Tudo que você gostaria de saber sobre hiking na Inglaterra


Você viu uma foto de um hiking que eu fiz no Instagram. Ou chegou aqui porque procurou informações sobre como fazer uma trilha perto de Londres. Ok, vou te falar tudo que você precisa saber!

Ok, não necessariamente tudo que você queria saber, mas tudo que eu sei. Como as perguntas aparecem repetidamente no Instagram toda vez que vou fazer uma trilha, achei que valeria a pena documentar aqui e assim direcionar quem se interessa em começar a fazer essa ativida pra cá. Farei o possível (leia-se: farei quando não estiver com preguiça) para manter esse post atualizado, mas também conto com a proatividade dos leitores para conferir informações.

Vou organizar esse post em forma de 'respostas para perguntas frequentes' mas as vezes a mesma resposta pode ser usada para perguntas diferentes. Então por favor leia tudo antes de deixar um comentário ou me mandar uma mensagem no Instagram. É muito provável que sua pergunta já tenha sido respondida.

1. Onde você acha as trilhas?
No site Saturday Walkers Club, mas existem vários guias impressos (e acredito que em formato de ebook também) disponíveis por aí. Existem guias por região/county our por tema (como por exemplo trilhas que tenham oportunidade para nadar, seja em lago, rio ou praia). Eu uso o SWC simplesmente porque estou acostumada e tem bastante coisa lá.

2. Mas tem muita coisa nesse site, como eu acho uma trilha que seja boa pra mim?
Use a busca. Coloque a região onde você quer fazer sua trilha (por exemplo, se você mora no Southeast de Londres, é muito mais fácil pegar um trem ou dirigir para Kent ou Sussex, mas se você mora no oeste vai ser mais fácil ir para Surrey ou Berkshire.

3. E como eu vou saber se a trilha é difícil?
Simplesmente leia a descrição dela. Nesse site que eu indiquei, toda trilha é classificada de 1 a 10, e também no começo tem escrito a quilometragem. Então se você não tem certeza se vai aguentar ou quer só ter um gostinho, pra ver como é, encontre uma trilha que seja até 5/10 com uma quilometragem de no máximo 15km, por exemplo. Se você quer experimentar já de cara algo mais pesado, busque as trilhas a partir de 6/10 e que chegam perto dos 20km. Com o tempo, você vai conseguir identificar mais rápido se aquela trilha é ou não é boa pra você.

Muita gente me manda mensagem pedindo que eu recomende uma trilha, e eu acho essa uma tarefa difícil, já que o que cada pessoa tem sua própria noção do que é fácil ou difícil. Vamos ser honestos? Você percebe que dá um certo trabalho procurar uma trilha legal e pergunta pra mim, né?

4. Posso levar crianças na trilha?
Poder, pode. Sempre vejo famílias com crianças cruzando nosso caminho, mas o que não posso saber é se aquelas pessoas estão fazendo exatamente a mesma trilha que eu ou se apenas coincidiu algum trecho. Você conhece seus filhos melhor do que ninguém e sabe se eles vão aguentar fisicamente e se se interessam por natureza. Vejo mães e pais carregando crianças bem pequenas naquelas mochilas apropriadas para isso, ou crianças já mais velhas andando num ritmo ótimo, mas por exemplo, nunca vi ninguém passando com carrinho nos trechos que passam por fazendas ou nas subidas por caminhos de terra.

5. Você vai de carro? Ou de trem? Quanto tempo de viagem?
Costumamos ir de trem. Todas as trilhas que fazemos como bate-volta de Londres começam em estações de trem. E geralmente (mas não sempre) o próprio nome da trilha é o nome da estação onde ela começa e termina, tanto no caso das trilhas circulares (que começam e terminam no mesmo ponto) como as que começam e terminam em pontos diferentes. Por exemplo: Robertsbridge Circular, Seaford to Eastbourne).

Preferimos fazer trilhas que comecem/terminem em pontos cuja viagem de trem ou carro não seja superior a 2 horas, mas isso é uma preferência pessoal. Você pode acordar bem mais cedo e fazer uma viagem mais longa. Lembre-se de verificar a frequência dos trens com antecedência!

Aliás, a estação de trem é outro critério pra eu escolher a trilha que farei. Isso porque pra mim é muito mais fácil pegar um trem em London Bridge do que em Paddington.

Se você for de carro (o que a gente começou a fazer durante o período da quarentena do coronavirus na Inglaterra), também verifique com antecedência onde dá pra estacionar, e é claro, lembre-se de escolher uma trilha circular (a não ser que você esteja disposto a pegar um trem no final para voltar ao ponto inicial da trilha e buscar seu carro - é tudo uma questão de logística.

6. O que você leva para comer na trilha?
Eu levo: sanduíche ou uma daquelas saladas prontas que vendem no supermercado, ovos cozidos e alguma fruta. E, é claro, muita água.

7. O que mais você leva na sua mochila?
Saco de lixo, álcool gel, power bank, canivete multiuso, documento, dinheiro, papel higiênico (eu parei de usar papel quando uma amiga me apresentou o Kula Cloth), capa de chuva (independente da previsão do tempo ou época do ano).

8. E se der vontade de ir no banheiro no meio da trilha quando não tem nenhum pub ou café a vista?
O mato taí pra isso. E é por isso que você precisa levar papel e um saco de lixo. Ache um cantinho e faça o que você precisa fazer - mas não faça perto de água corrente, e se for fazer cocô, enterre!

9. Que roupa você aconselha usar? Posso fazer de calça jeans e All-Star?
Poder pode. E se você nunca fez trilha ou fará esporadicamente, nem acho que você deva comprar um super equipamento. Use o que você tem (e calça jeans é até melhor do que calça de moletom): uma legging, tênis de corrida, qualquer camiseta. Quanto mais trilhas você fizer, mais entenderá a importância da roupa apropriada, que te proteja do vento, da chuva e da lama.

