Andar, escrever


Estou lendo um livro chamado 'Swimming with Seals' (nadando com focas), no qual a autora, Victoria Whitworth, relata sua experiência de nadar, todos os dias, no mar gelado em uma praia em Orkney (arquipélado no norte da Escócia, onde ela mora). O livro vai além disso, é uma reflexão sobre a vida dela (não é uma biografia) e sobre a vida e história de Orkney também. Mas a parte de nadar é a minha parte preferida.

O jeito que ela descreve esse exercício (por falta de uma palavra melhor, porque há lazer e relaxamento envolvidos também) me afetou de uma maneira bem interessante. Me deu uma vontade louca de escrever sobre essa minha atitude latente - e recente - de querer estar fora da cidade. Sem ser 'dando dica', sem ser obrigação (saco cheio de SEO), mas apenas a minha sensação enquando caminho no mio do mato, a descrição dos lugares por onde passo e o que me leva a querer fazer isso mais e mais. A verdade é que eu não sei porque quero fazer isso mais e mais, mas quem sabe, escrevendo, eu descubro.

Vida segue, apesar do blog!


Hoje completo 4 meses de 'novo' trabalho (ja adaptada o suficiente para escrever esse post enquanto estou no escritorio - ainda que sem acentos pois sou tao de humanas que nao consigo de jeito nenhum ajustar o teclado para poder usar os queridos amados agudo, circunflexo, tio e cedilha). A vida anda bem corrida - nao eh por falta de assunto que nao estou escrevendo aqui.

Mas engracado que ainda me sinto culpada por nao dar as caras nesse blog por tanto tempo. Desculpa, blog! Se te serve de consolo, eu mesmo venho aqui como leitora pra me lembrar de acontecimentos de anos atras. 'Quando foi mesmo que fui naquele show?' ou 'que ano que viajamos para tal lugar?' ou 'quem mesmo estava naquele encontro que eu organizei ha uns 6 anos?'. Esta tudo aqui.

Interessante que continuo recebendo comentarios nos posts mais populares. Ainda recebo emails de gente que achou esse blog e esta se mudando pra Londres. Ou que querem dicas de como trabalhar com design. Um aviso: as dicas que tenho estao todas aqui e talvez estejam ultrapassadas. Se mudar pra Londres hoje em dia, 10 anos depois da minha mudanca (ainda que vc se mude nas mesmas circunstancias que eu), deve ser bem diferente. Mesma coisa para procurar emprego no setor de design e interiores. Pessoal: procurem fontes mais atualizadas.

Mas vamos a algumas atualizacoes entao, para voce leitora ou leitor que por acaso aparece aqui. Ate agora, meu 2019 foi assim:

  • Fomos para as Maldivas em janeiro, passamos uma semana naquele paraiso
  • Lancamos o e-book do projeto Intercambio Feminista la na Conexao Feminista
  • Fui em duas marchas das mulheres (janeiro e marco)
  • Li 7 livros
  • Trocamos de sofa (abriu uma Ikea perto de casa faz pouco mais de um mes e ja fomos la umas 5 vezes)
  • Fizemos 3 hikings
  • Passamos um fim de semana em Torquay, sudoeste da Inglaterra, e so choveu, foi uma bosta
  • Guiei um tour das mulheres (e guiarei outro essa semana) e lancei o tour da Jane Austen
  • Fiz um bate e volta para Leeds a trabalho
  • Vi a Ellen Page em um bar
  • Fiz uma tatuagem
  • Nao aguento mais acordar de manha, ligar a televisao e ver uma tragedia nova todo dia

Nos bons tempos, cada uma dessas coisas ganharia um post. No momento, ganham apenas uma mencao mesmo!


Jane Austen: meu novo tour!


Adivinha quem arrumou uma nova sarna pra se coçar???

Mas uma sarna literária, histórica e, por que não, feminista.

Chamei minha amiga e também guia Raphaella pra montar esse tour comigo, e assim criamos 'Jane Austen por trás dos romances'.

