teste

testando links

early bird aqui

normal aqui

Robertsbridge circular


Dessa vez a viagem de trem para o ponto inicial da trilha levou cerca de uma hora e meia, o que é bastante comparando com a média de 45, 50 minutos. É um tempo que me faz pensar que eu poderia muito bem estar na cama, mas estou sentada olhando a paisagem passar rápido, tão rápido que nem consigo ler o nome da estações por onde o trem passa sem parar. De qualquer forma, é tarde demais para qualquer arrependimento - se for para desistir, que seja no segundo que toca o despertador (o que já aconteceu, mais de uma vez).

Já havia passado mais de um mês desde a última trilha, então eu estava feliz de finalmente calçar as botas, encher a mochila de água e comida e caminhar os quilômetros que fossem para chegar no ponto final. Nesse caso, o ponto final era o mesmo do inicial, as maravilhas de uma trilha circular.

Ainda que a vontade de ir pro mato estivesse a flor da pele, a preguiça influenciou o percurso: em vez de ir para Wendover a partir da estação de Marylebone, achei a trilha Roberstbridge circular um dia antes, que nos permitiria pegar o trem em London Bridge. Muito mais fácil, garantindo pelo menos 30 minutos extras na cama.

Nossas caminhadas pelo interior da Inglaterra são repletas de rituais, adquiridos ao longo desses três anos desde que começamos a fazer hiking com frequência. O ritual da manhã inclui chegar na estação cerca de uma hora antes do trem partir. A primeira coisa é providenciar as passagens de trem. A segunda coisa é comprar comida para o dia (em London Bridge, isso é feito no M&S). Coisa fácil de carregar: wraps, saladas prontas, frutas, algum doce. E depois, finalmente, tomar o café da manhã. O café da manhã pré hiking é um ritual dentro do ritual: vamos no Leon (não no que fica dentro da estação, que tem um atendimento péssimo, mas o que está do outro lado da rua, sempre vazio e muito maior), comemos nossos sanduíches de avocado com queijo haloumi e tomamos nossos skinny lattes. Faltando 15 minutos pra saída do trem, começamos a ir devagar para a plataforma.

Invariavelmente outros hikers embarcam no mesmo trem. Alguns saltam antes, a gente fica curioso pra saber que trilha eles vão fazer. Quando saltam com a gente, nos perguntamos se os encontraremos ao longo da nossa trilha ou talvez no trem de volta. Isso é coisa rara. Dessa vez, porém, uma moça que carregava uma edição do livro Country Walks saltou na mesma estação - Robertsbridge - mas logo acelerou. Curiosamente, encontramos com ela lá pela metade da trilha, mas  ela acelerou de novo. Não a vimos no trem de volta - deve ter conseguido embarcar no trem anterior.

Estávamos um pouco enferrujados por causa do "mais de mês sem hiking". Martin sincronizou seu relógio Suunto, abriu o mapa no celular. Eu abri as instruções no meu. E seguimos. Há alguns meses o hiking passou a ser coisa nossa, em vez de algo que fazemos com os amigos. Paramos de chamar outras pessoas para nos acompanharem, e acabamos arrumando desculpas quando somos chamados para acompanhar grupos grandes. Acho que família de dois, sem filhos, é meio assim - pelo menos nós dois somos - anti social. Quando a gente se toca que alguma coisa "'é nossa", a gente cria uma bolha em volta dessa coisa. Era assim com a corrida.

Apesar do dia de sol, o caminho estava enlameado, por causa da chuva constante nos dias anteriores. Eu não me importo com a lama. Gosto de afundar a bota nela pra provar pra mim mesma que ela valeu o investimento. Que a minha bota é boa, impermeável. Quando mais suja, melhor. O problema da lama é que ela vai acumulando e secando na sola e nas laterais, deixando a passada mais pesada, cansando a perna com mais intensidade.

Encontramos pouca gente pelo caminho, o que é atípico. Mais tarde, depois do almoço, quando passamos pelo Bodiam Castle, entendemos que todo mundo estava lá. Até o estacionamento estava lotado. Mas logo o castelo e a multidão ficou pra trás e seguimos sozinhos pelas folhas, pela lama, pelo campo.

