quarta-feira, 27 de agosto de 2014

10 anos. DEZ anos.

Parabéns pra esse blog, nessa data querida!

10 anos que ele existe - 2217 posts (incluindo esse), 6157 comentários, um monte de amigos, alguns poucos desafetos. Diversos momentos marcantes, como formaturas (incluindo a minha), casamentos (incluindo o meu), mudanças (de apartamento ou de país), viagens (que agora aparecem mais em outro blog). E muita conversa pra jogar fora, que, vamos combinar, é o mais divertido.

É tão estranho pensar que o Martin escrevia aqui, que uma menina que achou meu blog por acaso e me mandou email em 2009 pedindo dica de onde fazer balé em Londres é hoje uma das minhas melhores amigas, que outra menina que me parou na estação de Canary Wharf, também em 2009, também é hoje uma das minhas melhores amigas.

Adoro saber que outras melhores amigas (ainda bem, tenho várias!), que estão a um oceano de distância, vem aqui procurar notícias minhas. A gente tem whatsapp, tem skype, tem email, mas elas mesmo assim me visitam nessa casinha virtual.

Apesar do silêncio de ultimamente, esse blog continua firme e forte. Afinal, onde mais posso encontrar um registro tão autêntico do que tem acontecido comigo desde 2004? Muitas vezes, relendo posts antigos, me sobre uma vergonha imensa e fico perto de deletar alguns desses posts. Será que daqui a 10 anos eu sentirei a mesma coisa em relação ao que estou escrevendo hoje?

O blog dirá!

(e fica aqui a deixa pra quem lê esse blog - desde 2004 ou desde hoje - dar um oi nos comentários e contar como chegou até aqui. Golpe baixo pra ganhar comentários? Sim, diz a blogueira carente)

domingo, 17 de agosto de 2014

Exposição: Matisse Cut Outs na Tate Modern

Mais uma exposição brilhante na Tate Modern, mas que infelizmente já está acabando (vai até o dia 7 de setembro): as montagens com recortes de Matisse.

É incrível poder ver como o artista estudava suas composições utizando recortes de papel pintado (ele inclusive chegou a projetar o interior de uma capela dessa forma), e algumas das obras são tão grandes e detalhadas que parecem ter dado mais trabalho que as pinturas.

Eu fui com uma amiga do trabalho que adora estudar composições de cores (ela é daquelas pessoas que sabe dar nome para tonalidades das cores), e foi legal notar algumas nuances e sobreposições utilizadas nos obras.

Aconselho comprar seu ingresso pelo site com antecedência, pois a exposição está bastante popular e chegando nas últimas semanas (o que deve gerar filas na bilheteria). Eu aproveitei a oportunidade para usar meu 'membership' pela primeira vez! Sem filas!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

5 coisas que você vai ter na sua casa quando se mudar para Londres

1. Varal portátil: como já falei em um post antigo, a maioria dos apartamentos e casas em Londres não tem área de serviço. Sua máquina de lavar roupa vai ficar ou no banheiro ou na cozinha, e talvez exista um armário em algum canto da casa pra guardar aquelas coisas que não ficam em nenhum outro lugar, como vassoura, balde e árvore de natal artificial.

Então sua primeira compra para casa em Londres certamente será um varal portátil, desses que a gente guarda embaixo da cama ou atrás da porta e 'desdobra' em qualquer canto da casa. No começo todo mundo tenta esconder o varal das visitas, mas passa um tempo e você ja nem liga muito. Apesar de portátil, o famigerado varal vira mobília fixa.

2. Produtos de limpeza pra tirar as 'manchas' de água do box: se você não tem ideia do que é 'água dura', pode ficar tranquilo que chegando aqui aprende rapidinho. Apesar da água da torneira/chuveiro ser totalmente saudável para consumo (todo mundo aqui bebe água da torneira, inclusive em restaurantes), ela tem alta concentração de minerais e portanto deixa marcas brancas - no vidro e nos metais é onde você vê com mais facilidade.

