam ajudar ou se eu teria alguma dica para quem busca esse tipo de trabalho.

Então vamos por partes. Pra quem quer fazer trabalho voluntário, e tem uma causa do coração, eu aconselho a dar uma olhada no Charity Job. Basta filtrar sua busca por setor e pronto, você verá algumas oportunidades. Mas nem todas as instituições anunciam lá, então o ideal é buscar da maneira tradicional: Google e Facebook. A maioria tem site e página nas redes sociais, e aí você encontra mais informações sobre possíveis vagas de voluntariado.


Eu não estava planejando fazer esse tipo de trabalho, até que uma amiga me falou sobre a instituição. Então simplesmente mandei um email e me chamaram. Algumas ONGs tem processos de seleção de voluntários mais rigorosos, outras são mais abertas a qualquer tipo de ajuda. Algumas pedem comprometimento mínimo de tantas horas semanais, outras te dão um projeto específico para fazer. Realmente depende do tamanho da instituição e do tipo de serviço prestado.

Eu entendo que muita gente queira fazer trabalho voluntário pra ter a sensação de que realmente está contribuindo. Pra saber o que é feito, como é feito, e qual o resultado. Mas as vezes, e serei bem honesta com vocês, as instituições precisam mais de dinheiro do que voluntários. Manter um voluntário tem um custo. Não necessariamente financeiro (mas algumas ONGs pagam transporte e/ou alimentação), mas de tempo. O voluntário recebe treino como qualquer outro funcionário em qualquer tipo de trabalho. O problema é que muita gente não dura na vaga, e acaba indo embora depois de alguns meses. Ou seja, todo o tempo do recrutador que poderia ser usado de forma mais eficiente (isso porque raramente em uma instituição sem fins lucrativos - principalmente nas pequenas - uma pessoa faz apenas uma coisa específica) é gasto procurando e treinando gente nova de tempos em tempos. Então, se você está afim de voluntariar, pense muito nisso antes de se comprometer. Avise o recrutador se você estiver procurando emprego e precisar deixar a vaga assim que arrumar um. Ou fale que você só está disponível por três meses. Abra o jogo desde o começo, e se pegar um projeto, fique até o final.


Mas voltando a questão do dinheiro. Tem muita gente que faz doação mas não acha que é o suficiente. Acredite: é sim. Se você acha que no seu trabalho "normal" nunca tem orçamento disponível pra nada, você não tem ideia de como é a situação financeira de uma ONG. Todas as moedas são contadas, e se algum financiamento é cortado, os programas sociais são eliminados de uma hora pra outra. Isso significa funcionários da ONG perdendo emprego e pessoas que usam os serviços ficando desamparadas do dia pra noite.

Lá na LAWA, por exemplo, todo ano elas precisam aplicar para o subsídio do escritório. E elas nunca sabem se vão conseguir. Se por acaso esse subsídio for retirado, não terão pra onde ir. E todo mês rolam batalhas e mais batalhas com subprefeituras para manter o financiamento do abrigo. O governo continua cortando o orçamento para esse tipo de serviço, mas violência doméstica não é "cortada" na mesma proporção, muito pelo contrário. Como a LAW tem ganhado espaço na mídia, muito mais mulheres tem nos procurado. E muitas não podem ser atendidas porque simplesmente não temos dinheiro.


Então pode ter certeza de que quando você doa seu dinheiro, ele será muito bem utilizado.

E pra quem gostaria de doar para a LAWA, estamos mais uma vez fazendo financiamento coletivo. A boa notícia é que conseguimos o apoio de uma empresa que vai dobrar tudo que for doado, até conseguirmos £10,000. Ou seja, se juntarmos essa grana, teremos 20 mil libras. Você pode doar 8 libras (cerca de 32 reais) aqui.






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#EverestNoFilter

maio 25, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


O Snapchat é mesmo uma imensa ponte. Por causa dele, nós podemos acompanhar os montanhistas Adrian Ballinger e Cory Richards em sua subida no Monte Everest, sem oxigênio suplementar (ambos já chegaram ao topo outras vezes). Sim, eles estão lá nesse momento (há muitas semanas), e estão transmitindo tudo pelo aplicativo.

Nas próximas 48 horas eles devem chegar no topo, e as expectativas são grandes para os seguidores do Snapchat! Há todo um suporte tecnológico envolvido, que até agora funcionou muito bem. É maravilhoso poder seguir a jornada deles e ver um pouco desse lugar que muito provavelmente eu nunca vou conhecer.

Pra quem não tem Snap, eu aconselho instalar ainda hoje só pra acompanhá-los (o perfil é EverestNoFilter). E alguns dos snaps estão indo parar no YouTube:



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Dreams

maio 21, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Ontem tiquei mais um show da minha lista de "bandas dos anos 80 e 90 que eu amo", fui ver The Cranberries! Pois é, eles ainda existem e fazem um show maravilhoso. A voz da Dolores é muito icônica, e mesmo que a princípio o nome dessa banda não te traga nenhuma lembrança, tenho certeza de que pelo menos uma das músicas deles marcou a sua adolescência (se você tem mais ou menos a mesma idade que eu).





O show foi no Palladium, um tanto quanto atípico (é mais conhecido pelas peças de teatro), mas lembrei que os Beatles também já tocaram lá! Além da banda, tinha também um quarteto de cordas, o que deixou tudo ainda melhor.

Nada como música ao vivo pra mexer com as nossas emoções né? Eu tenho vontade de chorar toda vez que escuto Dreams, e ter a oportunidade de ter visto ela ser cantada ao vivo e a cores é realmente um super privilégio.



A Marina, que foi comigo, postou alguns videozinhos no instagram dela, que vou deixar aqui. Eu cheguei a fazer um live no Instagram por alguns minutos, mas quem não vou, já era!

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Próximo show: Erasure, o retorno!

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Leitura: Infidel, Ayaan Hirsi Ali

maio 19, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Esse livro, uma autobiografia, me foi recomendado por algumas mulheres toda vez que eu postava algum livro sobre feminismo no Instagram. Não é exatamente um livro feminista, mas é a história de uma mulher que lutou contra opressão.


Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália, e tem uma história de vida admirável. Mudou-se diversas vezes com a família (em decorrência da instabilidade política da Somália e o fato de seu pai ser um dos líderes de um grupo de oposição). Viveu na Arábia Saudita, Etiopia e Quênia. Sofreu mutilação genital, espancamentos e restrições impostas por tradições anacrônicas tanto da sua religião quanto da sua família. Teve uma relação de "amor e ódio" com a religião durante a adolescência, e ao mesmo tempo que obedecia regras, não entendia a razão delas existirem. Questionava-se o tempo inteiro.

Foi forçada a se casar com um homem que não conhecia (e, quando conheceu, não gostou) e finalmente conseguiu escapar de todas essas prisões, obtendo asilo na Holanda, onde muitos anos depois tornou-se membro do parlamento. Produziu um curta metragem com o cineasta Theo van Gogh (procure no Google, não vou escrever aqui o nome nem sobre o que se trata porque não quero ninguém buscando razões para incitar o ódio religioso aqui no meu blog), e por causa desse filme ele foi assassinado. Ela foi ameaçada e viveu por muito tempo escondida e sob proteção da polícia.

Bom, essa é a história muito, mas MUITO resumida. Como eu falei lá em cima, é realmente admirável a luta dela e sua coragem em aproveitar a oportunidade para conseguir tomar as rédeas da própria vida.

Mas tem algumas coisas que me incomodaram nesse livro. A primeira é o fato de que ela em nenhum momento, nem mesmo no final, reconhece que não enxergava que todos os horrores que ela sofreu nas mãos da mãe foram em decorrência do descaso do pai. O pai abandonou a família (mais de uma vez) e as deixou na beira da miséria, fazendo com que mãe dependesse de favores de amigos e familiares por muito tempo. Criou todos os filhos sozinha sem ter nenhum direcionamento, sem nenhuma perspectiva de melhoria de vida.

Já o pai é visto como herói. Quando volta pra casa depois de anos de abandono, é celebrado por ela, que não demonstra um pingo de consideração pela mãe, amargurada e com sérios problemas mentais. Até mesmo depois de romper com ele, ela não dedica nenhum espaço no livro para refletir sobre como a ausência dele influenciou na vida miserável da mãe e, consequentemente, na dela.

