Os 4

Esses somos nós. Fotos assim dos 4 reunidos são raras, principalmente nos últimos anos. Então fica aqui o registro (e sim!!!! Agora eu tenho uma GoPro! Foi presente do Martin, eu tava me sentindo uma blogueira muito da fajuta).

A foto foi tirada hoje a tarde, durante nossa visita a Girona, uma cidade medieval sensacional que fica a 100km de Barcelona.


De Paris a Barcelona


Ai que título de post mais nojento!

Na semana passada estivemos em Paris para um fim de semana prolongado (quando o Eurostar oferece passagens a 29 libras e os amigos podem te receber em casa, não tem como não ir!), e hoje cheguei em Barcelona para 10 dias de férias em família. Dessa vez o Martin não veio!

Pois é! Há uns meses meu pai aproveitou uma promoção e comprou passagens pra ele e minha mãe. Aí, é claro, eu comprei a minha. Então minha irmã se empolgou também e comprou a dela. Então estamos nós 4 aqui, vivendo num mesmo apartamento, como nos velhos tempos. Veremos: ou será um sucesso ou a briga vai ser feia!

Façam suas apostas. Nos falamos em dez dias : )

Leitura: Why Not Me?, Mindy Kaling


Mindy Kaling é atriz, produtora e roteirista de uma série de televisão americana (The Mindy Project), e ficou conhecida quando atuou (e escreveu) em outra série, The Office. Apesar de eu não amar essa série dela (vi alguns capítulos, divertida e tal, mas não me prendeu), eu gosto bastante dela.

Esse é seu segundo livro (não li o primeiro) e como falei lá no Instagram, o conteúdo é bem pessoal. É como se fosse um blog, mas com o apelo de ter sido escrito por alguém que tem fofocas mais interessantes, que envolvem até o Obama.

É uma leitura fácil e engraçada, e ela consegue ser sarcástica de forma muito inteligente. Também aborda o lance de ela ser mulher, de descedência indiana e não ter o 'corpo hollywoodiano' perfeito que geralmente vemos desfilar nos tapetes vermelhos da vida.

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Central do Textão

Há uns meses a Tina (que eu conheci no Twitter - quantas vezes eu já escrevi nesse blog essa frase?) me incluiu num grupo secreto no Facebook. O grupo chamava 'blog dos blogs' e basicamente reunia pessoas que escrevem blogs (e conhecem a Tina) há algum tempo. A ideia da Tina era ótima e simples: criar um site que agregasse esses blogs, não apenas para reunir conteúdo bacana mas também estimular os blogueiros a continuar escrevendo.

Foi assim que surgiu a Central do Textão. Todos os posts que eu publico aqui são 'puxados' pra lá, ele funciona como uma janela para o maravilhoso mundo dos blogs. E é uma janela mesmo: se você clicar em alguma coisa lá, será redirecionado para o blog original.

Eu adorei a iniciativa da Tina, que conseguiu gerenciar tudo sem stress e muito rápido. Todos os participantes fizeram uma vaquinha para pagar uma pessoa (Juliana Vilela) para criar o site.

Foi a partir de um site semelhante, o Mundo Pequeno (que apesar de ainda existir está desatualizado), que eu encontrei o antigo blog pessoal da Claudia, hoje uma grande amiga e sócia no Aprendiz de Viajante. Aliás, o Mundo Pequeno serviu como uma janela para o mundo, e foi nele que eu encontrei inspiração e motivação em momentos que estava totalmente entediada e infeliz no trabalho, há muitos e muitos anos.

Por isso que estou contentíssima em fazer parte da Central do Textão. Estou ao lado de um monte de gente bacana, que escrevem sobre os mais variados assuntos. Política, filmes, livros, feminismo, paranóias, bobagens e sucessos da vida cotidiana. Você vai encontrar muita coisa boa lá, prometo!

Central do Textão

Leitura: A Memória de Todos Nós, Eric Nepomuceno

A única coisa que posso escrever no dia de hoje é a sobre esse livro. Esse livro maravilhoso que meu pai me emprestou e que eu não poderia ter lido em momento mais propício. Um livro que conta histórias (verdadeiras) sobre as ditaduras na América Latina.

