Começamos o ano bem, indo em uma exposição! Os museus aqui em Londres abrem normalmente dia 1 de janeiro, então aproveitamos para ver essa exposição no National Maritime Museum, que fica bem perto de casa.
Você provavelmente nunca ouviu falar da Emma Hamilton. Talvez, se você realmente gosta de história (principalmente sobre guerras e batalhas), tenha ouvido falar dela como a amante do Lord Nelson. Infelizmente, como aconteceu com tantas mulheres na história, todos os sucessos e realizações da Emma Hamilton acabaram esquecidos. Depois da morte de Nelson, ela foi desmoralizada e acabou morrendo 10 anos mais tarde, pobre e abandonada pelos amigos.
Mas muito antes do Lord Nelson entrar na vida de Emma, ela já havia construído seu legado. Nasceu muito pobre e foi para Londres com 12 anos para trabalhar como serviçal (DowntonAbbey feelings, pra quem assistiu). E, como acontecia com a maioria das meninas pobres e sozinhas nessa época, ela também foi prostituída. Por causa de sua beleza, acabou virando "protegida" de alguns aristocratas.
Um deles a mandou para Nápoles, para viver com o seu tio (ela achava que ele viria depois e eles ficariam juntos, mas foi enganada). Desiludida, ela viu na vida em Nápoles uma oportunidade para aprender e refazer sua vida. Ficou fluente em italiano e francês e aperfeiçoou seus talentos como atriz, passando a realizar apresentações e desenvolvendo seu próprio estilo de performance, chamado "Attitudes". Ficou conhecida em toda Europa, foi retratada por vários artistas, e acabou se casando com o homem que a protegeu em Nápoles.
Ficou amiga da família real da Sicília e intermediou negociações e planos para proteger a monarquia dos ataques de Napoleão. Foi nessa época que conheceu Nelson e os dois começaram uma relação.
Depois de 14 anos em Nápoles, voltou para Londres (junto com o marido e Nelson, imagina a situação os três viajando juntos). O marido dela morreu logo depois, e Nelson deixou a esposa para viver com Emma. Viviam bem, mas passavam muito tempo separados, já que ele estava no mar comandando batalhas. Como a relação deles não era oficial (mas era pública, não escondiam de ninguém), ela começou a perder influência e o status adquirido durante seus anos em Nápoles.
Nelson morreu na Batalha de Trafalgar e a partir daí a vida dela passa a ser um inferno. Tem problemas financeiros, e inclusive chega a ser presa. Todas as suas conquistas são "apagadas" da história, ela passa a ser conhecida nos livros como a amante de Nelson. Ainda mais por ele ter se tornado um mártir, ela não passa de uma sombra na vida dele.
É um fim triste para um mulher extraordinária. O que escrevi aqui é um resumo, a exposição é imensa e detalhada. Fica até abril, recomendo pra quem estiver Londres!
Se você vê minhas fotos no Instagram, acompanha meus devaneios no Snapchat ou lê os posts no Aprendiz de Viajante já deve estar de saco cheio desse assunto, então volte uma casa e aguarde o próximo post.
Semana passada Londres recebeu seu primeiro festival de luzes, o Lumiere London. Foram mais de 30 instalações espalhadas pelas regiões de Kings Cross, Mayfair, Piccadilly e Westminster. Como tudo que é novidade em Londres, foi um sucesso.
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Apesar da falta de divulgação e do fato que a programação completa foi pro ar em cima da hora, as redes sociais espalharam a novidade e o resultado foi um sucesso. Os londrinos vestiram seus casacos mais quentinhos e saíram a caça ao tesouro para ver de perto as obras.
O festival foi de quinta a domingo, e no sábado era tanta gente na rua que a polícia acabou solicitando que algumas instalações fossem desligadas mais cedo que o horário previamente divulgado (22:30). Apesar da multidão, não houve pânico e a atmosfera na rua era muito boa, as pessoas estavam encantadas e curtindo muito a chance de poder caminhar por ruas do centro, que estavam fechadas para a a circulação de carros.
Eu e o Martin fizemos a peregrinação das luzes no sábado, e valeu muito a pena. Espero que o Lumiere London passe a ser um evento anual, e atraia cada vez mais artistas e espectadores!
