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Transição




Depois que me mudei pra Londres e aprendi na prática o que havia aprendido na aula de Geografia na escola há muitos anos - que na Europa as quatro estações são bem definidas - eu passei a ter uma estação preferida. O outono.

Mas outra coisa que eu amo nesse lance das quatro estações são as transições entre uma e outra. Principalmente a transição entre inverno e primavera, que está acontecendo agora. Eu não odeio o inverno como a maioria dos brasileiros (e até mesmo dos ingleses) que moram aqui, mas acho que essa época a diferença entre um dia e outro é gritante. Podemos ter 5 graus de manhã e 14 a tarde, ou um dia de muita chuva e frio seguido por um de sol, calor e céu azul. Algumas árvores continuam peladas mas outras já florescem, e outras tantas estão com os botões fechados, mas prontinhos para seguir seu ciclo.

É incrível!

Os parques floridos e os preparativos pro verão, e o pensamento focado nas muitas jarras de Pimm's e churrascos nas casas do amigos nos mantém animados. A gente erra feio na roupa (coloca sapatilha quando chove e bota forrada de lã quando faz calor), mas com sorriso no rosto mesmo assim.

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Referendo


Eu sou imigrante. Sou brasileira, tenho cidadania italiana, moro no Reino Unido. Sou casada com outro imigrante. Um argentino, que morou no Brasil. Eu poderia ir mais longe, falar dos meus bisavós, tataravós... sabe-se lá quantos países estão no meu DNA.

Isso já é motivo suficiente para eu seu totalmente contra a saída do Reino Unido da União Europeia. Eu sou a prova de que o mundo é melhor quando temos lado a lado pessoas que não apenas tem nacionalidades diferentes, mas também carregam tradições com as quais nós nunca teríamos contato se não fosse essa coisa maravilhosa que existe hoje em dia que é o direito de ir e vir.

O mundo é melhor quando um país pode ajudar o outro a se levantar. E assim, quem sabe, será ajudado quando estiver precisando. O mundo é melhor quando um país consegue ver potencial no coletivo, e sabe que a caminhada sozinho é muito mais difícil.

Existem dezenas de outras razões, econômicas, políticas, sociais, para que o Reino Unido permaneça na UE. Mas pra mim, é difícil de engolir que alguém acredite nesse lixo todo que é propagado por aqueles que querem o 'Brexit' (Britain + exit), e criam um medo (ah, o medo!) infundado usando imigração como base.

O Reino Unido pode ter centenas de defeitos. Cortar os laços com a UE não vai consertar nenhum deles. O nosso incrível sistema de saúde, já utilizado por mim e pelo Martin (lembrem-se, dois imigrantes!) muitas vezes, não vai melhorar. O sistema de benefícios não vai ficar mais rico. O problema de moradia não vai se resolver.

Até eu, que pouco entendo de política e não sou nem um pouco articulada para dar discurso nesse assunto, consigo enxergar isso. Cadê as grandes corporações (alô Google, Amazon, Starbucks) pagando seus impostos corretamente em vez de se aproveitarem de buracos na legislação? Que se dane né? Mais fácil culpar os imigrantes.

Quando pessoas do naipe de Donald Trump e Nigel Farage (líder do partido de extrema direita daqui) apoiam um lado, sabem o que devemos fazer? Apoiar o outro.

compartilhei essa imagem no Facebook, não sei quem é o autor original

Primavera, sua loka!


Que primavera e outono são estações de transição na Europa, isso todo mundo já sabe. É impossível prever a temperatura para os meses de abril e maio, assim como setembro e outubro. Tem dia que pode fazer 7 graus e no dia seguinte, 20. Até aí tudo bem, o clima aqui é assim e não dá mesmo pra achar que vai dar praia assim que o inverno termina oficialmente.

Mas neve na última semana de abril? Não apenas neve, mas granizo, trovoada (de sacudir as janelas - e NUNCA troveja assim aqui em Londres), e, pasmem, sol com céu azul. NO MESMO DIA. Sim, tudo isso no mesmo dia.

Podem reclamar o que for do clima londrino, que o verão não é quente o suficiente, que chove demais, que está sempre nublado... mas essa semana nem tá dando pra reclamar, por que vai falar o que? Tá nevando. Ah, já parou, agora tá sol. Ih, tá chovendo. Ah, mas pera, tá nevando. Eu hein.

