segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Leitura: To Kill a Mockingbird, Harper Lee

To Kill a Mockinbird é um clássico da literatura americana, mas que eu só vim a conhecer já mais velha, assistindo um episódio da série 'Everybody Loves Raymond' (quem mais adora essa?), pois é o livro preferido de uma das personagens.

Bom, há uns 2 anos eu comprei um exemplar e ficou na minha interminável fila da estante. Até que começou o burburinho do livro continuação, 'Got Set a Watchman', publicado só agora, décadas depois de ser escrito. Aqui em Londres o lançamento de Got Set a Watchman causou furor nas livrarias, com pessoas fazendo fila e livrarias abrindo as portas a meia noite para saciar a curiosidade dos ávidos fãs.

Então resolvi finalmente tirar 'To Kill a Mockingbird' da fila.

E entendi a devoção das pessoas, e entendi porque Atticus Finch é o personagem favorito de muita gente. É um livro maravilhoso, vou me abster de comentá-lo aqui, porque é amadorismo demais pra tamanha obra prima.

Claro que ja comprei 'Go Set a Watchman', e em breve devo começar a leitura.

sábado, 29 de agosto de 2015

Coleção de globos de neve

Lá no Instagram eu sempre posto foto dos globos de neve que compro em viagens, e volta e meia alguém me pergunta onde eu guardo eles, como comecei a coleção, quantos eu tenho... Então um dia tive uma ideia ~brilhante~ e resolvi fazer um vídeo.

O resultado está aí - ficou longo (20 minutos), mas tentei ser o mais breve possível! Contei do início da coleção, mostrei meus preferidos e também os mais cafonas : )

(O vídeo faz parte do canal do Aprendiz de Viajante no YouTube, segue a gente lá!)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Última escapada do verão

Aproveitamos os míseros dias que nos sobraram de férias esse ano para mais uma vez ir para o País de Gales. Olha, cada visita ao amado país vizinho é mais surpreendente do que a anterior!

Conhecemos uma parte da região conhecida como Snowdonia (onde fica o Snowdon, montanha mais alta do País de Gales e Inglaterra, e agora conquistada por nós, já que fomos até o topo!) e também da ilha de Anglesey.

Choveu, fez frio e ventou muito. Mas nada que a roupa impermeável (preparação é alma do negócio) não aguentasse. Tiramos de letra!


As fotos são do meu Instagram. Também postei bastante no Snapchat (helorighetto) mas né, agora já não dá mais pra ver : )

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Esse Vuillard é seu?

Todo mundo tem um sonho, desses assim bem impossíveis - o meu é um dia me deparar com uma obra de arte 'perdida' em uma loja de antiguidades (alô Junk Shop) ou um mercado de pulgas. Eu fico imaginando o momento em que vou bater os olhos em um quadro jogado num canto qualquer, meio quebrado, e que vou me interessar por ele e ele vau custar uma barganha e depois de um tempo vou descobrir que estou rica afinal esse era o quadro perdido do Picasso.

Aparentemente eu não tenho mais o que fazer do que criar essas fantasias...

Mas enfim, por isso que eu gosto do programa Fake or Fortune da BBC, que materializa esse meu sonho. Um trio de especialistas tenta provar a autenticidade de várias obras de arte (mas nem em todas as vezes tiveram sucesso), que por um motivo ou outro acabaram esquecidas dos catálogos oficiais ou não tinham a documentação essencial para confirmar a procedência.


Ontem assistimos um capítulo do Fake or Fortune sobre uma obra do Edouard Vuillard, um pintor Pós Impressionista. A pessoa comprou o quadro num leilão desses bem comuns aqui na Inglaterra, que vendem antiguidades e quinquilharias, por 11 mil libras. Ele sabia que havia problemas pra provar a procedência, mas tentou a sorte e mesmo assim arrematou. Long story short, os especialistas do programa conseguiram provar que o quadro foi realmente pintado por Vuillard e agora o dito cujo vale centenas de milhares de libras.