Pela primeira vez, passamos por um milharal ainda por ser colhido. Não sabia que a planta do milho era alta desse jeito - da altura do Martin. Também passamos por uma plantação imensa de maçãs - quase todas já colhidas, muitas outras no chão, apodrecendo lindamente, um cheiro maravilhoso que me lembrou cidra. Não pegamos nenhuma maçã - mas pegamos dois milhos. Desculpa, agricultores. Somos seres humanos falhos mesmo. Se serve de argumento, eu nunca havia colhido um milho (não cozinhamos ainda, não sei se estava "no ponto"). As vezes eu brinco com o meu pai: ele saiu do meio do mato, de uma infância com vaca de estimação. E eu fico buscando essa vida rural nas trilhas. Me encanto com as ovelhas, com as plantações.

O trem de volta era de hora em hora, e chegamos na estação 10 minutos atrasados. Ou 50 minutos adiantados. Decidimos sentar em um pub ali ao lado, para tomar uma café, e o abismo entre Londres e countryside se fez presente: o atendente não sabia o que era um latte. Pedimos então coffee with milk e fomos servidos com um café preto instantâneo e uma jarrinha de leite frio. dessas que eles usam pra botar no chá. Tomei um pouco por educação, mas o meu lado cidade falou mais alto. Eu preciso de um latte.

O que me leva ao ritual do retorno: o latte no Leon assim que desembarcamos em London Bridge, antes de pegarmos o trem pra nossa casa. No Leon com atendimento péssimo mesmo, porque a essa altura do campeonato não sobra mais energia pra atravessar a rua.

Tanta gente falando


Eu tenho um projeto prontinho de livro. De um livro sobre feminismo. Mandei para algumas editoras, até tive uma conversa via Skype com uma editora que se mostrou super interessada na ideia. Eu tinha inclusive uma viagem marcada em outubro, de uma semana, para me refugiar em um canto da Inglaterra, sozinha, e pelo menos começar a escrever alguns capítulos.

Já escrevi alguns guias de viagem (esse, esse e esses), então eu sei o trabalho que dá e não foi isso que me repensar a ideia de escrever um livro. O negócio é que, eu me pergunto, será que esse mundo precisa de mais uma pessoa falando de feminismo sob a perspectiva de uma mulher branca, hétero e de classe média que nem escreve tão brilhantemente assim?

Tem tanta gente falando, sob tantas perspectivas diversas, com ramificações e intersecções e soluções, que eu achei por bem engavetar meu projeto de livro. Isso aqui não é um pedido descarado de elogios, e também não é Síndrome da Impostora, é simplesmente a realização de que o mundo não aguarda ansiosamente meus ensinamentos feministas.

Como eu queria escrever lindamente


No último ano adicionei a minha lista de livros alguns do estilo 'nature writing'. O primeiro foi 'The Outrun', o segundo 'Swimming With Seals', e tenho mais uns dois ou três nesse estilo me esperando na estante. Passei a me interessar por esse tipo de narrativa por causa da minha crescente vontade de estar em meio a natureza, da necessidade de as vezes me desligar completamente da cidade.

São narrativas que tem um pouco de biografia/memórias, história, e informação científica. Em The Outrun, por exemplo, a autora conta como foi seu retorno para Orkney (conjunto de ilhas no norte da Escócia) como parte da sua reabilitação para se livrar do alcoolismo. Já em Swimming With Seals, a autora compartilha seu hábito de nadar no mar gelado todo dia (também em Orkney, coincidentemente), ao mesmo tempo que vive o luto da morte de sua mãe e tenta se adaptar a mudanças pessoais e profissionais.

O que mais me impressionou em ambos, além de elas conseguirem magnificamente intercalar suas dores com informações sobre o lugar em que estão, é a maneira que elas descrevem a natureza e seus movimentos. Eu tenho inveja, inveja mesmo, da capacidade que essas pessoas tem de usarem o vocabulário, de criarem metáforas e conseguirem te fazer querer nadar no mar do norte em um dia gelado e nublado, mesmo você sabendo que será algo dolorido e que há outras tantas coisas melhores pra se fazer na vida.

Escrever lindamente é uma coisa que eu queria muito saber fazer.

