Mestrado acabou, e agora?


Mestrado acabou, já recebi meu resultado (sim, sou oficialmente mestre! Ou melhor, mestrA), e agora tenho a estranha sensação de que os dias passam muito rápido e muito devagar ao mesmo tempo. Filosofias a parte, a falta de rotina unida a muitas ideias e coisas pra fazer - não consigo não arrumar uma sarna pra me coçar - me faz pensar que deveria aproveitar mais essa fase sem trabalho 'normal' (em um escritório, o dia todo) ao mesmo tempo que acho que devo fazer mais e mais coisas pra 'justificar' não ter um trabalho formal. Complicado? Imagina!

Na prática, é assim: hoje, por exemplo, resolvi dividir meu dia em duas tarefas. Trabalhar em uma proposta para um livro e adiantar a legendagem de um dos vídeos de entrevista da Conexão Feminista. As horas se arrastam. Eu escrevo, escrevo, escrevo e o tempo não passa. Aí resolvo 'migrar' pra legendagem pra mudar um pouco de ares e a mesma coisa acontece. Nesse sentido, o dia passa muito devagar. Mas, vai chegar a sexta feira e eu sei que vou pensar: mais uma semana que eu não fiz nada, que eu não consegui um trabalho 'decente'. Nossa, até eu tenho dificuldade em compreender essas contradições.

E assim vamos. Isso sem falar é claro da despedida da democracia no Brasil e do trem desgovernado chamado Brexit no Reino Unido que está perto do fim da linha e vai cair em um precipício.

Mas tá tudo bem. Tá tudo bem!

(pelo menos voltei a dar as caras aqui!)

Trilha em vídeo


Depois dos vídeos do Kilimanjaro o Martin perdeu um pouco a empolgação de fazer vídeos, mas consegui convencê-lo a levar a câmera pra Islândia e filmar nossa aventura. Ontem ele terminou de editar o vídeo (enquanto eu fazia o álbum), e aqui está!

A gente poderia (deveria) ter filmado mais, mas quando estamos lá no calor (cansaço) do momento as vezes nem lembramos mesmo, ou simplesmente não queremos parar de caminhar quando pegamos um ritmo bom.  Ainda assim ficou bem bacana e acho que resume muito bem nossa jornada.

54 km


Trilha Laugavegur feita. É tão estranho pensar que já foi, depois de meses de preparação. A Islândia ficou pra trás e estamos de volta a rotina (bom, eu estou tentando fazer uma rotina, agora que não tem mais mestrado, nem trilha pla planejar). Difícil escrever sobre os 54 km percorridos sem cair no mais do mesmo: experiência maravilhosa, tudo muito lindo, super desafio, etc etc etc... E foi tudo isso mesmo.



Apesar de toda a preparação é só quando a gente bota a mochila (de 15kg) nas costas e dá os primeiros passos que a ficha cai. Agora é pra valer, vamos em frente, um dia de cada vez!

Foram 4 dias de caminhada no total (12km, 12km, 15km, 15km), pois resolvemos cancelar o último trecho, que não faz parte da trilha Laugavegur (é uma extensão, tem até outro nome). Essa mudança de planos aconteceu na hora mesmo, e fiquei bem orgulhosa da gente por termos tomado uma decisão não baseada no orgulho, mas no que estávamos sentindo na hora. Ao chegarmos no fim da Laugavegur, no camping Þórsmörk, ficamos sabendo que a previsão do tempo no topo das montanhas para onde seguiríamos no dia seguinte não estava amigável. Avaliamos nosso cansaço (essa etapa extra teria 24 km) e o risco de seguir montanha acima, para perto dos glaciares, com o conhecimento que havíamos adquirido nos dias anteriores sobre o clima nas highlands da Islândia (em uma palavra: louco).  Também não gostamos muito do 'clima' do camping Þórsmörk. Ao contrário dos outros, onde os rangers (tipo os cuidadores, supervisores) foram super solícitos e simpáticos, nesse último não achamos que fomos bem recebidos. A vontade era ir embora dali imediatamente em vez de montar acampamento de passar a noite. Por último, absolutamente ninguém do nosso 'grupo' - quero dizer, as pessoas que começaram no mesmo dia que a gente e que encontrávamos toda hora pelo caminho e também nos campings - estava lá. Mesmo quem havia nos passado nesse último trecho.

