Tudo que você gostaria de saber sobre hiking na Inglaterra

julho 12, 2020 Helô Righetto 0 Comentários


Você viu uma foto de um hiking que eu fiz no Instagram. Ou chegou aqui porque procurou informações sobre como fazer uma trilha perto de Londres. Ok, vou te falar tudo que você precisa saber!

Ok, não necessariamente tudo que você queria saber, mas tudo que eu sei. Como as perguntas aparecem repetidamente no Instagram toda vez que vou fazer uma trilha, achei que valeria a pena documentar aqui e assim direcionar quem se interessa em começar a fazer essa ativida pra cá. Farei o possível (leia-se: farei quando não estiver com preguiça) para manter esse post atualizado, mas também conto com a proatividade dos leitores para conferir informações.

Vou organizar esse post em forma de 'respostas para perguntas frequentes' mas as vezes a mesma resposta pode ser usada para perguntas diferentes. Então por favor leia tudo antes de deixar um comentário ou me mandar uma mensagem no Instagram. É muito provável que sua pergunta já tenha sido respondida.

1. Onde você acha as trilhas?
No site Saturday Walkers Club, mas existem vários guias impressos (e acredito que em formato de ebook também) disponíveis por aí. Existem guias por região/county our por tema (como por exemplo trilhas que tenham oportunidade para nadar, seja em lago, rio ou praia). Eu uso o SWC simplesmente porque estou acostumada e tem bastante coisa lá.

2. Mas tem muita coisa nesse site, como eu acho uma trilha que seja boa pra mim?
Use a busca. Coloque a região onde você quer fazer sua trilha (por exemplo, se você mora no Southeast de Londres, é muito mais fácil pegar um trem ou dirigir para Kent ou Sussex, mas se você mora no oeste vai ser mais fácil ir para Surrey ou Berkshire.

3. E como eu vou saber se a trilha é difícil?
Simplesmente leia a descrição dela. Nesse site que eu indiquei, toda trilha é classificada de 1 a 10, e também no começo tem escrito a quilometragem. Então se você não tem certeza se vai aguentar ou quer só ter um gostinho, pra ver como é, encontre uma trilha que seja até 5/10 com uma quilometragem de no máximo 15km, por exemplo. Se você quer experimentar já de cara algo mais pesado, busque as trilhas a partir de 6/10 e que chegam perto dos 20km. Com o tempo, você vai conseguir identificar mais rápido se aquela trilha é ou não é boa pra você.

Muita gente me manda mensagem pedindo que eu recomende uma trilha, e eu acho essa uma tarefa difícil, já que o que cada pessoa tem sua própria noção do que é fácil ou difícil. Vamos ser honestos? Você percebe que dá um certo trabalho procurar uma trilha legal e pergunta pra mim, né?

4. Posso levar crianças na trilha?
Poder, pode. Sempre vejo famílias com crianças cruzando nosso caminho, mas o que não posso saber é se aquelas pessoas estão fazendo exatamente a mesma trilha que eu ou se apenas coincidiu algum trecho. Você conhece seus filhos melhor do que ninguém e sabe se eles vão aguentar fisicamente e se se interessam por natureza. Vejo mães e pais carregando crianças bem pequenas naquelas mochilas apropriadas para isso, ou crianças já mais velhas andando num ritmo ótimo, mas por exemplo, nunca vi ninguém passando com carrinho nos trechos que passam por fazendas ou nas subidas por caminhos de terra.

5. Você vai de carro? Ou de trem? Quanto tempo de viagem?
Costumamos ir de trem. Todas as trilhas que fazemos como bate-volta de Londres começam em estações de trem. E geralmente (mas não sempre) o próprio nome da trilha é o nome da estação onde ela começa e termina, tanto no caso das trilhas circulares (que começam e terminam no mesmo ponto) como as que começam e terminam em pontos diferentes. Por exemplo: Robertsbridge Circular, Seaford to Eastbourne).

Preferimos fazer trilhas que comecem/terminem em pontos cuja viagem de trem ou carro não seja superior a 2 horas, mas isso é uma preferência pessoal. Você pode acordar bem mais cedo e fazer uma viagem mais longa. Lembre-se de verificar a frequência dos trens com antecedência!

Aliás, a estação de trem é outro critério pra eu escolher a trilha que farei. Isso porque pra mim é muito mais fácil pegar um trem em London Bridge do que em Paddington.

