Roku, o Dachshund

Outro dia, no Instagram, me deparei com um apelo: uma pessoa tinha achado um cachorrinho velho e doente que havia sido abandonado na rua. Essa pessoa pegou o cachorrinho e o levou até um abrigo - mas o abrigo só poderia ficar com ele mais um dia, e se ninguém o adotasse, ele seria colocado pra dormir.

E como ele precisava de muitos cuidados - seu estado de saúde era grave - essa pessoa decidiu começar uma vaquinha online pra arrecadar uma grana pra poder cuidar do cachorrinho e achar um lar para ele.

O cachorrinho se chama Roku, e felizmente a vaquinha foi um sucesso e ele já passou pelo pior. Está com uma família temporária até encontrar um lar definitivo, e está muito feliz. Eu recebo updates regulares por email sobre a evolução do Roku (porque eu ajudei na vaquinha). E eu adoro receber esses updates.

Eu só queria compartilhar isso pra mostrar que tem coisa legal rolando no mundo. E o querido Roku é prova disso!

Roku manda dizer: sua bondade e generosidade será apreciada pelos outros

Se você quer ajudar o Roku ou saber mais sobre a história dele, clique aqui.

Leitura: The Art of Asking, Amanda Palmer

Esse livro foi recomendado pelo Daniel, que escreve o blog Ducs Amsterdam, durante a sua palestra no Encontro Europeu de Blogueiros Brasileiros que rolou no Porto em novembro de 2015. Segundo o Daniel, todo mundo que quer ganhar dinheiro fazendo alguma coisa criativa precisa ler esse livro. Então resolvi comprar e ler de uma vez, já que o título também tem tudo a ver com uma das coisas que quero colocar em prática esse ano (pedir mais).

A Amanda Palmer é uma cantora e música americana (eu já falei sobre ela aqui no blog) que começou sua jornada artística posando como estátua viva na rua. Desde então ela conta com os seus fãs para conseguir financiar seus projetos musicais (incluindo uma campanha de sucesso no Kickstarter que gerou mais de 1 milhão de dólares).



Por causa desse método de trabalho, ela foi convidada a falar em um TED, e foi a repercussão dessa palestra que resultou no livro. Aparentemente, muita gente ainda hesita em pedir e aceitar ajuda, e a trajetória da Amanda é um exemplo ótimo de como construir um público alvo e contar com ele para seguir em frente com os seus projetos.



Recomendo! Apesar das muitas metáforas (sou uma pessoa objetiva, lembram?) e de algumas passagens um pouco repetitivas, o livro é ótimo. Se você ainda não assistiu a palestra dela no TED, veja, e se puder leia o livro!

Londres iluminada

Se você vê minhas fotos no Instagram, acompanha meus devaneios no Snapchat ou lê os posts no Aprendiz de Viajante já deve estar de saco cheio desse assunto, então volte uma casa e aguarde o próximo post.

Semana passada Londres recebeu seu primeiro festival de luzes, o Lumiere London. Foram mais de 30 instalações espalhadas pelas regiões de Kings Cross, Mayfair, Piccadilly e Westminster. Como tudo que é novidade em Londres, foi um sucesso.

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Apesar da falta de divulgação e do fato que a programação completa foi pro ar em cima da hora, as redes sociais espalharam a novidade e o resultado foi um sucesso. Os londrinos vestiram seus casacos mais quentinhos e saíram a caça ao tesouro para ver de perto as obras.

O festival foi de quinta a domingo, e no sábado era tanta gente na rua que a polícia acabou solicitando que algumas instalações fossem desligadas mais cedo que o horário previamente divulgado (22:30). Apesar da multidão, não houve pânico e a atmosfera na rua era muito boa, as pessoas estavam encantadas e curtindo muito a chance de poder caminhar por ruas do centro, que estavam fechadas para a a circulação de carros.

Eu e o Martin fizemos a peregrinação das luzes no sábado, e valeu muito a pena. Espero que o Lumiere London passe a ser um evento anual, e atraia cada vez mais artistas e espectadores!