Consegui reservar um hotel em Reykjavik e também lugar no ônibus que passaria dali a 2 horas. Estava resolvido. Nossa trilha terminou e conseguimos relaxar. Nós havíamos terminado a trilha Laugavegur!

Nessa foto, a plaquinha no começo da trilha, em Landmannalaugar (Hrafntinnusker era o camping do primeiro dia):



E nessa, a plaquinha no final, em Þórsmörk (Emstrur/Botnar era o camping anterior):


Dissertação entregue



Acho que enquanto a nota não sai, não posso falar que sou Mestre. Mas o fato é que o mestrado acabou no minuto que eu entreguei a dissertação, 3 dias atrás (um dia antes do prazo, olhem só que mulher organizada que sou). Tem um monte de gente me perguntando se estou aliviada, se estou feliz, se estou orgulhosa. Na verdade eu estou cansada. Assim que eu apertei o botão 'enviar' (não precisei entregar cópia impressa, apenas digital, assim como não precisei fazer uma defesa oral) senti minha pálpebras pesarem e uma vontade imensa de deitar no nosso e ver televisão por horas a fio.

Eu honestamente não senti que o processo de escrever uma dissertação foi doloroso. Achei solitário, longo, meio tedioso, mas nada que me impediu de dormir ou de aproveitar minha vida social. Mas todas as leituras e o fato de escrever e escrever e escrever sem parar acabaram pesando mais do que imaginava que iriam pesar.

Já tenho mil coisas para fazer agora que essa fase acadêmica ficou para trás, mas a primeira dela é viajar para a trilha na Islândia. Na volta eu começo a tocar o restante. Apesar de ser uma viagem que vai exigir fisicamente, tenho certeza de que vou voltar muito descansada.

Ah, e pra quem interessar possa, o título da minha dissertação é: #HashtagFeminism: the impact of hashtags on the fourth wave of feminism in Brazil (#HashtagFeminismo: o impacto das hashtags na quarta onda do feminismo no Brasil).

Mês vegetariano


Julho foi um mês atípico. Entre tantas coisas que aconteceram, foi o mês que experimentei ser vegetariana. Eu e mais 3 amigas (até fizemos uma conta no Instagram pra registrar, está aqui, mas no fim das contas eu e a Renata que postamos mais) decidimos, em um dos nossos encontros, colocar o pé no vegetarianismo por um mês para ver no que dava. A ideia era tentar, mas nenhuma de nós 4 achava que iria terminar o mês e continuar vegetariana.

Bom, a princípio a proposta era fazer isso entre 1 e 31 de julho. Mas eu estava de férias em Portugal até dia 6 de julho, e foi impossível começar no dia 1. Eu achava que poderia tentar, mas chegando lá percebi que teria que comer macarrão todos os dias, os restaurantes do Algarve realmente não tem opção. E também acabei nem comentando com os meus pais porque sabia que eles iriam se dobrar em mil pra dar um jeito de eu comer bem. Então resolvi adiar e só no dia 6 comecei minha pequena saga vegetariana.

Nenhuma de nós 4 conseguiu ficar o mês todo sem carne. Eu mesma furei umas 4 vezes (sendo que uma delas por puro esquecimento). Não sentia falta da carne vermelha, mas sentia falta de carne. De peixe, de frango. De ter mais opções. Notei que mesmo em Londres, uma cidade onde dizem ser muito mais fácil para veganos e vegetarianos saírem para comer, ainda é bem restrito. Os cardápios dos pubs, então, nem se fala: tem 1 ou 2 coisas vegetarianas (salada e massa), geralmente algo pra constar, dá pra perceber que quem bolou o menu não pensou realmente em algo bacana para esses clientes.

O Martin também acabou entrando na dança, afinal é ele que cozinha aqui em casa. Fez uns pratos novos, ótimos, mas tudo tinha que ser pensado com antecdência. Por causa do hábito de ir no supermercado e pegar qualquer coisa pra jantar no mesmo dia, ele achou difícil fazer a janta sem se programar. E isso é o que achei mais chato do vegetarianismo: ter que pensar em comida o tempo todo. Sei que quando vira um hábito não é preciso fazer esforço, mas pra quem tá começando é um mega obstáculo.

Não sei se foi porque julho foi um mês de muito calor aqui em Londres, mas outra coisa negativa foi que me senti sem energia. estava cansada o tempo todo. Pra piorar fechei o mês com uma virose que me deu muita dor de cabeça e enjôos por 24 horas, da qual levei uma semana pra me recuperar completamente.

