Feliz ano novo!

dezembro 31, 2015 Helô Righetto 1 Comentários

Dei o pontapé para meu ano novo já há algumas semanas. Eu sou uma boa procrastinadora, então estou orgulhosa do meu esforço de ter começado projetos novos (como o Conexão Feminista e alguns guias novos - mesmo que não saiam do papel, estou satisfeita de ter tido a energia pra começar) ainda no fim de 2015.

Em 2015, com a companhia do Martin, me tornei uma corredora assídua. Fiz várias provas de 10km e melhorei muito minha resistência. Fiquei tão confiante que fiz a inscrição para uma meia maratona, que será em maio de 2016. Então taí, um dos objetivos do ano novo é terminar essa meia maratona, e continuar correndo.

Em 2015 a gente teve a companhia dos nossos pais. E viajamos com eles. Foi muito legal tê-los mais uma vez aqui, na nossa casa.

Em 2015, viajamos bastante. Entre outras coisas, vimos a Aurora Boreal logo no começo do ano, Voltamos ao País de Gales e terminamos o ano curtindo um mercado de Natal na Alemanha. Eu fui ao Porto para um encontro de blogueiros e dei uma palestra!

Em 2015 eu publiquei a versão impressa do meu Guia de Londres. Cada vez que recebo uma venda no meu email meu coração enche de felicidade.

Em 2015 eu fui convocada para ser juri em um tribunal criminal. Acho que foi a coisa mais importante e mais emocionante que já fiz na vida. Volta e meia lembro das pessoas que conheci lá e dos casos que ajudei a dar um fim.

Em 2015 eu e o Martin completamos 10 anos de casados! E eu ganhei um marido 'renovado', que resolveu emagrecer e já perdeu mais de 20 quilos.

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Em 2015 eu trabalhei como nunca. No trabalho 'oficial' e também no Aprendiz de Viajante. Foram poucos os momentos livres, sem eu estar na frente do computador. E por isso acho que em 2015 eu encontrei meus amigos com menos frequência.

Em 2015 eu me rendi so Snapchat e aprendi a editar vídeos. Mas passei a ver menos televisão e fui muito pouco no cinema. Li bastante, e continuo a começar um livro assim que termino o anterior. Não me rendi ao Kindle e nem pretendo.

Se 2016 for um pouquinho assim, tá bom demais!

FELIZ ANO NOVO!

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700 mil

dezembro 29, 2015 Helô Righetto 2 Comentários

O Facebook se comporta de maneiras diferentes com pessoas e com páginas. Como pessoa, eu acho o Facebook uma ferramenta sensacional (nem preciso explicar porque), mas como empreendedora, ele me dá nos nervos.

Construir uma página de um negócio no Facebook é lidar com frustrações diárias. Parece que o tio Mark está do outro lado do computador esfregando as mãozinhas e soltando uma risada maldosa enquanto você tenta promover seu negócio e vender seus produtos. Cada nova curtida é uma vitória, mas aí rapidamente nos lembramos que tio Mark é mais poderoso. Ele esconde nossas postagens, impede nosso crescimento.

Quer crescer? Pague. Pagou 10? É pouco. Bota mais 20 que eu juro que mostro tua página pra mais gente. E a gente tenta uma ou duas vezes, investimos nosso rico dinheirinho obtido com os valiosos cliques dos nossos leitores e então aprendemos que tio Mark quer mais, sempre mais.

Poxa tio Mark. Assim não dá. Vai ter que ser sem dinheiro mesmo, ou como falamos no mundo das redes sociais, crescimento orgânico. Conquistando cada curtida uma a uma, criando uma estratégia, engajando nossos leitores e seguidores com assuntos e imagens interessantes, que acrescentam algo.

E assim, chegamos aos 700 mil seguidores na página do Aprendiz de Viajante. SETECENTOS MIL!

Tio Mark chora. Gosto de imaginá-lo convocando uma reunião para entender como um blog brasileiro que escreve sobre viagens conseguiu conquistas 700 mil seguidores sem impulsionar postagens. Porque, se a gente estuda os algoritmos e jeitinhos que o tio Mark inventa, ele também deve estudar os nossos, não?

; )

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Leitura: Onze Semanas, Ernani Lemos

dezembro 26, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Ganhei esse livro da Carol e acabei passando ele na frente dos vários outros que estão aguardando a vez na minha estante porque me pareceu uma leitura fácil, gostosa, e eu estava querendo 'relexar' depois do último livro, que foi bem pesado.

Realmente o livro é fácil de ler, vai rapidinho, mas a história não é 'light'. Trata-se do processo de reconciliação entre mãe e filha, sendo que a mãe está no leito de morte.

Eu gostei, mas também achei que as revelações mais importantes são feitas todas 'juntas'. Explicando melhor: na primeira metade a gente tenta adivinhar o que de tão ruim pode ter acontecido pra separá-las, e quando o motivo é revelado, várias outras 'bombas' caem também.

Achei um pouco estranho o fato de se passar na Inglaterra e alguns personagens terem nomes como 'Meg', 'Paul' e 'Alfred', sendo que o autor é brasileiro e o livro foi escrito em português. Não que tenha interferido na qualidade da história, mas em alguns momentos me parecia que o texto havia sido traduzido.

Eu esperava outro final, e que a personagem principal fosse menos autodepreciativa (é assim que escreve), mas isso é apenas birra minha, talvez porque eu estava torcendo pra ela ser mais feliz.

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Inverno primaveril

dezembro 21, 2015 Helô Righetto 2 Comentários

Acho que não está acontecendo apenas em Londres, mas também em diversas outras regiões da Europa (de acordo com o que eu vejo no Snapchat!), um 'inverno primaveril'. As temperaturas estão bem acima da média para essa época do ano, chegando até mesmo na casa dos 20 graus em algumas horas do dia.

Pode até parecer boa notícia a princípio (principalmente pra quem reclama do frio o inverno inteiro!), mas eu acho assustador. Até algumas flores estão brotando, o que mostra que a natureza também está confusa. 15 graus as 7 da manhã no meio de dezembro? Alô, aquecimento global! E não é um dia ou uma semana - isso já está acontecendo há pelo menos duas semanas e a previsão não vê sinais de dias mais gelados até o fim do ano.

Ano passado já foi assim, um dezembro ameno, cerca de 10 graus em média. E a cada ano aqui eu noto que está ficando menos frio. Eu sei, uma hora a frente fria chega e a temperatura vai despencar, mas isso não compensa o fato da gente estar usando jaqueta jeans essa época do ano. Era pra todo mundo estar de cachecol, gorro, luvas.

Não é normal, não é bom. Prefiro o frio extremo ao fim dos tempos!

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Reencontros reais

dezembro 18, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

A gente sempre acha interessante quando uma amizade que começa virtualmente acaba migrando pra vida real. Mas é também tão bacana quando alguém que a gente conhecia ao vivo e a cores de repente reaparece na sua vida através das redes sociais.

Hoje de manhã fui surpreendida com uma mensagem no Facebook, de uma amiga da faculdade - não apenas amigas, mas minha 'flatmate', pois nós dividimos um apartamento por um ano! Ela acabou ficando nesse apartamento depois que eu saí, mas acho que a convivência foi tão intensa que a gente foi perdendo contato depois que a faculdade terminou.