Mas o mais interessante é que o quadro foi pintado para fazer parte de uma composição, sendo que um deles é sabido onde está (nunca houve dúvidas sobre sua autenticidade, pertence a um colecionador privado) e o outro.... foi vendido no Ebay por 3 mil libras.

Pois é... ao provar a autenticidade do quadro que 'participou' do programa, eles meio que provaram a desse terceiro quadro também, pois eles estavam sempre juntos. E a última coisa que se sabe é que esse terceiro quadro foi vendido através do Ebay, ainda mais barato que o do leilão! Ninguém conseguiu descobrir pra quem foi vendido, então existe alguém por aí com mais dinheiro no bolso do que acha que tem.

Dá uma olhada na imagem abaixo: foi você que comprou essa belezura num dia que estava entediado olhando as ofertas do Ebay?




sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O café vale a pena

Há alguns anos que as minhas viagens de férias não são 100% a lazer. Todas elas acabam sendo 'para o blog' também, desde que eu comecei a colaborar ativamente com o Aprendiz de Viajante. Outro dia uma amiga me perguntou se isso é algo que me atrapalha - ela queria saber, por exemplo, se eu conseguia curtir mesmo as férias ou já ficava pensando nos futuros posts. Como eu já falei diversas vezes, eu consigo me desligar totalmente de tudo que é relativo a trabalho (e o blog é sim meu trabalho também, apenas não é meu principal provedor financeiro - quem sabe um dia?), e apesar de ter ideias para os posts durante as viagens, não fico estressada.

Enfim. Essa introdução meio nada a ver para falar de outra coisa relacionada a viagens: o equilíbrio entre amar viajar e curtir a vida 'normal'. A minha amiga Liliana escreveu sobre isso há um tempo, e achei válido falar sobre o assunto por aqui também, porque me dá um nervoso quando leio textos com 'dicas' absurdas para economizar para viajar mais.

Vamos por partes: vale a pena economizar pra viajar? Vale.

Vale a pena não fazer mais nada pra guardar todo e qualquer centavo para viajar? Não.

Olha, eu tenho meu peixe pra vender mas nem por isso acho sensato falar pra você não tomar um café no Starbucks, porque esses £2.5 que você gasta em um dia poderiam te ajudar a dar um passo em direção ao aeroporto. Também acho que sim, você deveria comprar a bolsa/calça/sapato/brinco que você quiser, sem ficar pensando que esse dinheiro poderia pagar uma diária no hotel.

Eu acho que os prazeres do dia a dia - por mais classe média que meus prazeres sejam - são uma grande contribuição pra minha sanidade e felicidade. Já não é fácil acordar cedo, trabalhar o dia todo e sonhar com trabalho (quem nunca?) a noite, então imagino que seja ainda mais chato fazer tudo isso apenas com um grande e único objetivo na vida - viajar.

Já cheguei a ler conselhos do tipo 'volte a morar com os seus pais por um tempo', e também vi um link no twitter para um post entitulado 'como viajar quando você tem dívidas' (me recusei a ler o post, porque afinal a resposta pra mim é óbvia nesse caso) - coisas que transformam a existência de qualquer pessoa em algo insuportável quando não está viajando.

Eu sei que existem dicas incríveis para gastar menos em viagens, ou para guardar dinheiro pra viajar - aliás lá no Aprendiz a gente escreve bastante sobre isso. Espero que eu tenha deixado claro aqui o meu ponto de vista: viajar é maravilhoso, mas pegar um café no Starbucks antes de ir pro escritório (e não morar com os pais) é muito bom também.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

The burden of proof

'The burden of proof lies with the prosecution. The defendant doesn't have to prove his innocence'

Minha breve - porém intensa - incursão no mundo da corte criminal britânica chegou ao fim hoje. Como eu prestei mais de 10 dias úteis (11 no total), o que é mais do que a média, só podem me chamar de novo daqui a 10 anos. Pode parecer exagero, mas o desgaste emocional desses últimos dias foi algo que nunca experimentei antes.

