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Jane Austen: meu novo tour!


Adivinha quem arrumou uma nova sarna pra se coçar???

Mas uma sarna literária, histórica e, por que não, feminista.

Chamei minha amiga e também guia Raphaella pra montar esse tour comigo, e assim criamos 'Jane Austen por trás dos romances'.

Será um tour de dia inteiro, dia 13 de abril (sábado) pelo interior da Inglaterra. Vamos passar por 4 cidades por onde Jane passou, vamos seguir seus passos desde seu nascimento em Steventon até sua morte em Winchester.

Vamos dividir com quem estiver no tour a nossa interpretação de Jane Austen: uma mulher com olhar afiado, questionadora, e que usa seu poder de observação e crítica para montar seus personagens e seus enredos. Você sempre achou que os livros de Jane Austen são puro romance? Pois reavalie: são praticamente uma biografia da Inglaterra georgiana, com duras críticas a instituições praticamente intocáveis, como igreja e exército. Além disso, ela aponta também o silenciamento de mulheres e nos faz repensar se os finais que escreve são mesmo finais felizes.

Esse passeio será feito com transporte privado, e teremos parada pra almoço em um pub histórico (tudo incluso no preço). Estão inclusos também os ingressos para duas atrações pagas. O preço cheio é 170 libras (clique aqui para comprar), mas abrimos 3 vagas por 150 para quem reservar antes de todo mundo (clique aqui).

Vamos? Caso você tenha alguma dúvida, entre em contato. Nesse PDF estão mais detalhes sobre o tour.

Sobre financiamento coletivo


A Renata escreveu sobre a experiência dela fazendo uma campanha de financiamento coletivo (a nossa, é claro), e me inspirou a escrever sobre isso também.

Ao contrário da Rê, eu já tinha um pouco de experiência no assunto. Não apenas como consumidora -já apoiei diversas campanhas assim, como por exemplo a dos meus amigos que abriram um restaurante aqui em Londres e das meninas que criaram um app para ajudar vítimas de violência doméstica no Brasil - mas também como realizadora. No fim de 2016 eu ajudei a criar e coordenar a primeira campanha de financiamento coletivo da LAWA (a ONG onde trabalhei como voluntária por um ano e meio - saí recentemente porque preciso focar no mestrado).

Então quando não conseguimos ganhar o financiamento para o qual nos candidatamos através do Fundo Elas de Investimento, eu propus para a Renata que a gente fizesse nosso projeto - Intercâmbio Feminista - acontecer mesmo assim. Vamos fazer um financiamento coletivo? Ela topou. O bom de fazer algo assim com outra pessoa é que a gente se questionava o tempo todo. A Rê me fez mil perguntas que achava que seriam feitas pelas pessoas que seguem nosso trabalho. E só quando conseguimos responder todas é que nos sentimos seguras para colocar a campanha no ar.

A escolha da plataforma foi fácil: a Benfeitoria era a que mais se aproximava da nossa propostas, pois além de ser uma instituição sem fins lucrativos também nos dá a opção de escolher quanto da nossa arrecadação vamos doar para eles (podíamos não doar nada, mas optamos por 6%). Apesar de alguns poucos pesares (achamos que faltou apoio nas redes sociais), a plataforma em si é ótima, e eles nos deram muito suporte na hora de construir a página.



Depois das recompensas criadas e da página montada, a campanha foi pro ar. E nos 2 meses seguintes eu e a Renata (e a minha mãe) passamos boa parte dos nossos dias atualizando a bendita página. Logo nos primeiros dias de campanha conseguimos arrecadar mais de 20% da meta, o que a Benfeitoria vê como um dos melhores indicadores de que o projeto será bem sucedido. Isso foi maravilhoso, perceber que as pessoas realmente acreditam no que a gente faz. Sim, amigas, colegas e pessoas completamente desconhecidas estavam nos dando seu rico dinheirinho para que a gente viabilizasse um projeto feminista. Não é sensacional?

Claro que há altos e baixos, e quando passavam 3 ou 4 dias sem nenhuma colaboração, as dúvidas surgiam novamente. Lá íamos nós mobilizar os contatos pelas redes sociais (minha, dela e da Conexão Feminista). Pedir ajuda não é fácil, ainda mais quando essa ajuda significa dinheiro. E algo ainda mais inesperado aconteceu: comecei a receber mensagens (tanto de conhecidos como de desconhecidos) de pessoas que queriam explicar a razão de não poder ajudar financeiramente. Isso foi algo estranho: por um lado me senti orgulhosa de ter criado uma comunidade tão engajada a ponto de sentir que nos devia esse apoio financeiro, por outro fiquei arrasada de pensar que estava pressionando quem nos prestigia.

Teve gente que compartilhou com seus próprios contatos, gente que doou mais de uma vez (sim! e mais de uma pessoa), gente que mandou mensagem após a campanha ter encerrado querendo mandar dinheiro pelo paypal (eu aceitei, e aliás ainda aceito caso alguém tenha perdido o prazo), gente que nos mandava mensagens falando que estavam tão ansiosas nas horas finais como nós estávamos. Foi incrível.

Como vocês sabem, nós não apenas alcançamos a meta mínima, como a superamos. Já estamos trabalhando pra fazer as engrenagens desse projeto funcionarem, e ainda temos muito trabalho pela frente. Mas sabendo que temos mais de 170 pessoas que acreditam nos nossos ideais, o que vem por aí fica muito mais fácil.

Ah, se você quiser ajudar a gente, aceitamos doações através do paypal. Basta usar esse link aqui.

Faltam 3 dias


Janeiro de 2018, que mês intenso.

Há cerca de 2 semanas nós alcançamos a meta mínima da campanha de financiamento coletivo sobre a qual escrevi aqui em dezembro. Foi uma sensação incrível ver os números mudando, e finalmente atingindo o valor de R$9000 - o que precisávamos pra colocar nossa ideia em prática.

Mas a campanha continuou mesmo assim! Aliás, continua. temos até às 23:59 de quinta feira, dia 1 de fevereiro, para arrecadar o máximo possível, e assim realizar nosso projeto com menos aperto e mais liberdade.

Pra quem não tem ideia do que estou falando, acesse o site da campanha e considere (com carinho!) adquirir uma recompensa. Você vai fazer parte de um grupo de mais de 130 pessoas que está 'assinando embaixo' da nossa ideia. A gente quer mesmo construir algo bacana com a Conexão Feminista, e quanto mais gente fizer parte do nosso time, melhor!

Essa ilustração linda foi criada pela Claudia Senlle, irmã da Renata, para nos ajudar a divulgar a campanha. Fique a vontade pra copiar e usar nas suas redes sociais e compartilhar nosso projeto.


Leitura: Flâneuse, Lauren Elkin


Esse livro estava na lista de leituras complementares de uma das minhas aulas do mestrado. Como era um tema muito bacana e uma amiga também tinha começado a ler e estava gostando, resolvi unir o útil ao agradável.