Concluindo, não foi algo prazeroso. Eu achei que seria muito fácil, e não foi. A boa surpresa é que não senti falta mesmo da carne vermelha, não estava com mega vontade de comer um bife, e acho que é algo que quero sim diminuir no meu dia a dia. Mas por outro lado não quero deixar de comer algo que amo (como por exemplo sushi e sashimi) e de experimentar coisas típicas de lugares novos que conheço. Então não sei se conseguiria ser 100% vegetariana. Talvez uma vegetariana ocasional?

A próxima aventura


No fim do ano passado eu comprei um livro chamado 'Wanderlust - Hiking on Legenday Trails', que é basicamente um livro que compila algumas das trilhas mais lindas do mundo. Não é um guia, ele apenas faz uma breve descrição, tem fotos espetaculares e dá algumas informações práticas de cada trilha (como distância, dificuldade, onde começa e onde termina).

Folheando o livro nos deparamos com algumas trilhas que não pareciam tão impossíveis assim da gente fazer (até o Kilimanjaro tá listado, fiquei orgulhosa!), e uma delas é a trilha Laugavegur na Islândia. Começamos a ler um pouco mais sobre ela e estudar a possibilidade de fazermos... meses depois, estamos aqui, a 20 dias de embarcarmos para a Islândia com nossos mochilões, barraca, sacos de dormir e toda a tralha que vamos precisar para essa aventura.

O ano tem sido tão intenso que até agora eu não estava nem conseguindo pensar direito no que vamos encarar. Os preparativos tem sido organizados ao longo de mais de 6 meses, por isso não tinha caído a ficha de essa será uma viagem épica. Compramos as passagens em fevereiro, reservamos nossos lugares nos campings ao longo da trilha em março, compramos equipamento que faltava em abril e ontem reservei o transporte para o aeroporto... e agora a única coisa que nos resta comprar é a comida (sim, vamos carregar absolutamente tudo, não teremos a mamata dos carregadores como tinha no Kilimanjarao).

Seremos só nós dois (e os demais trilheiros, claro), e as highlands islandesas. Lugares onde carros e excursões não chegam. Serão 75km (a trilha oficial tem 55km, mas optamos por incluir um pedaço extra no final para irmos até a famosa cachoeira Skógafoss) em 5 dias, com o clima imprevisível do 'verão' da Islândia.

Estou muito animada, e ainda mais por pensar que embarcamos 4 dias após eu entregar a dissertação do mestrado. Tudo que mais quero é me desligar totalmente desses meses intermináveis de vida acadêmica e ir para o meio do nada com o meu parceiro pra todas as aventuras.


Cadê a corredora que estava aqui?


Desde a meia maratona de Paris a minha vontade de sair pra correr sumiu. Desapareceu. Continuei correndo, mas com menos frequência, fazendo menores distâncias e, o pior de tudo, sem a menor vontade. Mas continuei indo. Aí rolaram as duas viagens seguidinhas uma da outra e fiquei (ficamos, o Martin também) um mês sem correr. 1 mês! Retomamos essa semana (até saímos pra caminhar algumas vezes com o meu pai quando estávamos em Portugal, mas o impacto de correr é muito diferente) e eu achei horrível, parece quando comecei a correr há tantos anos.

Tô achando bem difícil recuperar o mojo perdido, mas a corrida já me beneficiou tanto que não tenho coragem de parar. Nunca fui dessas pessoas 'viciadas'  em correr, acho ótimo quando chove e eu tenho uma desculpa aceitável pra não ir, mas sinto falta de me exercitar (e não quero pagar academia nem nada disso).

Então, vou ali fazer um trabalho para as deusas do mundo fitness e ver se encontro esse ânimo novamente.


Dois shows, duas viagens e um projeto depois


Passou um mês desde a última vez que publiquei algo por aqui. Desde o post sobre o show da Shakira tive dias intensos: mais dois shows (Foo Fighters e Alanis Morissette), duas viagens (Bermuda e Portugal) e um projeto feminista realizado (o Intercâmbio Feminista). E o meu aniversário de 38 anos!

Tem dias que até esqueço que tem uma dissertação esperando pra ser finalizada!

Volto logo, prometo.

