O mercado de trabalho para os criativos em Londres


*****ATUALIZAÇÃO 10/04/17**********
Esse post foi originalmente publicado em 2014 e é um dos mais acessados desse blog. Consequentemente, é um dos que mais recebe comentários. Os comentários geralmente são perguntas sobre a situação pessoal de cada pessoa, e há pouco que posso acrescentar (muitas vezes nada) além do que já escrevi aqui. Peço que por favor leiam o post com calma e leia também os comentários, pois sua dúvida  já pode ter sido respondida. E respostas para algumas perguntas frequentes:

1. Eu não sei nada sobre visto de trabalho. Consulte o site https://www.gov.uk/government/organisations/home-office para toda e qualquer informação sobre visto.
2. Eu não sei se você pode trabalhar caso venha pra cá com visto de estudante. Consulte o site indicado acima
3. Não sei como está o mercado na sua área específica, por favor leia o post novamente
4. Não sei como está o mercado em outras cidades da Europa
5. Sobre validação de diploma de arquitetura, consulte o site https://www.architecture.com/RIBA/Home.aspx para encontrar esse tipo de informação
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Nos meus três primeiros anos em Londres, volta e meia recebia emails de pessoas interessadas em saber como era trabalhar na indústria criativa por aqui. E não eram apenas pessoas com a mesma formação que eu (Design de Produto), mas de várias outras áreas criativas, como moda, interiores e arquitetura.

Fazia tempo que eu não recebia mensagens assim, até que mês passado chegaram vários emails sobre o mesmo assunto: como eu faço pra trabalhar no que você trabalha? O que eu preciso fazer para trabalhar com design/arquitetura/moda em Londres?

Então fica aqui o post pra servir de referência pra quem tem esse tipo de dúdida e não sabe por onde começar a pesquisar. Claro que cada caso é um caso, e as perguntas específicas eu tenho o maior prazer em responder. Esse é um panorama geral, e quem sabe pode ajudar quem está confuso ou não sabe como dar os primeiros passos.

Nos últimos anos, a oferta de trabalho para designers e arquitetos aumentou bastante, mas ao mesmo tempo não ficou mais fácil arrumar emprego. Muita gente boa, do mundo inteiro, vem pra Londres com o mesmo objetivo. A competição é acirrada. 

E lembre-se de que aqui (acredito que na Europa como um todo) é muito mais comum fazer faculdade de moda/design do que no Brasil. Isso porque existem cursos específicos. No Brasil a gente se forma em Design Gráfico ou Design de Produto. Aqui, é possível passar 3 anos estudando áreas como Design de Superfície, Design de Estampas, Design de Transporte, Design de Móveis. Ou seja, mais opções, mais gente cursando. 

Se você está mesmo considerando vir para Londres com a intenção de arrumar um trabalho criativo, considere expandir seus horizontes. Pode soar vago, mas se alguém tivesse me falado isso antes de eu me mudar teria me poupado alguns meses de frustrações e questionamentos. Precisei bater muito a cabeça antes de perceber que poderia fazer outra coisa relacionada com design que não necessariamente desenhar. 

Você estudou Design de Interiores? Pense em trabalhar com styling para produções de revistas de decoração e catálogos de empresas de móveis e accessórios. Estudou moda? Considere começar a sua carreira em uma agência de relações públicas. Estudou arquitetura? Pesquise vagas na área de projetos de interiores para varejo. 

Outra coisa importante: coloque o fato de ser estrangeiro a seu favor. Parece óbvio, mas a gente se sente intimidado quando chega aqui, é tudo tão novo e as coisas acontecem tão rápido que a impressão é de que sempre estamos perdendo alguma coisa, e quem é local sabe mais que a gente. Mas sabe o que aprendi trabalhando aqui? Que não ser daqui é uma das maiores vantagens que tenho em relação aos 'concorrentes' locais. Seu conhecimento de mercado de outro país, seu background cultural é muito bem visto no meio criativo. 

Por fim, explore Londres. Andar de exposição em exposição, evento em evento, palestra em palestra foi o que me ajudou a espantar o desânimo que batia nos meus primeiros meses procurando emprego. Todo dia tem alguma coisa pra fazer, e aos poucos você começará a reconhecer nomes (de pessoas e empresas) e entender como funciona sua área. Foi uma exposição sobre o Le Corbusier no Barbican (que visitei em um dia que estava particularmente desanimada, me lembro muito bem) que rendeu a minha primeira matéria publicada. E dessa para todas as outras, em uma série de sites e revistas, acabou sendo mais rápido do que eu imaginava.

Acho que é isso. Vou pedir ajuda dos universitários: compartilhe sua experiência nos comentários!

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Alguns sites bons para pesquisar vagas:

A última do ano

Não sei se comemoro ou se fico triste que estou fazendo a última viagem a trabalho do ano. Queria comemorar porque isso significa que estamos cada vez mais perto do Natal e ano novo (e, consequentemente, uns diazinhos de férias coletivas) mas também dá agonia de saber que em janeiro e fevereiro já tenho as viagens de trabalho programadinhas na agenda. 

Bom, lamentações a parte, estou na Bélgica, visitando uma feira na cidade de Kortrijk. É a primeira vez que venho aqui, o que é algo positivo, não dá aquela sensação de 'já vi isso no ano passado, e no anterior, e no anterior etc etc etc'. Mas a cidade em si achei bem sem graça - saí pra dar uma volta as 7 da noite e achar um lugar pra jantar e estava tudo morto, mega silêncio. 

Tão sem graça que nem rendeu uma foto no Instagram.

