5 coisas que você não vai ter na sua casa em Londres

1. Ralo no banheiro
Ralo, só no box ou na banheira. Ou seja, dar aquela esfregada no chão com veja, só se você estiver afim de secar tudo no braço depois. E como ninguém tem braço ou paciência (e tempo!) pra isso, em pouco tempo, muito pouco mesmo, você nem vai se lembrar de que na sua casa no Brasil existia um ralo. O negócio é investir mesmo nos lenços que ja vem umedecidos e pronto! Esfregão e rodo, nunca mais (vejam bem, não ter ralo é uma espécie de libertação doméstica).

2. Tanque
Taí outra peça inexistente na casa londrina que no fim das contas é uma coisa boa. Porque tanque, na boa, só serve pra fazer a gente trabalhar mais. Você acaba pegando o hábito de comprar roupas que podem ser lavadas na máquina, ou então precisa se contorcer pra esfregar a bendita blusa delicada na pia do banheiro. E pra lavar roupa delicada na pia do banheiro é preciso (na teoria) dar uma lavadinha básica na pia, senão a roupitcha sai com resto de cuspe, cabelo e pasta de dente. Ou seja, não.

3. Varal no teto
Essa do varal eu já mencionei várias vezes, inclusive nesse post sobre as 5 coisas que você vai comprar pra sua casa quando se mudar para Londres. Aqui, o negócio é varal portátil, daquele que você esconde (quando fechado) embaixo da cama ou atrás da porta. Varal no teto é pra quem tem um luxo chamado espaço, coisa raríssima em Londres. Ou seja, você pode até ter um varal no teto, mas terá que instalar o bendito na sala ou no quarto. Dê um adeus especial a sua área de serviço antes de ir embora do Brasil!

4. Tomada/Interruptor no banheiro
Você nunca mais vai conseguir secar seu cabelo no banheiro, a não ser que seu secador tenha um fio de 5 metros, pra alcançar uma tomada em outro canto da casa/apartamento. Pois é, não tem tomada no banheiro (alguns tem uma tomada que deve ser usada APENAS para barbeadores elétricos, o que eu acho super sexista. Se homem tem tomadinha especial pro barbeador, por que diabos não tem pro secador? Enfim). Isso por cusa das regras de 'Health & Safety' (Saúde e Segurança) que são super rigorosas por aqui. Outra coisa esquisita do banheiro é a falta de interruptor pra acender a luz: ou o interruptor estará do lado de fora (e um dia alguém vai apagar a luz sem querer bem quando você estiver lá dentro de mãos atadas) ou então em vez de interruptor existe uma cordinha pra puxar - bem retrô!

5. Bidê/Chuveirinho
Comece a treinar seu intestino para que ele funcione no horário antes de você tomar banho, ou então acostume-se a limpar a bunda com lencinhos umedecidos de bebê, porque meu amigo, bidê e chuveirinho não fazer parte da mobília banheirística por aqui. Sinto muito ser a responsável por essa decepção, que deveria pesar muito na hora de tomar a decisão de sair do Brasil de vez (em tempo: você até encontra bidê pra vender em lojas especializadas, mas cadê que os banheiros tem espaço e encanamento pro dito cujo?).

5 hábitos irritantes que você vai adquirir quando se mudar para Londres

1. EXCUSE ME
Ah, nada mais londrino do que falar EXCUSE ME daquele jeitinho grosseiro que turista acha que é educado para alguém parado do lado esquerdo da escada rolante. O seu primeiro EXCUSE ME será mais parecido com um excuse me: baixinho, envergonhado, quase pedindo desculpas. Ao longo dos anos você pega prática e assim que avisa o turista desavisado bloqueando o lado esquerdo e atrasando sua vida em 6 segundos solta um digno EXCUSE ME que na minha opinião deveria contar pontos pra cidadania britânica

2. Tentar evitar que alguém sente ao seu lado no ônibus/metrô/trem
Quando você entra no vagão do trem/metrô ou no ônibus, sempre vai ter uma pessoa tentando evitar que alguém sente ao seu lado colocando a bolsa no assento. Esse truque é engraçado, porque você vira os olhos quando vê, mas pode ter certeza de que tentará fazer o mesmo! O pior (melhor?) é que funciona, já que todo mundo prefere achar outro lugar do que pedir pra pessoa retirar a bolsa. E já vi, muitas vezes, pessoas ficarem de pé e deixarem o fulaninho com a bolsa ocupando espaço onde alguém poderia estar sentado. Uma coisa é tentar 'guardar' o assento quando existem outros disponíveis, outra é fazer cara de paisagem quando o trem fica lotado. Mas anota aí: você também vai fazer isso.