Eu acho que comentei aqui que o inverno dessa vez foi ameno (como já havia sido ano passado). Veja bem, não digo que não frio, mas não fez aquele frio que se espera de uma cidade na Europa em pleno inverno. Até as flores começaram a brotar antes da hora. Tô achando que deu pau em algum sistema de São Pedro, ele desligou e ligou, desinstalou e reinstalou, mas teve mesmo é que abrir um chamado no Help Desk. Ou seja, não vai arrumar nunca.

E pra terminar esse post com uma coisa bonitinha, foto do parque na minha corrida de hoje (é, eu parei mesmo durante o treino pra fazer essa foto, não deu pra resistir):

1 de abril

Pra mim, o primeiro de abril sempre foi um dia de contar uma mentirinha idiota pras amigas na escola, ou cair na mentirinha idiota de algumas delas. Mas aí eu me mudei pra Europa e passei a vivenciar o primeiro de abril como nunca antes.

Vários jornais e websites publicam notícias falsas, Políticos publicam declarações absurdas. Empresas fazem propaganda de produtos esquisitos que vão lançar. Em Paris, até trocaram o nome de algumas estações de metrô (Opéra virou Apéro, por exemplo). Até o Google entra na dança.

Tem quem ache divertido. Eu acho uma grande perda de tempo. Quer dizer, a parte divertida é o pessoal que compartilha essas notícias falsas no Facebook e passa um ridículo depois. Teve um blogueiro que fez um post falando que os Estados Unidos estavam abolindo visto para brasileiros, e aí o texto foi tão compartilhado nas redes sociais, que ele ficou sem saber o que fazer.

Enfim. É isso. Perceba minha falta de ideias para blogar!

Inverno primaveril

Acho que não está acontecendo apenas em Londres, mas também em diversas outras regiões da Europa (de acordo com o que eu vejo no Snapchat!), um 'inverno primaveril'. As temperaturas estão bem acima da média para essa época do ano, chegando até mesmo na casa dos 20 graus em algumas horas do dia.

Pode até parecer boa notícia a princípio (principalmente pra quem reclama do frio o inverno inteiro!), mas eu acho assustador. Até algumas flores estão brotando, o que mostra que a natureza também está confusa. 15 graus as 7 da manhã no meio de dezembro? Alô, aquecimento global! E não é um dia ou uma semana - isso já está acontecendo há pelo menos duas semanas e a previsão não vê sinais de dias mais gelados até o fim do ano.

Ano passado já foi assim, um dezembro ameno, cerca de 10 graus em média. E a cada ano aqui eu noto que está ficando menos frio. Eu sei, uma hora a frente fria chega e a temperatura vai despencar, mas isso não compensa o fato da gente estar usando jaqueta jeans essa época do ano. Era pra todo mundo estar de cachecol, gorro, luvas.

Não é normal, não é bom. Prefiro o frio extremo ao fim dos tempos!

A pressão do verão

Basta a temperatura passar de dois dígitos pelos lados de cá e todo mundo já está abandonando casacos e tomando Pimm's no pub - depois de meses frios, nada mais natural do que querer aproveitar ao máximo os dias longos, certo?

Certo. Verão é maravilhoso, Londres com céu azul e sol é imbatível, mas.... com a 'vibe' verão vem também a pressão do verão. Uma enxurrada de eventos e acontecimentos por toda cidade. Todos os dias, tem sempre alguma coisa pra fazer - e pode ter certeza de que você se sentirá a pessoa menos cool do mundo quando olhar seu feed do Instagram e ver que todo mundo que você segue que mora aqui está fazendo algo mais legal que você.

É festival, é ópera ao ar livre, é mercado gastronômico. TUDO. AO MESMO TEMPO. AGORA.

Tenho a sensação de que ficar em casa é o maior dos crimes. Bate aquele desespero de 'meu deus preciso fazer isso, ir naquilo e conhecer aquilo outro'. Você é bombardeado de informações: quase todas os cartazes de propaganda no metrô tem relação com algum evento de verão.

Olha, tem que ter pique. Londres normalmente já é a mil por hora, nessa época então, parece que o mundo todo veio pra cá - pra ver e ser visto!