5 programas de televisão para assistir quando você vier para Londres

1. Bargain Hunt
A ideia é simples: duas duplas (time azul - the blues - e time vermelho - the reds) percorrem uma feira de antiguidades e tem 300 libras e uma hora para comprar quantos objetos quiserem, e cada dupla conta com a ajuda de um especialista na área. Esses objetos vão então para leilão e a dupla que arrecadar mais, ganha (e leva o lucro - geralmente muito baixo). Pode até soar excêntrico, mas feiras e leilões de antiguidades são muito comuns no Reino Unido - aqui no meu bairro, por exemplo, existem as duas coisas. Os britânicos no geral adoram uma barganha nessas feirinhas, e existem dezenas de programas dedicados ao assunto. Se você gostar de Bargain Hunt, assista também Antiques Road Show, Flog It!, Cash in the Attic.

2. Celebrity Juice
Pra rir muito e ver muita baixaria. Mas digo rir de chorar de rir e baixaria de ver pintos e bundas e aprender todos os palavrões possíveis em inglês. Trata-se de um programa estilo 'painel' (muito comum na televisão britânica, poderia citar dezenas: um apresentador e dois times de tres ou quatro pessoas que precisam responder perguntas ou cumnprir tarefas). Os times são formados por celebridades, e como o nome diz, as perguntas e tarefas são baseadas no mundo dos famosos, fofocas e verdades. O apresentador, Keith Lemon, é uma piada (pra quem não está afiado no inglês, é difícil entender o que ele fala), e não tem papas na língua. Se você gostar de Celebrity Juice, assista também A League of Their Own e Mock the Week.

3. The Graham Norton Show
Já escrevi um post sobre esse talk show, e ele continua muito bom - acho que até melhor do que na época que escrevi. Os entrevistados ficam juntos o tempo todo, e isso rende momentos hilários. Mas o destaque é mesmo o próprio Graham Norton, que faz perguntas bem diferentes do que vemos nos talk shows e consegue sempre fazer que role uma química entre os entrevistados. Veja até o fim, que sempre tem apresentação musical (semana passada foi o U2, por exemplo) e o famoso quadro 'The Red Chair', quando alguém do público conta uma história que supostamente deve ser divertida, mas se o Graham achar que é chata, a pessoa é derrubada da cadeira (falando assim parece idiotice, mas e hilário).

4. Grand Designs
Esse programa epitomiza a obssessão dos britânicos pelo mercado imobiliário e a curiosidade de ver a casa alheia. O que tem de coisa na televisão sobre pessoas procurando lugares pra morar e reformas/decoração não é brincadeira. A diferença do Grand Designs é que o apresentador (Kevin McCloud, que é tipo o guru da arquitetura/decoração e é o 'rosto' da marca) acompanha um projeto do zero, passando por todos os perrengues da contrução. Tem casas, por exemplo, que começam a ser construídas anos antes do programa ir pro ar, porque geralmente o episódio termina com o apresentador visitando os proprietários já morando lá. Se você gostar de Grand Designs, assista também Location, Location, Location, 60 Minute Makeover e Homes Under the Hammer.

5. Countryfile
Sabe aquela hora no domingo, fim de tarde e começo da noite, quando só tem lixo passando na televisão? Pois veja Countryfile e seus domingos nunca mais serão os mesmos! O programa tem vários apresentadores, e cada episódio é focado em uma região do interior do Reino Unido, além de ter algumas seções específicas, como o dia e dia e problemas de uma fazenda. A ideia principal, porém, é mostrar as belezas de cada região (fauna e flora), assim como produtos típicos e artesanato local. O Countryfile tem grande influência na nossa vontade de explorar mais o país que moramos. Recomendo muito pra quem quiser aprender mais sobre o Reino Unido, que vai muito, mas muito além de suas cidades mais connhecidas. Enfim, é um programão, especialmente pra quem curte viajar.

5 coisas que existem em todas as casas de Londres


Atualização: eu lancei um ebook sobre Londres que contém mais de 30 listas como essa. Gostou desse post? Então apoie meu trabalho adquirindo o livro Quase Londoner, clique aqui!

1. Alarme de incêndio
Você pode morar em um estúdio ou um palácio, mas o alarme de incêndio sempre estará lá. Ok, é prudente e tal, mas está SEMPRE muito perto do fogão, ou seja: ele vai disparar toda vez que você fritar um bife. O pior é que se seu apartamento/casa tem mais de um alarme (como no nosso caso, é um na cozinha e um logo depois da porta de entrada), eles estarão conectados, e assim que um dispara, todos os outros disparam também. O primeiro disparo será aquele susto, todo mundo desesperado achando que o prédio todo deve estar em pânico (não estão), mas aos poucos você aprende que basta abanar a fumaça perto do alarme por alguns segundos que ele para de tocar. Você aprende também a não entrar em pânico quando o alarme do vizinho dispara. Afinal todo mundo frita bife.

2. Aquecedores
Seus melhores amigos durante 5 meses do ano (aqui em casa geralmente de novembro a março). Mas viram inimigos quando chega a conta da British Gas. Frio lá fora, casa quentinha.... no primeiro ano você liga todos os aquecedores da casa, e só quando chega a conta no fim do inverno que você se lembra de que, ops, não existe a fada madrinha do aquecimento, mas sim a British Gas. Fora isso, os aquecedores são um empecilho decorativo, já que não dá pra colocar nada na frente, ou em cima (quando estão ligados, mas quem vai ficar mudando as coisas de lugar de acordo com a estação do ano?).