Se você for de carro (o que a gente começou a fazer durante o período da quarentena do coronavirus na Inglaterra), também verifique com antecedência onde dá pra estacionar, e é claro, lembre-se de escolher uma trilha circular (a não ser que você esteja disposto a pegar um trem no final para voltar ao ponto inicial da trilha e buscar seu carro - é tudo uma questão de logística.

6. O que você leva para comer na trilha?
Eu levo: sanduíche ou uma daquelas saladas prontas que vendem no supermercado, ovos cozidos e alguma fruta. E, é claro, muita água.

7. O que mais você leva na sua mochila?
Saco de lixo, álcool gel, power bank, canivete multiuso, documento, dinheiro, papel higiênico (eu parei de usar papel quando uma amiga me apresentou o Kula Cloth), capa de chuva (independente da previsão do tempo ou época do ano).

8. E se der vontade de ir no banheiro no meio da trilha quando não tem nenhum pub ou café a vista?
O mato taí pra isso. E é por isso que você precisa levar papel e um saco de lixo. Ache um cantinho e faça o que você precisa fazer - mas não faça perto de água corrente, e se for fazer cocô, enterre!

9. Que roupa você aconselha usar? Posso fazer de calça jeans e All-Star?
Poder pode. E se você nunca fez trilha ou fará esporadicamente, nem acho que você deva comprar um super equipamento. Use o que você tem (e calça jeans é até melhor do que calça de moletom): uma legging, tênis de corrida, qualquer camiseta. Quanto mais trilhas você fizer, mais entenderá a importância da roupa apropriada, que te proteja do vento, da chuva e da lama.

Eu por muito tempo comprei a roupa mais barata, e não conseguia me conformar que tinha uma calça de 30 libras e outra de 100. Não que você deva comprar a mais cara, mas não compre a mais barata: com certeza ela não tem proteção de chuva (e ficar encharcado na trilha é uó) e o tecido vai rasgar no primeiro arbusto que enroscar. Hoje em dia eu tenho roupas de qualidade superior e que foram bem caras sim, mas como eu uso muito e preciso que elas durem muito, vale a pena pra mim. Principalmente capa de chuva.

No inverno, use blusa de fleece ou casaco 'down jacket' (ou os dois) e, caso você seja bem sensível ao frio, uma calça apropriada para a ocasião (com fleece por dentro) ou um 'minhocão' de lã merino.

Sobre o calçado: dá pra fazer a trilha com tênis sim. E a questão da lama/sujeira nem é a mais importante. O problema é que um tênis não vai te proteger de uma topada e nem vai manter teu pé seco. Ou impedir que você torça o tornozelo se der uma viradinha no pé (e o terreno em um trilha varia muito, de campo e fazenda a subidas no meio do mato).

10. Qual a marca da sua bota de hiking? Você recomenda?
Salomon. Sim.

11. Que loja que é boa pra comprar equipamento de hiking aqui na Inglaterra?
Mountain Warehouse, Ellis Brigham, Cotswold.

12. Você usa walking sticks?
Eu tenho walking sticks e uso eles em trilhas mais de aventura, como foi na Islândia e no Kilimanjaro, mas não costumo usar nas trilhas que faço aqui de bate-volta, pelo simples fato que tenho preguiça de carregar. Muitas vezes tô no meio da trilha e me arrependo de não ter levado, porque elas ajudam muito a aliviar o peso no joelho e na coluna tanto em subidas como em descidas. Tem quem deteste walking sticks, então você precisa testar mesmo.

13. O que você vê nos hikings?
Antes de tudo, você precisa alinhar suas expectativas. A Inglaterra não é um país com montanhas altas ou paisagens inóspitas - espere ver muita floresta, fazendas e vilarejos. A maior parte das trilhas que faço tem um pouco dessas três coisas, além de invariavelmente passarem por algum lugar histórico, seja uma ruína ou um palacete mantido pelo National Trust.

Uma mesma trilha pode ter uma cara bem diferente dependendo da época do ano que você vai. Em abril e maio, você certamente verá bluebells, ou campos de rapeseed. No verão, estará tudo verdinho e lá por agosto você vai ver muitas frutinhas silvestres e macieiras carregadas quando passar por campos. No outono, tudo em tons de laranja. E no inverno, muito 'frost', árvores peladas e campos vazios. Cada estação tem sua beleza.

14. Tem outras pessoas na trilha?
Sim. Mas raramente muitas ao mesmo tempo. Se a trilha passa por um parque ou por um monumento histórico, mas redondezas você vai cruzar com bastante gente que está passeando por ali. Mas em campos, fazendas e florestas esses encontros são menos frequentes. Existem dois principais tipos de pessoas andando por essas bandas: hikers como você e locais dando uma caminhada em sua vizinhança, muitas vezes levando o cachorro pra passear.

