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Como eu queria escrever lindamente


No último ano adicionei a minha lista de livros alguns do estilo 'nature writing'. O primeiro foi 'The Outrun', o segundo 'Swimming With Seals', e tenho mais uns dois ou três nesse estilo me esperando na estante. Passei a me interessar por esse tipo de narrativa por causa da minha crescente vontade de estar em meio a natureza, da necessidade de as vezes me desligar completamente da cidade.

São narrativas que tem um pouco de biografia/memórias, história, e informação científica. Em The Outrun, por exemplo, a autora conta como foi seu retorno para Orkney (conjunto de ilhas no norte da Escócia) como parte da sua reabilitação para se livrar do alcoolismo. Já em Swimming With Seals, a autora compartilha seu hábito de nadar no mar gelado todo dia (também em Orkney, coincidentemente), ao mesmo tempo que vive o luto da morte de sua mãe e tenta se adaptar a mudanças pessoais e profissionais.

O que mais me impressionou em ambos, além de elas conseguirem magnificamente intercalar suas dores com informações sobre o lugar em que estão, é a maneira que elas descrevem a natureza e seus movimentos. Eu tenho inveja, inveja mesmo, da capacidade que essas pessoas tem de usarem o vocabulário, de criarem metáforas e conseguirem te fazer querer nadar no mar do norte em um dia gelado e nublado, mesmo você sabendo que será algo dolorido e que há outras tantas coisas melhores pra se fazer na vida.

Escrever lindamente é uma coisa que eu queria muito saber fazer.

Andar, escrever


Estou lendo um livro chamado 'Swimming with Seals' (nadando com focas), no qual a autora, Victoria Whitworth, relata sua experiência de nadar, todos os dias, no mar gelado em uma praia em Orkney (arquipélado no norte da Escócia, onde ela mora). O livro vai além disso, é uma reflexão sobre a vida dela (não é uma biografia) e sobre a vida e história de Orkney também. Mas a parte de nadar é a minha parte preferida.

O jeito que ela descreve esse exercício (por falta de uma palavra melhor, porque há lazer e relaxamento envolvidos também) me afetou de uma maneira bem interessante. Me deu uma vontade louca de escrever sobre essa minha atitude latente - e recente - de querer estar fora da cidade. Sem ser 'dando dica', sem ser obrigação (saco cheio de SEO), mas apenas a minha sensação enquando caminho no mio do mato, a descrição dos lugares por onde passo e o que me leva a querer fazer isso mais e mais. A verdade é que eu não sei porque quero fazer isso mais e mais, mas quem sabe, escrevendo, eu descubro.

Leitura: Rescue, David Miliband


Pra quem não sabe, o David Miliband era um membro senior do partido Labour aqui do Reino Unido, e chegou a concorrer para ser líder do partido (mas teve o tapete puxado pelo irmão - sim, irmão! - Ed Miliband, que ganhou a votação mas não chegou a ganhar eleição e já não é mais o líder do partido). Hoje em dia ele é CEO da IRC - International Rescue Comittee, uma ONG de ajuda humanitária. Em 2017 ele fez uma TED Talk sobre a crise dos refugiados, que acabou dando origem a esse livro.

É um livro excelente, que dá pra terminar em um ou dois dias, que esclarece toda e qualquer dúvida que alguém possa ter sobre os refugiados. Ele questiona não apenas a participação do governo - nos conflitos que geraram a crise e na solução/administração da crise - mas a nossa (eu e você) missão. O nosso papel nessa história toda.

Já faz alguma semanas que terminei o livro, e lembro que ele tem diversas passagens marcantes, aquele tipo de frase que bota o dedo na ferida. Acho que é uma leitura imprescindível pra quem regularmente se encontra em situações onde precisamos explicar o que nos parece óbvio.

