Durante as nossas férias na Costa Amalfitana foi preciso muito auto controle pra não voltar com uma mala cheia de peças de cerâmica. Existem várias fábricas (grandes e pequenas) na região e consequentemente centenas de lojinhas por todos os cantos.
Mas, chegando em Sorrento, que foi nossa última parada antes de voltar para Londres, encontramos um outro tipo de artesanato local: marchetaria. Vimos muitos ateliês pelo centro antigo da cidade, todos vendendo peças maravilhosas, especialmente caixinhas e quadros. Entramos em um desses ateliês e de cara eu não consegui tirar os olhos de um quadro que reproduzia a paisagem de Positano (as casas incrustadas no penhasco com o mar a sua frente), onde havíamos estado nos dias anteriores.
O artesão, um senhor muito simpático chamado Michelli, estava por ali e nos mostrou um pouco do processo, que requer um nível de detalhe absurdo. O filho dele gerencia o ateliê e também faz as peças. É um negócio de família mesmo.
Como o Martin estava 'me devendo' um presente de aniversário, compramos o quadro de Positano. Mais um pedaço de parede coberto aqui em casa, com a vantagem de sempre nos lembrar de uma semana incrível nesse pedaço da Itália.
Tive um ótimo dia, hoje.
Passada rápida no escritório de manhã, e depois RUA! Entre um evento e outro, fiz essa foto: (que postei no Instagram do Aprendiz de Viajante - já segue?)
Ah, se todos os dias fossem assim!
(ps.: também ganhei um iPad, o que contribuiu para o o dia de hoje ter sido um sucesso)
Alguns amigos e familiares me perguntaram como anda o clima de copa por aqui. Claro, agora com a Inglaterra eliminada e humilhada, é como se não existisse copa. Mas antes disso, eles ja estavam desencanados. Ninguém tinha a menor esperança de um bom desempenho da seleção, e o que mais me chamou atenção foi a falta de bandeiras nas janelas e varandas. Aqui no meu prédio a única bandeira é a minha, do Brasil.
Apesar de todos os jogos serem transmitidos ao vivo e muitos bares e pubs promovendo a copa, não há uma comoção geral. Empolgação zero. Eu lembro que em 2010 estava um pouco mais animado, mas desde então os torcedores tem se decepcionado com Rooney e sua turma.
Sei lá, de repente o povo está mais preocupado em aproveitar o tempo bom nos parques, porque vai saber até quando o calor fica por aqui, certo?
'Tô sem tempo', 'não tenho tempo', 'tá super corrido': eu nunca achei que ia falar uma dessas frases (pois é, mordi a língua), mas ultimamente eu não tenho visto o tempo passar. Fico imaginando como fazem as pessoas que tem filhos. Sério, como vocês fazem?
Não tô querendo fazer drama, acho que a vida de todos meus amigos é assim. Mas só esse ano que me dei conta que qualquer coisa 'extra' que eu queira fazer acaba atrapalhando minha escala. Sempre tem algo que sai prejudicado: o blog (esse ou o Aprendiz), a alimentação, a diversão, a casa.
Foi-se o tempo que eu deixava a casa arrumada. Hoje em dia tem sempre algo zoneado, ou uma tonelada de roupa de lavar, ou roupa secando no varal há uma semana.
Depois que resolvemos voltar a correr, a coisa ficou ainda pior: o tempo que eu dedicava 'ao lar' e ao blog foi cortado pela metade. Ainda bem que vou trabalhar de transporte público, só assim consigo manter a leitura.
Só uma coisa resolve. Aliás, duas: megas sena e euro millions. O que vier tá bom.
Nos nossos 2 primeiros anos em Londres, conseguimos contruir uma rotina muito boa de exercício: íamos correr quase todos os dias, e chegamos a participar de várias corridas (eu fiz muitas Race for Life), de 5 e 10km.
O problema é que eu detestava. Detestava mesmo. E todos meus amigos que correm me falavam: 'ah, depois que você começa e acostuma, fica viciada! Vai amar!'. Acho que esse foi o pior conselho que ouvi. Não apenas o bichinho da motivação não me mordeu, como eu comecei a ficar muito mal humorada durante a corrida e também mega frustrada por não estar gostando.
Por causa disso, acabei deixando de lado. Ia uma vez ou outra fazer caminhada no parque, mas nada regrado.
Só que esse ano eu me toquei que estou nessa vida sedentária há uns 2 anos, e né, ninguém aqui está ficando mais jovem. Eu vejo os benefícios da caminhada/corrida em todo mundo que pratica (meu pai é um ávido caminhador), então decidi tentar novamente.
Aqui um adendo: não tentei academia porque odeio com todas as minhas forças a ideia de pagar pra fazer algo que não me faz muito feliz. Não suporto academia, a atmosfera da academia, a coisa de ficar trancada num lugar pra se exercitar. Sei que tem muita gente que curte, eu até ja tentei (mais de uma vez), mas essa lição eu aprendi.
Estamos num ritmo bom de caminhada/corrida há uns 2 meses. A boa notícia é que estou motivada, não odeio, e estou focando na parte boa, que é ficar saudável. Resolvi fazer novamente a
Race for Life (5km, já
escrevi sobre essa corrida aqui no blog várias vezes), mas sem grandes compromissos, vou com uma amiga e vamos curtir o dia e a atmosfera do evento (é sempre muito emocionante saber a história das pessoas que estão lá e conhecer os motivos que as levaram a participar. Eu apoio o Cancer Research UK desde que cheguei em Londres e há alguns meses faço contribuições mensais que saem direto do meu salário), e eu e o martin nos inscrevemos para uma corrida de 10km em novembro (no momento, fazemos 6km entre corrida e caminhada).
É isso. Boa sorte pra mim e que o mau humor passe longe.
Abaixo a campanha da Race for Life desse ano, que está muito legal, acho emocionante.
O metrô de Londres é uma das maiores plataformas de design britânico que existem. A princípio pode soar estranho, mas é só parar para pensar em todos os 'componentes' da rede pra ter noção da importância dessa conexão: começando pelo símbolo do metrô (o famoso roundel), passando pelo mapa das linhas e pelas estampas dos tecidos que cobrem os assentos, isso apenas para citar alguns (leia mais sobre o assunto aqui)
Ano passado, mais um projeto super legal de design foi lançado, como parte da celebração dos 150 anos do metrô: o 'Labyrinth', feito em colaboração com Mark Wallingers.
Cada uma das 270 estações tem um 'quadro' com o desenho de um labirinto, cada um único. A identidade visual é a mesma, mas o desenho em si é diferente (e todos são numerados pelo artista no canto inferior direito). O mais legal é que cada um está em um canto 'escondido' da estação, uns mais fáceis de encontrar do que outros - até porque, em estações menores, não tem muito onde esconder. Pode estar perto da bilheteria, em alguma das plataformas ou nos corredores que percorrem a estação.
Encontrar o labirinto virou uma diversão pra mim! Eu não uso muito o metrô - vou de trem para o trabalho - então quando acho um, como ontem na estação de South Kensington (foto acima), sempre fotografo.