Outra coisa que me incomodou é sua visão política. Óbvio que ela tem o mérito por tudo que conseguiu, mas o fato de ela ter tido a força e a coragem para romper com sua família, com sua tradições e, acima de tudo, com a sua religião, não significa que ela tenha uma receita pronta para todas as outras mulheres muçulmanas. Pra mim, a generalização é um erro. E um perigo: eu achei que o discurso dela em relação a segregação religiosa e cultural e também em relação a política de benefícios e salário mínimo para imigrantes/refugiados é o tipo de coisa que faz uma pessoa como Donald Trump sorrir de orelha a orelha.

Em tempo: eu GOSTEI do livro. Achei ela uma mulher sensacional, e é maravilhoso saber que a história dela serviu de inspiração para outras mulheres na mesma situação de opressão. O que não bate comigo são os ideais e a generalização. Mas ó, recomendo que você leia para tirar suas próprias conclusões.

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Rumo ao Kili

maio 16, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Daqui a um mês, dia 16 de junho, daremos início a caminhada/escalada que nos levará ao topo do Kilimanjaro, a montanha "free standing" mais alta do mundo (antes que você proteste, eu explico: o Kili não está em uma cordilheira como o Everest. Por isso a expressão "free standing", que acho que não tem tradução para português), com 5895 metros.

A viagem em si começa alguns dias antes, mas é no 16 mesmo que as férias tomam forma de aventura. Eu queria fazer essa viagem há muito tempo, e finalmente está chegando a hora. Estamos pagando caro pra ficar 7 dias sem tomar banho, dormir em barraca, passar frio, ficar sem ar e provavelmente levar o corpo a exaustão. Legal né? ; )

Não sei explicar exatamente o que me atrai a essa aventura. Por causa dela nós não teremos férias naquele estilo clássico, como foi a Sicília ano passado, por exemplo (ai que dó que vocês estão d emim hein?). E ainda assim, não estou mega ansiosa. Estou tranquila, curtindo essa preparação que já vai preparando nossa cabeça para encarar o que teremos pela frente. Desde o começo do ano a gente tem ido fim de semana sim e outro também em lojas de equipamentos especializados. É tanta coisa comprada que eu prefiro nem somar.

No Aprendiz de Viajante eu escrevi dois posts com mais detalhes dessa preparação (que você pode ler aqui e aqui). E durante a viagem eu pretendo escrever um diário, assim não esqueço de detalhes e - mais importante - das minhas impressões em relação as outras pessoas que farão parte da nossa expedição (já temos até grupo no Whatsapp). Acho que será a primeira vez que farei isso desde a nossa viagem para Nova York em 2005 (eu transcrevi tudo aqui no blog, se você tiver curiosidade e paciência pode buscar os arquivos, acho que fiz em janeiro de 2006).

O engraçado é que tenho ainda tanta coisa na agenda antes de embarcar pra Amsterdã (vamos passar uma noite lá, pois não tem vôo direto de Londres) dia 12 de junho. Tenho diversos encontros com amigas, tenho palestras, tenho até prova de inglês (conto sobre isso mais pra frente). O Martin vai passar uma semana em Chicago a trabalho, eu tenho frilas para entregar, hangouts para fazer, visita para receber por alguns dias.

Tô achando é que o Kilimanjaro vai ser descanso depois dessa loucura de compromissos!


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Catiorro

maio 15, 2017 Helô Righetto 3 Comentários


Eu sei que a linguagem é algo mutante, que ao longo dos anos novas palavras surgem, regras gramaticais são alteradas e a maneira que a gente se comunica vai se moldando a novas realidades. Mas isso não me impede de vir aqui lamentar uma nova "tendência" que sequestrou o bom português nas redes sociais. Essa mania insuportável de escreve "catiorro" e "gatíneo" em vez de cachorro e gatinho. Que porra é essa?

Parece que o nh foi substituído pelo ne de vez. Ainda há pouco li um "agorinea" e um "amiguinea". Que que isso gente? Se já não bastasse o povo escrevendo "quiança" em vez de criança, a gente tem que prosseguir a infantilização da língua?

Fico pensando, será que essa é uma evolução natural? Será que daqui a algumas décadas as pessoas vão ler as palavras cachorro e gatinho achando o mesmo que a gente acha do inglês vitoriano hoje em dia, por exemplo?

E o pior é que quem reclama - como eu - é visto como o chato, o sem graça, o que não admite erros. Vamos combinar que errar é uma coisa, mas infantilizar palavras é outra. Ninguém é a prova de erros, mas bem que a gente podia se esforçar pra ser a prova de idiotização do idioma né?

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Maiden

maio 12, 2017 Helô Righetto 6 Comentários


Aqui na Inglaterra todas as mulheres casadas adotam o sobrenome do marido. Ok, pode até existir uma ou outra que não, mas é uma "tradição" (entre aspas porque né, é machismo) indiscutível. Ninguém para pra pensar, ninguém questiona. A coisa é tão forte que mal elas voltam da lua de mel e já mudam email de trabalho, adotam o "Mrs" (em vez do Miss, reservado para as solteiras, sendo que homem é sempre Mr, independente se é casado, solteiro, poliamor, cacete a quatro), e assim a vida segue.

Os filhos nascem e são registrados com o sobrenome do marido (que por sua vez tem o sobrenome do pai dele, ou seja, o sobrenome da mulher nunca vai pra frente). E a família é conhecida por esse sobrenome. Por exemplo, eu o Martin seríamos os Descalzi, e não os Righetto Descalzi ou Descalzi Righetto ou muito menos os Righetto.

De novo: eu sei que tem gente que não faz assim, mas é de contar nos dedos.

Então, o sobrenome que a mulher perde quando casa é conhecido como "maiden name". Aliás, muita gente usa esse sobrenome da mãe/mulher casada como senha de banco, resposta pra odiada pergunta de segurança para obter a senha perdida, esse tipo de coisa. Se eu ligo no banco e esqueço a minha senha telefônica, eles sempre me perguntam: qual o maiden name da sua mãe?

Essa palavra, maiden, me tira do sério. Coloquem lá no Google pra traduzir. Significa "virgem, donzela, SOLTEIRONA". Isso mesmo, o Google conhece a palavra solteirona e é isso que significa "ainda" ter o seu próprio sobrenome (lembrando, que é o do seu pai, porque o da sua mãe morreu quando ela casou): você sobrou. Você tá solteira, você é uma fracassada. Donzela, virgem, porque afinal, mulher que transa sem casar é puta né?

Acho incrível como a gente adora apontar o dedo para as tradições opressoras de outras culturas - que sem dúvida deveriam ser abolidas - mas na hora de avaliarmos nosso entorno, a gente justifica com um "ah, que bobagem, é só um sobrenome. É tradição, pra que mexer com isso".


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Livros

maio 12, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Acho que já falei aqui sobre o sistema de afiliados, que é basicamente como muitos blogs conseguem ganhar algum dinheiro. Por exemplo, o Aprendiz de Viajante é afiliado do Booking.com, o que significa que, quando você reserva seu hotel pelo link lá do Aprendiz, rola uma comissão (que nunca interfere no preço final).

Eu resolvi então fazer a mesma coisa com o Conexão Feminista, e agora somos afiliadas da Livraria Cultura e da Amazon. Como a gente sempre indica livros, achei que era uma maneira bacana de talvez ganhar uma graninha. A nossa lista de recomendações de livros com os respectivos links está aqui, mas coloquei também um widget aqui no blog, aí na coluna da direita, com alguns dos livros recentes que li.

Também vou começar a colocar os links pra Amazon e pra Cultura nos posts que faço sobre livros aqui. Tudo que eu ganhar de comissão será usado no Conexão Feminista, pra ajudar a custear a manutenção do site (servidor, domínio, designer) e outras coisinhas, como por exemplo a anuidade no Soundcloud (onde os hangouts estão disponíveis como podcasts).

Vez ou outra alguém me fala que comprou um livro porque leu minha recomendação, então minha gente, bora comprar com o link da blogueirinha aqui!

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Unflappable

maio 10, 2017 Helô Righetto 2 Comentários


Eu tenho um hábito adquirido de trabalhadora que é sempre dar uma olhada nos anúncios de emprego. Nunca perdi esse costume, afinal, vai saber quando aparece algo mais ou menos que paga decentemente? RISOS

Enfim, nos últimos tenho notado que as exigências e responsabilidades descritas ficam cada vez mais absurdas. São listas enormes de tarefas, e sempre com aquela observação bem vaga que diz que o trabalho envolve também "colaborar com outros times" (leia-se, ter que lidar com problema que nada tem a ver com a sua função porque a empresa deveria contratar mais gente mas não vai) ou coisas similares.