3. Byyyyeeeeeeeeee
Aqui, ninguém encerra conversa de telefone com 'beijo, tchau'. O pessoal fala tchau (bye) mesmo, mas não é apenas um 'bye'. É um bye com voz afinada e ênfase no 'y', então fica 'byyyyyyye'. Até conversas mais sérias, entre pessoas de voz grossa, podem terminar assim. Por que raios todo mundo tem que afinar a voz? É esquisitíssimo esse 'bye' meigo, acho demasiado irritante. Prefiro mandar beijo, mas quando estou ao telefone com alguém daqui, não tem jeito: sai o bye irritante.

4. Atravessar a rua loucamente
Todo londrino é um suicida em potencial, basta vê-los atravessando a rua em algum ponto super movimentado da cidade, como Piccadilly Circus e Oxford Circus. Quanto mais movimentado, mais chances você terá de ver um quase atropelamento. É um desespero pra atravessar a rua, estão sempre com muita pressa e parece que os 2 minutos do farol fechado para pedestres são uma ofensa. E aqui não é como nos Estados Unidos, que a pessoa bota um pé na rua e o carro para. Os motoristas não querem nem saber, continuam como se não tivesse um trouxa arriscando a vida passando na frente. Não tem um dia que eu não veja um doido passar raspando em frente um ônibus. MAS, vai chegar o dia que você vai fazer o mesmo. Atravessar como se fosse tirar o pai da forca: londrinos manjam muito.

5. Largar o jornal em qualquer canto
Adoro os jornais e revistas gratuitos distribuídos em Londres, mas detesto vê-los largados pelos cantos do metrô, trem, ônibus e estações. Por que ninguém leva o jornal para casa ou sei lá, joga no lixo depois? Apenas uma ideia. O problema é que é tradição 'reutilizar' o jornal deixado pelas pessoas por aí, e assim consecutivamente até o funcionário que faz a limpeza do metrô ter que catar tudo e jogar no lixo. Eu acho assim: pegou alguma coisa, precisa então ser responsável por jogar no lixo. Largar, simplesmente, não pode. Só que não posso atirar pedras porque né, quem nunca. Já fiz, pronto, falei. Esqueci o livro em casa, então peguei o jornal na entrada da estação e na hora que chegou a minha parada, deixei ele pra trás, no assento onde eu estava.


Exposição: Late Turner - Painting Set Free

Essa já é a terceira exposição do Turner nos meus quase 6 anos de Londres. E olha, com a quantidade de quadros que ele pintou, dá pra pra montar mais muitas e muitas exposições com temas diferentes. Da primeira vez, na National Gallery (quando vi o trabalho do Turner pela primeira vez) o tema era a o trabalho dele inspirado no Claude (Lorrain, não Monet). A segunda, que aconteceu faz pouco tempo no National Maritime Museu, era sobre o trabalho dele inspirado no mar.

Dessa vez, na Tate Britain (meu museu preferido em Londres), o foco é o trabalho do Turner a partir dos seus 60 anos até sua morte (1835-1851). O nome 'Painting Set Free' refere-se ao fato de ele então já ser um artista estabelecido e 'libertar-se' de convenções (se bem que ele nunca foi muito preso a tais convenções e desde o início da carreira 'chocou' os críticos e o público).

Uma das partes que mais gostei foi a seção dedicada as pinturas feitas em Veneza, além dos quadros em formato 'inovador' para a época (quadrados e octágonos, por exemplo).

Essa exposição fica em cartaz até 25 de janeiro, e a entrada custa £16.50 (lembrando que a entrada para ver o acervo do museu é gratuita). 