Imagina que daqui a 350 anos alguém 'encontra' esse querido bloguinho nas profudenzas da internet e chega a conclusão de que ele é importantíssimo pra história do país, pois sua autora (oi!!!) testemunhou alguns dos acontecimentos chave de sua geração.
Bom, isso não vai acontecer, e foi um paralelo tosquíssimo pra dar um apanhado geral da exposição que está em cartaz no National Maritime Museum aqui em Londres (que fica no meu bairro, Greenwich).
Samuel Pepys, um moço classe média do século 17, escreveu um diário entre 1660 e 1669. Sabe o que aconteceu nessa época em Londres? A epidemia de peste bubônica, o grande incêndio, casamentos e coroações na família real.
Isso sem contar a decapitação de um rei, também testemunhada por ele, mas antes de ele escrever o diário.
O diário de Samuel Pepys é a base para essa exposição incrível, que é uma verdadeira aula de história sobre Londres. Além de quadros, artefatos, vídeos e áudios que dão diversos detalhes sobre esses acontecimentos, aprendemos também sobre o próprio Samuel Pepys (o sobrenome pronuncia Pips). Entre outras coisas, ele foi um cara que gostava de ir ao teatro, que trabalhou na marinha (mas não como marinheiro, ele gerenciava em terra) e que encarou uma cirurgia para retirar uma pedra na bexiga - SEM ANESTESIA.
A exposição acontece até o dia 28 de março, e o ingresso custa £10.80 (o acervo do museu pode ser visitado gratuitamente).
Faz tempo que não escrevo aqui sobre as exposições que visito, mas hoje fomos ver a do Escher na Dulwich Picture Gallery e saí tão inspirada (eu sei que falar isso soa meio idiota, mas eu tenho muito dificuldade em encontrar inspiração, então pra mim é grande coisa!) que resolvi colocar logo 'no papel'.
Primeiro que a Dulwich Picture Gallery é linda, e fazia um tempão que eu não ia lá (a primeira vez há alguns anos foi para ver uma exposição do Warhol). É afastada do centro, tem um jardim lindo e um café bem fofinho. E claro, fica em Dulwich que também é uma região bem bacana, e nessa época do ano fica tudo sempre tão mais lindo por causa das cores do outono, que andar pelas ruas do bairro já vale a viagem por si só.
Mas de volta ao museu e a exposição. Fomos sem comprar ingresso antecipado e demos sorte: os ingressos esgotaram para o dia pouco tempo depois (chegamos lá as 14h, e tivemos que matar tempo até as 15h30, horário da nossa entrada). Para um museu geralmente vazio e não tão famoso, isso é grande coisa! O bom é que deu pra ver a coleção permanente com muita calma, e tem muita obra bacana lá (Rembrandt, Canaletto, Gainsborough... vale demais a pena).
A exposição está sensacional. Mesmo. Ver as gravuras do Escher de pertinho é ainda mais impressionante do que ver em um livro. Pra quem não é familiarizado com o trabalho dele, o Escher criava cenários 'absurdos', mesclando ilusão de ótica com surrealismo. Ele também criou estampas 'infinitas', encaixando formas orgânicas e geométricas que vão 'expandindo'. Difícil de explicar - em inglês isso é definido como 'tesselations', mas eu não sei a palavra equivalente para descrever esse método em português.
Acho que as obras mais conhecidas dele são as gravuras com as escadas que sobrem e descem em perspectivas diferentes. Não dá pra entender qual o ponto de vista correto. Esse vídeo acima é uma paródia, mas uma boa maneira de entender o trabalho dele em poucos segundos.
No fim da exposição eu estava com um pouco de dor de cabeça até, um pouco zonza com as perspectivas confusas e planos diferentes, e estampas que começam como losangos e terminam como pássaros. Com dor de cabeça, mas muito inspirada. E o melhor é que na saída eles colocaram uma esfera espelhada, para que os visitantes possam fazer uma foto inspirada em uma das obras mais conhecidas dele, 'Hand With Reflecting Sphere'.
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Essa exposição vai até 17 de janeiro, então se você estiver por essas bandas durante esse tempo, tente visitar! No site da Dulwich Picture Gallery tem todas as informações.
