5 eventos esportivos que eu não conhecia antes de morar em Londres

1. The Ashes
Um campeonato de cricket que envolve... dois times. Sério. Inglaterra e Austrália. Austrália e Inglaterra. DOIS TIMES gente. Não sei mais o que escrever. Eu já não consigo achar algo interessante nesse esporte, então fica difícil eu escrever sobre o Ashes sem ser sarcástica. Vou parar por aqui. Mas DOIS times. DOIS.

2. Ryder Cup
Se eu não me interesso por cricket, a coisa fica ainda mais feia quando o esporte é golfe. E, de novo, DOIS TIMES. Europa x Estados Unidos. Vamos ali ser elitistas juntos e já voltamos. Encerro aqui.

3. Campeonato Mundial de Dardos
Aaaaah, finalmente algo legal. Um campeonato onde a torcida está bêbada, fantasiada, e ainda por cima os participantes não tem um corpinho atlético. Ou seja, ainda há esperança de eu ser campeã mundial de alguma coisa. Talvez esse seja meu projeto pós-aposentadoria. Vou pro pub todo dia, tomar gin&tonic (ou Pimm's se for verão) e ficar treinando. Vocês vão me ver campeã em 2040, escreve aí.



4. Commonwealth Games
Ah, eu já dediquei um post inteiro ao Commonwealth Games, os jogos olímpicos dos países participantes do clubinho Commonwealth (vamos combinar que a última coisa que todos os membros dessa organização tem em 'commmon' é 'wealth', né?). Alguém se lembra dos campeões desse ano? Nem eu.

5. Oxbridge boat race
Tudo bem que essa é mais uma competição entre dois times (Universidades de Cambridge e Oxford), mas ver os times de remo dessas duas instituições históricas e arquinimigas é muito mais animado do que ver críquete ou golfe. A corrida acontece todo ano em Londres, em um trecho do Rio Tâmisa no oeste da cidade. Acho que todo mundo que fez faculdade entende essa rivalidade, e como é algo rápido, pá-pum, se resolve em menos de uma hora, deixa os ânimos da torcida a flor da pele.

6 meses em segundos e uma pequena tragédia

Há alguns dias, quando precisei reinstalar todos os meus aplicativos no celular por conta de um outro aplicativo que estava dando erro, perdi todos os segundos que estava filmando desde o começo (já postei sobre esse projetinho/app aqui, aqui e aqui).

Pode parecer bobagem, mas fiquei arrasada. ARRASADA. Juro, quase chorei. já tinha completado 9 meses filmando um segundo por dia, todos os dias. A sorte é quando eu completei 6 meses resolvi fazer uma compilação, justamente pro caso de dar problema no back-up.

Então aqi está, o vídeo de 6 meses:



E sim, vou voltar a fazer, do zero. Mas resolvi que começarei dia 1 de janeiro de 2015, pra ficar um ano direitinho (e agora, que estou com celular novo e com uma câmera muito melhor, vai ficar ainda mais legal!)

Exposição: Rembrandt - The Late Works

Assim como a exposição do Turner na Tate Britain, essa do Rembrandt na National Gallery é dedicada às obras criadas no fim da vida do artista, entre 1950 e 1969.

Eu sei muito pouco sobre a vida e obra dele (quando estive em Amsterdã acabei não indo na casa/museu dele), e fiquei impressionada quando li que ele perdeu a esposa e três filhos muitos anos antes de sua morte, e ainda assim produziu telas espetaculares. 

Os autorretratos logo na primeira sala já valem a entrada! Além das pinturas (como a tela entitulada 'The Jewish Bride', uma das estrelas da mostra), você verá dezenas de gravuras e desenhos com nanquim, um mais impressionante e detalhado que o outro. 

Recomendo comprar os ingressos com antecedência pelo site da National Gallery, já que a exposição está bem popular e as vezes não tem ingresso para o mesmo dia. Está em cartaz até o dia 18 de janeiro, o ingresso custa £18.

6 anos londrinos

O tempo passa, o tempo voa...


Leitura: Not That Kind of Girl, Lena Dunham

Eu não sou mega fã da Lena Dunham, mas concordo que ela é referência em inovação no mundo televisivo (mesmo que eu tenha assistido poucos capítulos do seriado Girls). Fiquei sabendo do livro que ela escreveu, afinal está por toda parte. E não estava considerando ler, mas um belo dia ela foi no programa do Graham Norton (que eu amo, e já escrevi sobre aqui no blog mais de uma vez) e eu chorei de rir (principalmente quando ela tirou onda da cara do chatonildo do Matthew McConaughey).

Aí eu comprei. Mas que decepção!

A Juliana Cunha publicou uma resenha sobre o livro, com a qual eu concordo em gênero, número e grau. Clica e lê, porque eu jamais conseguiria explicar tão bem quanto ela porque eu não gostei do livro.

Fica pra uma próxima Lena!

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Chega de Fiu Fiu, o documentário do Think Olga

'Se a mulher não quer que mexa com ela, então não tem que usar roupa que provoca, passa aqui de moletom'

Eu não vou nem discutir o tanto de coisa errada que tem na afirmação acima (que aliás eu não inventei. Veja o vídeo abaixo pra ouvir e ver esse e mais um monte de absurdos). Se você concorda que é um absurdo, então você precisa ajudar o documentário Chega de Fiu Fiu, idealizado pelo projeto Think Olga, a sair do papel.

