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Como eu queria escrever lindamente


No último ano adicionei a minha lista de livros alguns do estilo 'nature writing'. O primeiro foi 'The Outrun', o segundo 'Swimming With Seals', e tenho mais uns dois ou três nesse estilo me esperando na estante. Passei a me interessar por esse tipo de narrativa por causa da minha crescente vontade de estar em meio a natureza, da necessidade de as vezes me desligar completamente da cidade.

São narrativas que tem um pouco de biografia/memórias, história, e informação científica. Em The Outrun, por exemplo, a autora conta como foi seu retorno para Orkney (conjunto de ilhas no norte da Escócia) como parte da sua reabilitação para se livrar do alcoolismo. Já em Swimming With Seals, a autora compartilha seu hábito de nadar no mar gelado todo dia (também em Orkney, coincidentemente), ao mesmo tempo que vive o luto da morte de sua mãe e tenta se adaptar a mudanças pessoais e profissionais.

O que mais me impressionou em ambos, além de elas conseguirem magnificamente intercalar suas dores com informações sobre o lugar em que estão, é a maneira que elas descrevem a natureza e seus movimentos. Eu tenho inveja, inveja mesmo, da capacidade que essas pessoas tem de usarem o vocabulário, de criarem metáforas e conseguirem te fazer querer nadar no mar do norte em um dia gelado e nublado, mesmo você sabendo que será algo dolorido e que há outras tantas coisas melhores pra se fazer na vida.

Escrever lindamente é uma coisa que eu queria muito saber fazer.

Andar, escrever


Estou lendo um livro chamado 'Swimming with Seals' (nadando com focas), no qual a autora, Victoria Whitworth, relata sua experiência de nadar, todos os dias, no mar gelado em uma praia em Orkney (arquipélado no norte da Escócia, onde ela mora). O livro vai além disso, é uma reflexão sobre a vida dela (não é uma biografia) e sobre a vida e história de Orkney também. Mas a parte de nadar é a minha parte preferida.

O jeito que ela descreve esse exercício (por falta de uma palavra melhor, porque há lazer e relaxamento envolvidos também) me afetou de uma maneira bem interessante. Me deu uma vontade louca de escrever sobre essa minha atitude latente - e recente - de querer estar fora da cidade. Sem ser 'dando dica', sem ser obrigação (saco cheio de SEO), mas apenas a minha sensação enquando caminho no mio do mato, a descrição dos lugares por onde passo e o que me leva a querer fazer isso mais e mais. A verdade é que eu não sei porque quero fazer isso mais e mais, mas quem sabe, escrevendo, eu descubro.

Leitura: Rescue, David Miliband


Pra quem não sabe, o David Miliband era um membro senior do partido Labour aqui do Reino Unido, e chegou a concorrer para ser líder do partido (mas teve o tapete puxado pelo irmão - sim, irmão! - Ed Miliband, que ganhou a votação mas não chegou a ganhar eleição e já não é mais o líder do partido). Hoje em dia ele é CEO da IRC - International Rescue Comittee, uma ONG de ajuda humanitária. Em 2017 ele fez uma TED Talk sobre a crise dos refugiados, que acabou dando origem a esse livro.

É um livro excelente, que dá pra terminar em um ou dois dias, que esclarece toda e qualquer dúvida que alguém possa ter sobre os refugiados. Ele questiona não apenas a participação do governo - nos conflitos que geraram a crise e na solução/administração da crise - mas a nossa (eu e você) missão. O nosso papel nessa história toda.

Já faz alguma semanas que terminei o livro, e lembro que ele tem diversas passagens marcantes, aquele tipo de frase que bota o dedo na ferida. Acho que é uma leitura imprescindível pra quem regularmente se encontra em situações onde precisamos explicar o que nos parece óbvio.

Leitura: What Happened, Hillary Rodham Clinton


Há muito tempo eu comprei um livro da Hillary Clinton, chamado Hard Choices, mas ele vai precisar esperar mais um pouco, já que o What Happened (O que aconteceu) me atiçou a curiosidade e passou na frente. Eu não queria esperar até sabe lá quando pra ler sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos de 2016. Já que todo o 'evento' está fresquinho na memória, achei que fazia mais sentido ler agora.

Eu estava muito curiosa pra ler sobre como foi ser uma mulher candidata, e como ela lidou com a derrota. Ela escreve sobre tudo isso e muito mais. Por exemplo, não esperava que teria um capítulo todinho dedicado a dissecar a questão do envolvimento da Rússia na campanha.

Achei o livro ótimo, muito bem escrito, e que dá nome aos bois. Ela não poupa ninguém e ao mesmo tempo assume toda a 'culpa' por não ter sido eleita. Claro que é a versão dela e a gente tem que levar isso em consideração (afinal, criar propostas é uma coisa, colocá-las em prática é outra), mas sei lá - me pareceu muito honesto. A verdade é que gostei do livro muito mais do que esperava (e não pude deixar de pensar - várias vezes - como teria sido um encontro entre a Hillary e a Dilma. Também pensei o quanto seria maravilhoso ler um livro desse estilo escrito pela Dilma, contando sobre o golpe na versão dela).

Ah, uma coisa que eu adorei foi quando ela menciona uma participação que ela fez no Saturday Night Live. Ela contracena com a atriz que interpreta ela, enquanto ela faz o papel de atendente de bar.

Leitura: Women & Power, Mary Beard


Um livro que dá pra terminar em um dia (mas eu levei pouco mais de uma semana, ficou passeando na minha bolsa), escrito por uma historiadora bastante famosa daqui da Inglaterra, a Mary Beard. Ela mostra como as mulheres de países ocidentais são sistematicamente caladas desde a época das civilizações grega e romana, derrubando o argumento daqueles que adoram falar que opressão de mulheres só existe em países e culturas distantes das nossas.

Ela questiona também o próprio conceito de poder, que é algo que (modéstia a parte) eu e a Renata falamos sempre na Conexão Feminista.