Todo mundo tem um sonho, desses assim bem impossíveis - o meu é um dia me deparar com uma obra de arte 'perdida' em uma loja de antiguidades (alô Junk Shop) ou um mercado de pulgas. Eu fico imaginando o momento em que vou bater os olhos em um quadro jogado num canto qualquer, meio quebrado, e que vou me interessar por ele e ele vau custar uma barganha e depois de um tempo vou descobrir que estou rica afinal esse era o quadro perdido do Picasso.
Aparentemente eu não tenho mais o que fazer do que criar essas fantasias...
Mas enfim, por isso que eu gosto do programa Fake or Fortune da BBC, que materializa esse meu sonho. Um trio de especialistas tenta provar a autenticidade de várias obras de arte (mas nem em todas as vezes tiveram sucesso), que por um motivo ou outro acabaram esquecidas dos catálogos oficiais ou não tinham a documentação essencial para confirmar a procedência.
Ontem assistimos um capítulo do Fake or Fortune sobre uma obra do Edouard Vuillard, um pintor Pós Impressionista. A pessoa comprou o quadro num leilão desses bem comuns aqui na Inglaterra, que vendem antiguidades e quinquilharias, por 11 mil libras. Ele sabia que havia problemas pra provar a procedência, mas tentou a sorte e mesmo assim arrematou. Long story short, os especialistas do programa conseguiram provar que o quadro foi realmente pintado por Vuillard e agora o dito cujo vale centenas de milhares de libras.
Mas o mais interessante é que o quadro foi pintado para fazer parte de uma composição, sendo que um deles é sabido onde está (nunca houve dúvidas sobre sua autenticidade, pertence a um colecionador privado) e o outro.... foi vendido no Ebay por 3 mil libras.
Pois é... ao provar a autenticidade do quadro que 'participou' do programa, eles meio que provaram a desse terceiro quadro também, pois eles estavam sempre juntos. E a última coisa que se sabe é que esse terceiro quadro foi vendido através do Ebay, ainda mais barato que o do leilão! Ninguém conseguiu descobrir pra quem foi vendido, então existe alguém por aí com mais dinheiro no bolso do que acha que tem.
Dá uma olhada na imagem abaixo: foi você que comprou essa belezura num dia que estava entediado olhando as ofertas do Ebay?
Eu sou bem preguiçosa para ver filmes, seja em casa ou no cinema. Eu sempre tenho uma lista imensa de filmes que gostaria de ver, mas vou adiando... acabo vendo alguns quando faço vôos longos, mas conto nos dedos as vezes que fui no cinema nos últimos anos, infelizmente.
Bom, toda essa introdução pra falar que recentemente eu fui no cinema (!!!) pra ver Mr Turner. Chegou esse filme no Brasil? É excelente. Trata-se dos últimos 25 anos de vida do pintor Turner (sobre o qual já falei várias vezes aqui no blog, pois volta e meia tem exposição dele em Londres), maravilhosamente interpretado por Timothy Spall.
Fiquei bem emocionada quando vi, pois muitos dos quadros que vi nessas exposições (e também na Tate Britain, que tem uma galeria especial dedicada a obra dele, uma coisa de louco) são pintados nesse período retratado no filme, assim como vários lugares de Londres (como a Royal Academy of Arts).
As 'fofocas' entre a turma das artes na época (como a rivalidade entre Turner e Constable e o casamento falho entre o historiador de arte John Ruskin e Effie Gray), que 'aprendi' em um curso que fiz ano passado também 'aparecem'.
Enfim, o filme é extraordinário mas não está concorrendo a nenhum dos grandes prêmios do Oscar. Por aqui foram publicadas várias matérias questionando a credibilidade dos concorrentes a melhor filme/diretor/ator, como acontece quase todo ano. Uma pena viu?
Se você curte esse tipo de filme, vá ver! Assim você conhece um pouco mais das excentricidades de Turner, assim como seu legado.
Eu sei muito pouco sobre a vida e obra dele (quando estive em Amsterdã acabei não indo na casa/museu dele), e fiquei impressionada quando li que ele perdeu a esposa e três filhos muitos anos antes de sua morte, e ainda assim produziu telas espetaculares.