(E se você não concorda, e acha que a frase faz sentido, faça um favor pra mim: feche essa página e nunca mais volte aqui)

Há alguns meses o Think Olga divulgou o resultado de uma pesquisa que mostra que as cantadas na rua não tem nada de inofensivas: é um problema grave, e que tem sido ignorado há muito tempo. Eu já falei sobre esse assunto algumas vezes aqui no blog (quando contei sobre campanhas feministas que apoio no Reino Unido, como o Everyday Sexism e o No More Page 3), então não acho que preciso explicar novamente que assédio não é paquera (e cantada É assédio).

Agora, o Think Olga quer dar um passo adiante na luta contra o sexismo e produzir um documentário que mostra as situações super desagradáveis que as mulheres passam todos os dias. Veja o vídeo abaixo para entender certinho o contexto e o projeto.



Então, vamos doar? A primeira meta, de R$20 mil, já foi alcançada. Agora precisamos chegar a R$80 mil, pra garantir que o documentário saia do papel. Temos 46 dias, e ainda falta bastante,

Quanto mais eu penso nesse assunto, lembro de mais e mais cantadas (algumas bastante agressivas) que levei na rua. Engraçado como a normalização disso faz a gente 'deixar pra lá' e esquecer coisas que na verdade são traumatizantes. Chega disso, gente!

Clique aqui para fazer sua doação.

#MoRunning

Depois de mais de 6 meses treinando, o grande dia da nossa corrida chegou. Hoje vencemos os 10km do percurso da #MoRunning no tempo que havíamos estipulado: 70 minutos.

Eu acho que finalmente fiz as pazes com a corrida, depois de tantas tentativas. Não, não estou 'viciada' em correr e muito menos acostumada a chegar em casa, me trocar e logo sair pra treinar. Continua sendo difícil, principalmente com a chegada do inverno (o que significa que temos que correr na rua, já que o parque fecha as 7 da noite em vez de 9, como é no verão).

Como disse uma amiga minha, eu não amo ir correr, eu amo a sensação de ter corrido. Completar 5, 6, 7, 8km é realmente uma imensa satisfação pessoal. Ver que o corpo aguenta cada vez mais um pouco. Conseguir subir uma ladeira, ainda que devagar, mas correndo. Em um dia que estou sem vontade, fazer 'só 5km pra não perder o costume'. Só 5! E no começo do ano eu não conseguia correr 1km inteiro.

Meu negócio é ter um objetivo, como essa corrida. Por isso me inscrevi (nos inscrevemos, Martin sempre junto) em mais uma, em fevereiro. E assim vou indo. Quem sabe um dia encaro uma meia maratona?



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Sem contar que comprar roupinhas para correr é muito legal. Nunca achei que fosse gostar de de gastar dinheiro com legging de corrida, camiseta dry-fit e tênis especial. Tenho até blusa de frio pra correr! Mais um incentivo pra não parar, já que nada disso custa barato ; )

5 tradições de Natal britânicas

1. Christmas crackers
Minha tradição favorita! E a primeira que a gente conheceu quando chegamos em Londres. Faltavam 3 semanas para o Natal, e em todo restaurante que a gente passava, víamos essa espécie de 'tubo' em cima dos pratos. E aí vimos também no supermercado, caixas e caixas com os tais dos tubos. Só fomos descobrir do que se tratava quando o marido inglês de uma amiga explicou: os Christmas Crackers devem ser estourados no dia de Natal (cada pessoa segura de um lado do cracker, em uma roda de pessoas, e todo mundo puxa ao mesmo tempo), e dentro deles tem umas bobagens, uns presentinhos. Mas mais importante que os presentinhos são as coroinhas de papel (que todo mundo tem que colocar na hora de comer) e as piadinhas sem graça. Garanto que deixa a festa muito mais divertida, desde então a gente adotou essa tradição e apresentamos a 'novidade' pra todo mundo que vem pra Londres nessa época.

2. Christmas jumper
Jumper é a palavra que se usa por esses lados para descrever um suéter: uma blusa de manga comprida, que pode ser de moletom, de lã, ou de qualquer outra coisa. Mas o Christmas jumper é algo especial: é feito especialmente para essa época e você NUNCA verá ninguém usando um Christmas jumper em qualquer outra época do ano (por exemplo, se faz um dia frio na primavera ou no verão). E como você identifica um? Fácil: o Christmas jumper tem estampa de símbolos natalinos, como papai noel, boneco de neve, flocos de neve, pinheirinho e por aí vai. Quanto mais perto do Natal, mais fácil avistar alguém usando (e geralmente nos escritórios o pessoal faz o dia de usar o Christmas jumper, tem concurso pra ver qual o mais cafona e tudo mais). O Christmas jumper tem fama de ser brega, e a galera abraça a ideia - pode fazer uma busca nas imagens do Google pra ver como é muito mais fácil encontrar modelos cafonas do que modelos bonitinhos.