Será um tour de dia inteiro, dia 13 de abril (sábado) pelo interior da Inglaterra. Vamos passar por 4 cidades por onde Jane passou, vamos seguir seus passos desde seu nascimento em Steventon até sua morte em Winchester.

Vamos dividir com quem estiver no tour a nossa interpretação de Jane Austen: uma mulher com olhar afiado, questionadora, e que usa seu poder de observação e crítica para montar seus personagens e seus enredos. Você sempre achou que os livros de Jane Austen são puro romance? Pois reavalie: são praticamente uma biografia da Inglaterra georgiana, com duras críticas a instituições praticamente intocáveis, como igreja e exército. Além disso, ela aponta também o silenciamento de mulheres e nos faz repensar se os finais que escreve são mesmo finais felizes.

Esse passeio será feito com transporte privado, e teremos parada pra almoço em um pub histórico (tudo incluso no preço). Estão inclusos também os ingressos para duas atrações pagas. O preço cheio é 170 libras (clique aqui para comprar), mas abrimos 3 vagas por 150 para quem reservar antes de todo mundo (clique aqui).

Vamos? Caso você tenha alguma dúvida, entre em contato. Nesse PDF estão mais detalhes sobre o tour.

Tá gostando?

Completei dois meses de trabalho novo e é claro que a primeira pergunta que as pessoas próximas (e as nem tão próximas) me perguntam: e aí, tá gostando? Se eu ganhasse uma rainha pra cada vez que respondi essa pergunta.... teria umas 15 rainhas, ou seja, dinheiro para três sanduíches no Pret a Manger na hora do almoço.

Mas enfim. Tô gostando?

Depende da interpretação que você faz da pergunta. Se eu estou gostando desse trabalho, especificamente? Sim, estou. É uma equipe muito bacana (sério, acho que nunca me senti tão a vontade tão rápido), somos apenas 14 pessoas. E o melhor: 12 mulheres (#misândrica). Ninguém te enche o saco com o horário ou quer saber o que vc faz de hora em hora. A atmosfera é super boa, o sentimento que tenho é que é um grupo do bem (de verdade mesmo, não no sentido coxinha 'cidadão de bem' da família tradicional brasileira). Acho minhas tarefas interessantes, o propósito da ONG é interessante, e estou satisfeita porque era exatamente o que eu queria: pertencer a um grupo de pessoas com um objetivo em comum e ser paga para isso.

Para os curiosos (ou seria stalkers?). vocês podem ver exemplos do meu trabalho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. Mais ou menos isso que faço todo dia.

Mas porém contudo, se você quer saber se estou gostando de trabalhar novamente - no sentido tradicional de trabalhar, das 9 às 5 - a resposta é não. Sei que soa contraditório, e sei que eu dizia que estava sentindo falta de ir a um escritório e pertencer a uma equipe, mas esse tempo todo que fiquei fora do mercado me fez entender que trabalhar é realmente uma grande perda de tempo. Nunca caí naquela máxima de que 'trabalho enobrece o homem'. Não me sinto mais nobre ou mais importante, simplesmente me sinto muito ocupada e com a conta do banco mais gordinha.

Chegar em casa e ter que fazer todas as tarefas do lar, e colocar em dia os projetos paralelos (Conexão Feminista), fazer as atualizações/fofocas/marcações de compromissos com as amigas, ir correr.... Não dá tempo de nada. Tudo fica em segundo plano quando a gente trabalha. Sei que tô falando mais do mesmo, mas quanto mais eu trabalho mais isso fica claro pra mim.

E qual a alternativa?

Não tenho a menor ideia. Pelo menos estou bem mais tranquila, pois voltei a trabalhar já preparada pra esse baque de ver o dia passar e não ter feito nada por mim. O interessante é que a obviedade do trabalho me faz mais criativa: fico tendo  um gazilhão de ideias o dia inteiro, e me mando emails diversos para não esquecer as ideias. Sabe quando a gente pensa em algo brilhante durante o banho e tem medo de esquecer? Então, mais ou menos isso.