Que bem que faz a passagem do tempo: hoje quando li a mensagem dela me veio um sorriso imenso, e eu esqueci de todo e qualquer desentendimento que a gente teve naquela época. Até falei pra ela, que olhando pra trás a gente tirou nosso convívio de letra!

Enfim, um bom começo de fim de semana!

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Hamburgo

dezembro 16, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Ah, o fim de ano.... aquela época que a gente acha que vai estar tudo tranquilo, afinal estaremos perto do Natal, já não tem tanto trabalho esperando no escritório, os dias passam mais devagar porque estamos ansiosos esperando pelas festas.... OPS, NÃO.

O fim de 2015 está demasiadamente corrido, tanto que na sexta feira, véspera da nossa viagem pra Hamburgo, bateu um certo arrependimento de ter marcado o fim de semana prolongado. A gente deveria ter ficado em casa pra matar aquelas pendências pentelhas da vida adulta. Talvez a gente não seja adulto o suficiente, e em vez de organizar a bagaça fizemos as malas e fugimos para o frio alemão, deixando a bagunça esperando até segunda feira.

Desde que meus pais nos visitaram pela primeira vez, em 2010, e fomos para Berlim (viagem também conhecida como férias frustradas de Natal), nós não íamos para a Alemanha nessa época. E passear nos mercados natalinos alemães é algo incrível. Várias cidades tem mercados de Natal, mas ninguém consegue fazer como eles, sejamos honestos.

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Escolhemos Hamburgo pelo simples fato de ser uma das grandes cidades alemãs que ainda não conhecíamos, e também por ser viável ir pra lá pra passar apenas três dias. Conseguimos inclusive usar um dos dias para fazer um passeio até outra cidade, Lübeck, que pra mim acabou sendo o ponto alto da viagem.

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Enfim, voltamos pra uma casa bagunçada e uma lista de afazeres imensa, mas a escapada alemã a dois valeu bastante a pena. Os relatos detalhados como sempre serão publicados lá no Aprendiz de Viajante, mas as queridas redes sociais foram atualizadas em tempo real!

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Leitura: A Little Life, Hanya Yanagihara

dezembro 11, 2015 Helô Righetto 4 Comentários

'Esse livro é maravilhoso. Me dá arrepios só de lembrar', falou o vendedor da livraria quando eu comprei A Little Life. Ele foi um dos indicados ao Man Booker Prize desse ano, e apesar de estar entre os favoritos, não levou o prêmio (que ficou com 'A Brief History of Seven Killings' de Marlon James).

Eu não conhecia a autora e sabia pouca coisa sobre a história: quatro amigos que depois de formados decidem tentar a carreira em Nova York, e os acontecimentos marcantes na vida deles ao longo de décadas. Era essa a informação que eu tinha.

É difícil comentar sobre a história sem entregar alguma coisa importante pro desenrolar do enredo. Mas, basicamente, a vida de 3 dos quatro amigos é 'normal', mas um deles está cercado de problemas. E aos poucos - ao longo dos anos, na história - a autora vai revelando a raiz desses problemas.

Eu adorei o livro, apesar de ter sofrido com a leitura. Cada revelação é uma porrada, e quando você se dá conta de que ainda está na metade da leitura, já começa a ficar ansioso pra saber 'mas o que mais pode acontecer?'.

São mais de 700 páginas (eu acho que poderia ser um pouco mais curto, li muitas críticas a respeito disso antes de começar), mas garanto que você não fica entediado. É aquele tipo de leitura que prende de forma inteligente: a gente testemunha o crescimento e envelhecimentos dos personagens.

Recomendo, muito!


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É trabalho e ponto

dezembro 05, 2015 Helô Righetto 7 Comentários

Eu sou uma pessoa realista. Tem quem fale que eu sou negativa, mas eu prefiro o termo realista mesmo. Ainda mais quando o assunto é trabalho. E ainda mais quando vejo por aí um monte de textões metidos a inspiradores (que na verdade prestam um grande desserviço) do tipo 'ame seu trabalho e você nunca ficará deprimido no domingo'. Ou, pior, 'ame o que faz e você não trabalhará um dia na sua vida'.

Eu acho exagerada demais essa cobrança que a gente tem que amar o que faz, que tem que achar um emprego sensacional. Já não basta ter que trabalhar e pagar conta? Posso achar apenas ok trabalhar e ficar mais feliz com o salário? Mas tudo bem, digamos que você realmente ama o seu trabalho (eu amo a minha casa, o meu marido, viajar, ver minhas amigas, vender meu guia, escrever no blog, comer bem, essas coisas assim que acontecem fora do escritório). Vai dizer que você tem a mesma felicidade no domingo a noite e na sexta feira a tarde? Não dá.

Esse lance de amar o trabalho pra não se sentir trabalhando é uma das coisas mais sem noção que eu já escutei (obviamente que não se aplica para os casos onde a pessoa abre seu próprio negócio transformando uma coisa que a faz muito feliz - tipo escrever um guia ou criar abelhas e produzir mel - em trabalho remunerado). Sim, claro que dá pra ter prazer no trabalho, se sentir feliz até quando alguém leva bolo pro escritório, por exemplo, mas cá entre nós: eu amo é o dinheiro no bolso e aposentadoria o mais rápido possível.


'Escolha uma especialidade que você ama e você jamais terá que trabalhar, porque essa área provavelmente não tem vaga de emprego'

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Ingressos para atrações em Londres

novembro 30, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Coloquei uma aba nova aí em cima, no topo da página, chamada 'Ingressos para atrações'. Sim sim sim, mais uma coisa pra eu fazer um merchan esperto aqui. É que fechei uma parceria com o Visit Britain (fui aprovada para fazer parte do programa de afiliados deles, que nada mais é que uma 'revenda' - o blog funciona como mais um canal de venda para eles), e agora vocês podem comprar ingressos para atrações em Londres e Grã Bretanha utilizando meu blog (ou melhor, meus blogs, porque é claro que isso funciona também pro Aprendiz de Viajante) como meio.

É assim: você clica em um dos banners aqui do blog, ou na aba aí em cima, e será redirecionado para o site deles. Se você comprar algo lá, eu vou ganhar comissão. Não muda nada pra você, o preço é o mesmo sempre!

Diversas empresas oferecem programas de afiliados para os blogueiros (por exemplo, o booking.com), e essa é uma das maneiras que monetizamos com o blog. Blogs de viagem, principalmente, pois nesse meio não há muito publipost ou banner publicitário. A gente acaba fazendo mais essas parcerias e lançando produtos (vide o meu guia), e muitos blogueiros oferecem serviços de passeios guiados nas cidades onde vivem.

Então fica combinado: se você quer visitar alguma atração paga em Londres e gosta de se organizar com antecedência, compra o ingresso por aqui! Vai ajudar a blogueira e evitar a fila do guichê ; )

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Conexão Feminista

novembro 26, 2015 Helô Righetto 1 Comentários

A falta de atualizações no meu querido blogito não é falta de interesse ou assunto, mas a boa e velha falta de tempo mesmo, que me ocorre de vez em quando. Tenho trabalhado bastante e esse fim de ano aconteceu algo extraordinário pra mim: em vez de sentir a pilha acabando, me vi cheia de ideias e resolvi colocar a mão na massa pra fazer essas ideias acontecerem antes de 2016.