A gente (a gente eu digo, quem não viveu na ditadura) sabe o quanto ela foi pavorosa. Ouvimos histórias dos nossos pais, lemos textos, aprendemos na escola (ainda que pouco). Mas esse livro me mostrou horrores que eu não conhecia. Horrores como os vôos da morte na Argentina, os bebês tirados de suas mães semanas depois de terem nascidos e entregues a famílias de policiais e pessoas coniventes com o regime. E outros absurdos como as leis que anistiam todo e qualquer envolvido com a ditadura a ser julgado e condenado.

O triste é que entre os países citados nesse livro, o Brasil é o mais atrasado em correr atrás de esmiuçar o passado. E, quem tenta, tem seu tapete puxado.

Leia esse livro. É a melhor aula de história que vocês podem ter.

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O grande dia: minha primeira meia maratona


Eu corri uma meia maratona. Euzinha aqui, e o Martin, corremos VINTE E UM QUILÔMETROS (uma das primeiras coisas que pensei quando cruzei a linha de chegada foi: como alguém aguenta fazer o dobro disso? Como é possível alguém correr uma maratona inteira?).

Eu tô muito orgulhosa, muito mesmo. Sabe quando você volta de viagem e quer ficar olhando as fotos e só quer conversar dessa viagem com os amigos? Todo mundo de saco cheio de ouvir, e você vira aquela pessoa chata e monotemática por um tempo. Bom, essa sou eu. Acho que isso vai pro meu 'hall da fama' particular, e quero lembrar desse dia pra sempre.



Pra quem quer fazer uma meia maratona em Londres, recomendo demais fazer a Run Hackney. A organização estava impecável, e a atmosfera é maravilhosa. Teve torcida o percurso inteiro. Foi muito legal estar do 'outro lado' e receber apoio do pessoal que vai pra rua pra bater palmas, gritar, distribuir água e dar um apoio moral. Alguns moradores das ruas por onde passamos levaram mangueiras pro lado de fora pra ajudar os corredores a se refrescarem, muito bom!

Haviam muitos pontos oficiais de distribuição de água e também Lucozade, eu acho que não fiquei mais de 2km sem tomar água. Aliás, mais de uma vez eu estava com uma garrafa de água em uma mão e uma de Lucozade na outra!

O maior obstáculo dessa corrida foi o calor. Justamente ontem calhou de ser o dia mais quente do ano em Londres até agora. O que seria maravilhoso, se eu não tivesse que correr a minha primeira meia maratona sob o sol escaldante e o asfalto fervendo. Desde antes da largada (aliás, dias antes, quando saiu a previsão do tempo, recebemos email dos organizadores pedindo que todo mundo se hidratasse e pegasse leve na corrida, sem tentar fazer um 'personal best') fomos aconselhados a tomar muita água durante todo o percurso e diminuir o ritmo se não estivéssemos nos sentindo bem. Infelizmente vimos bastante gente passando mal, mas todos atendidos prontamente por paramédicos (obrigada St John Ambulance!). Confesso que toda vez que via alguém estirado no chão recebendo oxigênio eu pensava: 'espero que eu não seja a próxima!'. E aí eu jogava mais água na cabeça e no rosto e seguia em frente.

Eu geralmente sou sensível ao sol e calor, e treinando meses no frio, estava com medo sim de passar mal. Mas segui firme e forte. Senti cansaço, as pernas ficando 'duras', mas a respiração estava boa e não rolou sensação de fraqueza.

Os últimos três quilômetros foram muito difíceis. Não tinha nenhuma sombra, e, pra completar, tinha uma subida muito chata. Você ouve a torcida gritando 'well done, you are almost there, kepp going, looking great!', e o Garmin também marca 19, 20km... mas cadê a linha de chegada? Não chega nunca! Aí as pernas pesam mesmo e dá muita vontade de parar de correr e seguir caminhando. Nessa hora eu tirei força de não sei onde e comecei a gritar eu mesma 'come on! we are almost there!'. Isso não apenas me ajudou mas ajudou também o pessoal que estava ao meu redor - recebi muitos sorrisos e palmas dos meus colegas corredores assim como da galera que estava assistindo. Foi um momento bem especial (e fico emocionada só de lembrar).