E vocês, como estão?

O bom peão ao escritório torna


Voltei a trabalhar. Quer dizer, naquele jeito formal, de ir pro escritório, ficar das 9 às 5, fazer parte de um departamento, ter horário de almoço... Aquele jeito de trabalhar que é o jeito que a sociedade realmente respeita, realmente acha que você tá fazendo algo de útil.

Sarcasmos a parte, estou bem contente de ter voltado. Acho que volto bem mais consciente das desvantagens de trabalhar formalmente, mas também beeeem mais apegada com as vantagens. Uma vida mais regrada, mais sossegada, onde as questões trabalhísticas ficam no escritório. Acordar cedo, pegar trem lotado, comer um sanduíche, voltar pra casa, dar uma corrida, ver televisão, pode parecer tão pequeno mas é tudo que quero agora.

É lindo falar da independência da vida de freelancer, do glamour da vida de blogueiro, mas ninguém fala do perrengue, do trabalho triplicado que te acompanha as 24 horas do dia, e é claro do dinheiro que nunca aparece.

E antes que alguém me pergunte o que estou fazendo e aonde, já deixo a dica pra dar uma stalkeada no Linkedin e me poupar a explicação!

Mestrado acabou, e agora?


Mestrado acabou, já recebi meu resultado (sim, sou oficialmente mestre! Ou melhor, mestrA), e agora tenho a estranha sensação de que os dias passam muito rápido e muito devagar ao mesmo tempo. Filosofias a parte, a falta de rotina unida a muitas ideias e coisas pra fazer - não consigo não arrumar uma sarna pra me coçar - me faz pensar que deveria aproveitar mais essa fase sem trabalho 'normal' (em um escritório, o dia todo) ao mesmo tempo que acho que devo fazer mais e mais coisas pra 'justificar' não ter um trabalho formal. Complicado? Imagina!

Na prática, é assim: hoje, por exemplo, resolvi dividir meu dia em duas tarefas. Trabalhar em uma proposta para um livro e adiantar a legendagem de um dos vídeos de entrevista da Conexão Feminista. As horas se arrastam. Eu escrevo, escrevo, escrevo e o tempo não passa. Aí resolvo 'migrar' pra legendagem pra mudar um pouco de ares e a mesma coisa acontece. Nesse sentido, o dia passa muito devagar. Mas, vai chegar a sexta feira e eu sei que vou pensar: mais uma semana que eu não fiz nada, que eu não consegui um trabalho 'decente'. Nossa, até eu tenho dificuldade em compreender essas contradições.

E assim vamos. Isso sem falar é claro da despedida da democracia no Brasil e do trem desgovernado chamado Brexit no Reino Unido que está perto do fim da linha e vai cair em um precipício.

Mas tá tudo bem. Tá tudo bem!

(pelo menos voltei a dar as caras aqui!)

Trilha em vídeo


Depois dos vídeos do Kilimanjaro o Martin perdeu um pouco a empolgação de fazer vídeos, mas consegui convencê-lo a levar a câmera pra Islândia e filmar nossa aventura. Ontem ele terminou de editar o vídeo (enquanto eu fazia o álbum), e aqui está!

A gente poderia (deveria) ter filmado mais, mas quando estamos lá no calor (cansaço) do momento as vezes nem lembramos mesmo, ou simplesmente não queremos parar de caminhar quando pegamos um ritmo bom.  Ainda assim ficou bem bacana e acho que resume muito bem nossa jornada.

54 km


Trilha Laugavegur feita. É tão estranho pensar que já foi, depois de meses de preparação. A Islândia ficou pra trás e estamos de volta a rotina (bom, eu estou tentando fazer uma rotina, agora que não tem mais mestrado, nem trilha pla planejar). Difícil escrever sobre os 54 km percorridos sem cair no mais do mesmo: experiência maravilhosa, tudo muito lindo, super desafio, etc etc etc... E foi tudo isso mesmo.



