domingo, 25 de janeiro de 2015

Festa estranha com gente esquisita

Sexta feira fomos pela primeira vez em um Supper Club. Um Supper Club é um jantar (por isso a palavra 'supper' que aqui é mais usada do que dinner) feito por uma pessoa que não é um chef profissional e faz isso como um hobby, ou um complemento. É como se eu e o Martin fizéssemos um jantar aqui em casa, mas em vez de convidar os amigos que conhecemos, viriam pessoas pagantes, as quais nunca vimos antes na vida.

Eu não sei quando foi que começou essa onda de Supper Club, mas eu só ouvi falar há uns 2 ou 3 anos. Desde então ficamos ensaiando ir em um (e já conversamos sobre fazer um, mas e a preguiça de organizar?), e finalmente eu achei um bacana (valeu, Twitter!) e marquei. Lá fomos nós para um 'lugar secreto' enviado por email depois que efetuei o pagamento online.

Outra coisa interessante do Supper Club é que você tem que socializar com as outras pessoas que estão lá. Não é como ir em um restaurante e ter sua própria mesa: o espaço é pequeno e você divide a mesa com outras pessoas. Nesse caso tinha bastante gente, uns 20 mais ou menos. Então nos vimos cercados de desconhecidos que estavam louquinhos pra conversar, e não tivemos outra saída senão bater papo.

Uma situação um tanto quanto surreal, já que o grupo era bem peculiar. Um de cada nacionalidade, um mais esquisito que o outro (aposto que acharam isso da gente também). Teve a grega que abraçava todo mundo e fazia hi 5 toda hora, a alemã que me contou que o ex marido roubou todo dinheiro dela, o chinês que contou sua história de vida sem ninguém ter perguntado, o inglês que sobreviveu ao nascimento pré maturo graças a doação de sangue de uma mulher italiana... enfim, isso é só um aperitivo.

E a comida? Estava deliciosa. Foi um jantar japonês, com 4 pratos. Valeu bastante a pena, e apesar dos coleguinhas esquisitos, vamos procurar outro Supper Club em breve!

Ah, para os curiosos: pagamos 29 libras por pessoa, e cada um levava sua bebida.

A photo posted by Helô Righetto (@helorighetto) on

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Correndo no inverno

Acho que, finalmente, depois de muitas tentativas ao longo desses 6 anos em Londres, consegui incorporar a corrida na minha rotina. Prova disso é que continuamos a treinar mesmo nas baixas temperaturas do inverno europeu. Isso nunca tinha acontecido antes: chegavam os meses frios e a gente simplesmente nem cogitava sair.

Nao é fácil. Tem que tirar forca de vontade e motivacao de todas as partes do corpo. Como eu disse pro Martin ontem, quando estávamos saindo (o dia mais frio em que treinamos até hoje), a motivacao é ir logo pra terminar mais rápido e voltar pra casa. E acho que é bem isso mesmo, pois desde o comeco de dezembro estamos reduzindo nosso tempo, o que tivemos muita dificuldade de fazer nos meses mais quentes.



Claro que sair de casa no escuro e no frio nao é nenhuma maravilha, mas pra mim nao sao esses os maiores desafios. O mais difícil é ter que transferir a corrida pra rua, já que o parque fecha mais cedo (no verao fecha bem mais tarde, chega a ficar aberto até as 21h por um tempo). Correr na calcada é praticamente outra modalidade esportiva! Parece uma corrida de obstáculos: desníveis na superfície, calcadas estreitas, barulho dos carros, o farol que sempre fecha bem na hora que a gente precisa atravessar, e, é claro, os pedestres.

Em pouco mais de uma semana vamos participar de mais uma prova de 10km, dessa vez no centro de Londres. Essa é mais uma motivacao: nao querer fazer feio e chegar por último. Ah, e como a corrida é organizada pelo Cancer Research UK, mais uma vez resolvi fazer arrecadacao. Entao, pra quem estiver afim de doar qualquer valor, o link é esse aqui. Pensa bem: eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas to aqui correndo na maior friaca. Vale a doacao ou nao vale? ; )



Em tempo: fiz um post no Aprendiz de Viajante sobre as provas de corrida mais bacanas de Londres, quem sabe é algo diferente pra voce fazer na cidade na sua próxima visita?

domingo, 18 de janeiro de 2015

O dia em que Freddie me fez chorar (e desculpem-me pelo uhu)

Eu sou dessas pessoas sem coração que não choram em situações fictícias, como no cinema ou lendo um livro. Sei que tem gente que chora ao ver uma obra de arte no museu, mas por mais emocionada que eu fique em qualquer um desses casos, nunca choro.