Vídeo: Pembrokeshire, País de Gales

Fizemos um vídeo da nossa mais recente viagem ao País de Gales (mais precisamente a região de Pembrokeshire), usando várias fotos e vídeos curtos feitos com o celular. Ficou bem bacaninha, e tem um pouco de cada lugar/cidade que visitamos.
 

(sei que pouca gente tem paciência pra ver vídeos, mas esse é curto, vê aí vai!)

5 nomes de estações em Londres que todo mundo fala errado quando chega

1. Leicester Square
Três letras da palavra Leicester simplesmente somem quando ela é pronunciada: o 'ice' é totalmente ignorado e você deve falar 'Léster'. A mesma coisa com Gloucester (estação Gloucester Road): vira Gloster. Acho um desperdício de letras, principalmente num mundo onde precisamos cortar cada vez mais caracteres (alô, Twitter!)

2. Tottenham Court Road
Acho que mesmo que eu more aqui pro resto da vida, jamais conseguirei pronunciar Tottenham do jeito certo. É até complicado explicar como se fala, porque não necessariamente algumas letras são cortadas, como em Leicester, mas a pronúncia é rápida e sutil. Por exemplo, olhando os dois Ts seguidos, dá vontade de falar TOTTEN com ênfase no TTE não? Pois é, não. E o h no 'ham' é praticamente mudo (malditos, conseguem esquecer do H nessa palavra mas não conseguem não pronunciar no meu nome). Então é mais ou menos assim: Tótenam. (o 'tenam' fala bem rápido e meio que fechando a boca).

3. Greenwich
Uma das minhas primeiras lições de inglês nos 2 mil anos que cursei Cultura Inglesa foi: toda vez que você vê dois Es seguidos (ee), a pronúncia vira i. Beleza, MAS NÃO. Greenwich não se fala Grinwich, se fala Grénich. Pois é, não apenas o ee vai por água abaixo mas também o w some. Tá tudo errado nesse mundo.

4. Southwark
Eu queria muito entender o porquê da palavra 'south' mudar completamente a pronúncia quando combinada com 'wark'. South é fácil, certo? Essa todo mundo sabe: sáuth. NÃO. Alguém achou que não seria OK falar Sáuthuórk e mandou avisar que, nesse caso, south se fala SÃD. Isso, SÃDwark. Pra que? Acho que é por isso que essa estação está sempre vazia e ninguém gosta dela.

5. Chiswick Park
Chiswick é uma daquelas palavras que a gente fica tentado em separar em duas para pronunciar: Chis/Wick. A primeira vista a gente sempre acaba falando assim: CHEESEWEEK. Mas aqui também tem letra ignorada, é preciso engolir o W e não esticar a letra I nas duas vezes. Fica mais ou menos assim: Tchísik.


Leia também:

Paris, só que quase

Estou em Paris (a trabalho) há dois dias e fico mais dois dias. Sempre que venho pra cá, seja a trabalho ou por puro lazer, a estadia é intensa. Sempre passa voando, seja andando pelos corredores da feira que venho cobrir ou sentada num café qualquer vendo o tempo passar.

Gosto demais daqui! Tenho grandes amigos na cidade e consigo andar nas ruas com uma boa noção de onde estou, sem depender tanto de mapas. Paris é tão legal que a gente fica adiando passeios clássicos nos arredores da cidade. Tem sempre um museu pra conhecer, ou mais um café au lait pra tomar. 

Acho que Paris sabia exatamente como eu estava me sentindo hoje (com saudades!), tinha até um recado em inglês no meio da rua, que implorava por uma foto mico:


5 perguntas que vão te fazer quando você mudar para Londres

1. Você vai ficar em Londres pra sempre? 
A pergunta que não quer calar. Não tem quem não pergunte isso - familiares, amigos e pessoas que você acabou de conhecer. E é engraçado, porque a maioria das pessoas nunca sabe responder. Pra sempre é muito tempo, né? Se eu não sei onde vou almoçar amanhã, como vou saber se vou ficar aqui pra sempre? Minha reposta geralmente é: vou ficando enquanto está bom, mudar de país (mesmo que seja pro meu país de origem) dá muito trabalho