Apesar de toda a preparação é só quando a gente bota a mochila (de 15kg) nas costas e dá os primeiros passos que a ficha cai. Agora é pra valer, vamos em frente, um dia de cada vez!

Foram 4 dias de caminhada no total (12km, 12km, 15km, 15km), pois resolvemos cancelar o último trecho, que não faz parte da trilha Laugavegur (é uma extensão, tem até outro nome). Essa mudança de planos aconteceu na hora mesmo, e fiquei bem orgulhosa da gente por termos tomado uma decisão não baseada no orgulho, mas no que estávamos sentindo na hora. Ao chegarmos no fim da Laugavegur, no camping Þórsmörk, ficamos sabendo que a previsão do tempo no topo das montanhas para onde seguiríamos no dia seguinte não estava amigável. Avaliamos nosso cansaço (essa etapa extra teria 24 km) e o risco de seguir montanha acima, para perto dos glaciares, com o conhecimento que havíamos adquirido nos dias anteriores sobre o clima nas highlands da Islândia (em uma palavra: louco).  Também não gostamos muito do 'clima' do camping Þórsmörk. Ao contrário dos outros, onde os rangers (tipo os cuidadores, supervisores) foram super solícitos e simpáticos, nesse último não achamos que fomos bem recebidos. A vontade era ir embora dali imediatamente em vez de montar acampamento de passar a noite. Por último, absolutamente ninguém do nosso 'grupo' - quero dizer, as pessoas que começaram no mesmo dia que a gente e que encontrávamos toda hora pelo caminho e também nos campings - estava lá. Mesmo quem havia nos passado nesse último trecho.

Consegui reservar um hotel em Reykjavik e também lugar no ônibus que passaria dali a 2 horas. Estava resolvido. Nossa trilha terminou e conseguimos relaxar. Nós havíamos terminado a trilha Laugavegur!

Nessa foto, a plaquinha no começo da trilha, em Landmannalaugar (Hrafntinnusker era o camping do primeiro dia):



E nessa, a plaquinha no final, em Þórsmörk (Emstrur/Botnar era o camping anterior):


Dissertação entregue



Acho que enquanto a nota não sai, não posso falar que sou Mestre. Mas o fato é que o mestrado acabou no minuto que eu entreguei a dissertação, 3 dias atrás (um dia antes do prazo, olhem só que mulher organizada que sou). Tem um monte de gente me perguntando se estou aliviada, se estou feliz, se estou orgulhosa. Na verdade eu estou cansada. Assim que eu apertei o botão 'enviar' (não precisei entregar cópia impressa, apenas digital, assim como não precisei fazer uma defesa oral) senti minha pálpebras pesarem e uma vontade imensa de deitar no nosso e ver televisão por horas a fio.

Eu honestamente não senti que o processo de escrever uma dissertação foi doloroso. Achei solitário, longo, meio tedioso, mas nada que me impediu de dormir ou de aproveitar minha vida social. Mas todas as leituras e o fato de escrever e escrever e escrever sem parar acabaram pesando mais do que imaginava que iriam pesar.

Já tenho mil coisas para fazer agora que essa fase acadêmica ficou para trás, mas a primeira dela é viajar para a trilha na Islândia. Na volta eu começo a tocar o restante. Apesar de ser uma viagem que vai exigir fisicamente, tenho certeza de que vou voltar muito descansada.

Ah, e pra quem interessar possa, o título da minha dissertação é: #HashtagFeminism: the impact of hashtags on the fourth wave of feminism in Brazil (#HashtagFeminismo: o impacto das hashtags na quarta onda do feminismo no Brasil).