A ideia de 'flanar' - ou seja, caminhar por um centro urbano sem objetivo, apenas observando o movimento da cidade sem ter exatamente um lugar pra chegar - nasceu em Paris no século 19. O flanador - em francês, flâneur - era o homem burguês, que tinha o privilégio de caminhar sem ser incomodado. E a flanadora, a flâneuse, existia?

Bom, existem várias opiniões a respeito. Há pesquisadores que dizem que sim: que a mulher ocupava as ruas dos centros urbanos também, ainda que sob outra perspectiva. Eu não concordo. Eu não acho que mulheres que estavam na rua pra trabalhar - seja como vendedoras ou como prostitutas ou até mesmo as mulheres ricas que podiam sair, mas tinham que levar acompanhantes (sem falar da roupa desconfortável) - aproveitavam a cidade da mesma maneira do flâneur.

Mas discussões acadêmicas a parte, a ideia do livro da Lauren Elkin é mostrar a experiência de mulheres - de diversas épocas - que tiveram oportunidade de ter essa experiência. Desde a escritora George Sand, que se vestia de homem para poder flanar em Paris sem ninguém encher seu saco, até Virginia Woolf em Londres e a própria autora em Tóquio, ela explora essas histórias e mostra que as mulheres também ocupam espaço na cidade.

A introdução do livro é sensacional. É praticamente a aula que eu tive sobre isso em algumas páginas. Mas os capítulos - cada capítulo dedicado a uma cidade em conjunto com uma protagonista da qual ela 'segue' os passos - vão ficando repetitivos. Ela mistura muito suas experiências pessoais ao longo da narrativa e eu achei que isso não ficou muito bem encaixado. Fora que em alguns capítulos fica monótono mesmo, como em um que ela descreve um filme, cena a cena. Em algumas partes eu achei que ela perdeu o fio da meada completamente: parecia que não estava mais descrevendo a relação daquela mulher com aquela cidade, mas apenas mostrando o seu conhecimento intelectual sobre o trabalho produzido por aquela mulher.

Acabei levando muito mais tempo do que achava que ia levar pra terminar esse livro. Claro, tem o mestrado na parada e o desgaste mental - as vezes não tenho vontade de ler nada e só quero ficar vendo porcaria na televisão e na internet - mas me conheço e sei que se eu tivesse me interessado mais teria terminado antes.




Intercâmbio Feminista


Há uns meses eu e a Renata inscrevemos a Conexão Feminista em um edital do Fundo Elas, voltado para projetos que contemplassem ativismo feminista. Foi a nossa primeira experiência do tipo (até porque é raro encontrar edital que aceite projetos de grupos informais como o nosso), e infelizmente não fomos selecionadas. Mas a gente gostou tanto do projeto que criamos, que decidimos tentar novamente, mas dessa vez através de financiamento coletivo.

Então nós reescrevemos o projeto, deixamos tudo mais redondinho e com a nossa cara, e ontem colocamos no ar a campanha! O projeto se chama Intercâmbio Feminista, e a ideia é que a gente visite algumas ONGs e associações de mulheres no Reino Unido (a princípio: afinal, se der certo, nada impede que a gente faça isso em outros países também!). Vamos fazer o nosso clássico bate papo ao vivo no canal e também produzir ebook e vídeo-documentário. Queremos quebrar essa barreira geográfica e cultural e entender as melhores práticas, compartilhar experiências e soluções com outras ativistas que dedicam a vida ao feminismo.

Claro que colocar esse tipo de campanha no ar dá um frio na barriga: e se ninguém apoiar? E se acharem nosso projeto desinteressante? Mas o primeiro dia foi surpreendente, e agora não podemos deixar a peteca cair. Temos até dia 1 de fevereiro de 2018 pra alcançar a meta mínima (que é de R$9000) e tirar o Intercâmbio Feminista do papel.

Então obviamente que eu tinha que falar sobre isso aqui no blog. Se você puder, faça uma contribuição (as recompensas são bem legais, modéstia a parte) ou compartilhe o link com os amigos, ou nas suas redes sociais. Todo mundo sabe que não há propaganda melhor do que o boca a boca. Quem sabe ainda hoje conseguimos alcançar 20% da meta?

Conto com vocês! E o link é: benfeitoria.com/feminista


Leitura: Girl Up, Laura Bates


Se você lê esse blog faz tempo, talvez tenha reconhecido o nome da autora, Laura Bates. Eu já falei dela aqui várias vezes. Foi a Laura Bates que criou o projeto Everyday Sexism e depois escreveu um livro sobre o assunto (que pra mim é um oráculo feminista). Sou muito fã dela e corro atrás de tudo que ela escreve (ela frequentemente publica no Guardian e também no The Pool - onde eu também já publiquei, o que me deixa sim muito orgulhosa!). Então, quando ela lançou esse segundo livro, Girl Up, eu comprei mesmo sabendo que era direcionado para adolescentes.

O livro acho que ficou mais de um ano esperando na minha estante, e achei que agora era uma bora hora, já que tenho tentado escolher livros que me tragam muito mais prazer do que os textos acadêmicos do mestrado.

Bom, como eu disse, Girl Up (aliás, esse título é ótimo, é uma alternativa ao termo "Man Up"ou, em bom português, "seja homem") foi escrito para adolescentes. Fala sobre como a mídia contribui para que as mulheres sejam objetificadas, fala sobre pornografia, fala sobre body shaming, fala sobre cyber bullying, fala sobre feminismo. Ou seja, é basicamente um guia para adolescentes compreenderem o mundo machista que vivem.

Eu praticamente não tenho contato com adolescentes, mas acho que é muito necessário saber como lidar com as mulheres nessa faixa etária e saber o que está acontecendo. Afinal, "na minha época" felizmente não existia internet. Quer dizer, existia, mas não era parte da minha realidade. Nada de redes sociais, nada de emails, muito menos haters. Não consigo imaginar como deve ser ruim ser adolescente E ter que lidar com isso.

Enfim, fica essa dica preciosa para quem convive com meninas e adolescentes. Seja filha, prima, filha da amiga, sobrinha.... vale a pena dar uma lida e tentar abrir um canal de comunicação.

Leitura: Mulheres, Raça e Classe, Angela Davis


Um dos mais emblemáticos livros sobre feminismo do século 20, Mulheres, Raça e Classe só ganhou tradução em português ano passo, depois de 35 anos de sua publicação. Ganhei um exemplar da minha irmã de ativismo quando nos encontramos em São Paulo em setembro.

Angela Davis dispensa apresentações, e o que me fez mais feliz ao ler esse clássico é que a leitura é compreensível. Desde que comecei as aulas do mestrado tenho admirado ainda mais as escritoras e escritores que conseguem colocar no papel história junto com estatísticas sem tornar o resultado algo que dá pra entender apenas se vc tem um doutorado.