Enfim, um ótimo livro feminista pra dar aquela acordada no começo do ano. E ah, essa minha cópia é autografada! : )

Leitura: Lincoln in the Bardo, George Saunders


Esse livro ganhou o Man Booker Prize de 2017. Ainda nem li o ganhador de 2016 (tá pegando poeira aqui na minha estante), mas tinha lido tanta coisa boa a respeito desse que resolvi passar na frente (não que eu tenha uma lista dos livros na ordem que quero ler).

É um livro estranho. A maneira como ele está escrito lembra um pouco uma peça de teatro. Então demora pra gente pegar no tranco e entender o que está acontecendo. Quem são essas pessoas? Onde elas estão? O que dá mais contexto pro negócio são os capítulos que possuem citações retiradas de outros livros e jornais da época que a história se passa.

O que a gente sabe: o filho do presidente Abraham Lincoln está doente, durante a Guerra Civil americana. O menino acaba morrendo, e Lincoln, desesperado, passa uma noite no cemitério onde ele foi enterrado.

Acho que se eu contar qualquer outra coisa vou estragar a história pra quem quiser ler. Gostei bastante, apesar de ter demorado pra me adaptar com essa maneira como o livro foi escrito. Então, não desanime nas primeiras páginas: insista que esse vale a pena!




Leitura: Flâneuse, Lauren Elkin


Esse livro estava na lista de leituras complementares de uma das minhas aulas do mestrado. Como era um tema muito bacana e uma amiga também tinha começado a ler e estava gostando, resolvi unir o útil ao agradável.

A ideia de 'flanar' - ou seja, caminhar por um centro urbano sem objetivo, apenas observando o movimento da cidade sem ter exatamente um lugar pra chegar - nasceu em Paris no século 19. O flanador - em francês, flâneur - era o homem burguês, que tinha o privilégio de caminhar sem ser incomodado. E a flanadora, a flâneuse, existia?

Bom, existem várias opiniões a respeito. Há pesquisadores que dizem que sim: que a mulher ocupava as ruas dos centros urbanos também, ainda que sob outra perspectiva. Eu não concordo. Eu não acho que mulheres que estavam na rua pra trabalhar - seja como vendedoras ou como prostitutas ou até mesmo as mulheres ricas que podiam sair, mas tinham que levar acompanhantes (sem falar da roupa desconfortável) - aproveitavam a cidade da mesma maneira do flâneur.

Mas discussões acadêmicas a parte, a ideia do livro da Lauren Elkin é mostrar a experiência de mulheres - de diversas épocas - que tiveram oportunidade de ter essa experiência. Desde a escritora George Sand, que se vestia de homem para poder flanar em Paris sem ninguém encher seu saco, até Virginia Woolf em Londres e a própria autora em Tóquio, ela explora essas histórias e mostra que as mulheres também ocupam espaço na cidade.

A introdução do livro é sensacional. É praticamente a aula que eu tive sobre isso em algumas páginas. Mas os capítulos - cada capítulo dedicado a uma cidade em conjunto com uma protagonista da qual ela 'segue' os passos - vão ficando repetitivos. Ela mistura muito suas experiências pessoais ao longo da narrativa e eu achei que isso não ficou muito bem encaixado. Fora que em alguns capítulos fica monótono mesmo, como em um que ela descreve um filme, cena a cena. Em algumas partes eu achei que ela perdeu o fio da meada completamente: parecia que não estava mais descrevendo a relação daquela mulher com aquela cidade, mas apenas mostrando o seu conhecimento intelectual sobre o trabalho produzido por aquela mulher.

Acabei levando muito mais tempo do que achava que ia levar pra terminar esse livro. Claro, tem o mestrado na parada e o desgaste mental - as vezes não tenho vontade de ler nada e só quero ficar vendo porcaria na televisão e na internet - mas me conheço e sei que se eu tivesse me interessado mais teria terminado antes.




Leitura: Girl Up, Laura Bates


Se você lê esse blog faz tempo, talvez tenha reconhecido o nome da autora, Laura Bates. Eu já falei dela aqui várias vezes. Foi a Laura Bates que criou o projeto Everyday Sexism e depois escreveu um livro sobre o assunto (que pra mim é um oráculo feminista). Sou muito fã dela e corro atrás de tudo que ela escreve (ela frequentemente publica no Guardian e também no The Pool - onde eu também já publiquei, o que me deixa sim muito orgulhosa!). Então, quando ela lançou esse segundo livro, Girl Up, eu comprei mesmo sabendo que era direcionado para adolescentes.

O livro acho que ficou mais de um ano esperando na minha estante, e achei que agora era uma bora hora, já que tenho tentado escolher livros que me tragam muito mais prazer do que os textos acadêmicos do mestrado.

Bom, como eu disse, Girl Up (aliás, esse título é ótimo, é uma alternativa ao termo "Man Up"ou, em bom português, "seja homem") foi escrito para adolescentes. Fala sobre como a mídia contribui para que as mulheres sejam objetificadas, fala sobre pornografia, fala sobre body shaming, fala sobre cyber bullying, fala sobre feminismo. Ou seja, é basicamente um guia para adolescentes compreenderem o mundo machista que vivem.

Eu praticamente não tenho contato com adolescentes, mas acho que é muito necessário saber como lidar com as mulheres nessa faixa etária e saber o que está acontecendo. Afinal, "na minha época" felizmente não existia internet. Quer dizer, existia, mas não era parte da minha realidade. Nada de redes sociais, nada de emails, muito menos haters. Não consigo imaginar como deve ser ruim ser adolescente E ter que lidar com isso.

Enfim, fica essa dica preciosa para quem convive com meninas e adolescentes. Seja filha, prima, filha da amiga, sobrinha.... vale a pena dar uma lida e tentar abrir um canal de comunicação.

Leitura: Woman at Point Zero, Nawal El Saadawi


Antes de falar do livro preciso dizer que estou orgulhosa de conseguir um tempinho pra continuar lendo coisas fora dos textos obrigatórios para as aulas do mestrado. Mas também estou escolhendo livros mais curtinhos, que sei que não ficarão meses indo pra lá e pra cá comigo dentro da bolsa.