Essas marcas malditas parecem inofensivas, mas não há água sanitária e Mr Muscle no mundo que as remova com facilidade. É um inferno. Ou você desencana (não, o limpa vidros não tira essas marcas) e ao longo dos anos vê o box do seu banheiro passar de transparente para jateado, ou você esfrega as superfícies dia sim dia não (se você escolher a segunda opção a princípio, vai mudar para a primeira depois de um tempo, vai por mim. Então melhor desencanar já de cara).

3. Aspirador de pó potente: tente resistir aos aspiradores de pó baratex vendidos no Argos ou no Asda e invista logo em um caro, potente. Quase todos os apartamentos aqui tem carpete (se não for na casa toda, será nos quartos), e essa cidade tem muita, muita poeira!

Mesmo durante os meses frios, quando ninguém ousa abrir as janelas, a casa enche de poeira. Por isso um aspirador baratex não aguenta o tranco muito tempo. Raspa o cofrinho, pega todas as moedinhas da sua carteira, e compra logo um robozinho ou um Dyson (ou os dois, como fizemos aqui. A luta contra a poeira é diária, amigos!)

4. Sacola da Ikea: vamos já esclarecer. Você chega de mudança em Londres na segunda. Na terça você vai na Ikea 'comprar só um varal portátil'. E aí pela primeira vez você entenderá a importância da sacola azul da Ikea, pois é ela que vai permitir que você volte pra casa carregado de coisas que você não precisava (talvez você deixe o varal de lado pra poder carregar o resto) usando transporte público.

Mas não fique triste por causa das compras de impulso: a sacola faz esse lapso valer a pena. Ela serve pra guardar roupa de cama, ajudar o amigo na mudança, levar suas doações para a charity shop e, é claro, ir na Ikea novamente. Fica a dica para que você não cometa o erro amador deir na Ikea achando que não precisa levar a sacola, afinal 'só vou comprar uma almofada'. Você vai acabar com mais uma sacola.

5. Pote de moedas: antes de se mudar para Londres, faça um curso intensivo para entender as moedinhas. O tamanho delas não corresponde ao valor (a moeda de 2 centavos é maior que a de 5 centavos, por exemplo), e o valor não está visível de cara (precisa dar aquela investigada pra achar). Bom, fora isso não há carteira que aguente as moedinhas que vão acumulando, e certamente você vai achar um potinho ou pratinho pra ir colocando as moedas em casa.

Aí passam os anos, você olha o pote, acha que tem umas 50 libras lá dentro, coloca as moedas numa sacola, leva numa daquelas maquininhas que trocam moedas por notas e decobre que vocé acumulou....5 libras.

Minha dica: use suas moedinhas para comprar a Big Issue, que agora custa £2.50 : )

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Memberships

Um dos sinais que indicam que você já mora em Londres faz tempo é a quantidade de 'memberships' que você tem. Eu explico: toda organização/instituição britânica que se preze oferece esse serviço, que nada mais é do que uma 'carteirinha' que dá acesso a diversos eventos, lugares e exposições. O valor pago geralmente é anual e na ponta do lápis compensa bastante, se comparado ao valor dos ingressos individuais.

Hoje me dei conta que temos 3 memberships. Olha, se a gente tivesse tempo suficiente para dedicar a tudo que esses memberships tem a nos oferecer, seria muito bom! O primeiro é 'bairrista', nos dá acesso ao complexo Royal Museums of Greenwich, que inclui National Maritime Museum, Cutty Sark, Meridiano de Greenwich e mais algumas coisinhas.

O segundo fizemos quando visitamos a casa de Charles Darwin, que faz parte do English Heritage. O English Heritage é uma organização que gerencia diversos lugares históricos na Inglaterra, como museus, castelos, ruínas e casas. Já aproveitamos nosso membership a ponto de ele 'se pagar', mas tem tanta coisa que faz parte do English Heritage que precisaria de um ano sabático pra viajar pela Inglaterra.

O terceiro, mais recente, eu queria fazer faz tempo e sempre deixava pra depois, é o membership da Tate, que me dá acesso irrestrito as exposições temporárias (porque o acervo pode ser visitado gratuitamente) tanto da Tate Britain (que aliás é meu museu preferido em Londres) como da Tate Modern.