Até agora.





Ontem fomos no show do Queen. Roger Taylor e Brian May estavam lá, e nos vocais um cantor que eu nunca tinha ouvido falar: Adam Lambert. O que eu queria era ouvir as músicas que amo sendo tocadas ao vivo, e só.

Mas foi muito, muito melhor do que eu esperava. Martin também achou, segundo ele foi o melhor show que já fomos (ok, não somos os maiores frequentadores de shows tampouco manjamos tudo de música, mas adoramos música dos anos 80 e 90). E eu concordo. Adam Lambert é divertido, carismático, excêntrico e canta pra caramba - ele não está lá pra substiuir Freddie Mercury e sim para homenageá-lo. Segurou o show super bem, e ao mesmo tempo deixa bem claro o seu estilo.

Destaques: Brian May cantando acústico, Roger Taylor em uma disputa de bateria com seu filho Rufus Taylor (sim, pai e filho bateristas, tocando juntos, o show inteiro), e Freddie Mercury no telão participando de Love of My Life (vídeo acima, motivo do choro) e Bohemian Rhapsody.



A photo posted by Helô Righetto (@helorighetto) on


O Queen tem tantas músicas icônicas que precisaria de 3 dias ininterruptos de show, mas a seleção foi muito boa. Mas pra mim, faltou tocar Don't Stop Me Now. Fora isso, foi um show perfeito. Tão bom que só falamos disso o dia inteiro hoje, e a lembrança vai ficar na minha cabeça por muito, muito tempo!

A photo posted by Helô Righetto (@helorighetto) on



Fiz uns videozinhos vez ou outra, peço desculpas pelos gritos de UHUUUUU e pelo assassinato da música quando eu tentei cantar. Com a barulheira eu não achava que minha voz seria gravada!

Como Freddie Mercury faz falta! Parece mentira ele ter ido embora tão cedo. Gênio.









O You Tube está cheio de vídeos, muito melhores que esse! Basta procurar 'Queen + Adam Lambert at the O2'.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

This Girl Can

Fiquei sabendo da campanha 'This Girl Can' (Essa Garota Pode) hoje no trabalho, e nao resisti em postar sobre ela aqui, me identifiquei muito. Olha, acho bacana essa 'vibe' geracao saúde, das pessoas tentando se alimentar melhor e fazendo mais exercícios (aliás, hoje também saiu uma pesquisa por aqui falando que caminhar 20 minutos algumas vezes por semana prolonga sua vida), mas nao suporto esse ideal de beleza das 'musas fitness' da internet.

Minha barriga nao é lisa, minhas pernas nao sao torneadas e minha bunda nao é dura. Quando eu me exercito, tudo chacoalha. Meu cabelo fica todo arrepiado, fico com o rosto super vermelho. É isso que essa campanha celebra: fazer exercício nao é para 'musas' (entre aspas porque detesto essa palavra), e nao é pra ser musa. É pra ser feliz e saudável.

Vejam o vídeo, é muito bacana mesmo!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O guia por aí

Não escondo o orgulho que tenho em ter escrito e recentemente publicado o Guia de Londres. Obviamente que eu sou suspeita pra falar o quanto ele está lindo e informativo, por isso me dá uma alegria imensa ao ver meu trabalho endossado por outros blogueiros de viagem. Esse post não é apenas para mostrar que andam falando do guia por aí, mas também para agradecer a todo mundo que dispos de tempo (e espaço - valioso! - no blog) pra recomendá-lo.

(Atualizarei o post se saírem mais comentários bacanas por aí!)