Comprei esse recentemente, apesar de ter uma pilha imensa na minha estante, tem livro eserando a vez a vez há mais de um ano. Mas parecia interessante e facinho de ler, então passou na frente. A história parecia promissora: uma mulher presa no Egito, poucas horas antes de sua pena de morte ser executada, conta sua história para a psicanalista que visita a prisão. Uma história sofrida, com abusos sofridos desde a infância, prostituição e muita violência.

Mas, infelizmente, achei que a autora (ou talvez a tradução) não conseguiu colocar emoção. Uma história tão sofrida, mas que deixa demais a desejar. Não senti conexão alguma com a personagem, e achei todo o enredo meio confuso. Também achei que faltaram mais detalhes, mais descrições. Faltou vida, por mais abstrato que isso soe.

Uma pena...




Leitura: Mulheres, Raça e Classe, Angela Davis


Um dos mais emblemáticos livros sobre feminismo do século 20, Mulheres, Raça e Classe só ganhou tradução em português ano passo, depois de 35 anos de sua publicação. Ganhei um exemplar da minha irmã de ativismo quando nos encontramos em São Paulo em setembro.

Angela Davis dispensa apresentações, e o que me fez mais feliz ao ler esse clássico é que a leitura é compreensível. Desde que comecei as aulas do mestrado tenho admirado ainda mais as escritoras e escritores que conseguem colocar no papel história junto com estatísticas sem tornar o resultado algo que dá pra entender apenas se vc tem um doutorado.

Mulheres, Raça e Classe é focado no movimento feminista negro dos Estados Unidos, mostrando o quanto machismo e racismo estão entrelaçados. Há pouco tempo eu li um livro contemporâneo também sobre esse assunto, o Why I'm no Longer Talking to White People About Race, que é focado na Grã Bretanha. Em ambos dá pra fazer diversos paralelos com a realidade do Brasil, e concluir que não dá pra gente lutar por igualdade de gênero como algo único. Opressões estão conectadas, e esses livros focam na intersecção de gênero e raça.

Pra minha sorte, o Mulheres, Raça e Classe é também uma das leituras recomendadas do meu mestrado. Não está sendo fácil continuar a ler os livros que escolho, pois o material obrigatório para ler antes das aulas acaba ocupando todo meu tempo fora da universidade.

Estou tentando manter minha regra de ler o que eu quiser toda vez que estiver usando transporte público. Mas as vezes a cabeça já está em curto circuito o e o tempo no ônibus ou metrô acaba sendo utilizado pra não pensar em absolutamente nada.

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Leitura: Cinco Esquinas, Mario Vargas Llosa


Esse foi um dos livros que trouxe do Brasil (acho que metade do peso da minha mala na volta foi de livros), e como é relativamente curto resolvi ler dois dias antes de começar as aulas do mestrado (me bateu um desespero quando me dei conta de que não vou ler algo por escolha própria táo cedo). Eu peguei esse livro sem nem mesmo dar uma folheada, vi que era meio novo, do Mario Vargas Llosa, e comprei.

Ah, que decepção. Achei uma porcaria. O resumo da contra capa é péssimo e a tradução faz a história ficar ainda pior. Fraquíssimo. Não parei nas primeiras páginas justamente porque é Vargas Llosa, e como grande admiradora, achei que ficaria bom. Ainda bem que é curto e não tomou muito tempo.

Enfim, todo gênio tem seu dia de ordinário, não é mesmo?

O pior Vargas Llosa que já li #heloreads #cincoesquinas #mariovargasllosa

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Leitura: 4 3 2 1, Paul Auster


Está bem óbvio que eu ando dando preferência para livros escritos por mulheres. Mas no começo desse ano o meu querido Paul Auster publicou uma nova obra depois de 7 anos de "sumiço", e eu comprei na hora, quando vi na livraria. Um livro imenso, de quase 900 páginas, que ficou me esperando alguns meses na estante.

Mas com a aproximação do início das aulas do mestrado e a viagem ao Brasil (ou seja, vôos longos), eu resolvi encarar o 4 3 2 1. Além disso, ele foi selecionado para o Booker Prize, e eu sempre gosto de ler um ou outro dos indicados.

Pra quem é das antigas aqui no blog, deve lembrar que eu já escrevi sobre alguns dos livros dele. Gostei de todos que li, e com esse não foi diferente. Não sei se era porque não lia nada do Paul Auster há tantos anos e estava com saudades do estilo dele, mas achei espetacular.

O livro tem esse nome porque são 4 histórias - ou melhor, 4 caminhos - sobre o mesmo personagem principal. Nós acompanhamos o nascimento, infância, adolescência e o começo da vida adulta de Archie Ferguson em quatro versões, com diferenças - as vezes sutis, as vezes brutais - em cada um dos quatro rumos diferentes.

Junto com as possibilidades de vida dele, acompanhamos também diversos acontecimentos da história dos Estados Unidos, e do seu envolvimento - ou não, depende de qual Archie - com tais acontecimentos.

Pra quem gosta de Paul Auster e já leu outros livros dele, leia esse o quanto antes. Mas pra quem não conhece o estilo do autor, recomendo começar por algum outro, um pouco mais curto, pra ver se você curte o estilo do autor. Frases longas, parágrafos imensos, descrição de coisas do dia a dia. Ah, como eu gosto do dia a dia transformado em história extraordinária!

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Leitura: Why I'm No Longer Talking to White People About Race, Reni Eddo-Lodge


Esse livro é tão bom, mas tão bom, que me sinto idiota escrevendo sobre ele. E o título não é um "click bait", é simplesmente um desabafo. É um chamado. É um tapa na testa, um soco no estômago, é uma convocação. Muito didático, muito bem escrito. Tem fatos, tem estatísticas, tem relatos pessoais.