2. O que vocês comem aí?
Acho que por causa dessa fama (pra lá de ultrapassada) que a cidade tem, de que a culinária daqui se resume a peixe e batata, o pessoal fica curioso pra saber da nossa alimentação. Para decepção geral de quem pensa que comemos mal nesse país, nossos hábitos alimentares melhoraram muito desde a mudança pra Londres (claro que também influencia o fato de estarmos mais velhos e mais cuidadosos com o que comemos). Isso porque as compras do supermercado saem mais baratas e aqui conheci pratos típicos de paises como Índia, Paquistão, Nepal e Tailândia (não estou falando que não existem restaurantes desses países no Brasil, apenas que aqui o acesso é mais fácil, mais barato, tem por todo canto).

3. Você tem amigos ingleses?
Essa pergunta geralmente precede outra: os ingleses são frios mesmo? É diferente de ter amigos brasileiros? Bom, a resposta aqui varia muuuuito de pessoa pra pessoa. Eu, por exemplo, não tenho amigos ingleses, mas tenho colegas muito queridas de trabalho. Nos damos super bem e já saímos juntas algumas vezes (até porque viajamos muito juntas), mas não diria que somos amigas. Não porque elas são frias (isso não é verdade) mas simplesmente porque a evolução de uma amizade com alguém que teve uma criação em uma cultura completamente diferente da sua é muito mais devagar.

4. Tá frio aí?
Verão não é uma estação exclusiva para o hemisfério sul. Aqui também faz calor! Mas, assim como pode fazer 30 graus no inverno brasileiro, pode fazer 15 graus no verão inglês. Como diz um amigo meu (sempre uso esse exemplo): antes de se mudar pra Inglaterra, olhe no mapa - estamos perto de um pais chamado ICELAND (Islândia, mas que na tradução literal seria 'Terra do Gelo'), então é claro que aqui no geral faz mais frio do que no Brasil. Não adianta reclamar! É assim. Temos muitos meses frios, mas temos também meses quentes, dias lindos, céu azul e sol brilhando.

5. Quando você vem pro Brasil?
Há uma cobrança constante dos amigos para que você vá para o Brasil o máximo de vezes possível. Eu costumo ir a cada 2 anos, mas a maioria dos meus amigos aqui vai uma ou até duas vezes por ano. Isso quer dizer que eu não sinto saudades? Claro que sinto! Mas ir para o Brasil envolve um planejamento/orçamento muito mais detalhado do que uma viagem para qualquer outro lugar. Isso porque você precisa organizar encontros, visitar familiares e ir nos lugare que gosta. Já aviso: nunca dá tempo de fazer a metade das coisas que você planeja. Você volta frustrado e ainda por cima toma bronca de um monte de gente que não conseguiu ver. Isso pode até me fazer parecer uma expatriada sem coração, mas não acho que preciso ir pro Brasil todo ano apenas porque sou de lá. Mas obviamente cada cabeça uma sentença.

Encontro em Londres

Por causa da minha participação no Aprendiz de Viajante, faço parte da RBBV (Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem), um grupo que reune centenas de blogueiros que dividem experiências, dicas, furadas e organizam vários eventos.

Bom, um desses próximos eventos será aqui em Londres: um encontro de blogueiros e leitores, que será dia 21 de setembro. O lugar escolhido é o bar do One Aldwych Hotel, a partir das 5 da tarde (o espaço está reservado para nós, mas cada um paga pelo seu consumo).

Então, se alguém estiver afim de bater um papo e tomar um gin&tonic apareça lá!

Endereço: 1 Aldwych, WC2B 4BZ

Wales love

Desde quarta feira estamos viajando pelo País de Gales, mais precisamente a região de Pembrokeshire, sudoeste do país. Na nossa primeira visita no ano passado 'pegamos amor' por esse pedaço da Grã Bretanha, que é tão menos famoso e popular entre os turistas em comparação com seus irmão Inglaterra e Escócia.

