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Tudo que você gostaria de saber sobre hiking na Inglaterra


Você viu uma foto de um hiking que eu fiz no Instagram. Ou chegou aqui porque procurou informações sobre como fazer uma trilha perto de Londres. Ok, vou te falar tudo que você precisa saber!

Ok, não necessariamente tudo que você queria saber, mas tudo que eu sei. Como as perguntas aparecem repetidamente no Instagram toda vez que vou fazer uma trilha, achei que valeria a pena documentar aqui e assim direcionar quem se interessa em começar a fazer essa ativida pra cá. Farei o possível (leia-se: farei quando não estiver com preguiça) para manter esse post atualizado, mas também conto com a proatividade dos leitores para conferir informações.

Vou organizar esse post em forma de 'respostas para perguntas frequentes' mas as vezes a mesma resposta pode ser usada para perguntas diferentes. Então por favor leia tudo antes de deixar um comentário ou me mandar uma mensagem no Instagram. É muito provável que sua pergunta já tenha sido respondida.

1. Onde você acha as trilhas?
No site Saturday Walkers Club, mas existem vários guias impressos (e acredito que em formato de ebook também) disponíveis por aí. Existem guias por região/county our por tema (como por exemplo trilhas que tenham oportunidade para nadar, seja em lago, rio ou praia). Eu uso o SWC simplesmente porque estou acostumada e tem bastante coisa lá.

2. Mas tem muita coisa nesse site, como eu acho uma trilha que seja boa pra mim?
Use a busca. Coloque a região onde você quer fazer sua trilha (por exemplo, se você mora no Southeast de Londres, é muito mais fácil pegar um trem ou dirigir para Kent ou Sussex, mas se você mora no oeste vai ser mais fácil ir para Surrey ou Berkshire.

3. E como eu vou saber se a trilha é difícil?
Simplesmente leia a descrição dela. Nesse site que eu indiquei, toda trilha é classificada de 1 a 10, e também no começo tem escrito a quilometragem. Então se você não tem certeza se vai aguentar ou quer só ter um gostinho, pra ver como é, encontre uma trilha que seja até 5/10 com uma quilometragem de no máximo 15km, por exemplo. Se você quer experimentar já de cara algo mais pesado, busque as trilhas a partir de 6/10 e que chegam perto dos 20km. Com o tempo, você vai conseguir identificar mais rápido se aquela trilha é ou não é boa pra você.

Muita gente me manda mensagem pedindo que eu recomende uma trilha, e eu acho essa uma tarefa difícil, já que o que cada pessoa tem sua própria noção do que é fácil ou difícil. Vamos ser honestos? Você percebe que dá um certo trabalho procurar uma trilha legal e pergunta pra mim, né?

4. Posso levar crianças na trilha?
Poder, pode. Sempre vejo famílias com crianças cruzando nosso caminho, mas o que não posso saber é se aquelas pessoas estão fazendo exatamente a mesma trilha que eu ou se apenas coincidiu algum trecho. Você conhece seus filhos melhor do que ninguém e sabe se eles vão aguentar fisicamente e se se interessam por natureza. Vejo mães e pais carregando crianças bem pequenas naquelas mochilas apropriadas para isso, ou crianças já mais velhas andando num ritmo ótimo, mas por exemplo, nunca vi ninguém passando com carrinho nos trechos que passam por fazendas ou nas subidas por caminhos de terra.

5. Você vai de carro? Ou de trem? Quanto tempo de viagem?
Costumamos ir de trem. Todas as trilhas que fazemos como bate-volta de Londres começam em estações de trem. E geralmente (mas não sempre) o próprio nome da trilha é o nome da estação onde ela começa e termina, tanto no caso das trilhas circulares (que começam e terminam no mesmo ponto) como as que começam e terminam em pontos diferentes. Por exemplo: Robertsbridge Circular, Seaford to Eastbourne).

Preferimos fazer trilhas que comecem/terminem em pontos cuja viagem de trem ou carro não seja superior a 2 horas, mas isso é uma preferência pessoal. Você pode acordar bem mais cedo e fazer uma viagem mais longa. Lembre-se de verificar a frequência dos trens com antecedência!

Aliás, a estação de trem é outro critério pra eu escolher a trilha que farei. Isso porque pra mim é muito mais fácil pegar um trem em London Bridge do que em Paddington.

Se você for de carro (o que a gente começou a fazer durante o período da quarentena do coronavirus na Inglaterra), também verifique com antecedência onde dá pra estacionar, e é claro, lembre-se de escolher uma trilha circular (a não ser que você esteja disposto a pegar um trem no final para voltar ao ponto inicial da trilha e buscar seu carro - é tudo uma questão de logística.

6. O que você leva para comer na trilha?
Eu levo: sanduíche ou uma daquelas saladas prontas que vendem no supermercado, ovos cozidos e alguma fruta. E, é claro, muita água.

7. O que mais você leva na sua mochila?
Saco de lixo, álcool gel, power bank, canivete multiuso, documento, dinheiro, papel higiênico (eu parei de usar papel quando uma amiga me apresentou o Kula Cloth), capa de chuva (independente da previsão do tempo ou época do ano).

8. E se der vontade de ir no banheiro no meio da trilha quando não tem nenhum pub ou café a vista?
O mato taí pra isso. E é por isso que você precisa levar papel e um saco de lixo. Ache um cantinho e faça o que você precisa fazer - mas não faça perto de água corrente, e se for fazer cocô, enterre!

9. Que roupa você aconselha usar? Posso fazer de calça jeans e All-Star?
Poder pode. E se você nunca fez trilha ou fará esporadicamente, nem acho que você deva comprar um super equipamento. Use o que você tem (e calça jeans é até melhor do que calça de moletom): uma legging, tênis de corrida, qualquer camiseta. Quanto mais trilhas você fizer, mais entenderá a importância da roupa apropriada, que te proteja do vento, da chuva e da lama.

Eu por muito tempo comprei a roupa mais barata, e não conseguia me conformar que tinha uma calça de 30 libras e outra de 100. Não que você deva comprar a mais cara, mas não compre a mais barata: com certeza ela não tem proteção de chuva (e ficar encharcado na trilha é uó) e o tecido vai rasgar no primeiro arbusto que enroscar. Hoje em dia eu tenho roupas de qualidade superior e que foram bem caras sim, mas como eu uso muito e preciso que elas durem muito, vale a pena pra mim. Principalmente capa de chuva.

No inverno, use blusa de fleece ou casaco 'down jacket' (ou os dois) e, caso você seja bem sensível ao frio, uma calça apropriada para a ocasião (com fleece por dentro) ou um 'minhocão' de lã merino.

Sobre o calçado: dá pra fazer a trilha com tênis sim. E a questão da lama/sujeira nem é a mais importante. O problema é que um tênis não vai te proteger de uma topada e nem vai manter teu pé seco. Ou impedir que você torça o tornozelo se der uma viradinha no pé (e o terreno em um trilha varia muito, de campo e fazenda a subidas no meio do mato).

10. Qual a marca da sua bota de hiking? Você recomenda?
Salomon. Sim.

11. Que loja que é boa pra comprar equipamento de hiking aqui na Inglaterra?
Mountain Warehouse, Ellis Brigham, Cotswold.

12. Você usa walking sticks?
Eu tenho walking sticks e uso eles em trilhas mais de aventura, como foi na Islândia e no Kilimanjaro, mas não costumo usar nas trilhas que faço aqui de bate-volta, pelo simples fato que tenho preguiça de carregar. Muitas vezes tô no meio da trilha e me arrependo de não ter levado, porque elas ajudam muito a aliviar o peso no joelho e na coluna tanto em subidas como em descidas. Tem quem deteste walking sticks, então você precisa testar mesmo.

13. O que você vê nos hikings?
Antes de tudo, você precisa alinhar suas expectativas. A Inglaterra não é um país com montanhas altas ou paisagens inóspitas - espere ver muita floresta, fazendas e vilarejos. A maior parte das trilhas que faço tem um pouco dessas três coisas, além de invariavelmente passarem por algum lugar histórico, seja uma ruína ou um palacete mantido pelo National Trust.