O livro basicamente mostra como o racismo é enraizado na sociedade britânica. Como esse país está muito longe de ser um país tolerante. Explica exatamente o que é privilégio branco, o que é interseccionalidade, o que é racismo estrutural, e por que ela está de saco cheio de educar e argumentar com brancos.

Espero que ele seja traduzido para todos os idiomas existentes (por mais que seja focado na sociedade britânica, pode ser facilmente adaptado para tantos outros países), mas se você lê em inglês, comece a ler esse livro já.



Leitura: Purple Hibiscus, Chimamanda Ngozi Adichie


Esse é o quarto livro que leio dessa autora, e vou fazer aqui uma comparação meio esquisita: eu acho ela meio  a Jane Austen do nosso tempo. Tão brilhante quanto. E as duas usam suas histórias como pano de fundo para críticas sociais: Jane Austen de forma um pouco mais "escondida" (até mesmo como forma de auto proteção), coisa que a Chimamanda já deixa bem claro logo nas primeiras páginas.

Eu achei esse livro maravilhoso, ainda melhor que o Americanah, que foi o primeiro dela de ficção que li (já li também os dois que ela lançou sobre feminismo). A história de passa na Nigéria, e a personagem principal é uma adolescente, Kambili. O pai é um homem rico, poderoso e extremamente religioso. E violento.

Eu tenho uma penca de livros na minha estante aguardando sua vez, mas acho que vou comprar os outros dois de ficção dela que ainda não li pra furar a fila!



Leitura: A Room of One's Own, Virginia Woolf


Esse era um dos livros que eu, como feminista ativista, achava que tinha obrigação de ler. Mas estava adiando pelo simples fato de que já havia tentado ler outro livro da Virginia Woolf e falhado miseravelmente. Do tipo, ler uma página, reler e continuar sem entender absolutamente nada. Super difícil. Mas como duas amigas me falaram que esse não era assim tão complicado, decidi encarar antes de começar o mestrado (já estou me achando atrasada antes mesmo de começar as aulas, vejam bem).

Olha, realmente é um livro incrível e agora tenho certeza de que é imprescendível (principalmente para mulheres criadoras de conteúdo). Mas é sim difícil e prolixo, talvez não tanto como os de ficção que ela escreveu, mas é. A boa notícia é que não é preciso decifrar todas as sentenças e parágrafos, porque dá pra compreender o contexto: o fato de que as mulheres estão em desvantagem no mundo literário (e como eu mencionei, acho que dá pra aplicar pra qualquer tipo de conteúdo, escrito ou gráfico).

Talvez esse tenha sido meu primeiro e único livro da Virginia Woolf, mas talvez o que ela achasse mais apropriado pra mim : )

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Leitura: Why I Am Not A Feminist (A Feminist Manifesto), Jessa Crispin


Apesar do título apelativo, não se engane: esse é um livro sobre feminismo. Mas é bem diferente de todos os outros que já li, pois tem uma abordagem bem mais agressiva ("pé na porta", como a gente gosta de falar no Conexão Feminista). É um livro que critica o feminismo individualista, ou melhor, o feminismo que convém a população privilegiada.

Para a autora, o movimento feminista de hoje (pelo menos o predominante, liderado por mulheres brancas de classe média) é conveniente para poucas privilegiadas. Ela acredita que o feminismo não deve se adaptar a cultura, e sim transformá-la. Por exemplo, ela diz que exigir que empresas tenham o mesmo número de mulheres em homens em cargos de liderança não vai trazer resultado nenhum, pois as mulheres que são beneficiadas acabam tornando-se coniventes com o sistema opressor.

Eu fiquei bem mexida com a leitura e comecei a repensar meu próprio ativismo. Também gostei da maneira dela de escrever, sem fazer rodeios, sem ser gentil. Tem um ou outro argumento que não me convencem, mas só o fato de ela fazer eu mesma me questionar, já é um ótimo resultado.

Leitura: Anything is Possible, Elizabeth Strout


Eu li um livro dessa mesma autora (My Name is Lucy Barton) ano passado, e adorei. Acho que já comentei anteriormente o quanto gosto de histórias desse tipo, de vidas "ordinárias". Tipo o Stoner, que também é sensacional. Admiro demais escritores que conseguem transformar "vidas simples" (Eu coloco entre aspas porque não sou tão boa escritora e não consigo achar uma expressão melhor que essa. Vida simples nesse caso não quer dizer desinteressante, apenas o tipo de coisa que geralmente não encontramos na ficção) em histórias bonitas, gostosas de ler.

Então, quando vi esse livro, comprei sem nem ler a contra capa. E pra minha surpresa, ele tem uma ligação com o My Name is Lucy Barton. Não que você tenha que ter lido um para entender o outro, mas eles tem uma conexão. São várias pequenas histórias de pessoas que estão conectadas de alguma maneira. Por exemplo, o irmão da Lucy Barton. Aí no próximo capítulo é a história do vizinho desse irmão. E assim por diante. O personagem é figurante em um capítulo e principal no próximo. Achei muito bom mesmo e li em menos de uma semana (tudo bem que ter feito uma viagem de trem ajudou né, usei as 2 horas da ida e as 2 horas da volta pra adiantar bem a leitura!).




Leitura: Les Parisiennes, Anne Sebba


Vai parecer contraditório, mas esse livro é cansativo e muito bom. Demorei muito pra terminar (curiosidade: ele foi pro Kilimanjaro comigo, achei que teria tempo de sobra pra ler quando estivéssemos nos campings, mas não peguei ele um dia sequer durante e expedição. Estava tão absorvida na aventura que nem lembrava do livro), e gostei muito mais dele do meio pro final.

Les Parisennes abrange toda a década de 1940 em Paris - óbvio - e mais precisamente como as parisienses viveram e sobreviveram a ocupação da cidade pelos nazistas e os campos de concentração. E, o que pra mim foi o mais interessante, como elas foram parte vital para o movimento de resistência e espionagem.

O livro é cansativo porque cita centenas de nomes em todos os parágrafos. E as vezes esses nomes aparecem várias vezes e fica impossível lembrar o que a autora havia falado da pessoa lá no começo. Ainda mais que eu tive essa pausa na leitura durante o Kilimanjaro, quando retomei fiquei perdidinha.