Sozinha com Shakira


Uma das coisas boas do inverno aqui em Londres é que é a época que os shows que acontecerão no verão são anunciados e os ingressos colocados a venda. Pois é, aqui, em janeiro, a gente já tá com a agenda cheia pra julho. Rola aquela movimentação no whatsapp pra ver quem quer ir, quem pode acessar o site que está vendendo os ingressos na hora que começa a vender (dependendo do show, os ingressos esgotam em questão de minutos), e mais importante, descobrir se algum amigo é cliente do banco X ou da operadora de celular Y que está patrocinando o show e disponibiliza ingressos para seus clientes com antecedência.

Então em janeiro lá fui eu perguntar pras amigas quem queria ir no show da Shakira comigo. Shakira, gente! A deusa colombiana que marcou nossa adolescência com Estoy Aqui, como alguém pode não querer ir? Eu achava que teria companhia de várias amigas de vários grupos, mas pra minha surpresa não consegui adeptas. Uma amiga até respondeu meu apelo no whatsapp da seguinte forma: 'você tá falando sério?'

Deu aquele desânimo, porque ir no show da Shakira com amigas seria uma experiência ótima. Mas resolvi comprar só pra mim e se até o dia do show ninguém mais comprasse, eu decidi que iria sozinha mesmo. E fui. O show foi ontem e foi maravilhoso!

Ano passado eu fiz a cagada de desistir de última hora de ir no show do Hanson porque não tinha companhia. Me arrependi profundamente, então essa visitinha a Shakira - ainda que eu estivesse 'acompanhada' por toda comunidade colombiana em Londres - sozinha, foi questão de honra. Engraçado que eu costumo (e gosto) passar muito tempo sozinha. Mas no quesito diversão cultural (ir em restaurante, cinema, teatro, shows) eu prefiro estar acompanhada. Porém, como disse minha amiga Rapha, a melhor coisa é parar de terceirizar nossos desejos.

Obrigada Shakira, você foi uma ótima companhia!





Deu branco


Realmente deu um branco. Nada me 'apetece' o suficiente para me fazer vir aqui divagar. E quando eu sinto que preciso falar algo acabo recorrendo ao imediatismo do Instagram Stories. Tá, eu sei que eles desaparecem depois de 24 horas, mas costumo ver isso como algo positivo: dá pra medir o que a 'audiência' acha sobre determinado assunto. Se faz sucesso, ótimo, você sabe que dá pra retormar o tema daqui a um tempo. Se for ruim, ótimo também, jajá as histórias somem e ninguém se lembra mais.

Mas ok, vamos deixar esse negócio de 'tema' para as redes sociais e tratar esse blog como um diário da vida real, vamos voltar as raízes. Aí eu só tenho uma palavra para escrever: dissertação. A dissertação do mestrado é meu foco agora, e até eu entregar a bedita (maldita?) no final de agosto, não vejo muita esperança para a retomada de posts frequentes nesse blog.

Eu ainda estou por aqui. Esse blog resiste, mas por enquanto, descansa!

#OffTogether


Em fevereiro desse ano viajei para Brno, na República Tcheca, com a Karine e a Thaís. Foi uma press trip, feita pelo blog, a convite da agência ATO Tours. O que foi diferente dessa viagem é que a gente só ficou sabendo o destino lá no aeroporto, pouco antes de embarcar. Sabíamos que o destino era na Europa e que o vôo era curto, apenas.

Passamos um fim de semana lá,  e além de aproveitar a cidade começamos a conversar sobre uma possível extensão do projeto #OffTo, que temos feitos juntas desde 2016. E se a gente fizesse um #OffTo com outras pessoas? E se a gente vendesse uma viagem em grupo para um destino surpresa, exatamente como tinha acontecido com a gente? E se a gente propusesse uma parceria com a agência para unir o útil ao agradável?

Olha, não é sempre que uma ideia sai do papel. Mas essa saiu. Vai rolar uma viagem em grupo para um destino surpresa na Europa, entre 28 e 30 de setembro.

O que está incluso no pacote:

  • Passagem aérea para o nosso destino secreto a partir de Londres (empresa low cost)
  • Transporte para o hotel;
  • 2 noites em quarto duplo (entre em contato se preferir fazer upgrade para um quarto individual);
  • Drinks de boas vindas;
  • Um jantar em grupo;
  • Cartão de entrada nos museus da cidade;
  • Dois passeios secretos;
  • Experiências inesquecíveis e muitas surpresas preparadas por nós três!

O preço do pacote como descrito acima é £390. Se você esté em algum outro lugar que não seja Londres mas gostaria de ir, é só entrar em contato que a gente passa orçamento. Deixa um comentário aí com o seu email caso você se anime, que a gente vai responder com os detalhes e como fechar com a agência.