(E se você quer saber qual é a coisa mais legal pra fazer em Londres nos meses de verão, compre o meu Guia de Londres e consulte o capítulo 'Londres mês a mês'!) #merchandescarado

Feliz 2015!

Ao contrário da noite de Natal, nossa véspera de ano novo foi bem tranquila. Um dia paradão, a única coisa diferente que fizemos foi sair de casa pouco depois das 11 da noite. Fomos até o centrinho do nosso bairro, mais precisamente na beira do rio, da onde é possível avistar a London Eye (de longe, mas dá!).

Não sabíamos que esse era um 'point' e foi uma surpresa chegar lá e encontrar tanta gente. Mas achamos um cantinho e esperamos dar meia noite. E foi assim nosso réveillon, sem festa, só nós dois. Tranquilo, como quero que seja 2015!

Aproveito para desejar um ano maravilhoso pra todo mundo que vem aqui ler minhas divagações, entra ano, sai ano. E se algum dos meus leitores foi um dos sortudos ganhadores da mega sena da virada, não esqueça dessa humilde blogeira ; )

(sugestão de uso para seus milhões: comprar uns mil exemplares do meu Guia de Londres, que foi publicado semana passada! Que tal?)

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5 eventos esportivos que eu não conhecia antes de morar em Londres

1. The Ashes
Um campeonato de cricket que envolve... dois times. Sério. Inglaterra e Austrália. Austrália e Inglaterra. DOIS TIMES gente. Não sei mais o que escrever. Eu já não consigo achar algo interessante nesse esporte, então fica difícil eu escrever sobre o Ashes sem ser sarcástica. Vou parar por aqui. Mas DOIS times. DOIS.

2. Ryder Cup
Se eu não me interesso por cricket, a coisa fica ainda mais feia quando o esporte é golfe. E, de novo, DOIS TIMES. Europa x Estados Unidos. Vamos ali ser elitistas juntos e já voltamos. Encerro aqui.

3. Campeonato Mundial de Dardos
Aaaaah, finalmente algo legal. Um campeonato onde a torcida está bêbada, fantasiada, e ainda por cima os participantes não tem um corpinho atlético. Ou seja, ainda há esperança de eu ser campeã mundial de alguma coisa. Talvez esse seja meu projeto pós-aposentadoria. Vou pro pub todo dia, tomar gin&tonic (ou Pimm's se for verão) e ficar treinando. Vocês vão me ver campeã em 2040, escreve aí.



4. Commonwealth Games
Ah, eu já dediquei um post inteiro ao Commonwealth Games, os jogos olímpicos dos países participantes do clubinho Commonwealth (vamos combinar que a última coisa que todos os membros dessa organização tem em 'commmon' é 'wealth', né?). Alguém se lembra dos campeões desse ano? Nem eu.

5. Oxbridge boat race
Tudo bem que essa é mais uma competição entre dois times (Universidades de Cambridge e Oxford), mas ver os times de remo dessas duas instituições históricas e arquinimigas é muito mais animado do que ver críquete ou golfe. A corrida acontece todo ano em Londres, em um trecho do Rio Tâmisa no oeste da cidade. Acho que todo mundo que fez faculdade entende essa rivalidade, e como é algo rápido, pá-pum, se resolve em menos de uma hora, deixa os ânimos da torcida a flor da pele.

6 anos londrinos

O tempo passa, o tempo voa...


O mercado de trabalho para os criativos em Londres


*****ATUALIZAÇÃO 10/04/17**********
Esse post foi originalmente publicado em 2014 e é um dos mais acessados desse blog. Consequentemente, é um dos que mais recebe comentários. Os comentários geralmente são perguntas sobre a situação pessoal de cada pessoa, e há pouco que posso acrescentar (muitas vezes nada) além do que já escrevi aqui. Peço que por favor leiam o post com calma e leia também os comentários, pois sua dúvida  já pode ter sido respondida. E respostas para algumas perguntas frequentes:

1. Eu não sei nada sobre visto de trabalho. Consulte o site https://www.gov.uk/government/organisations/home-office para toda e qualquer informação sobre visto.
2. Eu não sei se você pode trabalhar caso venha pra cá com visto de estudante. Consulte o site indicado acima
3. Não sei como está o mercado na sua área específica, por favor leia o post novamente
4. Não sei como está o mercado em outras cidades da Europa
5. Sobre validação de diploma de arquitetura, consulte o site https://www.architecture.com/RIBA/Home.aspx para encontrar esse tipo de informação
***************************************

Nos meus três primeiros anos em Londres, volta e meia recebia emails de pessoas interessadas em saber como era trabalhar na indústria criativa por aqui. E não eram apenas pessoas com a mesma formação que eu (Design de Produto), mas de várias outras áreas criativas, como moda, interiores e arquitetura.