Leitura: What Happened, Hillary Rodham Clinton


Há muito tempo eu comprei um livro da Hillary Clinton, chamado Hard Choices, mas ele vai precisar esperar mais um pouco, já que o What Happened (O que aconteceu) me atiçou a curiosidade e passou na frente. Eu não queria esperar até sabe lá quando pra ler sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos de 2016. Já que todo o 'evento' está fresquinho na memória, achei que fazia mais sentido ler agora.

Eu estava muito curiosa pra ler sobre como foi ser uma mulher candidata, e como ela lidou com a derrota. Ela escreve sobre tudo isso e muito mais. Por exemplo, não esperava que teria um capítulo todinho dedicado a dissecar a questão do envolvimento da Rússia na campanha.

Achei o livro ótimo, muito bem escrito, e que dá nome aos bois. Ela não poupa ninguém e ao mesmo tempo assume toda a 'culpa' por não ter sido eleita. Claro que é a versão dela e a gente tem que levar isso em consideração (afinal, criar propostas é uma coisa, colocá-las em prática é outra), mas sei lá - me pareceu muito honesto. A verdade é que gostei do livro muito mais do que esperava (e não pude deixar de pensar - várias vezes - como teria sido um encontro entre a Hillary e a Dilma. Também pensei o quanto seria maravilhoso ler um livro desse estilo escrito pela Dilma, contando sobre o golpe na versão dela).

Ah, uma coisa que eu adorei foi quando ela menciona uma participação que ela fez no Saturday Night Live. Ela contracena com a atriz que interpreta ela, enquanto ela faz o papel de atendente de bar.

Leitura: Women & Power, Mary Beard


Um livro que dá pra terminar em um dia (mas eu levei pouco mais de uma semana, ficou passeando na minha bolsa), escrito por uma historiadora bastante famosa daqui da Inglaterra, a Mary Beard. Ela mostra como as mulheres de países ocidentais são sistematicamente caladas desde a época das civilizações grega e romana, derrubando o argumento daqueles que adoram falar que opressão de mulheres só existe em países e culturas distantes das nossas.

Ela questiona também o próprio conceito de poder, que é algo que (modéstia a parte) eu e a Renata falamos sempre na Conexão Feminista.

Enfim, um ótimo livro feminista pra dar aquela acordada no começo do ano. E ah, essa minha cópia é autografada! : )

Leitura: Lincoln in the Bardo, George Saunders


Esse livro ganhou o Man Booker Prize de 2017. Ainda nem li o ganhador de 2016 (tá pegando poeira aqui na minha estante), mas tinha lido tanta coisa boa a respeito desse que resolvi passar na frente (não que eu tenha uma lista dos livros na ordem que quero ler).

É um livro estranho. A maneira como ele está escrito lembra um pouco uma peça de teatro. Então demora pra gente pegar no tranco e entender o que está acontecendo. Quem são essas pessoas? Onde elas estão? O que dá mais contexto pro negócio são os capítulos que possuem citações retiradas de outros livros e jornais da época que a história se passa.

O que a gente sabe: o filho do presidente Abraham Lincoln está doente, durante a Guerra Civil americana. O menino acaba morrendo, e Lincoln, desesperado, passa uma noite no cemitério onde ele foi enterrado.

Acho que se eu contar qualquer outra coisa vou estragar a história pra quem quiser ler. Gostei bastante, apesar de ter demorado pra me adaptar com essa maneira como o livro foi escrito. Então, não desanime nas primeiras páginas: insista que esse vale a pena!




Leitura: Flâneuse, Lauren Elkin


Esse livro estava na lista de leituras complementares de uma das minhas aulas do mestrado. Como era um tema muito bacana e uma amiga também tinha começado a ler e estava gostando, resolvi unir o útil ao agradável.

A ideia de 'flanar' - ou seja, caminhar por um centro urbano sem objetivo, apenas observando o movimento da cidade sem ter exatamente um lugar pra chegar - nasceu em Paris no século 19. O flanador - em francês, flâneur - era o homem burguês, que tinha o privilégio de caminhar sem ser incomodado. E a flanadora, a flâneuse, existia?