Uma dessas ideias é a Conexão Feminista, que foi pro ar ontem. Esse é um projeto em dupla, com uma das minhas melhores e mais antigas amigas, a Renata (já falei da Rê tantas vezes nesse blog, mais recentemente sobre a empresa dela, o Studio Minemosine). Nós duas queríamos fazer algo a respeito dessa causa pela qual somos apaixonadas, mas foi recentemente que nos demos conta que poderíamos fazer algo juntas, pois como diz o velho ditado duas cabeças pensam melhor que uma.

A Conexão Feminista é uma plataforma pra gente pura e simplesmente bater papo sobre feminismo. Por enquanto, estamos usando os Hangouts do Google pra fazer isso, que então ficarão disponíveis em um canal no YouTube. Também criamos uma página no Facebook pra divulgar a ideia e ter mais uma canal de diálogo.

O primeiro hangout foi pro ar ontem. Foi uma introdução, pra gente se apresentar e contar como e quando nos descobrimos feministas.



Eu preciso da ajuda de vocês pra conseguir um link personalizado no YouTube. Enquanto o canal não alcançar 100 inscritos, não conseguimos pedir a url YouTube.com/ConexaoFeminista. Então, peço que vocês cliquem aqui e assinem, pra ajudar a gente a ganhar espaço nesse mundão da internet.

O próximo hangout será dia 9 de dezembro, às 17:30h (horário de Brasília), e o assunto será inspirações feministas. Mais detalhes lá na página do Facebook (mais perto nós colocaremos o link pra quem quiser assistir ao vivo).

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'Estamos bem, estamos no Porto'

novembro 16, 2015 Helô Righetto 1 Comentários

Esse fim de semana foi cheio de 'primeiras vezes': a primeira vez que fiz uma palestra para um grupo de blogueiros (sobre a experiência com o meu Guia de Londres), a primeira vez que participei de um encontro de blogueiros, a primeira vez que abracei um monte de gente que já adorava virtualmente e a primeira vez que voltei de uma viagem com mais dinheiro do que quando fui (ha!).

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Mas não foi a primeira vez que fui para o Porto - estive lá em 2013 com o Martin e nós dois adoramos a cidade. Essa segunda visita apenas confirmou o quanto esse lugar é maravilhoso: tem história, ótima gastronomia, lindas paisagens, arquitetura, arte, e é claro os portugas que são gente finíssima.

Mas vamos por partes.

  • A palestra: acho que falar em público não é a coisa favorita de ninguém. Está longe de ser a minha, e inclusive há tempos eu venho me esquivando de palestras lá no meu trabalho. Mas o convite da Rita (falarei dela mais pra frente) foi irrecusável, afinal eu não poderia perder a oportunidade de compartilhar minha experiência com a publicação do Guia de Londres. No fim, deu tudo super certo e acabou sendo pouco tempo pro tanto de coisa que eu precisava falar. Ah, e detalhe: a palestra foi na Casa da Música, um ícone da arquitetura contemporânea.

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  • O encontro: essa foi a segunda edição do Encontro Europeu de Blogueiros Brasileiros, idealizado pela Cris Rosa do blog Sol de Barcelona. A primeira, ano passado, foi em Barcelona, e esse ano quem tomou as rédeas da organização foi a Rita Branco, do blog O Porto Encanta (e dona das sábias palavras que dão título pra esse post!)O encontro cresceu muito nessa segunda edição - de 18 para 45 participantes - e foi um sucesso graças a dedicação da Rita e da Cristina e do patrocínio da Associação de Turismo do Porto e de diversos hotéis e restaurantes. Além das palestras, os participantes também exploram a cidade e trocam muitas ideias e experiências sobre blogagem e blogosfera. 
  • Os amigos: fui para o Porto conhecer outros colegas e voltei cheia de amigos. Sim, tinha bastante gente lá que eu já conhecia (como a turma aqui de Londres: Lili, Ana, Karine, Pedro e Paula). Finalmente pude trocar ideias ao vivo e a cores com bloggers pelos quais tenho muito respeito e admiração, como o Daniel Duclos e a Luiza. Mas todos ali são gente finíssima e fazem seu trabalho muito, muito bem! Incrível como essa turma é criativa e inovadora - vários, além do blog, também organizam tours guiados nas cidades onde vivem, criam roteiros personalizados e tem também - como eu - guias publicados. 

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  • O lucro: antes da viagem, umas 3 pessoas tinham me falado que queriam um exemplar do guia. Então coloquei alguns na mala e pensei que se vendesse um ou dois a mais do que os já 'comprometidos' estaria bom demais. Não apenas vendi todos como faltaram exemplares (devidamente encomendados e colocados no correio!) - fiquei feliz demais com o feedback da turma, e olha que não é qualquer feedback, afinal todo mundo ali tem uma tonelada de experiência escrevendo e divulgando a cidade onde moram e as viagens que fazem. Fiquei muito, muito feliz!

Para ver todas as fotos postadas no Instagram ao longo do fim de semana, procure a hashtag #IIEEBB. E agora é esperar a terceira edição do encontro, que será ano que vem em Berlim! Quem sabe até lá o segundo livro já estará publicado e eu volto pra casa rica novamente? : )

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Leitura: The Vagenda, Holly Baxter & Rhiannon Lucy Cosslett

novembro 08, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Comprei esse livro junto com o Everyday Sexism, mas acabei adiando a leitura por tempo demais! Mais um livro feminista que me ensinou muito (e me inspirou também). O Vagenda é originalmente um blog, fundado por duas amigas (Holly e Rhiannon) que se encheram o saco de ler tantos aburdos e encontrar tantas coisas contraditórias nas chamadas 'revistas femininas'.

O blog cresceu muito e ganhou fama e colaboradores, e acabou abrangendo diversos assuntos na esfera feminista. Mas o livro, publicado em 2014, volta as origens do blog e analisa a relação entre sexismo e mídias, e como a dupla editorial+anúncios pode ser prejudicial em todos os aspectos na vida de uma mulher.

O livro é bem humorado e realista: o texto não mede palavras pra expressar a decepção e frustração das autoras com as idiotices publicadas por aí. Trabalho, relacionamentos, beleza - pra todos esses assuntos as revistas conseguem vomitar imbecilidades e criar 'problemas' e 'dilemas' que beneficiam apenas anunciantes e prejudicam o desenvolvimento da nossa personalidade e nosso lugar na sociedade, desde muito, muito cedo (alô Capricho).

Durante a leitura, fui marcando várias páginas, e queria dividir aqui algumas passagens que tem aquele feito 'caiu a ficha' (pelo menos tiveram pra mim):

'Ultimately, fashion should be fun, female-friendly and empowering, not an exploitative madhouse staffed by fat-phobic fascists'

'Because the fact of the matter is that enough racist, sexist, homophobic, privately educated 'boys of the old school' remain in powerful places to keep you from achieving  on your own merit if you happen to be a woman, or not white, or not straight, or trans, or working class, or all of the above.'

'Once you start counting, you become amazed at the ability of mags to make you feel as every part of your body is a hideous overgrowth, and your role as the intellectual inhabitant of this endlessly expading jungle is to desperately keep hacking away at the trees'

A parte final do livro, que fala exclusivamente de cultura de estupro, talvez deveria ter sido colocada no começo, pra de cara todo mundo já entender que nunca é 'só' uma propaganda, ou 'só' um filme, ou 'só' uma capa de revista.