Mês vegetariano


Julho foi um mês atípico. Entre tantas coisas que aconteceram, foi o mês que experimentei ser vegetariana. Eu e mais 3 amigas (até fizemos uma conta no Instagram pra registrar, está aqui, mas no fim das contas eu e a Renata que postamos mais) decidimos, em um dos nossos encontros, colocar o pé no vegetarianismo por um mês para ver no que dava. A ideia era tentar, mas nenhuma de nós 4 achava que iria terminar o mês e continuar vegetariana.

Bom, a princípio a proposta era fazer isso entre 1 e 31 de julho. Mas eu estava de férias em Portugal até dia 6 de julho, e foi impossível começar no dia 1. Eu achava que poderia tentar, mas chegando lá percebi que teria que comer macarrão todos os dias, os restaurantes do Algarve realmente não tem opção. E também acabei nem comentando com os meus pais porque sabia que eles iriam se dobrar em mil pra dar um jeito de eu comer bem. Então resolvi adiar e só no dia 6 comecei minha pequena saga vegetariana.

Nenhuma de nós 4 conseguiu ficar o mês todo sem carne. Eu mesma furei umas 4 vezes (sendo que uma delas por puro esquecimento). Não sentia falta da carne vermelha, mas sentia falta de carne. De peixe, de frango. De ter mais opções. Notei que mesmo em Londres, uma cidade onde dizem ser muito mais fácil para veganos e vegetarianos saírem para comer, ainda é bem restrito. Os cardápios dos pubs, então, nem se fala: tem 1 ou 2 coisas vegetarianas (salada e massa), geralmente algo pra constar, dá pra perceber que quem bolou o menu não pensou realmente em algo bacana para esses clientes.

O Martin também acabou entrando na dança, afinal é ele que cozinha aqui em casa. Fez uns pratos novos, ótimos, mas tudo tinha que ser pensado com antecdência. Por causa do hábito de ir no supermercado e pegar qualquer coisa pra jantar no mesmo dia, ele achou difícil fazer a janta sem se programar. E isso é o que achei mais chato do vegetarianismo: ter que pensar em comida o tempo todo. Sei que quando vira um hábito não é preciso fazer esforço, mas pra quem tá começando é um mega obstáculo.

Não sei se foi porque julho foi um mês de muito calor aqui em Londres, mas outra coisa negativa foi que me senti sem energia. estava cansada o tempo todo. Pra piorar fechei o mês com uma virose que me deu muita dor de cabeça e enjôos por 24 horas, da qual levei uma semana pra me recuperar completamente.

Concluindo, não foi algo prazeroso. Eu achei que seria muito fácil, e não foi. A boa surpresa é que não senti falta mesmo da carne vermelha, não estava com mega vontade de comer um bife, e acho que é algo que quero sim diminuir no meu dia a dia. Mas por outro lado não quero deixar de comer algo que amo (como por exemplo sushi e sashimi) e de experimentar coisas típicas de lugares novos que conheço. Então não sei se conseguiria ser 100% vegetariana. Talvez uma vegetariana ocasional?

A próxima aventura


No fim do ano passado eu comprei um livro chamado 'Wanderlust - Hiking on Legenday Trails', que é basicamente um livro que compila algumas das trilhas mais lindas do mundo. Não é um guia, ele apenas faz uma breve descrição, tem fotos espetaculares e dá algumas informações práticas de cada trilha (como distância, dificuldade, onde começa e onde termina).

Folheando o livro nos deparamos com algumas trilhas que não pareciam tão impossíveis assim da gente fazer (até o Kilimanjaro tá listado, fiquei orgulhosa!), e uma delas é a trilha Laugavegur na Islândia. Começamos a ler um pouco mais sobre ela e estudar a possibilidade de fazermos... meses depois, estamos aqui, a 20 dias de embarcarmos para a Islândia com nossos mochilões, barraca, sacos de dormir e toda a tralha que vamos precisar para essa aventura.