A diferença dessa viagem para as duas primeiras é que viemos de carro, o que provou ser muito melhor pra conhecer uns cantos que ficariam de fora do roteiro se dependessemos de trem ou ônibus.

Queremos voltar aqui sempre, pelo menos uma vez por ano. Meu objetivo é um dia completar todo o perímetro da costa galesa, o Wales Coastal Path.


10 anos. DEZ anos.

Parabéns pra esse blog, nessa data querida!

10 anos que ele existe - 2217 posts (incluindo esse), 6157 comentários, um monte de amigos, alguns poucos desafetos. Diversos momentos marcantes, como formaturas (incluindo a minha), casamentos (incluindo o meu), mudanças (de apartamento ou de país), viagens (que agora aparecem mais em outro blog). E muita conversa pra jogar fora, que, vamos combinar, é o mais divertido.

É tão estranho pensar que o Martin escrevia aqui, que uma menina que achou meu blog por acaso e me mandou email em 2009 pedindo dica de onde fazer balé em Londres é hoje uma das minhas melhores amigas, que outra menina que me parou na estação de Canary Wharf, também em 2009, também é hoje uma das minhas melhores amigas.

Adoro saber que outras melhores amigas (ainda bem, tenho várias!), que estão a um oceano de distância, vem aqui procurar notícias minhas. A gente tem whatsapp, tem skype, tem email, mas elas mesmo assim me visitam nessa casinha virtual.

Apesar do silêncio de ultimamente, esse blog continua firme e forte. Afinal, onde mais posso encontrar um registro tão autêntico do que tem acontecido comigo desde 2004? Muitas vezes, relendo posts antigos, me sobre uma vergonha imensa e fico perto de deletar alguns desses posts. Será que daqui a 10 anos eu sentirei a mesma coisa em relação ao que estou escrevendo hoje?

O blog dirá!

(e fica aqui a deixa pra quem lê esse blog - desde 2004 ou desde hoje - dar um oi nos comentários e contar como chegou até aqui. Golpe baixo pra ganhar comentários? Sim, diz a blogueira carente)

Exposição: Matisse Cut Outs na Tate Modern

Mais uma exposição brilhante na Tate Modern, mas que infelizmente já está acabando (vai até o dia 7 de setembro): as montagens com recortes de Matisse.

É incrível poder ver como o artista estudava suas composições utizando recortes de papel pintado (ele inclusive chegou a projetar o interior de uma capela dessa forma), e algumas das obras são tão grandes e detalhadas que parecem ter dado mais trabalho que as pinturas.

Eu fui com uma amiga do trabalho que adora estudar composições de cores (ela é daquelas pessoas que sabe dar nome para tonalidades das cores), e foi legal notar algumas nuances e sobreposições utilizadas nos obras.

Aconselho comprar seu ingresso pelo site com antecedência, pois a exposição está bastante popular e chegando nas últimas semanas (o que deve gerar filas na bilheteria). Eu aproveitei a oportunidade para usar meu 'membership' pela primeira vez! Sem filas!

5 coisas que você vai ter na sua casa quando se mudar para Londres

1. Varal portátil: como já falei em um post antigo, a maioria dos apartamentos e casas em Londres não tem área de serviço. Sua máquina de lavar roupa vai ficar ou no banheiro ou na cozinha, e talvez exista um armário em algum canto da casa pra guardar aquelas coisas que não ficam em nenhum outro lugar, como vassoura, balde e árvore de natal artificial.

Então sua primeira compra para casa em Londres certamente será um varal portátil, desses que a gente guarda embaixo da cama ou atrás da porta e 'desdobra' em qualquer canto da casa. No começo todo mundo tenta esconder o varal das visitas, mas passa um tempo e você ja nem liga muito. Apesar de portátil, o famigerado varal vira mobília fixa.

2. Produtos de limpeza pra tirar as 'manchas' de água do box: se você não tem ideia do que é 'água dura', pode ficar tranquilo que chegando aqui aprende rapidinho. Apesar da água da torneira/chuveiro ser totalmente saudável para consumo (todo mundo aqui bebe água da torneira, inclusive em restaurantes), ela tem alta concentração de minerais e portanto deixa marcas brancas - no vidro e nos metais é onde você vê com mais facilidade.