Mas hoje, hoje eu aprendi uma nova palavra. Unflappable. A descrição dizia que o candidadto ideal deveria ser "unflappable under pressure".

Sabe o que significa isso? Imperturbável, sereno. Ou seja, além de ter que trabalhar sob pressão, você não pode demonstrar estresse. Não pode ficar nervoso, não pode ficar de mau humor, não pode fechar a cara. Você tem que encarar a pressão com serenidade.

Eu fiquei com tanta raiva dessa palavra, dessa exigência idiota. Eu já acho absurdo quem contrata achar ok falar que trabalhar sob pressão será parte da rotina, agora exigir calmaria na tempestade? Unflappable?


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Me fale do Tinder

maio 08, 2017 Helô Righetto 4 Comentários


O mundo paralelo do Tinder me causa muita curiosidade. Como é algo que não tenho acesso, fico parecendo aquelas pessoas que não entendem nada de redes sociais e de repente se interessam pelo Twitter. Quando encontro alguém que usa o app, encho de perguntas, parecendo uma adolescente que lê um livro do Sidney Sheldon pela primeira vez ao ouvir as respostas.

É todo um novo mundo. O que escrever na biografia, em apenas algumas linhas? Que fotos colocar no perfil? Conversar pelo app ou migrar pro whatsapp e arriscar receber foto de pinto?

É uma grande revolução que aconteceu no mundo dos relacionamentos depois que eu já estava firme no meu. Poxa, poderiam lançar uma versão light, tipo vitrine (proibido dar match ou fazer um perfil, apenas olhar as fotos alheias e ler as biografias, seria muito esquisito?), pro povo curioso como eu.

Sei que existem vários tumblrs que reunem fotos "clichês" dos perfis, como os homens que colocam fotos com os tigres na Tailândia, os sem camisa, e os que colocam imagens apenas em grupo (é impossível saber quem é o cara, já que todas as fotos aparecem vários amigos. Aí a dúvida: será que e oferta em grupo?).

Se alguém de vocês conhece um tumblr assim ou tem uma história interessante do Tinder pra compartilhar, por favor me mandem e animem a noite dessa tiazinha casada ; )

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Leitura: And Still I Rise, Maya Angelou

maio 07, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Com a minha sede de conhecimento feminista cada vez mais voraz, acabei comprando um livro de poesias da Maya Angelou. Meu primeiro livro de poesias, portanto não vou fingir costume: teve muita coisa que não entendi. Achei tudo lindo e adorei o vocabulário sem firulas, mas é claro que as "histórias" são cheias de significados, e a gente precisa ler mais de uma vez se realmente quiser decifrá-los.

Ainda assim, adorei. Sei lá se é o orgulho de ler Maya Angelou falando mais alto, mas esse livro por enquanto fica na estante (algo raro hoje em dia, ando muito seletiva, já que há pouco espaço para guardá-los eu acabo passando muitos pra frente). Quem sabe daqui a uns anos, depois de muito estudo, as linhas não serão tão indecifráveis?

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Método Martin

maio 02, 2017 Helô Righetto 4 Comentários


Talvez eu já tenha escrito sobre isso antes, mas recentemente recomendei o método Martin para lidar com problemas para algumas amigas. Então acho que vale relembrar.

Não sei se está rolando algum alinhamento de planetas ou se é o pessimismo geral ou se é a vida adulta sendo a vida adulta, o fato é que muita gente na minha vida anda com problemas. Quer dizer, nem todos são problemas, alguns são perrengues acumulados, um monte de coisa chata pra resolver ao mesmo sabe? Eu também estava nessa não tem muito tempo, e finalmente as coisas começaram a se resolver em abril (como o visto renovado do Martin, por exemplo, depois de meses - 6 meses - de espera e apreensão).

O método Martin de lidar com problemas é bem simples: lide com eles no momento propício. Nada de antecipá-los, ou se desesperar pensando o tanto de coisas que você tem que fazer pro problema se resolver. Vou dar um exemplo bem classe média sofre, um tanto quanto irritante e esnobe, mas que ilustra bem o método Martin.

Estávamos nós, Martin e eu, no nosso barquinho alugado na Sicília, indo de praia em praia paradisíaca. Eu poderia ter curtido muito, mas muito mais, se não tivesse ficado pensando nas dezenas de possíveis problemas que poderíamos ter com o tal barquinho. E se o motor falhasse quando estivéssemos em alto mar? E se a âncora ficasse presa nas pedras em alguma dessas praias e a gente não conseguisse cortar a corda pra poder voltar? Se a gente ligasse o motor e não visse alguem nadando perto do barco e o motor machucasse essa pessoa? Juro. Até em um dos momentos mais maravilhosos da minha vida eu fiquei pensando em possíveis problemas. Aí eu perguntei pro Martin: você não fica apreensivo, pensando que esse barquinho pode quebrar aqui em alto mar? No que ele soltou sua sabedoria: se quebrar, eu penso nisso.

GÊNIO.

O solucionador de problemas no comando no barquinho alugado
Aí que eu estava cheia de coisas chatas e burocráticas como pendências, e muitas desses coisas não havia muito que eu pudesse fazer. Tinha que esperar. Por exemplo, os nossos passaportes que estavam retidos no Departamento de Imigração para a renovação do visto de residência. Eu precisava deles para dar entrada no visto para a Tanzânia (para nossa viagem em junho). Fazer o que? Esperar. O meu passaporte brasileiro que precisa ser renovado, e para a renovação eu preciso da nossa certidão de casamento, e a certidão de casamento estava aonde? Isso mesmo, no Departamento de Imigração para a renovação do visto de residência.

Eu resolvi parar de ter dor de barriga desnecessária e fazer o que era possível, esperar. Esperei, passei a aproveitar os dias de espera de forma muito produtiva, e pronto. Tudo está se resolvendo. Chega de ficar me remoendo pensando nas trocentas mil coisas que a gente precisa encarar no dia a dia. Afinal, é uma coisa hoje, outra amanhã, e outra depois de amanhã, e assim segue.

Hoje, por exemplo, eu precisava do meu passaporte de novo pra escanear a página onde tem a minha assinatura (que não é a mesma página onde está a foto e o número dele), pra poder enviar como prova de identidade para uma outra instituição. E onde está o passaporte agora? No Consulado da Tanzânia, onde ele fica até quinta feira. Tá vendo só, o problema do visto sendo resolvido mas já apareceu outro em consequência desse. A página com a assinatura escaneada vai ter que esperar até quinta, fazer o que.

É isso gente. Usem o método Martin para lidar com os perrengues do dia a dia de vocês. Faz bem pra saúde mental, garanto.

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2 horas e 10 minutos

maio 01, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Ontem fizemos a nossa segunda meia maratona. A mesma prova do ano passado, mas com algumas alterações: novo patrocinador (Virgin Sports), temperatura muito mais amena (começou em 13 graus contra 25 do ano passado) e, pra nós, menos preparação. Não que a gente tenha parado de correr, continuamos firmes, mas é que esse ano não rolou ânimo para os treinos longos de 16 e 18km. Ano passado fizemos alguns assim intercalados com os treinos "normais" de 5 a 10km. Esse ano, o treino longo só foi sair uma semana antes. Chegamos a cogitar não fazer essa prova, mas nos 45 do segundo tempo decidimos ir. Orgulho? Desafio pessoal? Idiotice? Um pouco de tudo.

Pra mim, essa segunda meia maratona foi mais difícil do que a primeira. Acho que justamente porque eu sabia o quanto uma prova dessas exige e sabia que deveria ter me preparado melhor, minha cabeça estava contra mim. Tive que pensar quilômetro a quilômetro. Minhas coxas começaram a doer no km 6, aí eu pensei que seria humilhante não chegar nem ao 10, que estou tão acostumada. Depois, pensei que se chegasse até o 11 seria pelo menos mais que a metade. Aí rola um limbo do quilômetro 12 ao 18: tinha que arrumar distração pra não pensar na dor nas coxas. Dava high five em todas as crianças na torcida, pegava todas as garrafinhas de água e jujubas oferecidas, lia todas as placas.