Quem sabe está nas nossas mãos o poder de mudar, de criar uma revista (ou um blog?) que não fale de corpo perfeito para o verão, ou de como garantir que seu homem está sexualmente satisfeito. Ou que dê realmente boas dicas profissionais ao em vez de falar que as pessoas no escritório irão te respeitar apenas se você usar as 'roupas certas'.


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Leitura: Voizes Anoitecidas, Mia Couto

novembro 01, 2015 Helô Righetto 1 Comentários

Esse foi um dos livros que meu pai deixou aqui esse ano - meu estoque de livros em português tinha acabado! Mia Couto é um escritor moçambicano, e esse é seu primeiro livro de contos.

Eu gostei muito dos primeiros contos, que pra mim tem um 'que' de realismo fantástico a lá Gabriel Garcia Marquez, e também falam bastante de cultura e tradições locais. Mas da metade pro fim começou a ficar chatinho, e a leitura arrastou, demorei um monte pra acabar.

Enfim: é fácil de ler (justamente por serem contos curtos) e um bom intermediário depois de um livro mais pesado, sabe? Pra dar uma espairecida e tal... mas só. Infelizmente é o tipo de livro que em pouco tempo vou esquecer que li (as vezes vejo meus posts de leitura antigos aqui no blog e relembro alguns livros que tinham sido completamentes apagados da minha memória!).

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Chá, sexo e permissão

outubro 30, 2015 Helô Righetto 3 Comentários

Acabei de ver um vídeo excelente no Facebook (e vocês achando que o Facebook não servia pra nada além de fotos de bebês e anúncios de noivado/gravidez/nascimento/merchan de guia de viagem) e aproveitando a vibe feminista do último post, achei que seria legal compartilhar aqui.

Eu não sei quem produziu, mas foi divulgado por uma divisão da polícia britânica. O vídeo é uma animação simples, que explica o significado de consentimento usando um elemento essencial na vida dos britânicos: chá.

Mesmo que você não fale inglês, dá pra compreender a mensagem. Se parece tão óbvio com chá, porque existe dúvida quanto a permissão quando o assunto é sexo?

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#PrimeiroAssédio

outubro 28, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Se você estava plantando batatas em Marte nas últimas semanas, existe a possibilidade de você ter perdido a hashtag #primeiroassédio no Twitter. Bom, então vai lá, que rapidinho você vai entender do que se trata e entender como essa história começou. Mas se você tá sem tempo e precisa de um atalho, assista esse vídeo da Jout Jout:



Eu sou apaixonada por causas feministas e vocês já leram aqui sobre o projeto Everyday Sexism e a campanha No More Page 3. Eu também acompanho de perto o Think Olga no Brasil, que sempre lança campanhas incríveis como o Chega de Fiu Fiu e agora também foi responsável pela hashtag #primeiroassédio.




E essa hashtag, juntamente com o vídeo da Jout Jout, me fez pensar (quer dizer, relembrar) nas minhas experiências de assédio. Que né, desde que me entendo por gente achei 'normal', 'corriqueiro', a ponto de nunca ter conversado sobre isso com ninguém. Já sofri assédio sozinha, com amiga, com a minha irmã e até com a minha mãe. Engraçado isso, porque acontece com todas nós e a gente nem tchuns, nem acha que vale a pena colocar o assunto em pauto no almoço de família ou nas conversas com as amigas.



Tá mais que na hora da gente fazer barulho.

UPDATE: comecei uma conversa sobre esse assunto em um dos meus grupos de amigas no WhatsApp. TODAS com histórias horrorosas pra contar. A gente se conhece muito bem, somos amigas muito próximas, e é a primeira vez que contamos essas histórias umas pras outras.

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Exposição: The Amazing World of M.C. Escher

outubro 24, 2015 Helô Righetto 1 Comentários

Faz tempo que não escrevo aqui sobre as exposições que visito, mas hoje fomos ver a do Escher na Dulwich Picture Gallery e saí tão inspirada (eu sei que falar isso soa meio idiota, mas eu tenho muito dificuldade em encontrar inspiração, então pra mim é grande coisa!) que resolvi colocar logo 'no papel'.

Primeiro que a Dulwich Picture Gallery é linda, e fazia um tempão que eu não ia lá (a primeira vez há alguns anos foi para ver uma exposição do Warhol). É afastada do centro, tem um jardim lindo e um café bem fofinho. E claro, fica em Dulwich que também é uma região bem bacana, e nessa época do ano fica tudo sempre tão mais lindo por causa das cores do outono, que andar pelas ruas do bairro já vale a viagem por si só.

Mas de volta ao museu e a exposição. Fomos sem comprar ingresso antecipado e demos sorte: os ingressos esgotaram para o dia pouco tempo depois (chegamos lá as 14h, e tivemos que matar tempo até as 15h30, horário da nossa entrada). Para um museu geralmente vazio e não tão famoso, isso é grande coisa! O bom é que deu pra ver a coleção permanente com muita calma, e tem muita obra bacana lá (Rembrandt, Canaletto, Gainsborough... vale demais a pena).



A exposição está sensacional. Mesmo. Ver as gravuras do Escher de pertinho é ainda mais impressionante do que ver em um livro. Pra quem não é familiarizado com o trabalho dele, o Escher criava cenários 'absurdos', mesclando ilusão de ótica com surrealismo. Ele também criou estampas 'infinitas', encaixando formas orgânicas e geométricas que vão 'expandindo'. Difícil de explicar - em inglês isso é definido como 'tesselations', mas eu não sei a palavra equivalente para descrever esse método em português.

Acho que as obras mais conhecidas dele são as gravuras com as escadas que sobrem e descem em perspectivas diferentes. Não dá pra entender qual o ponto de vista correto. Esse vídeo acima é uma paródia, mas uma boa maneira de entender o trabalho dele em poucos segundos.

No fim da exposição eu estava com um pouco de dor de cabeça até, um pouco zonza com as perspectivas confusas e planos diferentes, e estampas que começam como losangos e terminam como pássaros. Com dor de cabeça, mas muito inspirada. E o melhor é que na saída eles colocaram uma esfera espelhada, para que os visitantes possam fazer uma foto inspirada em uma das obras mais conhecidas dele, 'Hand With Reflecting Sphere'.

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Essa exposição vai até 17 de janeiro, então se você estiver por essas bandas durante esse tempo, tente visitar! No site da Dulwich Picture Gallery tem todas as informações.

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Shiteastern

outubro 17, 2015 Helô Righetto 1 Comentários

Eu sou uma apaixonada pelo bairro onde moro, como já declarei diversas vezes, mas se tem uma coisa que as vezes me faz pensar em me mudar daqui é o fato de dependermos do serviço de trem da Southeastern (acho que já deu pra entender o título desse post, né?).

Sim sim sim, o transporte público em Londres é muito bom e torço pra que nunca mais eu precise ter uma carro pra ir e voltar do trabalho. Mas infelizmente a rede ferroviária não é administrada pelo TfL (Transport for London, que cuida do metrô e ônibus), e os usuários dos serviços de trem em Londres ficam a mercê do monopólio de empresas que ganham permissão para operar numa certa área do país. Isso sem contar que usar o trem custa mais caro do que o metrô, mas né, uma reclamação de cada vez, deixa essa pra lá. 