Ninguém pede pra segurar a mão de ninguém

(sem acentuacao)

O padrao eh assim: eu percebo que uma amiga anda meio sumida - nao interage nos grupos em comum que temos no Whatsapp e nao aparece nas redes sociais como costumava aparecer. Eu mando mensagem perguntando se esta tudo bem, e a resposta eh mais ou menos 'ah, tudo bem, mas estou meio cansada'. Em uma rapida troca de mensagens, percebo que nao esta tudo bem nao. Seja stress por causa de trabalho, cansaco pelo dupla ou tripla jornada (trabalho/casa/filhos/vida social), a questao eh que a amiga se recolheu, diminui bruscamente contato com as pessoas ao seu redor, para lidar com os estresses/problemas sozinha.

Eu, obviamente, nao acho que posso resolver os problemas das minhas amigas. Mas tenho dificuldade em entender a reclusao. A maioria delas - e foram varias, em poucos meses - acabou me falando que 'nao gosta de pedir ajuda, de incomodar' - por isso preferiu carregar as dores sozinha.

E eu achava que a gente tinha amigas e amigos justamente pra nos dar a mao, ou aquele ouvido amigo, quando a gente precisa simplesmente dividir angustias. Me pergunto quando e por que decidimos que pedir ajuda passou a ser incomodo.

Seria essas coisa do conto da vida perfeita das redes sociais? Seria essa onda patetica motivacional que fala pra gente nao desistir nunca? Nao sei. So sei que o slogan 'ninguem sola a mao de ninguem' parece bonito no papel, mas ninguem quer fazer uso dele de verdade.

O que uma sexta feira de preguica nao faz...


Pra matar o tempo no trabalho no ultimo dia util dessa semana que durou 87 dias, ate voltar a escrever no blog (sem acentuacao) a gente volta!

Tudo bem ai?

Aqui tudo bem.

Completei 8 meses no trabalho, 39 anos de idade, viajei de ferias para Seattle, deixei de comer carne bovina, fiz o tour da Jane Austen, fui ver as Spice Girls, pintei uma parte do apartamento (eu nao ne, uma pintora), troquei de colchao. Ou seja, continua tudo bem. Quer dizer, Boris Johnson eh agora primeiro ministro e Bolsonaro continua cagando no Brasil - fora esses "detalhes", a vida na minha bolha vai bem.

E faltam cerca de 140 dias ate o Natal. Prometo que ate la escrevo algum outro post : )



Rome noisy Rome


Quando voltamos da nossa primeira ida a Roma em 2011, eu escrevi um post aqui com o título 'Rome Sweet Rome'. Lembro de ter ficado emocionada de conhecer a cidade - e é claro que fiquei muito feliz de retornar, ainda mais em companhia dos meus pais.

Mas esse retorno me fez perceber como mudei nesses 8 anos. A bagunça de Roma me incomodou, o barulho, o trânsito. E Roma já era assim quando estive lá em 2011. 8 anos para o berço da humanidade não é nada. Mas pra mim, é muito!

Foi interessante perceber que os destinos 'cidade' já não me atraem tanto. Não que eu não soubesse disso, mas essa viagem foi uma espécie de confirmação.

Aí chego em casa e minha nova jaqueta impermeável para fazer hiking está aqui me esperando, e eu só consigo pensar que quero estar no mato esse fim de semana e que se chover não faz mal.

Canola


Se você fizer uma viagem de trem ou de carro pela Inglaterra durante a primavera, é provável que veja diversos campos de flores amarelas pelo caminho. É uma marca registrada. Mas claro, com a velocidade, a gente vê apenas o 'conjunto da obra', um borrão amarelo passando rapidinho na janela. Não faz muito tempo que eu finalmente descobri que são plantações de canola (em inglês, rapeseed, um nome que eu particularmente acho péssimo).

E faz menos tempo ainda - dois dias - que eu vi uma plantação dessas sem estar dentro do carro ou do trem. Eu não apenas vi, mas entrei na plantação. O borrão ficou nítido, ganhou contorno. Vi que, apesar do conjunto da obra ser amarelão, as flores são bem pequenas e a maior parte é mesmo o cabo (haste? tronco?) verde. São plantas altas, semeadas tão do ladinho uma da outra que não dá pra passar no meio se não tiver uma caminho aberto. E, mesmo andando pelo caminho demarcado, nossas roupas ficaram cheia de pólen, pequenas manchas amarelas. Trouxemos um pouquinho do borrão pra casa!