Fazia tempo que eu não recebia mensagens assim, até que mês passado chegaram vários emails sobre o mesmo assunto: como eu faço pra trabalhar no que você trabalha? O que eu preciso fazer para trabalhar com design/arquitetura/moda em Londres?

Então fica aqui o post pra servir de referência pra quem tem esse tipo de dúdida e não sabe por onde começar a pesquisar. Claro que cada caso é um caso, e as perguntas específicas eu tenho o maior prazer em responder. Esse é um panorama geral, e quem sabe pode ajudar quem está confuso ou não sabe como dar os primeiros passos.

Nos últimos anos, a oferta de trabalho para designers e arquitetos aumentou bastante, mas ao mesmo tempo não ficou mais fácil arrumar emprego. Muita gente boa, do mundo inteiro, vem pra Londres com o mesmo objetivo. A competição é acirrada. 

E lembre-se de que aqui (acredito que na Europa como um todo) é muito mais comum fazer faculdade de moda/design do que no Brasil. Isso porque existem cursos específicos. No Brasil a gente se forma em Design Gráfico ou Design de Produto. Aqui, é possível passar 3 anos estudando áreas como Design de Superfície, Design de Estampas, Design de Transporte, Design de Móveis. Ou seja, mais opções, mais gente cursando. 

Se você está mesmo considerando vir para Londres com a intenção de arrumar um trabalho criativo, considere expandir seus horizontes. Pode soar vago, mas se alguém tivesse me falado isso antes de eu me mudar teria me poupado alguns meses de frustrações e questionamentos. Precisei bater muito a cabeça antes de perceber que poderia fazer outra coisa relacionada com design que não necessariamente desenhar. 

Você estudou Design de Interiores? Pense em trabalhar com styling para produções de revistas de decoração e catálogos de empresas de móveis e accessórios. Estudou moda? Considere começar a sua carreira em uma agência de relações públicas. Estudou arquitetura? Pesquise vagas na área de projetos de interiores para varejo. 

Outra coisa importante: coloque o fato de ser estrangeiro a seu favor. Parece óbvio, mas a gente se sente intimidado quando chega aqui, é tudo tão novo e as coisas acontecem tão rápido que a impressão é de que sempre estamos perdendo alguma coisa, e quem é local sabe mais que a gente. Mas sabe o que aprendi trabalhando aqui? Que não ser daqui é uma das maiores vantagens que tenho em relação aos 'concorrentes' locais. Seu conhecimento de mercado de outro país, seu background cultural é muito bem visto no meio criativo. 

Por fim, explore Londres. Andar de exposição em exposição, evento em evento, palestra em palestra foi o que me ajudou a espantar o desânimo que batia nos meus primeiros meses procurando emprego. Todo dia tem alguma coisa pra fazer, e aos poucos você começará a reconhecer nomes (de pessoas e empresas) e entender como funciona sua área. Foi uma exposição sobre o Le Corbusier no Barbican (que visitei em um dia que estava particularmente desanimada, me lembro muito bem) que rendeu a minha primeira matéria publicada. E dessa para todas as outras, em uma série de sites e revistas, acabou sendo mais rápido do que eu imaginava.

Acho que é isso. Vou pedir ajuda dos universitários: compartilhe sua experiência nos comentários!

*****

Alguns sites bons para pesquisar vagas:

5 coisas que existem em todas as casas de Londres


Atualização: eu lancei um ebook sobre Londres que contém mais de 30 listas como essa. Gostou desse post? Então apoie meu trabalho adquirindo o livro Quase Londoner, clique aqui!