*****

Ducs Amsterdam: acho que não há um brasileiro que viaje  para Amsterdã sem consultar o blog do Ducs. Ele também foi um dos primeiros blogueiros a lancar um guia de viagem (adivinha de que cidade?), e desde que eu me entendo por travel blogger o Ducs dá dicas incríveis para quem quer se profissionalizar e transformar o blog em negócio.

O post que o Ducs fez sobre o guia está aqui

*****

Turomaquia: conheci a Pat, que faz o blog Turomaquia, ao vivo e a cores em 2012, mas já lia o blog dela bem antes disso, pois ela é minha referência em dicas de arte e museus. Ela inclusive tem dois guias específicos sobre museus, um do Louvre (Paris) e outro do Prado (Madri), além de também ter escrito dois guias de cidades, Barcelona e Curitiba

O post que a Pat fez no Turomaquia sobre o guia está aqui

*****

Direto de Paris: eu não lembro como (nem quando) foi que eu e a Renata, que faz o Direto de Paris, nos conhecemos no mundo virtual, mas lembro direitinho do dia em que a conheci pessoalmente. Foi em Paris, mais precisamente no Pompidou. A escolha do lugar não poderia ter sido melhor, já que a Rê estuda História da Arte. Ela é jornalista e colabora com diversas publicações no Brasil, por isso no blog dela voce encontrará textos minuciosos e muito (muito!) bem escritos não apenas sobre a vida e atrações em Paris, mas também de suas andancas por aí. 

O post que a Rê fez no Direto de Paris sobre o guia está aqui.

*****

360 Meridianos: hoje em dia não é muito difícil achar alguém que esteja programando uma viagem de volta ao mundo, mas a primeira vez que li a respeito disso foi no 360 Meridianos. O que eu gosto mais no blog, comandado por 3 amigos que fizeram essa jornada juntos, é que o estilo de viagem deles é bem diferente do meu. Acho incrível ler sobre as suas experiências, e me sinto uma viajante bem amadora e com um mundão imenso pela frente ao 'mergulhar' nos posts. Para quem gostaria de planejar sua primeira viagem ao exterior, eles tem um ebook sobre o assunto, saiba mais clicando aqui.

O post que a equipe do 360 Meridianos fez sobre o guia está aqui.

*****

Rapha no Mundo: quem comanda o blog (desde o layout até criação de todo conteúdo) é a Rapha Aretakis. Como ela escreve há bastante tempo, volta e meia eu via um link nas redes sociais e ia parar no blog, e acho que de uns anos pra cá fomos criando uma afinidade maior (graças a elas, redes sociais!). Além do blog, ela contribui com outros veículos, então é bem provável que você ja tenha visto seu trabalho por aí.

O post que a Rapha fez no Rapha no Mundo sobre o guia está aqui.

*****

Colagem: eu conheci o mundo dos blogs dos brasileiros que vivem no exterior graças a um site chamado Mundo Pequeno, idealizado pela Luciana Misura, que escreve o Colagem há muitos anos. Acho que a palavra 'pioneira' encaixa-se bem aqui, porque todo blogueiro que mora fora do Brasil sabe quem é a Lu e conhece o trabalho dela. Além de falar sobre viagens, a Lu tem uma série de posts sobre vida nos Estados Unidos. Ela também já escreveu um guia de Detroit.

O post que a Lu fez no Colagem sobre o guia está aqui.

*****

Viajoteca: tô pra ver um blog começar mais bombado do que o Viajoteca! Conheço ao vivo dois dos quatro integrantes, o que torna o conteúdo muito dinâmico e muito rico. Como cada um deles mora em um canto do mundo, e também já viajaram por todos os outros cantos que sobram, tem muita história pra contar.

O post que a Martinha fez no Viajoteca sobre o guia está aqui

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

5 fases que voce vai passar quando se mudar para Londres

(esse post contém tentativas descaradas de vender meu Guia de Londres)

1. Fase burocrática
Comprar um número de telefone, abrir uma conta no banco, conseguir um lugar para morar (que depende de abrir conta no banco, que depende de ter um endereço fixo... boa sorte), tirar o seu NI (National Insurance), enfim, transferir as praticidades da vida para um outro país. Não é assim super problemático, mas uma fase obrigatória. Elimine ela o mais rápido possível para passar para as próximas fases!