Aí perto do km 16 avistei a ponta do Arcelor Mittal Orbit, que faz parte do final do percurso, e recuperei o ânimo. E aí chegamos nos 18 quilômetros. Bom, já não dava mais pra desistir! A partir do 19 começaram a aparecer as pessoas passando mal, deitadas na calçada e atendidas por para médicos (inclusive um rapaz abraçado num saco de gelo e com oxigênio), aí rola aquele medo do próximo ser você. Mas, como disse minha amiga Marina, se eu consegui prosseguir depois de ver uma moça na minha frente parar e vomitar Lucozade, então eu chegaria no fim.

O problema do quilômetro final é que ele é longo demais. Não tem apenas um quilômetro nem a pau. Aliás, não tem mesmo: tanto ano passado quanto esse ano o meu relógio marcou 21.370km de distância. 370 metros pode não parecer muita coisa pra quem corre 21km, mas deixa eu te contar: é coisa pacas.

Enfim cruzamos a linha de chegada (em 2 horas e 10 minutos, 5 minutos mais rápidos do que ano passado!), Martin um pouquinho mais inteiro do que eu, ao contrário do ano passado. A dor nas coxas era tanta que depois eu mal consegui dobrar as pernas pra sentar (já estou melhor!). Depois ele me falou que começou a sentir o pé também na primeira metade do percurso, e que se piorasse iria parar (obviamente, não piorou, ele também já está bem).

Algumas observações sobre o percurso esse ano: apesar de ter muitos pontos de distribuição de água, quase não tinha Lucozade, o que pra mim fez MUITA falta. Dessa vez, o Lucozade só apareceu no quilômetro 12, e em um copinho em vez da garrafa inteira. Ou seja, horrível pra carregar, eu fiz uma lambança. Outra coisa, que foi ainda pior: as ladeiras. Muitas subidas, algumas daquelas bem sutis mas muito longas. Outras mais escancaradas e mais curtas. Teve uma assim nos quilômetros finais, eu lembro de olhar de longe e ficar realmente brava, falei pra mim mesma "fucking hell" e um cara correndo ao meu lado naquele momento, respondeu "exactly".

Eu não sei se faremos uma meia maratona novamente, as provas de 10km são muito mais prazerosas. Mas acabamos descobrindo que em 2018 vai acontecer uma meia que começa na Tower Bridge e termina aqui perto de casa, no Cutty Sark, o que é mega conveniente (juro, fazer prova perto de casa faz toda a diferença). Enfim, veremos.

E, por fim, o videozinho que o Martin fez! Pois é, o doido resolveu levar a GoPro (carregou a dita cuja na mão os 21 quilômetros, tô fora), e no fim deu um material legal. Fora as minha caretas e e branquitude quase-desmaio na linha dechegada, ficou legal. Aproveitem e assinem o canal dele, onde ficam os nossos vídeos de viagem e os vlogs que ele faz eventualmente.

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Mania de grandeza

abril 27, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


O Reino Unido é um lugar com mania de grandeza. Começando é claro por esse nome, REINO UNIDO. Tá meio desatualizado né? Mas enfim, piadinhas brexiteiras a parte, eu acabei de ter um insight vendo um comercial na televisão sobre conscientização do Alzeimer.

Até quando é pra falar de coisa ruim, o negócio tem que ser grandioso. Tal doença É A QUE MAIS MATA britânicos que nasceram no mês de janeiro de 1978 e escrevem com a mão direita. Tudo é mais, é maior, é melhor. Sabe aquela pessoa que te fala que já quebrou o braço quando você conta que quebrou o dedo? Então, se essa pessoa fosse um país (ops, um reino), seria o Reino Unido.

E as igrejas, gente? Aí você vem morar no Reino e vai visitar sua primeira catedral. Uau, que linda! Tá aqui escrito no folheto que essa é a catedral mais antiga do país. Mas pera lá, essa outra aqui, que você visita duas semanas depois, tá falando a mesma coisa. Ah pera, é que uma é considerada a mais antiga se você falar do uso de tijolos brancos, a outra de tijolos amarelos. Aí tem que se se vende como a que possui o maior teto abobadado do planeta, a outra que tem o maior órgão, a outra tem a torre de madeira mais alta, e a outra foi a mais bombardeada em uma guerra aí.

E os pubs? Só em Londres tem uns 756 pubs que são o mais antigo da Inglaterra.

O maior, o melhor, o mais bonito, o mais antigo. A gente tem que é achar graça!


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Amiga aventureira

abril 25, 2017 Helô Righetto 2 Comentários


(para quem quiser ouvir em vez de ler, o áudio está no fim do post)

Uma amiga querida que conheci por causa desse blog (e do blog dela também, mas que já não existe mais) embarcou em uma aventura grandiosa há pouco mais de um mês. Ele está fazendo a trilha dos apalaches nos Estados Unidos (Appalachian Trail), que tem aproximadamente 3500km. Não, eu não digitei o número errado, é isso mesmo: TRÊS MIL E QUINHENTOS QUILÔMETROS. Caminhando.

Um mês já foi, ela tem pelo menos mais um cinco pela frente. Pra nossa sorte, ela começou um novo blog apenas para falar dessa experiência, que tem sido atualizado com uma certa frequência: https://duasmilmilhas.wordpress.com/ e você também pode seguir a página que ela criou no Facebook: https://www.facebook.com/duasmilmilhas/ 

Eu estou acompanhando os passos da Amanda através de um link que ela disponibilizou para amigos e familiares, e é possível ver exatamente onde ela está graças a um gadget com GPS. É viciante!

Eu, que ando nessa vibe super "vamos amar a natureza, fazer caminhadas e subir montanhas", tô achando tudo lindo, mas é claro que uma trilha dessas requer muito fisicamente e mentalmente. Os textos da Amanda são ótimos, realistas e engraçados. Fica aí a dica pra quem está atrás de bom conteúdo na internet e por azar caiu aqui nesse blog mais ou menos ; )

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Leitura: Jane Austen The Secret Radical, Helena Kelly

abril 22, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Jane Austen não é a escritora que você pensa. Você não é a leitora ou leitor que Jane esperava ter. Ou seja: está tudo errado. Mas Helena Kelly veio ao nosso resgate e escreveu esse livro espetacular, brilhante e didático, que vai fazer qualquer fã de Jane Austen querer ler todos seus livros novamente.

Cada capítulo do livro é dedicado a destrinchar um dos famosos romances de Jane: Northanger Abbey, Sense & Sensibility, Mansfield Park, Pride & Prejudice, Emma e Persuasion. Helena Kelly nos explica o contexto histórico da época em que foram escritos e nos abre um portal. Ela nos explica os porquês: os nomes dos personagens, as localidades, os diálogos que até então achávamos que eram detalhes banais, as referências que nem lembramos porque não nos acrescentam nada. Até agora!

Eu já gostava de Jane Austen, e modéstia a parte eu já tinha percebido algumas dessas nuances apontadas pela Helena Kelly. Eu sabia que Jane não escrevia apenas sobre histórias de amor, sofrimentos das heroínas e dramas familiares. Consegui captar um certo tom sarcástico em seus livros, principalmente Pride & Prejudice. Mas esse livro me revelou uma nova Jane: uma mulher revolucionária, culta, e que compreendia perfeitamente os problemas socio-econômicos da época, opressões e privilégios.

Jane faz diversas críticas em seus livros. Cabe a nós correr atrás da informação para entendê-los da maneira intencionada por ela, e Helena Kelly nos faz esse favor.

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Brecon Beacons

abril 20, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


E lá fomos nós mais uma vez rumo ao País de Gales. Não é sempre que temos feriado prolongado de quatro dias aqui, e como não sabíamos se os nossos passaportes teriam retornado (enviamos para renovação de visto no ano passado) a tempo de viajarmos para outro país, escolhemos Gales como destino de Páscoa.

E os passportes até chegaram, mas ainda bem que achamos melhor não arriscar. A região do Parque Nacional de Brecon Beacons, pra onde fomos dessa vez, é um dos lugares mais lindos do mundo. Eu sei, eu sei, não conheço o mundo todo. Mas tem tanta gente que conhece quase tudo e nunca deu um pulinho logo aí, nesse cantinho esquecido da Grã Bretanha. Então vamos chegar em um acordo: eu chamo de um dos cantos mais lindos do mundo mesmo sem conhecer o mundo todo e você, que já rodou o globo, me dá um voto de confiança e vai até lá na próxima oportunidade. Combinado?