Andar, escrever


Estou lendo um livro chamado 'Swimming with Seals' (nadando com focas), no qual a autora, Victoria Whitworth, relata sua experiência de nadar, todos os dias, no mar gelado em uma praia em Orkney (arquipélado no norte da Escócia, onde ela mora). O livro vai além disso, é uma reflexão sobre a vida dela (não é uma biografia) e sobre a vida e história de Orkney também. Mas a parte de nadar é a minha parte preferida.

O jeito que ela descreve esse exercício (por falta de uma palavra melhor, porque há lazer e relaxamento envolvidos também) me afetou de uma maneira bem interessante. Me deu uma vontade louca de escrever sobre essa minha atitude latente - e recente - de querer estar fora da cidade. Sem ser 'dando dica', sem ser obrigação (saco cheio de SEO), mas apenas a minha sensação enquando caminho no mio do mato, a descrição dos lugares por onde passo e o que me leva a querer fazer isso mais e mais. A verdade é que eu não sei porque quero fazer isso mais e mais, mas quem sabe, escrevendo, eu descubro.

Vida segue, apesar do blog!


Hoje completo 4 meses de 'novo' trabalho (ja adaptada o suficiente para escrever esse post enquanto estou no escritorio - ainda que sem acentos pois sou tao de humanas que nao consigo de jeito nenhum ajustar o teclado para poder usar os queridos amados agudo, circunflexo, tio e cedilha). A vida anda bem corrida - nao eh por falta de assunto que nao estou escrevendo aqui.

Mas engracado que ainda me sinto culpada por nao dar as caras nesse blog por tanto tempo. Desculpa, blog! Se te serve de consolo, eu mesmo venho aqui como leitora pra me lembrar de acontecimentos de anos atras. 'Quando foi mesmo que fui naquele show?' ou 'que ano que viajamos para tal lugar?' ou 'quem mesmo estava naquele encontro que eu organizei ha uns 6 anos?'. Esta tudo aqui.

Interessante que continuo recebendo comentarios nos posts mais populares. Ainda recebo emails de gente que achou esse blog e esta se mudando pra Londres. Ou que querem dicas de como trabalhar com design. Um aviso: as dicas que tenho estao todas aqui e talvez estejam ultrapassadas. Se mudar pra Londres hoje em dia, 10 anos depois da minha mudanca (ainda que vc se mude nas mesmas circunstancias que eu), deve ser bem diferente. Mesma coisa para procurar emprego no setor de design e interiores. Pessoal: procurem fontes mais atualizadas.

Mas vamos a algumas atualizacoes entao, para voce leitora ou leitor que por acaso aparece aqui. Ate agora, meu 2019 foi assim:

  • Fomos para as Maldivas em janeiro, passamos uma semana naquele paraiso
  • Lancamos o e-book do projeto Intercambio Feminista la na Conexao Feminista
  • Fui em duas marchas das mulheres (janeiro e marco)
  • Li 7 livros
  • Trocamos de sofa (abriu uma Ikea perto de casa faz pouco mais de um mes e ja fomos la umas 5 vezes)
  • Fizemos 3 hikings
  • Passamos um fim de semana em Torquay, sudoeste da Inglaterra, e so choveu, foi uma bosta
  • Guiei um tour das mulheres (e guiarei outro essa semana) e lancei o tour da Jane Austen
  • Fiz um bate e volta para Leeds a trabalho
  • Vi a Ellen Page em um bar
  • Fiz uma tatuagem
  • Nao aguento mais acordar de manha, ligar a televisao e ver uma tragedia nova todo dia

Nos bons tempos, cada uma dessas coisas ganharia um post. No momento, ganham apenas uma mencao mesmo!


Jane Austen: meu novo tour!


Adivinha quem arrumou uma nova sarna pra se coçar???

Mas uma sarna literária, histórica e, por que não, feminista.

Chamei minha amiga e também guia Raphaella pra montar esse tour comigo, e assim criamos 'Jane Austen por trás dos romances'.

Será um tour de dia inteiro, dia 13 de abril (sábado) pelo interior da Inglaterra. Vamos passar por 4 cidades por onde Jane passou, vamos seguir seus passos desde seu nascimento em Steventon até sua morte em Winchester.