3. Carpete
Dê adeus ao seu piso de porcelanato brilhante ou aos tacos nos quais você gastou uma fortuna para reformar, porque em Londres o negócio meu amigo, é carpete. Tudo bem, nos apartamentos e casas mais novos é até fácil encontrar aquele piso laminado de madeira baratex que todo mundo compra em seu primeiro apartamento, mas escreve o que eu tô dizendo: nos quartos, só carpete. Tudo bem que dá aquela sensação de aconchego, principalmente no inverno, mas por mais que você tome todo cuidado do mundo para não andar no carpete de sapato, depois de alguns meses já dá pra notar onde está gasto. Fora a poeira. Por isso, como eu já disse nesse post aqui, coloca o seu rico dinheirinho num aspirador bom. Ah, não vou nem comentar dos apartamentos que tem carpete no banheiro. Não é lenda.

4. Banheira
'Ai que máximo você tem banheira em casa'. Que máximo? Puta saco limpar a banheira. Prefiro mil vezes um box, até porque quem tem tempo de usar a banheira? E o espaço que sobraria no banheiro se fosse um simples box? E a água que espirra no banheiro inteiro porque só tem um painel de vidro ou acrílico super pequeno como proteção? Mas juro, mesmo que você vá no menos apartamento de Londres, a bendita banheira está lá.

5. Interruptor na tomada
Aê! Finalmente uma coisa boa. Gente, como não tem isso em todas as tomadas do mundo? Acho super seguro e sustentável. Vai viajar? Desliga todas as tomadas e pronto, certeza de que nenhum aparelho ficou ligado ou no 'stand by' desnecessariamente. Fora quem pra quem é paranóico como eu, o medo de tomar choque toda vez que precisa plugar algo na tomada desaparece: basta desligar o interruptor, plugar e ligar de novo. GENIAL. Acho que vou começar uma petição no Change.org pra ter isso no mundo todo. 

Exposição: Constable - The Making of a Master

Não sei se foi coincidência, mas nessa temporada a Tate Britain e o Victoria & Albert montaram grandes exposições de artistas que foram concorrentes: Turner e Constable, respectivamente (já escrevi sobre a exposição do Turner aqui). 

Os dois viveram na mesma época e os dois retratavam paisagens, mas tinham estilos completamente diferentes. Diz a lenda que não se suportavam, e por causa disso muitos críticos escreveram matérias comparando as duas exposições. Bom, não sou crítica, mas agora que estive nas duas posso tambem dar meu veredito: Turner ganha,

Mas, competição a parte, a exposição do Constable no V&A está sim bem bonita. Como diz o nome ('The Making of a Master') o foco é na formação de John Constable, como ele começou e aprimorou sua técnica. 

Seu estilo era muitos mais tradicional e condizente com a época: paisagens bucólicas e interpretações mais realistas do que as pinturas de Turner, por exemplo (mas ainda assim ele recebia críticas de 'especialistas' que não gostavam do resultado, e achavam suas telas com cara de inacabadas).

O que mais me impressionou na exposição foi ver a quantidade de estudos que ele produzia antes de partir para a tela final. É muito bacana ver a evolução de um quadro e as mudanças feitas ao longo do desenvolvimento. 

Para quem quer ver tanto essa exposição quanto a do Turner na Tate Britain, aconselho a ver essa primeiro e ir para o Turner depois. 

'Constable - The Making of a Master' fica no Victoria & Albert até 11 de janeiro de 2015. 

Malta, a primeira viagem como blogger

A não ser que esse seja o primeiro post que você lê nesse blog, todo mundo já está cansado de saber que eu escrevo também no blog Aprendiz de Viajante, totalmente dedicado ao assunto viagens. E, apesar de eu sempre escrever vários posts sobre os lugares que conheço quando viajo de férias, eu nunca tinha viajado por causa do blog.

Pois é, pra quem não sabe, isso existe. Assim como existem as blogueiras de moda profissionais, existem também os blogueiros de viagem (do mundo inteiro). Muitos fazem disso sua profissão, dedicam-se integralmente ao blog e ganham dinheiro assim. Organizações voltadas para promover o turismo em certos países e cidades convidam esses blogueiros para conhecer os lugares, que por sua vez comprometem-se (sem comprometer a integridade do conteúdo que produzem) a divulgar a experiências no blog e mídias sociais (porque ser blogueiro de viagem hoje em dia requer muito mais do que postar no blog).

Como eu não sou blogueira de viagem 'full time', e me dedico ao Aprendiz de Viajante em horários alternativos, nunca tinha aceitado um convite para viajar: seja por causa do calendário maluco no trabalho ou então porque eu não tinha dias de férias pra tirar.

Mas enfim, dessa vez deu certo e eu estou em Malta (um arquipélago/país no sul do Mar Mediterrâneo, perto da Sicília, na Itália) a convite do MTA (Malta Tourism Authority) e do iAmbassador, que criaram em colaboração o projeto Blog Island. 

Pra mim, é tudo muito novo. Pra começar, estou viajando sem o Martin. Estou hospedada em uma casa (enorme) com outros dois blogueiros (uma britânica e um francês), os quais dedicam-se integralmente aos seus blogs. É uma experiência que tem seus prós e contras. Claro que conhecer um lugar lindo como Malta com (quase) tudo pago (quase mesmo, as refeições são por nossa conta, assim como boa parte do transporte pelas ilhas) é super bacana, mas dividir uma casa com pessoas que nunca antes você viu na vida requer bastante paciência.