15. As trilhas são muito remotas? Corro o risco de me perder ou não ter sinal de celular?
Uma coisa é fazer uma trilha nas Highlands escocesas. Outra é fazer uma trilha em Kent. Você nunca estará muito longe de uma vila ou uma estrada. Raros os momentos que você fica sem sinal de celular. E isso é o mais interessante: ter momentos de paz e silêncio e solitude sem estar muito longe da civilização.

16. Como você faz pra não se perder?
Duas coisas: eu baixo o pdf do passo a passo da trilha e também o mapa, que você pode baixar em GPX ou KML, que você pode transferir para aplicativos e se guiar pelo celular. Na trilha escolhida no site SWC, esses mapas estão disponíveis na aba GPS, e o passo a passo na aba Download Walk.

17. Dá pra fazer hiking qualquer época do ano?
Sim. Como não temos inverno rigoroso por aqui, não precisamos nos preocupar com neve na trilha. Mas é preciso se preocupar com a quilometragem x época do ano. Por exemplo, deixe as trilhas mais compridas para fazer no verão, quando anoitece bem tarde, e as curtas para fazer no inverno pois anoitece muito cedo.

18. Tem animais nas trilhas?
Quase toda trilha passa por algum campo onde vacas ou carneiros estão soltos, 'grazing', principalmente no verão. Já nas florestas você pode se deparar com coelhos ou esquilos. E muitos passarinhos, mas só. Claro que nem preciso falar para deixar todos os bichos em paz e não alimentá-los né? Quando passar por fazendas e campos com animais soltos, não tenha medo, mas também não atormente os coitados.

19. Ué, mas pode entrar em propriedade privada?
Aqui na Inglaterra existe uma coisa chamada Right of Way. E muitas propriedades privadas são obrigadas a manterem passagens públicas. Então sim, quando uma trilha te bota num campo ou numa fazenda, você não está invadindo nada. Está de passagem e dentro da lei.

20. Pode levar cachorro?
Pode, mas respeite as placas que pedem para usar coleira em áreas com animais que estão 'grazing'. E pelamordadeusa recolha o cocô do seu cachorro. Infelizmente sempre nos deparamos com saquinhos de cocô de cahorro pelo caminho (sério, quem se incomoda de colher o cocô e botar no saquinho e deixar o saquinho lá?)

21. Pode fazer fogueira ou acender meu fogareiro que uso no camping pra fazer comida?
Não.

22. Posso acampar e dormir em qualquer lugar na trilha?
Não. É proibido fazer wild camping na Inglaterra.

23. Você já fez trilha sozinha?
Não, e não tenho vontade de fazer. Mas isso vai de cada um. Eu gosto de fazer essas trilhas na companhia do Martin (e vez ou outra de algum amigo) e é sempre bom ter mais alguém pra garantir a segurança - é improvável, mas vai que alguém torce o pé ou se sinta mal?

24. Mas qual o propósito de fazer trilha? Andar e pronto?
Pra mim, o exercício e o estar no meio da natureza. No momento, fazer trilha é o único momento que consigo não pensar em nada. Gosto de passar por cantinhos que não estão em guias turísticos e que você só consegue chegar a pé.

25. Rola almoçar em um pub?
Rola. Praticamente todas a trilhas indicadas no site tem uma sugestão de parada pro almoço. Eu costumava fazer isso, mas percebi que pra mim o importante era estar no mato e comer qualquer coisa. A parada no pub é geralmente demorada e pode adicionar até 2 horas na programação. Ah, e mesmo que você faça questão de comer no pub, mesmo assim leve algo pra petiscar na mochila. Nunca se sabe se o pub estará cheio ou fechado. O site costuma atualizar as coordenadas e informações de cada trilha, mas pode acontecer de alguma coisa ter sido deixada pra trás.

26. Tem cada flor bonitinha... posso pegar uma?
Olha, poder até pode. É permitido colher flores do campo (em área que não está designada para conservação), mas não pode colher pela raiz, apenas a flor mesmo. Mas... será que precisa? Deixa lá pras outras pessoas apreciarem também!

27. Mais alguma coisa que eu preciso saber?
Sim! Nunca deixe um portão aberto (a não ser que ele já esteja aberto quando você passou), recolha seu lixo, não deixe seu cachorro interagir com a vida silvestre e com os animais de fazenda, tome água, use roupa adequada, leve o mapa e instruções.