Essa viagem superou todas as minhas expectativas, como vocês já devem ter percebido. Começamos com o pé esquerdo, subindo uma montanha e chegando no topo sem vista nenhuma, com tudo encoberto. Mas depois disso, só alegria! Um monte de trilhas maravilhosas que nos levaram aos anais de Nárnia, muitas cachoeiras, outras montanhas, lagos... muita natureza, cenário exuberante, vontade de ficar.

E com a vantagem de ter sido um bom treino pro Kilimanjaro. A gente não só andou muito morro acima como eu até fiz xixi no mato pela primeira vez.

E o Martin caprichou no vídeo dos melhores momentos, está rapidamente se tornando um videógrafo de mão cheia!



Mal posso esperar pela nossa próxima aventura galesa : )

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Nonsense

abril 17, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Fiquei toda toda me parabenizando pela frequência das postagens em março e cá estou eu em abril há vários dias sem publicar nada! Não dá pra elogiar : ) que a coisa desanda!

Hoje é a segunda feira de Páscoa, e por mais estranho que pareça, é uma data de verdade. Eu não inventei, a segunda feira após o domingo de Páscoa é feriado! IEI!! Então estamos aqui, naquela segunda com cara de domingo, aproveitando ao máximo o único feriado de 4 dias que temos (bom, se os dias 25 e 26 de dezembro caem em uma quinta ou sexta ou segunda e terça, também ganhamos 4 dias de folga, mas né, não é sempre que o calendário colabora, então da licença que a Páscoa é garantida!).

E já estou no terceiro parágrafo do post sem a menor ideia do que continuar escrevendo. Não sei nem porque comecei. Talvez pra falar da viagem que fizemos pro País de Gales? Ou pra falar que meus pais chegam essa semana? Sei lá. Vai ficar essa enchição de linguiça nonsense assim mesmo. Desculpaê pelo tempo perdido! Meu e seu : )

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Leitura: Você Já é Feminista, coletivo AzMina

abril 10, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Mais um ótimo livro sobre feminismo, e dessa vez em português! Havia comprado há um tempão e mandei entregar na casa dos meus pais. Finalmente meus sogros vieram visitar e trouxeram pra mim. Como eu comentei no Instagram, eu gostei bastante, mas só achei que não é um livro para quem ainda não se descobriu feminista, como o título dá a entender.

Pra mim, esse é um livro pra quem já não mais dúvidas sobre ser feminista. Isso porque ele abrange diversos temas que as vezes a gente nem sabe que são questões feministas, quando colocamos um pézinho no ativismo.

Por exemplo, logo no começo há um capítulo sobre as vertentes do feminismo, que eu não sabia que existiam quando comecei a me interessar pelo assunto. Foi só depois de alguns meses fazendo o Conexão Feminista e seguindo outros grupos que aprendi sobre as semelhanças e diferenças de cada uma dessas vertentes. Pra quem tem dúvidas sobre o Feminismo, essa "divisão" pode parecer algo que segrega (o que não é verdade, eu também tinha essa dúvida, e depois entendi que essas vertentes apenas refletem o quanto somos diferentes umas das outras), em vez de agregar.

Enfim, esse é apenas um exemplo. O livro é composto por diversos textos de diversas autoras. E como sempre acontece em livros assim, alguns textos são muito melhores que outros. Pra mim, o melhor é o que trata do trabalho doméstico. Talvez seja porque foi por causa do trabalho doméstico que me descobri feminista, mas também a autora explica muito bem o quanto essa questão está interligada com problemas mais graves, como cultura de estupro e violência. É um texto ótimo pra quem acha que a divisão dos afazeres domésticos de forma justa entre homens e mulheres é apenas um pequeno problema, que não deveria gerar assim tanta polêmica.

Pra quem se interessar, aqui nesse link você pode compra-lo. Esse é um link afiliado, ou seja, se você comprar o livro por aqui, vai gerar uma comissão pra mim. Pra mim não, pro Conexão Feminista. É uma maneira que encontramos de monetizar esse projeto, que toma bastante do nosso tempo e gera despesas com servidor, domínio e hospedagem do podcast, pra citar alguns.

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No thanks, Heloisa

abril 05, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Tem uma editora de um site para o qual eu já escrevi há um tempo (apenas uma matéria) e adoraria escrever de novo que me responde os emails que mando com sugestões para artigos de uma maneira peculiar.

No thanks, Heloisa.

Tudo bem que é raro alguém responder (geralmente só respondem quando querem que você vá em frente com o trabalho), e é melhor saber que não vai rolar do que ficar no limbo. Mas eu acho esse email dela (já recebi essa resposta mais deuma vez, diga aí como é facinha essa vida de lidar com fracassos na sua rotina, pra quem acha que eu levo uma vida de pernas pro ar) tão esquisito, mas tão esquisito. É só esse "não, obrigada", sem qualquer justificativa. Poderia ser "não, estou sem budget" ou "não acho que tenha a ver com o site", ou "esse tema está ultrapassado". Não precisa escrever muito, mas podia me dar uma luz, né?

Quando eu estava do outro lado e precisava responder para os freelancers que me mandavam sugestões, sempre tirava um tempo do meu dia para explicar a razão de não acatar a tal sugestão. Eu sempre tive noção do trabalho que dá ir atrás de ideias e moldá-las para determinados canais, sugerir o tema dentro do ponto de vista do tal site/revista/jornal onde queremos ser publicados.

Quem vive de escrever sabe o quanto é difícil arrumar ânimo e seguir em frente. Mesmo os escritores e jornalistas mais bem sucedidos passaram por isso, então eu sempre penso: poxa, quando você chega lá, custa acender a lanterna pra iluminar o caminho dos outros?

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21 em 31

abril 01, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Alguém aí notou como março foi um mês produtivo nesse bloguinho? Comecei o mês com uma missão: escrever um post por dia. Ok ok, eu sei que não completei a tarefa, mas serei uma dessas pessoas irritantemente positivas e ver o copo meio cheio. Afinal, há quanto tempo eu não escrevia com essa frequência? Há muito tempo ; )

Eu realmente acredito que escrever não é questão de inspiração (talvez um pouco), mas sim da combinação de prática com repetição, e uma depende da outra. Uma vez que eu entrei no modo "o que vou escrever hoje?", comecei a novamente enxergar meu dia a dia como tema para posts.

Confesso que poderia ter feito os 31 posts, porque assunto tinha (tem, quem sabe os posts ainda serão escritos), mas as vezes nem me dava conta de que um ou dois dias haviam passado sem blogar.

Abril promete ser um mês tão cheio de eventos como foi março (mas não vai ter tatuagem!). Vai ter viagem, vai ter visita, vai ter muito trabalho. Falando em trabalho, vai ter até um revival, pois vou ao antigo escritório por alguns dias pra dar uma forcinha para as colegas que estão sobrecarregadas de tarefas. Portas abertas, certo?

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O Instagram perfeito

março 31, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Eu amo amo amo o Instagram. Conheci tanta gente legal lá, descobri tantos lugares para visitar em Londres e outras cidades, fora que é uma ótima maneira de saber por onde andam os amigos e conhecidos.

Eu costumo levar o nome dessa rede social a sério: Instagram = foto instantânea. Prefiro postar fotos que tiro com o meu celular mesmo, e que mostram o que estou fazendo naquele momento ou, no máximo, algumas horas ou um dia atrás. Há quem guarde um arquivo de fotos pra ir postando aos poucos, e há que publique apenas imagens profissionais, tiradas com câmeras potentes mesmo. Afinal, muita gente usa a rede para divulgar seus serviços, e quem não gosta de uma foto bem linda, não é mesmo?

Mas uma tendência mais forte no Instagram é a de deixar o feed uniforme. Ou seja, em vez de pensar apenas nos filtros aplicados na foto individual, a pessoa posta apenas imagens que combinem entre si, criando assim um estilo próprio. Por exemplo, apenas fotos com fundo branco, ou usando sempre o mesmo filtro, ou sempre muito coloridas. Eu acho lindo, acho mesmo, e até pensei em deixar o meu assim (tipo isso aqui).

Só que percebi que não funciona pra mim. Como falei antes, gosto de registrar o momento. Uso filtros e ferramentas pra deixar a imagem mais bonita, confesso, mas deixar de postar algo porque não combina com o que postei anteriormente? Ah não! Cheguei a fazer um curso para melhorar o feed do meu Instagram (um curso online, em vídeos) e me arrependi amargamente do dinheiro gasto. Escolher uma paleta de cores? Palavras chave? Parar de publicar fotos que "não agradam"? Não, obrigada.