Essas marcas malditas parecem inofensivas, mas não há água sanitária e Mr Muscle no mundo que as remova com facilidade. É um inferno. Ou você desencana (não, o limpa vidros não tira essas marcas) e ao longo dos anos vê o box do seu banheiro passar de transparente para jateado, ou você esfrega as superfícies dia sim dia não (se você escolher a segunda opção a princípio, vai mudar para a primeira depois de um tempo, vai por mim. Então melhor desencanar já de cara).

3. Aspirador de pó potente: tente resistir aos aspiradores de pó baratex vendidos no Argos ou no Asda e invista logo em um caro, potente. Quase todos os apartamentos aqui tem carpete (se não for na casa toda, será nos quartos), e essa cidade tem muita, muita poeira!

Mesmo durante os meses frios, quando ninguém ousa abrir as janelas, a casa enche de poeira. Por isso um aspirador baratex não aguenta o tranco muito tempo. Raspa o cofrinho, pega todas as moedinhas da sua carteira, e compra logo um robozinho ou um Dyson (ou os dois, como fizemos aqui. A luta contra a poeira é diária, amigos!)

4. Sacola da Ikea: vamos já esclarecer. Você chega de mudança em Londres na segunda. Na terça você vai na Ikea 'comprar só um varal portátil'. E aí pela primeira vez você entenderá a importância da sacola azul da Ikea, pois é ela que vai permitir que você volte pra casa carregado de coisas que você não precisava (talvez você deixe o varal de lado pra poder carregar o resto) usando transporte público.

Mas não fique triste por causa das compras de impulso: a sacola faz esse lapso valer a pena. Ela serve pra guardar roupa de cama, ajudar o amigo na mudança, levar suas doações para a charity shop e, é claro, ir na Ikea novamente. Fica a dica para que você não cometa o erro amador deir na Ikea achando que não precisa levar a sacola, afinal 'só vou comprar uma almofada'. Você vai acabar com mais uma sacola.

5. Pote de moedas: antes de se mudar para Londres, faça um curso intensivo para entender as moedinhas. O tamanho delas não corresponde ao valor (a moeda de 2 centavos é maior que a de 5 centavos, por exemplo), e o valor não está visível de cara (precisa dar aquela investigada pra achar). Bom, fora isso não há carteira que aguente as moedinhas que vão acumulando, e certamente você vai achar um potinho ou pratinho pra ir colocando as moedas em casa.

Aí passam os anos, você olha o pote, acha que tem umas 50 libras lá dentro, coloca as moedas numa sacola, leva numa daquelas maquininhas que trocam moedas por notas e decobre que vocé acumulou....5 libras.

Minha dica: use suas moedinhas para comprar a Big Issue, que agora custa £2.50 : )

Memberships

Um dos sinais que indicam que você já mora em Londres faz tempo é a quantidade de 'memberships' que você tem. Eu explico: toda organização/instituição britânica que se preze oferece esse serviço, que nada mais é do que uma 'carteirinha' que dá acesso a diversos eventos, lugares e exposições. O valor pago geralmente é anual e na ponta do lápis compensa bastante, se comparado ao valor dos ingressos individuais.

Hoje me dei conta que temos 3 memberships. Olha, se a gente tivesse tempo suficiente para dedicar a tudo que esses memberships tem a nos oferecer, seria muito bom! O primeiro é 'bairrista', nos dá acesso ao complexo Royal Museums of Greenwich, que inclui National Maritime Museum, Cutty Sark, Meridiano de Greenwich e mais algumas coisinhas.

O segundo fizemos quando visitamos a casa de Charles Darwin, que faz parte do English Heritage. O English Heritage é uma organização que gerencia diversos lugares históricos na Inglaterra, como museus, castelos, ruínas e casas. Já aproveitamos nosso membership a ponto de ele 'se pagar', mas tem tanta coisa que faz parte do English Heritage que precisaria de um ano sabático pra viajar pela Inglaterra.