Mulheres, Raça e Classe é focado no movimento feminista negro dos Estados Unidos, mostrando o quanto machismo e racismo estão entrelaçados. Há pouco tempo eu li um livro contemporâneo também sobre esse assunto, o Why I'm no Longer Talking to White People About Race, que é focado na Grã Bretanha. Em ambos dá pra fazer diversos paralelos com a realidade do Brasil, e concluir que não dá pra gente lutar por igualdade de gênero como algo único. Opressões estão conectadas, e esses livros focam na intersecção de gênero e raça.

Pra minha sorte, o Mulheres, Raça e Classe é também uma das leituras recomendadas do meu mestrado. Não está sendo fácil continuar a ler os livros que escolho, pois o material obrigatório para ler antes das aulas acaba ocupando todo meu tempo fora da universidade.

Estou tentando manter minha regra de ler o que eu quiser toda vez que estiver usando transporte público. Mas as vezes a cabeça já está em curto circuito o e o tempo no ônibus ou metrô acaba sendo utilizado pra não pensar em absolutamente nada.

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1 ano de Lawa


Semana passada completei um ano trabalhando part time como voluntária para a LAWA, sobre a qual já falei aqui tantas vezes. E não dá pra não cair no clichê de falar que entrei aqui para ajudar e acabei sendo ajudada.

Quando entrei aqui estava numa fase bem ruinzinha, me sentindo a maior das perdedoras. Havia deixado meu trabalho fixo há alguns meses, não estava me adaptando a vida de freelancer e não conseguia planejar os próximos passos. Hoje, um ano depois, estou prestes a começar um mestrado e orgulhosa de ter ajudado (e continuar ajudando) essa instituição a seguir em frente.

Uma das coisas que mais senti falta quando deixei o trabalho fixo para trás era ter um time. Estar com pessoas, ter um projeto coletivo, fazer parte de um grupo. E a LAWA fez tudo isso por mim. Convivo com mulheres maravilhosas, que com pouquíssimos recursos ajudam outras mulheres. Aprendi sobre captação de recursos, sobre o funcionamento deuma ONG, e, infelizmente, sobre a gravidade da violência doméstica e o tanto que estamos alheios a isso.

Acho que esse é o aniversário de trabalho que mais gostei de comemorar : )



Para fazer uma doação para a nossa campanha de financiamento coletivo, clique aqui.

Leitura: A Room of One's Own, Virginia Woolf


Esse era um dos livros que eu, como feminista ativista, achava que tinha obrigação de ler. Mas estava adiando pelo simples fato de que já havia tentado ler outro livro da Virginia Woolf e falhado miseravelmente. Do tipo, ler uma página, reler e continuar sem entender absolutamente nada. Super difícil. Mas como duas amigas me falaram que esse não era assim tão complicado, decidi encarar antes de começar o mestrado (já estou me achando atrasada antes mesmo de começar as aulas, vejam bem).

Olha, realmente é um livro incrível e agora tenho certeza de que é imprescendível (principalmente para mulheres criadoras de conteúdo). Mas é sim difícil e prolixo, talvez não tanto como os de ficção que ela escreveu, mas é. A boa notícia é que não é preciso decifrar todas as sentenças e parágrafos, porque dá pra compreender o contexto: o fato de que as mulheres estão em desvantagem no mundo literário (e como eu mencionei, acho que dá pra aplicar pra qualquer tipo de conteúdo, escrito ou gráfico).

Talvez esse tenha sido meu primeiro e único livro da Virginia Woolf, mas talvez o que ela achasse mais apropriado pra mim : )

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Leitura: Why I Am Not A Feminist (A Feminist Manifesto), Jessa Crispin


Apesar do título apelativo, não se engane: esse é um livro sobre feminismo. Mas é bem diferente de todos os outros que já li, pois tem uma abordagem bem mais agressiva ("pé na porta", como a gente gosta de falar no Conexão Feminista). É um livro que critica o feminismo individualista, ou melhor, o feminismo que convém a população privilegiada.

Para a autora, o movimento feminista de hoje (pelo menos o predominante, liderado por mulheres brancas de classe média) é conveniente para poucas privilegiadas. Ela acredita que o feminismo não deve se adaptar a cultura, e sim transformá-la. Por exemplo, ela diz que exigir que empresas tenham o mesmo número de mulheres em homens em cargos de liderança não vai trazer resultado nenhum, pois as mulheres que são beneficiadas acabam tornando-se coniventes com o sistema opressor.

Eu fiquei bem mexida com a leitura e comecei a repensar meu próprio ativismo. Também gostei da maneira dela de escrever, sem fazer rodeios, sem ser gentil. Tem um ou outro argumento que não me convencem, mas só o fato de ela fazer eu mesma me questionar, já é um ótimo resultado.

Mulheres incríveis e seus legados: um passeio guiado em Londres


Modéstia a parte, eu sou uma pessoa que vive tendo ideias. Tenho ideia para uns 50 guias de viagem, de produtos para vender, de palestras, de projetos pro blog. Mas da ideia para a prática, como muita gente sabe, a história é outra. Por isso, quando eu alcanço uma meta, como a publicação do meu guia em 2015, minha primeira meia maratona ano passado e o Kilimanjaro esse ano, eu falo e fala e falo sem parar sobre isso.

A ideia concretizada mais recente é o lançamento de um passeio guiado em Londres. Estava pensando nisso acho que há mais de um ano, e finalmente - depois de vários testes e muita pesquisa - anunciei três datas. Esse passeio une duas das coisas que mais amo, Londres e feminismo. Não é maravilhoso?

O passeio chama "Mulheres incríveis e seus legados". Tem 3 horas de duração, e feito todo a pé pelo centro de Londres (começa na estação de Green Park e termina na ponte de Westminster) e em 15 paradas a gente passa por monumentos, casas, museus e lugares icônicos para falar de muitas mulheres que fizeram muito pela humanidade.

O valor pessoa é de £14, que eu peço que sejam pagos antecipadamente. Todas as datas (até agora são 3: 20/7, 6/8 e 30/9) tem seu próprio evento na página do Facebook do Conexão Feminista, juntamente com o link para fazer o pagamento. Caso você não acesse o Facebook, fale comigo!

E quem não estiver em Londres em nenhuma das datas e quiser um tour privado, também dê um alô.

Links para mais informações e para comprar seu ingresso:

Dia 20/7: https://www.facebook.com/events/1595997217100236/
Dia 06/8: https://www.facebook.com/events/100601007248413/
Dia 30/9: https://www.facebook.com/events/249469345540454/

Maiden


Aqui na Inglaterra todas as mulheres casadas adotam o sobrenome do marido. Ok, pode até existir uma ou outra que não, mas é uma "tradição" (entre aspas porque né, é machismo) indiscutível. Ninguém para pra pensar, ninguém questiona. A coisa é tão forte que mal elas voltam da lua de mel e já mudam email de trabalho, adotam o "Mrs" (em vez do Miss, reservado para as solteiras, sendo que homem é sempre Mr, independente se é casado, solteiro, poliamor, cacete a quatro), e assim a vida segue.