Ah, isso é um stile, isso é um kissing gate, isso é um field gate.

28. Posso usar essas dicas para trilhas na Escócia e em Gales?
Pode. Mas seja muito mais cuidadoso em relação a mapa e instruções. Nesses lugares é mais provável que você perca o sinal do celular. Então leve comida e água extra.

29. Tenho só uma semana pra conhecer Londres. Vale a pena usar um dia pra fazer hiking?
Vale. Se você quer passar por um lugar que não está em nenhum guia turístico, se você curte natureza ou se você quer ter uma noção do que realmente é a Inglaterra, faça sim!

30. Por favorzinho, fala uma trilha que você gostou fazer.
Sevenoaks circular, Robertsbridge circular, Box Hill to Leatherhead, Cuxton to Sole Street.


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Semana 8

maio 11, 2020 Helô Righetto 0 Comentários


Das coisas que escrevi que quero fazer assim que possivel (post anterior), uma delas sera feita nos proximos dias: hiking.

Com algumas adaptacoes, claro - vamos de carro em vez de usar o trem (e por isso teremos que fazer uma rota circular). Bom, acho que essa eh a unica adaptacao, na verdade. Como nas trilhas raramente acontece de encontrarmos um acumulo de pessoas (cruzamos com um outro, eh verdade, mas tambem passamos horas sem ver ninguem), imagino que sera tranquilo.

O saco cheio de trabalhar em casa agora eh real e estou louca pra poder voltar ao escritorio, o que nao deve acontecer nos proximos 2 meses, pelo menos. Vai saber se voltaremos esse ano.

Enquanto isso continuo aqui pensando nas mil combinacoes de roupas que vou fazer quando finalmente sair de casa sem ser pra ir ao supermercado ou dar uma volta no parque. Acho que vou usar roupa de festa pra ir trabalhar ou ir em um restaurante.

Mas uma coisa de cada vez. Primeiro, o hiking no fim de semana que vem.

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Semana 7

maio 02, 2020 Helô Righetto 0 Comentários


Amanhã começa a sétima semana do confinamento. Apesar do primeiro ministro ter declarado que já passamos do pico, os números de mortes e doentes continuam muito altos. Nosso confinamento é bastante relaxado se comparado a outros países, e esse 'pós pico' é ainda bastante irregular. Prevejo que ainda estaremos fazendo exatamente a mesma coisa que estamos fazendo agora daqui a um mês. A coisa aqui vai longe.

Hoje éramos para estarmos na Isle of Wight, participando de um desafio de caminhada de 52 kilômetros. Confesso que não é tão ruim estar em casa de pernas pro ar se comparar com a dor que eu estaria sentindo agora nos meus pés e nos meus quadris se estivesse caminhado tudo isso. Ficou pro ano que vem, veremos.

Esses dias tenho pensado que estar em casa com o Martin todos os dias o dia todo tem sido bastante tranquilo. Apesar de dividirmos a mesa de jantar e estarmos muito próximos o tempo todo, cada um fica na sua - mesmo nos momentos de procrastinação. Por sorte, Martin est;a quase sempr disposto a levantar e fazer um café quando eu peço.

Queria deixar anotado aqui a listinha de coisas que quero fazer quando o confinamento acabar - sei lá se vai acabar, mas quando for possível fazer tais coisas:

  • Hiking
  • Ir no pub - e tomar uma Pimm's se ainda estiver na época
  • Ver as amigas
  • Fazer um jantar de aniversário aqui em casa
  • Ir num escape room
  • Ir no rooftop perto do escritório na hora do almoço em um dia de sol
  • Fazer um happy hour com as colegas do trabalho
  • Ir no pilates
  • Ir no spinning
  • Varias bastante as roupas que uso pra ir trabalhar
  • Organizar uma nova data pro tour da Jane Austen
Vou ver se lembro de escrever aqui no blog quando foi possível fazer cada uma dessas coisas. 


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Semana 6

abril 28, 2020 Helô Righetto 0 Comentários


Alo futuros leitores! Escrevo esse post na semana 6 de confinamento aqui em Londres. Continuamos em casa, Martin e eu, trabalhando da mesa de jantar.

Uma das coisas que pra mim foi mais dificil nessa fase foi continuar a me exercitar. Desde o ano passado eu havia finalmente encontrado uma rotina para substituir a corrida - coisa que ja nao estava achando interessante. Estava indo no pilates e nas aulas de spinning, adorando ambas. Entao, quando comecou a quarentena, pensei que o mais facil seria voltar a correr: aqui podemos sair pra nos exercitar (o confinamento nao eh tao rigido como na Espanha ena Italia), o parque esta do lado de casa e basta trocar de roupa assim que desligar o computador.