Eu e o Martin estávamos juntos o tempo todo. Em uma corrida desse porte, com 15 mil participantes, fica difícil estar literalmente lado a lado. Estávamos sempre muito perto, alguns momentos ele um pouco mais pra frente, mas um sempre de olho de outro. Se ele estava na frente, eu me motivava para alcança-lo, e vice versa. Como eu falei, o finalzinho foi cruel, e quando a linha de chegada estava a vista a gente deu as mãos e foi!



Completamos a meia maratona em 2 horas e 15 minutos, nosso pace médio foi de 6m22s por quilômetro (na última prova de 10k que fizemos, pra vocês terem uma ideia, o pace médio foi de 5m42s), mais alto do que nos treinos. Mas com o calor, pra gente seria impossível ir mais rápido. Mas está feito! Agora é planejar os próximos desafios e continuar correndo, claro!


Aqui, aí, em todo lugar


Essa semana eu falei no Snapchat que odeio correr sozinha. Bom, pra quem não sabe, eu e o Martin corremos juntos, mas tem dias que um de nós tem compromisso, aí embola o meio de campo e cada um precisa 'repor' a corrida perdida sozinho. Enfim, não é frequente, mas acontece.

Eu tive que correr sozinha um dia desses. Quando isso acontece, eu mudo de percurso: em vez de ficar a maior parte do tempo correndo na rua, eu fico dentro do parque. Eu faço isso pra evitar assédio. Se você é homem, vai achar essa afirmação estranha, mas se você é mulher certamente está pensando em quantas vezes você já fez isso também, mudar o caminho porque está sozinha.

Mas no curto caminho entre a minha casa e o parque, sempre tem um babaca. Dessa vez especificamente um babaca que passou de carro e gritou qualquer coisa pra mim. Gritou e continuou dirigindo sei lá pra onde, mas com certeza alguns segundos depois ele esqueceu o que fez. Talvez tenha feito de novo, talvez faça isso o tempo todo. Não importa. Seguiu em frente.

Eu segui correndo também, mas é claro que não esqueci. Botei ali no meu compartimento de assédios na rua. E chegando em casa eu fiz esse desabafo no Snapchat. Pô, tô ali fazendo meu treino, concentrada, e tem babaca que acha que eu sou entretenimento. Que saco.

Um monte de gente me respondeu se solidarizando. Mas a maioria das pessoas expressou supresa em saber que aqui em Londres isso acontece também. Pessoas que vivem no mundo todo (essa é a vantagem do Snapchat), falando que não sabiam que havia sexismo no Reino Unido.

Eu entendo que a gente tenha essa impressão que em um país europeu a gente esteja muito além de algo tão grotesco quanto sexismo. Que talvez você more em uma cidade onde não precise lidar com esse tipo de problema, e isso é maravilhoso. Muito bom mesmo. Pode sair pra correr e não se preocupar com alguém que passe de carro e buzine. Ou voltar da balada tarde da noite, sozinha, sem segurar a chave na mão.

Mas o que não podemos é fazer com que esse privilégio crie uma espécie de esquecimento. Afinal, se o machismo não te afeta, o que você tem a ver com esse problema? Eu acho que aí que mora o perigo. Quanto mais afastados estamos, menos nos importamos. Eu sei que é difícil se solidarizar com algo que acontece tão longe da sua casa, do seu entorno.

Mas, se você ficou indignado com o que aconteceu comigo nas ruas de Londres, use isso pra pesquisar o problema, investigar a fundo. Não deixe o sentimento morrer. Informe-se, converse, compartilhe informação. Use as redes sociais como aliadas nessa luta. Não se solidarize apenas comigo - eu também sou muito privilegiada, e o sexismo que eu encaro no dia a dia é apenas a ponta do iceberg - mas olhe mais longe: olhe para as mulheres que não podem fazer escolhas, que não podem dirigir, que não podem andar de bicicleta (sabia dessa?), que são violentadas e não tem para quem recorrer, que ganham menos porque são mulheres, que são assassinadas porque são mulheres.

Aí na sua cidade pode estar tudo bem. Mas e no resto do mundo?

Primavera, sua loka!


Que primavera e outono são estações de transição na Europa, isso todo mundo já sabe. É impossível prever a temperatura para os meses de abril e maio, assim como setembro e outubro. Tem dia que pode fazer 7 graus e no dia seguinte, 20. Até aí tudo bem, o clima aqui é assim e não dá mesmo pra achar que vai dar praia assim que o inverno termina oficialmente.

Mas neve na última semana de abril? Não apenas neve, mas granizo, trovoada (de sacudir as janelas - e NUNCA troveja assim aqui em Londres), e, pasmem, sol com céu azul. NO MESMO DIA. Sim, tudo isso no mesmo dia.

Podem reclamar o que for do clima londrino, que o verão não é quente o suficiente, que chove demais, que está sempre nublado... mas essa semana nem tá dando pra reclamar, por que vai falar o que? Tá nevando. Ah, já parou, agora tá sol. Ih, tá chovendo. Ah, mas pera, tá nevando. Eu hein.

Eu acho que comentei aqui que o inverno dessa vez foi ameno (como já havia sido ano passado). Veja bem, não digo que não frio, mas não fez aquele frio que se espera de uma cidade na Europa em pleno inverno. Até as flores começaram a brotar antes da hora. Tô achando que deu pau em algum sistema de São Pedro, ele desligou e ligou, desinstalou e reinstalou, mas teve mesmo é que abrir um chamado no Help Desk. Ou seja, não vai arrumar nunca.

E pra terminar esse post com uma coisa bonitinha, foto do parque na minha corrida de hoje (é, eu parei mesmo durante o treino pra fazer essa foto, não deu pra resistir):

Não aos opressores da reclamação!


Eu não acho que reclamar o tempo inteiro seja saudável, mas reclamar faz parte da vida. Não dá pra gente ser positivo e otimista sempre. Reclamar as vezes até ajuda a começar a pensar em uma solução para o problema: afinal, se a gente não falar (ou escrever, no caso das redes sociais), ninguém vai ouvir. E vai que tem alguém que oferece ajuda ou sugere uma solução?

Eu sou uma dessas pessoas que reclama bastante, e preciso me policiar pra não contaminar os outros. Mas acho sim que estamos numa onda de repressão a reclamação. Parece que temos sempre estar felizes, ou melhor, mostrar ao mundo que as coisas boas da vida superam as ruins (nada mais irritante do que a hashtag #blessed no Instagram). Mas eu não acho que seja bem assim. 

Semana passada, por coincidências, duas amigas compartilharam comigo alguns problemas pelos quais estão passando. E, quando perguntei para elas: 'mas porque você não falou isso antes?' (eu não fazia ideia de que elas estavam passando por uma fase difícil), as respostas foram idênticas: 'não quero reclamar'.

Poxa, será que chegamos num ponto que não compartilhamos nossas dores com os amigos porque não queremos ser chamados de reclamões? Se estamos numa fase ruim ou temos um problema chato atravancando a vida, temos que esconder de todo mundo só pra ninguém se chatear com 'o reclamão'? 

Eu não consigo ser otimista o tempo todo. Sou muito pé no chão, e prefiro ser surpreendida positivamente do que negativamente. Pode não ser a filosofia de vida mais cor de rosa que existe, mas eu costumo pensar nas piores consequências para as decisões que tomo antes de pensar nas melhores. 

E, pra mim, reclamar ajuda a evoluir. Se eu não reclamar de algo que me incomoda no trabalho, como o chefe vai saber? Se eu não reclamar para o vizinho que ele está jogando o lixo no lugar errado, como é que ele vai aprender a jogar no lugar certo? 

E se eu parar de reclamar, sobre o que eu vou escrever nesse blog? 

Vamos continuar reclamando, por favor. Só do frio em Londres que não vale, ok? : )


Meia maratona: reta final


Daqui duas semanas, essa hora, eu (espero) terei uma medalha de meia maratona. Esse último mês de treinamento foi mais difícil do que eu pensava, bateu um desânimo e uma preguiça que há tempos não apareciam. O treino longo de 18km demorou a sair, parecia que toda vez que eu começava a correr meu corpo pesava o dobro.

Mas fizemos os 18km e mesmo em dias ruins a gente faz corridas curtas. Como disse antes, um pouco é melhor que nada, e o que não posso é começar a deixar a negatividade tomar conta. 

Então hoje fomos buscar inspiração e apoiar os corredores da Maratona de Londres. A largada e parte do percurso é perto de casa, e acabamos ficando na calçada dando uma força pra galera por quase uma hora. Eu inclusive vi um colega do meu ex trabalho, gritei o nome dele e ele me viu! Foi bem legal. 

Eu acho que não tenho o pique de correr uma maratona, mas nunca se sabe. Um desafio por vez! Por enquanto, fiquem com esse videozinho que fiz usando os posts que publiquei no Snapchat (me siga lá: helorighetto)

Sobre frilar


Eu não acho que sou a pessoa mais indicada para falar sobre vida de freelancer. Até porque o objetivo principal dessa minha nova fase é focar em projetos pessoais, e não em achar clientes (claro, vou tentar uma coisa aqui e ali, como esse texto que publiquei no site The Pool, mas não é a prioridade, pelo menos agora). Mas sempre tem gente que me pergunta 'como é ser freelancer', então vou dar meus dois centavos.

É difícil pra caramba.

(Eu podia encerrar o post aqui)

Como eu já estive dos dois lados - recebendo emails de freelancers sugerindo ideias e mandando essas ideias para editores - acho que tenho uma visão ampla da coisa. Os editores sempre muito ocupados e gerenciando um orçamento pífio. Os frilas sempre cheio de ideias e mandando vários emails, quase sempre sem retorno. Ser freelancer é ser ignorado diariamente. Mandar emails com sugestões de artigos e reportagens e quase nunca receber respostas.

Quando eu estava do outro lado, jamais deixava um freelancer sem resposta. Acho uma tremenda falta de educação. Mesmo que a ideia seja péssima ou nada tenha a ver com o que a publicação faz, todo mundo merece um feedback. E, as vezes, o problema é pura e simplesmente falta de dinheiro. Então, qual o problema em falar: não dá agora, não temos orçamento para freelancers.

Bom, mas é claro que a vida fora do escritório tem muita coisa boa. Tem parque a tarde, tem almoço com amigos, tem museu em dia de semana. Tem viagem sem precisar ver se tem dias sobrando de férias, tem um equilíbrio muito melhor entre tarefas de casa e não fazer nada.

Acho que se eu precisar dar uma dica apenas para quem está buscando esse estilo de vida profissional, essa dica seria: insista. Procure as publicações que combinam com o seu estilo (no meu caso né, pois eu escrevo), mande emails, depois mande de novo e de novo. Use as mídias sociais para mostrar e procurar trabalho. Se ninguém responder a sua sugestão de artigo, escreva mesmo assim e publique em um blog, ou no medium, ou no Facebook.

E, se alguém que leu isso aqui quer dar seus dois centavos também, deixe um comentário!

Eu em outros canais


Não há dúvida da força do YouTube, e quem percebeu isso há mais tempo conseguiu criar uma audiência fiel e muito engajada. Eu só fui conhecer o trabalho da Jout Jout depois de ela já ter estourado, mas nunca é tarde para aprender, certo? Tanto que estou usando a plataforma para falar do meu assunto preferido - feminismo - com uma das minhas melhores amigas.

Mas além disso, uso o YouTube também para subir vídeos de viagens, falar sobre Londres e aparecer no canal dos outros. Pois é, nesse último mês eu fiz duas 'aparições especiais': na seção Papo de Pub do canal do Rafa Maciel e mais recentemente apresentei meu bairro para a equipe do Londres na Lata.

Conquistar audiência no YouTube não é nada fácil, e esses dois conseguiram e continuam a produzir conteúdo de ótima qualidade para seus ávidos fãs. Muito obrigada a eles por terem me chamado para participar. Espero que vocês curtam, em ambos conto um pouco da minha vida em Londres, e, é claro, falo do meu guia.



The Kindness Offensive


Há uns dias eu trabalhei como voluntária em um projeto da organização The Kindness Offensive. Eu não lembro como foi que os encontrei, mas inscrevi meu email no site deles para que fosse notificada quando precisassem de voluntários para alguma ação.

Eles atuam como uma ponte entre empresas e organizações. Esse projeto, por exemplo, consistiu em uma doação feita pela Lush (toneladas e toneladas de produtos como shampoo, sabonetes, pasta de dentes, hidratantes, etc), que será encaminhada para diversas ONGs e instituições que ajudam mulheres vítimas de violência, crianças doentes e refugiados.

Os voluntários foram chamados para ajudar a organizar os produtos em categorias. Assim, quando as ONGs forem coletar, podem ir direto na pilha de produtos que precisam mais. 

A doação foi tão gigantesca que ocupou 4 andares de dois prédios de escritórios no oeste de Londres. Passei o dia todo lá com mais umas 10 pessoas, e foi uma experiência bem legal. Trabalho cansativo, abrindo e carregando caixas, mas o dia acabou passando muito rápido.

E, antes de ir pra casa, uma surpresa: cada um dos voluntários ganhou uma caixa para encher de produtos e levar pra casa! Estoquei creme hidratante, shampoo e condicionador, mas a vontade era de pegar os 'bath bombs' fofos em formato de coelho, flamingo e flores. 

A photo posted by Helô Righetto #GuiaDeLondres (@helorighetto) on


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Sobre ser blogueira de viagem


Eu comecei há blogar há mais de 11 anos. Antes de ter esse blog aqui, eu e o Martin escrevíamos em outro endereço, que acabou sendo deletado. Como muitos blogs passaram a ser negócio e foram se categorizando em nichos (viagem, beleza, moda, decoração, gastronomia, etc etc etc), a maior parte dos blogs pessoais que eu lia lá no começo já não existe mais.

As coisas são assim, nada dura pra sempre. Tem quem amava blogar há 5 anos e depois perdeu a vontade, mas continua lendo. Tem quem tinha blog pessoal mas sempre amou falar de viagem e continuou fazendo esse mix, mas percebeu o potencial da plataforma e passou a ganhar um dinheirinho com parcerias e permutas. Tem quem deixou o lado pessoal totalmente de lado apenas para se dedicar ao negócio.

Cada blog, por menor que seja, tem seu público. Se você lê o que eu escrevo aqui ou no Aprendiz de Viajante - seja desde a semana passada ou desde 2010 - é porque tem alguma coisa no meu jeito de escrever e relatar minha vida e minhas viagens que é interessante pra você. As empresas passaram a dar valor pra esse nosso público fiel, e começaram a nos oferecer parcerias. Por exemplo: a empresa de motoristas brasileiros em Londres. Eu escrevi sobre eles no Aprendiz, e quem os contrata através do meu post garante uma comissão pra mim (que não altera em nada o preço final. Um cliente que contrata esses serviços direto pelo site deles ou pelo meu site paga a mesma coisa).

Tem também o booking.com, do qual todo blogueiro de viagem que eu conheço é parceiro. Todos nós temos um link personalizado, e se você reserva seu hotel a partir do link que eu coloquei em algum post, você também vai gerar uma comissão pra mim, paga pelo booking.com.

E há também a permuta. Vou dar um exemplo bem recente, essa minha viagem para a Escócia para subir o Ben Nevis. Eu planejei tudo, escolhi hotel, fechamos as datas. E pensei: vou conversar com o Visit Britain (órgão que promove o turismo na Grã Bretanha) pra ver se eles se interessam em me apoiar de alguma forma, já que vou promover essa parte do país que não é tão comum nos blogs. Enfim, entrei em contato e eles gostaram da ideia, e pagaram o carro que alugamos e o hotel onde nos hospedamos.

Eu iria para Escócia de qualquer jeito. E o apoio do Visit Britain me ajudou financeiramente e também me deu a responsabilidade de criar conteúdo rápido, e de obter resultados (números de acessos e engajamento em redes sociais) para mostrar pra eles que trabalhar com blogueiros vale sim a pena. Estou mentindo para os meus leitores? Eu acho que não.

Tem também outro tipo de viagem, para a qual somos convidados. Como quando eu fui para Malta. Pintou o convite, eu estava disponível. A passagem e a hospedagem eram cortesia, e em troca eu precisava, é claro, gerar conteúdo. Nesse caso, eu não teria ido para Malta se não fosse o convite. Tem algum problema nisso? Eu acho que não. Os leitores sabiam que eu estava lá pra promover o destino.

Os patrocinadores sabem do potencial dos nossos blogs. Pagam pra gente viajar ou pagam anúncios porque entendem que temos um público diversificado. Se tem tanta gente que sempre me pergunta sobre motorista brasileiro em Londres, acho justo eu indicar e receber da empresa uma comissão por isso, sem prejudicar o cliente. Se a empresa não é idônea, a parceria é cortada.