Me senti muito ansiosa, muito feliz, impaciente, indecisa, estressada, triste, decidida, confusa e aliviada - nada que eu não tenha sentido antes, mas em doses cavalares e dentro desse curto espaço de tempo. Acho que a sensação final é de dever cumprido - paguei boa parte da minha cota para o andamento do mundo civilizado e me sinto recompensada.

Porém, estou contente de ter atravessado de volta o portal que me transportou pra esse mundo paralelo de 'caros colegas', evidências, termos complicados, depoimentos traumatizantes, esperas extenuantes e salas da onde você não pode sair até tomar uma decisão.

Ah, e tudo isso sem contar outra coisa crucial: a convivência obrigatória com pessoas que você nunca viu na vida, e com as quais você precisa decidir o futuro de outra pessoa. Uma ótima oportunidade para conhecer gente que pensa igual a você e divide os mesmos princípios morais, mas também de topar com idiotas que estão mais interessados em ir pra casa do que levar a sério um caso criminal, ou então que tomam uma decisão assim que colocam os olhos no réu (tambem conhecidos como racistas).

Meu pai ficará contente em saber que aprendi muito com os dois juízes que trabalharam nos dois julgamentos que participei. A gente sempre ouviu falar que todo mundo é inocente até que se prove o contrário, certo? Imagino que todo mundo conheça essa expressão. Mas eu só me dei conta da sua importância quando sentei no banco do juri pela primeira vez, e me foi explicado que o réu que ali estava não precisaria provar sua inocência - quem tem que provar algo é a acusação.

E, por mais óbvio que isso soe, toda história tem dois lados. Por isso, agora eu entendo perfeitamente que não podemos tirar conclusão alguma quando vemos algum caso no noticiário, por mais evidente que o caso pareça. TODA HISTÓRIA TEM DOIS LADOS. Se há dúvida, não há culpa. E amigos, acreditem em mim: há muita mentira, portanto há muita dúvida.

Eu nunquinha que vou esquecer os nomes e rostos das pessoas envolvidas nos casos que eu julguei. Não apenas os réus, mas tambem os familiares e amigos que assistiam da galeria, ou as testemunhas que são obrigadas a contar os detalhes mais podres de suas vidas, aqueles que a gente jamais imagina revelar em público. Nunca vai sair da minha mente o choro de alívio do primeiro réu e o abraço que ele recebeu da sua família quando declaramos 'not guilty' - quanto ao segundo réu, o caso ainda está em curso (não chegamos a um veredito unânime e nem uma maioria, portanto fomos dispensados), por isso não posso falar nada aqui.

Mas posso falar que nos últimos dias eu li transcrições de longos depoimentos a polícia, ouvi diversas vezes a gravação de uma ligação para o serviço de emergência e examinei um martelo embrulhado em um saco plástico.

Como eu falei lá em cima, estou feliz de ter voltado desse mundo paralelo. De repente a rotina do escritório, das corridas, dos afazeres domésticos e da vida social ficou muito mais atraente do que o vaivém nas salas ou muito quentes ou muito geladas da corte criminal de Londres.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

5 lojas que existem em toda 'High Street' de Londres

Uma pequena introdução pra esclarecer o que eu quero dizer com 'High Street': não só em Londres, mas por toda Grã Bretanha, as cidades tem suas 'High Street' o que quer dizer a rua mais importante, a rua do comércio, a rua onde se concentra o 'centrinho'. Claro, Londres é gigante e não tem uma High Street apenas - mas cada bairro ou vila dentro da cidade tem a sua própria. As vezes a rua principal nem tem 'High Street' no nome, mas é aquela coisa Gilette/Lâmina, sabem? High Street virou uma expressão do dia a dia, pra falar de algo local, principalmente no quesito comércio/varejo. 