Mas, burocracias a parte, o serviço prestado pela Southeastern tem piorado nos últimos anos. Os trens atrasados e cancelados por motivos imbecis costumavam ser uma casualidade - coisa de uma ou duas vezes por mês. Aí passou a acontecer com mais frequência, até chegar no ponto em que todo dia tem algum problema. 

E os motivos.. ah, os motivos! Folhas nos trilhos (JURO), trem quebrado, falta de funcionários e por aí vai. Eles tem até a cara de pau de falar que o trem tal está atrasado devido a atrasos que aconteceram mais cedo. JURO. 

Recentemente o problema dos trens tem ganhado um pouco mais de atenção da mídia (a Southeastern não é a única a tratar seus clientes como grandes imbecis). Afinal, como pode ser que um serviço tão caro (e que todo ano fica mais caro) seja tão xexelento? Além dos atrasos e cancelamentos os trens são velhos, sujos e não tem vagões suficiente para a demanda. É um deus nos acuda.

Mas (sim sim, tem um lado positivo!) pelo menos nós pobre coitados clientes da ShitOPS Southeastern podemos lamentar até não poder mais no Twitter. O Twitter tornou-se o principal canal para todo mundo meter a boca e também se informar sobre o que tá acontecendo. E também dar risada com o perfil-paródia @Se_Tranes (o perfil oficial da Southeastern é @Se_Railway e o perfil de paródia antes era @Se_Raleway - pegou, pegou? - mas por causa de uma denúncia 'anônima' ele foi tirado do ar e voltou como @Se_Tranes).

O @Se_Tranes é o melhor consolo quando estamos lá na estação em meio ao caos. Além de zombarem da incompetência da Southeastern, eles também respondem as pessoas que reclamam pro perfil oficial. É realmente hilário. Alguns dos meus tweets preferidos:











E temos também os tweets dos amigos usuários - olha, pelo menos a Southeastern serve pra isso, une as pessoas em torno do mesmo ódio:









Eu poderia postar centenas e centenas de tweets, mas deu pra entender né? Domingo a noite, além da deprê básica da semana de trabalho que vem pela frente, a gente já pensa 'certeza que amanhã de manhã vai ter trem atrasado...'

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Leituras (com atraso, de novo!): The General in His Labyrinth / Sejamos Todos Feministas

outubro 14, 2015 Helô Righetto 5 Comentários

Confesso que perdi um pouco o ânimo de postar sobre as minhas leituras aqui - assim que termino um livro coloco quase que imediatemente no Instagram, então fico com a sensação de chover no molhado na hora de escrever o post.

Outra coisa que parei de fazer (e só notei porque ontem fui olhar os posts antigos sobre livros) é comentar a história dos livros lidos. Acho que por pura preguiça, e também porque me falta intelecto literário.

Então, será que a vale a pena continuar registrando as leituras aqui? Alguém acha relevante?


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Outubro Rosa + Guia de Londres

outubro 11, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Meu envolvimento com o Cancer Research UK não é de hoje - ja falei bastante sobre essa instituição aqui no blog, que trabalha na pesquisa em busca da cura e tratamento do câncer. Se você acompanha o blog há mais tempo deve lembrar que eu fiz algumas arrecadações pra eles, geralmente relacionadas com as provas de corrida.

Como estamos em outubro, e há uns anos rola essa campanha Outubro Rosa (saiba mais sobre o que é isso clicando aqui), resolvi participar de uma forma diferente e fazer a arrecadação usando o meu Guia de Londres como gancho.

Então é assim: todo o dinheiro arrecadado com as vendas do Guia de Londres no mês de outubro (tanto o livro físico quanto a versão digital) através do Aprendiz de Viajante será doado para o Cancer Research UK.

Ou seja, você compra um produto muito legal e o seu dinheiro vai para uma causa ainda melhor. Mesmo que você não tenha planos de vir para Londres, pense que pode ser uma oportunidade pra aprender mais sobre a cidade, ou então presentear alguém que está com a viagem marcada.

Para saber mais informações sobre o conteúdo do guia e como você pode comprá-lo, clique aqui. O Guia de Londres também está a venda nas livrarias Blooks, Saraiva e Travessa, mas como a minha margem de ganho é baixa nesse caso, e não tenho total controle do processo de venda, essa ação só vale para os exemplares vendidos através do site Aprendiz de Viajante.

Então vai lá comprar o seu! O formato digital custa R$39,90 e o livro R$54,90 (entregamos em todo mundo)

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'Você tá muito melhor! Tô CHOCADA'

outubro 08, 2015 Helô Righetto 6 Comentários

*antes de começar o post, quero avisar que consultei minha equipe para assuntos aleatórios  -  eu precisava saber se era paranóia minha, exagero. Elas disseram que sim, então fiquei bastante na dúvida se postava a respeito, afinal minha fama de reclamona e rabugenta não é algo assim que me faz muito orgulhosa. Mas aí pensei, pensei, pensei e cheguei a conclusão: o que é esse blog senão meu muro das lamentações pessoal? Então é isso, engulam mais essa reclamação. 

Eu não fazia exercício há um tempo. Aí passei a fazer. Ou seja, o emagrecimento foi uma consequência natural. Ainda mais quando o exercício é algo que dá resultado rápido, como a corrida no meu caso. Não mudei minha alimentação, nem minha rotina. Apenas incluí a corrida, e aí perdi uns quilinhos.

Eu não voltei a correr com o intuito de emagrecer. Eu sabia que isso aconteceria, mas o que eu queria era ter um desafio pessoal e simplesmente mexer meu corpo depois de sentar o dia inteiro no escritório. E também fazer algo com o meu marido, pra gente compartilhar e curtir juntos. E deu certo. Como já falei aqui outras vezes a corrida vai bem, obrigada (escreverei mais sobre isso em breve).

Ok, mas vamos voltar ao emagrecimento. Eu nunca fui muito gorda, nem muito magra. Sempre oscilei, e confesso que nos meus 20 e poucos eu queria sim ser magrinha. Mas aí com o passar dos anos eu comecei a me importar menos e menos com isso e estava bem contente com que via no espelho. Pra mim, tava tudo ótimo.

Só que, recentemente, assim que eu e o Martin começamos a pegar mais pesado nas nossas corridas (mais longe, mais rápido), muitas (muitas mesmo, não é exagero) pessoas começaram a me falar o quanto elas estavam impressionadas com o fato de eu ter emagrecido. Amigas bem próximas, outras mais distantes. Gente que só tenho contato no Facebook e também colegas de trabalho. Até fulaninho que comentou com fulaninho que contou pra uma amiga que contou pra mim. Tudo bem, eu entendo que é um elogio, que (na maioria dos casos) as pessoas queriam me falar que eu estava bonita, e eu vi sim como algo positivo.

Mas tem elogios e elogios. Porque eu ouvi também alguns exageros, pessoas falando pra mim o quanto eu estou melhor e mais bonita, ou então falando o quanto estavam chocadas (juro, chocadas) com o tanto que eu emagreci.