1. Alarme de incêndio
Você pode morar em um estúdio ou um palácio, mas o alarme de incêndio sempre estará lá. Ok, é prudente e tal, mas está SEMPRE muito perto do fogão, ou seja: ele vai disparar toda vez que você fritar um bife. O pior é que se seu apartamento/casa tem mais de um alarme (como no nosso caso, é um na cozinha e um logo depois da porta de entrada), eles estarão conectados, e assim que um dispara, todos os outros disparam também. O primeiro disparo será aquele susto, todo mundo desesperado achando que o prédio todo deve estar em pânico (não estão), mas aos poucos você aprende que basta abanar a fumaça perto do alarme por alguns segundos que ele para de tocar. Você aprende também a não entrar em pânico quando o alarme do vizinho dispara. Afinal todo mundo frita bife.

2. Aquecedores
Seus melhores amigos durante 5 meses do ano (aqui em casa geralmente de novembro a março). Mas viram inimigos quando chega a conta da British Gas. Frio lá fora, casa quentinha.... no primeiro ano você liga todos os aquecedores da casa, e só quando chega a conta no fim do inverno que você se lembra de que, ops, não existe a fada madrinha do aquecimento, mas sim a British Gas. Fora isso, os aquecedores são um empecilho decorativo, já que não dá pra colocar nada na frente, ou em cima (quando estão ligados, mas quem vai ficar mudando as coisas de lugar de acordo com a estação do ano?).

3. Carpete
Dê adeus ao seu piso de porcelanato brilhante ou aos tacos nos quais você gastou uma fortuna para reformar, porque em Londres o negócio meu amigo, é carpete. Tudo bem, nos apartamentos e casas mais novos é até fácil encontrar aquele piso laminado de madeira baratex que todo mundo compra em seu primeiro apartamento, mas escreve o que eu tô dizendo: nos quartos, só carpete. Tudo bem que dá aquela sensação de aconchego, principalmente no inverno, mas por mais que você tome todo cuidado do mundo para não andar no carpete de sapato, depois de alguns meses já dá pra notar onde está gasto. Fora a poeira. Por isso, como eu já disse nesse post aqui, coloca o seu rico dinheirinho num aspirador bom. Ah, não vou nem comentar dos apartamentos que tem carpete no banheiro. Não é lenda.

4. Banheira
'Ai que máximo você tem banheira em casa'. Que máximo? Puta saco limpar a banheira. Prefiro mil vezes um box, até porque quem tem tempo de usar a banheira? E o espaço que sobraria no banheiro se fosse um simples box? E a água que espirra no banheiro inteiro porque só tem um painel de vidro ou acrílico super pequeno como proteção? Mas juro, mesmo que você vá no menos apartamento de Londres, a bendita banheira está lá.

5. Interruptor na tomada
Aê! Finalmente uma coisa boa. Gente, como não tem isso em todas as tomadas do mundo? Acho super seguro e sustentável. Vai viajar? Desliga todas as tomadas e pronto, certeza de que nenhum aparelho ficou ligado ou no 'stand by' desnecessariamente. Fora quem pra quem é paranóico como eu, o medo de tomar choque toda vez que precisa plugar algo na tomada desaparece: basta desligar o interruptor, plugar e ligar de novo. GENIAL. Acho que vou começar uma petição no Change.org pra ter isso no mundo todo. 

5 comentários idiotas que você vai ouvir quando se mudar para Londres

1. Você não mora aqui, não sabe do que está falando
Essa pérola eu escutei na eleição de 2010, de uma (ex) amiga, quando deixei minha opinião no facebook. Pois é, parece que quando você sai do Brasil a regra é que você não se interessa mais por nada que acontece lá. Ou então você perde o direito de opinar, afinal 'deixou' seu país, traiu suas raízes. Como se quem é expatriado não quisesse o melhor pro Brasil como qualquer outro brasileiro ou como se não existisse todos os meios pra gente se informar tão bem quanto qualquer pessoa que more no Brasil.