Uma mesma trilha pode ter uma cara bem diferente dependendo da época do ano que você vai. Em abril e maio, você certamente verá bluebells, ou campos de rapeseed. No verão, estará tudo verdinho e lá por agosto você vai ver muitas frutinhas silvestres e macieiras carregadas quando passar por campos. No outono, tudo em tons de laranja. E no inverno, muito 'frost', árvores peladas e campos vazios. Cada estação tem sua beleza.

14. Tem outras pessoas na trilha?
Sim. Mas raramente muitas ao mesmo tempo. Se a trilha passa por um parque ou por um monumento histórico, mas redondezas você vai cruzar com bastante gente que está passeando por ali. Mas em campos, fazendas e florestas esses encontros são menos frequentes. Existem dois principais tipos de pessoas andando por essas bandas: hikers como você e locais dando uma caminhada em sua vizinhança, muitas vezes levando o cachorro pra passear.

15. As trilhas são muito remotas? Corro o risco de me perder ou não ter sinal de celular?
Uma coisa é fazer uma trilha nas Highlands escocesas. Outra é fazer uma trilha em Kent. Você nunca estará muito longe de uma vila ou uma estrada. Raros os momentos que você fica sem sinal de celular. E isso é o mais interessante: ter momentos de paz e silêncio e solitude sem estar muito longe da civilização.

16. Como você faz pra não se perder?
Duas coisas: eu baixo o pdf do passo a passo da trilha e também o mapa, que você pode baixar em GPX ou KML, que você pode transferir para aplicativos e se guiar pelo celular. Na trilha escolhida no site SWC, esses mapas estão disponíveis na aba GPS, e o passo a passo na aba Download Walk.

17. Dá pra fazer hiking qualquer época do ano?
Sim. Como não temos inverno rigoroso por aqui, não precisamos nos preocupar com neve na trilha. Mas é preciso se preocupar com a quilometragem x época do ano. Por exemplo, deixe as trilhas mais compridas para fazer no verão, quando anoitece bem tarde, e as curtas para fazer no inverno pois anoitece muito cedo.

18. Tem animais nas trilhas?
Quase toda trilha passa por algum campo onde vacas ou carneiros estão soltos, 'grazing', principalmente no verão. Já nas florestas você pode se deparar com coelhos ou esquilos. E muitos passarinhos, mas só. Claro que nem preciso falar para deixar todos os bichos em paz e não alimentá-los né? Quando passar por fazendas e campos com animais soltos, não tenha medo, mas também não atormente os coitados.

19. Ué, mas pode entrar em propriedade privada?
Aqui na Inglaterra existe uma coisa chamada Right of Way. E muitas propriedades privadas são obrigadas a manterem passagens públicas. Então sim, quando uma trilha te bota num campo ou numa fazenda, você não está invadindo nada. Está de passagem e dentro da lei.

20. Pode levar cachorro?
Pode, mas respeite as placas que pedem para usar coleira em áreas com animais que estão 'grazing'. E pelamordadeusa recolha o cocô do seu cachorro. Infelizmente sempre nos deparamos com saquinhos de cocô de cahorro pelo caminho (sério, quem se incomoda de colher o cocô e botar no saquinho e deixar o saquinho lá?)

21. Pode fazer fogueira ou acender meu fogareiro que uso no camping pra fazer comida?
Não.

22. Posso acampar e dormir em qualquer lugar na trilha?
Não. É proibido fazer wild camping na Inglaterra.

23. Você já fez trilha sozinha?
Não, e não tenho vontade de fazer. Mas isso vai de cada um. Eu gosto de fazer essas trilhas na companhia do Martin (e vez ou outra de algum amigo) e é sempre bom ter mais alguém pra garantir a segurança - é improvável, mas vai que alguém torce o pé ou se sinta mal?

24. Mas qual o propósito de fazer trilha? Andar e pronto?
Pra mim, o exercício e o estar no meio da natureza. No momento, fazer trilha é o único momento que consigo não pensar em nada. Gosto de passar por cantinhos que não estão em guias turísticos e que você só consegue chegar a pé.

25. Rola almoçar em um pub?
Rola. Praticamente todas a trilhas indicadas no site tem uma sugestão de parada pro almoço. Eu costumava fazer isso, mas percebi que pra mim o importante era estar no mato e comer qualquer coisa. A parada no pub é geralmente demorada e pode adicionar até 2 horas na programação. Ah, e mesmo que você faça questão de comer no pub, mesmo assim leve algo pra petiscar na mochila. Nunca se sabe se o pub estará cheio ou fechado. O site costuma atualizar as coordenadas e informações de cada trilha, mas pode acontecer de alguma coisa ter sido deixada pra trás.

26. Tem cada flor bonitinha... posso pegar uma?
Olha, poder até pode. É permitido colher flores do campo (em área que não está designada para conservação), mas não pode colher pela raiz, apenas a flor mesmo. Mas... será que precisa? Deixa lá pras outras pessoas apreciarem também!

27. Mais alguma coisa que eu preciso saber?
Sim! Nunca deixe um portão aberto (a não ser que ele já esteja aberto quando você passou), recolha seu lixo, não deixe seu cachorro interagir com a vida silvestre e com os animais de fazenda, tome água, use roupa adequada, leve o mapa e instruções.

Ah, isso é um stile, isso é um kissing gate, isso é um field gate.

28. Posso usar essas dicas para trilhas na Escócia e em Gales?
Pode. Mas seja muito mais cuidadoso em relação a mapa e instruções. Nesses lugares é mais provável que você perca o sinal do celular. Então leve comida e água extra.

29. Tenho só uma semana pra conhecer Londres. Vale a pena usar um dia pra fazer hiking?
Vale. Se você quer passar por um lugar que não está em nenhum guia turístico, se você curte natureza ou se você quer ter uma noção do que realmente é a Inglaterra, faça sim!

30. Por favorzinho, fala uma trilha que você gostou fazer.
Sevenoaks circular, Robertsbridge circular, Box Hill to Leatherhead, Cuxton to Sole Street.


Robertsbridge circular


Dessa vez a viagem de trem para o ponto inicial da trilha levou cerca de uma hora e meia, o que é bastante comparando com a média de 45, 50 minutos. É um tempo que me faz pensar que eu poderia muito bem estar na cama, mas estou sentada olhando a paisagem passar rápido, tão rápido que nem consigo ler o nome da estações por onde o trem passa sem parar. De qualquer forma, é tarde demais para qualquer arrependimento - se for para desistir, que seja no segundo que toca o despertador (o que já aconteceu, mais de uma vez).

Já havia passado mais de um mês desde a última trilha, então eu estava feliz de finalmente calçar as botas, encher a mochila de água e comida e caminhar os quilômetros que fossem para chegar no ponto final. Nesse caso, o ponto final era o mesmo do inicial, as maravilhas de uma trilha circular.

Ainda que a vontade de ir pro mato estivesse a flor da pele, a preguiça influenciou o percurso: em vez de ir para Wendover a partir da estação de Marylebone, achei a trilha Roberstbridge circular um dia antes, que nos permitiria pegar o trem em London Bridge. Muito mais fácil, garantindo pelo menos 30 minutos extras na cama.

Nossas caminhadas pelo interior da Inglaterra são repletas de rituais, adquiridos ao longo desses três anos desde que começamos a fazer hiking com frequência. O ritual da manhã inclui chegar na estação cerca de uma hora antes do trem partir. A primeira coisa é providenciar as passagens de trem. A segunda coisa é comprar comida para o dia (em London Bridge, isso é feito no M&S). Coisa fácil de carregar: wraps, saladas prontas, frutas, algum doce. E depois, finalmente, tomar o café da manhã. O café da manhã pré hiking é um ritual dentro do ritual: vamos no Leon (não no que fica dentro da estação, que tem um atendimento péssimo, mas o que está do outro lado da rua, sempre vazio e muito maior), comemos nossos sanduíches de avocado com queijo haloumi e tomamos nossos skinny lattes. Faltando 15 minutos pra saída do trem, começamos a ir devagar para a plataforma.