A parte após a libertação de Paris e logo depois o fim da guerra também me impactou muito. A misoginia e o descaso do governo e da população com as mulheres sobreviventes e resistentes chega a doer no estômago. Quando a gente fala que a história é escrita por homens, sobre homens e para homens não estamos exagerando. Leiam esse livro e vocês terão uma ideia de como o legado de mulheres é apagado e esquecido.




Leitura: Quando a Lua Canta para o Lobo (Uma Ópera Licantrópica), Bárbara Axt


Esse é um livro especial. Primeiro, porque foi escrito por uma amiga, a Bárbara. Segundo, porque foi o primeiro livro que li em formato digital. Não, não me tornei adepta ao Kindle ou afins, mas é que tive o privilégio de ser uma "beta reader". Isso quer dizer que a Bárbara me mandou o manuscrito, para que eu lesse e desse minha opinião. Legal, né?

Confesso que estava um pouco ansiosa: e o medo de não gostar de um livro escrito por uma amiga? Eu já sabia (e ela também) que esse não é o estilo de leitura que eu gosto (fantasia/sobrenatural), mas eu jamais deixaria passar uma oportunidade dessas.

E não é que eu gostei, e muito, da história? Li em questão de dois dias, coisa bem atípica pra mim. Eu ia lendo e mandando perguntas/comentários pra Bárbara, e fiquei super empolgada de acompanhar a produção. Afinal ela não só escreveu como também produziu e lançou de forma independente. Ou seja, o livro está sendo vendido diretamente pelo site dela, tanto em formato impresso como em ebook. Você pode comprar aqui e apoiar uma escritora!

O livro se passa em Londres, envolve estudantes de música e tem muuuitas curiosidades sobre a cidade. A Bárbara fez ums pesquisa detalhada sobre os lugares por onde os personagens passam e sobre acontecimentos verídicos em alguns desses lugares. E tem romance. Só que não é qualquer romance.

Enfim. Leiam. Comprem de presente, espalhem a notícia. O mundo precisa de mais livros de autores "desconhecidos", e ainda mais de mulheres. Vamos mostrar para livrarias e editoras o que estão perdendo em não apoiar novos talentos.

Leitura: The Mystic Masseur, VS Naipaul


Comprei esse livro há pelos menos 4 anos, e acho que ter esperado tanto para ler deveria ter fincionado como um sinal: se não leu até agora, deve ter uma razão!

Achei um saco. Resolvi ler inteiro porque é curto e tambem porque eu tinha a esperança de que fosse ficar mais interessante (afinal, o cara é Nobel né?), mas não.

Talvez eu devesse ter escolhido outro livro dele pra começar (senão me engano esse foi o primeiro que ele publicou), talvez a história seja muito mais engraçada se você conhece melhor o autor, ou se você é de Trinidad, sei lá.

Terminei de ler no metrô e deixei lá mesmo, pra alguém pegar e quem sabe apreciar mais do que eu.

Leitura: Infidel, Ayaan Hirsi Ali


Esse livro, uma autobiografia, me foi recomendado por algumas mulheres toda vez que eu postava algum livro sobre feminismo no Instagram. Não é exatamente um livro feminista, mas é a história de uma mulher que lutou contra opressão.


Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália, e tem uma história de vida admirável. Mudou-se diversas vezes com a família (em decorrência da instabilidade política da Somália e o fato de seu pai ser um dos líderes de um grupo de oposição). Viveu na Arábia Saudita, Etiopia e Quênia. Sofreu mutilação genital, espancamentos e restrições impostas por tradições anacrônicas tanto da sua religião quanto da sua família. Teve uma relação de "amor e ódio" com a religião durante a adolescência, e ao mesmo tempo que obedecia regras, não entendia a razão delas existirem. Questionava-se o tempo inteiro.

Foi forçada a se casar com um homem que não conhecia (e, quando conheceu, não gostou) e finalmente conseguiu escapar de todas essas prisões, obtendo asilo na Holanda, onde muitos anos depois tornou-se membro do parlamento. Produziu um curta metragem com o cineasta Theo van Gogh (procure no Google, não vou escrever aqui o nome nem sobre o que se trata porque não quero ninguém buscando razões para incitar o ódio religioso aqui no meu blog), e por causa desse filme ele foi assassinado. Ela foi ameaçada e viveu por muito tempo escondida e sob proteção da polícia.

Bom, essa é a história muito, mas MUITO resumida. Como eu falei lá em cima, é realmente admirável a luta dela e sua coragem em aproveitar a oportunidade para conseguir tomar as rédeas da própria vida.

Mas tem algumas coisas que me incomodaram nesse livro. A primeira é o fato de que ela em nenhum momento, nem mesmo no final, reconhece que não enxergava que todos os horrores que ela sofreu nas mãos da mãe foram em decorrência do descaso do pai. O pai abandonou a família (mais de uma vez) e as deixou na beira da miséria, fazendo com que mãe dependesse de favores de amigos e familiares por muito tempo. Criou todos os filhos sozinha sem ter nenhum direcionamento, sem nenhuma perspectiva de melhoria de vida.

Já o pai é visto como herói. Quando volta pra casa depois de anos de abandono, é celebrado por ela, que não demonstra um pingo de consideração pela mãe, amargurada e com sérios problemas mentais. Até mesmo depois de romper com ele, ela não dedica nenhum espaço no livro para refletir sobre como a ausência dele influenciou na vida miserável da mãe e, consequentemente, na dela.

Outra coisa que me incomodou é sua visão política. Óbvio que ela tem o mérito por tudo que conseguiu, mas o fato de ela ter tido a força e a coragem para romper com sua família, com sua tradições e, acima de tudo, com a sua religião, não significa que ela tenha uma receita pronta para todas as outras mulheres muçulmanas. Pra mim, a generalização é um erro. E um perigo: eu achei que o discurso dela em relação a segregação religiosa e cultural e também em relação a política de benefícios e salário mínimo para imigrantes/refugiados é o tipo de coisa que faz uma pessoa como Donald Trump sorrir de orelha a orelha.