2. Vocês que estão certos, fiquem em Londres mesmo, o Brasil é uma merda
Esse comentário pode criar uma situação totalmente reversa do que o comentarista esperava. Quem vomita uma babaquice dessas assume que quem mora fora odeia o Brasil e o motivo da mudança foi desgosto e descrença com o futuro do país. Bom, não é meu caso e penso eu que não é o caso da maioria dos expatriados. Eu não acho o Brasil 'uma merda', e odeio as frases estilo 'só no Brasil' e afins. Sei dos problemas e angústias mas, justamente por morar fora e conhecer bem a cultura de outro país, tenho plena consciência de que nada é 'só no Brasil'

3. Mas você ganha em libras!
Sim, eu ganho em libras, mas você obviamente esqueceu que minha hipoteca também é em libras, a comida que compro no supermercado também é vendida em libras, os gastos com transporte também são em libras... preciso continuar? E, se for pra reforçar o argumento, eu ganho em libras mas proporcionalmente bem menos do que meus amigos no Brasil ganham em reais. Não só ganho menos, mas convertendo meu salário para reais o valor ainda é mais baixo do que eu ganharia agora se estivesse no mesmo cargo que estava antes de ir embora. Então, por favor, parem de me falar isso quando eu comentar que viajar pro Brasil custa muito caro.

4. Nossa você tá muito inglesa!
Tá bom, eu sei que esse não é um comentário idiota, e (espero eu) geralmente quem fala nem tem ideia de que é irritante (eu me irrito muito facilmente, como quem lê esse blog já deve saber há tempos). Mas que diabos significa 'você tá muito inglesa!'? Nunca entendi. É a roupa? É o cabelo? É a gordura acumulada na barriga? Mas por que isso é indicação de que eu 'estou' inglesa? talvez seja pura e simplesmente falta de boas ideias, vontade de puxar assunto.

5. Não sei como vocês aguentam frio e céu cinza o ano todo
E eu não sei como eu aguento você falando essa idiotice pra mim. Juro, faz frio na Europa inteira, tem céu cinza em qualquer lugar, mas por alguma razão existe essa ideia de que Londres é a mais cinza e gelada cidade de todos os tempos. Tá, você não está convencido? Então pelo menos guarde o comentário para você e tente falar algo positivo, pode ser? 

100 dias, 100 segundos

Continuando com a tarefa de filmar 1 segundo por dia, aqui está a compilação de 100 dias (completados ontem). Tá ficando tão legal!



O Martin tambem fez a compilação dele (ele começou 1 dia depois de mim, portanto completou os 100 dias hoje), aqui está:



Rumo aos 365 dias!

O não inverno

Eu lembro que na faculdade (não lembro que matéria, mas era tipo segundo semestre, bem lá no começo), um professor passou um trabalho que era desenvolver uma não cadeira. A ideia é questionar a função do produto e ver o que acontece quando tiramos dele a única coisa que o faz 'ser'. Profundo né? Pois bem, lembrei do trabalho da não cadeira porque queria falar sobre o nosso inverno 2014: o não inverno.

O que acontece quando tiramos do inverno a única coisa que o faz ser inverno, ou seja, o frio (vale lembrar que estou falando de frio para os nossos padrões aqui hein, não para os padrões de clima tropical, onde 15 graus é frio)? A impressão que eu tenho é que estamos passando por um outono prolongado, onde vestir casacão é demais mas jaqueta jeans é de menos.

O inverno esse ano ficou marcado pelas chuvas, enchentes, deslizamentos e caos no sistema ferroviário. Trilhos destruídos por causa da ressaca do mar e pessoas que perderam tudo. Uma reação (ou melhor, não reação) patética do governo, que deu bola fora atrás de bola fora.

Esse é meu primeiro inverno aqui sem neve. E também o primeiro que usei luvas apenas uns 3 ou 4 dias. O gorro não saiu da gaveta e o cachecol teve que ser carregado na mão porque dava muito calor no meio do caminho. Vendo pela televisão as tempestades de neve na costa leste dos Estados Unidos, a gente ficou esperando o frio chegar aqui - será que ele vem? Eu acho que não. 

Estamos todos interpretando o não inverno como sinal de uma ótima temporada primavera/verão pela frente. Mas tenho meus receios: ano passado o inverno foi rigoroso, prolongado, e tivemos um verão incrível. Será que inverno ameno não significa um verão também ameno? Ai, bate na madeira!

5 anos

Completando hoje 5 anos em terras britânicas - as vezes parece que cheguei ainda outro dia, mas outras vezes a sensação é de que estou aqui há muito mais tempo.

Tínhamos planejado sair pra jantar e comemorar, mas o cansaço (dos dois!) falou mais alto e resolvemos celebrar no quentinho do apartamento mesmo. Até porque não tem um dia que eu não pense comigo mesma o quanto gosto de morar aqui. Estou feliz, o que é já é comemoração suficiente!