Bom, existem várias opiniões a respeito. Há pesquisadores que dizem que sim: que a mulher ocupava as ruas dos centros urbanos também, ainda que sob outra perspectiva. Eu não concordo. Eu não acho que mulheres que estavam na rua pra trabalhar - seja como vendedoras ou como prostitutas ou até mesmo as mulheres ricas que podiam sair, mas tinham que levar acompanhantes (sem falar da roupa desconfortável) - aproveitavam a cidade da mesma maneira do flâneur.

Mas discussões acadêmicas a parte, a ideia do livro da Lauren Elkin é mostrar a experiência de mulheres - de diversas épocas - que tiveram oportunidade de ter essa experiência. Desde a escritora George Sand, que se vestia de homem para poder flanar em Paris sem ninguém encher seu saco, até Virginia Woolf em Londres e a própria autora em Tóquio, ela explora essas histórias e mostra que as mulheres também ocupam espaço na cidade.

A introdução do livro é sensacional. É praticamente a aula que eu tive sobre isso em algumas páginas. Mas os capítulos - cada capítulo dedicado a uma cidade em conjunto com uma protagonista da qual ela 'segue' os passos - vão ficando repetitivos. Ela mistura muito suas experiências pessoais ao longo da narrativa e eu achei que isso não ficou muito bem encaixado. Fora que em alguns capítulos fica monótono mesmo, como em um que ela descreve um filme, cena a cena. Em algumas partes eu achei que ela perdeu o fio da meada completamente: parecia que não estava mais descrevendo a relação daquela mulher com aquela cidade, mas apenas mostrando o seu conhecimento intelectual sobre o trabalho produzido por aquela mulher.

Acabei levando muito mais tempo do que achava que ia levar pra terminar esse livro. Claro, tem o mestrado na parada e o desgaste mental - as vezes não tenho vontade de ler nada e só quero ficar vendo porcaria na televisão e na internet - mas me conheço e sei que se eu tivesse me interessado mais teria terminado antes.




Leitura: Girl Up, Laura Bates


Se você lê esse blog faz tempo, talvez tenha reconhecido o nome da autora, Laura Bates. Eu já falei dela aqui várias vezes. Foi a Laura Bates que criou o projeto Everyday Sexism e depois escreveu um livro sobre o assunto (que pra mim é um oráculo feminista). Sou muito fã dela e corro atrás de tudo que ela escreve (ela frequentemente publica no Guardian e também no The Pool - onde eu também já publiquei, o que me deixa sim muito orgulhosa!). Então, quando ela lançou esse segundo livro, Girl Up, eu comprei mesmo sabendo que era direcionado para adolescentes.

O livro acho que ficou mais de um ano esperando na minha estante, e achei que agora era uma bora hora, já que tenho tentado escolher livros que me tragam muito mais prazer do que os textos acadêmicos do mestrado.

Bom, como eu disse, Girl Up (aliás, esse título é ótimo, é uma alternativa ao termo "Man Up"ou, em bom português, "seja homem") foi escrito para adolescentes. Fala sobre como a mídia contribui para que as mulheres sejam objetificadas, fala sobre pornografia, fala sobre body shaming, fala sobre cyber bullying, fala sobre feminismo. Ou seja, é basicamente um guia para adolescentes compreenderem o mundo machista que vivem.

Eu praticamente não tenho contato com adolescentes, mas acho que é muito necessário saber como lidar com as mulheres nessa faixa etária e saber o que está acontecendo. Afinal, "na minha época" felizmente não existia internet. Quer dizer, existia, mas não era parte da minha realidade. Nada de redes sociais, nada de emails, muito menos haters. Não consigo imaginar como deve ser ruim ser adolescente E ter que lidar com isso.

