O gatinho da garagem
Nem me lembro quando vimos o gatinho na garagem aqui do prédio pela primeira vez. Um ano, talvez? Não sei. Mas sabe como é gato né? Passeia o dia todo, depois volta pra casa. Sempre tem alguns pela vizinhança, a gente até reconhece. Tem um gato tão gordo que volta e meia aparece na plataforma da estação de trem que temos aqui na frente do prédio que uma vez eu vi de longe e achei que fosse uma raposa.
Mas enfim, voltando ao gato da garagem. Começamos a encontrá-lo quase todos os dias, e cada vez ele estava mais amigável. Uma coisa de folgado: pedia carinho, rolava no chão de barriga pra cima. Começamos até a comprar comida pro gatinho (eu na verdade achei que era uma gatinha. Então eu chamo de gatinha, e o Martin chama de gatinho). Não só a gente, mas várias pessoas. Todo mundo compra comida pro gato.
Aí alguém fez uma caminha pro gatinho, e algumas pessoas acharam que era uma gatinha mesmo, e que ainda por cima estava grávida. Mas não, é um menino e está é gordinho mesmo, de tanto comer. O gato virou assunto principal no grupo do prédio do Facebook, e agora uma pessoa perguntou se sua mãe poderia adotá-lo, se todo mundo estivesse de acordo. Claro que estamos né? O gatinho mora na garagem, ganha atenção detodo mundo mas ao mesmo tempo fica lá, sozinho, a noite toda e boa parte do dia.
Eu vou morrer de saudades do gatinho, que além de fofo e folgado acabou unindo os moradores desse prédio. O pessoal aqui não é o mais amigável, mas parece que ninguém resiste a um bichinho abandonado.