Os filhos nascem e são registrados com o sobrenome do marido (que por sua vez tem o sobrenome do pai dele, ou seja, o sobrenome da mulher nunca vai pra frente). E a família é conhecida por esse sobrenome. Por exemplo, eu o Martin seríamos os Descalzi, e não os Righetto Descalzi ou Descalzi Righetto ou muito menos os Righetto.

De novo: eu sei que tem gente que não faz assim, mas é de contar nos dedos.

Então, o sobrenome que a mulher perde quando casa é conhecido como "maiden name". Aliás, muita gente usa esse sobrenome da mãe/mulher casada como senha de banco, resposta pra odiada pergunta de segurança para obter a senha perdida, esse tipo de coisa. Se eu ligo no banco e esqueço a minha senha telefônica, eles sempre me perguntam: qual o maiden name da sua mãe?

Essa palavra, maiden, me tira do sério. Coloquem lá no Google pra traduzir. Significa "virgem, donzela, SOLTEIRONA". Isso mesmo, o Google conhece a palavra solteirona e é isso que significa "ainda" ter o seu próprio sobrenome (lembrando, que é o do seu pai, porque o da sua mãe morreu quando ela casou): você sobrou. Você tá solteira, você é uma fracassada. Donzela, virgem, porque afinal, mulher que transa sem casar é puta né?

Acho incrível como a gente adora apontar o dedo para as tradições opressoras de outras culturas - que sem dúvida deveriam ser abolidas - mas na hora de avaliarmos nosso entorno, a gente justifica com um "ah, que bobagem, é só um sobrenome. É tradição, pra que mexer com isso".


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Leitura: And Still I Rise, Maya Angelou


Com a minha sede de conhecimento feminista cada vez mais voraz, acabei comprando um livro de poesias da Maya Angelou. Meu primeiro livro de poesias, portanto não vou fingir costume: teve muita coisa que não entendi. Achei tudo lindo e adorei o vocabulário sem firulas, mas é claro que as "histórias" são cheias de significados, e a gente precisa ler mais de uma vez se realmente quiser decifrá-los.

Ainda assim, adorei. Sei lá se é o orgulho de ler Maya Angelou falando mais alto, mas esse livro por enquanto fica na estante (algo raro hoje em dia, ando muito seletiva, já que há pouco espaço para guardá-los eu acabo passando muitos pra frente). Quem sabe daqui a uns anos, depois de muito estudo, as linhas não serão tão indecifráveis?

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Leitura: Você Já é Feminista, coletivo AzMina


Mais um ótimo livro sobre feminismo, e dessa vez em português! Havia comprado há um tempão e mandei entregar na casa dos meus pais. Finalmente meus sogros vieram visitar e trouxeram pra mim. Como eu comentei no Instagram, eu gostei bastante, mas só achei que não é um livro para quem ainda não se descobriu feminista, como o título dá a entender.

Pra mim, esse é um livro pra quem já não mais dúvidas sobre ser feminista. Isso porque ele abrange diversos temas que as vezes a gente nem sabe que são questões feministas, quando colocamos um pézinho no ativismo.

Por exemplo, logo no começo há um capítulo sobre as vertentes do feminismo, que eu não sabia que existiam quando comecei a me interessar pelo assunto. Foi só depois de alguns meses fazendo o Conexão Feminista e seguindo outros grupos que aprendi sobre as semelhanças e diferenças de cada uma dessas vertentes. Pra quem tem dúvidas sobre o Feminismo, essa "divisão" pode parecer algo que segrega (o que não é verdade, eu também tinha essa dúvida, e depois entendi que essas vertentes apenas refletem o quanto somos diferentes umas das outras), em vez de agregar.

Enfim, esse é apenas um exemplo. O livro é composto por diversos textos de diversas autoras. E como sempre acontece em livros assim, alguns textos são muito melhores que outros. Pra mim, o melhor é o que trata do trabalho doméstico. Talvez seja porque foi por causa do trabalho doméstico que me descobri feminista, mas também a autora explica muito bem o quanto essa questão está interligada com problemas mais graves, como cultura de estupro e violência. É um texto ótimo pra quem acha que a divisão dos afazeres domésticos de forma justa entre homens e mulheres é apenas um pequeno problema, que não deveria gerar assim tanta polêmica.

Pra quem se interessar, aqui nesse link você pode compra-lo. Esse é um link afiliado, ou seja, se você comprar o livro por aqui, vai gerar uma comissão pra mim. Pra mim não, pro Conexão Feminista. É uma maneira que encontramos de monetizar esse projeto, que toma bastante do nosso tempo e gera despesas com servidor, domínio e hospedagem do podcast, pra citar alguns.

Leitura: Dear Ijeawele, Chimamanda Ngozi Adichie


Faz pouco tempo que li o Americanah, dessa mesma autora. Mas a primeira vez que li Chimamanda foi o manifesto "Sejamos Todos Feministas". E esse é o segundo manifesto feminista publicado por ela, que eu adquiri junto com o ingresso da palestra dela que rolou por aqui há pouco tempo (e foi sensacional).

Mais uma vez, é um livro curto e muito didático. Em português o título foi traduzido para "Para Educar Crianças Feministas", mas eu acho que essa tradução meio que faz um desserviço. Afinal, quem não tem filhos ou quem tem filhos já adultos pode sentir que esse livro não é para eles. Mas é sim, é pra todo mundo. Eu acho que ele funciona como uma continuação do "Sejamos Todos Feministas", o qual é de certa forma uma introdução ao feminismo. Já o "Dear Ijeawele" desenrola melhor alguns tópicos e nos mostra como podemos aplicar o feminismo no nosso dia a dia (atenção, atenção! Hora do jabá! Já rolou vídeo colaborativo sobre esse tema, assiste aí, vai!!).

O livro tem esse nome porque originou de uma carta que a Chimamanda recebeu de uma amiga, pedindo conselhos para criar sua filha como feminista. E a resposta de Chimamanda foi feita em 15 sugestões. E são essas 15 sugestões que encontramos no livro.

Leitura: The War On Women, Sue Loyd-Roberts


Sue Lloyd-Roberts morreu logo após terminar de escrever esse livro. Quer dizer, o último capítulo ficou incompleto e quem o terminou foi sua filha. Claro que a morte de qualquer pessoa é motivo para tristeza e lamentação, mas olha, pouca gente deixa um legado tão valioso quanto essa jornalista. Então pra mim, talvez seja fácil falar pois meu único vínculo com ela é o de escritora/leitora, fica algo de positivo: tudo que ela produziu em seus anos de jornalista investigativa, o que acabou culminando nesse livro maravilhoso, que nunca vai sair da minha prateleira.