Invariavelmente outros hikers embarcam no mesmo trem. Alguns saltam antes, a gente fica curioso pra saber que trilha eles vão fazer. Quando saltam com a gente, nos perguntamos se os encontraremos ao longo da nossa trilha ou talvez no trem de volta. Isso é coisa rara. Dessa vez, porém, uma moça que carregava uma edição do livro Country Walks saltou na mesma estação - Robertsbridge - mas logo acelerou. Curiosamente, encontramos com ela lá pela metade da trilha, mas  ela acelerou de novo. Não a vimos no trem de volta - deve ter conseguido embarcar no trem anterior.

Estávamos um pouco enferrujados por causa do "mais de mês sem hiking". Martin sincronizou seu relógio Suunto, abriu o mapa no celular. Eu abri as instruções no meu. E seguimos. Há alguns meses o hiking passou a ser coisa nossa, em vez de algo que fazemos com os amigos. Paramos de chamar outras pessoas para nos acompanharem, e acabamos arrumando desculpas quando somos chamados para acompanhar grupos grandes. Acho que família de dois, sem filhos, é meio assim - pelo menos nós dois somos - anti social. Quando a gente se toca que alguma coisa "'é nossa", a gente cria uma bolha em volta dessa coisa. Era assim com a corrida.

Apesar do dia de sol, o caminho estava enlameado, por causa da chuva constante nos dias anteriores. Eu não me importo com a lama. Gosto de afundar a bota nela pra provar pra mim mesma que ela valeu o investimento. Que a minha bota é boa, impermeável. Quando mais suja, melhor. O problema da lama é que ela vai acumulando e secando na sola e nas laterais, deixando a passada mais pesada, cansando a perna com mais intensidade.

Encontramos pouca gente pelo caminho, o que é atípico. Mais tarde, depois do almoço, quando passamos pelo Bodiam Castle, entendemos que todo mundo estava lá. Até o estacionamento estava lotado. Mas logo o castelo e a multidão ficou pra trás e seguimos sozinhos pelas folhas, pela lama, pelo campo.

Pela primeira vez, passamos por um milharal ainda por ser colhido. Não sabia que a planta do milho era alta desse jeito - da altura do Martin. Também passamos por uma plantação imensa de maçãs - quase todas já colhidas, muitas outras no chão, apodrecendo lindamente, um cheiro maravilhoso que me lembrou cidra. Não pegamos nenhuma maçã - mas pegamos dois milhos. Desculpa, agricultores. Somos seres humanos falhos mesmo. Se serve de argumento, eu nunca havia colhido um milho (não cozinhamos ainda, não sei se estava "no ponto"). As vezes eu brinco com o meu pai: ele saiu do meio do mato, de uma infância com vaca de estimação. E eu fico buscando essa vida rural nas trilhas. Me encanto com as ovelhas, com as plantações.

O trem de volta era de hora em hora, e chegamos na estação 10 minutos atrasados. Ou 50 minutos adiantados. Decidimos sentar em um pub ali ao lado, para tomar uma café, e o abismo entre Londres e countryside se fez presente: o atendente não sabia o que era um latte. Pedimos então coffee with milk e fomos servidos com um café preto instantâneo e uma jarrinha de leite frio. dessas que eles usam pra botar no chá. Tomei um pouco por educação, mas o meu lado cidade falou mais alto. Eu preciso de um latte.

O que me leva ao ritual do retorno: o latte no Leon assim que desembarcamos em London Bridge, antes de pegarmos o trem pra nossa casa. No Leon com atendimento péssimo mesmo, porque a essa altura do campeonato não sobra mais energia pra atravessar a rua.

Canola


Se você fizer uma viagem de trem ou de carro pela Inglaterra durante a primavera, é provável que veja diversos campos de flores amarelas pelo caminho. É uma marca registrada. Mas claro, com a velocidade, a gente vê apenas o 'conjunto da obra', um borrão amarelo passando rapidinho na janela. Não faz muito tempo que eu finalmente descobri que são plantações de canola (em inglês, rapeseed, um nome que eu particularmente acho péssimo).

E faz menos tempo ainda - dois dias - que eu vi uma plantação dessas sem estar dentro do carro ou do trem. Eu não apenas vi, mas entrei na plantação. O borrão ficou nítido, ganhou contorno. Vi que, apesar do conjunto da obra ser amarelão, as flores são bem pequenas e a maior parte é mesmo o cabo (haste? tronco?) verde. São plantas altas, semeadas tão do ladinho uma da outra que não dá pra passar no meio se não tiver uma caminho aberto. E, mesmo andando pelo caminho demarcado, nossas roupas ficaram cheia de pólen, pequenas manchas amarelas. Trouxemos um pouquinho do borrão pra casa!


Jane Austen: meu novo tour!


Adivinha quem arrumou uma nova sarna pra se coçar???

Mas uma sarna literária, histórica e, por que não, feminista.

Chamei minha amiga e também guia Raphaella pra montar esse tour comigo, e assim criamos 'Jane Austen por trás dos romances'.

Será um tour de dia inteiro, dia 13 de abril (sábado) pelo interior da Inglaterra. Vamos passar por 4 cidades por onde Jane passou, vamos seguir seus passos desde seu nascimento em Steventon até sua morte em Winchester.

Vamos dividir com quem estiver no tour a nossa interpretação de Jane Austen: uma mulher com olhar afiado, questionadora, e que usa seu poder de observação e crítica para montar seus personagens e seus enredos. Você sempre achou que os livros de Jane Austen são puro romance? Pois reavalie: são praticamente uma biografia da Inglaterra georgiana, com duras críticas a instituições praticamente intocáveis, como igreja e exército. Além disso, ela aponta também o silenciamento de mulheres e nos faz repensar se os finais que escreve são mesmo finais felizes.

Esse passeio será feito com transporte privado, e teremos parada pra almoço em um pub histórico (tudo incluso no preço). Estão inclusos também os ingressos para duas atrações pagas. O preço cheio é 170 libras (clique aqui para comprar), mas abrimos 3 vagas por 150 para quem reservar antes de todo mundo (clique aqui).

Vamos? Caso você tenha alguma dúvida, entre em contato. Nesse PDF estão mais detalhes sobre o tour.

Meu livro novo


Turma das antigas: lembram de uma série de posts que eu publiquei aqui há uns anos, que consistiam em listas estilo 'top 5' que falavam de forma engraçada sobre a vida em Londres? Bom, eu segui o conselho de alguns de vocês - que me falavam que eu deveria juntar essas listas e fazer um livro - e, aqui está ele: Quase Londoner, um guia não convencional.

Além das listas, escrevi também sobre 70 lugares pra visitar na cidade, fora do circuito já tão explorado por guias de Londres mais comerciais (como o meu próprio Guia de Londres Para Iniciantes e Iniciados, o qual continua  avenda). Ou seja, o livro é meio que um registro desses meus mais de 9 anos morando aqui, explorando a cidade sem parar, descobrindo novos lugares e estranhando a cultura britânica : )

Custa R$30,00 e está disponível em formato ebook. Clique aqui para comprar o seu. Muito obrigada pelo apoio!


Mantchestá


Não é Manchéstêr. É Manctchestá! Ou Manchester mesmo, se você tiver a pronúncia apropriada (que eu não tenho). Bom, estive lá no último fim de semana. Foi uma dessas viagens que as vezes faço pelo Aprendiz de Viajante, como já expliquei aqui.

Achei Manchester um mix de Hamburgo (prédios de tijolo vermelho), Munique (não sei explicar exatamente o porque, mas achei parecido) e Bristol. Ou seja: muito legal. Fiquei realmente encantada de como a cidade é "cool", e do tanto de atração turística que tem. Também fiquei impressionada - a mesma palavra mas com um sentido diferente - com a pobreza. Não esperava ver tantos moradores de rua, acho que ainda mais (porporcionalmente) do que em Londres.

Tive a oportunidade maravilhosa de ver a casa onde surgiu o movimento sufragista liderado por Emmeline Pankhurst e também a casa onde morou Elizabeth Gaskell. Só isso já valeu o deslocamento!