Vamos dividir com quem estiver no tour a nossa interpretação de Jane Austen: uma mulher com olhar afiado, questionadora, e que usa seu poder de observação e crítica para montar seus personagens e seus enredos. Você sempre achou que os livros de Jane Austen são puro romance? Pois reavalie: são praticamente uma biografia da Inglaterra georgiana, com duras críticas a instituições praticamente intocáveis, como igreja e exército. Além disso, ela aponta também o silenciamento de mulheres e nos faz repensar se os finais que escreve são mesmo finais felizes.

Esse passeio será feito com transporte privado, e teremos parada pra almoço em um pub histórico (tudo incluso no preço). Estão inclusos também os ingressos para duas atrações pagas. O preço cheio é 170 libras (clique aqui para comprar), mas abrimos 3 vagas por 150 para quem reservar antes de todo mundo (clique aqui).

Vamos? Caso você tenha alguma dúvida, entre em contato. Nesse PDF estão mais detalhes sobre o tour.

Tá gostando?

Completei dois meses de trabalho novo e é claro que a primeira pergunta que as pessoas próximas (e as nem tão próximas) me perguntam: e aí, tá gostando? Se eu ganhasse uma rainha pra cada vez que respondi essa pergunta.... teria umas 15 rainhas, ou seja, dinheiro para três sanduíches no Pret a Manger na hora do almoço.

Mas enfim. Tô gostando?

Depende da interpretação que você faz da pergunta. Se eu estou gostando desse trabalho, especificamente? Sim, estou. É uma equipe muito bacana (sério, acho que nunca me senti tão a vontade tão rápido), somos apenas 14 pessoas. E o melhor: 12 mulheres (#misândrica). Ninguém te enche o saco com o horário ou quer saber o que vc faz de hora em hora. A atmosfera é super boa, o sentimento que tenho é que é um grupo do bem (de verdade mesmo, não no sentido coxinha 'cidadão de bem' da família tradicional brasileira). Acho minhas tarefas interessantes, o propósito da ONG é interessante, e estou satisfeita porque era exatamente o que eu queria: pertencer a um grupo de pessoas com um objetivo em comum e ser paga para isso.

Para os curiosos (ou seria stalkers?). vocês podem ver exemplos do meu trabalho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. Mais ou menos isso que faço todo dia.

Mas porém contudo, se você quer saber se estou gostando de trabalhar novamente - no sentido tradicional de trabalhar, das 9 às 5 - a resposta é não. Sei que soa contraditório, e sei que eu dizia que estava sentindo falta de ir a um escritório e pertencer a uma equipe, mas esse tempo todo que fiquei fora do mercado me fez entender que trabalhar é realmente uma grande perda de tempo. Nunca caí naquela máxima de que 'trabalho enobrece o homem'. Não me sinto mais nobre ou mais importante, simplesmente me sinto muito ocupada e com a conta do banco mais gordinha.

Chegar em casa e ter que fazer todas as tarefas do lar, e colocar em dia os projetos paralelos (Conexão Feminista), fazer as atualizações/fofocas/marcações de compromissos com as amigas, ir correr.... Não dá tempo de nada. Tudo fica em segundo plano quando a gente trabalha. Sei que tô falando mais do mesmo, mas quanto mais eu trabalho mais isso fica claro pra mim.

E qual a alternativa?

Não tenho a menor ideia. Pelo menos estou bem mais tranquila, pois voltei a trabalhar já preparada pra esse baque de ver o dia passar e não ter feito nada por mim. O interessante é que a obviedade do trabalho me faz mais criativa: fico tendo  um gazilhão de ideias o dia inteiro, e me mando emails diversos para não esquecer as ideias. Sabe quando a gente pensa em algo brilhante durante o banho e tem medo de esquecer? Então, mais ou menos isso.

E vocês, como estão?

O bom peão ao escritório torna


Voltei a trabalhar. Quer dizer, naquele jeito formal, de ir pro escritório, ficar das 9 às 5, fazer parte de um departamento, ter horário de almoço... Aquele jeito de trabalhar que é o jeito que a sociedade realmente respeita, realmente acha que você tá fazendo algo de útil.

Sarcasmos a parte, estou bem contente de ter voltado. Acho que volto bem mais consciente das desvantagens de trabalhar formalmente, mas também beeeem mais apegada com as vantagens. Uma vida mais regrada, mais sossegada, onde as questões trabalhísticas ficam no escritório. Acordar cedo, pegar trem lotado, comer um sanduíche, voltar pra casa, dar uma corrida, ver televisão, pode parecer tão pequeno mas é tudo que quero agora.