Sue trabalhou por muitos anos na BBC e visitou regiões remotas e inóspitas, foi pra lugares onde repórteres e cinegrafistas não são bem vindos, peitou autoridades, conversou com vítimas e com criminosos. E, em todos esses lugares, ela notou uma coisa: que as mulheres eram constantemente mais prejudicadas. Por isso o título desse livro: war on women. Mulheres do mundo todo estão em guerra, há décadas (talvez séculos), contra a opressão misógina e patriarcal. E cada capítulo desse livro é dedicado a uma batalha. Um tipo de horror vivido por mulheres em determinadas regiões do mundo.

Não é um livro fácil, não no sentido da narrativa (que é maravilhosa, didática e dinâmica), mas no sentido dos socos no estômago que o leitor leva o tempo todo. O livro já começa com um capítulo falando sobre mutilação genital, aí passa para as avós da Praça de Maio em Buenos Aires que buscam seus netos desparecidos durante a ditadura, vai pra Irlanda contar a história das mulheres que trabalhavam como escravas em lavanderias mantidas por conventos católicos, depois muda pra Índia e Arábia Saudita - dois dos piores países para ser mulher hoje em dia -, e pra finalizar dá uma passadinha nos países do leste europeu pra falar de tráfico de mulheres, que são torturadas e obrigadas a se prostituírem para atender... preparem-se: homens em missão de pacificação da ONU.

Como eu falei no Instagram, leiam esse livro. Agora. E da próxima vez que alguém perguntar por que as mulheres feministas são bravas, você terá - infelizmente - muitas respostas.

Read this book. I urge you. And next time someone tells you that women are too angry, or that women shouldn't complain so much because things are better now, you will tell them about the gender war that is going on for decades. Centuries. You will tell them about the women that have their vaginas mutilated in Egypt and Gambia, the women who were forced to work in laundries managed by Catholic nuns in Ireland, the women who were killed in Argentina after their babies were born and the women that are fighting to find those babies. You will tell them about "honour killings" in Jordan and Pakistan and about women who are marginalised in Saudi Arabia because they don't have a male guardian. You will tell them about women that are raped because they "dare" to be in a public space, about young girls forced to marry men old enough to be their fathers and about women in Bosnia that are sex slaves. You will tell them about how women in the UK still earn less than men. Sue Lloyd-Roberts, a woman I aspire to be, left us too soon (shortly after writing this book), but this book and all her investigative films are a great legacy. Thank you, Sue. #heloreads

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Feminismo em uma palavra


Eu não costumo colocar aqui os vídeos dos hangouts que fazemos no Conexão Feminista, senão o blog ficaria monotemática. Mas essa semana colocamos no ar mais um vídeo colaborativo (que é bem diferente dos hangouts, pois conta com participações voluntárias de outras mulheres). Ficou tão bacana e estou tão orgulhosa dele que não dá pra evitar o jabá.

Pedimos para a mulherada definir feminismo em uma palavra (algumas escolheram duas!). O resultado tá aqui:




March On


As vezes acontece de a gente abrir a caixa do correio e se deparar com um envelope diferente daqueles que recebemos todos os dias. Hoje foi um dia assim: que surpresa boa é ver um envelope com remetente e destinatário escrito a mão!

E o melhor: um presente! Um presente de uma pessoa querida, que conheci virtualmente por causa do feminismo. A Marjory, uma participante ativa da nossa comunidade no Conexão Feminista, disse que se lembrou de mim quando viu esse colar. Não é o máximo isso?

Eu também gosto de comprar presentes sem motivo, gosto quando me deparo com algo e me lembro de uma amiga, ou de alguém da minha família. Então eu sei como é especial estar do outro lado, e receber um presente assim.

Em tempo: a expressão "March On" refere-se a Marcha das Mulheres, que aconteceu dia 21 de janeiro em diversas cidades no mundo inteiro. Um protesto que vai ficar pra história, e "march on" significa que a gente deve continuar marchando. Eu vou continuar!

Marjory, muito obrigada pelo presente. Vou usá-lo pela primeira vez ainda essa semana, em um dia especial. Dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher.

Pra quem gostou do colar, a Marjory comprou nessa loja aqui, Piper Cleo, que tem várias coisas lindas.

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Leitura: Why Women Need Quotas, Vicky Price


Como vocês já devem ter percebido, eu ando me dedicando as leituras feministas ultimamente. Notei também que as livrarias agora tem seções (pelo menos um pedacinho de prateleira) de feminismo, e fica difícil resistir! Sinto que tem tanta coisa que eu preciso aprender, e quanto mais eu leio mais interesse tenho. Acho que essa fase vai durar um bom tempo, pois a pilha continua grande.

O mais recente é esse (Porque mulheres precisam de cotas), da economista Vicky Price. Não está entre os meus favoritos desse grupo de livros, mas ainda assim achei relevante. Apresenta diversos fatos e estatísticas que suportam a ideia de criar cotas para garantir que mais mulheres assumam posições de senioridade em grandes empresas.

Eu tenho algumas objeções as questões colocadas por Vicky (resumidamente, acho que o livro é escrito por uma mulher privilegiada que não reconhece seu privilégio para outras mulheres privilegiadas), mas como já falei, tem sua relevância. Principalmente para argumentar com os que acham que mulheres "escolhem" carreiras menos lucrativas. Aliás, se esse é um assunto que interessa, recomendo assistir esse hangout que eu e a Renata fizemos recentemente.




Leitura: Men Explain Things To Me (and other essays), Rebecca Solnit


Já ouviu falar da expressão "mansplaining"? Em português seria algo como "homexplicação". Ou seja, uma combinação tosca das palavras homem (man) e explicação (explaining). Essa expressão é utilizada para descrever situações nas quais homens explicam algo para um mulher - sem ela pedir e que ela já sabe - de forma condescendente.

Essa expressão apareceu depois que o texto "Men Explain Things To Me" foi publicado há anos. Importante: o termo não foi cunhado pelo autora Rebecca Solnit, mas foi sim a fonte de inspiração.

O fato é que o texto fez tanto sucesso que acabou sendo carro chefe de um livro de mesmo nome, que reúne diversos textos relacionados a feminismo escritos por essa mesma autora. É um livro excepcional, que coloca o feminismo em um contexto social, político e econômico. O tipo de livro pra grifar e ter sempre a mão como referência, o tipo de livro que ajuda a gente construir argumentos para combater discursos machistas.

Eu sei que ele está disponível em outros idiomas, mas uma amiga procurou em português e não encontrou. Achei fácil de ler, e compreensível mesmo pra quem não tem nível avançado de inglês.




Marcha das Mulheres em Londres


Participar da Marcha das Mulheres foi uma das coisas mais legais que fiz desde que me mudei pra Londres. Sim, esse dia foi assim de especial! É tão difícil mobilizar as pessoas e fazê-las participarem de eventos assim, que acho que as organizadoras não esperavam tanta gente. Cerca de 100 mil pessoas saíram de casa em um sábado gelado (porém com muito sol) para mostrar suas preocupações diante não apenas do novo presidente estadunidense, mas também a combinação desse fato com outros problemas já existentes, como Brexit, ameaças aos direitos já conquistados pelas mulheres, assistência precária a mulheres vítimas de violência doméstica e tantas outras questões ligadas a direitos humanos.