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Londres mesmo

Achei esse vídeo interessantíssimo no canal do Londonist (em inglês), que mostra as variações perimetrais (eu acho que eu inventei essa expressão, mas me parece tão correta que eu vou deixar aqui) da cidade. Onde termina Londres? Morar perto de uma estação do metrô significa que você mora em Londres? O prefixo da sua linha telefônica é 020? E isso 'conta' como morar em Londres? E o seu CEP?

Enfim, é bem legal. E só pra constar: eu moro em Londres - nosso apartamento se encaixa em todos os 'requisitos' mencionados no vídeo.

Exposição: Samuel Pepys - Plague, Fire, Revolutions

Imagina que daqui a 350 anos alguém 'encontra' esse querido bloguinho nas profudenzas da internet e chega a conclusão de que ele é importantíssimo pra história do país, pois sua autora (oi!!!) testemunhou alguns dos acontecimentos chave de sua geração.

Bom, isso não vai acontecer, e foi um paralelo tosquíssimo pra dar um apanhado geral da exposição que está em cartaz no National Maritime Museum aqui em Londres (que fica no meu bairro, Greenwich).

Samuel Pepys, um moço classe média do século 17, escreveu um diário entre 1660 e 1669. Sabe o que aconteceu nessa época em Londres? A epidemia de peste bubônica, o grande incêndio, casamentos e coroações na família real.

Isso sem contar a decapitação de um rei, também testemunhada por ele, mas antes de ele escrever o diário.

O diário de Samuel Pepys é a base para essa exposição incrível, que é uma verdadeira aula de história sobre Londres. Além de quadros, artefatos, vídeos e áudios que dão diversos detalhes sobre esses acontecimentos, aprendemos também sobre o próprio Samuel Pepys (o sobrenome pronuncia Pips). Entre outras coisas, ele foi um cara que gostava de ir ao teatro, que trabalhou na marinha (mas não como marinheiro, ele gerenciava em terra) e que encarou uma cirurgia para retirar uma pedra na bexiga - SEM ANESTESIA.

A exposição acontece até o dia 28 de março, e o ingresso custa £10.80 (o acervo do museu pode ser visitado gratuitamente).

5 coisas que eu quero fazer em 2016

1. Correr uma meia maratona
A inscrição está feita e o treinamento em andamento. O mais difícil é ter que falar não para os convites dos amigos pra jantar/beber durante a semana. Mas acho que será recompensador - as vezes minha motivação enquanto estou correndo é pensar na reta final e na satisfação de cruzar a linha de chegada. Minha imaginação vai muito, muito longe enquanto eu corro, vocês não tem ideia.

2. Terminar de escrever um livro
Começado está. E quem sabe dá até pra publicar esse ano, mas vou colocar os pés no chão e ficar satisfeita se eu terminar de escrever. Afinal, entre escrever e publicar há um longo processo - que envolve outras pessoas, dinheiro e muito tempo (você já conhece o meu primeiro livro?)

3. Fazer algum curso
Quero alguma coisa de colocar a mão na massa, como cerâmica ou tapeçaria. Alguma técnica que eu aprenda e consiga fazer depois, em casa. Há anos (muitos, muitos) eu aprendi a fazer vela e fiz muito na época - adorava fazer e acho que até hoje conseguiria, se ainda tivesse o equipamento.

4. Aplicar para trabalho voluntário
Mais especificamente, em uma instituição cultural. Aqui em Londres existem dezenas de museus, e vou tentar me organizar para ser voluntária em algum deles, mesmo que seja algo temporário. Os museus mais conhecidos tem escassez de vaga para voluntários (afinal, quem não gostaria de ser voluntário na Tate?), mas quem sabe algum outro menor precise mais de um par de braços (e um cérebro) extra?

5. Pedir mais
Eu não tenho jeito para pedir/vender/negociar. E acho que estou perdendo muitas oportunidades por causa disso. Em 2016 eu vou pedir mais (claro, sendo sensata). No fim de 2015 eu tive uma ideia e decidi pedir no trabalho. Eu aguardava um não, mas a resposta foi sim. Então preciso parar de 'morrer de vergonha' e pedir.

Os melhores livros de 2015 - segundo meu pai!