É lindo falar da independência da vida de freelancer, do glamour da vida de blogueiro, mas ninguém fala do perrengue, do trabalho triplicado que te acompanha as 24 horas do dia, e é claro do dinheiro que nunca aparece.

E antes que alguém me pergunte o que estou fazendo e aonde, já deixo a dica pra dar uma stalkeada no Linkedin e me poupar a explicação!

Mestrado acabou, e agora?


Mestrado acabou, já recebi meu resultado (sim, sou oficialmente mestre! Ou melhor, mestrA), e agora tenho a estranha sensação de que os dias passam muito rápido e muito devagar ao mesmo tempo. Filosofias a parte, a falta de rotina unida a muitas ideias e coisas pra fazer - não consigo não arrumar uma sarna pra me coçar - me faz pensar que deveria aproveitar mais essa fase sem trabalho 'normal' (em um escritório, o dia todo) ao mesmo tempo que acho que devo fazer mais e mais coisas pra 'justificar' não ter um trabalho formal. Complicado? Imagina!

Na prática, é assim: hoje, por exemplo, resolvi dividir meu dia em duas tarefas. Trabalhar em uma proposta para um livro e adiantar a legendagem de um dos vídeos de entrevista da Conexão Feminista. As horas se arrastam. Eu escrevo, escrevo, escrevo e o tempo não passa. Aí resolvo 'migrar' pra legendagem pra mudar um pouco de ares e a mesma coisa acontece. Nesse sentido, o dia passa muito devagar. Mas, vai chegar a sexta feira e eu sei que vou pensar: mais uma semana que eu não fiz nada, que eu não consegui um trabalho 'decente'. Nossa, até eu tenho dificuldade em compreender essas contradições.

E assim vamos. Isso sem falar é claro da despedida da democracia no Brasil e do trem desgovernado chamado Brexit no Reino Unido que está perto do fim da linha e vai cair em um precipício.

Mas tá tudo bem. Tá tudo bem!

(pelo menos voltei a dar as caras aqui!)

Trilha em vídeo


Depois dos vídeos do Kilimanjaro o Martin perdeu um pouco a empolgação de fazer vídeos, mas consegui convencê-lo a levar a câmera pra Islândia e filmar nossa aventura. Ontem ele terminou de editar o vídeo (enquanto eu fazia o álbum), e aqui está!

A gente poderia (deveria) ter filmado mais, mas quando estamos lá no calor (cansaço) do momento as vezes nem lembramos mesmo, ou simplesmente não queremos parar de caminhar quando pegamos um ritmo bom.  Ainda assim ficou bem bacana e acho que resume muito bem nossa jornada.

54 km


Trilha Laugavegur feita. É tão estranho pensar que já foi, depois de meses de preparação. A Islândia ficou pra trás e estamos de volta a rotina (bom, eu estou tentando fazer uma rotina, agora que não tem mais mestrado, nem trilha pla planejar). Difícil escrever sobre os 54 km percorridos sem cair no mais do mesmo: experiência maravilhosa, tudo muito lindo, super desafio, etc etc etc... E foi tudo isso mesmo.



Apesar de toda a preparação é só quando a gente bota a mochila (de 15kg) nas costas e dá os primeiros passos que a ficha cai. Agora é pra valer, vamos em frente, um dia de cada vez!

Foram 4 dias de caminhada no total (12km, 12km, 15km, 15km), pois resolvemos cancelar o último trecho, que não faz parte da trilha Laugavegur (é uma extensão, tem até outro nome). Essa mudança de planos aconteceu na hora mesmo, e fiquei bem orgulhosa da gente por termos tomado uma decisão não baseada no orgulho, mas no que estávamos sentindo na hora. Ao chegarmos no fim da Laugavegur, no camping Þórsmörk, ficamos sabendo que a previsão do tempo no topo das montanhas para onde seguiríamos no dia seguinte não estava amigável. Avaliamos nosso cansaço (essa etapa extra teria 24 km) e o risco de seguir montanha acima, para perto dos glaciares, com o conhecimento que havíamos adquirido nos dias anteriores sobre o clima nas highlands da Islândia (em uma palavra: louco).  Também não gostamos muito do 'clima' do camping Þórsmörk. Ao contrário dos outros, onde os rangers (tipo os cuidadores, supervisores) foram super solícitos e simpáticos, nesse último não achamos que fomos bem recebidos. A vontade era ir embora dali imediatamente em vez de montar acampamento de passar a noite. Por último, absolutamente ninguém do nosso 'grupo' - quero dizer, as pessoas que começaram no mesmo dia que a gente e que encontrávamos toda hora pelo caminho e também nos campings - estava lá. Mesmo quem havia nos passado nesse último trecho.