Os autorretratos logo na primeira sala já valem a entrada! Além das pinturas (como a tela entitulada 'The Jewish Bride', uma das estrelas da mostra), você verá dezenas de gravuras e desenhos com nanquim, um mais impressionante e detalhado que o outro.
Recomendo comprar os ingressos com antecedência pelo site da National Gallery, já que a exposição está bem popular e as vezes não tem ingresso para o mesmo dia. Está em cartaz até o dia 18 de janeiro, o ingresso custa £18.
Não sei se foi coincidência, mas nessa temporada a Tate Britain e o Victoria & Albert montaram grandes exposições de artistas que foram concorrentes: Turner e Constable, respectivamente (já escrevi sobre a exposição do Turner aqui).
Os dois viveram na mesma época e os dois retratavam paisagens, mas tinham estilos completamente diferentes. Diz a lenda que não se suportavam, e por causa disso muitos críticos escreveram matérias comparando as duas exposições. Bom, não sou crítica, mas agora que estive nas duas posso tambem dar meu veredito: Turner ganha,
Mas, competição a parte, a exposição do Constable no V&A está sim bem bonita. Como diz o nome ('The Making of a Master') o foco é na formação de John Constable, como ele começou e aprimorou sua técnica.
Seu estilo era muitos mais tradicional e condizente com a época: paisagens bucólicas e interpretações mais realistas do que as pinturas de Turner, por exemplo (mas ainda assim ele recebia críticas de 'especialistas' que não gostavam do resultado, e achavam suas telas com cara de inacabadas).
O que mais me impressionou na exposição foi ver a quantidade de estudos que ele produzia antes de partir para a tela final. É muito bacana ver a evolução de um quadro e as mudanças feitas ao longo do desenvolvimento.
Para quem quer ver tanto essa exposição quanto a do Turner na Tate Britain, aconselho a ver essa primeiro e ir para o Turner depois.
Essa já é a terceira exposição do Turner nos meus quase 6 anos de Londres. E olha, com a quantidade de quadros que ele pintou, dá pra pra montar mais muitas e muitas exposições com temas diferentes. Da primeira vez, na National Gallery (quando vi o trabalho do Turner pela primeira vez) o tema era a o trabalho dele inspirado no Claude (Lorrain, não Monet). A segunda, que aconteceu faz pouco tempo no National Maritime Museu, era sobre o trabalho dele inspirado no mar.
Dessa vez, na Tate Britain (meu museu preferido em Londres), o foco é o trabalho do Turner a partir dos seus 60 anos até sua morte (1835-1851). O nome 'Painting Set Free' refere-se ao fato de ele então já ser um artista estabelecido e 'libertar-se' de convenções (se bem que ele nunca foi muito preso a tais convenções e desde o início da carreira 'chocou' os críticos e o público).
Uma das partes que mais gostei foi a seção dedicada as pinturas feitas em Veneza, além dos quadros em formato 'inovador' para a época (quadrados e octágonos, por exemplo).
Essa exposição fica em cartaz até 25 de janeiro, e a entrada custa £16.50 (lembrando que a entrada para ver o acervo do museu é gratuita).
Mais uma exposição brilhante na Tate Modern, mas que infelizmente já está acabando (vai até o dia 7 de setembro): as montagens com recortes de Matisse.
É incrível poder ver como o artista estudava suas composições utizando recortes de papel pintado (ele inclusive chegou a projetar o interior de uma capela dessa forma), e algumas das obras são tão grandes e detalhadas que parecem ter dado mais trabalho que as pinturas.
Eu fui com uma amiga do trabalho que adora estudar composições de cores (ela é daquelas pessoas que sabe dar nome para tonalidades das cores), e foi legal notar algumas nuances e sobreposições utilizadas nos obras.
Aconselho comprar seu ingresso pelo site com antecedência, pois a exposição está bastante popular e chegando nas últimas semanas (o que deve gerar filas na bilheteria). Eu aproveitei a oportunidade para usar meu 'membership' pela primeira vez! Sem filas!
Durante as nossas férias na Costa Amalfitana foi preciso muito auto controle pra não voltar com uma mala cheia de peças de cerâmica. Existem várias fábricas (grandes e pequenas) na região e consequentemente centenas de lojinhas por todos os cantos.