Enfim, fica essa dica preciosa para quem convive com meninas e adolescentes. Seja filha, prima, filha da amiga, sobrinha.... vale a pena dar uma lida e tentar abrir um canal de comunicação.

Leitura: Woman at Point Zero, Nawal El Saadawi


Antes de falar do livro preciso dizer que estou orgulhosa de conseguir um tempinho pra continuar lendo coisas fora dos textos obrigatórios para as aulas do mestrado. Mas também estou escolhendo livros mais curtinhos, que sei que não ficarão meses indo pra lá e pra cá comigo dentro da bolsa.

Comprei esse recentemente, apesar de ter uma pilha imensa na minha estante, tem livro eserando a vez a vez há mais de um ano. Mas parecia interessante e facinho de ler, então passou na frente. A história parecia promissora: uma mulher presa no Egito, poucas horas antes de sua pena de morte ser executada, conta sua história para a psicanalista que visita a prisão. Uma história sofrida, com abusos sofridos desde a infância, prostituição e muita violência.

Mas, infelizmente, achei que a autora (ou talvez a tradução) não conseguiu colocar emoção. Uma história tão sofrida, mas que deixa demais a desejar. Não senti conexão alguma com a personagem, e achei todo o enredo meio confuso. Também achei que faltaram mais detalhes, mais descrições. Faltou vida, por mais abstrato que isso soe.

Uma pena...




Leitura: Mulheres, Raça e Classe, Angela Davis


Um dos mais emblemáticos livros sobre feminismo do século 20, Mulheres, Raça e Classe só ganhou tradução em português ano passo, depois de 35 anos de sua publicação. Ganhei um exemplar da minha irmã de ativismo quando nos encontramos em São Paulo em setembro.

Angela Davis dispensa apresentações, e o que me fez mais feliz ao ler esse clássico é que a leitura é compreensível. Desde que comecei as aulas do mestrado tenho admirado ainda mais as escritoras e escritores que conseguem colocar no papel história junto com estatísticas sem tornar o resultado algo que dá pra entender apenas se vc tem um doutorado.

Mulheres, Raça e Classe é focado no movimento feminista negro dos Estados Unidos, mostrando o quanto machismo e racismo estão entrelaçados. Há pouco tempo eu li um livro contemporâneo também sobre esse assunto, o Why I'm no Longer Talking to White People About Race, que é focado na Grã Bretanha. Em ambos dá pra fazer diversos paralelos com a realidade do Brasil, e concluir que não dá pra gente lutar por igualdade de gênero como algo único. Opressões estão conectadas, e esses livros focam na intersecção de gênero e raça.

Pra minha sorte, o Mulheres, Raça e Classe é também uma das leituras recomendadas do meu mestrado. Não está sendo fácil continuar a ler os livros que escolho, pois o material obrigatório para ler antes das aulas acaba ocupando todo meu tempo fora da universidade.

Estou tentando manter minha regra de ler o que eu quiser toda vez que estiver usando transporte público. Mas as vezes a cabeça já está em curto circuito o e o tempo no ônibus ou metrô acaba sendo utilizado pra não pensar em absolutamente nada.

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Leitura: Cinco Esquinas, Mario Vargas Llosa


Esse foi um dos livros que trouxe do Brasil (acho que metade do peso da minha mala na volta foi de livros), e como é relativamente curto resolvi ler dois dias antes de começar as aulas do mestrado (me bateu um desespero quando me dei conta de que não vou ler algo por escolha própria táo cedo). Eu peguei esse livro sem nem mesmo dar uma folheada, vi que era meio novo, do Mario Vargas Llosa, e comprei.

Ah, que decepção. Achei uma porcaria. O resumo da contra capa é péssimo e a tradução faz a história ficar ainda pior. Fraquíssimo. Não parei nas primeiras páginas justamente porque é Vargas Llosa, e como grande admiradora, achei que ficaria bom. Ainda bem que é curto e não tomou muito tempo.