Foi inesquecível marchar pelas ruas de Londres ao lado de tanta gente que talvez nunca tenha feito isso antes, mas que sentiu que a hora é agora. A atmosfera era, por incrível pareça, de otimismo, de irmandade, de vontade de mudar o mundo. Há quem pergunte se as marchas pelo mundo terão efetivamente algum resultado. Pra mim, o fato de milhares pessoas estarem lado a lado deixando claro suas preocupações, já é um resultado. Talvez dessas milhares, algumas dezenas irão fazer doações para instituições que protegem mulhers. E algumas centenas vão perceber a importância do voto e irão comparecer nas urnas nas próximas eleições. Outras vão finalmente entender que as microagressões machistas e racistas sofridas por tantas mulheres no mundo inteiro devem ser levadas a sério em vez de serem interpretadas como "coisas da vida".

Enfim, é um começo.

Eu montei um álbum na página do Conexão Feminista no Facebook com fotos das Marchas das Mulheres pelo mundo. Tem Londres, Washington DC, Austin, Franfurt, Vancouver... quem quiser contribuir, mande suas fotos por email para info@conexaofeminista.com. E quem quiser ver as fotos, é só clicar aqui.

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Leitura: O Segundo Sexo (Extratos), Simone de Beauvoir


O Segundo Sexo é talvez a obra literária feminista mais importante do século 20, e quem começa a se interessar por feminismo e se engajar com campanhas e movimentos mais hora menos hora vai se deparar com alguma referência ao livro ou uma citação de Simone de Beauvoir ("Não se nasce mulher, torna-se", talvez a mais conhecida).

Recentemente eu encontrei esse livro, com alguns extratos do Segundo Sexo (três capítulo pra ser mais precisa) e achei que seria uma boa para o meu primeiro contato formal com Simone. É uma leitura difícil pra caramba (vocabulário complexo, sentenças muito longas, citações de outros autores e teorias filosóficas), mas de repente, no meio disso tudo, "aparecem" frases que conversam muito com coisas que a gente vive hoje. Tipo essa: "o mais medíocre dos homens acredita que é um semi deus diante de qualquer mulher" ou essa: "enquanto a mulher tiver que lutar para ser reconhecida como ser humano, ela não conseguirá ser capaz de criar".

Quem sabe um dia eu leio O Segundo Sexo inteiro, mas por enquanto continuo a digerir o tanto que já aprendi lendo esses extratos.

Leitura: Feminist Fight Club, Jessica Bennett


Há alguns anos, um grupo de amigas e conhecidas que estavam tentando engatar suas vidas profissionais em Nova York começaram a se encontrar para trocarem experiências e desbafarem sobre as frustrações da vida corporativa. Jornalistas, produtoras de televisão, roteiristas, designers (a turma de humanas, no geral!) começaram a notar, durante esses encontros, que parte da dificuldade em progredir a carreira era proveniente de uma coisa que todas tinham em comum: serem mulheres.

As histórias e aprendizados do grupo deram origem ao livro Feminist Fight Club, focado em machismo no trabalho: comportamentos (dos machistas e das mulheres) e como combatê-los, fatos e estatísticas (como diferenças salariais) e muito, muito bom humor. É um livro didático e divertido, coisa difícil de conseguir.

Recomendo muito pra quem quer começar a ler livros feministas e não sabe por onde, acho que esse é um bom ponto de partida. O meu já está emprestado e espero que passe pelas mãos de muitas mulheres!

1 ano, site, bloqueio


Semana passada, dia 25/11, eu e a Renata comemoramos 1 ano de Conexão Feminista. Quando a gente fez o primeiro hangout, dia 25/11/2015, a ideia era ter esses encontros online a cada 15 dias. Ou seja, teríamos uns 25 ou 26 no fim do primeiro do ano.

Só que a gente dobrou a meta! Já temos mais de 50 vídeos no canal (em sua maioria os hangouts, mas também alguns vídeos colaborativos e outros de notícias) e o Conexão acabou se tornando algo muito maior na minha vida. Não apenas na questão do tempo dedicado (algumas horas todos os dias lendo artigos, fazendo posts no facebook, organizando hangouts com convidadas, estudando para hangouts, etc etc etc) mas também como algo que me traz imensa satisfação. Por causa desse projeto eu já fiz novas amigas (virtuais e "reais", aqui em Londres mesmo), passei a frequentar palestras e atividades feministas e cada vez mais entendo o poder e a importância do ativismo.

Eu e a Rê temos um monte de ideias pro Conexão, mas como também temos um monte de contas pra pagar, precisamos ser realistas e caminharmos de acordo. Mas uma coisa já fizemos: um site (o qual foi construído pelo Leo Melo, com toda paciência do mundo)! O site foi pro ar no mesmo dia do aniversário, e concentra todos os canais de comunicação.

Outro presentinho que ganhamos de aniversário foi a inimizade do Facebook. Por termos publicado a foto de um mamilo na página, como parte da campanha #mamilolivre, o Facebook nos tirou do ar por algumas horas. Alguns dias depois recebemos um email com um pedido de desculpas do próprio, falando que a imagem havia sido removida por engano e seria devolvida pra página. Vitória? Não. Pra nossa surpresa, passado uma semana, alguém denunciou a foto de novo, e dessa vez o Facebook resolveu me bloquear por 24 horas.

Enfim, lições que vamos aprendendo quando resolvemos lutar por uma causa. Aviso aos perseguidores de mamilos: vocês vão cansar de "denunciar" a gente, porque a gente não vai cansar de postar mamilos.


Lawa - Latin American Women's Aid


Uma das minhas metas esse ano era fazer trabalho voluntário. A princípio eu queria procurar uma posição em um museu, galeria ou qualquer instituição ligadas as artes, mas com a evolução do meu trabalho com a Renata no Conexão Feminista, começou a fazer mais sentido buscar uma organização que ajudasse mulheres. E justamente por causa do Conexão eu conheci algumas mulheres brasileiras incríveis aqui em Londres, como a Amanda. E a Amanda me indicou a LAWA, onde ela já prestava trabalho voluntário.



Entrei em contato com elas e tudo deu certo. Comecei como voluntária de mídias sociais no final de agosto. Toda semana estou lá algumas manhãs, e pra ser honesta eu acho mais é que elas estão me ajudando do que eu ajudando elas.

E o que essa instituição faz? A LAWA presta apoio e abrigo para mulheres (lartionoamericanas e de minoria étnica) vítimas de violência doméstica. Além disso, há também uma série de outros serviços: aulas de inglês, consultas com advogados (sobre imigração, direito de familia), ajuda para fazer currículo, festas temáticas, palestras sobre feminismo. Isso de tudo DE GRAÇA. Ou seja, é preciso muito trabalho para garantir financiamentos privados e públicos. E isso é difícil pra caramba.