3. Comercial da John Lewis
A John Lewis é uma das lojas de departamentos mais tradicionais de Londres. Não é tão conhecida entre os turistas, que acabam visitando as famosetes Harrods e Selfridge's, mas a minha impressão é que os locais tem um carinho especial por ela. Mas especulações a parte, a loja todo ano lança um comercial de Natal que vira 'hit': tipo, as pessoas esperam por isso, vira capa de jornal, gera discussões ('ah como assim você não chorou?', 'a do ano passado foi muito melhor' etc etc etc). Falam bem ou falam mal, mas todos falam do comercial da John Lewis. Eu não sei há quanto tempo eles fazem isso, mas acredito que o sucesso é tanto que ainda vai acontecer por muitos e muitos anos.... Para o Natal de 2014, a estrela é um pinguim, o Monty:


(e aí, chorou?)

4. Mensagem da Rainha
Todo ano a Rainha prepara uma mensagem que é transmitida no dia de Natal (antigamente era sempre a BBC que fazia a transmissão, hoje em dia é alternado com outros canais), gravada com antecedência e que nada mais é do que um 'resumo' do ano que passou. Ela normalmente relembra eventos (esportivos, culturais, sociais) que aconteceram no decorrer dos últimos 12 meses, assim como acontecimentos familiares (como foi o caso do nascimento do Jorjinho ano passado). Acho que é um dos poucos dias do ano em que as pessoas realmente lembram que 'nossa, temos uma Rainha', principalmente num ano relativamente tranquilo no quesito fofocas reais como foi 2014. Republicanos e monarquistas, todo mundo para o que está fazendo pra ver e ouvir o Feliz Natal real. No site da familia real (mudérno) você pode ver as transcrições de todas as mensagens de Natal desde 1953.



5. Calendário do advento
Eu sei que essa não é uma exclusividade britânica, e o calendário do advento existe no mundo todo. Mas aqui você encontra calendário de advento no supermercado como no Brasil você encontra Panettone. Afinal, que não curte ganhar um chocolatinho todo dia durante 24 dias (1 a 24 de dezembro)? O formato é simples: uma caixa retangular, e cada dia é uma 'janelinha'. O que varia mesmo é a estampa da caixa: tem de todos os personagens que você possa imaginar. Isso sem contar nos calendários do advento com 'outras especialidades', como brinquedos, velas, produtos de beleza e ingredientes gourmet. Eu prefiro um pedacinho de chocolate mesmo!

The Paddington Trail

Você conhece o Ursinho Paddington (Paddington Bear)? Ele é um simpático personagem da literatura infantil britânica, criado em 1958. Ele tem esse nome porque foi 'encontrado' na estação de Paddington em Londres, depois uma longa viagem a partir da sua terra natal, o Peru (ursinho imigrante!!).

Existe uma estátua do Paddington Bear na estação, mas até o dia 30 de dezembro é possível vê-lo em 50 versões diferentes, colocadas em pontos estratégicos em Londres como parte do Paddington Trail - tipo uma cow parade, só que de ursinho! Muito mais legal : )

Fragile Paddington Bear #PaddingtonTrail

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Cada um deles foi estilizado por uma celebridade (ou quase), e após o término da instalação, todos eles serão leiloados. O dinheiro arrecadado será doado para a instituição NSPCC, que ajuda crianças vítimas de abuso e violência.

Eu já vi alguns por aí, inclusive tem um na frente do prédio onde trabalho. Acho muito legal chegar no escritório e ver o simpático ursinho todo dia tirando o chapéu amassado da viagem e me dando as boas vindas!



Procure no Instagram pela hashtag #paddingtontrail tem várias fotos legais. E no site do projeto tem um mapa com a localização de todos eles.

5 situações pelas quais você vai passar no transporte público de Londres

1. O bêbado
Meu maior medo quando pego o último trem pra casa ou um ônibus noturno é que um bêbado sente perto de mim. Bom, não tem como evitar: o último trem SEMPRE terá pelo menos um bêbado. O negócio é usar todas as táticas imagináveis para evitar que ele sente-se do seu lado. Isso porque: ele pode dormir e bloquear sua saída ou (o horror) ele pode vomitar. Pavor total.

2. A excursão de crianças ou adolescentes
Ah, nada como um vagão do metrô vazio pra você pode ler umas páginas do seu livro ou então dar aquela cochilada básica ja que sua estação ainda está longeDA ONDE TÁ VINDO ESSE BARULHO? É amigos, quando você menos espera a excursão de crianças felizes e contentes indo visitar o museu invade seu vagão. Acabou a tranquilidade. Pior que excursão de crianças é a excursão de adolescentes intercambistas. Porque adolescente já é um porre, mas adolescente intercambista consegue ser pior, pois estão viajando em grupo e vivendo o que acham ser os melhores dias de suas vidas (e consequentemente um dos piores dias das NOSSAS vidas pobres trabalhadores que querem apenas uns minutos de sossego no metrô).

3. A briga
Nada mais constrangedor do que dois estranhos discutindo por algo idiota. Como eu uso o transporte público todo santo dia, já testemunhei um monte de brigas, pelos mais variados motivos: alguém que, ao esticar o braço para se segurar, atrapalhou a conversa de 2 pessoas, outro que estava sentado no chão e se recusou a levantar quando alguém pediu e, é claro, brigas provacadas pelos bêbados, que e impossível saber o motivo. Quando uma briga começa dentro do trem, a impressão que eu tenho é que todo mundo no vagão está pensando a mesma coisa: 'peloamordedeus não façam alguém apertar o botão de emergência e parar o trem' ou 'se forem brigar, que seja longe do meu assento'. Apesar da tensão no ar, geralmente os demais passageiros continuam a ler/conversar/checar o telefone como se nada estivesse acontecendo.