Mas, chegando em Sorrento, que foi nossa última parada antes de voltar para Londres, encontramos um outro tipo de artesanato local: marchetaria. Vimos muitos ateliês pelo centro antigo da cidade, todos vendendo peças maravilhosas, especialmente caixinhas e quadros. Entramos em um desses ateliês e de cara eu não consegui tirar os olhos de um quadro que reproduzia a paisagem de Positano (as casas incrustadas no penhasco com o mar a sua frente), onde havíamos estado nos dias anteriores.
O artesão, um senhor muito simpático chamado Michelli, estava por ali e nos mostrou um pouco do processo, que requer um nível de detalhe absurdo. O filho dele gerencia o ateliê e também faz as peças. É um negócio de família mesmo.
Como o Martin estava 'me devendo' um presente de aniversário, compramos o quadro de Positano. Mais um pedaço de parede coberto aqui em casa, com a vantagem de sempre nos lembrar de uma semana incrível nesse pedaço da Itália.
Dois dos sete quadros de girassóis pintados por Van Gogh estão expostos lado a lado na National Gallery aqui em Londres - um deles faz parte do acervo e o outro está emprestado pelo Museu Van Gogh de Amsterdã.
Como está todo mundo curioso para ver a dupla, a National Gallery organizou uma fila, garantido assim que não role aquele acotovelamento básico em frente as obras. A fila anda rápido - fomos hoje, em pleno domingo, e esperamos apenas 30 minutos.
Vale lembrar que para todo o restante do museu não tem fila nenhuma!
Os dois girassóis ficam juntos até 27 de abril, quando o 'primo' de Amsterdã volta para sua casa. Então corra!
Depois que o National Maritime Museum, museu que fica no Greenwich Park, bem perto da minha casa, ganhou uma ala nova, tem organizado exposições muito boas. A mais recente, que vai até abril de 2014 foca nas obras de Turner que tem o mar como pano de fundo.
Aqui, você ainda vê a mesma luz hipnotizante, mas o personagem principal é mesmo o mar: seja em cenas de batalhas, de uma paisagem calma ou então de pescadores indo trabalhar.
Além das obras do Turner estão expostos também quadros de outros artistas, que abordaram o mesmo tema - seja na mesma época ou então que serviram de inspiração ou foram inspirados por ele.
A exposição vai até o dia 21/04/2014, custa £10 para adultos e está mesmo sensacional.
Se você gosta muito de Turner, também não deixe de visitar a Tate Britain, que tem uma ala inteira dedicada a ele (veja o videozinho abaixo, que postei no Instagram há algumas semanas):
Na semana que passou vi duas exposições muito boas, uma na Royal Academy of Arts e outra na National Gallery.
A primeira, na Royal Academy, consegui visitar no meu horário de almoço, já que o museu fica muito perto do meu trabalho. Já tinha feito isso há uns meses quando fui ver a Summer Exhibition e vou tentar fazer mais vezes, faz uma super diferença na rotina do escritório. Bom, a exposição é sobre o trabalho do Honoré Daumier e se chama "Visions of Paris" - e, como o próprio nome diz, é focada nas obras que tem Paris como pano de fundo.
Gostei muito das litogravuras coloridas e dos desenhos com sátiras políticas que ele fez para jornais e revistas. A exposição vai até 26 de janeiro e o ingresso custa £11
E hoje fomos na National Gallery ver a tão esperada (por mim!) exposição sobre retratos em Viena englobando obras do fim do século 19 e início do 20: "Facing the Modern - The Portrait in Vienna 1900".
Eu tenho adoração por retratos e não poderia perder a oportunidade de ver obras de Klimt, Kokoshka e Schiele em uma só exposição. São vários estilos, vários temas e muitos outros pintores, vale demais a pena e vai até 12 de janeiro. Também custa £11.
Muitas outras exposições interessantes estão rolando, e o inverno é uma das melhores épocas para vê-las - já que está frio lá fora, bora ficar abrigado no quentinho do museu!
Visitei essa exposição já tem mais de um mês, e tinha esquecido completamente de escrever aqui... já nem me lembro com tantos detalhes, mas gosto de fazer o registro para consulta futura ; )
Apesar do nome, a exposição não foi exclusivamente de obras do Vermeer, e reuniu quadros de diversos artistas holandeses do século 17. O objetivo era mostrar como a música influenciou e fez parte da vida das sociedade naquela época e, consequentemente, virou tema constante na arte.