Para aumentar o leque de opções de financiamento, estamos começando uma parceria com uma plataforma de financiamento coletivo, chamada Global Giving. Essa plataforma é usada apenas por ONGs, do mundo todo. Mas para ser um parceiro fixo é preciso obter sucesso em uma "campanha teste". E essa campanha que eu estou coordenando no momento. Então preciso da ajuda de vocês!

Para essa campanha teste, desenvolvemos o projeto "Make a Shelter a Home for Latin American Children" (Faça de um abrigo um lar para crianças latinoamericanas). O objetivo é arrecadar £5,000 para melhorar a infraestrutura do abrigo para as crianças que chegam lá junto com as suas mães. Elas geralmente chegam sem nada, pois a fuga de casa é feita as pressas e em sigilo. Então queremos que elas tenham o mínimo de conforto para conseguirem superar o trauma vivido em casa e também o trauma dessa situação temporária.

Então essa campanha tem dois objetivos. O mais importante, claro, é melhorar o abrigo. E para isso colocamos a meta de £5,000. Mas, se chegarmos a £2,500, doados de 50 pessoas diferentes, já seremos aceitas como parceiras do Global Giving.

É possível doar de qualquer lugar do mundo, pois a plataforma aceita cartão de crédito internacional e também Paypal. O valor mínimo é £8, cerca de R$30.00. Temos até 19 de dezembro para conseguirmos isso. Conto com a doação de vocês!

Em tempos de governantes racistas, xenófobos e misóginos (e de cortes no orçamento público para ajudar pessoas em situação vulnerável) é muito importante que a gente faça mais do que declarar nossas frustrações. É preciso realmente fazer alguma coisa, e ajudar instituições que prezam pela vida das minorias é uma delas.

Então, é só clicar aqui para ir na página da campanha. Conto com vocês. Conto especialmente com a pessoa que deixou o comentário anônimo no post anterior, que preferiu não se identificar mas tentou fazer "shaming" (já tem uma palavra boa em português para esse tipo de atitude?) do meu estilo de vida, diminuindo minha militância feminista por que sou "blogueira sustentada pelo marido".

Só a Maya salva


Um pouco de Maya Angelou para lidar com mais um balde de água frio político desse tenebroso 2016 que ainda não acabou.

"You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may tread me in the very dirt
But still, like dust, I'll rise...

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I'll rise." -- Maya Angelou

(se alguém tiver uma boa tradução por favor me mande, que eu coloco aqui)


Leitura: Fifty Shades of Feminism (diversas autoras e editoras)


Assim como o "I Call Myself a Feminist", que terminei há uns dois meses, esse livro é um conjunto de textos. Dessa vez, 50 mulheres escrevem sobre o que o feminismo é para elas. Obviamente que todo livro feminista é pra mim um grande aprendizado, mas até agora esse foi o que menos gostei. Acho que porque não me identifiquei com as abordagens de algumas autoras (muitas que entraram no ativismo nos anos 60 e 70, quando o feminismo tinha um recorte que eu considero um tanto quanto limitado).

Mas talvez esse seja mais uma vantagem do que desvantagem, até porque é preciso entender o que aconteceu no passado para planejar melhor o que podemos fazer agora, no presente. Eu sinto que já demos muitos passos, principalmente em relação de reconhecimento de privilégios e a noção de que o feminismo intersecional é muito importante (indo muito além do lance político e econômico).

Não recomendo essa leitura como a primeira para quem quer começar a estudar feminismo, mas acho que vale a pena colocar na lista uma vez que você já esteja mais familiarizada com o assunto.

Vote nelas


No último mês eu e a Renata convidamos diversas candidatas a vereadoras, prefeitas e vice prefeitas para conversarem com a gente no Conexão Feminista. E a maior parte delas topou! Acho incrível como hoje em dia é tão fácil você entrar em contato com alguém que nem conhece. Imagina se há 10 anos a gente teria conseguido falar com essas mulheres? Certeza de que não seria tão simples.

Mas enfim, queria deixar aqui os vídeos das conversas, pois todas foram muito boas. Claro, a gente selecionou apenas mulheres feministas que tem o feminismo como pauta. Não adianta falar que é feminista mas não fazer uma menção ao feminismo na sua campanha. A gente pesquisou pra caramba, e fizemos questão de dar espaço para candidatas que são tão ativistas no feminismo quanto envolvidas na política.

Pra mim foi um aprendizado imenso, e gostaria de agradecê-las mais uma vez por aceitarem participar. Talvez a gente ainda consiga fazer mais um ou dois antes do domingo, e aí eu atualizo esse post.

Então fica aqui essa lista maravilhosa de candidatas compromissadas com as mulheres. VOTE EM MULHERES FEMINISTAS!

Belo Horizonte: Áurea Carolina 50180



São Paulo: Maíra Pinheiro 13030



Rio de Janeiro: Luciana Boiteux 50 (Vice Prefeita)



Rio de Janeiro: Cristina Biscaia 50130



Curitiba: Ana Mira 50111



Curitiba: Xênia Mello 50 (Prefeita)



Campinas: Amara Moira 50250

Leitura: I Call Myself a Feminist (diversas autoras e editoras)


Como vocês já devem ter notado, eu ando sedenta por livros feministas. Estou tentando correr atrás do tempo perdido e realmente sinto a necessidade de aprender mais, conhecer outras mulheres ativistas e saber qual é a luta particular delas. E esse livro é perfeito pra isso, pois foi escrito coletivamente, por 25 mulheres.

Cada uma delas conta como se descobriu feminista, e é muito bacana sair da nossa redoma e entender a necessidade de mulheres com histórias completamente diferentes das nossas. Não sei como é possível alguém ainda se posicionar contra o movimento feminista após ler alguns desses relatos.

Outra coisa bacana do livro é que os relatos são intercalados com citações e extratos de outros livros ou reportagens, deixando a leitura bem dinâmica.

Eu não sei se tem versão em português, mas pra quem lê em inglês, vale demais a pena.



E vou aproveitar pra lembrar vocês do meu projeto feminista, o Conexão Feminista. Já são mais de 30 hangouts, vários com convidadas especiais. Ontem mesmo eu conversei com a Áurea Carolina, candidata a vereadora em BH. Se você ainda não conhece o CF, dá uma olhada lá no nosso canal e também na nossa página no Facebook (likes são bem vindos!).

Vem ser feminista comigo

Eu e a Renata estamos há 7 meses tocando o Conexão Feminista, e esse projeto me anima mais e mais a cada hangout. Cada vez que conversamos, seja entre nós mesmas ou com convidados (sabia que temos uma seção chamada Conexão Paralela?) me sinto mais inspirada e com mais vontade de continuar batalhando.