4. A pessoa passando mal
Não é incomum um atraso de trem ser provocado por uma pessoa passando mal. Quando alguém sente-se mal dentro do trem, é preciso acionar a emergência e avisar o condutor, que então vai avisar alguém na próxima estação. Até a pessoa ser socorrida (o que as vezes implica em uma ambulância chegar), o trem não vai a lugar nenhum. Até aí tudo bem. O pior, pra mim, é quando essa pessoa passa mal no seu vagão, porque você se dá conta de que não se lembra o que é preciso fazer na hora do vamos ver. Então vale a pena se familiarizar com o 'ambiente' do trem/metrô que você sempre pega, principalmente para saber onde está o  botão de emergência.

5. A bolsa presa na porta
Eu sempre me pergunto se a pressa que a pessoa tem justifica não esperar 3 minutos pelo próximo metrô. Sempre tem o desesperado que entra no vagão no último segundo e acaba bloqueando a porta com sua bolsa/mochila. Então, os 3 minutos que a pessoa pensou que tinha economizado, acabam virando 2 minutos, ou 1 minuto. Porque toca o condutor ter que abrir todas as portas e fechar de novo para o metrô poder prosseguir. Então fica a dica: espere o próximo, Assim você evita que todo mundo no vagão odeie você.

No repeat: Radio Ga Ga / I Was Born to Love You, Queen

Já devo ter contado aqui, em algum desses posts aleatórios de música que eu escrevo de 6 em 6 meses, que eu não consigo ser uma pessoa 'atualizada' quando o assunto é música. Eu tento, mas meu gosto é mesmo do século 20.

Eu vivo 'fases' musicais, e quando eu entro numa fase... escuto a banda/músico até o Martin quase me expulsar de casa. A fase do momento (talvez a melhor dos últimos anos) é o Queen. Quer dizer, eu sempre gostei do Queen, e depois que me mudei pra Londres fiquei ainda mais interessada, porque volta e meia temos um especial na televisão sobre o legado de Freddie Mercury e sua turma.

A cereja no bolo é que conseguimos ingressos (falar conseguimos é ser legal, porque fomos extorquidos, graças a máfia do ingresso londrina. Obrigada) para assistir o Queen (com outro vocalista, claro) em janeiro, na arena de shows 02 aqui em Londres. Tudo bem, também acho estranho chamar de Queen sem o maravilhoso Freddie Mercury, mas acho que vai ser incrível ouvir as músicas que eu tanto amo sendo tocadas ao vivo, junto com outras milhares de pessoas gritando. Ja me dá arrepios só de pensar. 

As duas músicas do Queen que mais tenho escutado esses últimos dias são essas abaixo. É um repeat infernal, mas que me faz muito bem. Freddie Mercury for all!!



Fuck it! Let's go to New York

Olha, um dos problemas da vida adulta é conseguir programar um encontro com os amigos. Fazer com que as datas e horários de 4 pessoas casem é coisa assim pra uns 6 meses de antecedência. Quando uma dessas pessoas mora em outro país então, tudo fica mais difícil.

Será?


Pois em um desses momentos raros, quando todo mundo diz sim (para as datas, para o destino, para o custo), fechei com mais 2 amigas uma viagem de fim de semana prolongado para Nova York para visitar uma terceira amiga - todas elas já velhas conhecidas de quem lê esse abandonado bloguinho.

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Lá fomos nós em uma sexta feira de manhã. Nosso quarteto foi finalmente reunido e quando estávamos juntas parecia que tínhamos nos encontrado semana passada. Fizemos o que mais gostamos: comemos, andamos, bebemos, compramos e fofocamos.

A farra acabou rápido, pois na segunda feira a noite já estávamos de volta a lata de sardinha, ops, avião, rumo a Londres. Chegamos acabadas e com aquela sensação de fim de festa, e agora nos resta programar a próxima.

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O mercado de trabalho para os criativos em Londres


*****ATUALIZAÇÃO 10/04/17**********
Esse post foi originalmente publicado em 2014 e é um dos mais acessados desse blog. Consequentemente, é um dos que mais recebe comentários. Os comentários geralmente são perguntas sobre a situação pessoal de cada pessoa, e há pouco que posso acrescentar (muitas vezes nada) além do que já escrevi aqui. Peço que por favor leiam o post com calma e leia também os comentários, pois sua dúvida  já pode ter sido respondida. E respostas para algumas perguntas frequentes:

1. Eu não sei nada sobre visto de trabalho. Consulte o site https://www.gov.uk/government/organisations/home-office para toda e qualquer informação sobre visto.
2. Eu não sei se você pode trabalhar caso venha pra cá com visto de estudante. Consulte o site indicado acima
3. Não sei como está o mercado na sua área específica, por favor leia o post novamente
4. Não sei como está o mercado em outras cidades da Europa
5. Sobre validação de diploma de arquitetura, consulte o site https://www.architecture.com/RIBA/Home.aspx para encontrar esse tipo de informação
***************************************

Nos meus três primeiros anos em Londres, volta e meia recebia emails de pessoas interessadas em saber como era trabalhar na indústria criativa por aqui. E não eram apenas pessoas com a mesma formação que eu (Design de Produto), mas de várias outras áreas criativas, como moda, interiores e arquitetura.