Eu não estava em Manchester sozinha, o Visit Manchester convidou um total de 75 blogueiros e instagrammers. E sim, tem muito a ver com o atentado que aconteceu no show da Arianna Grande há um tempo, que atingiu o turismo na cidade em cheio.

Bom, no que depender de mim, vou insistir pra todo mundo que tem uma viagem planejada a Inglaterra ir pra lá. Eu espero voltar em breve com o Martin a tiracolo!

Ah, pra quem tem Instagram, vejam a hashtag #workerbeeweekender, que foi utilizada por todo mundo que passou esse fim de semana lá junto comigo!







Maiden


Aqui na Inglaterra todas as mulheres casadas adotam o sobrenome do marido. Ok, pode até existir uma ou outra que não, mas é uma "tradição" (entre aspas porque né, é machismo) indiscutível. Ninguém para pra pensar, ninguém questiona. A coisa é tão forte que mal elas voltam da lua de mel e já mudam email de trabalho, adotam o "Mrs" (em vez do Miss, reservado para as solteiras, sendo que homem é sempre Mr, independente se é casado, solteiro, poliamor, cacete a quatro), e assim a vida segue.

Os filhos nascem e são registrados com o sobrenome do marido (que por sua vez tem o sobrenome do pai dele, ou seja, o sobrenome da mulher nunca vai pra frente). E a família é conhecida por esse sobrenome. Por exemplo, eu o Martin seríamos os Descalzi, e não os Righetto Descalzi ou Descalzi Righetto ou muito menos os Righetto.

De novo: eu sei que tem gente que não faz assim, mas é de contar nos dedos.

Então, o sobrenome que a mulher perde quando casa é conhecido como "maiden name". Aliás, muita gente usa esse sobrenome da mãe/mulher casada como senha de banco, resposta pra odiada pergunta de segurança para obter a senha perdida, esse tipo de coisa. Se eu ligo no banco e esqueço a minha senha telefônica, eles sempre me perguntam: qual o maiden name da sua mãe?

Essa palavra, maiden, me tira do sério. Coloquem lá no Google pra traduzir. Significa "virgem, donzela, SOLTEIRONA". Isso mesmo, o Google conhece a palavra solteirona e é isso que significa "ainda" ter o seu próprio sobrenome (lembrando, que é o do seu pai, porque o da sua mãe morreu quando ela casou): você sobrou. Você tá solteira, você é uma fracassada. Donzela, virgem, porque afinal, mulher que transa sem casar é puta né?

Acho incrível como a gente adora apontar o dedo para as tradições opressoras de outras culturas - que sem dúvida deveriam ser abolidas - mas na hora de avaliarmos nosso entorno, a gente justifica com um "ah, que bobagem, é só um sobrenome. É tradição, pra que mexer com isso".


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Transição




Depois que me mudei pra Londres e aprendi na prática o que havia aprendido na aula de Geografia na escola há muitos anos - que na Europa as quatro estações são bem definidas - eu passei a ter uma estação preferida. O outono.

Mas outra coisa que eu amo nesse lance das quatro estações são as transições entre uma e outra. Principalmente a transição entre inverno e primavera, que está acontecendo agora. Eu não odeio o inverno como a maioria dos brasileiros (e até mesmo dos ingleses) que moram aqui, mas acho que essa época a diferença entre um dia e outro é gritante. Podemos ter 5 graus de manhã e 14 a tarde, ou um dia de muita chuva e frio seguido por um de sol, calor e céu azul. Algumas árvores continuam peladas mas outras já florescem, e outras tantas estão com os botões fechados, mas prontinhos para seguir seu ciclo.

É incrível!

Os parques floridos e os preparativos pro verão, e o pensamento focado nas muitas jarras de Pimm's e churrascos nas casas do amigos nos mantém animados. A gente erra feio na roupa (coloca sapatilha quando chove e bota forrada de lã quando faz calor), mas com sorriso no rosto mesmo assim.

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Eastbourne


Fomos pela primeira vez para Eastbourne há alguns anos e desde então, principalmente depois que o Martin tirou habilitação para dirigir por aqui, voltamos lá para mostrar um dos nossos lugares preferidos na Inglaterra para amigos e familiares.

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Apesar de Eastbourne ser bonitinha - e estar perto do mar, mesmo em um dia feio ou frio pra mim é sempre revigorante - nosso "lugar" é Beachy Head. Um penhasco de cal em uma das pontas das cidades, com uma vista incrível do mar e da cidade. E o melhor: um pub muito, muito lindo.

Já estivemos lá em dia de sol, em dia de vento, em dia gelado. E dessa vez em dia de neblina. Muita neblina! Mal dava para ver o penhasco, muito menos o mar. Então resolvemos esperar no pub e daqui a pouco... tudo aberto! Um dia lindo de sol, e mais uma vez eu me surpreendi com a paisagem, apesar de já conhecê-la tão bem.

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Hiking




Se há alguns anos alguém me falasse que eu iria gostar de fazer caminhadas no campo, eu não teria acreditado. Não sei exatamente a razão, mas nunca me imaginei gastando dinheiro em roupas impermeáveis (e realmente gostando de ir em lojas especializadas) e acordando cedo em um sábado para começar a caminhada cedo e aproveitar o dia ao máximo.

Talvez por ter morado em São Paulo a maior parte da minha vida e achar que "o campo" é a coisa mais distante do mundo, ou talvez por estar mais velha e consequentemente mais calma e com mais vontade de apreciar as coisas mais tangíveis (pequenas alegrias), o fato é que tenho adorado colocar as botas (impermeáveis) nos pés e a mochila nas costas para andar 16km em trilhas nos arredores de Londres.

A gente fez trilha pela primeira vez no País de Gales, já alguns anos. Foi aliás a descoberta da trilha que contorna todo o país que me convenceu de vez que caminhadas no campo são uma das melhores coisas para se fazer em viagens. Aí uma amiga que faz hiking com mais frequências nos arredores de Londres mesmo nos chamou para acompanhar ela e o marido em uma dessas caminhadas há pouco tempo, e descobrimos todo um novo mundo de centenas de trilhas tão perto da nossa casa.

Eu sempre achei que fosse uma pessoa 100% urbana, da "cidade grande", que jamais moraria em um vilarejo ou no meio do nada. Mas de uns anos pra cá, cada vez que saio de Londres e conheço mais um cantinho da Grã Bretanha, entendo que a possibilidade da vida no campo não deve ser descartada. Tendo boa internet, eu vou pra qualquer lugar : )

Bristol


Como estamos sem poder viajar para fora do país por enquanto (visto sendo renovado), tenho tentado passear mais por Londres e arredores. Lembro que no primeiro ano que moramos aqui fizemos vários passeios bate e volta para outras cidades, mas com o tempo a gente vai sendo engolido pela rotina e esse tipo de viagem vapt vupt virou coisa rara (eu as vezes vou sozinha pelo blog, ou com algumas amigas, mas raramente o Martin vai junto).

Então decidi que a gente deveria ir para Bristol, mas rapidinho me dei conta de quem um bate e volta não seria suficiente pra ver o melhor da cidade, que é muito conhecida por causa da arte de rua e também por ter várias lojas, galerias e cafés independentes. Decidimos passar um fim de semana de lá, e Martin vlogueiro entrou em ação mais uma vez. Aqui está o vídeo com os destaques da nossa visita a Bristol (não tem tudo, mas dá uma ideia):




Novos guias de passeios bate e volta


Em agosto de 2016 eu publiquei o primeiro guia da série de passeios bate e volta a partir de Londres, sobre Oxford e Cambridge. E antes do ano virar mais dois foram publicados (eu que esqueci de avisar aqui antes, mas o lançamento foi pro ar lá no Aprendiz de Viajante): um sobre Bath e outro sobre Windsor e Hampton Court.

Já falei várias vezes que Bath é minha cidade preferida na Inglaterra (e também uma das minhas preferidas no mundo, não que eu conheça tantas assim), e eu moraria lá facilmente. Por isso optei por dedicar um guia todinho só pra ela. Já Windsor e Hampton Court estão em um guia só porque tratam-se de lugares com conexão com a realeza: o Castelo de Windsor, que ainda é uma das residências oficiais da monarquia; e o Palácio de Hampton Court, por onde já passaram diversos reis e rainhas, como Henrique VIII.