Acho que isso casa com o que escrevi recentemente, sobre as excessivas trilhas sonoras no Snapchat. Todo esse lance de planejamento, preparação, pra uma coisa que pode ser bonita se for simples mesmo.

Bom, vou continuar com o meu Instagram bagunçadinho, ora colorido, ora preto e branco, ora saturado, ora apagado.



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Leitura: Meia Noite e Vinte, Daniel Galera

março 30, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Eu queria ler algo do Daniel Galera faz tempo, pois sei do succeso que foi o livro "Barba Ensopada de Sangue". Por coincidência, minha sogra me trouxe de presente o "Meia Noite e Vinte", e ele acabou furando a minha interminável fila de livros feministas porque eu queria ler alguma ficção curtinha, e em português.

Eu fiquei um pouco dividida: por um lado, fiquei bastante entretida, mas por outro acheio... meio vazio. Eu já falei um monte de vezes aqui que adoro livros que transformam vidas comuns (rotina, perrengues, pequenas felicidades) em boas histórias, como é o caso do Stoner. Mas o Meia Noite e Vinte começa com esse lance de vidas comuns e no final me deixou a impressão de que queria passar alguma mensagem profunda, e eu honestamente achei o final patético.

O livro é super atual, se passa logo depois dos protestos de 2013, e os personagens tem mais ou menos a minha idade. Falam muito de redes sociais, e pra mim ficou a impressão de que o autor queria porque queria mostrar "olha como eu sou antenado", o que me deu um pouco de vergonha alheia. Talvez vergonha da minha geração mesmo, que não faz outra coisa senão isso (eu inclusa), e me dá agonia de pensar que daqui alguns anos as pessoas lerão esse livro e vão pensar: mas é assim que esse povo era? Que bando de chatos!

Quando eu terminei o livro realmente estava na dúvida se tinha gostado ou não, mas agora escrevendo esse post percebo que tenho mais coisas negativas do que positivas pra falar. Como algumas passagens inúteis que eu penso que seria o tipo de coisa que eu pediria pro autor cortar se editora eu fosse. Não sou editora, mas sou blogueira, então, Daniel Galera: pra que diabos o sangramento do nariz na cena do motel? E fala a verdade: você sempr quis escrever "um cachorro mijando em um cachorro cagando" e agora que você é um autor famoso conseguiu que o editor aprovasse né? Tá tirando uma com a minha cara?

Ufa! Era só isso que eu queria falar. Talvez eu leia mais alguma coisa dela pra definir se eu gosto ou não.

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O sucesso do fracasso

março 28, 2017 Helô Righetto 2 Comentários




Eu tenho uma teoria sobre a minha geração. Essa turma aí com uns 30 e poucos, quase 40. Eu acho que a gente ficou meio perdido na vida profissional: a gente cresceu idealizando uma boa faculdade e um emprego decente pra pagar as contas. Mas aí, agora que estamos próximos ao ápice da carreira, começamos a questionar: é isso mesmo? Eu trabalho tanto pra isso? A gente vê a turma mais nova se dando bem no Youtube, criando startups geniais, conseguindo investimento pra inventar um alface mais verde ou um aplicativo que cozinha pra você e bate aquele desânimo. Afinal, qual a nossa contribuição com o mundo?

E vem aquele sentimento de fracasso. De não se encaixar no lance da carreira em empresa mas ter muito medo de partir pro estilo de vida do empreendedorismo (eu me irrito um pouco com essa palavra, porque há um sentimento geral que dá a entender que empreender é o estilo de vida das pessoas de sucesso, empreender é para vencedores e carteira de trabalho para fracassados, mas enfim, vocês entenderam).

Aí veio uma amiga minha e me falou a melhor coisa que eu ouvi nos últimos meses: se sentir fracassado nesse mundo de hoje é sinônimo de sucesso. Eu achei o máximo! E depois de muito tempo, me senti novamente bem sucedida. Não se encaixar, finalmente, vale a pena.


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Silêncio

março 26, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Vocês sabem que eu sou a maior defensora das redes sociais e odeio essa pentelhação de "ai, a internet acabou com a interação das pessoas ao vivo e a cores, ai que horror todo mundo é viciado nos seus telefones, ai que saudades de antigamente...", realmente detesto esse papinho. Então quando eu critico alguma coisa da vida online, podem crer, eu pensei muito antes.

Como a gente tá sempre com o celular na mão, sempre assistindo alguma coisa, sempre interagindo, eu tenho sentido falta do silêncio. E notei isso por causa do Snapchat. Sei lá o que aconteceu, que um monte de gente que eu sigo/assisto, começou a fazer snaps com música de fundo. Além de mostrar a paisagem, a pessoa vai lá e joga uma trilha sonora junto. E não é uma pessoa (sem indiretas gente), e não é vez ou outra. Tá todo mundo fazendo isso! Fico me sentindo uma criança de 2 anos, sabe? Que precisa ser entretida o tempo todo, até quando tá almoçando? A diferença é que tenho 36, e consigo apreciar a paisagem sem barulhinho de fundo.

Eu fico imaginando o trabalho que dá pra fazer snaps assim. Abre o app de música, escolhe uma música que "combine" com o que será mostrado, abre o snap e filma. Já foi toda a espontaneidade do momento. Fica um negócio totalmente planejado. A pessoa fica ali na calçada, ou no topo de uma montanha, parada, lidando com um monte de apps abertos, pra filmagem ficar "melhor" e agradar os espectadores.

Gente, nem tudo precisa de trilha sonora. A gente pode andar na rua ouvindo os carros, andar na trilha ouvindo o vento e na praia ouvindo o mar. Eu sou super a favor de mostrar a vida no Snapchat, fazer fotos lindas pro Instagram e participar de discussões no Twitter. Mas deixa eu ver como é mesmo? Tira a musiquinha de fundo? Se eu quero ouvir música, eu tenho minha própria playlist!

Valeu ; )

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Leitura: Dear Ijeawele, Chimamanda Ngozi Adichie

março 23, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Faz pouco tempo que li o Americanah, dessa mesma autora. Mas a primeira vez que li Chimamanda foi o manifesto "Sejamos Todos Feministas". E esse é o segundo manifesto feminista publicado por ela, que eu adquiri junto com o ingresso da palestra dela que rolou por aqui há pouco tempo (e foi sensacional).

Mais uma vez, é um livro curto e muito didático. Em português o título foi traduzido para "Para Educar Crianças Feministas", mas eu acho que essa tradução meio que faz um desserviço. Afinal, quem não tem filhos ou quem tem filhos já adultos pode sentir que esse livro não é para eles. Mas é sim, é pra todo mundo. Eu acho que ele funciona como uma continuação do "Sejamos Todos Feministas", o qual é de certa forma uma introdução ao feminismo. Já o "Dear Ijeawele" desenrola melhor alguns tópicos e nos mostra como podemos aplicar o feminismo no nosso dia a dia (atenção, atenção! Hora do jabá! Já rolou vídeo colaborativo sobre esse tema, assiste aí, vai!!).

O livro tem esse nome porque originou de uma carta que a Chimamanda recebeu de uma amiga, pedindo conselhos para criar sua filha como feminista. E a resposta de Chimamanda foi feita em 15 sugestões. E são essas 15 sugestões que encontramos no livro.

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Ontem eu fiz uma tatuagem

março 23, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Há um tempo eu meio que tinha decidido que não faria mais nenhuma tatuagem. Eu digo "meio que" porque, né, eu fiz mais uma. Uns anos atrás eu até tinha vontade de completar metade do meu braço esquerdo, onde estão duas grandes tatuagens, mas não conseguia pensar em nenhum tema que me agradasse. E quando eu decidi todas as minhas tatuagens, eu estava muito apaixonada pela ideia, eu queria muito, e fazia tempo que eu não sentia essa mega vontade de estampar algo no meu corpo.

Quem tem tatuagem sabe do que eu estou falando. Tenho tantos amigos e conhecidos que me falam que querem fazer, mas não tem coragem ou não sabem o que. Pra mim, quando você quer mesmo, você sabe. A coragem aparece. Até eu, a mais cagona da vida que passa mal vendo seriado de hospital na televisão, passa por uma tatuagem.