Sério, chocadas? Primeiro que na balança eu não perdi tanto peso assim. Coisa de 3 quilos, talvez. Mas ok, eu sei que a corrida dá uma secada e define o corpo. Mas como eu falei, eu não estava infeliz antes. Fiquei sim incomodada com o fato de alguém falar que eu 'estou muito melhor'. As minhas gorduras parece que não tinham importância pra mim, mas pelo visto incomodavam os outros (fico até imaginando os cochichos: 'se ela perdesse uns quilinhos seria tão mais bonita....)

Essa semana, no trabalho, uma colega falou algo que me marcou muito: 'your body is a tool, not an ornament' (seu corpo é uma ferramenta, e não algo decorativo). Eu gostei tanto dessa frase, e caiu como uma luva pra esse post.

Fiquei meio passada com a obssessão do pessoal com a magreza e a imediata associação das palavras: 'magra' e 'melhor'. Ok, não é algo novo, mas é a primeira vez que eu senti na pele a obssessão das pessoas com o sonhado 'corpo perfeito'.

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10 anos

outubro 01, 2015 Helô Righetto 9 Comentários

Sabe quando os casais recém casados ou que estão para casar falam que o melhor conselho que já ouviram é que não se deve ir dormir brigado?

É mentira.

O meu conselho para se ter um casamento duradouro é: vá dormir e resolva depois. Amanhã a raiva terá diminuído e a vontade de dar um chute no saco do seu marido ou um soco no nariz será bem menor. Digo com propriedade, afinal hoje, 01/10/2015, completo 10 anos de casamento com o Martin.

Pra quem chegou nesse blog há menos de 10 anos, clique aqui e aqui para ver algumas fotos do nosso casamento, que foi o maior festão que esse Brasil já viu (mentira). Eu acho que a gente tá melhor agora, se você acha que não por favor não me fale.

10 anos... 10 anos!


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Run The River

setembro 28, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Há 2 semanas eu e o Martin participamos de mais uma prova de 10km - com a diferença que foi em um dia de semana e a noite, coisa bem fora do comum aqui.

O mais legal dessa corrida - que se chama Run The River - foi o percurso: pela beira do rio cruzando várias pontes, inclusive a Tower Bridge, por onde passamos logo após a largada e quase na chegada.

Foi muito bacana correr com o Tâmisa do lado quase todo tempo, e ainda mais legal foi ver a noite caindo e a cidade ficando iluminada. Teve um momento, quando passamos um desvio que nos tirou da beira do rio, que deparamos com a Tower Bridge 'acesa', foi um super incentivo pra dar um gás na metade final do percurso.

A parte ruim dessa corrida é que as ruas e calçadas não foram fechadas para os participantes, ou seja, tivemos que ir desviando dos turistas e do pessoal que estava voltando pra casa (a largada foi às 7 da noite). Até o Km 2, em alguns pontos tivemos que parar totalmente, pois o espaço pra passar não era largo o suficiente pra todo mundo, e isso acabou influenciando nosso resultado - logo esses dois primeiros quilômetros foram os piores pra gente, aumentando a média do nosso pace.

Mas conseguimos recuperar e completamos os 10k em 62 minutos, por pouco não batendo o nosso recorde de 61 minutos. Acho que na próxima (que já marcamos, será dia 7/11) vai dar pra baixar esse tempo um pouco mais, e quem sabe muito em breve fazer um 10k em menos de 60 minutos.

Agora tá chegando no fim a temporada de correr de shorts - hoje mesmo colocamos manga comprida pela primeira vez esse ano! Que venha o inverno, porque eu acho menos sofrido correr no frio do que no calor com o solzão na cabeça (juro!)

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Família tem começo?

setembro 23, 2015 Helô Righetto 10 Comentários

Tem uma expressão em inglês que me incomoda demais. 'Start a family'. Começar uma família - eu sei que isso existe em português também, mas não lembro de ser algo falado com tanta frequência como é aqui, significando que o casal quer ter (ou vai ter) filhos.

Sim, sim, sim, podem virar os olhinhos porque esse post é de reclamação.

Pode parecer coisa pouca pra você, mas pra mim significa muito. Esse tipo de 'banalidade', que tá tão enfiado no nosso dia a dia que a gente acha que não faz mal nenhum, pra mim são os piores. Porque, porra, desde quando você precisa ter filho pra ter uma família?

Aqui a turma costuma falar muito coisas do tipo: 'ah, eles estão procurando uma casa maior porque querem começar uma família' ou 'acho que eles não vão esperar muito pra começar uma família'. Amigos, novidade: eles já são uma família.

Odeio tanto, mas tanto, quando alguém anuncia gravidez falando 'agora não seremos um casal, e sim uma família'. Só se for a familia da propaganda de margarina né, que está longe de ser o ideal de vida de muita gente.

Eu sei que essa discussão de família vai ainda mais longe, e por isso mesmo que acho que é preciso sim falar de coisas que aparentemente não prejudicam nossa vida classe média.

Isso sem falar que família é uma continuidade - com filho, sem filho, com papel assinado ou escova de dente juntada, sob o mesmo teto ou casas separadas, de uma pessoa só, de três, de quinze, que seja. Eu não comecei uma família com o Martin, eu expandi a minha família 'nuclear', digamos assim. Mas vocês entenderam.

Liberem a família!

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Decoração de viagem

setembro 20, 2015 Helô Righetto 3 Comentários

Achei bem legal o resultado do vídeo sobre a minha coleção de globos de neve e então resolvi fazer outro, mas dessa vez mostrando outros souvenirs - além globinhos - que compro quando viajo. São objetos que uso na decoração da casa, como peças de cerâmica e quadros.

O vídeo faz parte da 'playlist' que eu e a Claudia criamos no canal do Aprendiz de Viajante no YouTube: 15 vídeos em 15 dias. Então, se você gosta de procrastinar, vai lá ver o que temos colocado no ar esses dias! 

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Não fale mal da minha casa

setembro 18, 2015 Helô Righetto 4 Comentários

'Nossa, não sei como vocês conseguem morar aqui', diz uma coleguinha de trabalho que estava visitando o escritório daqui de Londres dia desses. Essa não é a primeira nem será a última vez que ela fala isso. SEMPRE que ela vem pra cá (claro, sempre a trabalho, porque né, pra que ela viria pra Londres, essa cidade destestável?) solta uma reclamação - seja do metrô, das pessoas, da comida, do clima. 

Veja bem, ninguém precisa gostar de Londres. Você tem todo direito de não gostar, mas que tal medir as palavras? Eu moro aqui, essa é a minha casa. Acho muito ofensivo, ainda mais no caso dela, que já viveu aqui e conseguiu desenvolver sua carreira profissional graças aos contatos estabelecidos nessa cidade que ela tanto odeia. 

Mas ela não é a única. Tenho outra coleguinha que mora aqui e insiste em falar que não fez calor nenhum dia do verão, sempre resmugando e deixando claro que está aqui porque precisa evoluir profissionalmente, e na primeira oportunidade voltará para seu país de origem. Ela é italiana, eu entendo que a percepção é diferente, mas ela nunca está disposta a aceitar o clima londrino como ele é. E óbvio, quando está quente nunca está quente o suficiente pra ela. 'Não deu pra usar sandália nenhum dia!', ela afirmou categoricamente um dia desses. Eu tentei retrucar, lembrando dos dias que fez tanto calor que eu achei que fosse desmaiar na rua. Falei também dos vários almoços na pracinha que fizemos pra aproveitar o sol (que eu sempre faço questão de registrar no Instagram) - mas ela não deu o braço a torcer.