Enfim, estou aqui há apenas 24 horas e o saldo até agora é positivo. Mais 3 dias pela frente, e espero que tenha muito mais disso aqui:







Pra quem quiser acompanhar o 'desenrolar' da viagem, estou postando com frequência no Instagram, tanto no meu perfil (@helorighetto) como no do Aprendiz (@aprendizviajant). A hashtag oficial da viagem, usada por todos os blogueiros que participaram e participarão do projeto é #maltaismore e a hashtag para ver apenas asminhas fotos é #advemmalta

5 comentários idiotas que você vai ouvir quando se mudar para Londres

1. Você não mora aqui, não sabe do que está falando
Essa pérola eu escutei na eleição de 2010, de uma (ex) amiga, quando deixei minha opinião no facebook. Pois é, parece que quando você sai do Brasil a regra é que você não se interessa mais por nada que acontece lá. Ou então você perde o direito de opinar, afinal 'deixou' seu país, traiu suas raízes. Como se quem é expatriado não quisesse o melhor pro Brasil como qualquer outro brasileiro ou como se não existisse todos os meios pra gente se informar tão bem quanto qualquer pessoa que more no Brasil.

2. Vocês que estão certos, fiquem em Londres mesmo, o Brasil é uma merda
Esse comentário pode criar uma situação totalmente reversa do que o comentarista esperava. Quem vomita uma babaquice dessas assume que quem mora fora odeia o Brasil e o motivo da mudança foi desgosto e descrença com o futuro do país. Bom, não é meu caso e penso eu que não é o caso da maioria dos expatriados. Eu não acho o Brasil 'uma merda', e odeio as frases estilo 'só no Brasil' e afins. Sei dos problemas e angústias mas, justamente por morar fora e conhecer bem a cultura de outro país, tenho plena consciência de que nada é 'só no Brasil'

3. Mas você ganha em libras!
Sim, eu ganho em libras, mas você obviamente esqueceu que minha hipoteca também é em libras, a comida que compro no supermercado também é vendida em libras, os gastos com transporte também são em libras... preciso continuar? E, se for pra reforçar o argumento, eu ganho em libras mas proporcionalmente bem menos do que meus amigos no Brasil ganham em reais. Não só ganho menos, mas convertendo meu salário para reais o valor ainda é mais baixo do que eu ganharia agora se estivesse no mesmo cargo que estava antes de ir embora. Então, por favor, parem de me falar isso quando eu comentar que viajar pro Brasil custa muito caro.

4. Nossa você tá muito inglesa!
Tá bom, eu sei que esse não é um comentário idiota, e (espero eu) geralmente quem fala nem tem ideia de que é irritante (eu me irrito muito facilmente, como quem lê esse blog já deve saber há tempos). Mas que diabos significa 'você tá muito inglesa!'? Nunca entendi. É a roupa? É o cabelo? É a gordura acumulada na barriga? Mas por que isso é indicação de que eu 'estou' inglesa? talvez seja pura e simplesmente falta de boas ideias, vontade de puxar assunto.

5. Não sei como vocês aguentam frio e céu cinza o ano todo
E eu não sei como eu aguento você falando essa idiotice pra mim. Juro, faz frio na Europa inteira, tem céu cinza em qualquer lugar, mas por alguma razão existe essa ideia de que Londres é a mais cinza e gelada cidade de todos os tempos. Tá, você não está convencido? Então pelo menos guarde o comentário para você e tente falar algo positivo, pode ser? 

Leitura: The Luminaries, Eleanor Catton

The Luminaries foi meu companheiro fiel nos últimos 2 meses. Carreguei suas 832 páginas (nem adianta deixar comentário falando de e-reader, dessa água só beberei no dia que não existirem mais livros impressos, me deixa) de casa do trabalho do trabalho para casa todo santo dia. E valeu a pena.

É um livro sensacional, e eu não consigo entender como uma pessoa de apenas 30 anos (25 quando comecou a escrever) tenha conseguido escrever algo assim tão, tão bom. Sinto inveja intelectual de alguém assim tão inteligente! Comentei isso com uma amiga outro dia e ela disse 'bom, vai ver os pais delas tem muita grana né, e ela não precisava trabalhar'. Eu realmente amo minhas amigas.

Mas, ao livro. A história começa dia 27 de janeiro de 1866 na cidade de Hokitika, na Nova Zelândia. Uma série de fatos estranhos, e que parecem estar interligados, acontecera na cidade 2 semanas antes, e 12 homens - cada um com um envolvimento diferente nos acontecimentos - reunem-se para tentar desvendar as circunstâncias desses acontecimentos.

Eu fiquei impressionada com a riqueza de detalhes da narrativa - como a autora consegue amarrar tão bem todos os personagens. Juro que pensei nela trabalhando em seu escritório, com uma parede toda riscada na sua frente, cheia de nomes e flechas, fatos e datas.

E como não virar fã de uma escritora que tuita o seguinte:



A maneira como os personagens interagem e até mesmo o tamanho de cada parte de livro também tem relação com astrologia: signos, influências de astros sobre planetas. Mas isso eu precisei pesquisar depois que acabei o livro pra entender melhor.

No fim, eu fiquei com uma pequena dúvida, mas nada que tenha estragado o prazer de ler esse livro. Se você já leu, deixe aí um comentário porque eu quero dividir minha angústia! E, pra quem não leu: recomendo!

5 coisas que você não vai ter na sua casa em Londres

1. Ralo no banheiro
Ralo, só no box ou na banheira. Ou seja, dar aquela esfregada no chão com veja, só se você estiver afim de secar tudo no braço depois. E como ninguém tem braço ou paciência (e tempo!) pra isso, em pouco tempo, muito pouco mesmo, você nem vai se lembrar de que na sua casa no Brasil existia um ralo. O negócio é investir mesmo nos lenços que ja vem umedecidos e pronto! Esfregão e rodo, nunca mais (vejam bem, não ter ralo é uma espécie de libertação doméstica).