Enfim, todo gênio tem seu dia de ordinário, não é mesmo?

O pior Vargas Llosa que já li #heloreads #cincoesquinas #mariovargasllosa

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Leitura: 4 3 2 1, Paul Auster


Está bem óbvio que eu ando dando preferência para livros escritos por mulheres. Mas no começo desse ano o meu querido Paul Auster publicou uma nova obra depois de 7 anos de "sumiço", e eu comprei na hora, quando vi na livraria. Um livro imenso, de quase 900 páginas, que ficou me esperando alguns meses na estante.

Mas com a aproximação do início das aulas do mestrado e a viagem ao Brasil (ou seja, vôos longos), eu resolvi encarar o 4 3 2 1. Além disso, ele foi selecionado para o Booker Prize, e eu sempre gosto de ler um ou outro dos indicados.

Pra quem é das antigas aqui no blog, deve lembrar que eu já escrevi sobre alguns dos livros dele. Gostei de todos que li, e com esse não foi diferente. Não sei se era porque não lia nada do Paul Auster há tantos anos e estava com saudades do estilo dele, mas achei espetacular.

O livro tem esse nome porque são 4 histórias - ou melhor, 4 caminhos - sobre o mesmo personagem principal. Nós acompanhamos o nascimento, infância, adolescência e o começo da vida adulta de Archie Ferguson em quatro versões, com diferenças - as vezes sutis, as vezes brutais - em cada um dos quatro rumos diferentes.

Junto com as possibilidades de vida dele, acompanhamos também diversos acontecimentos da história dos Estados Unidos, e do seu envolvimento - ou não, depende de qual Archie - com tais acontecimentos.

Pra quem gosta de Paul Auster e já leu outros livros dele, leia esse o quanto antes. Mas pra quem não conhece o estilo do autor, recomendo começar por algum outro, um pouco mais curto, pra ver se você curte o estilo do autor. Frases longas, parágrafos imensos, descrição de coisas do dia a dia. Ah, como eu gosto do dia a dia transformado em história extraordinária!

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Leitura: Why I'm No Longer Talking to White People About Race, Reni Eddo-Lodge


Esse livro é tão bom, mas tão bom, que me sinto idiota escrevendo sobre ele. E o título não é um "click bait", é simplesmente um desabafo. É um chamado. É um tapa na testa, um soco no estômago, é uma convocação. Muito didático, muito bem escrito. Tem fatos, tem estatísticas, tem relatos pessoais.

O livro basicamente mostra como o racismo é enraizado na sociedade britânica. Como esse país está muito longe de ser um país tolerante. Explica exatamente o que é privilégio branco, o que é interseccionalidade, o que é racismo estrutural, e por que ela está de saco cheio de educar e argumentar com brancos.

Espero que ele seja traduzido para todos os idiomas existentes (por mais que seja focado na sociedade britânica, pode ser facilmente adaptado para tantos outros países), mas se você lê em inglês, comece a ler esse livro já.



Leitura: Purple Hibiscus, Chimamanda Ngozi Adichie


Esse é o quarto livro que leio dessa autora, e vou fazer aqui uma comparação meio esquisita: eu acho ela meio  a Jane Austen do nosso tempo. Tão brilhante quanto. E as duas usam suas histórias como pano de fundo para críticas sociais: Jane Austen de forma um pouco mais "escondida" (até mesmo como forma de auto proteção), coisa que a Chimamanda já deixa bem claro logo nas primeiras páginas.

Eu achei esse livro maravilhoso, ainda melhor que o Americanah, que foi o primeiro dela de ficção que li (já li também os dois que ela lançou sobre feminismo). A história de passa na Nigéria, e a personagem principal é uma adolescente, Kambili. O pai é um homem rico, poderoso e extremamente religioso. E violento.

Eu tenho uma penca de livros na minha estante aguardando sua vez, mas acho que vou comprar os outros dois de ficção dela que ainda não li pra furar a fila!