O terceiro, mais recente, eu queria fazer faz tempo e sempre deixava pra depois, é o membership da Tate, que me dá acesso irrestrito as exposições temporárias (porque o acervo pode ser visitado gratuitamente) tanto da Tate Britain (que aliás é meu museu preferido em Londres) como da Tate Modern.

O problema, como eu disse antes, é a falta de tempo pra aproveitar tudo. Londres tem tanta coisa pra fazer, já estamos aqui há quase 6 anos e as vezes me dá agonia de pensar quanto ainda não conheço da cidade que moro.

Correndo no trabalho e fugindo do café

Uma turma no trabalho organizou um clube de corrida e surpreendentemente, eu estou fazendo parte. O primeiro dia foi hoje - será uma vez por semana, por oito semanas - e superou bastante as expectativas. Eu estava meio receosa de que fosse esquisito fazer exercício e depois tomar banho no trabalho e então voltar para a minha mesa, mas tudo correu super bem.

Eu raramente saio com o pessoal do trabalho (por pura preguiça) então é uma maneira de interagir um pouco mais e, óbvio, ficar mais por dentro das fofocas. 

Fiquei contente de sair da minha zona de conforto, já que corro sempre aqui perto de casa, sempre no mesmo horário. Achei bem mais difícil correr na hora do almoço (cansei muito mais rápido) e ainda por cima em um horário que o parque (fomos para o Green Park) está lotado de turistas. 

Não corremos uma distância muito grande, até porque o tempo é limitado, mas achei bom dar uma desligada das obrigações bem no meio do dia. E, melhor ainda, é chegar em casa e não precisar ir correr porque - eba! - já corri. 

Essa semana aliás é a semana das coisas fora da zona de conforto pra mim, já que decidi dar um tempo do café. Pode parecer idiota, mas eu amo, amo, amo café com leite e sempre foi um ritual diário que me dá muito prazer e energia pra conseguir encarar a manhã de trabalho. Mas ultimamente tenho a desconfiança de que o leite já não me faz muito bem, então estou em fase de teste. Está sendo muito mais difícil do que eu esperava, e olha que foram apenas 5 dias até agora. A tentação é imensa, mesmo sabendo que há grande chance de me sentir mal depois. Cheguei a pegar uma xícara na mão para me servir na máquina alguns dias, mas fui forte e resisti.

O pior é que o teste está dando resultado - desde o dia que não tomo café com leite, não me sinto mal. Vou tentar seguir mais uns dias assim, mas não sei se resisto ao fim de semana. Veremos.

É isso. Correndo mais e tomando café de menos.

Leitura: O Mapa e o Território, Michel Houellebecq

Já faz mais de uma semana que terminei esse livro, mas demorei pra registrar aqui simplesmente porque não sabia o que escrever. Achei assim meio blé. Nem fá nem fu. Não detestei o suficiente para desistir da leitura mas não gostei o suficiente para recomendá-lo. E pra piorar uma amiga minha disse que o autor é machista (eu tinha achado algumas passagens do livro racistas, e depois que ela falou isso tive certeza que não foi impressão minha).

Mas enfim. O cara ganhou prêmio e tal então deve ter gente que gosta, e muito. É tranquilo de ler, e achei interessante as referências ao mundo da arte.

Agora estou enfiada numa leitura que vai levar pelo menos 2 meses, pelos meus cálculos. Daqueles livros que parecem uma bíblia (ainda mais porque eu carrego na mão mesmo, já que não cabe na minha bolsa e eu vou dizer não ao e-reader até os livros físicos pararem de ser vendidos, o que espero que não acontece durante os meus anos de vida), e ainda por cima em inglês de época. Simbora.

Commonwealth Games

A cidade de Glasgow na Escócia está sediando esses dias o Commonwealth Games, uma espécie de Olimpíadas para as nações integrantes do Commonwealth.

Eu lembro de ter aprendido sobre o Commonwealth na escola, mas desde então, e até vir morar aqui há quase 6 anos, o 'assunto' nunca pareceu muito interessante. Até hoje não consigo entender a importância dessa comunidade. Pra mim soa como 'ah vamos fazer o clubinho da turma que já foi colônia britânica e chamar a Rainha pra presidir'.