2. Tanque
Taí outra peça inexistente na casa londrina que no fim das contas é uma coisa boa. Porque tanque, na boa, só serve pra fazer a gente trabalhar mais. Você acaba pegando o hábito de comprar roupas que podem ser lavadas na máquina, ou então precisa se contorcer pra esfregar a bendita blusa delicada na pia do banheiro. E pra lavar roupa delicada na pia do banheiro é preciso (na teoria) dar uma lavadinha básica na pia, senão a roupitcha sai com resto de cuspe, cabelo e pasta de dente. Ou seja, não.

3. Varal no teto
Essa do varal eu já mencionei várias vezes, inclusive nesse post sobre as 5 coisas que você vai comprar pra sua casa quando se mudar para Londres. Aqui, o negócio é varal portátil, daquele que você esconde (quando fechado) embaixo da cama ou atrás da porta. Varal no teto é pra quem tem um luxo chamado espaço, coisa raríssima em Londres. Ou seja, você pode até ter um varal no teto, mas terá que instalar o bendito na sala ou no quarto. Dê um adeus especial a sua área de serviço antes de ir embora do Brasil!

4. Tomada/Interruptor no banheiro
Você nunca mais vai conseguir secar seu cabelo no banheiro, a não ser que seu secador tenha um fio de 5 metros, pra alcançar uma tomada em outro canto da casa/apartamento. Pois é, não tem tomada no banheiro (alguns tem uma tomada que deve ser usada APENAS para barbeadores elétricos, o que eu acho super sexista. Se homem tem tomadinha especial pro barbeador, por que diabos não tem pro secador? Enfim). Isso por cusa das regras de 'Health & Safety' (Saúde e Segurança) que são super rigorosas por aqui. Outra coisa esquisita do banheiro é a falta de interruptor pra acender a luz: ou o interruptor estará do lado de fora (e um dia alguém vai apagar a luz sem querer bem quando você estiver lá dentro de mãos atadas) ou então em vez de interruptor existe uma cordinha pra puxar - bem retrô!

5. Bidê/Chuveirinho
Comece a treinar seu intestino para que ele funcione no horário antes de você tomar banho, ou então acostume-se a limpar a bunda com lencinhos umedecidos de bebê, porque meu amigo, bidê e chuveirinho não fazer parte da mobília banheirística por aqui. Sinto muito ser a responsável por essa decepção, que deveria pesar muito na hora de tomar a decisão de sair do Brasil de vez (em tempo: você até encontra bidê pra vender em lojas especializadas, mas cadê que os banheiros tem espaço e encanamento pro dito cujo?).

5 hábitos irritantes que você vai adquirir quando se mudar para Londres

1. EXCUSE ME
Ah, nada mais londrino do que falar EXCUSE ME daquele jeitinho grosseiro que turista acha que é educado para alguém parado do lado esquerdo da escada rolante. O seu primeiro EXCUSE ME será mais parecido com um excuse me: baixinho, envergonhado, quase pedindo desculpas. Ao longo dos anos você pega prática e assim que avisa o turista desavisado bloqueando o lado esquerdo e atrasando sua vida em 6 segundos solta um digno EXCUSE ME que na minha opinião deveria contar pontos pra cidadania britânica

2. Tentar evitar que alguém sente ao seu lado no ônibus/metrô/trem
Quando você entra no vagão do trem/metrô ou no ônibus, sempre vai ter uma pessoa tentando evitar que alguém sente ao seu lado colocando a bolsa no assento. Esse truque é engraçado, porque você vira os olhos quando vê, mas pode ter certeza de que tentará fazer o mesmo! O pior (melhor?) é que funciona, já que todo mundo prefere achar outro lugar do que pedir pra pessoa retirar a bolsa. E já vi, muitas vezes, pessoas ficarem de pé e deixarem o fulaninho com a bolsa ocupando espaço onde alguém poderia estar sentado. Uma coisa é tentar 'guardar' o assento quando existem outros disponíveis, outra é fazer cara de paisagem quando o trem fica lotado. Mas anota aí: você também vai fazer isso.

3. Byyyyeeeeeeeeee
Aqui, ninguém encerra conversa de telefone com 'beijo, tchau'. O pessoal fala tchau (bye) mesmo, mas não é apenas um 'bye'. É um bye com voz afinada e ênfase no 'y', então fica 'byyyyyyye'. Até conversas mais sérias, entre pessoas de voz grossa, podem terminar assim. Por que raios todo mundo tem que afinar a voz? É esquisitíssimo esse 'bye' meigo, acho demasiado irritante. Prefiro mandar beijo, mas quando estou ao telefone com alguém daqui, não tem jeito: sai o bye irritante.

4. Atravessar a rua loucamente
Todo londrino é um suicida em potencial, basta vê-los atravessando a rua em algum ponto super movimentado da cidade, como Piccadilly Circus e Oxford Circus. Quanto mais movimentado, mais chances você terá de ver um quase atropelamento. É um desespero pra atravessar a rua, estão sempre com muita pressa e parece que os 2 minutos do farol fechado para pedestres são uma ofensa. E aqui não é como nos Estados Unidos, que a pessoa bota um pé na rua e o carro para. Os motoristas não querem nem saber, continuam como se não tivesse um trouxa arriscando a vida passando na frente. Não tem um dia que eu não veja um doido passar raspando em frente um ônibus. MAS, vai chegar o dia que você vai fazer o mesmo. Atravessar como se fosse tirar o pai da forca: londrinos manjam muito.