Então tive a ideia de fazer um vídeo colaborativo, com a participação de várias mulheres. Do que se trata: queremos que vocês mandem um vídeo pra gente, contando como foi que se descobriram feministas. Pode ser filmado com o celular mesmo, e é pra ser algo curto, de 2 minutos mais ou menos. Quando eu tiver vários depoimentos, vou colar tudo num vídeo só e colocar no nosso canal do YouTube.

Recebo mensagens de tanta gente falando que está adorando o Conexão, que acompanham nossos hangouts e postagens no Facebook, que acho que temos que abrir nossa plataforma e dar voz pra mais mulheres. Então, que tal? Topa?

Pra quem gostou da ideia, mande o vídeo para conexaofeminista1@gmail.com

Minha coluna feminista no Brasil Observer

Estou super feliz de anunciar que agora eu sou colunista do jornal Brasil Observer, uma publicação mensal produzida por uma equipe maravilhosa de brasileiros em Londres. O jornal é publicado em inglês e português e todo o conteúdo fica disponsível tanto na cópia impressa (distribuída gratuitamente em diversos pontos de Londres) como na digital (a edição mais recente você acessa aqui, minha coluna está na página 27).

Comecei a conversar com eles há uns meses, apresentada por duas amigas em comum (muito obrigada, Ana e Roberta). Eles se interessaram pelo meu projeto Conexão Feminista e quando eu propus uma coluna sobre o assunto, fui super bem recebida. Pois aí está! Mais um canal para falar de algo que mudou minha vida.

Espero que gostem, divulguem e deixem comentários e sugestões para as próximas colunas!

Por Todas Elas

Hoje é dia de protesto. Mulheres no Brasil inteiro vão pra rua mostrar que a sociedade não pode ficar calada diante de não apenas esse caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro, mas também de tantos outros crimes de violência contra a mulher.

Homens que cometem esses crimes não são monstros, doentes ou psicopatas. Eles agem dessa forma porque nossa cultura patriarcal os ensina a agir assim, já que aprendem desde pequenos que mulheres são cidadãs de segunda classe.

CHEGA. procure no Facebook pelo evento 'Por Todas Elas' e sabe onde acontecerá na sua cidade.

(a imagem abaixo foi liberada pelo autor para ser usada por quem quisesse, como quisesse)



Sortuda


Há anos que eu penso em escrever esse post, e acho que não tem data mais apropriada pra eu finalmente falar sobre isso do que hoje, o Dia Internacional da Mulher.

Minha linha de pensamento mudou muito nos últimos anos, e ainda mais intensamente nos últimos meses, depois que comecei o Conexão Feminista. Antes, eu preferia não rebater comentários machistas ou fingia que não via só pra me poupar do cansaço mental de uma possível discussão. Mas eu finalmente me dei conta de que se eu não falar hoje, vou prejudicar quem estará nesse mundo daqui 100, 200 anos. Minha voz pode fazer diferença, e se uma pessoa parar pra pensar e analisar uma situação e se dar conta do machismo intrínseco no nosso dia a dia, minha tarefa está completa.

Eu tenho plena consciência dos meu privilégio como mulher branca, cisgênero, heterossexual e classe média. E com tudo isso ao meu favor, eu ainda convivo com sexismo, e tenho centenas de 'causos' para contar.

Uma das situações mais comuns são os comentários que recebo em relação ao fato do Martin cozinhar. A reação de surpresa no rosto das pessoas quando descobrem que o meu marido cozinha ('todos os dias?') é a personificação do sexismo cotidiano. 'Como você é sortuda!' é o que eu escuto sempre. Já escutei isso de amigas, familiares e gente que mal conheço.

Eu sei que na maior parte das vezes a intenção é das melhores. O Martin cozinha bem, e as pessoas querem elogiar. Mas é aí que mora o problema. Vocês viram o machismo? Ele tá escondido aí, no momento que meu marido é elogiado por fazer uma tarefa doméstica, por fazer parte do andamento do nosso lar e participar ativamente na rotina da nossa pequena família.

Essa é uma gota no oceano machista que a gente vive. Felizmente, e por causa dos meus privilégios, eu hoje em dia tenho VOZ e posso falar sobre isso. Posso botar a boca no mundo quando testemunho uma situação de agressão ou assédio. Mas muitas mulheres não podem, e no Dia Internacional da Mulher precisamos pensar em como emprestar nossa voz para elas.

Mulheres: a luta é agora!

Conexão Feminista

A falta de atualizações no meu querido blogito não é falta de interesse ou assunto, mas a boa e velha falta de tempo mesmo, que me ocorre de vez em quando. Tenho trabalhado bastante e esse fim de ano aconteceu algo extraordinário pra mim: em vez de sentir a pilha acabando, me vi cheia de ideias e resolvi colocar a mão na massa pra fazer essas ideias acontecerem antes de 2016.

Uma dessas ideias é a Conexão Feminista, que foi pro ar ontem. Esse é um projeto em dupla, com uma das minhas melhores e mais antigas amigas, a Renata (já falei da Rê tantas vezes nesse blog, mais recentemente sobre a empresa dela, o Studio Minemosine). Nós duas queríamos fazer algo a respeito dessa causa pela qual somos apaixonadas, mas foi recentemente que nos demos conta que poderíamos fazer algo juntas, pois como diz o velho ditado duas cabeças pensam melhor que uma.

A Conexão Feminista é uma plataforma pra gente pura e simplesmente bater papo sobre feminismo. Por enquanto, estamos usando os Hangouts do Google pra fazer isso, que então ficarão disponíveis em um canal no YouTube. Também criamos uma página no Facebook pra divulgar a ideia e ter mais uma canal de diálogo.

O primeiro hangout foi pro ar ontem. Foi uma introdução, pra gente se apresentar e contar como e quando nos descobrimos feministas.



Eu preciso da ajuda de vocês pra conseguir um link personalizado no YouTube. Enquanto o canal não alcançar 100 inscritos, não conseguimos pedir a url YouTube.com/ConexaoFeminista. Então, peço que vocês cliquem aqui e assinem, pra ajudar a gente a ganhar espaço nesse mundão da internet.

O próximo hangout será dia 9 de dezembro, às 17:30h (horário de Brasília), e o assunto será inspirações feministas. Mais detalhes lá na página do Facebook (mais perto nós colocaremos o link pra quem quiser assistir ao vivo).

Chá, sexo e permissão

Acabei de ver um vídeo excelente no Facebook (e vocês achando que o Facebook não servia pra nada além de fotos de bebês e anúncios de noivado/gravidez/nascimento/merchan de guia de viagem) e aproveitando a vibe feminista do último post, achei que seria legal compartilhar aqui.

Eu não sei quem produziu, mas foi divulgado por uma divisão da polícia britânica. O vídeo é uma animação simples, que explica o significado de consentimento usando um elemento essencial na vida dos britânicos: chá.

Mesmo que você não fale inglês, dá pra compreender a mensagem. Se parece tão óbvio com chá, porque existe dúvida quanto a permissão quando o assunto é sexo?