Fazia tempo que eu não recebia mensagens assim, até que mês passado chegaram vários emails sobre o mesmo assunto: como eu faço pra trabalhar no que você trabalha? O que eu preciso fazer para trabalhar com design/arquitetura/moda em Londres?

Então fica aqui o post pra servir de referência pra quem tem esse tipo de dúdida e não sabe por onde começar a pesquisar. Claro que cada caso é um caso, e as perguntas específicas eu tenho o maior prazer em responder. Esse é um panorama geral, e quem sabe pode ajudar quem está confuso ou não sabe como dar os primeiros passos.

Nos últimos anos, a oferta de trabalho para designers e arquitetos aumentou bastante, mas ao mesmo tempo não ficou mais fácil arrumar emprego. Muita gente boa, do mundo inteiro, vem pra Londres com o mesmo objetivo. A competição é acirrada. 

E lembre-se de que aqui (acredito que na Europa como um todo) é muito mais comum fazer faculdade de moda/design do que no Brasil. Isso porque existem cursos específicos. No Brasil a gente se forma em Design Gráfico ou Design de Produto. Aqui, é possível passar 3 anos estudando áreas como Design de Superfície, Design de Estampas, Design de Transporte, Design de Móveis. Ou seja, mais opções, mais gente cursando. 

Se você está mesmo considerando vir para Londres com a intenção de arrumar um trabalho criativo, considere expandir seus horizontes. Pode soar vago, mas se alguém tivesse me falado isso antes de eu me mudar teria me poupado alguns meses de frustrações e questionamentos. Precisei bater muito a cabeça antes de perceber que poderia fazer outra coisa relacionada com design que não necessariamente desenhar. 

Você estudou Design de Interiores? Pense em trabalhar com styling para produções de revistas de decoração e catálogos de empresas de móveis e accessórios. Estudou moda? Considere começar a sua carreira em uma agência de relações públicas. Estudou arquitetura? Pesquise vagas na área de projetos de interiores para varejo. 

Outra coisa importante: coloque o fato de ser estrangeiro a seu favor. Parece óbvio, mas a gente se sente intimidado quando chega aqui, é tudo tão novo e as coisas acontecem tão rápido que a impressão é de que sempre estamos perdendo alguma coisa, e quem é local sabe mais que a gente. Mas sabe o que aprendi trabalhando aqui? Que não ser daqui é uma das maiores vantagens que tenho em relação aos 'concorrentes' locais. Seu conhecimento de mercado de outro país, seu background cultural é muito bem visto no meio criativo. 

Por fim, explore Londres. Andar de exposição em exposição, evento em evento, palestra em palestra foi o que me ajudou a espantar o desânimo que batia nos meus primeiros meses procurando emprego. Todo dia tem alguma coisa pra fazer, e aos poucos você começará a reconhecer nomes (de pessoas e empresas) e entender como funciona sua área. Foi uma exposição sobre o Le Corbusier no Barbican (que visitei em um dia que estava particularmente desanimada, me lembro muito bem) que rendeu a minha primeira matéria publicada. E dessa para todas as outras, em uma série de sites e revistas, acabou sendo mais rápido do que eu imaginava.

Acho que é isso. Vou pedir ajuda dos universitários: compartilhe sua experiência nos comentários!

*****

Alguns sites bons para pesquisar vagas:

A última do ano

Não sei se comemoro ou se fico triste que estou fazendo a última viagem a trabalho do ano. Queria comemorar porque isso significa que estamos cada vez mais perto do Natal e ano novo (e, consequentemente, uns diazinhos de férias coletivas) mas também dá agonia de saber que em janeiro e fevereiro já tenho as viagens de trabalho programadinhas na agenda. 

Bom, lamentações a parte, estou na Bélgica, visitando uma feira na cidade de Kortrijk. É a primeira vez que venho aqui, o que é algo positivo, não dá aquela sensação de 'já vi isso no ano passado, e no anterior, e no anterior etc etc etc'. Mas a cidade em si achei bem sem graça - saí pra dar uma volta as 7 da noite e achar um lugar pra jantar e estava tudo morto, mega silêncio. 

Tão sem graça que nem rendeu uma foto no Instagram.

5 programas de televisão para assistir quando você vier para Londres

1. Bargain Hunt
A ideia é simples: duas duplas (time azul - the blues - e time vermelho - the reds) percorrem uma feira de antiguidades e tem 300 libras e uma hora para comprar quantos objetos quiserem, e cada dupla conta com a ajuda de um especialista na área. Esses objetos vão então para leilão e a dupla que arrecadar mais, ganha (e leva o lucro - geralmente muito baixo). Pode até soar excêntrico, mas feiras e leilões de antiguidades são muito comuns no Reino Unido - aqui no meu bairro, por exemplo, existem as duas coisas. Os britânicos no geral adoram uma barganha nessas feirinhas, e existem dezenas de programas dedicados ao assunto. Se você gostar de Bargain Hunt, assista também Antiques Road Show, Flog It!, Cash in the Attic.