Em tempo: eu GOSTEI do livro. Achei ela uma mulher sensacional, e é maravilhoso saber que a história dela serviu de inspiração para outras mulheres na mesma situação de opressão. O que não bate comigo são os ideais e a generalização. Mas ó, recomendo que você leia para tirar suas próprias conclusões.

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Livros


Acho que já falei aqui sobre o sistema de afiliados, que é basicamente como muitos blogs conseguem ganhar algum dinheiro. Por exemplo, o Aprendiz de Viajante é afiliado do Booking.com, o que significa que, quando você reserva seu hotel pelo link lá do Aprendiz, rola uma comissão (que nunca interfere no preço final).

Eu resolvi então fazer a mesma coisa com o Conexão Feminista, e agora somos afiliadas da Livraria Cultura e da Amazon. Como a gente sempre indica livros, achei que era uma maneira bacana de talvez ganhar uma graninha. A nossa lista de recomendações de livros com os respectivos links está aqui, mas coloquei também um widget aqui no blog, aí na coluna da direita, com alguns dos livros recentes que li.

Também vou começar a colocar os links pra Amazon e pra Cultura nos posts que faço sobre livros aqui. Tudo que eu ganhar de comissão será usado no Conexão Feminista, pra ajudar a custear a manutenção do site (servidor, domínio, designer) e outras coisinhas, como por exemplo a anuidade no Soundcloud (onde os hangouts estão disponíveis como podcasts).

Vez ou outra alguém me fala que comprou um livro porque leu minha recomendação, então minha gente, bora comprar com o link da blogueirinha aqui!

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Leitura: And Still I Rise, Maya Angelou


Com a minha sede de conhecimento feminista cada vez mais voraz, acabei comprando um livro de poesias da Maya Angelou. Meu primeiro livro de poesias, portanto não vou fingir costume: teve muita coisa que não entendi. Achei tudo lindo e adorei o vocabulário sem firulas, mas é claro que as "histórias" são cheias de significados, e a gente precisa ler mais de uma vez se realmente quiser decifrá-los.

Ainda assim, adorei. Sei lá se é o orgulho de ler Maya Angelou falando mais alto, mas esse livro por enquanto fica na estante (algo raro hoje em dia, ando muito seletiva, já que há pouco espaço para guardá-los eu acabo passando muitos pra frente). Quem sabe daqui a uns anos, depois de muito estudo, as linhas não serão tão indecifráveis?

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Leitura: Jane Austen The Secret Radical, Helena Kelly


Jane Austen não é a escritora que você pensa. Você não é a leitora ou leitor que Jane esperava ter. Ou seja: está tudo errado. Mas Helena Kelly veio ao nosso resgate e escreveu esse livro espetacular, brilhante e didático, que vai fazer qualquer fã de Jane Austen querer ler todos seus livros novamente.

Cada capítulo do livro é dedicado a destrinchar um dos famosos romances de Jane: Northanger Abbey, Sense & Sensibility, Mansfield Park, Pride & Prejudice, Emma e Persuasion. Helena Kelly nos explica o contexto histórico da época em que foram escritos e nos abre um portal. Ela nos explica os porquês: os nomes dos personagens, as localidades, os diálogos que até então achávamos que eram detalhes banais, as referências que nem lembramos porque não nos acrescentam nada. Até agora!

Eu já gostava de Jane Austen, e modéstia a parte eu já tinha percebido algumas dessas nuances apontadas pela Helena Kelly. Eu sabia que Jane não escrevia apenas sobre histórias de amor, sofrimentos das heroínas e dramas familiares. Consegui captar um certo tom sarcástico em seus livros, principalmente Pride & Prejudice. Mas esse livro me revelou uma nova Jane: uma mulher revolucionária, culta, e que compreendia perfeitamente os problemas socio-econômicos da época, opressões e privilégios.

Jane faz diversas críticas em seus livros. Cabe a nós correr atrás da informação para entendê-los da maneira intencionada por ela, e Helena Kelly nos faz esse favor.

Leitura: Você Já é Feminista, coletivo AzMina


Mais um ótimo livro sobre feminismo, e dessa vez em português! Havia comprado há um tempão e mandei entregar na casa dos meus pais. Finalmente meus sogros vieram visitar e trouxeram pra mim. Como eu comentei no Instagram, eu gostei bastante, mas só achei que não é um livro para quem ainda não se descobriu feminista, como o título dá a entender.

Pra mim, esse é um livro pra quem já não mais dúvidas sobre ser feminista. Isso porque ele abrange diversos temas que as vezes a gente nem sabe que são questões feministas, quando colocamos um pézinho no ativismo.

Por exemplo, logo no começo há um capítulo sobre as vertentes do feminismo, que eu não sabia que existiam quando comecei a me interessar pelo assunto. Foi só depois de alguns meses fazendo o Conexão Feminista e seguindo outros grupos que aprendi sobre as semelhanças e diferenças de cada uma dessas vertentes. Pra quem tem dúvidas sobre o Feminismo, essa "divisão" pode parecer algo que segrega (o que não é verdade, eu também tinha essa dúvida, e depois entendi que essas vertentes apenas refletem o quanto somos diferentes umas das outras), em vez de agregar.

Enfim, esse é apenas um exemplo. O livro é composto por diversos textos de diversas autoras. E como sempre acontece em livros assim, alguns textos são muito melhores que outros. Pra mim, o melhor é o que trata do trabalho doméstico. Talvez seja porque foi por causa do trabalho doméstico que me descobri feminista, mas também a autora explica muito bem o quanto essa questão está interligada com problemas mais graves, como cultura de estupro e violência. É um texto ótimo pra quem acha que a divisão dos afazeres domésticos de forma justa entre homens e mulheres é apenas um pequeno problema, que não deveria gerar assim tanta polêmica.