Meu pai anda cheio das ideias para os meus blogs. Outro dia sugeriu que eu fizesse um top 3 dos livros que li em 2015. Eu então falei: 'faz você que eu coloco no blog!'. E ele fez - então lá vai, contribuição do véio para a sua lista de leitura de 2016!

"Mais um ano em que li muitos livros maravilhosos . Mas vou falar de três que por razões diversas estou considerando como destaque.

A Marca Humana - Philip Roth
Meu velho e conhecido escritor americano. Todo ano torço para que ele ganhe o Nobel de Literatura e, nada. O personagem, reitor de uma universidade, é dispensado, por um suposto comentário racista pronunciado na sala de aula. Exatamente ele, descendente de negros mas que renegou a família, abandonando-a, pois pela cor de sua pele , podia passar por branco. Além disso, tem um envolvimento com uma funcionária do serviço de limpeza, que é analfabeta. Tipo de trama de tirar o folego. Muito bom.

A Memória de Todos Nós - Eric Nepomuceno
Este escritor brasileiro, que traduziu também obras de diversos escritores latino americanos, faz neste livro um relato do tenebroso período das ditaduras na América Latina. São narrativas acerca de trajetória de alguns personagens marcantes, que não são únicos, mas exemplos do que aconteceu em todos os países que passaram por esse pesadelo. Quando vemos alguém numa manifestação, portando uma faixa a favor da ditadura, logo vem o pensamento de que esse livro do Nepomuceno faria um bem danado para essa pessoa.

Treze Contos - Anton Tchekhov
A grande surpresa do ano. Aliás, escritores russos sempre surpreendem. Comprei esse livro numa banca de revista no aeroporto do Rio de Janeiro, numa conexão pra Aracaju. A contra capa, na parte final diz : temos nessa seleção verdadeiras obras primas que passeiam livremente entre o cômico e o trágico, elementos complementares nas tristezas humanas, na visão do autor. É um livro maravilhoso cada conto melhor que o outro , o cotidiano expresso de maneira única."

(dei uma leve bronca no meu pai porque ele não indicou nenhum de autoria de uma mulher. Fica a dica, inclua mais autoras em suas leituras!)

Feliz ano novo!

Dei o pontapé para meu ano novo já há algumas semanas. Eu sou uma boa procrastinadora, então estou orgulhosa do meu esforço de ter começado projetos novos (como o Conexão Feminista e alguns guias novos - mesmo que não saiam do papel, estou satisfeita de ter tido a energia pra começar) ainda no fim de 2015.

Em 2015, com a companhia do Martin, me tornei uma corredora assídua. Fiz várias provas de 10km e melhorei muito minha resistência. Fiquei tão confiante que fiz a inscrição para uma meia maratona, que será em maio de 2016. Então taí, um dos objetivos do ano novo é terminar essa meia maratona, e continuar correndo.

Em 2015 a gente teve a companhia dos nossos pais. E viajamos com eles. Foi muito legal tê-los mais uma vez aqui, na nossa casa.

Em 2015, viajamos bastante. Entre outras coisas, vimos a Aurora Boreal logo no começo do ano, Voltamos ao País de Gales e terminamos o ano curtindo um mercado de Natal na Alemanha. Eu fui ao Porto para um encontro de blogueiros e dei uma palestra!

Em 2015 eu publiquei a versão impressa do meu Guia de Londres. Cada vez que recebo uma venda no meu email meu coração enche de felicidade.

Em 2015 eu fui convocada para ser juri em um tribunal criminal. Acho que foi a coisa mais importante e mais emocionante que já fiz na vida. Volta e meia lembro das pessoas que conheci lá e dos casos que ajudei a dar um fim.

Em 2015 eu e o Martin completamos 10 anos de casados! E eu ganhei um marido 'renovado', que resolveu emagrecer e já perdeu mais de 20 quilos.

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Em 2015 eu trabalhei como nunca. No trabalho 'oficial' e também no Aprendiz de Viajante. Foram poucos os momentos livres, sem eu estar na frente do computador. E por isso acho que em 2015 eu encontrei meus amigos com menos frequência.

Em 2015 eu me rendi so Snapchat e aprendi a editar vídeos. Mas passei a ver menos televisão e fui muito pouco no cinema. Li bastante, e continuo a começar um livro assim que termino o anterior. Não me rendi ao Kindle e nem pretendo.