2. Fase turística
Com tudo resolvido, mas o futuro ainda incerto, é hora de andar por aí. Você se sentirá a pessoa mais entendida de Londres (se comprar o meu guia certamente será) e vai bolar mil conexões no metrô para conseguir percorrer a cidade como se não houvesse amanha. Você vai olhar para os turistas e pensar: 'Ha! Seus turistas! Eu MORO aqui, tá?'. Essa fase, apesar de uma delícia por motivos óbvios, é também um limbo, afinal uma hora você se dará conta de que não dá pra turistar todos os dias e passará para a próxima fase.

3. Fase 'e agora?'
A pior fase. Por mais que voce tenha se planejado, lido tudo sobre Londres (leu meu guia?), na hora do vamos ver é que a ficha cai: você mora em outro pais. Tem que fazer tudo de novo: arrumar o currículo, pesquisar vagas de emprego, fazer amizade, organizar a rotina, saber onde vende requeijão (coisas importantes, veja bem). É uma fase de incertezas e expectativas, tem dias que você se pergunta se realmente fez a coisa certa.

4. Fase retrocesso
Uma fase totalmente dedicada a sua vida profissional. Então que você conseguiu um emprego, mas é a mesma coisa que você fazia há 3 anos. Ou então não tem nada a ver com a sua área. Não se desespere! Esse passo pra trás, por mais contraditório que possa soar, é o primeiro passo pra frente. O problema é que nessa fase a gente se sente desvalorizado, é bem difícil manter a motivação. Ainda mais com os seus amigos no Brasil, na maioria das vezes, ganhando muito mais e com as carreiras em ascensão.

5. Fase Londoner
E, de repente, voce se sente em casa. Quando vai para o Brasil, fica com saudade da 'sua' cidade. Já está acostumado com o estilo de vida londrino, já xinga quando o metrô demora mais de 4 minutos, provavelmente encontrou um novo emprego (e deu mais um passo pra frente) e fez amizades. Diferentemente na fase turística, a fase londoner não significa ter pressa pra ver tudo, mas permitir-se ficar em casa e não fazer nada sabendo que voce tem mais e mais finais de semana pela frente para conhecer aquele lugarzinho super secreto e aquela atração que você ainda não visitou, sobre as quais você leu num incrível guia de Londres.

Para ler todos os posts sa série Top 5, clique aqui

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Cadê os posts que estavam aqui?

2014 foi o ano com o menor número de posts nesse bloguinho. Foram 85 posts, 12 a mais do que em 2004, sendo que em 2004 o blog nasceu em agosto. Desde 2009 (ano que publiquei 367 posts) vem acontecendo essa diminuição, e me pergunto se esse será o fim natural não apenas desse, mas de muitos outros blogs que tem essa pegada mais pessoal.

Um monte de blogs pessoais que eu lia quando comecei a escrever 10 anos atrás já não existem. Alguns viraram blogs temáticos, outros misturam posts pessoais e de lifestyle (família, decoração, gastronomia) com posts de viagens. Enfim, cada um tomou um rumo.

Acho que muita coisa que antes se tornaria tema para post hoje vira foto no Instagram, pensamento solto no Twitter ou divagação no Facebook. E claro, quando o assunto é viagem, o post (ou melhor, os posts) vai parar lá no Aprendiz de Viajante.

E claro que aos 24 anos, idade que eu tinha quando publiquei o primeiro post aqui, eu tinha uma cabeça muito diferente. Na época o blog era meio escondido, então eu não me policiava: já falei mal do trabalho, já soltei os cachorros em cima de chefe, já divaguei sobre planos para o futuro, coisas que hoje em dia prefiro não compartilhar no blog.

Uma coisa que sinto muita falta aqui, e que me faz ficar mais nas redes sociais, é a interação. Seja um reply de um tuíte ou um comentário em uma foto no Instagram, sinto que estou sendo 'ouvida' muito mais do que sou aqui. E aí me pego pensando: então é pra encher meu ego que tenho esse blog?

Deve ser! E por enquanto ele vai continuar onde está, independentemente da quantidade de postagens. E fica aqui a minha primeira divagação de 2015.