A saudade existe, mas consigo contorná-la como dá. Viva o Skype, viva o Whatsapp, viva meu bom e velho email do hotmail, viva esse blog e viva as grandes amigas que estão sempre ao meu lado, mesmo a tantos quilômetros de distância! Vocês sabem quem são ; )

E é claro, esses 5 anos aqui jamais seriam tão bons sem a minha gangue. Vocês também sabem quem são.

Apesar do stress atual, acho que o meu trabalho também faz parte da nossa bem sucedida adaptação, e justamente hoje, uma data emblemática, ganhei esse presente de uma colega de trabalho muito, muito querida.


Pode ser que eu mude de ideia, mas por enquanto o que desejo é estar aqui nos próximos 5 anos.


No More Page 3

Quem me segue lá no twitter ou no instagram já deve até estar de saco cheio desse assunto, mas já estava mais do que na hora de eu falar aqui sobre meu apoio a campanha "No More Page 3" - aliás, não poderia ter escolhido uma data melhor pra escrever esse post, já que ontem participei de um (pequeno, mas barulhento) protesto e hoje a campanha alcançou 125,00 adeptos através da petição online.

Primeiro, vou explicar rapidamente o que é a tal da Page 3, afinal se você não mora aqui talvez nunca tenha ouvido falar dela (se bem que é quase uma instituição, conhecida em diversos países europeus, infelizmente): é uma seção do jornal The Sun (esse provavelmente muita gente ouviu falar, jornal sensacionalista que volta e meia publica manchetes toscas e mentirosas sobre celebridades) na qual diariamente são publicadas fotos de modelos com os peitos de fora.

Antes que você me chame de recalcada, feia gorda bobona e invejosa, quero dizer que a campanha - e eu, claro - não é contra as modelos, nem contra o direito de posar nua, muito menos contra os peitos. Eu sou fã de peitos, acho peitos lindos, adoro os meus. O que pega é o contexto - o que faz uma mulher semi nua bem no meio das notícias, justamente no jornal de maior circulação nacional? Não faz nada, só presta um belo de um desserviço a nossa sociedade que já é tão machista.


Você já imaginou se bem no meio do jornal do almoço o apresentador falasse: agora é a hora da gente ver a mulherada pelada. Não né? Não tem cabimento. Isso é objetificação, é falar para o mundo que é assim que tem ser - que em meio a homens vestidos e falando de negócios e assuntos do dia a dia, uma mulher só consegue espaço se ficar pelada. 

Também não adianta vir com aquela fraquíssima desculpa: 'se não quiser ver não compra'. Não é assim tão simples. Quando alguém lê a Page 3 no trem, eu sou submetida a imagem da mulher em pose sexual de peitos de fora do meu lado. Assim como é a criança que está sentada na minha frente. 

Gente, existem milhões de maneiras de ver peitos - mas o The Sun não é o lugar deles. A Page 3 só reforça o que já falei sobre outra campanha que apoio, Everyday Sexism. 

Tenho ainda dezenas de argumentos, como a influência na formação das crianças e na auto estima feminina. Posso também contar que, durante nosso protesto no domingo, ouvimos alguns homens falando 'get your tits out' - um inclusive estava de mãos dadas com o filho pequeno - o que apenas reforça o que queremos dizer. Mas já escrevi demais, deu pra entender, certo?

São 43 anos - mas agora chega! Vamos assinar a petição e continuar gostando de peitos, mas lembrando que a mulher que os segura é ainda mais importante.

Ah, quem quiser comprar a camiseta, está a venda aqui: http://www.thefashionmove.co.uk/collections/t-shirts

#nomorepage3 #newsnotboobs
No More Page Three

PS: o The Sun Pertence a Rupert Murdoch, mesmo dono do extinto News of The World, que recentemente protagonizou o escândalo das escutas telefônicas e por isso saiu de circulação.

Drama anual

Acabou o horário de verão por esse lados e imediatemente começaram as reclamações. Pois é, todo ano é assim: o inverno começa a dar os primeiros sinais de vida e os reclamões de plantão não param de lamentar as poucas horas de sol, a temperatura baixa, o vento, a chuva, tudo.

Eu nunca tive problemas com o inverno, mas tenho um bode gigante dessas lamúrias que vem com ele. É um "choro coletivo" que faz com que fique mais difícil atravessar esses meses.