5. Largar o jornal em qualquer canto
Adoro os jornais e revistas gratuitos distribuídos em Londres, mas detesto vê-los largados pelos cantos do metrô, trem, ônibus e estações. Por que ninguém leva o jornal para casa ou sei lá, joga no lixo depois? Apenas uma ideia. O problema é que é tradição 'reutilizar' o jornal deixado pelas pessoas por aí, e assim consecutivamente até o funcionário que faz a limpeza do metrô ter que catar tudo e jogar no lixo. Eu acho assim: pegou alguma coisa, precisa então ser responsável por jogar no lixo. Largar, simplesmente, não pode. Só que não posso atirar pedras porque né, quem nunca. Já fiz, pronto, falei. Esqueci o livro em casa, então peguei o jornal na entrada da estação e na hora que chegou a minha parada, deixei ele pra trás, no assento onde eu estava.


Exposição: Late Turner - Painting Set Free

Essa já é a terceira exposição do Turner nos meus quase 6 anos de Londres. E olha, com a quantidade de quadros que ele pintou, dá pra pra montar mais muitas e muitas exposições com temas diferentes. Da primeira vez, na National Gallery (quando vi o trabalho do Turner pela primeira vez) o tema era a o trabalho dele inspirado no Claude (Lorrain, não Monet). A segunda, que aconteceu faz pouco tempo no National Maritime Museu, era sobre o trabalho dele inspirado no mar.

Dessa vez, na Tate Britain (meu museu preferido em Londres), o foco é o trabalho do Turner a partir dos seus 60 anos até sua morte (1835-1851). O nome 'Painting Set Free' refere-se ao fato de ele então já ser um artista estabelecido e 'libertar-se' de convenções (se bem que ele nunca foi muito preso a tais convenções e desde o início da carreira 'chocou' os críticos e o público).

Uma das partes que mais gostei foi a seção dedicada as pinturas feitas em Veneza, além dos quadros em formato 'inovador' para a época (quadrados e octágonos, por exemplo).

Essa exposição fica em cartaz até 25 de janeiro, e a entrada custa £16.50 (lembrando que a entrada para ver o acervo do museu é gratuita). 

Vídeo: Pembrokeshire, País de Gales

Fizemos um vídeo da nossa mais recente viagem ao País de Gales (mais precisamente a região de Pembrokeshire), usando várias fotos e vídeos curtos feitos com o celular. Ficou bem bacaninha, e tem um pouco de cada lugar/cidade que visitamos.
 

(sei que pouca gente tem paciência pra ver vídeos, mas esse é curto, vê aí vai!)

5 nomes de estações em Londres que todo mundo fala errado quando chega

1. Leicester Square
Três letras da palavra Leicester simplesmente somem quando ela é pronunciada: o 'ice' é totalmente ignorado e você deve falar 'Léster'. A mesma coisa com Gloucester (estação Gloucester Road): vira Gloster. Acho um desperdício de letras, principalmente num mundo onde precisamos cortar cada vez mais caracteres (alô, Twitter!)

2. Tottenham Court Road
Acho que mesmo que eu more aqui pro resto da vida, jamais conseguirei pronunciar Tottenham do jeito certo. É até complicado explicar como se fala, porque não necessariamente algumas letras são cortadas, como em Leicester, mas a pronúncia é rápida e sutil. Por exemplo, olhando os dois Ts seguidos, dá vontade de falar TOTTEN com ênfase no TTE não? Pois é, não. E o h no 'ham' é praticamente mudo (malditos, conseguem esquecer do H nessa palavra mas não conseguem não pronunciar no meu nome). Então é mais ou menos assim: Tótenam. (o 'tenam' fala bem rápido e meio que fechando a boca).

3. Greenwich
Uma das minhas primeiras lições de inglês nos 2 mil anos que cursei Cultura Inglesa foi: toda vez que você vê dois Es seguidos (ee), a pronúncia vira i. Beleza, MAS NÃO. Greenwich não se fala Grinwich, se fala Grénich. Pois é, não apenas o ee vai por água abaixo mas também o w some. Tá tudo errado nesse mundo.

4. Southwark
Eu queria muito entender o porquê da palavra 'south' mudar completamente a pronúncia quando combinada com 'wark'. South é fácil, certo? Essa todo mundo sabe: sáuth. NÃO. Alguém achou que não seria OK falar Sáuthuórk e mandou avisar que, nesse caso, south se fala SÃD. Isso, SÃDwark. Pra que? Acho que é por isso que essa estação está sempre vazia e ninguém gosta dela.

5. Chiswick Park
Chiswick é uma daquelas palavras que a gente fica tentado em separar em duas para pronunciar: Chis/Wick. A primeira vista a gente sempre acaba falando assim: CHEESEWEEK. Mas aqui também tem letra ignorada, é preciso engolir o W e não esticar a letra I nas duas vezes. Fica mais ou menos assim: Tchísik.


Leia também:

Paris, só que quase

Estou em Paris (a trabalho) há dois dias e fico mais dois dias. Sempre que venho pra cá, seja a trabalho ou por puro lazer, a estadia é intensa. Sempre passa voando, seja andando pelos corredores da feira que venho cobrir ou sentada num café qualquer vendo o tempo passar.

Gosto demais daqui! Tenho grandes amigos na cidade e consigo andar nas ruas com uma boa noção de onde estou, sem depender tanto de mapas. Paris é tão legal que a gente fica adiando passeios clássicos nos arredores da cidade. Tem sempre um museu pra conhecer, ou mais um café au lait pra tomar. 