Consegui reservar um hotel em Reykjavik e também lugar no ônibus que passaria dali a 2 horas. Estava resolvido. Nossa trilha terminou e conseguimos relaxar. Nós havíamos terminado a trilha Laugavegur!

Nessa foto, a plaquinha no começo da trilha, em Landmannalaugar (Hrafntinnusker era o camping do primeiro dia):



E nessa, a plaquinha no final, em Þórsmörk (Emstrur/Botnar era o camping anterior):


Dissertação entregue



Acho que enquanto a nota não sai, não posso falar que sou Mestre. Mas o fato é que o mestrado acabou no minuto que eu entreguei a dissertação, 3 dias atrás (um dia antes do prazo, olhem só que mulher organizada que sou). Tem um monte de gente me perguntando se estou aliviada, se estou feliz, se estou orgulhosa. Na verdade eu estou cansada. Assim que eu apertei o botão 'enviar' (não precisei entregar cópia impressa, apenas digital, assim como não precisei fazer uma defesa oral) senti minha pálpebras pesarem e uma vontade imensa de deitar no nosso e ver televisão por horas a fio.

Eu honestamente não senti que o processo de escrever uma dissertação foi doloroso. Achei solitário, longo, meio tedioso, mas nada que me impediu de dormir ou de aproveitar minha vida social. Mas todas as leituras e o fato de escrever e escrever e escrever sem parar acabaram pesando mais do que imaginava que iriam pesar.

Já tenho mil coisas para fazer agora que essa fase acadêmica ficou para trás, mas a primeira dela é viajar para a trilha na Islândia. Na volta eu começo a tocar o restante. Apesar de ser uma viagem que vai exigir fisicamente, tenho certeza de que vou voltar muito descansada.

Ah, e pra quem interessar possa, o título da minha dissertação é: #HashtagFeminism: the impact of hashtags on the fourth wave of feminism in Brazil (#HashtagFeminismo: o impacto das hashtags na quarta onda do feminismo no Brasil).

Mês vegetariano


Julho foi um mês atípico. Entre tantas coisas que aconteceram, foi o mês que experimentei ser vegetariana. Eu e mais 3 amigas (até fizemos uma conta no Instagram pra registrar, está aqui, mas no fim das contas eu e a Renata que postamos mais) decidimos, em um dos nossos encontros, colocar o pé no vegetarianismo por um mês para ver no que dava. A ideia era tentar, mas nenhuma de nós 4 achava que iria terminar o mês e continuar vegetariana.

Bom, a princípio a proposta era fazer isso entre 1 e 31 de julho. Mas eu estava de férias em Portugal até dia 6 de julho, e foi impossível começar no dia 1. Eu achava que poderia tentar, mas chegando lá percebi que teria que comer macarrão todos os dias, os restaurantes do Algarve realmente não tem opção. E também acabei nem comentando com os meus pais porque sabia que eles iriam se dobrar em mil pra dar um jeito de eu comer bem. Então resolvi adiar e só no dia 6 comecei minha pequena saga vegetariana.

Nenhuma de nós 4 conseguiu ficar o mês todo sem carne. Eu mesma furei umas 4 vezes (sendo que uma delas por puro esquecimento). Não sentia falta da carne vermelha, mas sentia falta de carne. De peixe, de frango. De ter mais opções. Notei que mesmo em Londres, uma cidade onde dizem ser muito mais fácil para veganos e vegetarianos saírem para comer, ainda é bem restrito. Os cardápios dos pubs, então, nem se fala: tem 1 ou 2 coisas vegetarianas (salada e massa), geralmente algo pra constar, dá pra perceber que quem bolou o menu não pensou realmente em algo bacana para esses clientes.