O ano tem sido tão intenso que até agora eu não estava nem conseguindo pensar direito no que vamos encarar. Os preparativos tem sido organizados ao longo de mais de 6 meses, por isso não tinha caído a ficha de essa será uma viagem épica. Compramos as passagens em fevereiro, reservamos nossos lugares nos campings ao longo da trilha em março, compramos equipamento que faltava em abril e ontem reservei o transporte para o aeroporto... e agora a única coisa que nos resta comprar é a comida (sim, vamos carregar absolutamente tudo, não teremos a mamata dos carregadores como tinha no Kilimanjarao).

Seremos só nós dois (e os demais trilheiros, claro), e as highlands islandesas. Lugares onde carros e excursões não chegam. Serão 75km (a trilha oficial tem 55km, mas optamos por incluir um pedaço extra no final para irmos até a famosa cachoeira Skógafoss) em 5 dias, com o clima imprevisível do 'verão' da Islândia.

Estou muito animada, e ainda mais por pensar que embarcamos 4 dias após eu entregar a dissertação do mestrado. Tudo que mais quero é me desligar totalmente desses meses intermináveis de vida acadêmica e ir para o meio do nada com o meu parceiro pra todas as aventuras.


Cadê a corredora que estava aqui?


Desde a meia maratona de Paris a minha vontade de sair pra correr sumiu. Desapareceu. Continuei correndo, mas com menos frequência, fazendo menores distâncias e, o pior de tudo, sem a menor vontade. Mas continuei indo. Aí rolaram as duas viagens seguidinhas uma da outra e fiquei (ficamos, o Martin também) um mês sem correr. 1 mês! Retomamos essa semana (até saímos pra caminhar algumas vezes com o meu pai quando estávamos em Portugal, mas o impacto de correr é muito diferente) e eu achei horrível, parece quando comecei a correr há tantos anos.

Tô achando bem difícil recuperar o mojo perdido, mas a corrida já me beneficiou tanto que não tenho coragem de parar. Nunca fui dessas pessoas 'viciadas'  em correr, acho ótimo quando chove e eu tenho uma desculpa aceitável pra não ir, mas sinto falta de me exercitar (e não quero pagar academia nem nada disso).

Então, vou ali fazer um trabalho para as deusas do mundo fitness e ver se encontro esse ânimo novamente.


Dois shows, duas viagens e um projeto depois


Passou um mês desde a última vez que publiquei algo por aqui. Desde o post sobre o show da Shakira tive dias intensos: mais dois shows (Foo Fighters e Alanis Morissette), duas viagens (Bermuda e Portugal) e um projeto feminista realizado (o Intercâmbio Feminista). E o meu aniversário de 38 anos!

Tem dias que até esqueço que tem uma dissertação esperando pra ser finalizada!

Volto logo, prometo.

Sozinha com Shakira


Uma das coisas boas do inverno aqui em Londres é que é a época que os shows que acontecerão no verão são anunciados e os ingressos colocados a venda. Pois é, aqui, em janeiro, a gente já tá com a agenda cheia pra julho. Rola aquela movimentação no whatsapp pra ver quem quer ir, quem pode acessar o site que está vendendo os ingressos na hora que começa a vender (dependendo do show, os ingressos esgotam em questão de minutos), e mais importante, descobrir se algum amigo é cliente do banco X ou da operadora de celular Y que está patrocinando o show e disponibiliza ingressos para seus clientes com antecedência.

Então em janeiro lá fui eu perguntar pras amigas quem queria ir no show da Shakira comigo. Shakira, gente! A deusa colombiana que marcou nossa adolescência com Estoy Aqui, como alguém pode não querer ir? Eu achava que teria companhia de várias amigas de vários grupos, mas pra minha surpresa não consegui adeptas. Uma amiga até respondeu meu apelo no whatsapp da seguinte forma: 'você tá falando sério?'

Deu aquele desânimo, porque ir no show da Shakira com amigas seria uma experiência ótima. Mas resolvi comprar só pra mim e se até o dia do show ninguém mais comprasse, eu decidi que iria sozinha mesmo. E fui. O show foi ontem e foi maravilhoso!