E aí foi assim. Um belo dia eu pensei que poderia mostrar o meu envolvimento com o feminismo de forma mais óbvia. E aí de novo, a coragem e a vontade apareceram. Esperei uns meses antes de procurar uma tatuadora (tinha que ser mulher, eu sempre fui tatuada por homens, e não havia me dado conta disso até pensar nessa nova tatuagem), pra ter certeza de que queria mesmo. O tempo passou, a vontade aumentou. Eu achei uma tatuadora pelo Instagram que topou usar as minhas referências e criar algo exclusivo pra mim (montei um board no Pinterest com algumas imagens e mandei pra ela, pra quem tiver curiosidade, aqui está), a Hannah Willison (aliás, ela usa tintas veganas, pra quem possa interessar).

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Trocamos alguns emails, marcamos a data, paguei o depósito, ela me mandou o desenho e eu me apaixonei. Não esperava algo tão legal, e realmente mostra como ela é boa. Ela entendeu direitinho o que eu queria a partir do que mandei pra ela, e criou algo infinitamente melhor. Tem sempre quem me pergunta se não é muito caro. Sim, é caro, bem caro. Mas é algo que vai ficar comigo a vida toda, algo que tem que ser muito bem feito. Se for barato, desconfie. Fora que o trabalho físico do tatuador tem que valer muito mesmo, eles ficam em umas posições desconfortáveis, mega concentrados, com uma agulha na mão por horas a fio. Todos devem ter a coluna estragada e artrite no braço e ombro!

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Então está aí, minha mais nova tatuagem. Sempre me perguntam os significados das minhas tatuagens e a maioria não tem grandes motivos, eram apenas desenhos que eu gostava (gosto) e queria fazer. Tenho uma frase no pé que sim, tem significado, e obviamente o nomezinho do Martin no meu pulso esquerdo (que sim, foi um impulso e um perigo absurdo fazer quando ainda estávamos namorando, mas está feito, e obviamente tem um significado). Aliás, pensando bem, minha primeira tatuagem, que é uma rosa bem pequena e está bem apagadinha, no meu quadril, tem sim um significado: a minha liberdade de tê-la feito aos 18 anos, depois de anos ouvindo meus pais falarem que eu só poderia fazer uma tattoo quando tivesse 18 e trabalhasse pra ganhar meu dinheiro.

As respostas para as perguntas de sempre:
  • Doeu? Sim. Mas me incomodou mais ficar com o braço parado por muitas horas. Toda vez que a gente fazia uma pausa parecia que eu nunca mais ia conseguir mexer o braço.
  • Quanto tempo levou? Umas 4 horas e meia
  • Quanto foi? Mande email pra tatuadora e faça um orçamento com ela ; )
  • Você não tem medo de se arrepender? Essa é a mesma pergunta que me fazem quando descobrem que não quero ter filhos. Imagina se eu deixar de fazer algo ou fizer algo por causa do medo de arrependimento futuro? Uma decisão assim é algo com o qual temos que convivar e lidar com o possível arrependimento quando ele chegar
  • Você não tem medo de não conseguir emprego por causa das suas tatuagens? Até tenho e sei que existe esse preconceito. Mas se alguém não me contratar por causa disso, essa pessoa é muito babaca e melhor pra mim não trabalhar com alguém com essa mentalidade
  • O que o Martin acha das suas tatuagens? Sério mesmo que você tá me perguntando isso? Veja esse hangout e tente de novo

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Leitura: The War On Women, Sue Loyd-Roberts

março 21, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Sue Lloyd-Roberts morreu logo após terminar de escrever esse livro. Quer dizer, o último capítulo ficou incompleto e quem o terminou foi sua filha. Claro que a morte de qualquer pessoa é motivo para tristeza e lamentação, mas olha, pouca gente deixa um legado tão valioso quanto essa jornalista. Então pra mim, talvez seja fácil falar pois meu único vínculo com ela é o de escritora/leitora, fica algo de positivo: tudo que ela produziu em seus anos de jornalista investigativa, o que acabou culminando nesse livro maravilhoso, que nunca vai sair da minha prateleira.

Sue trabalhou por muitos anos na BBC e visitou regiões remotas e inóspitas, foi pra lugares onde repórteres e cinegrafistas não são bem vindos, peitou autoridades, conversou com vítimas e com criminosos. E, em todos esses lugares, ela notou uma coisa: que as mulheres eram constantemente mais prejudicadas. Por isso o título desse livro: war on women. Mulheres do mundo todo estão em guerra, há décadas (talvez séculos), contra a opressão misógina e patriarcal. E cada capítulo desse livro é dedicado a uma batalha. Um tipo de horror vivido por mulheres em determinadas regiões do mundo.

Não é um livro fácil, não no sentido da narrativa (que é maravilhosa, didática e dinâmica), mas no sentido dos socos no estômago que o leitor leva o tempo todo. O livro já começa com um capítulo falando sobre mutilação genital, aí passa para as avós da Praça de Maio em Buenos Aires que buscam seus netos desparecidos durante a ditadura, vai pra Irlanda contar a história das mulheres que trabalhavam como escravas em lavanderias mantidas por conventos católicos, depois muda pra Índia e Arábia Saudita - dois dos piores países para ser mulher hoje em dia -, e pra finalizar dá uma passadinha nos países do leste europeu pra falar de tráfico de mulheres, que são torturadas e obrigadas a se prostituírem para atender... preparem-se: homens em missão de pacificação da ONU.

Como eu falei no Instagram, leiam esse livro. Agora. E da próxima vez que alguém perguntar por que as mulheres feministas são bravas, você terá - infelizmente - muitas respostas.

Read this book. I urge you. And next time someone tells you that women are too angry, or that women shouldn't complain so much because things are better now, you will tell them about the gender war that is going on for decades. Centuries. You will tell them about the women that have their vaginas mutilated in Egypt and Gambia, the women who were forced to work in laundries managed by Catholic nuns in Ireland, the women who were killed in Argentina after their babies were born and the women that are fighting to find those babies. You will tell them about "honour killings" in Jordan and Pakistan and about women who are marginalised in Saudi Arabia because they don't have a male guardian. You will tell them about women that are raped because they "dare" to be in a public space, about young girls forced to marry men old enough to be their fathers and about women in Bosnia that are sex slaves. You will tell them about how women in the UK still earn less than men. Sue Lloyd-Roberts, a woman I aspire to be, left us too soon (shortly after writing this book), but this book and all her investigative films are a great legacy. Thank you, Sue. #heloreads

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Interpretação de texto

março 19, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Uma das coisas mais chatas da vida de blogueira - e tenho certeza de que todos os coleguinhas vão concordar comigo, não apenas os que escrevem sobre viagem mas também moda, gastronomia, maternidade... qualquer coisa! - é lidar com a (falta de) interpretação de texto.

Como minha amiga Renata disse outro dia, se todo mundo prestasse atenção no que lê e se responsabilizasse pela sua própria sujeira, teríamos um mundo mais avançado. Eu ainda não tenho a solução pra sujeira, mas a interpretação de texto dá pra gente vencer.

Digamos que eu faça uma viagem para Nárnia. Eu provavelmente irei escrever algo assim: "eu fui pra Nárnia no verão, fui de trem. A viagem levou 54 horas de Londres até lá. Paguei 748959 dinheiros. Chegando em Nárnia eu aluguei um camelo e fui pro hotel. O hotel chama-se Nárnia Inn e cobra 779955 dinheiros a diária. O café da manhã não está inlcuso".

Aí é claro, eu vou colocar umas fotos bonitinhas, mais alguns detalhes, deixar o post bem pessoal, didático e dinâmico.

Vocês querem adivinhar o tipo de pergunta que vai aparecer na caixa de comentários?

"Como é Nárnia no inverno?"
"Quando tempo leva a viagem de trem de Londres pra Nárnia?"
"Quanto custa a passagem?"
"Que hotel você recomenda?"
E o melhor comentário, que tem relação com o que eu escrevi há alguns dias: "ai, achei Nárnia tão sem graça. Vai pra Gotham City, muito melhor."

Eu exercito minha paciência todos os dias ao acessar os comentários do Aprendiz de Viajante. O pior é quando a falta de interpretação de texto prejudica meu ganha pão, como por exemplo as vendas do Guia de Londres. Está super claro no texto quando são feitos os despachos e quanto tempo leva e entrega. Então é sempre um soco no estômago receber emails mal educados de pessoas que dão a entender que estou dando o calote porque compraram o guia há 3 dias e ainda não o receberam.