A ideia é continuar adicionando destinos a essa série de guias. Todos estão disponíveis em formato ebook, e aqui no blog tem uma aba dedicada para eles (clique em Guias de Viagem aí em cima, e então você verá uma listinha, clique na ultima opção: Série Bate e Volta de Londres). Cada ebook custa R$9,90.




Cotswolds pelas lentes do Martin


UPDATE: incluí os 2 últimos dias da viagem!!!

O Martin já peedeu todas as esperanças de que eu me torne uma blogueira e rica e famosa e resolveu ele mesmo tornar-se um "influenciador digital". O menino gostou dessa história de fazer vídeos e está criando uns filminhos bem legais da nossa viagem para a região de Cotswolds, aqui na Inglaterra.

Estamos aqui desde quinta feira e vamos embora amanhã. Vejam aí se o rapaz tem talento! ; )












5 coisas que eu achei esquisitas quando cheguei em Londres

1. Sempre tem alguém carregando mala
Essa eu coloquei como número um não por acaso: foi realmente a primeira coisa 'esquisita' que eu notei na cidade. Em qualquer percurso que você faça, seja a pé em uma área super turística ou usando o metrô em bairros mais afastados do centro, você sempre verá alguém carregando mala. Mala de viagem mesmo, de rodinha! Eu fiquei encucada com isso vários dias logo após minha chegada, e lembro que perguntei pra algum colega do trabalho do Martin: 'mas o que esse povo carrega?'. Num primeiro momento eu nem cheguei perto de cogitar que essa turma da realmente indo viajar ou voltando de alguma viagem, isso porque não estava acostumada a ver pessoas usando transporte público pra ir pro aeroporto/estação de trem/rodoviária. Londres é a capital do mundo (toma essa, Nova Iorque), e aqui tem muita gente de passagem, muitos aeroportos, muitas pessoas de negócios. É mala pra lá e pra cá. E claro, tem sempre o dia que é você ocupando mais espaço no metrô com as suas malas, a caminho de algum aeroporto! Aí é bem melhor : )

2. Os chicletes estampados nas calçadas
Esse mesmo colega de trabalho do Martin, quando eu perguntei das malas, me falou: 'ué, mas você não reparou nos chicletes?'. E aí eu prestei atenção e notei na quantidade absurda de chicletes pisados nas ruas e calçadas. Engraçado é que eu nunca vi ninguém cuspindo um, mas não tem um lugar que passei que não está decorado com chiclete. Inclusive até em calçadas novinhas, recém reformadas, os malditos já estão lá. Talvez isso esteja ligado com outra esquisitice londrina - a falta de lixeiras (que não coube nesse post porque tive que escolher apenas 5!)

3. Os homens de roupa social e meias coloridas
Lembro que entrei em parafuso fashion quando me mudei pra cá. Adorei que ninguém fica te medindo e as pessoas sentem-se muito mais livres para vestirem o que bem entenderem. Ninguém vai ficar te olhando se você colocar uma saia amarela com uma meia calça roxa, ou uma calça de moletom velha e furada com um salto alto. Pode testar, acredita em mim! Pois enfim, a liberdade fashion londrina pode também ser observada na turma dos engravatados, muitos dos quais não estão nem aí para a regra da 'meia social da cor da calça' (ou seria da cor do sapato?) e dão uma quebrada no look executivo usando meias coloridas e estampadas! E olha, não é um ou outro não - basta você andar pela City ou Canary Wharf na hora do rush pra ver. Eu acho super divertido, e aconselho todo mundo a se libertar das regras chatésimas de moda, seja em Londres ou em São Paulo.

4. Poder tirar dinheiro em qualquer caixa eletrônico
E o melhor: sem pagar taxa por isso! Talvez as coisas já tenham mudado no Brasil desde que me mudei pra cá (quase 7 anos!), mas lembro que era um saco ter que achar o caixa eletrônico específico do meu banco pra poder sacar dinheiro (ou então achar um 24 horas e pagar taxa....). Aqui em Londres você pode sacar no caixa eletrônico de outros bancos, e eles que se acertem. Muito mais fácil! Claro, existem caixas (principalmente dentro de bares e pubs) que lucram cobrando taxas, mas nos bancos mesmo, você não precisa se preocupar.

5. Previsão de nível de pólen
Vai fazer sol? Ou chover? E a temperatura? É o tipo de pergunta para a qual você espera uma resposta na previsão do tempo né? Pois aqui, durante a primavera e o verão, a previsão do tempo costuma incluir o nível de pólen no ar (alto/baixo/médio). Esquisito né? Isso porque aqui existe uma alergia chamada 'hayfever', que é basicamente uma alergia ao pólen. Eu nunca tinha ouvido falar disso no Brasil, e muita gente que nunca teve nenhum tipo de problema semelhante, descobre que tem hayfever quando chega aqui em plena primavera. Ah, e não é porque você passou uma primavera/verão imune que está livre para sempre: ela pode aparecer sem avisar no ano seguinte! A danada é terrível, a turma sofre com o nariz coçando, espirros, garganta doendo, olhos lacrimejantes e inchados. Eu já tive uma crise terrível de hayfever em Milão, mas ainda bem até hoje estou imune em Londres.

Se você gostou desse post, veja os demais da série Top 5 clicando aqui.

Como doar seus pertences em Londres

Charity Shop
As charity shops são lojas que revendem pertences - roupas, livros, brinquedos, acessórios e até móveis - por um preço muito baixo, e o valor arrecadado é doado para alguma instituição sem fins lucrativos. Diversas instituições, como o Cancer Research UK e o Save The Children possuem uma rede de charity shops, mas algumas são independentes, e revertem o valor para mais de uma instituição.

É a maneira mais prática de doar o que você não quer mais, pois existem várias, em todos os bairros. É só levar suas coisas e deixar lá - mas é claro, certifique-se de que determinada loja aceita determinado tipo de produto. Por exemplo, existem charity shops especializadas em roupas, então não adianta levar uma cadeira.

Sempre que eu levo alguma coisa na charity shop eu também dou uma olhada na oferta - temos um relógio antigo, dos anos 40, que compramos por £10!

Freecycle
Sei que o Freecycle nāo é uma exclusividade daqui, mas eu nunca tinha ouvido falar desse rede de doações antes da minha mudança pra Londres. O Freecycle é um website, que conecta pessoas das mesmas cidades e bairros, que estão doando pertences ou buscando doações.

Você deve entrar no site e buscar pelo grupo de sua cidade ou bairro, e após um rápido cadstro pode anunciar o que está doando ou procurando. Os interessados irão responder seu anúncio e você então recebe uma notificação por email. Aí é só se organizar com a pessoa e arranjar a entrega. Eu já doei, entre outras coisas, um microondas.

Dependendo do que você anuncia, vai receber um monte de emails interessados, então é bom ficar atento e fazer por ordem de chegada: se a primeira pessoa que entrou em contato acabou 'sumindo', avise a próxima, e assim por diante.

Também é legal dar uma olhada nos anúncios de coisas que as pessoas estão precisando, talvez você tenha algo em casa que nem lembra mais e pode ajudar muito! Lembrando que o Freecycle é mantido por voluntários, então se você usa os serviços, que tal considerar uma doação?

www.freecycle.org

Gumtree
O Gumtree também é um website de anúncios (mas de absolutamente tudo!), só que você pode usá-lo para vender/comprar, e não necessariamente doar. Acho que usei o Gumtree apenas uma vez, para vender um sofá, porque acho meio confuso, tem tanta coisa que é difícil achar aquela coisa específica que você está procurando. Mas enfim, é uma solução (e alternativa ao Ebay) se você precisa de uma graninha extra e quer vender alguma coisa.

www.gumtree.com

Grupos no Facebook
Existem alguns grupos de brasileiros que moram em Londres no Facebook, e em muitos deles as pessoas anunciam seus serviços ou objetos para vender/doar. Como o Facebook anda trolando tudo quanto é postagem orgânica, a sua oferta pode se perder, mas né, nunca se sabe. Sempre tem alguém que conhece alguém que está precisando de algo que você não quer ou não precisa mais.