Ano passado eu fiz a cagada de desistir de última hora de ir no show do Hanson porque não tinha companhia. Me arrependi profundamente, então essa visitinha a Shakira - ainda que eu estivesse 'acompanhada' por toda comunidade colombiana em Londres - sozinha, foi questão de honra. Engraçado que eu costumo (e gosto) passar muito tempo sozinha. Mas no quesito diversão cultural (ir em restaurante, cinema, teatro, shows) eu prefiro estar acompanhada. Porém, como disse minha amiga Rapha, a melhor coisa é parar de terceirizar nossos desejos.

Obrigada Shakira, você foi uma ótima companhia!





Deu branco


Realmente deu um branco. Nada me 'apetece' o suficiente para me fazer vir aqui divagar. E quando eu sinto que preciso falar algo acabo recorrendo ao imediatismo do Instagram Stories. Tá, eu sei que eles desaparecem depois de 24 horas, mas costumo ver isso como algo positivo: dá pra medir o que a 'audiência' acha sobre determinado assunto. Se faz sucesso, ótimo, você sabe que dá pra retormar o tema daqui a um tempo. Se for ruim, ótimo também, jajá as histórias somem e ninguém se lembra mais.

Mas ok, vamos deixar esse negócio de 'tema' para as redes sociais e tratar esse blog como um diário da vida real, vamos voltar as raízes. Aí eu só tenho uma palavra para escrever: dissertação. A dissertação do mestrado é meu foco agora, e até eu entregar a bedita (maldita?) no final de agosto, não vejo muita esperança para a retomada de posts frequentes nesse blog.

Eu ainda estou por aqui. Esse blog resiste, mas por enquanto, descansa!

#OffTogether


Em fevereiro desse ano viajei para Brno, na República Tcheca, com a Karine e a Thaís. Foi uma press trip, feita pelo blog, a convite da agência ATO Tours. O que foi diferente dessa viagem é que a gente só ficou sabendo o destino lá no aeroporto, pouco antes de embarcar. Sabíamos que o destino era na Europa e que o vôo era curto, apenas.

Passamos um fim de semana lá,  e além de aproveitar a cidade começamos a conversar sobre uma possível extensão do projeto #OffTo, que temos feitos juntas desde 2016. E se a gente fizesse um #OffTo com outras pessoas? E se a gente vendesse uma viagem em grupo para um destino surpresa, exatamente como tinha acontecido com a gente? E se a gente propusesse uma parceria com a agência para unir o útil ao agradável?

Olha, não é sempre que uma ideia sai do papel. Mas essa saiu. Vai rolar uma viagem em grupo para um destino surpresa na Europa, entre 28 e 30 de setembro.

O que está incluso no pacote:

  • Passagem aérea para o nosso destino secreto a partir de Londres (empresa low cost)
  • Transporte para o hotel;
  • 2 noites em quarto duplo (entre em contato se preferir fazer upgrade para um quarto individual);
  • Drinks de boas vindas;
  • Um jantar em grupo;
  • Cartão de entrada nos museus da cidade;
  • Dois passeios secretos;
  • Experiências inesquecíveis e muitas surpresas preparadas por nós três!

O preço do pacote como descrito acima é £390. Se você esté em algum outro lugar que não seja Londres mas gostaria de ir, é só entrar em contato que a gente passa orçamento. Deixa um comentário aí com o seu email caso você se anime, que a gente vai responder com os detalhes e como fechar com a agência.

Vamos?


Preciso de ajuda de vocês!


Pois é, apareço só quando preciso de favor né???

O favor da vez: responder o questionário que desenvolvi para minha pesquisa de mestrado. Pra quem não sabe, minha dissertação será sobre hashtags feministas. Dá pra ter uma ideia melhor do que eu quero achar fazendo esse questionário. Você pode responder aí abaixo ou acessando esse link (use o link para mandar para amigos!!).

Muito obrigada!