Se 2016 for um pouquinho assim, tá bom demais!

FELIZ ANO NOVO!

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700 mil

O Facebook se comporta de maneiras diferentes com pessoas e com páginas. Como pessoa, eu acho o Facebook uma ferramenta sensacional (nem preciso explicar porque), mas como empreendedora, ele me dá nos nervos.

Construir uma página de um negócio no Facebook é lidar com frustrações diárias. Parece que o tio Mark está do outro lado do computador esfregando as mãozinhas e soltando uma risada maldosa enquanto você tenta promover seu negócio e vender seus produtos. Cada nova curtida é uma vitória, mas aí rapidamente nos lembramos que tio Mark é mais poderoso. Ele esconde nossas postagens, impede nosso crescimento.

Quer crescer? Pague. Pagou 10? É pouco. Bota mais 20 que eu juro que mostro tua página pra mais gente. E a gente tenta uma ou duas vezes, investimos nosso rico dinheirinho obtido com os valiosos cliques dos nossos leitores e então aprendemos que tio Mark quer mais, sempre mais.

Poxa tio Mark. Assim não dá. Vai ter que ser sem dinheiro mesmo, ou como falamos no mundo das redes sociais, crescimento orgânico. Conquistando cada curtida uma a uma, criando uma estratégia, engajando nossos leitores e seguidores com assuntos e imagens interessantes, que acrescentam algo.

E assim, chegamos aos 700 mil seguidores na página do Aprendiz de Viajante. SETECENTOS MIL!

Tio Mark chora. Gosto de imaginá-lo convocando uma reunião para entender como um blog brasileiro que escreve sobre viagens conseguiu conquistas 700 mil seguidores sem impulsionar postagens. Porque, se a gente estuda os algoritmos e jeitinhos que o tio Mark inventa, ele também deve estudar os nossos, não?

; )

Leitura: Onze Semanas, Ernani Lemos

Ganhei esse livro da Carol e acabei passando ele na frente dos vários outros que estão aguardando a vez na minha estante porque me pareceu uma leitura fácil, gostosa, e eu estava querendo 'relexar' depois do último livro, que foi bem pesado.

Realmente o livro é fácil de ler, vai rapidinho, mas a história não é 'light'. Trata-se do processo de reconciliação entre mãe e filha, sendo que a mãe está no leito de morte.

Eu gostei, mas também achei que as revelações mais importantes são feitas todas 'juntas'. Explicando melhor: na primeira metade a gente tenta adivinhar o que de tão ruim pode ter acontecido pra separá-las, e quando o motivo é revelado, várias outras 'bombas' caem também.

Achei um pouco estranho o fato de se passar na Inglaterra e alguns personagens terem nomes como 'Meg', 'Paul' e 'Alfred', sendo que o autor é brasileiro e o livro foi escrito em português. Não que tenha interferido na qualidade da história, mas em alguns momentos me parecia que o texto havia sido traduzido.

Eu esperava outro final, e que a personagem principal fosse menos autodepreciativa (é assim que escreve), mas isso é apenas birra minha, talvez porque eu estava torcendo pra ela ser mais feliz.

Inverno primaveril

Acho que não está acontecendo apenas em Londres, mas também em diversas outras regiões da Europa (de acordo com o que eu vejo no Snapchat!), um 'inverno primaveril'. As temperaturas estão bem acima da média para essa época do ano, chegando até mesmo na casa dos 20 graus em algumas horas do dia.

Pode até parecer boa notícia a princípio (principalmente pra quem reclama do frio o inverno inteiro!), mas eu acho assustador. Até algumas flores estão brotando, o que mostra que a natureza também está confusa. 15 graus as 7 da manhã no meio de dezembro? Alô, aquecimento global! E não é um dia ou uma semana - isso já está acontecendo há pelo menos duas semanas e a previsão não vê sinais de dias mais gelados até o fim do ano.

Ano passado já foi assim, um dezembro ameno, cerca de 10 graus em média. E a cada ano aqui eu noto que está ficando menos frio. Eu sei, uma hora a frente fria chega e a temperatura vai despencar, mas isso não compensa o fato da gente estar usando jaqueta jeans essa época do ano. Era pra todo mundo estar de cachecol, gorro, luvas.