Eu jamais entraria na casa de alguém e falaria o quanto ela me decepcionou. Imagina? 'Nossa, não acredito que você mora nessa casa horrorosa'. Então, por favor, não fale mal da minha (que além de ser uma cidade INCRÍVEL é também uma fonte de renda). 


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5 mandamentos do usuário de metro em Londres - versão estação

setembro 12, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Veja também a versão 'dentro do vagão'

1. Não te aproximarás da linha amarela
A linha amarela não está ali pra adicionar um colorido na plataforma, está ali pra evitar fatalidades. E acredite: as fatalidades acontecem com frequência. A velocidade que os trens entram na estação não perdoa os desavisados e distraídos. E outra, você não quer ser lembrado como o cara que morreu e parou o metrô na hora do rush, quer?

2. Não ficarás parado em frente a catraca procurando teu bilhete
Tenha um compartimento de fácil acesso na bolsa para colocar seu bilhete do metrô, pois você corre o sério risco de levar um empurrão se resolver parar bem em frente a catraca para procurá-lo. As pessoas entram na estação decididas a chegar a plataforma o mais rápido possível, e nenhum turista desavisado deve atrasá-los (sarcasmo intencional). Dica extra: se por um acaso a catraca não abrir quando você passar seu bilhete, não se desespere - isso acontece bastante - e dê um passo pra trás e tente de novo. As máquinas também falham!

3. Não impedirás a saída das pessoas do vagão
O metrô não vai sair antes de você entrar, então se acalme e espere todo mundo sair antes de você colocar seu pézinho lá dentro. Deixe espaço para as pessoas saírem pelo meio e entre pelo canto, e ninguém sairá ferido.

4. Irás para as pontas da plataforma
Eu não consigo entender porque as pessoas se concentram num mesmo ponto da plataforma sendo que as pontas costumam estar livres - seria pura preguiça de andar um pouco mais? É algo tão óbvio, é só olhar para os lados e ver que pra conseguir um vagão mais vazio no metrô basta se deslocar até onde tem menos gente.

5. Não bloquearás o lado esquerdo da escada rolante
Eu sei que essa regra já não é mais exclusiva de Londres, e felizmente muitas outras cidades no mundo estão adotando a mesma prática (que não vale apenas para as estações do metrô, mas escadas rolantes em qualquer outro lugar), mas não custa nada lembrar: O LADO ESQUERDO DA ESCADA ROLANTE É PRA QUEM ESTÁ COM PRESSA, PORTANTO SE VOCÊ QUER FICAR PARADO, FIQUE QUIETINHO NO LADO DIREITO. Mesmo se eu estou com criança? Sim. Mesmo se eu estou com carrinho de bebê? Sim. Mesmo se eu estou carregando sacolas? Sim, dê um jeito.

Para ler todos os posts da série Top 5, clique aqui.

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Paris é uma festa

setembro 05, 2015 Helô Righetto 2 Comentários

Pelo menos é o que parece daqui de dentro do apartamento de 2 quartos e 1 banheiro que estou dividindo com outras 2 coleguinhas de trabalho durante esse fim de semana intenso de cobertura de feira e preparação de apresentação e reportagens.

Adivinha quem que ficou com o sofá cama na sala?


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Leitura: To Kill a Mockingbird, Harper Lee

agosto 31, 2015 Helô Righetto 1 Comentários

To Kill a Mockinbird é um clássico da literatura americana, mas que eu só vim a conhecer já mais velha, assistindo um episódio da série 'Everybody Loves Raymond' (quem mais adora essa?), pois é o livro preferido de uma das personagens.

Bom, há uns 2 anos eu comprei um exemplar e ficou na minha interminável fila da estante. Até que começou o burburinho do livro continuação, 'Got Set a Watchman', publicado só agora, décadas depois de ser escrito. Aqui em Londres o lançamento de Got Set a Watchman causou furor nas livrarias, com pessoas fazendo fila e livrarias abrindo as portas a meia noite para saciar a curiosidade dos ávidos fãs.

Então resolvi finalmente tirar 'To Kill a Mockingbird' da fila.

E entendi a devoção das pessoas, e entendi porque Atticus Finch é o personagem favorito de muita gente. É um livro maravilhoso, vou me abster de comentá-lo aqui, porque é amadorismo demais pra tamanha obra prima.

Claro que ja comprei 'Go Set a Watchman', e em breve devo começar a leitura.

Como é bom né? #tokillamockingbird #harperlee

A photo posted by Helô Righetto (@helorighetto) on

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Coleção de globos de neve

agosto 29, 2015 Helô Righetto 2 Comentários

Lá no Instagram eu sempre posto foto dos globos de neve que compro em viagens, e volta e meia alguém me pergunta onde eu guardo eles, como comecei a coleção, quantos eu tenho... Então um dia tive uma ideia ~brilhante~ e resolvi fazer um vídeo.

O resultado está aí - ficou longo (20 minutos), mas tentei ser o mais breve possível! Contei do início da coleção, mostrei meus preferidos e também os mais cafonas : )

(O vídeo faz parte do canal do Aprendiz de Viajante no YouTube, segue a gente lá!)

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Última escapada do verão

agosto 24, 2015 Helô Righetto 0 Comentários

Aproveitamos os míseros dias que nos sobraram de férias esse ano para mais uma vez ir para o País de Gales. Olha, cada visita ao amado país vizinho é mais surpreendente do que a anterior!

Conhecemos uma parte da região conhecida como Snowdonia (onde fica o Snowdon, montanha mais alta do País de Gales e Inglaterra, e agora conquistada por nós, já que fomos até o topo!) e também da ilha de Anglesey.

Choveu, fez frio e ventou muito. Mas nada que a roupa impermeável (preparação é alma do negócio) não aguentasse. Tiramos de letra!


As fotos são do meu Instagram. Também postei bastante no Snapchat (helorighetto) mas né, agora já não dá mais pra ver : )

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Esse Vuillard é seu?

agosto 17, 2015 Helô Righetto 2 Comentários

Todo mundo tem um sonho, desses assim bem impossíveis - o meu é um dia me deparar com uma obra de arte 'perdida' em uma loja de antiguidades (alô Junk Shop) ou um mercado de pulgas. Eu fico imaginando o momento em que vou bater os olhos em um quadro jogado num canto qualquer, meio quebrado, e que vou me interessar por ele e ele vau custar uma barganha e depois de um tempo vou descobrir que estou rica afinal esse era o quadro perdido do Picasso.

Aparentemente eu não tenho mais o que fazer do que criar essas fantasias...

Mas enfim, por isso que eu gosto do programa Fake or Fortune da BBC, que materializa esse meu sonho. Um trio de especialistas tenta provar a autenticidade de várias obras de arte (mas nem em todas as vezes tiveram sucesso), que por um motivo ou outro acabaram esquecidas dos catálogos oficiais ou não tinham a documentação essencial para confirmar a procedência.


Ontem assistimos um capítulo do Fake or Fortune sobre uma obra do Edouard Vuillard, um pintor Pós Impressionista. A pessoa comprou o quadro num leilão desses bem comuns aqui na Inglaterra, que vendem antiguidades e quinquilharias, por 11 mil libras. Ele sabia que havia problemas pra provar a procedência, mas tentou a sorte e mesmo assim arrematou. Long story short, os especialistas do programa conseguiram provar que o quadro foi realmente pintado por Vuillard e agora o dito cujo vale centenas de milhares de libras.