E fui correr. O retorno foi ate mais facil do que eu achava, consegui fazer 5km sem dramas. Achei que a empolgacao com a corrid voltaria, mas nao voltou. Tentei, tentei, tentei. E sim, ir ao parque no fim do dia eh maravilhoso, faz um bem danado, mas correr me tira o bom humor. Entao decidi apenas caminhar, e deixar o exercicio pesado pra dentro de casa mesmo.

O que me trouxe outro problema (#ClasseMediaSofre): os apps de exercicio sao chatissimos, roboticos. Fiz, mas nao achei bacana. Entao, semana passada, minha colega de trabalho indicou uma aula ao vivo de aerobica de uama amiga dela, e entendi que pra mim o que da mais efeito eh esse tipo de coisa: com gente de verdade falando com voce, com musica, com afeto ate, diria eu.

Achei tambem uma aula de danca no Youtube, e me inscrevi no canal de exercicios da academia onde faco spinning - os professores sao os treinadores de spinning e fazem os exercicios de suas casas - nao foi gravado para app, foi gravado para essa situacao.

Entao, por enquanto, acho que o problema esta contornado. Mas realmente nao vejo a hora de voltar pras academias e realmente separar o dia de trabalho da vida pessoal. O escritorio + academia + restaurante em casa eh o que mais me incomoda!

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Pandemia

março 23, 2020 Helô Righetto 0 Comentários


Não dava pra passar por uma pandemia sem registrar nesse blog. Fico pensando se as pessoas no futuro vão estudar 2020 como a gente estudou os anos da peste bubônica (século 14). Infelizmente não é nesse blog que as pessoas do futuro acharão alguma informação útil.

Aqui nesse blog as pessoas só vão saber que eu e o Martin estamos trabalhando de casa (desde que voltamos de férias do Brasil dia 19/3), que transformamos nossa mesa de jantar em escritório (cada um de um lado), que voltamos a correr porque as academias estão fechadas mas os parques ainda não (podemos sair uma vez por dia para fazer exercício, apenas acompanhados um do outro e é claro sem nos aproximarmos de ninguém), que temos cerca de 15 rolos de papel higiênico (o que deve durar mais ou menos um mês), que estamos também bem abastecidos de comida (pelo menos por enquanto), mas não tem como não sair dia sim dia não pra comprar frutas e verduras frescas, e que é difícil pra caramba não comer chocolate o dia inteiro.

Quem diria que eu teria saudade de pegar o trem lotado e atrasado, e não tem nem uma semana que estamos nessa. A primavera começou e possivelmente não veremos os campos de bluebells e rapeseeds que vemos quando fazemos trilhas, e não colheremos o delicioso wild garlic que cresce como mato e é uma delícia pra fazer molho pesto.

Que tudo isso passe antes dos meus 40 anos, data que está planejada para acontecer em um hotel escolhido a dedo numa ilha grega. É só isso que eu tenho a falar pras pessoas do futuro.

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Quando foi que me tornei essa pessoa?

janeiro 03, 2020 Helô Righetto 2 Comentários


Em um desses dias entre Natal e ano novo - quando temos a sorte de trabalhar em algum lugar que entra em recesso - estava afundada no sofa da sala procurando algo pra assistir na TV. Nao nao, nada de Netflix, nao queria ter que prestar atencao em legendas ou fazer qualquer tipo de esforco intelectual. Entao procurei na TV aberta mesmo, e a oferta era a de sempre: reality shows, seriados antigos, reprises de filmes ruins demais ate mesmo pro intelecto em recesso. Ate que me deparo com a transmissao do 'percurso de trem mais lindo do mundo, minuto a minuto'.

O programa era exatamente isso: algumas cameras fixadas em diferentes partes do trem (o percurso, a titulo de curiosidade, eh na Escocia) mostrando toda a paisagem pelo caminho e eventualmente a cabine do condutor (e do rapaz colocando carvao para gerar energia).

E nao eh que eu tenha pensado 'ah, ok, vou deixar isso de fundo ja que nao tem mais nada passando'. Nao, nao. Eu pensei: QUE COISA MARAVILHOSA TOMARA QUE ESSE PERCURSO TENHA UMAS 5 HORAS. Eu fiquei EMPOLGADA pra assistir o percurso de trem.

Essa, caros leitores, sou eu aos 39 anos e meio.

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