Leitura: A Room of One's Own, Virginia Woolf


Esse era um dos livros que eu, como feminista ativista, achava que tinha obrigação de ler. Mas estava adiando pelo simples fato de que já havia tentado ler outro livro da Virginia Woolf e falhado miseravelmente. Do tipo, ler uma página, reler e continuar sem entender absolutamente nada. Super difícil. Mas como duas amigas me falaram que esse não era assim tão complicado, decidi encarar antes de começar o mestrado (já estou me achando atrasada antes mesmo de começar as aulas, vejam bem).

Olha, realmente é um livro incrível e agora tenho certeza de que é imprescendível (principalmente para mulheres criadoras de conteúdo). Mas é sim difícil e prolixo, talvez não tanto como os de ficção que ela escreveu, mas é. A boa notícia é que não é preciso decifrar todas as sentenças e parágrafos, porque dá pra compreender o contexto: o fato de que as mulheres estão em desvantagem no mundo literário (e como eu mencionei, acho que dá pra aplicar pra qualquer tipo de conteúdo, escrito ou gráfico).

Talvez esse tenha sido meu primeiro e único livro da Virginia Woolf, mas talvez o que ela achasse mais apropriado pra mim : )

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Leitura: Why I Am Not A Feminist (A Feminist Manifesto), Jessa Crispin


Apesar do título apelativo, não se engane: esse é um livro sobre feminismo. Mas é bem diferente de todos os outros que já li, pois tem uma abordagem bem mais agressiva ("pé na porta", como a gente gosta de falar no Conexão Feminista). É um livro que critica o feminismo individualista, ou melhor, o feminismo que convém a população privilegiada.

Para a autora, o movimento feminista de hoje (pelo menos o predominante, liderado por mulheres brancas de classe média) é conveniente para poucas privilegiadas. Ela acredita que o feminismo não deve se adaptar a cultura, e sim transformá-la. Por exemplo, ela diz que exigir que empresas tenham o mesmo número de mulheres em homens em cargos de liderança não vai trazer resultado nenhum, pois as mulheres que são beneficiadas acabam tornando-se coniventes com o sistema opressor.

Eu fiquei bem mexida com a leitura e comecei a repensar meu próprio ativismo. Também gostei da maneira dela de escrever, sem fazer rodeios, sem ser gentil. Tem um ou outro argumento que não me convencem, mas só o fato de ela fazer eu mesma me questionar, já é um ótimo resultado.

Leitura: Anything is Possible, Elizabeth Strout


Eu li um livro dessa mesma autora (My Name is Lucy Barton) ano passado, e adorei. Acho que já comentei anteriormente o quanto gosto de histórias desse tipo, de vidas "ordinárias". Tipo o Stoner, que também é sensacional. Admiro demais escritores que conseguem transformar "vidas simples" (Eu coloco entre aspas porque não sou tão boa escritora e não consigo achar uma expressão melhor que essa. Vida simples nesse caso não quer dizer desinteressante, apenas o tipo de coisa que geralmente não encontramos na ficção) em histórias bonitas, gostosas de ler.

Então, quando vi esse livro, comprei sem nem ler a contra capa. E pra minha surpresa, ele tem uma ligação com o My Name is Lucy Barton. Não que você tenha que ter lido um para entender o outro, mas eles tem uma conexão. São várias pequenas histórias de pessoas que estão conectadas de alguma maneira. Por exemplo, o irmão da Lucy Barton. Aí no próximo capítulo é a história do vizinho desse irmão. E assim por diante. O personagem é figurante em um capítulo e principal no próximo. Achei muito bom mesmo e li em menos de uma semana (tudo bem que ter feito uma viagem de trem ajudou né, usei as 2 horas da ida e as 2 horas da volta pra adiantar bem a leitura!).