Vamos?


Preciso de ajuda de vocês!


Pois é, apareço só quando preciso de favor né???

O favor da vez: responder o questionário que desenvolvi para minha pesquisa de mestrado. Pra quem não sabe, minha dissertação será sobre hashtags feministas. Dá pra ter uma ideia melhor do que eu quero achar fazendo esse questionário. Você pode responder aí abaixo ou acessando esse link (use o link para mandar para amigos!!).

Muito obrigada!

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Cerejeiras


Tem uma janela de duas semanas, geralmente no mês de abril mas que pode cair no início de maio também, que é quando as cerejeiras florescem no parque aqui do lado de casa. Esse ano, por causa do frio intenso (com vários dias de neve, o que é bem atípico por aqui) justo no final do inverno, elas atrasaram um pouco para abrir.

Mas finalmente, há uma semana, o parque virou um pequeno mundo cor de rosa. Eu gosto tanto de ver essas árvores d eperto que tenho ido lá quase todo dia. Daqui a pouco as pétalas começam a cair e o que fica cor de rosa é o chão. O espetáculo dura pouco, então eu tento aproveitar o máximo que posso.

Essa primeira foto foi bem no dia que elas abriram. Podem ver que nem todas estão abertas, ainda dá pra ver vários galhos e alguns brotinhos. Mas o interessante foi que eu tinha passado ali um dia antes, e elas estavam fechadas. Como fez muito calor nesse dia, eu apostei que elas abririam no dia seguinte. E acertei.

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E aqui depois de alguns dias, com todas já abertas, o que a gente chama de 'full bloom' em inglês:


E a título de curiosidade, uma foto do mesmo lugar (exatamente o mesmo lugar) tirada dia 28 de fevereiro, durante a frente fria que ficou conhecida como 'Beast from the East':

Porque ninguém dá tchau


Sempre tive raiva de blogueiros que encerram suas atividades sem sequer dar um tchau para os leitores. É tão legal cair em um post interessante quando a gente busca qualquer coisa no Google, mas eu fico decepcionada quando percebo que o blog não é atualizado há meses, as vezes anos. O mais interessante é achar o blogueiro nas redes sociais e constatar que o link pro blog continua lá, na biografia dele ou dela, como uma vitrine.

Mas agora eu entendo essa falta do tchau oficial. É que ninguém quer se despedir, ninguém quer oficializar que o blog acabou. O último post não existe justamente para se por acaso 'um dia' o dono do blog quiser voltar, sem culpa. Afinal, são anos dedicados a criação de um diário, e ninguém gosta de admitir que essa fase acabou.

Acho que a gente deve uma certa satisfação pra quem nos acompanha, mas como falei antes, agora entendo. Vai que você se despede, ninguém nunca mais volta no seu blog e anos depois surge aquela vontade de escrever de novo? É sempre bom pensar que alguém está esperando você voltar.

Em tempo: esse não é um post de despedida, mas obviamente ando sumida daqui. Pensei sim em escrever tchau, nos vemos por aí, mas não consigo. Hoje mesmo uma pessoa me mandou mensagem no Instagram e sugeriu que eu escrevesse um post sobre as minhas plantas. Quem sabe esse post apareça por aqui em meio aos posts sobre os livros que estou devendo?

Leitura: Rescue, David Miliband


Pra quem não sabe, o David Miliband era um membro senior do partido Labour aqui do Reino Unido, e chegou a concorrer para ser líder do partido (mas teve o tapete puxado pelo irmão - sim, irmão! - Ed Miliband, que ganhou a votação mas não chegou a ganhar eleição e já não é mais o líder do partido). Hoje em dia ele é CEO da IRC - International Rescue Comittee, uma ONG de ajuda humanitária. Em 2017 ele fez uma TED Talk sobre a crise dos refugiados, que acabou dando origem a esse livro.

É um livro excelente, que dá pra terminar em um ou dois dias, que esclarece toda e qualquer dúvida que alguém possa ter sobre os refugiados. Ele questiona não apenas a participação do governo - nos conflitos que geraram a crise e na solução/administração da crise - mas a nossa (eu e você) missão. O nosso papel nessa história toda.