Uma das coisas mais legais dessa expo é que, além das obras, estavam expostos também alguns instrumentos musicais muito antigos (praticamente "extintos"), e muitas vezes retratados nos quadros que estavam lá.
Violão de 1641
The Guitar Player (1672), Vermeer
A estrela da mostra era a "The Guitar Player" (1672) do Vermeer, obviamente, que estava emprestada da Kenwood House. E 80% dos quadros eram do acervo da própria National Gallery, ou seja, mesmo que a exposição já tenha acabado, dá pra ver tudo (de graça) por lá mesmo, basta procurar!
A exposição de verão da Royal Academy of Arts acontece todo ano (está na edição de número 245) e é um dos eventos mais legais e esperados do calendário de artes em Londres. Todo ano eu piso na bola e quando me dou conta já acabou, mas aproveitei que agora meu escritório é a duas quadras do museu e fui lá ver no horário do almoço. Bom né?
Bom, o que essa exposição tem de diferente é o fato de que qualquer pessoa pode ter seu trabalho (ou trabalhos) selecionado para ser exposto lá. Pois é! Todo ano é possível inscrever suas obras, e uma comissão especializada seleciona os melhores, cerca de mil obras entre mais de dez mil enviadas. Imagina que legal para um artista iniciante ou que tem dificuldade de colocar suas peças no mercado, ter uma obra selecionada para ser exposta na Royal Academy?
O resultado é um mix de estilos e mídias, tem desde pinturas e esculturas a desenhos e fotografias. As parades de várias salas da Royal Academy ficam cobertas de obras, bem diferente de uma exposição formal. É muita coisa pra ver!
Outra diferença é o fato de que 90% do que está exposto está a venda. Sim, você pode ir lá e comprar uma das obras. Logo na entrada, ao comprar o ingresso, você recebe o catálogo com os preços de cada uma delas. E sim, algumas são acessíveis, vi obras de £100, £150 e até de £65. E claro, tem os carésimos, de mais de 10 mil libras.
Quem quer ir pra comprar não pode deixar pra visitar a exposição em seus últimos dias. Fui no início de agosto (termina depois de amanhã, dia 18) e tinham poucas ainda disponíveis (as que estão vendidas tem aquele famoso adesivo vermelho perto do nome).
Enfim, a dica veio tarde esse ano, mas fique de olho ano que vem, é uma exposição bem diferente do que estamos acostumados, com nomes desconhecidos e muita coisa linda pra ver!
A partir de hoje até o dia 25 de agosto cerca de 22 mil cartazes de 57 obras de arte feitas por artistas britanicos como Turner, Bacon e Freud estarao espalhados pela Gra Bretanha - voce poderá ve-los em pontos de onibus, outdoors, estacoes de trem e metro, supermercados e até mesmo em bares e academias, transformando as cidades britanicas em uma gigantesca galeria de arte. Legal né?
Fiquei sabendo desse projeto, que se chama Art Everywhere, hoje de manha assistindo o BBC Breakfast, que faz parte da minha rotina matinal. Cheguei no trabalho e fui direto procurar mais informacoes, e entao encontrei o site que explica tudinho.
O mais bacana é que o Art Everywhere envolveu o público, que foi convocado a votar nas suas obras favoritas (o top 10, que é sensacional, pode ser visto aqui) e também participou com doacoes para viabilizar o projeto. Ainda é possível contribuir, comprando alguns produtos nalojinha virtualdeles, sao bem bacanas, voce pode dar uma olhada aqui.
Agora estou ansiosa pra ver algum cartaz no meu caminho de casa, vou ficar de olho!
Tem uma exposição ótima rolando na Somerset House até setembro, sobre o restaurante elBulli e Ferran Adriá, um dos chefs de cozinha contemporânea mais importantes (da década? do século?) da atualidade, que ganhou fama graças a sua abordagem criativa e inovadora que transformou refeições em verdadeiras experiências no (agora fechado) restaurante elBulli.