Leitura: Les Parisiennes, Anne Sebba


Vai parecer contraditório, mas esse livro é cansativo e muito bom. Demorei muito pra terminar (curiosidade: ele foi pro Kilimanjaro comigo, achei que teria tempo de sobra pra ler quando estivéssemos nos campings, mas não peguei ele um dia sequer durante e expedição. Estava tão absorvida na aventura que nem lembrava do livro), e gostei muito mais dele do meio pro final.

Les Parisennes abrange toda a década de 1940 em Paris - óbvio - e mais precisamente como as parisienses viveram e sobreviveram a ocupação da cidade pelos nazistas e os campos de concentração. E, o que pra mim foi o mais interessante, como elas foram parte vital para o movimento de resistência e espionagem.

O livro é cansativo porque cita centenas de nomes em todos os parágrafos. E as vezes esses nomes aparecem várias vezes e fica impossível lembrar o que a autora havia falado da pessoa lá no começo. Ainda mais que eu tive essa pausa na leitura durante o Kilimanjaro, quando retomei fiquei perdidinha.

A parte após a libertação de Paris e logo depois o fim da guerra também me impactou muito. A misoginia e o descaso do governo e da população com as mulheres sobreviventes e resistentes chega a doer no estômago. Quando a gente fala que a história é escrita por homens, sobre homens e para homens não estamos exagerando. Leiam esse livro e vocês terão uma ideia de como o legado de mulheres é apagado e esquecido.




Leitura: Quando a Lua Canta para o Lobo (Uma Ópera Licantrópica), Bárbara Axt


Esse é um livro especial. Primeiro, porque foi escrito por uma amiga, a Bárbara. Segundo, porque foi o primeiro livro que li em formato digital. Não, não me tornei adepta ao Kindle ou afins, mas é que tive o privilégio de ser uma "beta reader". Isso quer dizer que a Bárbara me mandou o manuscrito, para que eu lesse e desse minha opinião. Legal, né?

Confesso que estava um pouco ansiosa: e o medo de não gostar de um livro escrito por uma amiga? Eu já sabia (e ela também) que esse não é o estilo de leitura que eu gosto (fantasia/sobrenatural), mas eu jamais deixaria passar uma oportunidade dessas.

E não é que eu gostei, e muito, da história? Li em questão de dois dias, coisa bem atípica pra mim. Eu ia lendo e mandando perguntas/comentários pra Bárbara, e fiquei super empolgada de acompanhar a produção. Afinal ela não só escreveu como também produziu e lançou de forma independente. Ou seja, o livro está sendo vendido diretamente pelo site dela, tanto em formato impresso como em ebook. Você pode comprar aqui e apoiar uma escritora!

O livro se passa em Londres, envolve estudantes de música e tem muuuitas curiosidades sobre a cidade. A Bárbara fez ums pesquisa detalhada sobre os lugares por onde os personagens passam e sobre acontecimentos verídicos em alguns desses lugares. E tem romance. Só que não é qualquer romance.

Enfim. Leiam. Comprem de presente, espalhem a notícia. O mundo precisa de mais livros de autores "desconhecidos", e ainda mais de mulheres. Vamos mostrar para livrarias e editoras o que estão perdendo em não apoiar novos talentos.

Leitura: The Mystic Masseur, VS Naipaul


Comprei esse livro há pelos menos 4 anos, e acho que ter esperado tanto para ler deveria ter fincionado como um sinal: se não leu até agora, deve ter uma razão!

Achei um saco. Resolvi ler inteiro porque é curto e tambem porque eu tinha a esperança de que fosse ficar mais interessante (afinal, o cara é Nobel né?), mas não.

Talvez eu devesse ter escolhido outro livro dele pra começar (senão me engano esse foi o primeiro que ele publicou), talvez a história seja muito mais engraçada se você conhece melhor o autor, ou se você é de Trinidad, sei lá.

Terminei de ler no metrô e deixei lá mesmo, pra alguém pegar e quem sabe apreciar mais do que eu.