Mas o mais interessante é que o quadro foi pintado para fazer parte de uma composição, sendo que um deles é sabido onde está (nunca houve dúvidas sobre sua autenticidade, pertence a um colecionador privado) e o outro.... foi vendido no Ebay por 3 mil libras.

Pois é... ao provar a autenticidade do quadro que 'participou' do programa, eles meio que provaram a desse terceiro quadro também, pois eles estavam sempre juntos. E a última coisa que se sabe é que esse terceiro quadro foi vendido através do Ebay, ainda mais barato que o do leilão! Ninguém conseguiu descobrir pra quem foi vendido, então existe alguém por aí com mais dinheiro no bolso do que acha que tem.

Dá uma olhada na imagem abaixo: foi você que comprou essa belezura num dia que estava entediado olhando as ofertas do Ebay?




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O café vale a pena

agosto 14, 2015 Helô Righetto 3 Comentários

Há alguns anos que as minhas viagens de férias não são 100% a lazer. Todas elas acabam sendo 'para o blog' também, desde que eu comecei a colaborar ativamente com o Aprendiz de Viajante. Outro dia uma amiga me perguntou se isso é algo que me atrapalha - ela queria saber, por exemplo, se eu conseguia curtir mesmo as férias ou já ficava pensando nos futuros posts. Como eu já falei diversas vezes, eu consigo me desligar totalmente de tudo que é relativo a trabalho (e o blog é sim meu trabalho também, apenas não é meu principal provedor financeiro - quem sabe um dia?), e apesar de ter ideias para os posts durante as viagens, não fico estressada.

Enfim. Essa introdução meio nada a ver para falar de outra coisa relacionada a viagens: o equilíbrio entre amar viajar e curtir a vida 'normal'. A minha amiga Liliana escreveu sobre isso há um tempo, e achei válido falar sobre o assunto por aqui também, porque me dá um nervoso quando leio textos com 'dicas' absurdas para economizar para viajar mais.

Vamos por partes: vale a pena economizar pra viajar? Vale.

Vale a pena não fazer mais nada pra guardar todo e qualquer centavo para viajar? Não.

Olha, eu tenho meu peixe pra vender mas nem por isso acho sensato falar pra você não tomar um café no Starbucks, porque esses £2.5 que você gasta em um dia poderiam te ajudar a dar um passo em direção ao aeroporto. Também acho que sim, você deveria comprar a bolsa/calça/sapato/brinco que você quiser, sem ficar pensando que esse dinheiro poderia pagar uma diária no hotel.

Eu acho que os prazeres do dia a dia - por mais classe média que meus prazeres sejam - são uma grande contribuição pra minha sanidade e felicidade. Já não é fácil acordar cedo, trabalhar o dia todo e sonhar com trabalho (quem nunca?) a noite, então imagino que seja ainda mais chato fazer tudo isso apenas com um grande e único objetivo na vida - viajar.

Já cheguei a ler conselhos do tipo 'volte a morar com os seus pais por um tempo', e também vi um link no twitter para um post entitulado 'como viajar quando você tem dívidas' (me recusei a ler o post, porque afinal a resposta pra mim é óbvia nesse caso) - coisas que transformam a existência de qualquer pessoa em algo insuportável quando não está viajando.

Eu sei que existem dicas incríveis para gastar menos em viagens, ou para guardar dinheiro pra viajar - aliás lá no Aprendiz a gente escreve bastante sobre isso. Espero que eu tenha deixado claro aqui o meu ponto de vista: viajar é maravilhoso, mas pegar um café no Starbucks antes de ir pro escritório (e não morar com os pais) é muito bom também.

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The burden of proof

agosto 10, 2015 Helô Righetto 11 Comentários

'The burden of proof lies with the prosecution. The defendant doesn't have to prove his innocence'

Minha breve - porém intensa - incursão no mundo da corte criminal britânica chegou ao fim hoje. Como eu prestei mais de 10 dias úteis (11 no total), o que é mais do que a média, só podem me chamar de novo daqui a 10 anos. Pode parecer exagero, mas o desgaste emocional desses últimos dias foi algo que nunca experimentei antes.

Me senti muito ansiosa, muito feliz, impaciente, indecisa, estressada, triste, decidida, confusa e aliviada - nada que eu não tenha sentido antes, mas em doses cavalares e dentro desse curto espaço de tempo. Acho que a sensação final é de dever cumprido - paguei boa parte da minha cota para o andamento do mundo civilizado e me sinto recompensada.

Porém, estou contente de ter atravessado de volta o portal que me transportou pra esse mundo paralelo de 'caros colegas', evidências, termos complicados, depoimentos traumatizantes, esperas extenuantes e salas da onde você não pode sair até tomar uma decisão.

Ah, e tudo isso sem contar outra coisa crucial: a convivência obrigatória com pessoas que você nunca viu na vida, e com as quais você precisa decidir o futuro de outra pessoa. Uma ótima oportunidade para conhecer gente que pensa igual a você e divide os mesmos princípios morais, mas também de topar com idiotas que estão mais interessados em ir pra casa do que levar a sério um caso criminal, ou então que tomam uma decisão assim que colocam os olhos no réu (tambem conhecidos como racistas).

Meu pai ficará contente em saber que aprendi muito com os dois juízes que trabalharam nos dois julgamentos que participei. A gente sempre ouviu falar que todo mundo é inocente até que se prove o contrário, certo? Imagino que todo mundo conheça essa expressão. Mas eu só me dei conta da sua importância quando sentei no banco do juri pela primeira vez, e me foi explicado que o réu que ali estava não precisaria provar sua inocência - quem tem que provar algo é a acusação.

E, por mais óbvio que isso soe, toda história tem dois lados. Por isso, agora eu entendo perfeitamente que não podemos tirar conclusão alguma quando vemos algum caso no noticiário, por mais evidente que o caso pareça. TODA HISTÓRIA TEM DOIS LADOS. Se há dúvida, não há culpa. E amigos, acreditem em mim: há muita mentira, portanto há muita dúvida.

Eu nunquinha que vou esquecer os nomes e rostos das pessoas envolvidas nos casos que eu julguei. Não apenas os réus, mas tambem os familiares e amigos que assistiam da galeria, ou as testemunhas que são obrigadas a contar os detalhes mais podres de suas vidas, aqueles que a gente jamais imagina revelar em público. Nunca vai sair da minha mente o choro de alívio do primeiro réu e o abraço que ele recebeu da sua família quando declaramos 'not guilty' - quanto ao segundo réu, o caso ainda está em curso (não chegamos a um veredito unânime e nem uma maioria, portanto fomos dispensados), por isso não posso falar nada aqui.

Mas posso falar que nos últimos dias eu li transcrições de longos depoimentos a polícia, ouvi diversas vezes a gravação de uma ligação para o serviço de emergência e examinei um martelo embrulhado em um saco plástico.

Como eu falei lá em cima, estou feliz de ter voltado desse mundo paralelo. De repente a rotina do escritório, das corridas, dos afazeres domésticos e da vida social ficou muito mais atraente do que o vaivém nas salas ou muito quentes ou muito geladas da corte criminal de Londres.

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