2. Celebrity Juice
Pra rir muito e ver muita baixaria. Mas digo rir de chorar de rir e baixaria de ver pintos e bundas e aprender todos os palavrões possíveis em inglês. Trata-se de um programa estilo 'painel' (muito comum na televisão britânica, poderia citar dezenas: um apresentador e dois times de tres ou quatro pessoas que precisam responder perguntas ou cumnprir tarefas). Os times são formados por celebridades, e como o nome diz, as perguntas e tarefas são baseadas no mundo dos famosos, fofocas e verdades. O apresentador, Keith Lemon, é uma piada (pra quem não está afiado no inglês, é difícil entender o que ele fala), e não tem papas na língua. Se você gostar de Celebrity Juice, assista também A League of Their Own e Mock the Week.

3. The Graham Norton Show
Já escrevi um post sobre esse talk show, e ele continua muito bom - acho que até melhor do que na época que escrevi. Os entrevistados ficam juntos o tempo todo, e isso rende momentos hilários. Mas o destaque é mesmo o próprio Graham Norton, que faz perguntas bem diferentes do que vemos nos talk shows e consegue sempre fazer que role uma química entre os entrevistados. Veja até o fim, que sempre tem apresentação musical (semana passada foi o U2, por exemplo) e o famoso quadro 'The Red Chair', quando alguém do público conta uma história que supostamente deve ser divertida, mas se o Graham achar que é chata, a pessoa é derrubada da cadeira (falando assim parece idiotice, mas e hilário).

4. Grand Designs
Esse programa epitomiza a obssessão dos britânicos pelo mercado imobiliário e a curiosidade de ver a casa alheia. O que tem de coisa na televisão sobre pessoas procurando lugares pra morar e reformas/decoração não é brincadeira. A diferença do Grand Designs é que o apresentador (Kevin McCloud, que é tipo o guru da arquitetura/decoração e é o 'rosto' da marca) acompanha um projeto do zero, passando por todos os perrengues da contrução. Tem casas, por exemplo, que começam a ser construídas anos antes do programa ir pro ar, porque geralmente o episódio termina com o apresentador visitando os proprietários já morando lá. Se você gostar de Grand Designs, assista também Location, Location, Location, 60 Minute Makeover e Homes Under the Hammer.

5. Countryfile
Sabe aquela hora no domingo, fim de tarde e começo da noite, quando só tem lixo passando na televisão? Pois veja Countryfile e seus domingos nunca mais serão os mesmos! O programa tem vários apresentadores, e cada episódio é focado em uma região do interior do Reino Unido, além de ter algumas seções específicas, como o dia e dia e problemas de uma fazenda. A ideia principal, porém, é mostrar as belezas de cada região (fauna e flora), assim como produtos típicos e artesanato local. O Countryfile tem grande influência na nossa vontade de explorar mais o país que moramos. Recomendo muito pra quem quiser aprender mais sobre o Reino Unido, que vai muito, mas muito além de suas cidades mais connhecidas. Enfim, é um programão, especialmente pra quem curte viajar.

5 coisas que existem em todas as casas de Londres


Atualização: eu lancei um ebook sobre Londres que contém mais de 30 listas como essa. Gostou desse post? Então apoie meu trabalho adquirindo o livro Quase Londoner, clique aqui!

1. Alarme de incêndio
Você pode morar em um estúdio ou um palácio, mas o alarme de incêndio sempre estará lá. Ok, é prudente e tal, mas está SEMPRE muito perto do fogão, ou seja: ele vai disparar toda vez que você fritar um bife. O pior é que se seu apartamento/casa tem mais de um alarme (como no nosso caso, é um na cozinha e um logo depois da porta de entrada), eles estarão conectados, e assim que um dispara, todos os outros disparam também. O primeiro disparo será aquele susto, todo mundo desesperado achando que o prédio todo deve estar em pânico (não estão), mas aos poucos você aprende que basta abanar a fumaça perto do alarme por alguns segundos que ele para de tocar. Você aprende também a não entrar em pânico quando o alarme do vizinho dispara. Afinal todo mundo frita bife.

2. Aquecedores
Seus melhores amigos durante 5 meses do ano (aqui em casa geralmente de novembro a março). Mas viram inimigos quando chega a conta da British Gas. Frio lá fora, casa quentinha.... no primeiro ano você liga todos os aquecedores da casa, e só quando chega a conta no fim do inverno que você se lembra de que, ops, não existe a fada madrinha do aquecimento, mas sim a British Gas. Fora isso, os aquecedores são um empecilho decorativo, já que não dá pra colocar nada na frente, ou em cima (quando estão ligados, mas quem vai ficar mudando as coisas de lugar de acordo com a estação do ano?).