O problema, como eu disse antes, é a falta de tempo pra aproveitar tudo. Londres tem tanta coisa pra fazer, já estamos aqui há quase 6 anos e as vezes me dá agonia de pensar quanto ainda não conheço da cidade que moro.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Correndo no trabalho e fugindo do café

Uma turma no trabalho organizou um clube de corrida e surpreendentemente, eu estou fazendo parte. O primeiro dia foi hoje - será uma vez por semana, por oito semanas - e superou bastante as expectativas. Eu estava meio receosa de que fosse esquisito fazer exercício e depois tomar banho no trabalho e então voltar para a minha mesa, mas tudo correu super bem.

Eu raramente saio com o pessoal do trabalho (por pura preguiça) então é uma maneira de interagir um pouco mais e, óbvio, ficar mais por dentro das fofocas. 

Fiquei contente de sair da minha zona de conforto, já que corro sempre aqui perto de casa, sempre no mesmo horário. Achei bem mais difícil correr na hora do almoço (cansei muito mais rápido) e ainda por cima em um horário que o parque (fomos para o Green Park) está lotado de turistas. 

Não corremos uma distância muito grande, até porque o tempo é limitado, mas achei bom dar uma desligada das obrigações bem no meio do dia. E, melhor ainda, é chegar em casa e não precisar ir correr porque - eba! - já corri. 

Essa semana aliás é a semana das coisas fora da zona de conforto pra mim, já que decidi dar um tempo do café. Pode parecer idiota, mas eu amo, amo, amo café com leite e sempre foi um ritual diário que me dá muito prazer e energia pra conseguir encarar a manhã de trabalho. Mas ultimamente tenho a desconfiança de que o leite já não me faz muito bem, então estou em fase de teste. Está sendo muito mais difícil do que eu esperava, e olha que foram apenas 5 dias até agora. A tentação é imensa, mesmo sabendo que há grande chance de me sentir mal depois. Cheguei a pegar uma xícara na mão para me servir na máquina alguns dias, mas fui forte e resisti.

O pior é que o teste está dando resultado - desde o dia que não tomo café com leite, não me sinto mal. Vou tentar seguir mais uns dias assim, mas não sei se resisto ao fim de semana. Veremos.

É isso. Correndo mais e tomando café de menos.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Leitura: O Mapa e o Território, Michel Houellebecq

Já faz mais de uma semana que terminei esse livro, mas demorei pra registrar aqui simplesmente porque não sabia o que escrever. Achei assim meio blé. Nem fá nem fu. Não detestei o suficiente para desistir da leitura mas não gostei o suficiente para recomendá-lo. E pra piorar uma amiga minha disse que o autor é machista (eu tinha achado algumas passagens do livro racistas, e depois que ela falou isso tive certeza que não foi impressão minha).

Mas enfim. O cara ganhou prêmio e tal então deve ter gente que gosta, e muito. É tranquilo de ler, e achei interessante as referências ao mundo da arte.

Agora estou enfiada numa leitura que vai levar pelo menos 2 meses, pelos meus cálculos. Daqueles livros que parecem uma bíblia (ainda mais porque eu carrego na mão mesmo, já que não cabe na minha bolsa e eu vou dizer não ao e-reader até os livros físicos pararem de ser vendidos, o que espero que não acontece durante os meus anos de vida), e ainda por cima em inglês de época. Simbora.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Commonwealth Games

A cidade de Glasgow na Escócia está sediando esses dias o Commonwealth Games, uma espécie de Olimpíadas para as nações integrantes do Commonwealth.

Eu lembro de ter aprendido sobre o Commonwealth na escola, mas desde então, e até vir morar aqui há quase 6 anos, o 'assunto' nunca pareceu muito interessante. Até hoje não consigo entender a importância dessa comunidade. Pra mim soa como 'ah vamos fazer o clubinho da turma que já foi colônia britânica e chamar a Rainha pra presidir'.

Minha decepção só aumentou quando descobri que, em 42 das 53 nações do Commonwealth, a homossexualidade é criminalizada de alguma forma. Quanto atraso! Imagina como seria bacana se a nossa querida monarca usasse sua influência para reverter esse quadro.

Enfim, apenas um pensamento solto de uma sexta feira em frente a televisão assistindo um jogo de netball da Jamaica contra a Inglaterra nas olimpíadas do clubinho da tia Beth...