Não é normal, não é bom. Prefiro o frio extremo ao fim dos tempos!

Reencontros reais

A gente sempre acha interessante quando uma amizade que começa virtualmente acaba migrando pra vida real. Mas é também tão bacana quando alguém que a gente conhecia ao vivo e a cores de repente reaparece na sua vida através das redes sociais.

Hoje de manhã fui surpreendida com uma mensagem no Facebook, de uma amiga da faculdade - não apenas amigas, mas minha 'flatmate', pois nós dividimos um apartamento por um ano! Ela acabou ficando nesse apartamento depois que eu saí, mas acho que a convivência foi tão intensa que a gente foi perdendo contato depois que a faculdade terminou.

Que bem que faz a passagem do tempo: hoje quando li a mensagem dela me veio um sorriso imenso, e eu esqueci de todo e qualquer desentendimento que a gente teve naquela época. Até falei pra ela, que olhando pra trás a gente tirou nosso convívio de letra!

Enfim, um bom começo de fim de semana!

Hamburgo

Ah, o fim de ano.... aquela época que a gente acha que vai estar tudo tranquilo, afinal estaremos perto do Natal, já não tem tanto trabalho esperando no escritório, os dias passam mais devagar porque estamos ansiosos esperando pelas festas.... OPS, NÃO.

O fim de 2015 está demasiadamente corrido, tanto que na sexta feira, véspera da nossa viagem pra Hamburgo, bateu um certo arrependimento de ter marcado o fim de semana prolongado. A gente deveria ter ficado em casa pra matar aquelas pendências pentelhas da vida adulta. Talvez a gente não seja adulto o suficiente, e em vez de organizar a bagaça fizemos as malas e fugimos para o frio alemão, deixando a bagunça esperando até segunda feira.

Desde que meus pais nos visitaram pela primeira vez, em 2010, e fomos para Berlim (viagem também conhecida como férias frustradas de Natal), nós não íamos para a Alemanha nessa época. E passear nos mercados natalinos alemães é algo incrível. Várias cidades tem mercados de Natal, mas ninguém consegue fazer como eles, sejamos honestos.

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Escolhemos Hamburgo pelo simples fato de ser uma das grandes cidades alemãs que ainda não conhecíamos, e também por ser viável ir pra lá pra passar apenas três dias. Conseguimos inclusive usar um dos dias para fazer um passeio até outra cidade, Lübeck, que pra mim acabou sendo o ponto alto da viagem.

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Enfim, voltamos pra uma casa bagunçada e uma lista de afazeres imensa, mas a escapada alemã a dois valeu bastante a pena. Os relatos detalhados como sempre serão publicados lá no Aprendiz de Viajante, mas as queridas redes sociais foram atualizadas em tempo real!

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Leitura: A Little Life, Hanya Yanagihara

'Esse livro é maravilhoso. Me dá arrepios só de lembrar', falou o vendedor da livraria quando eu comprei A Little Life. Ele foi um dos indicados ao Man Booker Prize desse ano, e apesar de estar entre os favoritos, não levou o prêmio (que ficou com 'A Brief History of Seven Killings' de Marlon James).

Eu não conhecia a autora e sabia pouca coisa sobre a história: quatro amigos que depois de formados decidem tentar a carreira em Nova York, e os acontecimentos marcantes na vida deles ao longo de décadas. Era essa a informação que eu tinha.

É difícil comentar sobre a história sem entregar alguma coisa importante pro desenrolar do enredo. Mas, basicamente, a vida de 3 dos quatro amigos é 'normal', mas um deles está cercado de problemas. E aos poucos - ao longo dos anos, na história - a autora vai revelando a raiz desses problemas.

Eu adorei o livro, apesar de ter sofrido com a leitura. Cada revelação é uma porrada, e quando você se dá conta de que ainda está na metade da leitura, já começa a ficar ansioso pra saber 'mas o que mais pode acontecer?'.