Council
Essa é uma ótima opção se você precisa doar coisas grandes, como móveis, mas não tem como fazer o transporte. Entre em contato com o seu council (tipo sub prefeitura do seu bairro), pois eles provavelmente tem um serviço de coleta. Não adianta deixar na lixeira do seu prédio e achar que a fada da reciclagem vai pegar - é preciso avisar o council, eles tem um dia certo designado para isso.

Deixar na porta de casa
Apesar de essa não ser uma prática tão comum em Londres como é em outras cidades européias, não é difícil encontrar objetos na frente de algumas casas com clara sinalização de que estão ali pra quem quiser pegar. Pra quem mora em prédio, também dá pra deixar no hall por um tempo com um bilhete e ver se alguém pega. Já peguei uma mesa de centro no lixo de uma casa e doei uma cadeira no hall do meu prédio.

Mas claro, tenha bom senso: se ninguém pegar em 24 horas, retire o objeto e arrume outra maneira de fazer a doação.

5 tradições de Natal britânicas

1. Christmas crackers
Minha tradição favorita! E a primeira que a gente conheceu quando chegamos em Londres. Faltavam 3 semanas para o Natal, e em todo restaurante que a gente passava, víamos essa espécie de 'tubo' em cima dos pratos. E aí vimos também no supermercado, caixas e caixas com os tais dos tubos. Só fomos descobrir do que se tratava quando o marido inglês de uma amiga explicou: os Christmas Crackers devem ser estourados no dia de Natal (cada pessoa segura de um lado do cracker, em uma roda de pessoas, e todo mundo puxa ao mesmo tempo), e dentro deles tem umas bobagens, uns presentinhos. Mas mais importante que os presentinhos são as coroinhas de papel (que todo mundo tem que colocar na hora de comer) e as piadinhas sem graça. Garanto que deixa a festa muito mais divertida, desde então a gente adotou essa tradição e apresentamos a 'novidade' pra todo mundo que vem pra Londres nessa época.

2. Christmas jumper
Jumper é a palavra que se usa por esses lados para descrever um suéter: uma blusa de manga comprida, que pode ser de moletom, de lã, ou de qualquer outra coisa. Mas o Christmas jumper é algo especial: é feito especialmente para essa época e você NUNCA verá ninguém usando um Christmas jumper em qualquer outra época do ano (por exemplo, se faz um dia frio na primavera ou no verão). E como você identifica um? Fácil: o Christmas jumper tem estampa de símbolos natalinos, como papai noel, boneco de neve, flocos de neve, pinheirinho e por aí vai. Quanto mais perto do Natal, mais fácil avistar alguém usando (e geralmente nos escritórios o pessoal faz o dia de usar o Christmas jumper, tem concurso pra ver qual o mais cafona e tudo mais). O Christmas jumper tem fama de ser brega, e a galera abraça a ideia - pode fazer uma busca nas imagens do Google pra ver como é muito mais fácil encontrar modelos cafonas do que modelos bonitinhos.

3. Comercial da John Lewis
A John Lewis é uma das lojas de departamentos mais tradicionais de Londres. Não é tão conhecida entre os turistas, que acabam visitando as famosetes Harrods e Selfridge's, mas a minha impressão é que os locais tem um carinho especial por ela. Mas especulações a parte, a loja todo ano lança um comercial de Natal que vira 'hit': tipo, as pessoas esperam por isso, vira capa de jornal, gera discussões ('ah como assim você não chorou?', 'a do ano passado foi muito melhor' etc etc etc). Falam bem ou falam mal, mas todos falam do comercial da John Lewis. Eu não sei há quanto tempo eles fazem isso, mas acredito que o sucesso é tanto que ainda vai acontecer por muitos e muitos anos.... Para o Natal de 2014, a estrela é um pinguim, o Monty:


(e aí, chorou?)

4. Mensagem da Rainha
Todo ano a Rainha prepara uma mensagem que é transmitida no dia de Natal (antigamente era sempre a BBC que fazia a transmissão, hoje em dia é alternado com outros canais), gravada com antecedência e que nada mais é do que um 'resumo' do ano que passou. Ela normalmente relembra eventos (esportivos, culturais, sociais) que aconteceram no decorrer dos últimos 12 meses, assim como acontecimentos familiares (como foi o caso do nascimento do Jorjinho ano passado). Acho que é um dos poucos dias do ano em que as pessoas realmente lembram que 'nossa, temos uma Rainha', principalmente num ano relativamente tranquilo no quesito fofocas reais como foi 2014. Republicanos e monarquistas, todo mundo para o que está fazendo pra ver e ouvir o Feliz Natal real. No site da familia real (mudérno) você pode ver as transcrições de todas as mensagens de Natal desde 1953.



5. Calendário do advento
Eu sei que essa não é uma exclusividade britânica, e o calendário do advento existe no mundo todo. Mas aqui você encontra calendário de advento no supermercado como no Brasil você encontra Panettone. Afinal, que não curte ganhar um chocolatinho todo dia durante 24 dias (1 a 24 de dezembro)? O formato é simples: uma caixa retangular, e cada dia é uma 'janelinha'. O que varia mesmo é a estampa da caixa: tem de todos os personagens que você possa imaginar. Isso sem contar nos calendários do advento com 'outras especialidades', como brinquedos, velas, produtos de beleza e ingredientes gourmet. Eu prefiro um pedacinho de chocolate mesmo!

5 programas de televisão para assistir quando você vier para Londres

1. Bargain Hunt
A ideia é simples: duas duplas (time azul - the blues - e time vermelho - the reds) percorrem uma feira de antiguidades e tem 300 libras e uma hora para comprar quantos objetos quiserem, e cada dupla conta com a ajuda de um especialista na área. Esses objetos vão então para leilão e a dupla que arrecadar mais, ganha (e leva o lucro - geralmente muito baixo). Pode até soar excêntrico, mas feiras e leilões de antiguidades são muito comuns no Reino Unido - aqui no meu bairro, por exemplo, existem as duas coisas. Os britânicos no geral adoram uma barganha nessas feirinhas, e existem dezenas de programas dedicados ao assunto. Se você gostar de Bargain Hunt, assista também Antiques Road Show, Flog It!, Cash in the Attic.

2. Celebrity Juice
Pra rir muito e ver muita baixaria. Mas digo rir de chorar de rir e baixaria de ver pintos e bundas e aprender todos os palavrões possíveis em inglês. Trata-se de um programa estilo 'painel' (muito comum na televisão britânica, poderia citar dezenas: um apresentador e dois times de tres ou quatro pessoas que precisam responder perguntas ou cumnprir tarefas). Os times são formados por celebridades, e como o nome diz, as perguntas e tarefas são baseadas no mundo dos famosos, fofocas e verdades. O apresentador, Keith Lemon, é uma piada (pra quem não está afiado no inglês, é difícil entender o que ele fala), e não tem papas na língua. Se você gostar de Celebrity Juice, assista também A League of Their Own e Mock the Week.

3. The Graham Norton Show
Já escrevi um post sobre esse talk show, e ele continua muito bom - acho que até melhor do que na época que escrevi. Os entrevistados ficam juntos o tempo todo, e isso rende momentos hilários. Mas o destaque é mesmo o próprio Graham Norton, que faz perguntas bem diferentes do que vemos nos talk shows e consegue sempre fazer que role uma química entre os entrevistados. Veja até o fim, que sempre tem apresentação musical (semana passada foi o U2, por exemplo) e o famoso quadro 'The Red Chair', quando alguém do público conta uma história que supostamente deve ser divertida, mas se o Graham achar que é chata, a pessoa é derrubada da cadeira (falando assim parece idiotice, mas e hilário).