Já faz alguma semanas que terminei o livro, e lembro que ele tem diversas passagens marcantes, aquele tipo de frase que bota o dedo na ferida. Acho que é uma leitura imprescindível pra quem regularmente se encontra em situações onde precisamos explicar o que nos parece óbvio.

Meu livro novo


Turma das antigas: lembram de uma série de posts que eu publiquei aqui há uns anos, que consistiam em listas estilo 'top 5' que falavam de forma engraçada sobre a vida em Londres? Bom, eu segui o conselho de alguns de vocês - que me falavam que eu deveria juntar essas listas e fazer um livro - e, aqui está ele: Quase Londoner, um guia não convencional.

Além das listas, escrevi também sobre 70 lugares pra visitar na cidade, fora do circuito já tão explorado por guias de Londres mais comerciais (como o meu próprio Guia de Londres Para Iniciantes e Iniciados, o qual continua  avenda). Ou seja, o livro é meio que um registro desses meus mais de 9 anos morando aqui, explorando a cidade sem parar, descobrindo novos lugares e estranhando a cultura britânica : )

Custa R$30,00 e está disponível em formato ebook. Clique aqui para comprar o seu. Muito obrigada pelo apoio!


Lembrem-se: vocês pagaram por isso


Era isso que estava escrito em um cartaz que uma mulher segurava no percurso da meia maratona de Paris, que completamos há quase 10 dias. Eu li o cartaz (estava em inglês) e me identifiquei na hora. Estava lá já estrupiada, cansada, dolorida e encharcada (choveu o tempo todo) e só conseguia pensar que eu estava ali porque tinha desembolsado valiosos euros. Aliás, nós estávamos ali: mais uma vez eu e o Martin corremos juntos.

Ao contrário da Natália (que conheci ao vivo depois de tantos anos de amizade virtual), que fez seu melhor tempo nessa prova, eu terminei batendo o meu pior recorde. Foi horrível. Depois do quilômetro 15 já não conseguia botar uma perna na frente da outra, então diminuímos muito o passo. Mas nós sabemos porque isso aconteceu, não foi nenhuma surpresa. Não nos dedicamos aos treinos como deveríamos, fomos adiando os treinos longos até chegar a hora que já não dava tempo de fazer um (chegamos a fazer 13km - o ideal é fazer pelo menos um de 16km), e nas duas semanas antes da prova fomos acometidos por gripe e muita neve em Londres.

A nossa sorte é que o cansaço estava apenas nas pernas mesmo. Como já corremos há alguns anos, não rolou sofrência de respiração ou coração disparado.

Eu havia prometido a mim mesma que essa seria a última meia maratona, mas agora já não sei. Se treinando mal eu consegui completar, ainda que derrubando meu melhor tempo em 13 minutos, treinando bem quem sabe consigo bater o tempo de 2 horas e 10 minutos?

Em tempo: comprei essa foto oficial nossa, porque foi a primeira vez que saímos bem. Nessas provas sempre tem vários fotógrafos ao longo do percurso, mas a coisa mais difícil é sair com uma cara decente, sem parecer que está morrendo de tanto fazer esforço.


Leitura: What Happened, Hillary Rodham Clinton


Há muito tempo eu comprei um livro da Hillary Clinton, chamado Hard Choices, mas ele vai precisar esperar mais um pouco, já que o What Happened (O que aconteceu) me atiçou a curiosidade e passou na frente. Eu não queria esperar até sabe lá quando pra ler sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos de 2016. Já que todo o 'evento' está fresquinho na memória, achei que fazia mais sentido ler agora.

Eu estava muito curiosa pra ler sobre como foi ser uma mulher candidata, e como ela lidou com a derrota. Ela escreve sobre tudo isso e muito mais. Por exemplo, não esperava que teria um capítulo todinho dedicado a dissecar a questão do envolvimento da Rússia na campanha.

Achei o livro ótimo, muito bem escrito, e que dá nome aos bois. Ela não poupa ninguém e ao mesmo tempo assume toda a 'culpa' por não ter sido eleita. Claro que é a versão dela e a gente tem que levar isso em consideração (afinal, criar propostas é uma coisa, colocá-las em prática é outra), mas sei lá - me pareceu muito honesto. A verdade é que gostei do livro muito mais do que esperava (e não pude deixar de pensar - várias vezes - como teria sido um encontro entre a Hillary e a Dilma. Também pensei o quanto seria maravilhoso ler um livro desse estilo escrito pela Dilma, contando sobre o golpe na versão dela).

Ah, uma coisa que eu adorei foi quando ela menciona uma participação que ela fez no Saturday Night Live. Ela contracena com a atriz que interpreta ela, enquanto ela faz o papel de atendente de bar.

Sobre financiamento coletivo


A Renata escreveu sobre a experiência dela fazendo uma campanha de financiamento coletivo (a nossa, é claro), e me inspirou a escrever sobre isso também.

Ao contrário da Rê, eu já tinha um pouco de experiência no assunto. Não apenas como consumidora -já apoiei diversas campanhas assim, como por exemplo a dos meus amigos que abriram um restaurante aqui em Londres e das meninas que criaram um app para ajudar vítimas de violência doméstica no Brasil - mas também como realizadora. No fim de 2016 eu ajudei a criar e coordenar a primeira campanha de financiamento coletivo da LAWA (a ONG onde trabalhei como voluntária por um ano e meio - saí recentemente porque preciso focar no mestrado).

Então quando não conseguimos ganhar o financiamento para o qual nos candidatamos através do Fundo Elas de Investimento, eu propus para a Renata que a gente fizesse nosso projeto - Intercâmbio Feminista - acontecer mesmo assim. Vamos fazer um financiamento coletivo? Ela topou. O bom de fazer algo assim com outra pessoa é que a gente se questionava o tempo todo. A Rê me fez mil perguntas que achava que seriam feitas pelas pessoas que seguem nosso trabalho. E só quando conseguimos responder todas é que nos sentimos seguras para colocar a campanha no ar.

A escolha da plataforma foi fácil: a Benfeitoria era a que mais se aproximava da nossa propostas, pois além de ser uma instituição sem fins lucrativos também nos dá a opção de escolher quanto da nossa arrecadação vamos doar para eles (podíamos não doar nada, mas optamos por 6%). Apesar de alguns poucos pesares (achamos que faltou apoio nas redes sociais), a plataforma em si é ótima, e eles nos deram muito suporte na hora de construir a página.



Depois das recompensas criadas e da página montada, a campanha foi pro ar. E nos 2 meses seguintes eu e a Renata (e a minha mãe) passamos boa parte dos nossos dias atualizando a bendita página. Logo nos primeiros dias de campanha conseguimos arrecadar mais de 20% da meta, o que a Benfeitoria vê como um dos melhores indicadores de que o projeto será bem sucedido. Isso foi maravilhoso, perceber que as pessoas realmente acreditam no que a gente faz. Sim, amigas, colegas e pessoas completamente desconhecidas estavam nos dando seu rico dinheirinho para que a gente viabilizasse um projeto feminista. Não é sensacional?

Claro que há altos e baixos, e quando passavam 3 ou 4 dias sem nenhuma colaboração, as dúvidas surgiam novamente. Lá íamos nós mobilizar os contatos pelas redes sociais (minha, dela e da Conexão Feminista). Pedir ajuda não é fácil, ainda mais quando essa ajuda significa dinheiro. E algo ainda mais inesperado aconteceu: comecei a receber mensagens (tanto de conhecidos como de desconhecidos) de pessoas que queriam explicar a razão de não poder ajudar financeiramente. Isso foi algo estranho: por um lado me senti orgulhosa de ter criado uma comunidade tão engajada a ponto de sentir que nos devia esse apoio financeiro, por outro fiquei arrasada de pensar que estava pressionando quem nos prestigia.

Teve gente que compartilhou com seus próprios contatos, gente que doou mais de uma vez (sim! e mais de uma pessoa), gente que mandou mensagem após a campanha ter encerrado querendo mandar dinheiro pelo paypal (eu aceitei, e aliás ainda aceito caso alguém tenha perdido o prazo), gente que nos mandava mensagens falando que estavam tão ansiosas nas horas finais como nós estávamos. Foi incrível.

Como vocês sabem, nós não apenas alcançamos a meta mínima, como a superamos. Já estamos trabalhando pra fazer as engrenagens desse projeto funcionarem, e ainda temos muito trabalho pela frente. Mas sabendo que temos mais de 170 pessoas que acreditam nos nossos ideais, o que vem por aí fica muito mais fácil.

Ah, se você quiser ajudar a gente, aceitamos doações através do paypal. Basta usar esse link aqui.