Pra quem se interessar, aqui nesse link você pode compra-lo. Esse é um link afiliado, ou seja, se você comprar o livro por aqui, vai gerar uma comissão pra mim. Pra mim não, pro Conexão Feminista. É uma maneira que encontramos de monetizar esse projeto, que toma bastante do nosso tempo e gera despesas com servidor, domínio e hospedagem do podcast, pra citar alguns.

Leitura: Meia Noite e Vinte, Daniel Galera


Eu queria ler algo do Daniel Galera faz tempo, pois sei do succeso que foi o livro "Barba Ensopada de Sangue". Por coincidência, minha sogra me trouxe de presente o "Meia Noite e Vinte", e ele acabou furando a minha interminável fila de livros feministas porque eu queria ler alguma ficção curtinha, e em português.

Eu fiquei um pouco dividida: por um lado, fiquei bastante entretida, mas por outro acheio... meio vazio. Eu já falei um monte de vezes aqui que adoro livros que transformam vidas comuns (rotina, perrengues, pequenas felicidades) em boas histórias, como é o caso do Stoner. Mas o Meia Noite e Vinte começa com esse lance de vidas comuns e no final me deixou a impressão de que queria passar alguma mensagem profunda, e eu honestamente achei o final patético.

O livro é super atual, se passa logo depois dos protestos de 2013, e os personagens tem mais ou menos a minha idade. Falam muito de redes sociais, e pra mim ficou a impressão de que o autor queria porque queria mostrar "olha como eu sou antenado", o que me deu um pouco de vergonha alheia. Talvez vergonha da minha geração mesmo, que não faz outra coisa senão isso (eu inclusa), e me dá agonia de pensar que daqui alguns anos as pessoas lerão esse livro e vão pensar: mas é assim que esse povo era? Que bando de chatos!

Quando eu terminei o livro realmente estava na dúvida se tinha gostado ou não, mas agora escrevendo esse post percebo que tenho mais coisas negativas do que positivas pra falar. Como algumas passagens inúteis que eu penso que seria o tipo de coisa que eu pediria pro autor cortar se editora eu fosse. Não sou editora, mas sou blogueira, então, Daniel Galera: pra que diabos o sangramento do nariz na cena do motel? E fala a verdade: você sempr quis escrever "um cachorro mijando em um cachorro cagando" e agora que você é um autor famoso conseguiu que o editor aprovasse né? Tá tirando uma com a minha cara?

Ufa! Era só isso que eu queria falar. Talvez eu leia mais alguma coisa dela pra definir se eu gosto ou não.

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Leitura: Dear Ijeawele, Chimamanda Ngozi Adichie


Faz pouco tempo que li o Americanah, dessa mesma autora. Mas a primeira vez que li Chimamanda foi o manifesto "Sejamos Todos Feministas". E esse é o segundo manifesto feminista publicado por ela, que eu adquiri junto com o ingresso da palestra dela que rolou por aqui há pouco tempo (e foi sensacional).

Mais uma vez, é um livro curto e muito didático. Em português o título foi traduzido para "Para Educar Crianças Feministas", mas eu acho que essa tradução meio que faz um desserviço. Afinal, quem não tem filhos ou quem tem filhos já adultos pode sentir que esse livro não é para eles. Mas é sim, é pra todo mundo. Eu acho que ele funciona como uma continuação do "Sejamos Todos Feministas", o qual é de certa forma uma introdução ao feminismo. Já o "Dear Ijeawele" desenrola melhor alguns tópicos e nos mostra como podemos aplicar o feminismo no nosso dia a dia (atenção, atenção! Hora do jabá! Já rolou vídeo colaborativo sobre esse tema, assiste aí, vai!!).

O livro tem esse nome porque originou de uma carta que a Chimamanda recebeu de uma amiga, pedindo conselhos para criar sua filha como feminista. E a resposta de Chimamanda foi feita em 15 sugestões. E são essas 15 sugestões que encontramos no livro.

Leitura: The War On Women, Sue Loyd-Roberts


Sue Lloyd-Roberts morreu logo após terminar de escrever esse livro. Quer dizer, o último capítulo ficou incompleto e quem o terminou foi sua filha. Claro que a morte de qualquer pessoa é motivo para tristeza e lamentação, mas olha, pouca gente deixa um legado tão valioso quanto essa jornalista. Então pra mim, talvez seja fácil falar pois meu único vínculo com ela é o de escritora/leitora, fica algo de positivo: tudo que ela produziu em seus anos de jornalista investigativa, o que acabou culminando nesse livro maravilhoso, que nunca vai sair da minha prateleira.

Sue trabalhou por muitos anos na BBC e visitou regiões remotas e inóspitas, foi pra lugares onde repórteres e cinegrafistas não são bem vindos, peitou autoridades, conversou com vítimas e com criminosos. E, em todos esses lugares, ela notou uma coisa: que as mulheres eram constantemente mais prejudicadas. Por isso o título desse livro: war on women. Mulheres do mundo todo estão em guerra, há décadas (talvez séculos), contra a opressão misógina e patriarcal. E cada capítulo desse livro é dedicado a uma batalha. Um tipo de horror vivido por mulheres em determinadas regiões do mundo.

Não é um livro fácil, não no sentido da narrativa (que é maravilhosa, didática e dinâmica), mas no sentido dos socos no estômago que o leitor leva o tempo todo. O livro já começa com um capítulo falando sobre mutilação genital, aí passa para as avós da Praça de Maio em Buenos Aires que buscam seus netos desparecidos durante a ditadura, vai pra Irlanda contar a história das mulheres que trabalhavam como escravas em lavanderias mantidas por conventos católicos, depois muda pra Índia e Arábia Saudita - dois dos piores países para ser mulher hoje em dia -, e pra finalizar dá uma passadinha nos países do leste europeu pra falar de tráfico de mulheres, que são torturadas e obrigadas a se prostituírem para atender... preparem-se: homens em missão de pacificação da ONU.