3. Carpete
Dê adeus ao seu piso de porcelanato brilhante ou aos tacos nos quais você gastou uma fortuna para reformar, porque em Londres o negócio meu amigo, é carpete. Tudo bem, nos apartamentos e casas mais novos é até fácil encontrar aquele piso laminado de madeira baratex que todo mundo compra em seu primeiro apartamento, mas escreve o que eu tô dizendo: nos quartos, só carpete. Tudo bem que dá aquela sensação de aconchego, principalmente no inverno, mas por mais que você tome todo cuidado do mundo para não andar no carpete de sapato, depois de alguns meses já dá pra notar onde está gasto. Fora a poeira. Por isso, como eu já disse nesse post aqui, coloca o seu rico dinheirinho num aspirador bom. Ah, não vou nem comentar dos apartamentos que tem carpete no banheiro. Não é lenda.

4. Banheira
'Ai que máximo você tem banheira em casa'. Que máximo? Puta saco limpar a banheira. Prefiro mil vezes um box, até porque quem tem tempo de usar a banheira? E o espaço que sobraria no banheiro se fosse um simples box? E a água que espirra no banheiro inteiro porque só tem um painel de vidro ou acrílico super pequeno como proteção? Mas juro, mesmo que você vá no menos apartamento de Londres, a bendita banheira está lá.

5. Interruptor na tomada
Aê! Finalmente uma coisa boa. Gente, como não tem isso em todas as tomadas do mundo? Acho super seguro e sustentável. Vai viajar? Desliga todas as tomadas e pronto, certeza de que nenhum aparelho ficou ligado ou no 'stand by' desnecessariamente. Fora quem pra quem é paranóico como eu, o medo de tomar choque toda vez que precisa plugar algo na tomada desaparece: basta desligar o interruptor, plugar e ligar de novo. GENIAL. Acho que vou começar uma petição no Change.org pra ter isso no mundo todo. 

Exposição: Constable - The Making of a Master

Não sei se foi coincidência, mas nessa temporada a Tate Britain e o Victoria & Albert montaram grandes exposições de artistas que foram concorrentes: Turner e Constable, respectivamente (já escrevi sobre a exposição do Turner aqui). 

Os dois viveram na mesma época e os dois retratavam paisagens, mas tinham estilos completamente diferentes. Diz a lenda que não se suportavam, e por causa disso muitos críticos escreveram matérias comparando as duas exposições. Bom, não sou crítica, mas agora que estive nas duas posso tambem dar meu veredito: Turner ganha,

Mas, competição a parte, a exposição do Constable no V&A está sim bem bonita. Como diz o nome ('The Making of a Master') o foco é na formação de John Constable, como ele começou e aprimorou sua técnica. 

Seu estilo era muitos mais tradicional e condizente com a época: paisagens bucólicas e interpretações mais realistas do que as pinturas de Turner, por exemplo (mas ainda assim ele recebia críticas de 'especialistas' que não gostavam do resultado, e achavam suas telas com cara de inacabadas).

O que mais me impressionou na exposição foi ver a quantidade de estudos que ele produzia antes de partir para a tela final. É muito bacana ver a evolução de um quadro e as mudanças feitas ao longo do desenvolvimento. 

Para quem quer ver tanto essa exposição quanto a do Turner na Tate Britain, aconselho a ver essa primeiro e ir para o Turner depois. 

'Constable - The Making of a Master' fica no Victoria & Albert até 11 de janeiro de 2015. 

Malta, a primeira viagem como blogger

A não ser que esse seja o primeiro post que você lê nesse blog, todo mundo já está cansado de saber que eu escrevo também no blog Aprendiz de Viajante, totalmente dedicado ao assunto viagens. E, apesar de eu sempre escrever vários posts sobre os lugares que conheço quando viajo de férias, eu nunca tinha viajado por causa do blog.

Pois é, pra quem não sabe, isso existe. Assim como existem as blogueiras de moda profissionais, existem também os blogueiros de viagem (do mundo inteiro). Muitos fazem disso sua profissão, dedicam-se integralmente ao blog e ganham dinheiro assim. Organizações voltadas para promover o turismo em certos países e cidades convidam esses blogueiros para conhecer os lugares, que por sua vez comprometem-se (sem comprometer a integridade do conteúdo que produzem) a divulgar a experiências no blog e mídias sociais (porque ser blogueiro de viagem hoje em dia requer muito mais do que postar no blog).

Como eu não sou blogueira de viagem 'full time', e me dedico ao Aprendiz de Viajante em horários alternativos, nunca tinha aceitado um convite para viajar: seja por causa do calendário maluco no trabalho ou então porque eu não tinha dias de férias pra tirar.

Mas enfim, dessa vez deu certo e eu estou em Malta (um arquipélago/país no sul do Mar Mediterrâneo, perto da Sicília, na Itália) a convite do MTA (Malta Tourism Authority) e do iAmbassador, que criaram em colaboração o projeto Blog Island. 

Pra mim, é tudo muito novo. Pra começar, estou viajando sem o Martin. Estou hospedada em uma casa (enorme) com outros dois blogueiros (uma britânica e um francês), os quais dedicam-se integralmente aos seus blogs. É uma experiência que tem seus prós e contras. Claro que conhecer um lugar lindo como Malta com (quase) tudo pago (quase mesmo, as refeições são por nossa conta, assim como boa parte do transporte pelas ilhas) é super bacana, mas dividir uma casa com pessoas que nunca antes você viu na vida requer bastante paciência.