A exposição é ótima, e conta toda a história do elBulli e de como Ferran Adriá chegou lá e passou de cozinheiro a chef, de chef a proprietário. Logo na entrada o foco é no fechamento do restaurante, e aí você começa a se perguntar "por que o cara fechou um restaurante tão bem sucedido?". Essa dúvida é respondida ao longo da exposição, que mostra os novos caminhos que o elBulli está seguindo - e aí dá até uma certa ansiedade pra ver o resultado dessa transformação. O elBulli basicamente será um caldeirão de idéias - como dizem por aí, um think tank - para os amantes de gastronomia, um centro de estudos e desenvolvimento pioneiro, que com certeza vai inspirar muita gente e transformar a maneira como interagimos com os alimentos. É sensacional.
A parte que eu mais gostei da exposição é um setor multimídia que mostra o conceito e a preparação de vários pratos que eram servidos no elBulli. É realmente uma coisa de outro mundo, fiquei boquiaberta em ver como tem gente tão avançada, que vê além do habitual. Ainda bem! Também adorei saber que Ferran Adriá fez várias colaborações com designers, desenvolvendo peças especiais para servir seus pratos.
Vale demais a pena, e não precisa ser "foodie" pra gostar da exposição - mas tenho certeza de que qualquer pessoa sai de lá inspirada e com vontade de fazer umas invenções na própria cozinha!
O ingresso custa £10, vai até dia 29 de setembro (aberto todos os dias das 10 às 18h). Mais informações no site da Somerset House.
O que é: xícara e pires de porcelana pintados a mão com uma reprodução de uma obra de Mucha
Onde fica: em uma estante da sala
Por que foi escolhido: meus pais me deram de presente durante nossa viagem a Praga em novembro do ano passado. Eu adoro Alfons Mucha desde a primeira vez que ouvi falar dele, em uma aula de história da arte em 1998. Quando passamos por essa loja que tinha várias coisas para casa com desenhos do Mucha, eu quase pirei!
E o que mais: além dessa xícara, também comprei um poster e alguns cartões postais com reproduções de obras do Mucha, sou mesmo muito fã trabalho dele. Em Praga é praticamente impossível não se deparar com referências ao Mucha, e inclusive existe um museu dedicado a ele.
Estava de folga no dia do meu aniversário e resolvi ir a Tate Britain ver a exposição do L.S. Lowry, um artista que eu nunca tinha ouvido falar mas que é bem popular por aqui, já que durante sua vida produziu centenas de telas e desenhos retratando uma Inglaterra que quase não existe mais hoje: de paisagens tomadas por fábricas e chaminés.
Mas pra mim o mais tocante das telas do Lowry foi ver como ele retratava as pessoas: imersas no vai e vem do trabalho, uma multidão anônima de feições tristes e as vezes traços distorcidos. As cores também são usadas nesse sentido, é tudo meio acinzentado, parace que a fumaça das chaminés tirou o brilho das cores.
A Football Match (1949)
A vida dessas pessoas - trabalhadores e suas famílias - também é retratada fora do trabalho, como na partida de futebol ou em alguma festa na cidade. Mas ainda assim a atmosfera não é feliz, ou pelo menos foi isso que senti ao ver a exposição. Há telas ainda mais "pesadas", como a sala de espera no hospital ou da ambulância que vai buscar uma criança doente.
Ancoats Hospital Oupatients' Hall (1952)
Mas minha preferida é essa aqui, retratando a Piccadilly Circus em Londres:
Piccadilly Circus, London (1960)
A exposição é imensa e super informativa, vale muito a pena pra quem curte história e tem curiosidade pra saber mais sobre a vida na Inglaterra no século 20. Gostei bastante de me familiarizar com a obra do Lowry, que segundo andei lendo por aí, sofre um certo preconceito no sofisticado mundo das artes justamente por abordar um assunto que não e glamuroso. Vai entender...
O ingresso custa £15,00 e a exposição vai até dia 20 de outubro na Tate Britain.
Heloisa Righetto, 39 anos, sou paulistana com raízes catarinenses, moro em Londres desde dezembro de 2008 (mas o blog existe desde 2004). Sou designer por formação e trabalho com comunicação. Em agosto de 2018 terminei um mestrado em gênero, mídia e cultura.