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Cerejeiras


Tem uma janela de duas semanas, geralmente no mês de abril mas que pode cair no início de maio também, que é quando as cerejeiras florescem no parque aqui do lado de casa. Esse ano, por causa do frio intenso (com vários dias de neve, o que é bem atípico por aqui) justo no final do inverno, elas atrasaram um pouco para abrir.

Mas finalmente, há uma semana, o parque virou um pequeno mundo cor de rosa. Eu gosto tanto de ver essas árvores d eperto que tenho ido lá quase todo dia. Daqui a pouco as pétalas começam a cair e o que fica cor de rosa é o chão. O espetáculo dura pouco, então eu tento aproveitar o máximo que posso.

Essa primeira foto foi bem no dia que elas abriram. Podem ver que nem todas estão abertas, ainda dá pra ver vários galhos e alguns brotinhos. Mas o interessante foi que eu tinha passado ali um dia antes, e elas estavam fechadas. Como fez muito calor nesse dia, eu apostei que elas abririam no dia seguinte. E acertei.

A post shared by Helô (@helorighetto) on


E aqui depois de alguns dias, com todas já abertas, o que a gente chama de 'full bloom' em inglês:


E a título de curiosidade, uma foto do mesmo lugar (exatamente o mesmo lugar) tirada dia 28 de fevereiro, durante a frente fria que ficou conhecida como 'Beast from the East':

Porque ninguém dá tchau


Sempre tive raiva de blogueiros que encerram suas atividades sem sequer dar um tchau para os leitores. É tão legal cair em um post interessante quando a gente busca qualquer coisa no Google, mas eu fico decepcionada quando percebo que o blog não é atualizado há meses, as vezes anos. O mais interessante é achar o blogueiro nas redes sociais e constatar que o link pro blog continua lá, na biografia dele ou dela, como uma vitrine.

Mas agora eu entendo essa falta do tchau oficial. É que ninguém quer se despedir, ninguém quer oficializar que o blog acabou. O último post não existe justamente para se por acaso 'um dia' o dono do blog quiser voltar, sem culpa. Afinal, são anos dedicados a criação de um diário, e ninguém gosta de admitir que essa fase acabou.

Acho que a gente deve uma certa satisfação pra quem nos acompanha, mas como falei antes, agora entendo. Vai que você se despede, ninguém nunca mais volta no seu blog e anos depois surge aquela vontade de escrever de novo? É sempre bom pensar que alguém está esperando você voltar.

Em tempo: esse não é um post de despedida, mas obviamente ando sumida daqui. Pensei sim em escrever tchau, nos vemos por aí, mas não consigo. Hoje mesmo uma pessoa me mandou mensagem no Instagram e sugeriu que eu escrevesse um post sobre as minhas plantas. Quem sabe esse post apareça por aqui em meio aos posts sobre os livros que estou devendo?

Leitura: Rescue, David Miliband


Pra quem não sabe, o David Miliband era um membro senior do partido Labour aqui do Reino Unido, e chegou a concorrer para ser líder do partido (mas teve o tapete puxado pelo irmão - sim, irmão! - Ed Miliband, que ganhou a votação mas não chegou a ganhar eleição e já não é mais o líder do partido). Hoje em dia ele é CEO da IRC - International Rescue Comittee, uma ONG de ajuda humanitária. Em 2017 ele fez uma TED Talk sobre a crise dos refugiados, que acabou dando origem a esse livro.

É um livro excelente, que dá pra terminar em um ou dois dias, que esclarece toda e qualquer dúvida que alguém possa ter sobre os refugiados. Ele questiona não apenas a participação do governo - nos conflitos que geraram a crise e na solução/administração da crise - mas a nossa (eu e você) missão. O nosso papel nessa história toda.

Já faz alguma semanas que terminei o livro, e lembro que ele tem diversas passagens marcantes, aquele tipo de frase que bota o dedo na ferida. Acho que é uma leitura imprescindível pra quem regularmente se encontra em situações onde precisamos explicar o que nos parece óbvio.