4. Grand Designs
Esse programa epitomiza a obssessão dos britânicos pelo mercado imobiliário e a curiosidade de ver a casa alheia. O que tem de coisa na televisão sobre pessoas procurando lugares pra morar e reformas/decoração não é brincadeira. A diferença do Grand Designs é que o apresentador (Kevin McCloud, que é tipo o guru da arquitetura/decoração e é o 'rosto' da marca) acompanha um projeto do zero, passando por todos os perrengues da contrução. Tem casas, por exemplo, que começam a ser construídas anos antes do programa ir pro ar, porque geralmente o episódio termina com o apresentador visitando os proprietários já morando lá. Se você gostar de Grand Designs, assista também Location, Location, Location, 60 Minute Makeover e Homes Under the Hammer.

5. Countryfile
Sabe aquela hora no domingo, fim de tarde e começo da noite, quando só tem lixo passando na televisão? Pois veja Countryfile e seus domingos nunca mais serão os mesmos! O programa tem vários apresentadores, e cada episódio é focado em uma região do interior do Reino Unido, além de ter algumas seções específicas, como o dia e dia e problemas de uma fazenda. A ideia principal, porém, é mostrar as belezas de cada região (fauna e flora), assim como produtos típicos e artesanato local. O Countryfile tem grande influência na nossa vontade de explorar mais o país que moramos. Recomendo muito pra quem quiser aprender mais sobre o Reino Unido, que vai muito, mas muito além de suas cidades mais connhecidas. Enfim, é um programão, especialmente pra quem curte viajar.

A copa aqui

Alguns amigos e familiares me perguntaram como anda o clima de copa por aqui. Claro, agora com a Inglaterra eliminada e humilhada, é como se não existisse copa. Mas antes disso, eles ja estavam desencanados. Ninguém tinha a menor esperança de um bom desempenho da seleção, e o que mais me chamou atenção foi a falta de bandeiras nas janelas e varandas. Aqui no meu prédio a única bandeira é a minha, do Brasil. 

Apesar de todos os jogos serem transmitidos ao vivo e muitos bares e pubs promovendo a copa, não há uma comoção geral. Empolgação zero. Eu lembro que em 2010 estava um pouco mais animado, mas desde então os torcedores tem se decepcionado com Rooney e sua turma. 

Sei lá, de repente o povo está mais preocupado em aproveitar o tempo bom nos parques, porque vai saber até quando o calor fica por aqui, certo?

Dirigindo

Pois então que desde o fim do ano passado estamos motorizados! Não, não compramos carro, mas o Martin tirou carteira de motorista (não é possível simplesmente usar a nossa.... tem que passar por todo stress de auto escola, prova teórica e prova prática novamente) e resolvemos aderir ao Zip Car, um "clube de carros" que dispõe de vários veículos espalhados pela cidade inteira.

Então, pagando uma taxa anual, podemos alugar esses carros por hora, dia ou semana. Claro, pagamos além da taxa o tempo utilizado, mas o combustível é gratuito (basta usar o cartão que está dentro do carro). É uma mão na roda - tem um carro estacionado aqui na garagem do nosso prédio (pelo que entendi é obrigatório ter pelo menos uma vaga para esse tipo de esquema) e outro a cinco minutos daqui, na rua ao lado. Fazemos a reserva pelo site e é só pegar o carro na hora combinada. Uma mão na roda.

Estamos tentando fazer pelo menos um passeio diferente por mês - ir a lugares onde é mais chato chegar de transporte público. Por exemplo, pubs que ficam no meio do nada, ou museus menores em vilarejos que não tem estação de trem. 


Ano passado visitamos a casa onde viveu Charles Darwin, e semana passada visitamos a cada onde Jane Austen passou seus últimos 8 anos de vida. Também conhecemos 2 pubs maravilhosos, um no condado de Kent e outro em Hampshire. Claro, temos pubs incríveis em Londres, mas os pubs do interior são sensacionais: históricos, aconchegantes, com boa comida e ótimo serviço. É uma atmosfera muito diferente do que vemos em Londres, e a uma distância tão curta.

Fim de semana

Um resumo do fim de semana em imagens:

Dirigimos até um pub no condado de Kent para o almoço do domingo. Mal dá para acreditar que a 40 minutos de Londres podemos encontrar um visual como esse:


Resultado da minha terceira visita a Cambridge, no sábado:



Passeio de barquinho pelo rio Cam, em Cambridge:



O fim de semana começou mais cedo, pois fiquei em casa na sexta para receber nossos hóspedes parisienses. O dia terminou com uma caminhada pelo bairro, inclusive uma passadinha pelo mercado que está todo iluminado para o Natal:



Nossa estação de trem pela manhã, com as plataformas cobertas por uma fina camada de gelo:

No More Page 3

Quem me segue lá no twitter ou no instagram já deve até estar de saco cheio desse assunto, mas já estava mais do que na hora de eu falar aqui sobre meu apoio a campanha "No More Page 3" - aliás, não poderia ter escolhido uma data melhor pra escrever esse post, já que ontem participei de um (pequeno, mas barulhento) protesto e hoje a campanha alcançou 125,00 adeptos através da petição online.

Primeiro, vou explicar rapidamente o que é a tal da Page 3, afinal se você não mora aqui talvez nunca tenha ouvido falar dela (se bem que é quase uma instituição, conhecida em diversos países europeus, infelizmente): é uma seção do jornal The Sun (esse provavelmente muita gente ouviu falar, jornal sensacionalista que volta e meia publica manchetes toscas e mentirosas sobre celebridades) na qual diariamente são publicadas fotos de modelos com os peitos de fora.

Antes que você me chame de recalcada, feia gorda bobona e invejosa, quero dizer que a campanha - e eu, claro - não é contra as modelos, nem contra o direito de posar nua, muito menos contra os peitos. Eu sou fã de peitos, acho peitos lindos, adoro os meus. O que pega é o contexto - o que faz uma mulher semi nua bem no meio das notícias, justamente no jornal de maior circulação nacional? Não faz nada, só presta um belo de um desserviço a nossa sociedade que já é tão machista.


Você já imaginou se bem no meio do jornal do almoço o apresentador falasse: agora é a hora da gente ver a mulherada pelada. Não né? Não tem cabimento. Isso é objetificação, é falar para o mundo que é assim que tem ser - que em meio a homens vestidos e falando de negócios e assuntos do dia a dia, uma mulher só consegue espaço se ficar pelada. 

Também não adianta vir com aquela fraquíssima desculpa: 'se não quiser ver não compra'. Não é assim tão simples. Quando alguém lê a Page 3 no trem, eu sou submetida a imagem da mulher em pose sexual de peitos de fora do meu lado. Assim como é a criança que está sentada na minha frente. 

Gente, existem milhões de maneiras de ver peitos - mas o The Sun não é o lugar deles. A Page 3 só reforça o que já falei sobre outra campanha que apoio, Everyday Sexism

Tenho ainda dezenas de argumentos, como a influência na formação das crianças e na auto estima feminina. Posso também contar que, durante nosso protesto no domingo, ouvimos alguns homens falando 'get your tits out' - um inclusive estava de mãos dadas com o filho pequeno - o que apenas reforça o que queremos dizer. Mas já escrevi demais, deu pra entender, certo?

São 43 anos - mas agora chega! Vamos assinar a petição e continuar gostando de peitos, mas lembrando que a mulher que os segura é ainda mais importante.

Ah, quem quiser comprar a camiseta, está a venda aqui: http://www.thefashionmove.co.uk/collections/t-shirts

#nomorepage3 #newsnotboobs
No More Page Three

PS: o The Sun Pertence a Rupert Murdoch, mesmo dono do extinto News of The World, que recentemente protagonizou o escândalo das escutas telefônicas e por isso saiu de circulação.

Drama anual

Acabou o horário de verão por esse lados e imediatemente começaram as reclamações. Pois é, todo ano é assim: o inverno começa a dar os primeiros sinais de vida e os reclamões de plantão não param de lamentar as poucas horas de sol, a temperatura baixa, o vento, a chuva, tudo.

Eu nunca tive problemas com o inverno, mas tenho um bode gigante dessas lamúrias que vem com ele. É um "choro coletivo" que faz com que fique mais difícil atravessar esses meses.

Então eu reclamo deles pra ter um motivo pra reclamar também. Gente, bota gorro, luva, cinco casacos, sei lá - mas vamos por favor aceitar que o inverno aqui é assim e não nos resta outra alternativa senão.... deixar rolar?