Acho que Paris sabia exatamente como eu estava me sentindo hoje (com saudades!), tinha até um recado em inglês no meio da rua, que implorava por uma foto mico:


5 perguntas que vão te fazer quando você mudar para Londres

1. Você vai ficar em Londres pra sempre? 
A pergunta que não quer calar. Não tem quem não pergunte isso - familiares, amigos e pessoas que você acabou de conhecer. E é engraçado, porque a maioria das pessoas nunca sabe responder. Pra sempre é muito tempo, né? Se eu não sei onde vou almoçar amanhã, como vou saber se vou ficar aqui pra sempre? Minha reposta geralmente é: vou ficando enquanto está bom, mudar de país (mesmo que seja pro meu país de origem) dá muito trabalho

2. O que vocês comem aí?
Acho que por causa dessa fama (pra lá de ultrapassada) que a cidade tem, de que a culinária daqui se resume a peixe e batata, o pessoal fica curioso pra saber da nossa alimentação. Para decepção geral de quem pensa que comemos mal nesse país, nossos hábitos alimentares melhoraram muito desde a mudança pra Londres (claro que também influencia o fato de estarmos mais velhos e mais cuidadosos com o que comemos). Isso porque as compras do supermercado saem mais baratas e aqui conheci pratos típicos de paises como Índia, Paquistão, Nepal e Tailândia (não estou falando que não existem restaurantes desses países no Brasil, apenas que aqui o acesso é mais fácil, mais barato, tem por todo canto).

3. Você tem amigos ingleses?
Essa pergunta geralmente precede outra: os ingleses são frios mesmo? É diferente de ter amigos brasileiros? Bom, a resposta aqui varia muuuuito de pessoa pra pessoa. Eu, por exemplo, não tenho amigos ingleses, mas tenho colegas muito queridas de trabalho. Nos damos super bem e já saímos juntas algumas vezes (até porque viajamos muito juntas), mas não diria que somos amigas. Não porque elas são frias (isso não é verdade) mas simplesmente porque a evolução de uma amizade com alguém que teve uma criação em uma cultura completamente diferente da sua é muito mais devagar.

4. Tá frio aí?
Verão não é uma estação exclusiva para o hemisfério sul. Aqui também faz calor! Mas, assim como pode fazer 30 graus no inverno brasileiro, pode fazer 15 graus no verão inglês. Como diz um amigo meu (sempre uso esse exemplo): antes de se mudar pra Inglaterra, olhe no mapa - estamos perto de um pais chamado ICELAND (Islândia, mas que na tradução literal seria 'Terra do Gelo'), então é claro que aqui no geral faz mais frio do que no Brasil. Não adianta reclamar! É assim. Temos muitos meses frios, mas temos também meses quentes, dias lindos, céu azul e sol brilhando.

5. Quando você vem pro Brasil?
Há uma cobrança constante dos amigos para que você vá para o Brasil o máximo de vezes possível. Eu costumo ir a cada 2 anos, mas a maioria dos meus amigos aqui vai uma ou até duas vezes por ano. Isso quer dizer que eu não sinto saudades? Claro que sinto! Mas ir para o Brasil envolve um planejamento/orçamento muito mais detalhado do que uma viagem para qualquer outro lugar. Isso porque você precisa organizar encontros, visitar familiares e ir nos lugare que gosta. Já aviso: nunca dá tempo de fazer a metade das coisas que você planeja. Você volta frustrado e ainda por cima toma bronca de um monte de gente que não conseguiu ver. Isso pode até me fazer parecer uma expatriada sem coração, mas não acho que preciso ir pro Brasil todo ano apenas porque sou de lá. Mas obviamente cada cabeça uma sentença.

Encontro em Londres

Por causa da minha participação no Aprendiz de Viajante, faço parte da RBBV (Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem), um grupo que reune centenas de blogueiros que dividem experiências, dicas, furadas e organizam vários eventos.

Bom, um desses próximos eventos será aqui em Londres: um encontro de blogueiros e leitores, que será dia 21 de setembro. O lugar escolhido é o bar do One Aldwych Hotel, a partir das 5 da tarde (o espaço está reservado para nós, mas cada um paga pelo seu consumo).

Então, se alguém estiver afim de bater um papo e tomar um gin&tonic apareça lá!

Endereço: 1 Aldwych, WC2B 4BZ

Wales love

Desde quarta feira estamos viajando pelo País de Gales, mais precisamente a região de Pembrokeshire, sudoeste do país. Na nossa primeira visita no ano passado 'pegamos amor' por esse pedaço da Grã Bretanha, que é tão menos famoso e popular entre os turistas em comparação com seus irmão Inglaterra e Escócia.

A diferença dessa viagem para as duas primeiras é que viemos de carro, o que provou ser muito melhor pra conhecer uns cantos que ficariam de fora do roteiro se dependessemos de trem ou ônibus.

Queremos voltar aqui sempre, pelo menos uma vez por ano. Meu objetivo é um dia completar todo o perímetro da costa galesa, o Wales Coastal Path.


10 anos. DEZ anos.

Parabéns pra esse blog, nessa data querida!

10 anos que ele existe - 2217 posts (incluindo esse), 6157 comentários, um monte de amigos, alguns poucos desafetos. Diversos momentos marcantes, como formaturas (incluindo a minha), casamentos (incluindo o meu), mudanças (de apartamento ou de país), viagens (que agora aparecem mais em outro blog). E muita conversa pra jogar fora, que, vamos combinar, é o mais divertido.

É tão estranho pensar que o Martin escrevia aqui, que uma menina que achou meu blog por acaso e me mandou email em 2009 pedindo dica de onde fazer balé em Londres é hoje uma das minhas melhores amigas, que outra menina que me parou na estação de Canary Wharf, também em 2009, também é hoje uma das minhas melhores amigas.

Adoro saber que outras melhores amigas (ainda bem, tenho várias!), que estão a um oceano de distância, vem aqui procurar notícias minhas. A gente tem whatsapp, tem skype, tem email, mas elas mesmo assim me visitam nessa casinha virtual.