Enfim, estou aqui há apenas 24 horas e o saldo até agora é positivo. Mais 3 dias pela frente, e espero que tenha muito mais disso aqui:







Pra quem quiser acompanhar o 'desenrolar' da viagem, estou postando com frequência no Instagram, tanto no meu perfil (@helorighetto) como no do Aprendiz (@aprendizviajant). A hashtag oficial da viagem, usada por todos os blogueiros que participaram e participarão do projeto é #maltaismore e a hashtag para ver apenas asminhas fotos é #advemmalta

5 comentários idiotas que você vai ouvir quando se mudar para Londres

1. Você não mora aqui, não sabe do que está falando
Essa pérola eu escutei na eleição de 2010, de uma (ex) amiga, quando deixei minha opinião no facebook. Pois é, parece que quando você sai do Brasil a regra é que você não se interessa mais por nada que acontece lá. Ou então você perde o direito de opinar, afinal 'deixou' seu país, traiu suas raízes. Como se quem é expatriado não quisesse o melhor pro Brasil como qualquer outro brasileiro ou como se não existisse todos os meios pra gente se informar tão bem quanto qualquer pessoa que more no Brasil.

2. Vocês que estão certos, fiquem em Londres mesmo, o Brasil é uma merda
Esse comentário pode criar uma situação totalmente reversa do que o comentarista esperava. Quem vomita uma babaquice dessas assume que quem mora fora odeia o Brasil e o motivo da mudança foi desgosto e descrença com o futuro do país. Bom, não é meu caso e penso eu que não é o caso da maioria dos expatriados. Eu não acho o Brasil 'uma merda', e odeio as frases estilo 'só no Brasil' e afins. Sei dos problemas e angústias mas, justamente por morar fora e conhecer bem a cultura de outro país, tenho plena consciência de que nada é 'só no Brasil'

3. Mas você ganha em libras!
Sim, eu ganho em libras, mas você obviamente esqueceu que minha hipoteca também é em libras, a comida que compro no supermercado também é vendida em libras, os gastos com transporte também são em libras... preciso continuar? E, se for pra reforçar o argumento, eu ganho em libras mas proporcionalmente bem menos do que meus amigos no Brasil ganham em reais. Não só ganho menos, mas convertendo meu salário para reais o valor ainda é mais baixo do que eu ganharia agora se estivesse no mesmo cargo que estava antes de ir embora. Então, por favor, parem de me falar isso quando eu comentar que viajar pro Brasil custa muito caro.

4. Nossa você tá muito inglesa!
Tá bom, eu sei que esse não é um comentário idiota, e (espero eu) geralmente quem fala nem tem ideia de que é irritante (eu me irrito muito facilmente, como quem lê esse blog já deve saber há tempos). Mas que diabos significa 'você tá muito inglesa!'? Nunca entendi. É a roupa? É o cabelo? É a gordura acumulada na barriga? Mas por que isso é indicação de que eu 'estou' inglesa? talvez seja pura e simplesmente falta de boas ideias, vontade de puxar assunto.

5. Não sei como vocês aguentam frio e céu cinza o ano todo
E eu não sei como eu aguento você falando essa idiotice pra mim. Juro, faz frio na Europa inteira, tem céu cinza em qualquer lugar, mas por alguma razão existe essa ideia de que Londres é a mais cinza e gelada cidade de todos os tempos. Tá, você não está convencido? Então pelo menos guarde o comentário para você e tente falar algo positivo, pode ser? 

Leitura: The Luminaries, Eleanor Catton

The Luminaries foi meu companheiro fiel nos últimos 2 meses. Carreguei suas 832 páginas (nem adianta deixar comentário falando de e-reader, dessa água só beberei no dia que não existirem mais livros impressos, me deixa) de casa do trabalho do trabalho para casa todo santo dia. E valeu a pena.

É um livro sensacional, e eu não consigo entender como uma pessoa de apenas 30 anos (25 quando comecou a escrever) tenha conseguido escrever algo assim tão, tão bom. Sinto inveja intelectual de alguém assim tão inteligente! Comentei isso com uma amiga outro dia e ela disse 'bom, vai ver os pais delas tem muita grana né, e ela não precisava trabalhar'. Eu realmente amo minhas amigas.

Mas, ao livro. A história começa dia 27 de janeiro de 1866 na cidade de Hokitika, na Nova Zelândia. Uma série de fatos estranhos, e que parecem estar interligados, acontecera na cidade 2 semanas antes, e 12 homens - cada um com um envolvimento diferente nos acontecimentos - reunem-se para tentar desvendar as circunstâncias desses acontecimentos.

Eu fiquei impressionada com a riqueza de detalhes da narrativa - como a autora consegue amarrar tão bem todos os personagens. Juro que pensei nela trabalhando em seu escritório, com uma parede toda riscada na sua frente, cheia de nomes e flechas, fatos e datas.

E como não virar fã de uma escritora que tuita o seguinte:



A maneira como os personagens interagem e até mesmo o tamanho de cada parte de livro também tem relação com astrologia: signos, influências de astros sobre planetas. Mas isso eu precisei pesquisar depois que acabei o livro pra entender melhor.

No fim, eu fiquei com uma pequena dúvida, mas nada que tenha estragado o prazer de ler esse livro. Se você já leu, deixe aí um comentário porque eu quero dividir minha angústia! E, pra quem não leu: recomendo!