São mais de 700 páginas (eu acho que poderia ser um pouco mais curto, li muitas críticas a respeito disso antes de começar), mas garanto que você não fica entediado. É aquele tipo de leitura que prende de forma inteligente: a gente testemunha o crescimento e envelhecimentos dos personagens.

Recomendo, muito!


É trabalho e ponto

Eu sou uma pessoa realista. Tem quem fale que eu sou negativa, mas eu prefiro o termo realista mesmo. Ainda mais quando o assunto é trabalho. E ainda mais quando vejo por aí um monte de textões metidos a inspiradores (que na verdade prestam um grande desserviço) do tipo 'ame seu trabalho e você nunca ficará deprimido no domingo'. Ou, pior, 'ame o que faz e você não trabalhará um dia na sua vida'.

Eu acho exagerada demais essa cobrança que a gente tem que amar o que faz, que tem que achar um emprego sensacional. Já não basta ter que trabalhar e pagar conta? Posso achar apenas ok trabalhar e ficar mais feliz com o salário? Mas tudo bem, digamos que você realmente ama o seu trabalho (eu amo a minha casa, o meu marido, viajar, ver minhas amigas, vender meu guia, escrever no blog, comer bem, essas coisas assim que acontecem fora do escritório). Vai dizer que você tem a mesma felicidade no domingo a noite e na sexta feira a tarde? Não dá.

Esse lance de amar o trabalho pra não se sentir trabalhando é uma das coisas mais sem noção que eu já escutei (obviamente que não se aplica para os casos onde a pessoa abre seu próprio negócio transformando uma coisa que a faz muito feliz - tipo escrever um guia ou criar abelhas e produzir mel - em trabalho remunerado). Sim, claro que dá pra ter prazer no trabalho, se sentir feliz até quando alguém leva bolo pro escritório, por exemplo, mas cá entre nós: eu amo é o dinheiro no bolso e aposentadoria o mais rápido possível.


'Escolha uma especialidade que você ama e você jamais terá que trabalhar, porque essa área provavelmente não tem vaga de emprego'

Ingressos para atrações em Londres

Coloquei uma aba nova aí em cima, no topo da página, chamada 'Ingressos para atrações'. Sim sim sim, mais uma coisa pra eu fazer um merchan esperto aqui. É que fechei uma parceria com o Visit Britain (fui aprovada para fazer parte do programa de afiliados deles, que nada mais é que uma 'revenda' - o blog funciona como mais um canal de venda para eles), e agora vocês podem comprar ingressos para atrações em Londres e Grã Bretanha utilizando meu blog (ou melhor, meus blogs, porque é claro que isso funciona também pro Aprendiz de Viajante) como meio.

É assim: você clica em um dos banners aqui do blog, ou na aba aí em cima, e será redirecionado para o site deles. Se você comprar algo lá, eu vou ganhar comissão. Não muda nada pra você, o preço é o mesmo sempre!

Diversas empresas oferecem programas de afiliados para os blogueiros (por exemplo, o booking.com), e essa é uma das maneiras que monetizamos com o blog. Blogs de viagem, principalmente, pois nesse meio não há muito publipost ou banner publicitário. A gente acaba fazendo mais essas parcerias e lançando produtos (vide o meu guia), e muitos blogueiros oferecem serviços de passeios guiados nas cidades onde vivem.

Então fica combinado: se você quer visitar alguma atração paga em Londres e gosta de se organizar com antecedência, compra o ingresso por aqui! Vai ajudar a blogueira e evitar a fila do guichê ; )

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Conexão Feminista

A falta de atualizações no meu querido blogito não é falta de interesse ou assunto, mas a boa e velha falta de tempo mesmo, que me ocorre de vez em quando. Tenho trabalhado bastante e esse fim de ano aconteceu algo extraordinário pra mim: em vez de sentir a pilha acabando, me vi cheia de ideias e resolvi colocar a mão na massa pra fazer essas ideias acontecerem antes de 2016.

Uma dessas ideias é a Conexão Feminista, que foi pro ar ontem. Esse é um projeto em dupla, com uma das minhas melhores e mais antigas amigas, a Renata (já falei da Rê tantas vezes nesse blog, mais recentemente sobre a empresa dela, o Studio Minemosine). Nós duas queríamos fazer algo a respeito dessa causa pela qual somos apaixonadas, mas foi recentemente que nos demos conta que poderíamos fazer algo juntas, pois como diz o velho ditado duas cabeças pensam melhor que uma.