O Martin também acabou entrando na dança, afinal é ele que cozinha aqui em casa. Fez uns pratos novos, ótimos, mas tudo tinha que ser pensado com antecdência. Por causa do hábito de ir no supermercado e pegar qualquer coisa pra jantar no mesmo dia, ele achou difícil fazer a janta sem se programar. E isso é o que achei mais chato do vegetarianismo: ter que pensar em comida o tempo todo. Sei que quando vira um hábito não é preciso fazer esforço, mas pra quem tá começando é um mega obstáculo.

Não sei se foi porque julho foi um mês de muito calor aqui em Londres, mas outra coisa negativa foi que me senti sem energia. estava cansada o tempo todo. Pra piorar fechei o mês com uma virose que me deu muita dor de cabeça e enjôos por 24 horas, da qual levei uma semana pra me recuperar completamente.

Concluindo, não foi algo prazeroso. Eu achei que seria muito fácil, e não foi. A boa surpresa é que não senti falta mesmo da carne vermelha, não estava com mega vontade de comer um bife, e acho que é algo que quero sim diminuir no meu dia a dia. Mas por outro lado não quero deixar de comer algo que amo (como por exemplo sushi e sashimi) e de experimentar coisas típicas de lugares novos que conheço. Então não sei se conseguiria ser 100% vegetariana. Talvez uma vegetariana ocasional?

A próxima aventura


No fim do ano passado eu comprei um livro chamado 'Wanderlust - Hiking on Legenday Trails', que é basicamente um livro que compila algumas das trilhas mais lindas do mundo. Não é um guia, ele apenas faz uma breve descrição, tem fotos espetaculares e dá algumas informações práticas de cada trilha (como distância, dificuldade, onde começa e onde termina).

Folheando o livro nos deparamos com algumas trilhas que não pareciam tão impossíveis assim da gente fazer (até o Kilimanjaro tá listado, fiquei orgulhosa!), e uma delas é a trilha Laugavegur na Islândia. Começamos a ler um pouco mais sobre ela e estudar a possibilidade de fazermos... meses depois, estamos aqui, a 20 dias de embarcarmos para a Islândia com nossos mochilões, barraca, sacos de dormir e toda a tralha que vamos precisar para essa aventura.

O ano tem sido tão intenso que até agora eu não estava nem conseguindo pensar direito no que vamos encarar. Os preparativos tem sido organizados ao longo de mais de 6 meses, por isso não tinha caído a ficha de essa será uma viagem épica. Compramos as passagens em fevereiro, reservamos nossos lugares nos campings ao longo da trilha em março, compramos equipamento que faltava em abril e ontem reservei o transporte para o aeroporto... e agora a única coisa que nos resta comprar é a comida (sim, vamos carregar absolutamente tudo, não teremos a mamata dos carregadores como tinha no Kilimanjarao).

Seremos só nós dois (e os demais trilheiros, claro), e as highlands islandesas. Lugares onde carros e excursões não chegam. Serão 75km (a trilha oficial tem 55km, mas optamos por incluir um pedaço extra no final para irmos até a famosa cachoeira Skógafoss) em 5 dias, com o clima imprevisível do 'verão' da Islândia.

Estou muito animada, e ainda mais por pensar que embarcamos 4 dias após eu entregar a dissertação do mestrado. Tudo que mais quero é me desligar totalmente desses meses intermináveis de vida acadêmica e ir para o meio do nada com o meu parceiro pra todas as aventuras.


Cadê a corredora que estava aqui?


Desde a meia maratona de Paris a minha vontade de sair pra correr sumiu. Desapareceu. Continuei correndo, mas com menos frequência, fazendo menores distâncias e, o pior de tudo, sem a menor vontade. Mas continuei indo. Aí rolaram as duas viagens seguidinhas uma da outra e fiquei (ficamos, o Martin também) um mês sem correr. 1 mês! Retomamos essa semana (até saímos pra caminhar algumas vezes com o meu pai quando estávamos em Portugal, mas o impacto de correr é muito diferente) e eu achei horrível, parece quando comecei a correr há tantos anos.

Tô achando bem difícil recuperar o mojo perdido, mas a corrida já me beneficiou tanto que não tenho coragem de parar. Nunca fui dessas pessoas 'viciadas'  em correr, acho ótimo quando chove e eu tenho uma desculpa aceitável pra não ir, mas sinto falta de me exercitar (e não quero pagar academia nem nada disso).

Então, vou ali fazer um trabalho para as deusas do mundo fitness e ver se encontro esse ânimo novamente.