Então eu reclamo deles pra ter um motivo pra reclamar também. Gente, bota gorro, luva, cinco casacos, sei lá - mas vamos por favor aceitar que o inverno aqui é assim e não nos resta outra alternativa senão.... deixar rolar?


Eurovision

A primeira vez que ouvi falar no Eurovision foi no blog da Maria Fabriani (um dos primeiros blogs que comecei a ler, uns 10 ou 11 anos atrás), que mora na Suécia e chegou a fazer vários posts sobre o assunto. Mas aí tinha meio que esquecido, até que vim morar aqui e em 2009 assisti esse espetáculo na televisão pela primeira vez.

Eu até podia ir largar mão de ser preguiçosa e fazer uma pesquisa pra explicar tintim por tintim como funciona o Eurovision, mas né? Wikipedia taí pra isso. Vou falar o basicão mesmo: o Eurovision é uma competição musical que acontece há 58 anos e reúne 39 países da Europa e também alguns agregados, como Israel (não sei o motivo da presença dos agregados). Cada país é representado por um cantor/cantora/banda e o objetivo, obviamente, é ganhar a competição. O país que ganha é o país que "recebe" o evento no ano seguinte.

Dos 39 países, apenas 24 conseguem vaga na grande final. Aí já tem polêmica: 5 dessas vagas são reservadas para os países que colocam mais dinheiro na European Broadcast Corporation, ou seja, sustentam o evento. A Grã Bretanha é um desses países (se não fosse, duvido que passaríamos das semi finais).

E como funciona a votação? Na noite da grande final, os 24 artistas se apresentam novamente e ao fim das apresentações as linhas são abertas para o público - você liga pro número do país que quer votar (não pode ser o seu país). Aí, cada país faz rapidamente sua apuração e anuncia os resultados. A pontuação funciona assim:

12 pontos para o primeiro colocado
10 pontos para o segundo colocado
8 pontos para o terceiro colocado
7 pontos para o quarto colocado
6 pontos para o quinto colocado
5 pontos para o sexto colocado
4 pontos para o sétimo colocado
3 pontos para o oitavo colocado
2 pontos para o nono colocado
1 ponto para o décimo colocado

Aí, é claro, o país que somar mais pontos ganha. Mas não é assim tão simples: o Eurovision, apesar de ser um barato, é super político. Os países amiguinhos votam entre si. Por exemplo, a Dinamarca dá 12 pontos pra Suécia, 10 pontos pra Noruega e 8 pontos pra Finlândia; Malta sempre vai dar 12 pontos pra Itália, e Portugal e Espanha também sempre dão seus 12 pontos um pro outro. Assim como a Grécia e o Chipre, Bósnia e Croácia. Então, como ninguém gosta da Grã Bretanha, sempre ficamos lá pelos últimos.

Claro, claro, talento também conta. Mas que é tudo meio que acertado - vota em mim que eu voto em você - isso é.

Mas ok, essa foi apenas uma introdução bem básica, porque o legal do Eurovision é simplesmente assistir as performances. O pessoal faz "Eurovision parties", de tão bom que é. E, vejam bem, quando eu digo bom, quero dizer brega. Gente, gente, gente!!!!! Os melhores atos, pra mim, são os mais bregas. Como esse aqui, incrível, da Romênia (vejam tudo, por favor, vale muito a pena):



Olha, acho que esse é um dos outros motivos que a Grã Bretanha não consegue uma boa colocação há muitos anos. Tenta ser cool, sabe? No passado já mandamos uma boy band, e esse ano mandamos a Bonnie Tyler (todos nós na faixa dos 30 e poucos já dançamos ao som de Bonnie Tyler cantando Total Eclipse of the Heart) cantando uma música lenta. Ok,  a música é legal, Bonnie Tyler é ótima, mas né? Não é o espírito do Eurovision, acho eu.



Aqui em Londres nunca senti muito uma vibe "uau, Eurovision esse fim de semana, tomara que a gente ganhe" como imagino que seja em alguns países que tem mais tradição de ganhar. Mas aposto que todo mundo vê!

Esse ano quem ganhou foi a Dinamarca (os países escandinavos manjam muito de Eurovision!), com essa apresentação aqui: