quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Irritagram

Estou para escrever esse post sobre coisas que me irritam no Instagram há tempos, mas sempre desistia da ideia porque pensava: 'vão me achar uma chata'. Aí me toquei que essa fama eu já tenho, e se alguém ainda não sabe talvez esteja mais do que na hora.

Antes de tudo: eu AMO o Instagram. Ando bem viciada. E certamente já fiz algumas dessas coisas que me irritam. Aliás, difícil achar quem não fez! Mas como tudo na vida, moderação é palavra chave.

E olha, nada do que escrevi é indireta pra ninguém! É apenas uma confirmação de como eu sou facilmente irritável. O problema não é você, sou eu!

1. Print screen da temperatura
Não entendo a necessidade de dar print screen na tela do celular e postar a temperatura do lugar onde você se encontra nesse momento. Nossa! Faz 5 graus em pleno dezembro em Londres. Mas que surpresa! 30 graus em São Paulo no verão! UAU. Olha, no dia que fizer 30 graus em Londres no inverno e 2 graus em São Paulo no verão, aí sim é coisa que vale a pena dar print screen. Parem de usar espaço no servidor do Instagram para subir essas imagens inúteis.
Atenção: montagem com comparação do lugar que você está x o lugar para onde você vai também enche o saco. Jura que você vai viajar pra Finlândia amanhã e lá está 30 graus a menos do que na cidade que você mora? Não estou nem aí.

2. Não deixe de...
Aí você está curtindo a sua viagem a Nova York/Praia Grande/Shanghai (entendeu a ideia né?) e posta uma foto. SEMPRE tem alguém que vai te dar aquela dica ESPERTA, estilo última bolacha do pacote, sempre começando com 'Não deixe de ir/ver/visitar/conhecer'. Olha, quer saber? Deixo sim. Deixo de ir só porque você é um mala e eu não quero ir no mesmo lugar que você. Dicas são bem vindas, mas a expressão 'Não deixe de' é muito arrogante. A minha viagem não é igual a sua. O bistrozinho secreto que só acomoda 3 pessoas e é especializado em croque monsieur feito com presunto da Normandia e ovo da Córsega não é o lugar mais incrível de Paris.

3. AMO esse lugar
Jura? Você realmente ama esse lugar onde eu estou agora ou só escreveu esse comentário pra deixar bem claro que você esteve lá antes de mim? O 'AMO esse lugar' (assim com o 'amo' em letras maiúsculas mesmo) pode ser substituído por 'Saudades daí'.

4. Likes retroativos
Ok, isso não é necessariamente algo que me irrita, mas me deixa com a pulga atrás da orelha. De repente você recebe de uma vez só 30 notificações de 'like', todas da mesma pessoa, e percebe que tal pessoa fuçou seu perfil e chegou nas fotos de 1 ano (ou mais) atrás. Rede social é isso aí, tá tudo lá pra todo mundo ver, mas fica a dica: você pode ver as fotos e se conter no like, pra não parecer que você é um stalker.

5. Hospital / Machucado / Sangue
O que leva alguém a postar foto diretamente do hospital? Isso não apenas gera uma comoção (todo mundo fica preocupado) mas como também passa um pouco dos limites do que é apropriado dividir com o mundo. Acho uó, tô lá feliz e contente vendo meu feed do Instagram e me deparo com um joelho ralado, ou um roxo no braço ou uma agulha na veia. Vou no Instagram pra ver coisas bonitas, você pode por favor voltar a postar foto de comidas e de bebês, que são mais interessantes.

6. Trocentas fotos seguidas
Gente que sobre foto no Instagram como se o aplicativo fosse um armazenador de imagens. Não digo 2 ou 3 fotos em um intervalo de duas horas. Digo 15 fotos em 10 minutos. Acho que a pessoa tá sem ter o que fazer e resolve cavar o arquivo de imagens do celular, dando aquela flodada básica no feed alheio. Pra isso caro colega, existe o álbum de fotos do Facebook. Favor pesquisar a diferença entre as mídias sociais.

8. Você está em tal lugar?
Coloco a foto tageada com o nome do lugar: Restaurante da Maria.
Primeiro comentário: Que restaurante é esse?

9. Fotos sem descrição
Uma das minhas maiores agonias Instagramísticas. Geralmente são aquelas fotos artsy, conceituais. Nego joga foto lá e pronto. Ai nossa, que foto criativa, como você pensa fora da caixa, agora vem cá, ME EXPLICA QUE DIABOS É ISSO? Ou quem não é cool é proibido de entender mesmo?

10. Foto torta / sem filtro
O Instagram emprega gente para criar soluções que te ajudem a postar fotos bonitas, e você nem pra usar a ferramenta de alinhamento e desentortar o prédio? Poxa, faz um esforço? Ou então dá uma clareadinha, melhora as cores, coloca um filtrinho aí. Vamo combinar que foto sem filtro só de praias com águas cristalinas ok?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

5 eventos esportivos que eu não conhecia antes de morar em Londres

1. The Ashes
Um campeonato de cricket que envolve... dois times. Sério. Inglaterra e Austrália. Austrália e Inglaterra. DOIS TIMES gente. Não sei mais o que escrever. Eu já não consigo achar algo interessante nesse esporte, então fica difícil eu escrever sobre o Ashes sem ser sarcástica. Vou parar por aqui. Mas DOIS times. DOIS.

2. Ryder Cup
Se eu não me interesso por cricket, a coisa fica ainda mais feia quando o esporte é golfe. E, de novo, DOIS TIMES. Europa x Estados Unidos. Vamos ali ser elitistas juntos e já voltamos. Encerro aqui.

3. Campeonato Mundial de Dardos
Aaaaah, finalmente algo legal. Um campeonato onde a torcida está bêbada, fantasiada, e ainda por cima os participantes não tem um corpinho atlético. Ou seja, ainda há esperança de eu ser campeã mundial de alguma coisa. Talvez esse seja meu projeto pós-aposentadoria. Vou pro pub todo dia, tomar gin&tonic (ou Pimm's se for verão) e ficar treinando. Vocês vão me ver campeã em 2040, escreve aí.



4. Commonwealth Games
Ah, eu já dediquei um post inteiro ao Commonwealth Games, os jogos olímpicos dos países participantes do clubinho Commonwealth (vamos combinar que a última coisa que todos os membros dessa organização tem em 'commmon' é 'wealth', né?). Alguém se lembra dos campeões desse ano? Nem eu.

5. Oxbridge boat race
Tudo bem que essa é mais uma competição entre dois times (Universidades de Cambridge e Oxford), mas ver os times de remo dessas duas instituições históricas e arquinimigas é muito mais animado do que ver críquete ou golfe. A corrida acontece todo ano em Londres, em um trecho do Rio Tâmisa no oeste da cidade. Acho que todo mundo que fez faculdade entende essa rivalidade, e como é algo rápido, pá-pum, se resolve em menos de uma hora, deixa os ânimos da torcida a flor da pele.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

6 meses em segundos e uma pequena tragédia

Há alguns dias, quando precisei reinstalar todos os meus aplicativos no celular por conta de um outro aplicativo que estava dando erro, perdi todos os segundos que estava filmando desde o começo (já postei sobre esse projetinho/app aqui, aqui e aqui).

Pode parecer bobagem, mas fiquei arrasada. ARRASADA. Juro, quase chorei. já tinha completado 9 meses filmando um segundo por dia, todos os dias. A sorte é quando eu completei 6 meses resolvi fazer uma compilação, justamente pro caso de dar problema no back-up.

Então aqi está, o vídeo de 6 meses:



E sim, vou voltar a fazer, do zero. Mas resolvi que começarei dia 1 de janeiro de 2015, pra ficar um ano direitinho (e agora, que estou com celular novo e com uma câmera muito melhor, vai ficar ainda mais legal!)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Exposição: Rembrandt - The Late Works

Assim como a exposição do Turner na Tate Britain, essa do Rembrandt na National Gallery é dedicada às obras criadas no fim da vida do artista, entre 1950 e 1969.

Eu sei muito pouco sobre a vida e obra dele (quando estive em Amsterdã acabei não indo na casa/museu dele), e fiquei impressionada quando li que ele perdeu a esposa e três filhos muitos anos antes de sua morte, e ainda assim produziu telas espetaculares. 

Os autorretratos logo na primeira sala já valem a entrada! Além das pinturas (como a tela entitulada 'The Jewish Bride', uma das estrelas da mostra), você verá dezenas de gravuras e desenhos com nanquim, um mais impressionante e detalhado que o outro. 

Recomendo comprar os ingressos com antecedência pelo site da National Gallery, já que a exposição está bem popular e as vezes não tem ingresso para o mesmo dia. Está em cartaz até o dia 18 de janeiro, o ingresso custa £18.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Leitura: Not That Kind of Girl, Lena Dunham

Eu não sou mega fã da Lena Dunham, mas concordo que ela é referência em inovação no mundo televisivo (mesmo que eu tenha assistido poucos capítulos do seriado Girls). Fiquei sabendo do livro que ela escreveu, afinal está por toda parte. E não estava considerando ler, mas um belo dia ela foi no programa do Graham Norton (que eu amo, e já escrevi sobre aqui no blog mais de uma vez) e eu chorei de rir (principalmente quando ela tirou onda da cara do chatonildo do Matthew McConaughey).

Aí eu comprei. Mas que decepção!

A Juliana Cunha publicou uma resenha sobre o livro, com a qual eu concordo em gênero, número e grau. Clica e lê, porque eu jamais conseguiria explicar tão bem quanto ela porque eu não gostei do livro.

Fica pra uma próxima Lena!

A photo posted by Helô Righetto (@helorighetto) on

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Chega de Fiu Fiu, o documentário do Think Olga

'Se a mulher não quer que mexa com ela, então não tem que usar roupa que provoca, passa aqui de moletom'

Eu não vou nem discutir o tanto de coisa errada que tem na afirmação acima (que aliás eu não inventei. Veja o vídeo abaixo pra ouvir e ver esse e mais um monte de absurdos). Se você concorda que é um absurdo, então você precisa ajudar o documentário Chega de Fiu Fiu, idealizado pelo projeto Think Olga, a sair do papel.

(E se você não concorda, e acha que a frase faz sentido, faça um favor pra mim: feche essa página e nunca mais volte aqui)

Há alguns meses o Think Olga divulgou o resultado de uma pesquisa que mostra que as cantadas na rua não tem nada de inofensivas: é um problema grave, e que tem sido ignorado há muito tempo. Eu já falei sobre esse assunto algumas vezes aqui no blog (quando contei sobre campanhas feministas que apoio no Reino Unido, como o Everyday Sexism e o No More Page 3), então não acho que preciso explicar novamente que assédio não é paquera (e cantada É assédio).

Agora, o Think Olga quer dar um passo adiante na luta contra o sexismo e produzir um documentário que mostra as situações super desagradáveis que as mulheres passam todos os dias. Veja o vídeo abaixo para entender certinho o contexto e o projeto.



Então, vamos doar? A primeira meta, de R$20 mil, já foi alcançada. Agora precisamos chegar a R$80 mil, pra garantir que o documentário saia do papel. Temos 46 dias, e ainda falta bastante,

Quanto mais eu penso nesse assunto, lembro de mais e mais cantadas (algumas bastante agressivas) que levei na rua. Engraçado como a normalização disso faz a gente 'deixar pra lá' e esquecer coisas que na verdade são traumatizantes. Chega disso, gente!

Clique aqui para fazer sua doação.