Apesar do silêncio de ultimamente, esse blog continua firme e forte. Afinal, onde mais posso encontrar um registro tão autêntico do que tem acontecido comigo desde 2004? Muitas vezes, relendo posts antigos, me sobre uma vergonha imensa e fico perto de deletar alguns desses posts. Será que daqui a 10 anos eu sentirei a mesma coisa em relação ao que estou escrevendo hoje?

O blog dirá!

(e fica aqui a deixa pra quem lê esse blog - desde 2004 ou desde hoje - dar um oi nos comentários e contar como chegou até aqui. Golpe baixo pra ganhar comentários? Sim, diz a blogueira carente)

Exposição: Matisse Cut Outs na Tate Modern

Mais uma exposição brilhante na Tate Modern, mas que infelizmente já está acabando (vai até o dia 7 de setembro): as montagens com recortes de Matisse.

É incrível poder ver como o artista estudava suas composições utizando recortes de papel pintado (ele inclusive chegou a projetar o interior de uma capela dessa forma), e algumas das obras são tão grandes e detalhadas que parecem ter dado mais trabalho que as pinturas.

Eu fui com uma amiga do trabalho que adora estudar composições de cores (ela é daquelas pessoas que sabe dar nome para tonalidades das cores), e foi legal notar algumas nuances e sobreposições utilizadas nos obras.

Aconselho comprar seu ingresso pelo site com antecedência, pois a exposição está bastante popular e chegando nas últimas semanas (o que deve gerar filas na bilheteria). Eu aproveitei a oportunidade para usar meu 'membership' pela primeira vez! Sem filas!

5 coisas que você vai ter na sua casa quando se mudar para Londres

1. Varal portátil: como já falei em um post antigo, a maioria dos apartamentos e casas em Londres não tem área de serviço. Sua máquina de lavar roupa vai ficar ou no banheiro ou na cozinha, e talvez exista um armário em algum canto da casa pra guardar aquelas coisas que não ficam em nenhum outro lugar, como vassoura, balde e árvore de natal artificial.

Então sua primeira compra para casa em Londres certamente será um varal portátil, desses que a gente guarda embaixo da cama ou atrás da porta e 'desdobra' em qualquer canto da casa. No começo todo mundo tenta esconder o varal das visitas, mas passa um tempo e você ja nem liga muito. Apesar de portátil, o famigerado varal vira mobília fixa.

2. Produtos de limpeza pra tirar as 'manchas' de água do box: se você não tem ideia do que é 'água dura', pode ficar tranquilo que chegando aqui aprende rapidinho. Apesar da água da torneira/chuveiro ser totalmente saudável para consumo (todo mundo aqui bebe água da torneira, inclusive em restaurantes), ela tem alta concentração de minerais e portanto deixa marcas brancas - no vidro e nos metais é onde você vê com mais facilidade.

Essas marcas malditas parecem inofensivas, mas não há água sanitária e Mr Muscle no mundo que as remova com facilidade. É um inferno. Ou você desencana (não, o limpa vidros não tira essas marcas) e ao longo dos anos vê o box do seu banheiro passar de transparente para jateado, ou você esfrega as superfícies dia sim dia não (se você escolher a segunda opção a princípio, vai mudar para a primeira depois de um tempo, vai por mim. Então melhor desencanar já de cara).

3. Aspirador de pó potente: tente resistir aos aspiradores de pó baratex vendidos no Argos ou no Asda e invista logo em um caro, potente. Quase todos os apartamentos aqui tem carpete (se não for na casa toda, será nos quartos), e essa cidade tem muita, muita poeira!

Mesmo durante os meses frios, quando ninguém ousa abrir as janelas, a casa enche de poeira. Por isso um aspirador baratex não aguenta o tranco muito tempo. Raspa o cofrinho, pega todas as moedinhas da sua carteira, e compra logo um robozinho ou um Dyson (ou os dois, como fizemos aqui. A luta contra a poeira é diária, amigos!)

4. Sacola da Ikea: vamos já esclarecer. Você chega de mudança em Londres na segunda. Na terça você vai na Ikea 'comprar só um varal portátil'. E aí pela primeira vez você entenderá a importância da sacola azul da Ikea, pois é ela que vai permitir que você volte pra casa carregado de coisas que você não precisava (talvez você deixe o varal de lado pra poder carregar o resto) usando transporte público.

Mas não fique triste por causa das compras de impulso: a sacola faz esse lapso valer a pena. Ela serve pra guardar roupa de cama, ajudar o amigo na mudança, levar suas doações para a charity shop e, é claro, ir na Ikea novamente. Fica a dica para que você não cometa o erro amador deir na Ikea achando que não precisa levar a sacola, afinal 'só vou comprar uma almofada'. Você vai acabar com mais uma sacola.

5. Pote de moedas: antes de se mudar para Londres, faça um curso intensivo para entender as moedinhas. O tamanho delas não corresponde ao valor (a moeda de 2 centavos é maior que a de 5 centavos, por exemplo), e o valor não está visível de cara (precisa dar aquela investigada pra achar). Bom, fora isso não há carteira que aguente as moedinhas que vão acumulando, e certamente você vai achar um potinho ou pratinho pra ir colocando as moedas em casa.

Aí passam os anos, você olha o pote, acha que tem umas 50 libras lá dentro, coloca as moedas numa sacola, leva numa daquelas maquininhas que trocam moedas por notas e decobre que vocé acumulou....5 libras.

Minha dica: use suas moedinhas para comprar a Big Issue, que agora custa £2.50 : )