Gente, pra quem quer poucos caracteres, vá para o Twitter.

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Los Descalzi

março 17, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Os meus sogros estiveram aqui por uma semana (definitivamente a semana mais ensolarada e quente do ano até agora), e o Youtuber Martin aproveitou para fazer mais um videozinho das mini-férias. Como eles já nos visitaram outras vezes, foi bem tranquilo, sem aquela ânsia de acordar cedo pra passear e andar como loucos todos os dias. Mas ainda assim aproveitamos os dias "off", e o resumo está aqui:



Ah, detalhe. O vôo deles chegaria às 7:15 da manhã. Reservamos carro para buscá-los e nos programamos pra madrugar, já que o aeroporto de Heathrow é do outro lado da cidade e sempre tem trânsito pra lá. Da última vez que eles vieram nós chegamos atrasados justamente por causa do trânsito e dessa vez não queríamos dar essa bola fora. Poxa, eles afinal viajaram 12 horas, e ainda tem que ficar esperando no aeroporto?

O despertador estava para às 4:30 da manhã. Quando deu 6:30 o Martin acordou no susto. O despertador não tocou (motivo: o espertão tinha colocado para 4:30 da TARDE) e mais uma vez deixamos os sogros esperando, ainda mais tempo do que a vez passada.

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Feminismo em uma palavra

março 17, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Eu não costumo colocar aqui os vídeos dos hangouts que fazemos no Conexão Feminista, senão o blog ficaria monotemática. Mas essa semana colocamos no ar mais um vídeo colaborativo (que é bem diferente dos hangouts, pois conta com participações voluntárias de outras mulheres). Ficou tão bacana e estou tão orgulhosa dele que não dá pra evitar o jabá.

Pedimos para a mulherada definir feminismo em uma palavra (algumas escolheram duas!). O resultado tá aqui:




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Transição

março 16, 2017 Helô Righetto 0 Comentários




Depois que me mudei pra Londres e aprendi na prática o que havia aprendido na aula de Geografia na escola há muitos anos - que na Europa as quatro estações são bem definidas - eu passei a ter uma estação preferida. O outono.

Mas outra coisa que eu amo nesse lance das quatro estações são as transições entre uma e outra. Principalmente a transição entre inverno e primavera, que está acontecendo agora. Eu não odeio o inverno como a maioria dos brasileiros (e até mesmo dos ingleses) que moram aqui, mas acho que essa época a diferença entre um dia e outro é gritante. Podemos ter 5 graus de manhã e 14 a tarde, ou um dia de muita chuva e frio seguido por um de sol, calor e céu azul. Algumas árvores continuam peladas mas outras já florescem, e outras tantas estão com os botões fechados, mas prontinhos para seguir seu ciclo.

É incrível!

Os parques floridos e os preparativos pro verão, e o pensamento focado nas muitas jarras de Pimm's e churrascos nas casas do amigos nos mantém animados. A gente erra feio na roupa (coloca sapatilha quando chove e bota forrada de lã quando faz calor), mas com sorriso no rosto mesmo assim.

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Já fui

março 13, 2017 Helô Righetto 2 Comentários


A turma do "já fui" só aparece pra comentar naquela sua foto bacana do Instagram justamente pra escrever isso: já fui! Acho incrível como as pessoas tem o dom de transformar um momento de outra pessoa no momento delas. Podem notar: em qualquer foto de viagem de qualquer pessoa é muito mais fácil encontrar comentários do tipo "já fui" ou "amo esse lugar" ou "que saudades" do que coisas como "que foto bonita", "que delícia de férias" ou "que legal que você está gostando".

Não estou dando indireta pra ninguém, até porque tenho certeza de que eu já fiz isso (e me dei conta depois de ler alguns tuítes de uma amiga comentando esse fenômeno). Mas não deixa de ser irritante. Que necessidade louca de deixar claro que a gente já esteve em tal lugar antes daquela pessoa! A gente se apropria de tudo, até mesmo do momento alheio.

Tem gente que nunca aparece, mas basta eu colocar uma foto de um lugar pelo qual essa pessoa já passou, que lá vem o "já fui".

Resolvi tirar um sarro desses comentários bizarros e fiz um vídeo com o Rafa Maciel, um Youtuber profissa e um querido que mora aqui em Londres. Se você se reconheceu em alguma dessas situações, não tema: quem nunca, não é mesmo?

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Eastbourne

março 12, 2017 Helô Righetto 0 Comentários


Fomos pela primeira vez para Eastbourne há alguns anos e desde então, principalmente depois que o Martin tirou habilitação para dirigir por aqui, voltamos lá para mostrar um dos nossos lugares preferidos na Inglaterra para amigos e familiares.

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Apesar de Eastbourne ser bonitinha - e estar perto do mar, mesmo em um dia feio ou frio pra mim é sempre revigorante - nosso "lugar" é Beachy Head. Um penhasco de cal em uma das pontas das cidades, com uma vista incrível do mar e da cidade. E o melhor: um pub muito, muito lindo.

Já estivemos lá em dia de sol, em dia de vento, em dia gelado. E dessa vez em dia de neblina. Muita neblina! Mal dava para ver o penhasco, muito menos o mar. Então resolvemos esperar no pub e daqui a pouco... tudo aberto! Um dia lindo de sol, e mais uma vez eu me surpreendi com a paisagem, apesar de já conhecê-la tão bem.

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No Starbucks

março 10, 2017 Helô Righetto 3 Comentários


Hoje eu estava no Starbucks esperando meu café ficar pronto quando um senhor me abordou, disse que era morador de rua, e perguntou se eu tinha algum dinheiro pra dar pra ele. Eu não tinha nenhum dinheiro, mas eu tinha uns morangos na bolsa e perguntei se ele queria. Ele aceitou, e começou a me falar que precisava se cuidar porque tinha diabetes, e ele tinha medido pela manhã e não estava muito bom. Falou que o pessoal do Starbucks deu um café e ele esperava se sentir melhor, porque estava um pouco tonto. Ficamos conversando um pouco ali, ele se despediu e foi falar com outras pessoas.

Eu peguei meu café e segui meu caminho de casa. Hoje foi um dia intenso de passeios pela cidade, pois os meus sogros estão por aqui. O Martin tirou férias e estamos aproveitando todos juntos. Mas foi esse senhor que marcou meu dia.

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A janela azul

março 08, 2017 Helô Righetto 1 Comentários


Em outubro de 2014 eu fiz a minha primeira viagem como blogueira, e na época até contei aqui. Fui para Malta, com passagem e hospedagem pagos. O objetivo da viagem era explorar a ilha de Gozo, menor do que a ilha principal (que dá nome ao país), e sobre a qual eu não conhecia nada. Eu sabia apenas uma coisa: da existência da janela azul (Azure Window).

Por sorte, a casa onde me hospedei com mais três blogeiros era ali perto. Em um dos nossos dias em Gozo, passamos horas na janela azul. Olhando, olhando, olhando. Algumas placas indicavam claramente o perigo de subir no topo da pedra, e pediam para que ninguém o fizesse. Placas solenemente ignoradas por vários turistas, inclusive um dos blogueiros que estava comigo.

Nós chegamos inclusive a fazer um passeio de barco pra ver a janela mais de perto, mas em momento algum passamos por baixo ou ficamos tão perto a ponto de tocá-la.

A janela azul foi uma das coisas mais impressionantes que eu já vi na vida. E hoje ela desabou. Não aguentou a tempestade, e caiu sobre o mar. A janela azul, a atração mais conhecida de Gozo, não existe mais.

Essa formação rochosa iria cair algum dia, fato. Mas o processo foi acelerado pelos milhares de visitantes que, pra falar  "eu fui eu fiz eu fotografei", ignoraram os avisos e caminharam sobre ela. Alguns até pulavam no mar a partir dela. A cada passo lá em cima, a cada pulo, um pouquinho da pedra ia se desfazendo.

Então você, que subiu lá, contribuiu para o desaparecimento da janela azul. Você levou um pedaço dela com você. E não só na foto. Você impediu que outras pessoas, daqui a muitos anos, tivessem o mesmo prazer que você teve ao vê-la. Eu passei uma tarde inteira olhando pra ela, e ninguém mais vai poder fazer isso.

Não leve nada com você. Apenas aprecie. O mundo não gira ao seu redor.


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