Como eu falei no Instagram, leiam esse livro. Agora. E da próxima vez que alguém perguntar por que as mulheres feministas são bravas, você terá - infelizmente - muitas respostas.

Read this book. I urge you. And next time someone tells you that women are too angry, or that women shouldn't complain so much because things are better now, you will tell them about the gender war that is going on for decades. Centuries. You will tell them about the women that have their vaginas mutilated in Egypt and Gambia, the women who were forced to work in laundries managed by Catholic nuns in Ireland, the women who were killed in Argentina after their babies were born and the women that are fighting to find those babies. You will tell them about "honour killings" in Jordan and Pakistan and about women who are marginalised in Saudi Arabia because they don't have a male guardian. You will tell them about women that are raped because they "dare" to be in a public space, about young girls forced to marry men old enough to be their fathers and about women in Bosnia that are sex slaves. You will tell them about how women in the UK still earn less than men. Sue Lloyd-Roberts, a woman I aspire to be, left us too soon (shortly after writing this book), but this book and all her investigative films are a great legacy. Thank you, Sue. #heloreads

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Leitura: 20, Branca Sobreira


Uma amiga querida (que ainda não conheço pessoalmente, mas somos chegadas do mundo virtual há muito tempo!) sorteou esse livro e - prometo que não teve marmelada - eu ganhei! O "20" é uma seleção de 20 (pegou, pegou?) micro contos, e é o primeiro livro publicado da Branca Moreira (que por sua vez é amiga da minha amiga).

São micro contos mesmo: a maioria tem um ou dois parágrafos. Consegui ler de uma tacada só (mais precisamente, no metrô, em cerca de 15 estações!). Eu achei que os contos tem um "que" de poesia, são super bonitos.

Foi ótimo pra dar uma espairecida entre minha busca pelo conhecimento feminista (que continua, próximo livro já selecionado!), e o melhor, escrito por mulher : )

Leitura: Shrill (Notes From a Loud Woman), Lindy West


Comprei esse livro no mesmo dia do livro que postei anteriormente, e resolvi ler logo em seguida pois me pareceu o "contraste" perfeito: uma narrativa mais informal, com um toque de comédia e, principalmente, usando as experiências da autora como exemplo.

Lindy West mora em Seattle, e escreve para várias revistas, sites e jornais. Já trabalhou no Jezebel, e hoje em dia escreve na GQ e no Guardian.

O livro é uma espécie de autobiografia. Ela compartilha suas experiências com gordofobia e misoginia, e usando esses exemplos pessoais nos faz perceber e entender o problema de forma geral. Como ela começou a carreira escrevendo sobre comédia, foi uma das primeiras mulheres a questionar o machismo inerente nas piadas com estupro, abuso e machismo no geral.

Por causa de sua forte presença nas redes sociais, recebeu uma infinidade de abusos e ameaças. E por ser gorda, esses abusos são ainda mais cheios de ódio e violência.

Bom, como ela é americana, o livro tem várias referências (nomes de celebridades ou até mesmo gírias) que pra quem não é de lá não fazem muito sentido. Perdi algumas piadas, mas isso é só um detalhe se comparado a mensagem do livro.

Esse é o tipo de livro que vai satisfazer os leitores de blogs pessoais! E nada como colocar um problema imenso da sociedade e explicá-lo usando a vida de uma pessoa como exemplo pra coisa fazer sentido.

Leitura: Why Women Need Quotas, Vicky Price


Como vocês já devem ter percebido, eu ando me dedicando as leituras feministas ultimamente. Notei também que as livrarias agora tem seções (pelo menos um pedacinho de prateleira) de feminismo, e fica difícil resistir! Sinto que tem tanta coisa que eu preciso aprender, e quanto mais eu leio mais interesse tenho. Acho que essa fase vai durar um bom tempo, pois a pilha continua grande.

O mais recente é esse (Porque mulheres precisam de cotas), da economista Vicky Price. Não está entre os meus favoritos desse grupo de livros, mas ainda assim achei relevante. Apresenta diversos fatos e estatísticas que suportam a ideia de criar cotas para garantir que mais mulheres assumam posições de senioridade em grandes empresas.

Eu tenho algumas objeções as questões colocadas por Vicky (resumidamente, acho que o livro é escrito por uma mulher privilegiada que não reconhece seu privilégio para outras mulheres privilegiadas), mas como já falei, tem sua relevância. Principalmente para argumentar com os que acham que mulheres "escolhem" carreiras menos lucrativas. Aliás, se esse é um assunto que interessa, recomendo assistir esse hangout que eu e a Renata fizemos recentemente.




Leitura: Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie


Eu conheci a Chimamanda por causa do TED talk dela sobre feminismo (bom, na verdade eu li o livro e depois vi a palestra), e fiquei curiosa para ler outras obras dela. Comecei por Americanah, que acho que é a mais conhecida, que havia sido muito bem recomendada (por um monte de gente!).

Gostei muito, até porque tenho achado cada vez mais difícil encontrar um bom livro de ficção. Americanah acompanha a vida de Ifemelu e Obinze, um casal de namorados na Nigéria. Quando começam a vida adulta, eles seguem caminhos diferentes, e a narrativa vai alternando entre ele e ela. Ela vai fazer faculdade nos Estados Unidos e acaba ficando lá muitos anos. Ele acaba indo para a Inglaterra, mas é de volta na Nigéria que as coisas começam a dar certo profissionalmente.

Mas não é apenas a história de um casal. É um livro sobre raça, racismo, imigração e também percepções de gênero.

Como já disse, gostei muito, mas achei que poderia ser uns 30% mais curto. Eu e minha mania de querer editar tudo! Nas últimas páginas eu já estava um pouco entediada, achei que se arrasta um pouco quando a gente já consegue entender o que vai acontecer.

Enquanto eu estava lendo Americanah, foi anunciada uma palestra da Chimamanda aqui em Londres, durante o Women of The World Festival agora em março. Consegui ingresso (já estão esgotados) e estou felicíssima que vou ver de perto essa escritora maravilhosa!