1. Junk shop
Apesar do nome nada lisonjeiro (loja de porcarias, basicamente), uma junk shop é o paraíso pra quem gosta de coisas esquisitas, cafonas e velhas. Em uma loja como essa você acha desde raposa empalhada a banco de praça caindo aos pedaços a uma peça de cerâmica dos anos 50. É um local empoeirado, bagunçado, que mais parece saído daqueles programas de televisão que mostram casas de pessoas que juntam lixo a vida toda e não conseguem jogar nada fora (hoarders, uni-vos!). Cuidado para não tropeçar na mobília ou bater a cabeça no lustre que tá cheio de teias de aranha. Ainda assim, nenhuma outra loja é tão charmosa quanto a junk shop!

2. Charity shop
Eu já falei sobre as charity shops em outros posts ao longo dos anos aqui no blog, mas recentemente nesse aqui. Basicamente, a charity shop ('loja de caridade') é um lugar onde as pessoas doam seus pertences, os quais são revendidos por preços simbólicos (coisa de £2 a £5, bem barato mesmo), e o dinheiro arrecadado vai para alguma instituição de caridade. É claro que existem charity shops e charity shops: algumas são bem ruinzinhas, onde e difícil encontrar algo que realmente valha a pena (as pessoas doam cada coisa que vocês não tem ideia). Outras são sensacionais, lugares onde vale a pena garimpar. Recomendo investigar as prateleiras de livros, que sempre tem algo interessante. Eu já comprei um relógio de mesa vintage, lindíssimo, por £10. Não estava funcionando, mas consertamos em casa mesmo, não tinha maiores problemas.

3. Casa de aposta
Pra mim, os lugares mais deprimentes de Londres são as casas de apostas. Basicamente, é possível apostar em qualquer coisa que você queira, não apenas resultados de torneios esportivos mas também assuntos aleatórios como o nome do bebê real, música que será a número 1 das paradas no Natal, quem será o ganhador de um certo reality show.... ou seja, essas lojas são máquinas de tirar dinheiro das pessoas. E a 'atmosfera' dessas casas de apostas é péssima... cheias de televisores e pessoas olhando para resultados obssessivamente. Geralmente homens, geralmente de meia idade (ou mais velhos). Infelizmente, existem muito mais casas de apostas do que pode ser considerado razoável, e como são instituições financeiras que fazem dinheiro, conseguem pontos privilegiados nos bairros.

4. Imobiliária
Dãr! Mas imobiliária existe no mundo inteiro! Claro, eu sei disso, mas achei o 'modelo' de loja das imobiliárias daqui bem diferente do que no Brasil. No Brasil, imobiliária não tem vitrine, certo? É um escritório, ninguém para na frente pra ver as ofertas: você vai la porque marcou horário, ligou antes, viu um anúncio em uma placa ou algo do tipo. Aqui, as imobiliárias tem vitrines, as casas e apartamentos disponíveis para compra ou aluguel estão em destaque em pequenas placas enfileiradas. E vira uma coisa meio viciante: você passa na frente de uma imobiliária e para pra ver os preços, como se estivesse namorando um sapato ou uma roupa! Principalmente quando visitamos um bairro novo, dá aquela vontade de saber quanto custa morar lá!

5. Vendinha
Isso não é uma exclusividade londrina, ou britânica, ou de qualquer outra região do mundo. Mas é uma coisa que eu já não via mais nas redondezas da onde eu morava em São Paulo, por isso me chamou a atenção aqui. Vendinhas de frutas, verduras e legumes que geralmente tem produtos muito mais frescos, bonitos e apetitosos do que os supermercados maiores - mas né, são mais caros. Esse tipo de loja está ficando cada vez mais raro, e ultimamente tenho tentado valorizar mais esses varejistas menores, independentes. Fora que a atmosfera é muito legal, dá mesmo aquela sensação de fazer parte da comunidade, já que o dono da loja é quem está no caixa e conhece todo mundo que mora por ali.


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