Arte na rua: projeto Art Everywhere

A partir de hoje até o dia 25 de agosto cerca de 22 mil cartazes de 57 obras de arte feitas por artistas britanicos como Turner, Bacon e Freud estarao espalhados pela Gra Bretanha - voce poderá ve-los em pontos de onibus, outdoors, estacoes de trem e metro, supermercados e até mesmo em bares e academias, transformando as cidades britanicas em uma gigantesca galeria de arte. Legal né?

Fiquei sabendo desse projeto, que se chama Art Everywhere, hoje de manha assistindo o BBC Breakfast, que faz parte da minha rotina matinal. Cheguei no trabalho e fui direto procurar mais informacoes, e entao encontrei o site que explica tudinho. 

O mais bacana é que o Art Everywhere envolveu o público, que foi convocado a votar nas suas obras favoritas (o top 10, que é sensacional, pode ser visto aqui) e também participou com doacoes para viabilizar o projeto. Ainda é possível contribuir, comprando alguns produtos na lojinha virtual deles, sao bem bacanas, voce pode dar uma olhada aqui

Agora estou ansiosa pra ver algum cartaz no meu caminho de casa, vou ficar de olho! 


Dear Daily Mail, you misogynist pile of twats

Eu nunca tinha ouvido falar da Amanda Palmer até uma amiga fazer uma super recomendação - esses dias mesmo até ela foi no show e falou o quanto foi legal. Aí eu já fiquei curiosa, porque entendo lhufas de música e adoro recomendações de amigos que sei que tem o mesmo estilo que o meu.

Se ela já estava bem recomendada, depois do que vi no blog dela hoje virei fã número um.

A história é a seguinte: Amanda Palmer se apresentou no festival de Glastonbury (pra quem não conhece - eu não conhecia antes de mudar pra cá - é um mega master festival de música, talvez o mais famoso do mundo, que rola aqui na Inglaterra no início do verão) e durante sua performance alguém tirou uma foto dela com o peito saindo do sutiã. Aí o tosco do jornal Daily Mail (bota tosco nisso, sensacionalista e nojento) foi lá e fez uma matéria sobre a foto. Sério. A mulher se apresenta em Glastonbury e tudo que eles tem pra falar é que o peito escapou do sutiã?

Mas né, não foi a primeira nem será a última vez que a mídia faz merda do tipo. Não teve o outro jornalista babaca que falou que a campeã de Wimbledon tinha sorte de ser boa no que faz já que ela não é bonita? E tantos outros que em vez de apontarem sucessos das mulheres preferem falar que elas tem celulite?

A diferença aqui é que Amanda Palmer respondeu. Não só respondeu, como humilhou, levantou a bandeira contra esse jornal misógino.

Ela respondeu fazendo o que faz melhor. Cantando (não deixem de ver o vídeo, é surpreendente)




A letra da música é essa (vai mais pra baixo que tem a tradução, feita pela sensacional Mariana - obrigada Mari!).

dear daily mail,
it has come to my recent attention
that me recent appearance at glastonbury festivals kindly received a mention
i was doing a number of things on that stage up to and including singing songs (like you do…)
but you chose to ignore that and instead you published a feature review of my boob

dear daily mail,
there’s a thing called a search engine: use it!
if you’d googled my tits in advance you’d have found that your photos are hardly exclusive
in addition you state that my breast had escaped from my bra like a thief on the run
you do you know that it wasn’t attempting to just take in the RARE british sun?

dear daily mail,
it’s so sad what you tabloids are doing
your focus on debasing women’s appearances ruins our species of humans
but a rag is a rag and far be it from me to go censoring anyone OH NO
it appears that my entire body is currently trying to escape this kimono….

dear daily mail,
you misogynist pile of twats
i’m tired of these baby bumps, vadge flashes, muffintops
where are the newsworthy COCKS?
if iggy or jagger or bowie go topless the news barely causes a ripple
blah blah blah feminist blah blah blah gender shit blah blah blah
OH MY GOD NIPPLE

dear daily mail,
you will never write about this night
i know that because i’ve addressed you directly i’ve made myself no fun to fight
but thanks to the internet people all over the world can enjoy this discourse
and commune with a roomful of people in london who aren’t drinking kool-aid like yours

and though there be millions of people who’ll accept the cultural bar where you have it at
there are plenty of others who’re perfectly willing to see breasts in their natural habitat

i keenly anticipate your highly literate coverage of upcoming tours

dear daily mail,
UP YOURS.

Aqui está a tradução:

Querido Daily Mail,
Eu fiquei sabendo
Que a minha recente apresentação no Festival Glastonbury gentilmente recebeu uma menção,
Eu fazia um monte de coisas naquele palco até, e inclusive, cantei músicas (como você faz…)
Mas você preferiu ignorar e em vez disso, publicou uma matéria sobre meu peito.

Querido Daily Mail,
Existe uma coisa chamada ferramenta de busca: use-a!
Se tivesse dado Google nas minhas tetas antes, descobriria que suas fotos não são nada exclusivas,
Além disso, você afirmou que meu seio escapou do meu sutiã como um ladrão fugido
Como você sabe se ele não estava tentando aproveitar um pouco do raro sol britânico?

Querido Daily Mail,
É tão triste o que os seus tabloides estão fazendo
Seu foco em rebaixar a aparência das mulheres estraga nossa espécie humana
Mas sensacionalismo é sensasionalismo, e longe de mim querer censurar alguém.
AH NÃO
Parece que meu corpo todo está agora tentando escapar desse kimono…

Querido Daily Mail,
Seu bando de babaca misógino
Estou cansada de barriguinhas, calcinhas e gordurinhas
Onde estão os PAUS interessantes?
Se o Iggy you Jagger ou Bowie tirarem a camisa, as notícias nem causam comoção
Blá blá blá feminista blá blá blá merda de gênero blá blá blá
AI MEU DEUS, MAMILO.

Querido Daily Mail,
Você nunca escreverá sobre essa noite.
Sei disso porque falei diretamente para vocês, não tem mais graça brigar comigo
Mas graças ao pessoal da internet em todo o mundo, podem aproveitar esse discurso
E conversar em um local cheio de pessoas em Londres que não estão bebendo ki-suco como vocês
E embora existam milhões de pessoas que aceitam o padrão culturam que vocês estabelecem,
Tem muitos outros que estão totalmente dispostos a ver seios em seu habitat natural
Eu sutilmente prevejo sua cobertura altamente educada das turnês futuras

Querido Daily Mail
Vai tomar no…

Sarcasmo em forma de cartão

Já falei nesse post aqui sobre como gosto dos cartões sarcásticos que eles tem aqui, para tudo que é ocasião. Eu chego a entrar nas lojas especializadas só pra ler e dar risada, de tão bons que são. Aí, quando estávamos lá em Cardiff, entramos numa loja de souvenir que tinha um monte, um melhor que o outro - não resisti e fui fotografando. E achei que valeria a pena dividir aqui!

A vida é curta demais para ser magra
Você precisa de irmãos e irmãs para te ajudar a lidar com os seus pais
Ser alegre é o que me faz seguir em frente
Estou velha demais pra fingir que dou bola
Quanto mais velha eu fico, mais ridículos vocês parecem
Parabéns pelo seu investimento de longo prazo
Agora você pode atualizar seu status do Facebook

O nosso pub

Quando o dia está quente e ensolorado (como hoje), a gente sempre acaba fazendo a mesma coisa: uma voltinha pelo bairro antes de parar no nosso pub preferido.

Temos até outros pubs um pouquinho mais perto de casa (não que esse seja longe, menos de 10 minutos), mas esse é bem na beira do rio e fica fora da rota turística do bairro.

O ideal é conseguir uma mesa do lado de fora - e quando conseguimos, ficamos lá horas. Pedimos comida, bebida e ficamos vendo o vai e volta dos barcos no rio (no inverno não deixamos de ir lá - mas é claro, ficamos do lado de dentro!).

E nosso domingo foi assim....



Se o calor é grande, a jarra de Pimm's também é

A fila pra pedir bebida

O pub por dentro