Minha decepção só aumentou quando descobri que, em 42 das 53 nações do Commonwealth, a homossexualidade é criminalizada de alguma forma. Quanto atraso! Imagina como seria bacana se a nossa querida monarca usasse sua influência para reverter esse quadro.

Enfim, apenas um pensamento solto de uma sexta feira em frente a televisão assistindo um jogo de netball da Jamaica contra a Inglaterra nas olimpíadas do clubinho da tia Beth...

Artesanato italiano

Durante as nossas férias na Costa Amalfitana foi preciso muito auto controle pra não voltar com uma mala cheia de peças de cerâmica. Existem várias fábricas (grandes e pequenas) na região e consequentemente centenas de lojinhas por todos os cantos.

Mas, chegando em Sorrento, que foi nossa última parada antes de voltar para Londres, encontramos um outro tipo de artesanato local: marchetaria. Vimos muitos ateliês pelo centro antigo da cidade, todos vendendo peças maravilhosas, especialmente caixinhas e quadros. Entramos em um desses ateliês e de cara eu não consegui tirar os olhos de um quadro que reproduzia a paisagem de Positano (as casas incrustadas no penhasco com o mar a sua frente), onde havíamos estado nos dias anteriores. 

O artesão, um senhor muito simpático chamado Michelli, estava por ali e nos mostrou um pouco do processo, que requer um nível de detalhe absurdo. O filho dele gerencia o ateliê e também faz as peças. É um negócio de família mesmo.


Como o Martin estava 'me devendo' um presente de aniversário, compramos o quadro de Positano. Mais um pedaço de parede coberto aqui em casa, com a vantagem de sempre nos lembrar de uma semana incrível nesse pedaço da Itália.

100 dias, 100 segundos

Continuando com a tarefa de filmar 1 segundo por dia, aqui está a compilação de 100 dias (completados ontem). Tá ficando tão legal!



O Martin tambem fez a compilação dele (ele começou 1 dia depois de mim, portanto completou os 100 dias hoje), aqui está:



Rumo aos 365 dias!

Holiday blues

Difícil voltar de férias.

Entre todos os lindos lugares que visitamos, está esse aqui:



Ainda bem que tenho o restinho de sábado e o domingo pra fazer a preparação psicológica para o retorno do trabalho.

Leitura: Everyday Sexism, Laura Bates

escrevi aqui no blog sobre o projeto Everyday Sexism e quem me acompanha nas queridas mídias sociais sabe como esse tema mexe comigo. Por isso, quando a Laura Bates (fundadora do projeto) anunciou a publicação de um livro, eu fui correndo comprar minha cópia.

O livro é basicamente um apanhado geral de todas as questões levantadas ao longo desses quase 2 anos de projeto. Abrange sexismo em diversas instâncias - dos insuportáveis assovios e cantadas de rua ao assédio sexual, estupro e FGM (female genital mutilation) - e categorias: no trabalho, na rua, na escola, na universidade e por aí vai.

As estatísticas que abrem cada capítulo somadas aos milhares de tweets e declarações pessoais enviadas ao site do projeto são o material base que a Laura usou para desenvolver o livro. Apesar de eu vestir a camisa femisnista já há bastante tempo, esse livro me ajudou não apenas a entender melhor como a sociedade vê (ou não vê, na maioria das vezes) esse problema, como também explicar pra todo mundo o que é o feminismo e o que cada um pode fazer pra ajudar a diminuir a desigualdade de gêneros e, consequentemente, derrubar o sexismo.

Olha, não é uma leitura fácil. Não no sentido de entendimento (ela escreve de forma clara, como se fosse em uma conversa), mas no que diz respeito aos fatos. Ler algumas declarações e se identificar com alguma delas é as vezes um processo doloroso, mas necessário para que a gente entenda que não há vítima que seja culpada e que é preciso reclamar o direito ao nosso corpo sem medo de constranger a sociedade.

Recomendo muito. Mulheres, homens, todo mundo. O sexismo é um problema quase invisível e é um absurdo que muita gente faça vista grossa. Como diz a Laura: ENOUGH IS ENOUGH.