Eu por muito tempo comprei a roupa mais barata, e não conseguia me conformar que tinha uma calça de 30 libras e outra de 100. Não que você deva comprar a mais cara, mas não compre a mais barata: com certeza ela não tem proteção de chuva (e ficar encharcado na trilha é uó) e o tecido vai rasgar no primeiro arbusto que enroscar. Hoje em dia eu tenho roupas de qualidade superior e que foram bem caras sim, mas como eu uso muito e preciso que elas durem muito, vale a pena pra mim. Principalmente capa de chuva.

No inverno, use blusa de fleece ou casaco 'down jacket' (ou os dois) e, caso você seja bem sensível ao frio, uma calça apropriada para a ocasião (com fleece por dentro) ou um 'minhocão' de lã merino.

Sobre o calçado: dá pra fazer a trilha com tênis sim. E a questão da lama/sujeira nem é a mais importante. O problema é que um tênis não vai te proteger de uma topada e nem vai manter teu pé seco. Ou impedir que você torça o tornozelo se der uma viradinha no pé (e o terreno em um trilha varia muito, de campo e fazenda a subidas no meio do mato).

10. Qual a marca da sua bota de hiking? Você recomenda?
Salomon. Sim.

11. Que loja que é boa pra comprar equipamento de hiking aqui na Inglaterra?
Mountain Warehouse, Ellis Brigham, Cotswold.

12. Você usa walking sticks?
Eu tenho walking sticks e uso eles em trilhas mais de aventura, como foi na Islândia e no Kilimanjaro, mas não costumo usar nas trilhas que faço aqui de bate-volta, pelo simples fato que tenho preguiça de carregar. Muitas vezes tô no meio da trilha e me arrependo de não ter levado, porque elas ajudam muito a aliviar o peso no joelho e na coluna tanto em subidas como em descidas. Tem quem deteste walking sticks, então você precisa testar mesmo.

13. O que você vê nos hikings?
Antes de tudo, você precisa alinhar suas expectativas. A Inglaterra não é um país com montanhas altas ou paisagens inóspitas - espere ver muita floresta, fazendas e vilarejos. A maior parte das trilhas que faço tem um pouco dessas três coisas, além de invariavelmente passarem por algum lugar histórico, seja uma ruína ou um palacete mantido pelo National Trust.

Uma mesma trilha pode ter uma cara bem diferente dependendo da época do ano que você vai. Em abril e maio, você certamente verá bluebells, ou campos de rapeseed. No verão, estará tudo verdinho e lá por agosto você vai ver muitas frutinhas silvestres e macieiras carregadas quando passar por campos. No outono, tudo em tons de laranja. E no inverno, muito 'frost', árvores peladas e campos vazios. Cada estação tem sua beleza.

14. Tem outras pessoas na trilha?
Sim. Mas raramente muitas ao mesmo tempo. Se a trilha passa por um parque ou por um monumento histórico, mas redondezas você vai cruzar com bastante gente que está passeando por ali. Mas em campos, fazendas e florestas esses encontros são menos frequentes. Existem dois principais tipos de pessoas andando por essas bandas: hikers como você e locais dando uma caminhada em sua vizinhança, muitas vezes levando o cachorro pra passear.

15. As trilhas são muito remotas? Corro o risco de me perder ou não ter sinal de celular?
Uma coisa é fazer uma trilha nas Highlands escocesas. Outra é fazer uma trilha em Kent. Você nunca estará muito longe de uma vila ou uma estrada. Raros os momentos que você fica sem sinal de celular. E isso é o mais interessante: ter momentos de paz e silêncio e solitude sem estar muito longe da civilização.

16. Como você faz pra não se perder?
Duas coisas: eu baixo o pdf do passo a passo da trilha e também o mapa, que você pode baixar em GPX ou KML, que você pode transferir para aplicativos e se guiar pelo celular. Na trilha escolhida no site SWC, esses mapas estão disponíveis na aba GPS, e o passo a passo na aba Download Walk.

17. Dá pra fazer hiking qualquer época do ano?
Sim. Como não temos inverno rigoroso por aqui, não precisamos nos preocupar com neve na trilha. Mas é preciso se preocupar com a quilometragem x época do ano. Por exemplo, deixe as trilhas mais compridas para fazer no verão, quando anoitece bem tarde, e as curtas para fazer no inverno pois anoitece muito cedo.

18. Tem animais nas trilhas?
Quase toda trilha passa por algum campo onde vacas ou carneiros estão soltos, 'grazing', principalmente no verão. Já nas florestas você pode se deparar com coelhos ou esquilos. E muitos passarinhos, mas só. Claro que nem preciso falar para deixar todos os bichos em paz e não alimentá-los né? Quando passar por fazendas e campos com animais soltos, não tenha medo, mas também não atormente os coitados.

19. Ué, mas pode entrar em propriedade privada?
Aqui na Inglaterra existe uma coisa chamada Right of Way. E muitas propriedades privadas são obrigadas a manterem passagens públicas. Então sim, quando uma trilha te bota num campo ou numa fazenda, você não está invadindo nada. Está de passagem e dentro da lei.

20. Pode levar cachorro?
Pode, mas respeite as placas que pedem para usar coleira em áreas com animais que estão 'grazing'. E pelamordadeusa recolha o cocô do seu cachorro. Infelizmente sempre nos deparamos com saquinhos de cocô de cahorro pelo caminho (sério, quem se incomoda de colher o cocô e botar no saquinho e deixar o saquinho lá?)

21. Pode fazer fogueira ou acender meu fogareiro que uso no camping pra fazer comida?
Não.

22. Posso acampar e dormir em qualquer lugar na trilha?
Não. É proibido fazer wild camping na Inglaterra.

23. Você já fez trilha sozinha?
Não, e não tenho vontade de fazer. Mas isso vai de cada um. Eu gosto de fazer essas trilhas na companhia do Martin (e vez ou outra de algum amigo) e é sempre bom ter mais alguém pra garantir a segurança - é improvável, mas vai que alguém torce o pé ou se sinta mal?

24. Mas qual o propósito de fazer trilha? Andar e pronto?
Pra mim, o exercício e o estar no meio da natureza. No momento, fazer trilha é o único momento que consigo não pensar em nada. Gosto de passar por cantinhos que não estão em guias turísticos e que você só consegue chegar a pé.

25. Rola almoçar em um pub?
Rola. Praticamente todas a trilhas indicadas no site tem uma sugestão de parada pro almoço. Eu costumava fazer isso, mas percebi que pra mim o importante era estar no mato e comer qualquer coisa. A parada no pub é geralmente demorada e pode adicionar até 2 horas na programação. Ah, e mesmo que você faça questão de comer no pub, mesmo assim leve algo pra petiscar na mochila. Nunca se sabe se o pub estará cheio ou fechado. O site costuma atualizar as coordenadas e informações de cada trilha, mas pode acontecer de alguma coisa ter sido deixada pra trás.

26. Tem cada flor bonitinha... posso pegar uma?
Olha, poder até pode. É permitido colher flores do campo (em área que não está designada para conservação), mas não pode colher pela raiz, apenas a flor mesmo. Mas... será que precisa? Deixa lá pras outras pessoas apreciarem também!

27. Mais alguma coisa que eu preciso saber?
Sim! Nunca deixe um portão aberto (a não ser que ele já esteja aberto quando você passou), recolha seu lixo, não deixe seu cachorro interagir com a vida silvestre e com os animais de fazenda, tome água, use roupa adequada, leve o mapa e instruções.

Ah, isso é um stile, isso é um kissing gate, isso é um field gate.

28. Posso usar essas dicas para trilhas na Escócia e em Gales?
Pode. Mas seja muito mais cuidadoso em relação a mapa e instruções. Nesses lugares é mais provável que você perca o sinal do celular. Então leve comida e água extra.

29. Tenho só uma semana pra conhecer Londres. Vale a pena usar um dia pra fazer hiking?
Vale. Se você quer passar por um lugar que não está em nenhum guia turístico, se você curte natureza ou se você quer ter uma noção do que realmente é a Inglaterra, faça sim!

30. Por favorzinho, fala uma trilha que você gostou fazer.
Sevenoaks circular, Robertsbridge circular, Box Hill to Leatherhead, Cuxton to Sole Street.


Semana 8


Das coisas que escrevi que quero fazer assim que possivel (post anterior), uma delas sera feita nos proximos dias: hiking.

Com algumas adaptacoes, claro - vamos de carro em vez de usar o trem (e por isso teremos que fazer uma rota circular). Bom, acho que essa eh a unica adaptacao, na verdade. Como nas trilhas raramente acontece de encontrarmos um acumulo de pessoas (cruzamos com um outro, eh verdade, mas tambem passamos horas sem ver ninguem), imagino que sera tranquilo.

O saco cheio de trabalhar em casa agora eh real e estou louca pra poder voltar ao escritorio, o que nao deve acontecer nos proximos 2 meses, pelo menos. Vai saber se voltaremos esse ano.

Enquanto isso continuo aqui pensando nas mil combinacoes de roupas que vou fazer quando finalmente sair de casa sem ser pra ir ao supermercado ou dar uma volta no parque. Acho que vou usar roupa de festa pra ir trabalhar ou ir em um restaurante.

Mas uma coisa de cada vez. Primeiro, o hiking no fim de semana que vem.

Semana 7


Amanhã começa a sétima semana do confinamento. Apesar do primeiro ministro ter declarado que já passamos do pico, os números de mortes e doentes continuam muito altos. Nosso confinamento é bastante relaxado se comparado a outros países, e esse 'pós pico' é ainda bastante irregular. Prevejo que ainda estaremos fazendo exatamente a mesma coisa que estamos fazendo agora daqui a um mês. A coisa aqui vai longe.

Hoje éramos para estarmos na Isle of Wight, participando de um desafio de caminhada de 52 kilômetros. Confesso que não é tão ruim estar em casa de pernas pro ar se comparar com a dor que eu estaria sentindo agora nos meus pés e nos meus quadris se estivesse caminhado tudo isso. Ficou pro ano que vem, veremos.

Esses dias tenho pensado que estar em casa com o Martin todos os dias o dia todo tem sido bastante tranquilo. Apesar de dividirmos a mesa de jantar e estarmos muito próximos o tempo todo, cada um fica na sua - mesmo nos momentos de procrastinação. Por sorte, Martin est;a quase sempr disposto a levantar e fazer um café quando eu peço.

Queria deixar anotado aqui a listinha de coisas que quero fazer quando o confinamento acabar - sei lá se vai acabar, mas quando for possível fazer tais coisas:

  • Hiking
  • Ir no pub - e tomar uma Pimm's se ainda estiver na época
  • Ver as amigas
  • Fazer um jantar de aniversário aqui em casa
  • Ir num escape room
  • Ir no rooftop perto do escritório na hora do almoço em um dia de sol
  • Fazer um happy hour com as colegas do trabalho
  • Ir no pilates
  • Ir no spinning
  • Varias bastante as roupas que uso pra ir trabalhar
  • Organizar uma nova data pro tour da Jane Austen
Vou ver se lembro de escrever aqui no blog quando foi possível fazer cada uma dessas coisas. 


Semana 6


Alo futuros leitores! Escrevo esse post na semana 6 de confinamento aqui em Londres. Continuamos em casa, Martin e eu, trabalhando da mesa de jantar.

Uma das coisas que pra mim foi mais dificil nessa fase foi continuar a me exercitar. Desde o ano passado eu havia finalmente encontrado uma rotina para substituir a corrida - coisa que ja nao estava achando interessante. Estava indo no pilates e nas aulas de spinning, adorando ambas. Entao, quando comecou a quarentena, pensei que o mais facil seria voltar a correr: aqui podemos sair pra nos exercitar (o confinamento nao eh tao rigido como na Espanha ena Italia), o parque esta do lado de casa e basta trocar de roupa assim que desligar o computador.

E fui correr. O retorno foi ate mais facil do que eu achava, consegui fazer 5km sem dramas. Achei que a empolgacao com a corrid voltaria, mas nao voltou. Tentei, tentei, tentei. E sim, ir ao parque no fim do dia eh maravilhoso, faz um bem danado, mas correr me tira o bom humor. Entao decidi apenas caminhar, e deixar o exercicio pesado pra dentro de casa mesmo.

O que me trouxe outro problema (#ClasseMediaSofre): os apps de exercicio sao chatissimos, roboticos. Fiz, mas nao achei bacana. Entao, semana passada, minha colega de trabalho indicou uma aula ao vivo de aerobica de uama amiga dela, e entendi que pra mim o que da mais efeito eh esse tipo de coisa: com gente de verdade falando com voce, com musica, com afeto ate, diria eu.

Achei tambem uma aula de danca no Youtube, e me inscrevi no canal de exercicios da academia onde faco spinning - os professores sao os treinadores de spinning e fazem os exercicios de suas casas - nao foi gravado para app, foi gravado para essa situacao.

Entao, por enquanto, acho que o problema esta contornado. Mas realmente nao vejo a hora de voltar pras academias e realmente separar o dia de trabalho da vida pessoal. O escritorio + academia + restaurante em casa eh o que mais me incomoda!

Pandemia


Não dava pra passar por uma pandemia sem registrar nesse blog. Fico pensando se as pessoas no futuro vão estudar 2020 como a gente estudou os anos da peste bubônica (século 14). Infelizmente não é nesse blog que as pessoas do futuro acharão alguma informação útil.

Aqui nesse blog as pessoas só vão saber que eu e o Martin estamos trabalhando de casa (desde que voltamos de férias do Brasil dia 19/3), que transformamos nossa mesa de jantar em escritório (cada um de um lado), que voltamos a correr porque as academias estão fechadas mas os parques ainda não (podemos sair uma vez por dia para fazer exercício, apenas acompanhados um do outro e é claro sem nos aproximarmos de ninguém), que temos cerca de 15 rolos de papel higiênico (o que deve durar mais ou menos um mês), que estamos também bem abastecidos de comida (pelo menos por enquanto), mas não tem como não sair dia sim dia não pra comprar frutas e verduras frescas, e que é difícil pra caramba não comer chocolate o dia inteiro.

Quem diria que eu teria saudade de pegar o trem lotado e atrasado, e não tem nem uma semana que estamos nessa. A primavera começou e possivelmente não veremos os campos de bluebells e rapeseeds que vemos quando fazemos trilhas, e não colheremos o delicioso wild garlic que cresce como mato e é uma delícia pra fazer molho pesto.

Que tudo isso passe antes dos meus 40 anos, data que está planejada para acontecer em um hotel escolhido a dedo numa ilha grega. É só isso que eu tenho a falar pras pessoas do futuro.

Quando foi que me tornei essa pessoa?


Em um desses dias entre Natal e ano novo - quando temos a sorte de trabalhar em algum lugar que entra em recesso - estava afundada no sofa da sala procurando algo pra assistir na TV. Nao nao, nada de Netflix, nao queria ter que prestar atencao em legendas ou fazer qualquer tipo de esforco intelectual. Entao procurei na TV aberta mesmo, e a oferta era a de sempre: reality shows, seriados antigos, reprises de filmes ruins demais ate mesmo pro intelecto em recesso. Ate que me deparo com a transmissao do 'percurso de trem mais lindo do mundo, minuto a minuto'.

O programa era exatamente isso: algumas cameras fixadas em diferentes partes do trem (o percurso, a titulo de curiosidade, eh na Escocia) mostrando toda a paisagem pelo caminho e eventualmente a cabine do condutor (e do rapaz colocando carvao para gerar energia).

E nao eh que eu tenha pensado 'ah, ok, vou deixar isso de fundo ja que nao tem mais nada passando'. Nao, nao. Eu pensei: QUE COISA MARAVILHOSA TOMARA QUE ESSE PERCURSO TENHA UMAS 5 HORAS. Eu fiquei EMPOLGADA pra assistir o percurso de trem.

Essa, caros leitores, sou eu aos 39 anos e meio.

Robertsbridge circular


Dessa vez a viagem de trem para o ponto inicial da trilha levou cerca de uma hora e meia, o que é bastante comparando com a média de 45, 50 minutos. É um tempo que me faz pensar que eu poderia muito bem estar na cama, mas estou sentada olhando a paisagem passar rápido, tão rápido que nem consigo ler o nome da estações por onde o trem passa sem parar. De qualquer forma, é tarde demais para qualquer arrependimento - se for para desistir, que seja no segundo que toca o despertador (o que já aconteceu, mais de uma vez).

Já havia passado mais de um mês desde a última trilha, então eu estava feliz de finalmente calçar as botas, encher a mochila de água e comida e caminhar os quilômetros que fossem para chegar no ponto final. Nesse caso, o ponto final era o mesmo do inicial, as maravilhas de uma trilha circular.

Ainda que a vontade de ir pro mato estivesse a flor da pele, a preguiça influenciou o percurso: em vez de ir para Wendover a partir da estação de Marylebone, achei a trilha Roberstbridge circular um dia antes, que nos permitiria pegar o trem em London Bridge. Muito mais fácil, garantindo pelo menos 30 minutos extras na cama.

Nossas caminhadas pelo interior da Inglaterra são repletas de rituais, adquiridos ao longo desses três anos desde que começamos a fazer hiking com frequência. O ritual da manhã inclui chegar na estação cerca de uma hora antes do trem partir. A primeira coisa é providenciar as passagens de trem. A segunda coisa é comprar comida para o dia (em London Bridge, isso é feito no M&S). Coisa fácil de carregar: wraps, saladas prontas, frutas, algum doce. E depois, finalmente, tomar o café da manhã. O café da manhã pré hiking é um ritual dentro do ritual: vamos no Leon (não no que fica dentro da estação, que tem um atendimento péssimo, mas o que está do outro lado da rua, sempre vazio e muito maior), comemos nossos sanduíches de avocado com queijo haloumi e tomamos nossos skinny lattes. Faltando 15 minutos pra saída do trem, começamos a ir devagar para a plataforma.

Invariavelmente outros hikers embarcam no mesmo trem. Alguns saltam antes, a gente fica curioso pra saber que trilha eles vão fazer. Quando saltam com a gente, nos perguntamos se os encontraremos ao longo da nossa trilha ou talvez no trem de volta. Isso é coisa rara. Dessa vez, porém, uma moça que carregava uma edição do livro Country Walks saltou na mesma estação - Robertsbridge - mas logo acelerou. Curiosamente, encontramos com ela lá pela metade da trilha, mas  ela acelerou de novo. Não a vimos no trem de volta - deve ter conseguido embarcar no trem anterior.

Estávamos um pouco enferrujados por causa do "mais de mês sem hiking". Martin sincronizou seu relógio Suunto, abriu o mapa no celular. Eu abri as instruções no meu. E seguimos. Há alguns meses o hiking passou a ser coisa nossa, em vez de algo que fazemos com os amigos. Paramos de chamar outras pessoas para nos acompanharem, e acabamos arrumando desculpas quando somos chamados para acompanhar grupos grandes. Acho que família de dois, sem filhos, é meio assim - pelo menos nós dois somos - anti social. Quando a gente se toca que alguma coisa "'é nossa", a gente cria uma bolha em volta dessa coisa. Era assim com a corrida.

Apesar do dia de sol, o caminho estava enlameado, por causa da chuva constante nos dias anteriores. Eu não me importo com a lama. Gosto de afundar a bota nela pra provar pra mim mesma que ela valeu o investimento. Que a minha bota é boa, impermeável. Quando mais suja, melhor. O problema da lama é que ela vai acumulando e secando na sola e nas laterais, deixando a passada mais pesada, cansando a perna com mais intensidade.

Encontramos pouca gente pelo caminho, o que é atípico. Mais tarde, depois do almoço, quando passamos pelo Bodiam Castle, entendemos que todo mundo estava lá. Até o estacionamento estava lotado. Mas logo o castelo e a multidão ficou pra trás e seguimos sozinhos pelas folhas, pela lama, pelo campo.

Pela primeira vez, passamos por um milharal ainda por ser colhido. Não sabia que a planta do milho era alta desse jeito - da altura do Martin. Também passamos por uma plantação imensa de maçãs - quase todas já colhidas, muitas outras no chão, apodrecendo lindamente, um cheiro maravilhoso que me lembrou cidra. Não pegamos nenhuma maçã - mas pegamos dois milhos. Desculpa, agricultores. Somos seres humanos falhos mesmo. Se serve de argumento, eu nunca havia colhido um milho (não cozinhamos ainda, não sei se estava "no ponto"). As vezes eu brinco com o meu pai: ele saiu do meio do mato, de uma infância com vaca de estimação. E eu fico buscando essa vida rural nas trilhas. Me encanto com as ovelhas, com as plantações.

O trem de volta era de hora em hora, e chegamos na estação 10 minutos atrasados. Ou 50 minutos adiantados. Decidimos sentar em um pub ali ao lado, para tomar uma café, e o abismo entre Londres e countryside se fez presente: o atendente não sabia o que era um latte. Pedimos então coffee with milk e fomos servidos com um café preto instantâneo e uma jarrinha de leite frio. dessas que eles usam pra botar no chá. Tomei um pouco por educação, mas o meu lado cidade falou mais alto. Eu preciso de um latte.

O que me leva ao ritual do retorno: o latte no Leon assim que desembarcamos em London Bridge, antes de pegarmos o trem pra nossa casa. No Leon com atendimento péssimo mesmo, porque a essa altura do campeonato não sobra mais energia pra atravessar a rua.

Tanta gente falando


Eu tenho um projeto prontinho de livro. De um livro sobre feminismo. Mandei para algumas editoras, até tive uma conversa via Skype com uma editora que se mostrou super interessada na ideia. Eu tinha inclusive uma viagem marcada em outubro, de uma semana, para me refugiar em um canto da Inglaterra, sozinha, e pelo menos começar a escrever alguns capítulos.

Já escrevi alguns guias de viagem (esse, esse e esses), então eu sei o trabalho que dá e não foi isso que me repensar a ideia de escrever um livro. O negócio é que, eu me pergunto, será que esse mundo precisa de mais uma pessoa falando de feminismo sob a perspectiva de uma mulher branca, hétero e de classe média que nem escreve tão brilhantemente assim?

Tem tanta gente falando, sob tantas perspectivas diversas, com ramificações e intersecções e soluções, que eu achei por bem engavetar meu projeto de livro. Isso aqui não é um pedido descarado de elogios, e também não é Síndrome da Impostora, é simplesmente a realização de que o mundo não aguarda ansiosamente meus ensinamentos feministas.

Como eu queria escrever lindamente


No último ano adicionei a minha lista de livros alguns do estilo 'nature writing'. O primeiro foi 'The Outrun', o segundo 'Swimming With Seals', e tenho mais uns dois ou três nesse estilo me esperando na estante. Passei a me interessar por esse tipo de narrativa por causa da minha crescente vontade de estar em meio a natureza, da necessidade de as vezes me desligar completamente da cidade.

São narrativas que tem um pouco de biografia/memórias, história, e informação científica. Em The Outrun, por exemplo, a autora conta como foi seu retorno para Orkney (conjunto de ilhas no norte da Escócia) como parte da sua reabilitação para se livrar do alcoolismo. Já em Swimming With Seals, a autora compartilha seu hábito de nadar no mar gelado todo dia (também em Orkney, coincidentemente), ao mesmo tempo que vive o luto da morte de sua mãe e tenta se adaptar a mudanças pessoais e profissionais.

O que mais me impressionou em ambos, além de elas conseguirem magnificamente intercalar suas dores com informações sobre o lugar em que estão, é a maneira que elas descrevem a natureza e seus movimentos. Eu tenho inveja, inveja mesmo, da capacidade que essas pessoas tem de usarem o vocabulário, de criarem metáforas e conseguirem te fazer querer nadar no mar do norte em um dia gelado e nublado, mesmo você sabendo que será algo dolorido e que há outras tantas coisas melhores pra se fazer na vida.

Escrever lindamente é uma coisa que eu queria muito saber fazer.

Ninguém pede pra segurar a mão de ninguém

(sem acentuacao)

O padrao eh assim: eu percebo que uma amiga anda meio sumida - nao interage nos grupos em comum que temos no Whatsapp e nao aparece nas redes sociais como costumava aparecer. Eu mando mensagem perguntando se esta tudo bem, e a resposta eh mais ou menos 'ah, tudo bem, mas estou meio cansada'. Em uma rapida troca de mensagens, percebo que nao esta tudo bem nao. Seja stress por causa de trabalho, cansaco pelo dupla ou tripla jornada (trabalho/casa/filhos/vida social), a questao eh que a amiga se recolheu, diminui bruscamente contato com as pessoas ao seu redor, para lidar com os estresses/problemas sozinha.

Eu, obviamente, nao acho que posso resolver os problemas das minhas amigas. Mas tenho dificuldade em entender a reclusao. A maioria delas - e foram varias, em poucos meses - acabou me falando que 'nao gosta de pedir ajuda, de incomodar' - por isso preferiu carregar as dores sozinha.

E eu achava que a gente tinha amigas e amigos justamente pra nos dar a mao, ou aquele ouvido amigo, quando a gente precisa simplesmente dividir angustias. Me pergunto quando e por que decidimos que pedir ajuda passou a ser incomodo.

Seria essas coisa do conto da vida perfeita das redes sociais? Seria essa onda patetica motivacional que fala pra gente nao desistir nunca? Nao sei. So sei que o slogan 'ninguem sola a mao de ninguem' parece bonito no papel, mas ninguem quer fazer uso dele de verdade.

O que uma sexta feira de preguica nao faz...


Pra matar o tempo no trabalho no ultimo dia util dessa semana que durou 87 dias, ate voltar a escrever no blog (sem acentuacao) a gente volta!

Tudo bem ai?

Aqui tudo bem.

Completei 8 meses no trabalho, 39 anos de idade, viajei de ferias para Seattle, deixei de comer carne bovina, fiz o tour da Jane Austen, fui ver as Spice Girls, pintei uma parte do apartamento (eu nao ne, uma pintora), troquei de colchao. Ou seja, continua tudo bem. Quer dizer, Boris Johnson eh agora primeiro ministro e Bolsonaro continua cagando no Brasil - fora esses "detalhes", a vida na minha bolha vai bem.

E faltam cerca de 140 dias ate o Natal. Prometo que ate la escrevo algum outro post : )



Rome noisy Rome


Quando voltamos da nossa primeira ida a Roma em 2011, eu escrevi um post aqui com o título 'Rome Sweet Rome'. Lembro de ter ficado emocionada de conhecer a cidade - e é claro que fiquei muito feliz de retornar, ainda mais em companhia dos meus pais.

Mas esse retorno me fez perceber como mudei nesses 8 anos. A bagunça de Roma me incomodou, o barulho, o trânsito. E Roma já era assim quando estive lá em 2011. 8 anos para o berço da humanidade não é nada. Mas pra mim, é muito!

Foi interessante perceber que os destinos 'cidade' já não me atraem tanto. Não que eu não soubesse disso, mas essa viagem foi uma espécie de confirmação.

Aí chego em casa e minha nova jaqueta impermeável para fazer hiking está aqui me esperando, e eu só consigo pensar que quero estar no mato esse fim de semana e que se chover não faz mal.

Canola


Se você fizer uma viagem de trem ou de carro pela Inglaterra durante a primavera, é provável que veja diversos campos de flores amarelas pelo caminho. É uma marca registrada. Mas claro, com a velocidade, a gente vê apenas o 'conjunto da obra', um borrão amarelo passando rapidinho na janela. Não faz muito tempo que eu finalmente descobri que são plantações de canola (em inglês, rapeseed, um nome que eu particularmente acho péssimo).

E faz menos tempo ainda - dois dias - que eu vi uma plantação dessas sem estar dentro do carro ou do trem. Eu não apenas vi, mas entrei na plantação. O borrão ficou nítido, ganhou contorno. Vi que, apesar do conjunto da obra ser amarelão, as flores são bem pequenas e a maior parte é mesmo o cabo (haste? tronco?) verde. São plantas altas, semeadas tão do ladinho uma da outra que não dá pra passar no meio se não tiver uma caminho aberto. E, mesmo andando pelo caminho demarcado, nossas roupas ficaram cheia de pólen, pequenas manchas amarelas. Trouxemos um pouquinho do borrão pra casa!


Andar, escrever


Estou lendo um livro chamado 'Swimming with Seals' (nadando com focas), no qual a autora, Victoria Whitworth, relata sua experiência de nadar, todos os dias, no mar gelado em uma praia em Orkney (arquipélado no norte da Escócia, onde ela mora). O livro vai além disso, é uma reflexão sobre a vida dela (não é uma biografia) e sobre a vida e história de Orkney também. Mas a parte de nadar é a minha parte preferida.

O jeito que ela descreve esse exercício (por falta de uma palavra melhor, porque há lazer e relaxamento envolvidos também) me afetou de uma maneira bem interessante. Me deu uma vontade louca de escrever sobre essa minha atitude latente - e recente - de querer estar fora da cidade. Sem ser 'dando dica', sem ser obrigação (saco cheio de SEO), mas apenas a minha sensação enquando caminho no mio do mato, a descrição dos lugares por onde passo e o que me leva a querer fazer isso mais e mais. A verdade é que eu não sei porque quero fazer isso mais e mais, mas quem sabe, escrevendo, eu descubro.

Vida segue, apesar do blog!


Hoje completo 4 meses de 'novo' trabalho (ja adaptada o suficiente para escrever esse post enquanto estou no escritorio - ainda que sem acentos pois sou tao de humanas que nao consigo de jeito nenhum ajustar o teclado para poder usar os queridos amados agudo, circunflexo, tio e cedilha). A vida anda bem corrida - nao eh por falta de assunto que nao estou escrevendo aqui.

Mas engracado que ainda me sinto culpada por nao dar as caras nesse blog por tanto tempo. Desculpa, blog! Se te serve de consolo, eu mesmo venho aqui como leitora pra me lembrar de acontecimentos de anos atras. 'Quando foi mesmo que fui naquele show?' ou 'que ano que viajamos para tal lugar?' ou 'quem mesmo estava naquele encontro que eu organizei ha uns 6 anos?'. Esta tudo aqui.

Interessante que continuo recebendo comentarios nos posts mais populares. Ainda recebo emails de gente que achou esse blog e esta se mudando pra Londres. Ou que querem dicas de como trabalhar com design. Um aviso: as dicas que tenho estao todas aqui e talvez estejam ultrapassadas. Se mudar pra Londres hoje em dia, 10 anos depois da minha mudanca (ainda que vc se mude nas mesmas circunstancias que eu), deve ser bem diferente. Mesma coisa para procurar emprego no setor de design e interiores. Pessoal: procurem fontes mais atualizadas.

Mas vamos a algumas atualizacoes entao, para voce leitora ou leitor que por acaso aparece aqui. Ate agora, meu 2019 foi assim:

  • Fomos para as Maldivas em janeiro, passamos uma semana naquele paraiso
  • Lancamos o e-book do projeto Intercambio Feminista la na Conexao Feminista
  • Fui em duas marchas das mulheres (janeiro e marco)
  • Li 7 livros
  • Trocamos de sofa (abriu uma Ikea perto de casa faz pouco mais de um mes e ja fomos la umas 5 vezes)
  • Fizemos 3 hikings
  • Passamos um fim de semana em Torquay, sudoeste da Inglaterra, e so choveu, foi uma bosta
  • Guiei um tour das mulheres (e guiarei outro essa semana) e lancei o tour da Jane Austen
  • Fiz um bate e volta para Leeds a trabalho
  • Vi a Ellen Page em um bar
  • Fiz uma tatuagem
  • Nao aguento mais acordar de manha, ligar a televisao e ver uma tragedia nova todo dia

Nos bons tempos, cada uma dessas coisas ganharia um post. No momento, ganham apenas uma mencao mesmo!


Jane Austen: meu novo tour!


Adivinha quem arrumou uma nova sarna pra se coçar???

Mas uma sarna literária, histórica e, por que não, feminista.

Chamei minha amiga e também guia Raphaella pra montar esse tour comigo, e assim criamos 'Jane Austen por trás dos romances'.

Será um tour de dia inteiro, dia 13 de abril (sábado) pelo interior da Inglaterra. Vamos passar por 4 cidades por onde Jane passou, vamos seguir seus passos desde seu nascimento em Steventon até sua morte em Winchester.

Vamos dividir com quem estiver no tour a nossa interpretação de Jane Austen: uma mulher com olhar afiado, questionadora, e que usa seu poder de observação e crítica para montar seus personagens e seus enredos. Você sempre achou que os livros de Jane Austen são puro romance? Pois reavalie: são praticamente uma biografia da Inglaterra georgiana, com duras críticas a instituições praticamente intocáveis, como igreja e exército. Além disso, ela aponta também o silenciamento de mulheres e nos faz repensar se os finais que escreve são mesmo finais felizes.

Esse passeio será feito com transporte privado, e teremos parada pra almoço em um pub histórico (tudo incluso no preço). Estão inclusos também os ingressos para duas atrações pagas. O preço cheio é 170 libras (clique aqui para comprar), mas abrimos 3 vagas por 150 para quem reservar antes de todo mundo (clique aqui).

Vamos? Caso você tenha alguma dúvida, entre em contato. Nesse PDF estão mais detalhes sobre o tour.

Tá gostando?

Completei dois meses de trabalho novo e é claro que a primeira pergunta que as pessoas próximas (e as nem tão próximas) me perguntam: e aí, tá gostando? Se eu ganhasse uma rainha pra cada vez que respondi essa pergunta.... teria umas 15 rainhas, ou seja, dinheiro para três sanduíches no Pret a Manger na hora do almoço.

Mas enfim. Tô gostando?

Depende da interpretação que você faz da pergunta. Se eu estou gostando desse trabalho, especificamente? Sim, estou. É uma equipe muito bacana (sério, acho que nunca me senti tão a vontade tão rápido), somos apenas 14 pessoas. E o melhor: 12 mulheres (#misândrica). Ninguém te enche o saco com o horário ou quer saber o que vc faz de hora em hora. A atmosfera é super boa, o sentimento que tenho é que é um grupo do bem (de verdade mesmo, não no sentido coxinha 'cidadão de bem' da família tradicional brasileira). Acho minhas tarefas interessantes, o propósito da ONG é interessante, e estou satisfeita porque era exatamente o que eu queria: pertencer a um grupo de pessoas com um objetivo em comum e ser paga para isso.

Para os curiosos (ou seria stalkers?). vocês podem ver exemplos do meu trabalho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. Mais ou menos isso que faço todo dia.

Mas porém contudo, se você quer saber se estou gostando de trabalhar novamente - no sentido tradicional de trabalhar, das 9 às 5 - a resposta é não. Sei que soa contraditório, e sei que eu dizia que estava sentindo falta de ir a um escritório e pertencer a uma equipe, mas esse tempo todo que fiquei fora do mercado me fez entender que trabalhar é realmente uma grande perda de tempo. Nunca caí naquela máxima de que 'trabalho enobrece o homem'. Não me sinto mais nobre ou mais importante, simplesmente me sinto muito ocupada e com a conta do banco mais gordinha.

Chegar em casa e ter que fazer todas as tarefas do lar, e colocar em dia os projetos paralelos (Conexão Feminista), fazer as atualizações/fofocas/marcações de compromissos com as amigas, ir correr.... Não dá tempo de nada. Tudo fica em segundo plano quando a gente trabalha. Sei que tô falando mais do mesmo, mas quanto mais eu trabalho mais isso fica claro pra mim.

E qual a alternativa?

Não tenho a menor ideia. Pelo menos estou bem mais tranquila, pois voltei a trabalhar já preparada pra esse baque de ver o dia passar e não ter feito nada por mim. O interessante é que a obviedade do trabalho me faz mais criativa: fico tendo  um gazilhão de ideias o dia inteiro, e me mando emails diversos para não esquecer as ideias. Sabe quando a gente pensa em algo brilhante durante o banho e tem medo de esquecer? Então, mais ou menos isso.

E vocês, como estão?

O bom peão ao escritório torna


Voltei a trabalhar. Quer dizer, naquele jeito formal, de ir pro escritório, ficar das 9 às 5, fazer parte de um departamento, ter horário de almoço... Aquele jeito de trabalhar que é o jeito que a sociedade realmente respeita, realmente acha que você tá fazendo algo de útil.

Sarcasmos a parte, estou bem contente de ter voltado. Acho que volto bem mais consciente das desvantagens de trabalhar formalmente, mas também beeeem mais apegada com as vantagens. Uma vida mais regrada, mais sossegada, onde as questões trabalhísticas ficam no escritório. Acordar cedo, pegar trem lotado, comer um sanduíche, voltar pra casa, dar uma corrida, ver televisão, pode parecer tão pequeno mas é tudo que quero agora.

É lindo falar da independência da vida de freelancer, do glamour da vida de blogueiro, mas ninguém fala do perrengue, do trabalho triplicado que te acompanha as 24 horas do dia, e é claro do dinheiro que nunca aparece.

E antes que alguém me pergunte o que estou fazendo e aonde, já deixo a dica pra dar uma stalkeada no Linkedin e me poupar a explicação!

Mestrado acabou, e agora?


Mestrado acabou, já recebi meu resultado (sim, sou oficialmente mestre! Ou melhor, mestrA), e agora tenho a estranha sensação de que os dias passam muito rápido e muito devagar ao mesmo tempo. Filosofias a parte, a falta de rotina unida a muitas ideias e coisas pra fazer - não consigo não arrumar uma sarna pra me coçar - me faz pensar que deveria aproveitar mais essa fase sem trabalho 'normal' (em um escritório, o dia todo) ao mesmo tempo que acho que devo fazer mais e mais coisas pra 'justificar' não ter um trabalho formal. Complicado? Imagina!

Na prática, é assim: hoje, por exemplo, resolvi dividir meu dia em duas tarefas. Trabalhar em uma proposta para um livro e adiantar a legendagem de um dos vídeos de entrevista da Conexão Feminista. As horas se arrastam. Eu escrevo, escrevo, escrevo e o tempo não passa. Aí resolvo 'migrar' pra legendagem pra mudar um pouco de ares e a mesma coisa acontece. Nesse sentido, o dia passa muito devagar. Mas, vai chegar a sexta feira e eu sei que vou pensar: mais uma semana que eu não fiz nada, que eu não consegui um trabalho 'decente'. Nossa, até eu tenho dificuldade em compreender essas contradições.

E assim vamos. Isso sem falar é claro da despedida da democracia no Brasil e do trem desgovernado chamado Brexit no Reino Unido que está perto do fim da linha e vai cair em um precipício.

Mas tá tudo bem. Tá tudo bem!

(pelo menos voltei a dar as caras aqui!)

Trilha em vídeo


Depois dos vídeos do Kilimanjaro o Martin perdeu um pouco a empolgação de fazer vídeos, mas consegui convencê-lo a levar a câmera pra Islândia e filmar nossa aventura. Ontem ele terminou de editar o vídeo (enquanto eu fazia o álbum), e aqui está!

A gente poderia (deveria) ter filmado mais, mas quando estamos lá no calor (cansaço) do momento as vezes nem lembramos mesmo, ou simplesmente não queremos parar de caminhar quando pegamos um ritmo bom.  Ainda assim ficou bem bacana e acho que resume muito bem nossa jornada.