Hiking


Uma pessoa no Instagram me pediu para contar porque eu gosto tanto de fazer hiking, como esse hobby começou. Engraçado que eu nunca tinha parado pra pensar nisso! Sair pra caminhar na natureza nos finais de semana tem sido minha atividade preferida ultimamente, e eu espero ansiosa por esses dias. Mas realmente não foi algo que passei a fazer de uma hora para outra, então precisei parar pra pensar, e fazer uma espécie de 'retrospectiva' mental para lembrar de como isso começou.

Em maio de 2013 fomos passar um fim de semana prolongado no País de Gales (nossa primeira vez por lá). A gente foi pra capital, Cardiff, mas percebemos que seria tempo demais pra ficar lá (achamos a cidade legal, mas não foi assim um lugar que nos impressionou), então fechamos com uma agência local para fazer um passeio de um dia para a Península de Gower.

Foi nesse passeio que descobrimos que existe uma trilha que pasa por toda costa galesa, e nós fizemos um pedacinho dela. Lembro de voltar pro hotel em Cardiff completamente encantada com o que eu tinha visto. Estava tão impressionada com a beleza de Gales que logo marquei de passar mais um fim de semana lá pra caminhar por mais um pedaço da trilha.

A segunda vez também foi muito legal (fomos para a região de Glamorgan), e depois que voltamos começamos a comprar roupas melhores e apropriadas para essa atividade. Voltamos mais três vezes desde então, e sempre com o objetivo de fazer caminhada e conhecer mais do interior do país. Cada vez que a gente ia aprendíamos algo novo (geralmente por causa de um erro, como por exemplo levar pouca comida e água na mochila, achar que não precisávamos de jaqueta corta vento porque o dia estava ensolarado e coisas do tipo), e passamos a nos preparar melhor.

Da vez que fomos para a região de Snowdonia, acabamos subindo o Monte Snowdon, e adoramos a experiência. Soubemos que o Snowdon é a segunda montanha mais alta da Grã Bretanha, perdendo para o Ben Nevis, na Escócia. Então, em março de 2016, lá fomos nós para a Escócia com o objetivo de chegar no topo do Ben Nevis.  Foi incrível! Muito mais difícil que imaginávamos, mas nós dois curtimos muito. Estávamos bem equipados e preparados fisicamente. Foi por causa dessa viagem ao Ben Nevis que começamos a considerar seriamente a possibilidade de ir para o Kilimanjaro.

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Mas antes do Kilimanjaro, uma amiga minha que já fazia hiking há mais tempo nos chamou para fazer uma trilha nos arredores de Londres (obrigada, Pri!), isso há pouco mais de um ano. Pronto! Adoramos! Nunca tínhamos nos tocado que era possível fazer esse tipo de programa sem precisar planejar uma viagem. Por mais que a gente ame a Escócia e o País de Gales, não é sempre que dá pra se deslocar.

Agora, cada vez que a gente faz uma dessas trilhas no interior da Inglaterra, já combinamos a próxima. A maior parte das vezes na companhia dos amigos, mas não é sempre que podemos nas mesmas datas. Já fizemos só nós dois, com outros grupos, e eu até já fiz algumas sem o Martin, quando ele estava viajando a trabalho.

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Se há 6, 7 anos atrás você me falasse que eu seria uma dessas pessoas que ama estar no meio da natureza e gastaria meu dinheiro comprando bota de caminhada e jaqueta impermeável, eu iria rir da sua cara. Sempre me considerei uma pessoa 'da cidade'. E agora, apesar de ser feliz morando em um lugar caótico como Londres, fico sempre planejando a próxima escapada pro meio do nada. Eu e o Martin recentemente compramos uma barraca e em breve vamos acampar pela primeira vez (sem contar a expedição do Kilimanjaro, claro, mas lá tudo era feito pra gente - não nos preocupamos em montar barraca ou fazer comida). Nossa próxima viagem juntos é para um lugar especial na Escócia, que estou com vontade de conhecer já há alguns anos, justamente por causa da natureza intocada e das trilhas. Também estamos programando uma outra viagem de aventura para o fim do verão europeu, mas vou falar disso com mais detalhes quando tudo estiver fechado.

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É preciso ter disposição pra acordar cedo no fim de semana, pegar o trem e passar o dia andando. Pode chover, pode estar frio, pode ter muita subida. mas não teve nenhum dia que me arrependi de ter ido. Voltar pra casa com as botas sujar e aquele cansaço gostoso, e também com a sensação de ter conhecido um pouquinho mais do país onde moro, é muito recompensador (ah, e sem contar nas paradas estratégicas no pub pelo caminho!!!)