A Conexão Feminista é uma plataforma pra gente pura e simplesmente bater papo sobre feminismo. Por enquanto, estamos usando os Hangouts do Google pra fazer isso, que então ficarão disponíveis em um canal no YouTube. Também criamos uma página no Facebook pra divulgar a ideia e ter mais uma canal de diálogo.

O primeiro hangout foi pro ar ontem. Foi uma introdução, pra gente se apresentar e contar como e quando nos descobrimos feministas.



Eu preciso da ajuda de vocês pra conseguir um link personalizado no YouTube. Enquanto o canal não alcançar 100 inscritos, não conseguimos pedir a url YouTube.com/ConexaoFeminista. Então, peço que vocês cliquem aqui e assinem, pra ajudar a gente a ganhar espaço nesse mundão da internet.

O próximo hangout será dia 9 de dezembro, às 17:30h (horário de Brasília), e o assunto será inspirações feministas. Mais detalhes lá na página do Facebook (mais perto nós colocaremos o link pra quem quiser assistir ao vivo).

'Estamos bem, estamos no Porto'

Esse fim de semana foi cheio de 'primeiras vezes': a primeira vez que fiz uma palestra para um grupo de blogueiros (sobre a experiência com o meu Guia de Londres), a primeira vez que participei de um encontro de blogueiros, a primeira vez que abracei um monte de gente que já adorava virtualmente e a primeira vez que voltei de uma viagem com mais dinheiro do que quando fui (ha!).

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Mas não foi a primeira vez que fui para o Porto - estive lá em 2013 com o Martin e nós dois adoramos a cidade. Essa segunda visita apenas confirmou o quanto esse lugar é maravilhoso: tem história, ótima gastronomia, lindas paisagens, arquitetura, arte, e é claro os portugas que são gente finíssima.

Mas vamos por partes.

  • A palestra: acho que falar em público não é a coisa favorita de ninguém. Está longe de ser a minha, e inclusive há tempos eu venho me esquivando de palestras lá no meu trabalho. Mas o convite da Rita (falarei dela mais pra frente) foi irrecusável, afinal eu não poderia perder a oportunidade de compartilhar minha experiência com a publicação do Guia de Londres. No fim, deu tudo super certo e acabou sendo pouco tempo pro tanto de coisa que eu precisava falar. Ah, e detalhe: a palestra foi na Casa da Música, um ícone da arquitetura contemporânea.

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  • O encontro: essa foi a segunda edição do Encontro Europeu de Blogueiros Brasileiros, idealizado pela Cris Rosa do blog Sol de Barcelona. A primeira, ano passado, foi em Barcelona, e esse ano quem tomou as rédeas da organização foi a Rita Branco, do blog O Porto Encanta (e dona das sábias palavras que dão título pra esse post!)O encontro cresceu muito nessa segunda edição - de 18 para 45 participantes - e foi um sucesso graças a dedicação da Rita e da Cristina e do patrocínio da Associação de Turismo do Porto e de diversos hotéis e restaurantes. Além das palestras, os participantes também exploram a cidade e trocam muitas ideias e experiências sobre blogagem e blogosfera. 
  • Os amigos: fui para o Porto conhecer outros colegas e voltei cheia de amigos. Sim, tinha bastante gente lá que eu já conhecia (como a turma aqui de Londres: Lili, Ana, Karine, Pedro e Paula). Finalmente pude trocar ideias ao vivo e a cores com bloggers pelos quais tenho muito respeito e admiração, como o Daniel Duclos e a Luiza. Mas todos ali são gente finíssima e fazem seu trabalho muito, muito bem! Incrível como essa turma é criativa e inovadora - vários, além do blog, também organizam tours guiados nas cidades onde vivem, criam roteiros personalizados e tem também - como eu - guias publicados. 