E como estou escrevendo aqui em nome da transparência, vou falar de uma viagem que nem fiz ainda. Eu e o Martin vamos passar duas semanas na Sicília em junho/julho. Eu resolvi entrar em contato com vários hotéis pra ver se algum deles estaria interessado em fazer parceria: eu fico no seu hotel e faço propaganda dele no meu blog e mídias sociais. Um deles aceitou. É um hotel incrível, que eu adoraria ficar. Aliás, mandei email apenas pra hotéis que eu reservaria de qualquer forma.

Mas, nem toda viagem é assim. A maior parte (eu diria que 80%, no meu caso) das dicas que dou no blog - desde museus (aliás, a minha lista de posts de museus em Londres é modéstia a parte uma das melhores que você vai encontrar online) até restaurantes, hotéis e roteiros - foram experiências pelas quais eu paguei como uma pessoa normal, e não uma blogueira. Eu não deixo de dar a dica se alguem não topa a parceria comigo. Porque meus amigos, se fosse assim, o Aprendiz de Viajante teria muito menos conteúdo. A gente toma muito não, mas muito mesmo.

Vocês podem ficar tranquilos, que vou falar de todos os hotéis onde vou me hospedar na Sicília (#classemediasofre), mas o que está me oferecendo a estadia gratuitamente vai ganhar também um vídeo, mais fotos no Instagram e uma sinalização avisando da parceria.

Eu preciso ganhar dinheiro, como todo mundo. Preciso vender meu peixe e sempre encontrar maneiras de trazer mais gente pro blog, de engajar mais, de saber o que os meus leitores gostam. E eu tenho certeza de que os leitores não acham que estou explorando a boa vontade deles ao ganhar dinheiro fazendo o que eu gosto.

E você? Já comprou meu guia? Aproveite que está em promoção! O impresso de R$54.90 por R$34.90 e o digital de R$39.90 por R$14.90 - tá baratinho hein?

AVISO: vários links desse post são para parceiros. Eu não vivo de renda, mas bem que gostaria (atualmente vivo do salário do meu marido, enquanto tento ganhar mais dinheiro como blogueira).

Páscoa na montanha


No feriado de Páscoa (o único de 4 dias que temos aqui, pois a segunda feira também é feriado!) pegamos um carro e fomos até a Escócia, mais precisamente a cidade de Fort William, na região das Highlands. Olha, é longe. Mas, como não dirigimos no dia a dia, a viagem de carro não é uma coisa chata, é algo 'diferente' e a gente acaba curtindo.

Bom, o objetivo principal dessa viagem era subir até o topo do Ben Nevis, que é a montanha mais alta do Reino Unido. Depois que fizemos o Snowdon (no País de Gales) ano passado, ficamos com vontade de encarar o Ben, e lá fomos nós.

Foi uma tarefa árdua (fiquei com as pernas muito doloridas nos dois dias seguintes), mas a sensação de missão cumprida não tem preço.



Além da montanha, conseguimos explorar bastante da região, que é lotada de estradas cênicas, vilarejos minúsculos e lugares fofos para comer e tomar café!

1 de abril

Pra mim, o primeiro de abril sempre foi um dia de contar uma mentirinha idiota pras amigas na escola, ou cair na mentirinha idiota de algumas delas. Mas aí eu me mudei pra Europa e passei a vivenciar o primeiro de abril como nunca antes.

Vários jornais e websites publicam notícias falsas, Políticos publicam declarações absurdas. Empresas fazem propaganda de produtos esquisitos que vão lançar. Em Paris, até trocaram o nome de algumas estações de metrô (Opéra virou Apéro, por exemplo). Até o Google entra na dança.

Tem quem ache divertido. Eu acho uma grande perda de tempo. Quer dizer, a parte divertida é o pessoal que compartilha essas notícias falsas no Facebook e passa um ridículo depois. Teve um blogueiro que fez um post falando que os Estados Unidos estavam abolindo visto para brasileiros, e aí o texto foi tão compartilhado nas redes sociais, que ele ficou sem saber o que fazer.

Enfim. É isso. Perceba minha falta de ideias para blogar!