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  • O lucro: antes da viagem, umas 3 pessoas tinham me falado que queriam um exemplar do guia. Então coloquei alguns na mala e pensei que se vendesse um ou dois a mais do que os já 'comprometidos' estaria bom demais. Não apenas vendi todos como faltaram exemplares (devidamente encomendados e colocados no correio!) - fiquei feliz demais com o feedback da turma, e olha que não é qualquer feedback, afinal todo mundo ali tem uma tonelada de experiência escrevendo e divulgando a cidade onde moram e as viagens que fazem. Fiquei muito, muito feliz!

Para ver todas as fotos postadas no Instagram ao longo do fim de semana, procure a hashtag #IIEEBB. E agora é esperar a terceira edição do encontro, que será ano que vem em Berlim! Quem sabe até lá o segundo livro já estará publicado e eu volto pra casa rica novamente? : )

Leitura: The Vagenda, Holly Baxter & Rhiannon Lucy Cosslett

Comprei esse livro junto com o Everyday Sexism, mas acabei adiando a leitura por tempo demais! Mais um livro feminista que me ensinou muito (e me inspirou também). O Vagenda é originalmente um blog, fundado por duas amigas (Holly e Rhiannon) que se encheram o saco de ler tantos aburdos e encontrar tantas coisas contraditórias nas chamadas 'revistas femininas'.

O blog cresceu muito e ganhou fama e colaboradores, e acabou abrangendo diversos assuntos na esfera feminista. Mas o livro, publicado em 2014, volta as origens do blog e analisa a relação entre sexismo e mídias, e como a dupla editorial+anúncios pode ser prejudicial em todos os aspectos na vida de uma mulher.

O livro é bem humorado e realista: o texto não mede palavras pra expressar a decepção e frustração das autoras com as idiotices publicadas por aí. Trabalho, relacionamentos, beleza - pra todos esses assuntos as revistas conseguem vomitar imbecilidades e criar 'problemas' e 'dilemas' que beneficiam apenas anunciantes e prejudicam o desenvolvimento da nossa personalidade e nosso lugar na sociedade, desde muito, muito cedo (alô Capricho).

Durante a leitura, fui marcando várias páginas, e queria dividir aqui algumas passagens que tem aquele feito 'caiu a ficha' (pelo menos tiveram pra mim):

'Ultimately, fashion should be fun, female-friendly and empowering, not an exploitative madhouse staffed by fat-phobic fascists'

'Because the fact of the matter is that enough racist, sexist, homophobic, privately educated 'boys of the old school' remain in powerful places to keep you from achieving  on your own merit if you happen to be a woman, or not white, or not straight, or trans, or working class, or all of the above.'

'Once you start counting, you become amazed at the ability of mags to make you feel as every part of your body is a hideous overgrowth, and your role as the intellectual inhabitant of this endlessly expading jungle is to desperately keep hacking away at the trees'

A parte final do livro, que fala exclusivamente de cultura de estupro, talvez deveria ter sido colocada no começo, pra de cara todo mundo já entender que nunca é 'só' uma propaganda, ou 'só' um filme, ou 'só' uma capa de revista.

Quem sabe está nas nossas mãos o poder de mudar, de criar uma revista (ou um blog?) que não fale de corpo perfeito para o verão, ou de como garantir que seu homem está sexualmente satisfeito. Ou que dê realmente boas dicas profissionais ao em vez de falar que as pessoas no escritório irão te respeitar apenas se você usar as 'roupas certas'.


Leitura: Voizes Anoitecidas, Mia Couto

Esse foi um dos livros que meu pai deixou aqui esse ano - meu estoque de livros em português tinha acabado! Mia Couto é um escritor moçambicano, e esse é seu primeiro livro de contos.

Eu gostei muito dos primeiros contos, que pra mim tem um 'que' de realismo fantástico a lá Gabriel Garcia Marquez, e também falam bastante de cultura e tradições locais. Mas da metade pro fim começou a ficar chatinho, e a leitura arrastou, demorei um monte pra acabar.

Enfim: é fácil de ler (justamente por serem contos curtos) e um bom intermediário depois de um livro mais pesado, sabe? Pra dar uma espairecida e tal... mas só. Infelizmente é o tipo de livro que em pouco tempo vou esquecer que li (as vezes vejo meus posts de leitura antigos aqui no blog e relembro alguns livros que tinham sido completamentes apagados da minha memória!).

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